Segunda-feira, 19 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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Procurador apura quebra de sigilo telefônico de jornalistas

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 20/11/2008 na edição 512

Leia abaixo a seleção de quinta-feira para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Quinta-feira, 20 de novembro de 2008


 


SATIAGRAHA
Alan Gripp e Hudson Corrêa


Procurador apura se PF quebrou o sigilo telefônico de jornalistas


‘O procurador da República Roberto Dassié disse ontem na CPI dos Grampos apurar as suspeitas de que a Polícia Federal quebrou, sem autorização judicial, o sigilo telefônico de jornalistas que acompanharam a Satiagraha, em 8 de julho.


Reportagem da Folha do início deste mês revelou que na investigação aberta para apurar o vazamento de informações da operação, a PF conseguiu, sem autorização judicial, a quebra do sigilo telefônico de aparelhos da Nextel, usados no dia da operação. O objetivo era identificar telefones de jornalistas da TV Globo.


A CPI também prorrogou seus trabalhos por 60 dias.


Segundo o Ministério Público, a PF pediu à Nextel a relação completa dos celulares e antenas usados exclusivamente em locais onde havia equipes da TV Globo naquele dia. Na CPI, Dassié afirmou que pediu à PF que explicasse a finalidade do pedido, mas disse que não tinha tido resposta.


O delegado responsável pelo inquérito que apura vazamentos de dados da Satiagraha, Amaro Vieira Ferreira, também falou ontem na CPI. Ele disse que a denúncia é uma ‘invenção’, mas só aceitou dar explicações em sessão reservada.


Com as portas fechadas, Amaro reproduziu os argumentos já apresentados pela PF, segundo deputados presentes. Disse que queria apenas saber que antenas da Nextel estavam em funcionamento no dia e locais da Satiagraha, para, numa segunda etapa, pedir a quebra de sigilo de telefones.


O procurador rebateu: ‘A existência de antenas e a localização podem ser obtidas no site da Anatel. Se os senhores entrarem lá, podem obter a localização das antenas que servem a esta Casa’. Segundo o delegado, a PF alugou 52 aparelhos Nextel para a operação. Ele disse que investiga se agentes da Abin e ‘colaboradores privados’ usaram os aparelhos.


O procurador disse ainda que a PF negou a ele o fornecimento de dados sobre os gastos da operação, alegando sigilo.’


 


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


A caravana passa


‘Na manchete do portal Terra, ‘Exclusivo: juiz Fausto De Sanctis vai condenar Daniel Dantas’. Na home do Terra Magazine, a explicação de que ‘a Operação Satiagraha e suas conseqüências nos tribunais têm uma lógica’ e ‘é possível afirmar que, salvo medidas jurídicas de última hora, o banqueiro será condenado pelo juiz’. Por fim, escreve Bob Fernandes, ‘da mesma forma lógica, não é difícil antever o que se dará quando o processo subir, quando for julgado além da 6ª Vara Federal’.


Por outro lado, registra a Veja.com, na noite de terça ‘Lula compareceu a um compromisso que raramente aceita: um evento de comemoração do aniversário de uma empresa’. Eram os 60 anos da Andrade Gutierrez. ‘Na mesa principal’, escreve Lauro Jardim, ‘estavam, além de Lula, Sérgio Andrade e Carlos Jereissati, donos da futura Oi/BrT’.


O PODER DAS PERGUNTAS


O blog de Patricia Kogut e o site Meio e Mensagem postaram, por aqui. E o Media Guardian, do jornal britânico, postou o vídeo. É a nova campanha da BBC, intitulada ‘O Poder das Perguntas’ e iniciada ontem em publicações e sites pelo mundo. Apresenta suas ‘perguntas difíceis’ ou assassinas (killer questions) como as ‘armas mais poderosas’ do canal de notícias. Para ilustrar, cenas de ‘líderes mundiais’ engasgando para responder. Entre outros, George W. Bush e Lula, este entre Barack Obama e Nelson Mandela, gaguejam e pausam. É para mostrar seu ‘rigor jornalístico’, com quem quer que seja.


DOHA ÀS PRESSAS


A representante americana no Fórum Econômico Ásia-Pacífico anunciou que George W. Bush viaja à reunião em Lima, no Peru, para ‘pressionar pessoalmente pela retomada de Doha’. É o que move o encontro, segundo o título da AP, ‘ressuscitar Doha’, com a presença também de China e Rússia. ‘Mas grandes atores, inclusive Brasil e Índia, estarão ausentes.’


