Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Repórter agredido por militantes em Porto Alegre

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 28/10/2008 na edição 509

Leia abaixo a seleção de terça-feira para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Terça-feira, 28 de outubro de 2008


 


ATAQUES
Folha de S. Paulo


Agressão a jornalista no RS é criticada


‘A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul condenaram a agressão sofrida pelo correspondente da Folha em Porto Alegre, Graciliano Rocha. Ele foi agredido por apoiadores do prefeito reeleito José Fogaça (PMDB) no domingo.


Em nota, a Abraji classificou o ataque como ‘atentado à liberdade de expressão e à democracia brasileira’ e pediu a investigação do caso e a punição dos agressores. Também cobrando a elucidação do caso, o Sindicato dos Jornalistas gaúcho disse em nota que o ataque teve como ‘objetivo de cercear a liberdade de informar’.


A agressão ocorreu quando o repórter saía do comitê de Fogaça, após o cancelamento de uma entrevista com o prefeito. O jornalista foi atacado a socos e pontapés por militantes da campanha, ainda não identificados. O caso foi registrado na 10ª Delegacia da Polícia Civil de Porto Alegre. A coordenação da campanha de Fogaça também emitiu nota lamentando o episódio.


Antes do ataque, um dos agressores, que viu o crachá do jornal, o ameaçou por causa de reportagens de sua autoria. No sábado, a Folha publicou reportagem sobre o pagamento de indenizações a moradores da periferia pela prefeitura durante a campanha.


O PT, que foi derrotado na eleição, ingressou com um pedido de investigação da Justiça Eleitoral por suposto abuso de poder político e compra de votos. A representação está sendo analisada.’


 


 


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Manifestantes agridem equipe de TV e exibem armas


‘Parte dos policiais civis que participaram da manifestação de ontem estava armada. A reportagem contou pelo menos 50 homens e mulheres expondo armas na cintura. Um policial tentou intimidar um repórter-fotográfico da Folha para evitar que fosse fotografado armado na passeata. Uma equipe da TV Globo foi agredida.


O clima era tenso desde a concentração na Sé, onde policiais tentaram impedir o repórter-fotográfico de registrar policiais armados. A Constituição prevê que todos podem fazer protestos, desde que pacificamente e desarmados.


O presidente da Adpesp (Associação dos Delegados de São Paulo), Sérgio Marcos Roque, justificou a presença das armas. ‘Não é nenhuma provocação a ninguém. Um policial sem arma se sente pelado.’


Após a agressão a um motoboy, outros motoqueiros ameaçaram partir para briga, mas acabaram dissuadidos porque um dos policiais dizia que todos eles estavam armados.


Em frente à Delegacia Geral, a reportagem constatou que um policial armado aparentava estar embriagado. No mesmo local, manifestantes agrediram um cinegrafista da TV Globo com um chute e obrigaram a equipe a deixar o local. Disseram que ela não registrava o número real de integrantes da passeata. O comando de greve disse que foi um fato isolado.’


 


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Sinais contraditórios


‘No topo das buscas de Brasil no Google News, a reportagem de Todd Benson, da Reuters, anunciava ontem que os dois ‘top banks’ privados do país, Bradesco e Itaú, divulgaram lucros no trimestre. Logo abaixo, ‘bancos dizem que não são vulneráveis às perdas com derivativos’. Itaú, ontem, e Unibanco, na última sexta, adiantaram a divulgação do terceiro trimestre devido ao ‘comportamento do mercado de capitais, com tudo acontecendo muito rápido’. No dizer do Radar On-line, ontem, foi para ‘espantar qualquer boato, num momento delicado do mercado’.


Sob o enunciado ‘Sinais contraditórios sobre apostas do ‘subprime brasileiro’, Jonathan Wheatley destacou no ‘Financial Times’ a incerteza quanto à ‘extensão do dano sofrido por empresas e bancos’. Relatou o anúncio do Itaú, de que sua exposição a ‘tais contratos com 96 clientes’ é menor que 1,5% do portfólio de empréstimos. Mas deu também que a Moo-dy’s cortou a nota da Aracruz, dias atrás, após concluir que sua exposição está ‘na região de US$ 6,26 bilhões’ e não no R$ 1,95 bilhão divulgado.


