Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

E-NOTíCIAS > TRAGÉDIA NO JAPÃO

Redes sociais alimentam pânico entre japoneses

Por Daniela Chiaretti e Gustavo Brigatto em 22/03/2011 na edição 634

Muitos japoneses devem ter recebido o alerta do tsunami por um aviso no celular, mas o drama nuclear no Japão expõe um novo flanco das mídias sociais – espalhar rumores e alimentar o pânico. Uma mensagem que ecoava nas redes sociais era: ‘Reze por nós. Informações estão sendo omitidas’, segundo a agência de notícias Reuters. ‘Saia de Tóquio e vá para o Sul agora – e leve as pessoas mais velhas com você’, sugeria outra no Facebook. ‘Não acredite nas garantias do governo de que os níveis de radiação são seguros – saia do Japão agora’, recomendava outra.


O ativismo digital funcionou como impressionante plataforma de mobilização nas revoltas da Tunísia e do Egito. Mas o lado B do Twitter e do Facebook é a rapidez com que também se disseminam pânico, rumores e desinformação.



‘As pessoas estão tendo poder de mídia. Isto é um fato concreto que tanto pode ajudar, como atrapalhar’, diz o jornalista Caio Túlio Costa, consultor de novas mídias e especialista no assunto. ‘Mas, entre ter poder de mídia e ter credibilidade, há um abismo.’ Neste mundo novo, onde é difícil separar joio do trigo, as pessoas terão que aprender a lidar com isso, diz.


Teorias da conspiração


Abel Reis, presidente da agência Click Isobar, especializada em publicidade na internet, defende que, em situações críticas como a dos últimos dias no Japão, os governos usem redes sociais e outras ferramentas digitais para esclarecer o que está acontecendo e informar a população. ‘O vácuo de informação faz com que as pessoas deem atenção ao ruído, e não ao que está ocorrendo de fato.’


Para evitar a desinformação e não arranhar a imagem de credibilidade, ONGs procuram não replicar mensagens dos internautas. ‘Não somos agência de notícias’, diz Alessandra Vilas-Boas, coordenadora de comunicação da Médicos sem Fronteiras no Brasil. ‘Publicamos no Twitter o que vemos e o que vem da nossa atividade.’ Ela conta um episódio em que o Twitter foi fundamental para a MSF. Quando os Estados Unidos assumiram o controle do aeroporto em Porto Príncipe, depois do terremoto do Haiti em janeiro de 2010, impediram que aviões com médicos e suprimentos da ONG aterrissassem. A jornalista Ann Curry, da NBC, que tem mais de um milhão de seguidores, colocou a mensagem: ‘Força Aérea, deixe os aviões da MSF pousarem no Haiti.’ O recado surtiu efeito imediato. A mensagem foi eleita como a mais poderosa do ano pelo próprio Twitter.


Para piorar, como acontece em toda tragédia, o drama japonês virou isca para golpes na rede. Estão circulando e-mails com links que prometem fotos e vídeos chocantes e são atalhos para o roubo de informações pessoais. Há, também, um fluxo considerável de mensagens que se alimentam de teorias da conspiração. O projeto Haarp, da Universidade do Alasca e que promove estudos atmosféricos, inspira fantasias sobre a origem dos terremotos no Japão. Nas mensagens mais tresloucadas, atribui-se aos EUA o poder de causar abalos sísmicos a partir da emissão de ondas à atmosfera e, assim, intimidar países e obter vantagens em acordos comerciais.

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