De Brasília, o chanceler Celso Amorim deu entrevista a Reuters e outras, para afirmar que, agora sim, existe ‘vontade política’. Mas alguns ainda relutam, por não saber como Obama reagiria ao acordo.


INVASÃO CHINESA


Na manchete on-line do peruano ‘El Comercio’, ontem, ‘Hu Jintao é o primeiro presidente a chegar para a cúpula da Apec’, o Fórum Ásia-Pacífico. Não foi só para a reunião. ‘Chegou com 600 empresários de seu país.’


E RUSSA


No enunciado do ‘Moscow Times’ reproduzido no ‘Miami Herald’, também ‘Dimitri Medvedev quer negócios de verdade na América Latina’, ele que vem ao Peru e também Brasil, Venezuela e Cuba, em turnê pela região.


O INSULTO


‘New York Times’, ‘Washington Post’ e outros evitaram destacar. Mas o site do tablóide ‘The Sun’, reproduzindo o vídeo do ‘site oficial da Al Qaeda, o As-Sahab’, e depois os sites Huffington Post e Drudge Report e muitos outros trombetearam manchetes para afirmar que a Al Qaeda ‘insultou’ Barack Obama.


Em árabe, falando por mais de 11 minutos, o número dois da organização chama o presidente eleito dos EUA de ‘abeed al-beit’, escravo caseiro. Mas a legenda em inglês apresentada pela própria Al Qaeda traduz como ‘house Negro’, negro caseiro. Foram insultados também os dois secretários de Estado de Bush, ambos negros, Colin Powell e Condoleezza Rice.


UM PEDAÇO


Via agências como a Bloomberg, o encontro internacional sobre aquecimento global na Califórnia abriu com a assinatura de acordo pelo governador Arnold Schwarzenegger com ‘representantes do Brasil’, visando ‘combater o desmatamento’. Foi para ‘mandar uma forte mensagem’, declarou o ator. O governador do Amazonas, Eduardo Braga, também presente, disse que ‘adicionar valor econômico à floresta é o único meio de preservá-la’.


A ‘Economist’, em blog, ironizou que ‘a Califórnia comprou um pedaço do Brasil’, mas apoiou.’


 


 


TELES
Elvira Lobato


Tele pressiona por isenção de R$ 1 bi


‘Vivo, TIM, Brasil Telecom, Oi e CTBC Celular puseram de lado as divergências e, juntas, pressionam o governo para que aumente o prazo para pagamento, sem juros e correção, das licenças do serviço celular 3G (terceira geração), que adquiram em dezembro passado.


As cinco empresas devem um total de R$ 3,5 bilhões pela compra das licenças em leilão da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). Pelas regras do leilão, elas têm até 10 de dezembro para liquidar o débito, sem juros e correção, ou podem parcelar a dívida em nove anos, com três anos de carência, juros de 12% anuais e correção pelo IST (Índice do Setor de Telecomunicações).


Elas querem que o governo estenda a isenção de juros e de correção por mais 18 meses, o que equivaleria a uma renúncia de receita próxima de R$ 1 bilhão por parte do Tesouro.


Em carta ao ministro das Comunicações, Hélio Costa, no dia 5, a Acel (Associação Nacional das Operadoras Celulares) alegou que as teles assumiram compromisso de levar a cobertura de celular a todos os municípios até o final de 2009 e que a escassez de crédito e a desvalorização cambial colocariam o cronograma em risco.


O governo, até agora, tem resistido à pressão. Dentro do próprio setor há críticas ao pedido, porque nem todos seriam beneficiados. A Claro pagou já R$ 1,4 bilhão, à vista, em abril. A Sercomtel (operadora celular de Londrina) está implantando o 3G em outra faixa de freqüência que já possuía e também ficaria em desvantagem.


Há entendimento de que haveria um desequilíbrio no mercado se só alguns fossem favorecidos. E os excluídos passariam a cobrar compensação.


Até mesmo entre as candidatas ao benefício há divergências. As que já têm dinheiro para pagar a dívida de uma vez acham que o pleito prejudica politicamente o setor.


Como justificar a renúncia de receita pelo Tesouro para beneficiar a Oi, que está investindo R$ 12 bilhões na compra da Brasil Telecom? Ou para beneficiar empresas de capital estrangeiro, como Vivo e TIM?


Entre janeiro e setembro deste ano, empresas de telecomunicações enviaram US$ 691 milhões em lucros para suas matrizes no exterior, aumento de 194% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo o Banco Central.