MANTEGA…


Sobre derivativos, a manchete do UOL no final do dia era ‘Empresas podem perder US$ 20 bilhões’. Mas ‘a Aracruz deve solucionar nos próximos dias o problema de crédito para equacionar o prejuízo bilionário’. Era o ministro Guido Mantega, na entrevista em que ele avisou que o governo não vai socorrer as empresas -para a revolta da escalada do ‘Jornal Nacional’.


& MEIRELLES


Antes, meio da tarde, a manchete de UOL e Folha Online anunciava que o ‘Banco Central muda regra de compulsórios e injeta R$ 6 bilhões no mercado’. Ecoou até no site do ‘Wall Street Journal’, em reportagem de Gerald Jeffris, dizendo que ‘a medida é a mais recente de uma série anunciada pelo BC desde setembro para estimular mercado de crédito’.


‘O QUE É?’


O blog de Sérgio Dávila no UOL destacou ontem uma reportagem do jornal ‘The Australian’, sobre o diálogo do primeiro-ministro com George W. Bush, semanas atrás. O australiano teria sugerido um encontro não restrito ao G7, mas de todo o G20 financeiro. ‘O que é G20?’, teria perguntando Bush, resistindo depois à participação da China. Mas o primeiro-ministro teria apelado a Lula, para convencer o americano, e ‘pelo jeito deu certo’.


A ALIANÇA


Fox News e Drudge Report, dia após dia, batem estaca para os ataques ‘virais’ da campanha de John McCain a Barack Obama. Ontem foi um vídeo de sete anos atrás em que ele defende ‘distribuição de renda’. A campanha republicana quer deixar nele a marca de ‘socialista’. A campanha democrata reagiu no Huffington Post, dizendo que ‘é mais uma controvérsia com notícia falsa espalhada pela tão conhecida aliança de Fox, Drudge e McCain’ e que os ‘ataques desesperados’ já fracassaram antes.


NO CORAÇÃO


Sob o enunciado ‘A crise bate quando o Brasil começa a construir’ e depois, na página interna, ‘Projetos de obras públicas em risco no Brasil’, o ‘Los Angeles Times’ ressaltou ontem, desde São Paulo, que o financiamento de projetos de transporte a energia ‘está ameaçado’, inclusive aqueles do PAC ‘do coração de Lula’


‘PEDINDO A DEUS’


O blog de Ricardo Kotscho entrevistou Lula, ontem no iG. A declaração presidencial destacada pelo blogueiro foi sobre a crise financeira e seus efeitos políticos:


– Lamentavelmente, temos um grupo de pessoas que está pedindo a Deus para que a crise chegue logo ao Brasil para desgastar o governo. É uma enorme imbecilidade. O Brasil não merece ser prejudicado. Fizemos as coisas certas e não temos que pagar pelos erros dos outros.


Sobre os resultados da eleição, ‘como o povo está satisfeito, ganharam os prefeitos que disputavam a reeleição’. E ‘três partidos perderam, DEM, PSDB e PPS’.


ALIADOS…


Na repercussão pelo mundo, o destaque nas buscas de notícias de Brasil era o despacho da Bloomberg, ‘Aliados de Lula vencem nas eleições municipais, mas perdem em São Paulo’. Na Associated Press, ‘Coalizão de governo no Brasil vence prefeituras’. Na mexicana Notimex, ‘Base aliada vence para Lula em 20 de 26 capitais estaduais’.


OU SÃO PAULO


Nos sites da BBC e do ‘Washington Post’, por outro lado, ‘Nem Lula muda a sorte de São Paulo’ e ‘Partido do governo perde a corrida eleitoral pela Prefeitura de São Paulo’, respectivamente. O jornal americano sublinhou também que ‘o governador do Estado de São Paulo, José Serra, é um provável candidato de oposição à Presidência’.


DERROTA


O ‘New York Times’ e as fotos da AP só têm olhos para Fernando Gabeira. Ontem no jornal, ‘Ex-militante admite derrota na eleição para prefeito do Rio’, para ‘congressista aliado de Lula’’


 


 


ELEIÇÕES
Felipe Seligman


Presidente do TSE defende liberação do uso da internet


‘Ao fazer um balanço do segundo turno das eleições, o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Carlos Ayres Britto, afirmou que espera mudanças para 2010, como liberar o uso da internet, inclusive para doações de campanha, e criar o registro eleitoral eletrônico, no qual os futuros candidatos informem suas pendências judiciais.


