Segunda-feira, 28 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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E-NOTíCIAS > ORKUT

Rede de ilegalidades

Por Vanderson Freizer em 20/05/2008 na edição 486

A imprensa deixou passar despercebidos os mais de 600 pedófilos encontrados na rede de relacionamentos do Orkut, o principal site deste gênero do Brasil. Também não interessa à imprensa os outros crimes que são cometidos por alguns membros de diversas comunidades estabelecidas no Orkut. Por um motivo ou outro, as notícias a respeito do poderoso Google não ganham força na mídia nacional.

Na cidade de Araçatuba, interior de São Paulo, jovens usam o Orkut e YouTube para promover corridas de racha, camisetas com os dizeres ‘a mesma velocidade que diverte é a que mata… e daí?’ também fazem parte da divulgação dos rachas na cidade. Tudo isso poderia virar manchete para ilustrar o lado ruim do Orkut, mas não tomam muito espaço da mídia sensacionalista, que está mais preocupada em fazer justiça ou ganhar pontos de audiência.

É comum encontrar no Orkut comunidades que ofendem homossexuais, negros, religiões, partidos políticos e outras coisas mais. Isso é do conhecimento da mídia antes mesmo da CPI da pedofilia ser instalada no Congresso, mas ainda não foi suficiente para servir de noticiário nas emissoras de TV e nos vários portais de internet.

Casos de maior importância

Se levarmos em consideração a quantidade de páginas com conteúdo pornográfico, podemos dizer que o Orkut é o campeão neste quesito no Brasil. Existem vários perfis de mulheres e homens oferecendo seus ‘trabalhos’. Comunidades que seguem este mesmo gênero também têm um espaço considerável na rede de relacionamento – que prega a liberdade de expressão aqui, mas faz o jogo do ditador comunista na China.

Mas tudo isso tem uma explicação. O trabalho dos grandes jornalistas do Brasil está pautado em casos de maior importância. Lutar pela criação de leis que punam crimes pela internet pode ficar para depois, o importante agora é fazer com que a população esteja bem informada sobre o andamento do caso Isabella.

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Jornalista precário, Santo Antonio do Aracangua, SP

Todos os comentários

  1. Comentou em 21/05/2008 Nanase Sama

    O vizinho lá de casa rebocou o próprio muro e pintou-o todo de branco. No dia seguinte tinha um monte de expressões racistas pichadas no muro. Como ninguém sabia quem as tinha escrito, meu vizinho, o dono do muro, foi responsabilizado. Como não existiam crimes mais relevantes para serem combatidos na região, o caso do meu vizinho correu célere e sua vida foi arruinada. Como sou um sujeito zeloso, defensor da moral e dos bons costumes, e vivo num país justo e pacífico, comemorei a desgraça do meu vizinho. Afinal de contas, o que importa mesmo é proteger as nossas crianças.

  2. Comentou em 20/05/2008 Gustavo Audi

    Concordo com a crítica sobre a posição da mídia nacional. Só não concordo quando é levantado o ‘lado ruim’ do Orkut.
    Se pararmos para pensar, o Orkut é um programa de computador, não possui ‘lado ruim’ (só se fosse alguma falha na programação).
    A discussão aqui deveria ser mais social. A mídia precisa dar atenção ao lado ruim das pessoas; não é o Orkut que faz, ele é apenas a ferramenta.
    Há um projeto de lei sobre crimes cibernéticos no Congresso. Quando ele sairá? Não se sabe. Mas ainda acho que culpar o Google nestes casos é errado. O pedófilo que criou a página é o verdadeiro criminoso. O papel do Google seria somente tirar a página do ar , respondendo a alguma denúncia (o problema não é criar leis para regular a internet – pois o crime existe independende do meio -, o difícil é possuir uma ferramenta eficaz fiscalização).

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