O leilão das freqüências para o 3G (que permite o acesso à internet em banda larga) provocou grande disputa. As licenças foram vendidas com um ágio médio de 89,24% sobre o preço mínimo fixado pela Anatel.


Segundo dados da agência, a Oi tem um saldo a pagar de R$ 780,3 milhões. Se parcelar o pagamento, os juros de 12% ao ano e a correção pelo IST aumentarão a dívida em cerca de R$ 210 milhões, supondo-se que o índice de custo setorial se mantenha estável. A Vivo teria encargo de R$ 277,34 milhões (somando-se o custo da licença adquirida pela Telemig); a TIM, de R$ 320,1 milhões, a BrT Celular, de R$ 118,1 milhões e a CTBC Celular, de R$ 7,48 milhões. O que elas pleiteiam ao governo é a isenção dessa despesa prevista.


Executivos do setor argumentam que o custo financeiro do parcelamento é muito alto -cerca de 18% ao ano-, comparando-se com o do crédito dos bancos oficiais para empréstimos de longo prazo. Mas admitem que usar a crise global como argumento para pedir isenção de juros ao governo soa oportunista, uma vez que as empresas têm a opção de parcelar o pagamento ao Tesouro, e conheciam as condições quando disputaram o leilão.


Segundo a Folha apurou, representantes das cinco companhias de celulares reuniram-se ontem com o presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Luciano Coutinho, para pleitear a obtenção de crédito de longo prazo para o pagamento das licenças.


Segundo relato de um dos participantes, Coutinho disse que o regulamento do BNDES não prevê financiamento para compra de licenças e negou o pedido. Diante da negativa, as empresas vão intensificar o assédio ao governo por mais prazo com isenção de juros.


Colaborou a Sucursal de Brasília’


 


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


Record faz programa suspeito sobre canibais


‘A Record exibe amanhã um ‘Câmera Record’ sobre os korowai batu, povos da Papua-Nova Guiné (Oceania) que moram em casas feitas em árvores e que são tidos como canibais.


O programa dirá, segundo texto enviado à Folha, que ‘investiu alto’ em uma ‘viagem rumo ao desconhecido’: ‘Depois de 92 horas dentro de aviões, 11 horas em canoas e oito dias a pé, no meio da selva tropical, o ‘Câmera Record’ registrou imagens nunca antes mostradas por nenhuma televisão do mundo! (…) O programa vai mostrar um olhar de como se vivia há 40 mil anos e também o choro e o medo de gente que vê, pela primeira vez, um homem branco, o repórter Gérson de Souza’, relata.


No entanto, uma simples busca no Google revela dezenas de sites de empresas que oferecem ‘tours’ e ‘expedições’ para os korowai batu, em pacotes que variam de US$ 1.400 a US$ 7.500 por pessoa.


No YouTube, há vídeos sobre as tribos. O National Geographic já exibiu pelo menos dois programas sobre os korowai. Em 2006, uma TV da Austrália anunciou o que seria o primeiro contato dos korowai batu com a civilização, mas foi ironizada por um site: ‘Não. Foi o primeiro contato com uma TV sensacionalista da Austrália’.


Ontem, questionada sobre o falso ineditismo, a Record recuou. Disse que é a ‘primeira emissora brasileira’ a mostrar os korowai batu.


BAIXA


Depois de Maria Clara Gueiros, o ‘Zorra Total’ perderá mais um comediante. Marcius Melhem, o personal stylist de Lady Kate (Katiuscia Canoro), deixará o programa no início de 2009 para se dedicar a ‘Caminho das Índias’, próxima novela das oito da Globo.


ALTA


Melhem, que também é roteirista e um dos idealizadores de ‘Casos e Acasos’, interpretará Radesh, um malandro carioca que tentará dar o golpe do dote numa família indiana, segundo a autora, Glória Perez.


LOIRA X MORENA


Camila Pitanga deverá substituir Luana Piovani em ‘Faça Sua História’. A loira foi afastada do programa da Globo após agredir uma produtora, na semana passada. Ela nega.


CÂMERA LOUCA


Já está no YouTube vídeo do erro de câmeras ocorrido no ‘Jornal Nacional’ de segunda-feira. Foi o segundo em menos de uma semana. No dia 12, uma câmera invadiu o vídeo e quase bateu em William Bonner.


PROGRAMA TOSCO


Também já está no YouTube um vídeo em que bailarinas dos programas de auditório do SBT supostamente desfilam no ‘Esquadrão da Moda’, reality show previsto para estrear no início de 2009. O material é de qualidade no mínimo duvidosa.