O ministro disse que as eleições brasileiras são ‘paradigma para o mundo’. ‘Em rigor, temos muito pouco a aprender com a experiência eleitoral de outros países’.


Ele citou como exemplo a arrecadação do candidato democrata à presidência dos EUA, Barack Obama, que conseguiu acumular recursos expressivos por meio de pequenas doações.


‘Enquanto não sai o financiamento público de campanha -que se impõe-, a internet poderia fiscalizar e dar mais transparência às doações. Nesse ponto, os norte-americanos tem a nos ensinar’, disse.


Sobre o registro eletrônico, Ayres Britto disse que a informatização facilitaria a divulgação dos candidatos com a ficha-suja. ‘Não é para fazer da vida pregressa uma condição de elegibilidade, mas significa facilitar o acesso a essas informações’.’


 


 


ANNA POLITKOVSKAYA
Folha de S. Paulo


Advogada russa não foi vítima de envenenamento


‘Ao contrário do que se suspeitava inicialmente, a advogada russa Karinna Moskalenko, defensora de opositores do governo russo, não foi vítima de envenenamento, concluiu a polícia francesa.


Cápsulas de mercúrio foram encontradas no carro de Moskalenko em Estrasburgo, onde funciona a Corte Européia de Direitos Humanos. A polícia concluiu, porém, que a substância química provinha de um termômetro quebrado quando o carro ainda pertencia a um antiquário, que usava o veículo para transportar suas mercadorias.


Moskalenko, concluiu a polícia, nunca havia mandado fazer uma limpeza profunda do carro.


No início deste mês, a advogada e a sua família foram hospitalizados por ter fortes dores de cabeça e enjôos, o que fazia suspeitar que ela pudesse estar sendo vítima de envenenamento.


Por causa dessas doenças, Moskalenko teve que adiar a sua viagem a Moscou para participar no julgamento sobre o assassinato de Anna Politovskaya, no qual ela representa a família da jornalista opositora, morta em 2006.


Com agências internacionais’


 


 


LUTO
Caio Jobim


O Cantor das Américas da era do rádio


‘Pouca gente deve lembrar, mas o espanhol Juan Daniel Ferrer, pai do ator e diretor Daniel Filho, ostentava a alcunha de Cantor das Américas na era de ouro do rádio no Brasil, entre os anos 30 e 50. Morreu ontem, aos 101 anos, em casa, no Jardim Botânico, zona sul do Rio, vítima de insuficiência renal.


Nascido em Barcelona, Juan mudou-se com os pais para a Argentina ainda na infância. Na efervescente Buenos Aires do começo do século 20, iniciou sua carreira como corista e bailarino no teatro de revista. Aos 20 anos, já era galã-cantor. Fez sua estréia como solista imitando um dos números do americano Al Jolson em ‘O Cantor de Jazz’ (1927).


Durante excursão à Europa, em 1936, casou-se com a atriz e cantora argentina Mary Lopes, da dupla Mary e Alba, em cerimônia secreta com o cantor Silvio Caldas como padrinho. Fixaram residência no Brasil e, em 1937, nasceu Daniel Filho.


Na década seguinte, gravou o bolero ‘Solamente una Vez’, que teve grande sucesso, e foi contratado pela rádio Globo. Paralelamente, com Mary, fundou a Companhia Juan Daniel de teatro.


Foi produtor na equipe de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho na TV Tupi e depois na TV Globo, onde retomou a carreira de ator com participações em novelas como ‘O Bem-Amado’ (73) e ‘Selva de Pedra’ (72). No cinema atuou em ‘O Casal’ (75) e ‘Xuxa e Os Trapalhões em ‘O Mistério de Robin Hood’ (90). Seu corpo foi cremado ontem no Rio.’


 


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


Globo muda grade para alavancar novelas


‘Numa tentativa de alavancar as audiências das novelas das seis e das sete, que vão mal no Ibope, a Globo fez ontem mudanças em sua programação, sob o pretexto de adequação ao ‘fim do horário eleitoral e começo do horário de verão’.


No horário de Brasília, a novela das seis, ‘Negócio da China’, passou a entrar às 18h20. Antes, começava às 18h05. A das sete, ‘Três Irmãs’, agora é exibida a partir das 19h30. A novela das oito, que já tinha virado das 21h, começa às 21h10. Ontem, terminou às 22h25.


