Quinta-feira, 21 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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E-NOTíCIAS > TERCEIRO SETOR E REDES

Realidade, comunicação e aprendizado

Por Carlos Antonio em 20/04/2004 na edição 273

Dentro das redes sociais, as organizações querem apresentar seus pontos de vista e suas propostas, e para isso devem definir políticas e estratégias, destinadas a conseguir um efeito maior com o mínimo de desgaste – as mudanças não têm ocorrido rapidamente apenas no mundo tecnológico, mas também dentro do contexto local e do convívio social, de maneira que os conhecimentos de ontem já não são suficientes para responder às novas realidades.

Atuar num mundo cada vez mais "interconectado" requer conhecimentos diversos e maiores que dificilmente podem ser adquiridos somente através da experiência local, e é neste sentido que a internet aparece como um recurso maravilhoso, por sua capacidade de ampliar e dar velocidade às trocas de informação.

Para as redes, a comunicação é um elemento que deve estar presente em suas estruturas e seus programas de formação. A participação em dinâmicas e oficinas se apresenta como um dos fatores mais importantes para a assimilação e o desenvolvimento conjunto de novos conhecimentos.

As trocas de informações que se implementam nas redes de organizações sociais não só propiciam a abertura de novas temáticas e problemáticas diferentes, como também contribuem para a consolidação do entendimento que cada integrante tem elaborado a partir de sua própria realidade. Nestes processos de troca, cada organização pode verificar que seus problemas são comuns às demais e aprender com outras abordagens e experiências, de tal modo que esses conhecimentos, a partir de uma realidade próxima, são assimilados com uma visão mais universal.

Compromisso de todos

A criação de uma "cultura" da disseminação de informação é gradual. é um processo longo, pois iniciar um trabalho em rede também está muito ligado à situação e ao meio em que a organização vive, sua trajetória e seus propósitos. A sociedade determina o envolvimento, e não a tecnologia utilizada:




"Consideramos o desenvolvimento econômico local como a constituição de uma ambiência produtiva inovadora, na qual se desenvolvem e se institucionalizam formas de cooperação e integração das cadeias produtivas e das redes econômicas e sociais, de tal modo que amplie as oportunidades locais, gere trabalho e renda, atraia novos negócios e crie condições para um desenvolvimento humano sustentável" (Coelho).

A participação em redes, para muitas organizações, é o que as motiva a compartilhar sua informação e experiência com outras. Esse intercâmbio de informações também faz que aquele que envia valorize mais seu próprio conhecimento e a possibilidade de expô-lo – a percepção da importância da comunicação tem crescido e algumas organizações estão percebendo as diversas dimensões e possibilidades de uma rede, entre elas seu papel nas relações humanas e organizacionais, tanto internas quanto externas.

As informações, através da internet, podem ser trocadas/divulgadas de forma extremamente rápida. Podem ser feitas redes temáticas das quais participem diversos atores, consolidando, assim, um processo de enriquecimento intelectual mútuo. Segundo Lévy, "as proposições de um ciberespaço e da criação de comunidades virtuais são respostas aos limites organizacionais de uma realidade complexificada com a globalização e seus efeitos negativos e positivos".

Com a internet, o intercâmbio de informações tradicional do "um-para-vários" é mudado para o "muitos-para-muitos". A relação torna-se multidirecional.

Para um bom funcionamento de uma rede que utiliza a internet como veículo para suas comunicações, faz-se necessário um "compromisso" de todos os participantes na busca e na disseminação da informação. Tudo que for pertinente ao assunto deve ser compartilhado – "como toda comunidade, as virtualmente constituídas precisam de acordos para a convivência e procedimentos sociais" (Lévy).

Interesse e sustentabilidade

De forma efetiva, os espaços "virtuais" na internet deram "voz" àqueles que tinham algo a falar. Porém, quem está escutando? Quem está recebendo essas informações? Uma coisa é uma boa quantidade de informação; outra é a capacidade de recuperar aquela que é pertinente e conseguir aproveitar o potencial oferecido por tal material. Ao receber esse fluxo de informação contínua, é chegada a hora de converter estes materiais/idéias/informações em conhecimentos úteis para a entidade participante. As pessoas que acompanham a rede devem ser capacitadas para que encaminhem corretamente as informações interessantes para a(s) organização(ões) em que atuam – essas pessoas necessitam de flexibilidade de ação, raciocínio lógico/abstrato, compreensão do processo de redes e suas diferentes interconexões, capacidade de trabalhar em equipe e de ler e interpretar informações em diferentes linguagens. De acordo com Orlando, "novidades precisam ser compreendidas, potencialidades precisam ser valorizadas e ambivalências precisam ser superadas".

Claro que ainda existem alguns obstáculos para o bom funcionamento destas redes, como recursos humanos, recursos financeiros e, principalmente, tempo. Sustentar uma rede exige um esforço singular, e somente algumas organizações que já têm bem definida a necessidade da comunicação como um elemento essencial conseguem dar continuidade. Vemos por aí diversas listas que são iniciadas com a intenção de criar uma rede e cujo funcionamento não passa de uma semana. Cada qual, a partir de sua realidade, deve articular devidamente sua estratégia, para que possa atingir seus objetivos.

Para finalizar, Amaral afirma que "a sustentabilidade das redes repousa e depende do interesse das pessoas em se comunicarem e compartilharem seus conhecimentos, seus anseios, seus objetivos" – e isto dentro de uma nova relação com o conhecimento, a partir do entendimento de que é necessário utilizar ferramentas de recuperação e relacionamento da informação e estruturar os materiais recebidos e transmitidos.

Referências

Coelho, Franklin. "Desenvolvimento local e construção social – o território como sujeito"

Pierre Lévy. (1994). "A inteligência coletiva. Por uma antropologia do ciberespaço"

Orlando, V (Org.). "Internet e educação". São Paulo: Unisal, 1999. 62 p.

Amaral, Vivianne. "Rede Brasileira de Educação Ambiental: 10 anos construindo relações cidadãs para uma sociedade sustentável"

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Coordenador de Redes da Rits

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