TENSÃO


O clima anda pesado nos bastidores de ‘Esquadrão da Moda’. A apresentadora Isabella Fiorentino tem reclamado que a produção tem muito homem que não entende de moda. Boa parte era do ‘Domingo Legal’.’


 


 


Cristina Luckner


E! mostra estrelas sem maquiagem


‘As estrelas de Hollywood são verdadeiros exemplos de beleza para mulheres em todo o mundo. Sempre bonitas, arrumadas e maquiadas, desfilam -nas ruas ou nos tapetes vermelhos- com um sorriso estampado no rosto.


E como essas estrelas se parecem sem maquiagem? E com o cabelo desarrumado? Esse é o tema do especial exibido hoje no E! Entertainment Television, às 21h, ‘Star Without Makeup: the Good, the Bad and the Fugly’ (estrelas sem maquiagem: o bom, o mau e o muito feio).


Na era paparazzi ficou mais fácil flagrar as atrizes e modelos em atividades que são comuns aos simples mortais: ir ao supermercado, recolher o cocô do cachorrinho, pegar um café na padaria ao acordar.


E Keira Knightley, Penélope Cruz, Kate Hudson, Heidi Klum, Elisha Cuthbert e outras beldades que aparecem no programa, não parecem se importar tanto com as aparências quando desconhecem a presença de fotógrafos. No entanto, lá estavam as câmeras. O resto você já pode imaginar: uma seqüência dos piores ângulos dessas beldades, manchas de pele, espinhas, olheiras e tudo o mais que as empresas de cosméticos passam anos desenvolvendo produtos para esconder.


STAR WITHOUT MAKEUP


Quando: hoje, às 21h


Onde: E! Entertainment Television


Classificação indicativa: não informada’


 


 


MEIA
Larissa Guimarães e Maria Clara Cabral


Medida exige venda de meia-entrada pela web


‘Enquanto o Senado Federal discute restrições para a venda da meia-entrada, a Câmara dos Deputados aprovou anteontem projeto de lei que torna obrigatória a venda desse tipo de ingresso pela internet para qualquer tipo de evento.


A proposta aprovada pelos deputados, que segue para votação dos senadores, exige, para a compra da meia-entrada, que o consumidor apresente carteira comprovando direito ao benefício ao usar o ingresso.


Caso não apresente o documento, perderá o ingresso. Já os responsáveis pelo evento que não disponibilizarem o serviço, poderão pagar multa ou terem suspenso seu funcionamento. Atualmente, apesar de não-obrigatório, algumas empresas já permitem a venda.


‘Privar o consumidor das facilidades oferecidas pela rede mundial de computadores é ação condenável, que dificulta exercício do direito previsto em lei. A iniciativa tem o intuito de corrigir tal distorção e regularizar a venda de ingressos com desconto pela internet’, justificou o deputado Felipe Bornier (PHS-RJ), autor da proposta.


No Senado, a Comissão de Educação, Cultura e Esporte deve votar na próxima semana um projeto que limita o benefício da meia-entrada a 40% do total de ingressos em cinemas, teatros, shows e eventos educativos, esportivos e de lazer.


Essa proposta, dos senadores Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e Flávio Arns (PT-PR), deveria ter sido votada anteontem, mas houve um pedido de vista do senador Inácio Arruda (PC do B-CE), o que adiou a votação.


Além de estabelecer cota para a meia-entrada para estudantes da educação básica e do ensino superior, o projeto de lei prevê a regulamentação das carteiras estudantis.


A senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), relatora do projeto, afirma que o estabelecimento de uma cota é uma tentativa de regulamentar o mercado e baratear o preço dos ingressos.


Os estudantes são contrários a qualquer tipo de cota, e os produtores artísticos afirmam não ser possível trabalhar sem o limite de meias-entradas. A briga é antiga, mas cresceu quando se cogitou limitar o uso da carteirinha estudantil nos fins de semana, proposta que acabou sendo descartada.


O diretor da Abeart (Associação Brasileira dos Empresários Artísticos), Ricardo Chantilly, diz que hoje os ingressos estão mais caros do que há alguns anos porque os ingressos de meia-entrada representam cerca de 80% dos pagantes.


‘Não existe meia-entrada de verdade no país. Fica difícil trabalhar sem uma previsão de quantos serão meia-entrada.’


Segundo a presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes), Lúcia Stumpf, a entidade quer a regulamentação das carteirinhas estudantis.


‘Por uma questão de princípio, nós não aceitamos a limitação de um direito conquistado.’’


 


 


 


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