Por estratégia (não alertar a concorrência), a Globo só divulgou que o ‘Jornal Nacional’ começaria mais tarde, às 20h30 (e não mais às 20h15). Os jornais receberam a programação ‘antiga’. Até o início da tarde de ontem, o próprio site da Globo mostrava uma grade desatualizada, sem as mudanças.


Com a alteração, a Globo tenta ajustar a exibição de seus produtos mais nobres aos novos hábitos do telespectador, principalmente de São Paulo e do Rio. Com o horário de verão e o trânsito, o telespectador chega cada vez mais tarde em casa. Nas duas últimas semanas, houve uma queda de até 15 pontos percentuais no total de televisores ligados na faixa das 18h. Às 21h, o número de TVs ligadas subia até dez pontos.


A grade da Globo só foi alterada a partir do ‘Vídeo Show’, que ganhou dez minutos. ‘Malhação’, antes às 17h34, está entrando às 17h51.


CASA NOVA 1


Silvio Santos fez uma contraproposta à oferta da Band para Adriane Galisteu. Mas a apresentadora preferiu trocar de emissora. Segundo seu advogado, Sérgio Dantino, o SBT não cobriu uma das propostas da Band: a que garante um programa semanal entre 20h e 23h.


CASA NOVA 2


No último sábado, Galisteu comunicou ao SBT que não aceita a contraproposta da emissora. Para fechar definitivamente com a Band, só aguarda um documento em que o SBT abriria mão do direito de preferência em renovação.


FLOP


Nem com entrevista exclusiva com a garota Nayara o ‘Mais Você’ decolou. Ontem, segundo prévia, deu sete pontos, um a mais que a Record.


BABADO 1


A Record já dá como certa a contratação do jornalista Luiz Carlos Braga, que nos últimos oito anos apresentou o ‘DF TV – 2ª Edição’. Prepara até campanha para anunciá-lo à frente do ‘DF Record’.


BABADO 2


Braga deixou a Globo na segunda-feira passada, após discutir com a diretora regional de jornalismo, Silvia Faria, por causa de uma nota inserida, sem seu conhecimento, no jornal do sábado, 18. A Globo diz que ele pediu demissão. Braga diz que foi demitido.


SUSPENSE


A Band comprou da extinta Manchete os direitos da novela ‘Tocaia Grande’ (1995), com Taís Araujo, Giovanna Antonelli e Dalton Vigh. Mas ainda não tem previsão de exibição.’


 


 


Folha de S. Paulo


Especial traz vencedor do Nobel da Paz


‘O documentário ‘Peacebroker – Passos para Ser um Diplomata’ (2007) estreou com discrição no Eurochannel em setembro e voltou à grade com destaque depois que seu biografado, o diplomata e ex-presidente da Finlândia, Martti Ahtisaari, venceu o Prêmio Nobel da Paz no começo deste mês.


Ahtisaari já havia sido indicado ao prêmio no ano passado, vencido pelo ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore e o presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU, o indiano Rajendra Pachauri. Neste ano, o finlandês desbancou candidatos como a ex-refém das Farc Ingrid Betancourt.


Dirigido por Jenny Nyroos, o documentário recupera a trajetória de Ahtisaari, 71, que trabalhou como professor, embaixador e subsecretário da ONU e foi eleito presidente da Finlândia em 1994.


Ahtisaari foi escolhido por sua participação na mediação em conflitos internacionais como a Guerra de Kosovo, em que propôs um plano de estabilização para o país aos conflitos entre sérvios e albaneses; o fim do sistema de apartheid, na África do Sul; e o acordo de paz de 2005 na Indonésia com separatistas, depois de 29 anos de conflitos, todos eles documentados neste especial.


PEACEBROKER – PASSOS PARA SER UM DIPLOMATA


Quando: hoje, às 17h


Onde: no Eurochannel


Classificação: não indicado a menores de 12 anos’


 


 


ARTE
Fabio Cypriano


opiniões divididas


‘Se a intenção da curadoria da 28ª Bienal de São Paulo, aberta anteontem, era dar visibilidade à crise do modelo das bienais, o resultado foi plenamente alcançado. O vazio do segundo andar, que representaria a tal crise, recebeu muito mais elogios de artistas e curadores do que a mostra de arte apresentada no terceiro andar, marcada pelo tom conceitual.


