Segunda-feira, 23 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
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Que jornalismo é esse?

01/09/2009 na edição 553

O jornalismo deve se atentar para o comportamento da sociedade sem perder suas vocações, como vigiar, denunciar, investigar e refletir sobre os fatos. Pesquisas apontam que os internautas brasileiros passam a maior parte de seu tempo navegando em redes sociais – Orkut, Twitter, MSN e blog. O mais intrigante deste comportamento do povo é que ele pode estar alterando profundamente a conversação de diferentes veículos de informação e o movimento das redações jornalísticas.

Temas polêmicos como o jornalismo brasileiro – após a queda da obrigatoriedade do diploma para exercer a profissão de jornalista e a Lei de Imprensa – predominaram e continuam ganhando força entre as redes sociais. As atualizações dos perfis transformam em pautas dados, informações e fontes para reportagens, notícias, protestos e mobilizações nacionais.

A grande mídia daria as mesmas vozes e dimensão ao tema? Provavelmente não. A cobertura das cadeias de comunicação foi de uma superficialidade, distorção e entreguismo incrível. Infelizmente, pautas que envolvem os direitos dos trabalhadores e os reais interesses da sociedade são distorcidas e jogadas para a população com falsa roupagem democrática.

Cultura de comunicações

As atualizações dos perfis se transformam em centrais de pautas. O bom uso das ferramentas pelas entidades, educadores e movimentos sociais pode ser um subsídio para jornalistas, comunidade e demais interessados nas atividades, ações e compromissos de um órgão. Muitos internautas, na ânsia de chamar a atenção, acabam criando vários perfis nestas redes. O que pode resultar na perda da credibilidade e controle da própria conta usuário.

No entanto, nem tudo que está na rede é fruto de internautas e pessoas físicas. Diria que há muito lobby da grande mídia. É preciso resgatar, na atual conjuntura, as condições do jornal impresso, do rádio e da televisão. É evidente que estes veículos não têm mais o mesmo espaço que tinham nas últimas décadas. Todos precisaram se adequar ao ciberespaço para sobreviver. Nesta adaptação, as empresas também criaram perfis, suportes, ferramentas, conteúdos e internautas fictícios.

Tudo isso com um único objetivo: continuar mantendo o poder. Olhar com cuidado o movimento das redes sociais é fundamental. Talvez a fala do monsenhor Paul Tighe, do Vaticano, explique melhor o futuro das redes: ‘Muitos jovens hoje não se voltam mais à mídia tradicional para informação e entretenimento. Eles buscam uma cultura de mídia diferente, e esse é nosso esforço para garantir que a igreja esteja presente nessa cultura de comunicações.’

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Jornalista, especialista em Linguagem, Cultura e Ensino, Foz do Iguaçu, PR

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