‘É lindo, maravilhoso, uma experiência’, afirmava o artista paulistano Carlito Carvalhosa, na abertura para convidados, no último sábado, sobre a possibilidade de caminhar pelo piso vazio. Na mesma direção opinou Fábio Coutinho, superintendente cultural da Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre: ‘Arquitetonicamente é lindo, nunca se tinha visto toda a extensão do edifício’.


‘O vazio é mesmo incrível, mas eu fiquei triste. O terceiro andar parece jantar com pouca comida, é uma improvisação conceitual por conta da crise.


Acho que realizar apenas os seminários teria sido melhor’, afirmou o artista mineiro Thiago Rocha Pitta. A artista Anna Maria Maiolino também adorou o espaço vazio, ‘mas queria ter um lote lá, me deu vontade de correr, fazer uma performance no local, mas já estou velha. Fico impressionada: como hoje os artistas são passivos’.


Arquitetura conhecida


Mas mesmo o vazio, que a maioria elogiou, também foi alvo de reparos. ‘É maravilhoso, mas eu prefiro com obras de arte, ele é para ser assim quando não há Bienal’, criticou o curador Agnaldo Farias. ‘É uma arquitetura bela, mas nós já conhecemos esse espaço desde 1954’, comentou a curadora e crítica Aracy Amaral, que estava agachada em frente à obra de Ângela Ferreira, reclamando que não conseguia ler o que estava escrito, quando a reportagem da Folha se aproximava. ‘Nos anos 70, os artistas conceituais colocavam as obras na parede e era fácil de ler, aqui está tudo no chão ou em mesas, é mais difícil’, disse Amaral. Para ela, a mostra no terceiro andar ‘privilegia uma abordagem da arte que é conceitual, e isso é muito aborrecido’. ‘Existe uma produção nacional muito vigorosa, como a do Henrique Oliveira, só para citar um artista, que não está aqui e poderia estar’, disse. De certa forma, a edição passada da Bienal, com o tema ‘Como Viver Junto’ e curadoria de Lisette Lagnado, também se aproximou muito da arte conceitual. Essa vinculação foi percebida pela artista Lenora de Barros: ‘Eu vejo essa mostra como o fim da Bienal da Lisette, como se agora a coisa ocorresse de fato’. Dentre os ouvidos pela Folha, aliás, o único curador que teve apenas elogios para ‘Em Vivo Contato’ (título da mostra atual) foi o colombiano José Roca, um dos co-curadores da edição anterior. ‘Estou gostando muito, pois o que se vê é uma exposição coerente, o que em geral não ocorre em bienais, por uma questão de escala. Percebe-se aqui que todos os artistas trabalharam muito com os curadores.’ Roca foi responsável, no ano passado, por uma bienal com formato distinto, denominada ‘Encontro Internacional Medellín 2007’, do qual Ana Paula Cohen, curadora da 28ª Bienal, também participou. ‘Creio que vários artistas que trabalham há algum tempo com a Ana Paula conseguiram realizar suas obras de maneira mais completa’, afirmou Roca. A coerência que o curador cita também se refere ao trabalho do colombiano Gabriel Sierra, responsável pelas estruturas expositivas. Mas, para alguns, ele teria homogeneizado demais a Bienal. ‘Só estou vendo móveis, quando vim para ver arte’, disse a curadora Ana Maria Belluzzo.


Educativo


No sábado à tarde, durante a abertura oficial, educadores dispostos perto das obras (que pediram para não ser identificados) queixaram-se da preparação de apenas duas semanas. Alguns sabiam falar sobre a obra perto da qual estavam, mas não conseguiam estabelecer relações com outros trabalhos à volta, e até para dizer o nome do artista precisavam consultar uma ‘cola’, que nem sempre funcionou. ‘Gallimard’, por exemplo, era citada como o nome do livro, e não da editora do livro usado por Vibeke Tandberg, ‘O Estrangeiro’, para realizar sua obra.


28ª BIENAL DE SÃO PAULO


Quando: de ter. a dom., das 10h às 22h; até 6/12


Onde: pavilhão da Bienal (pq. Ibirapuera, portão 3, tel. 0/xx/11/5576-7600)


Quanto: entrada franca’


 


 


INTERNET
Bruna Bittencourt


mod@


‘Karl Lagerfeld conta qual foi sua inspiração para a última coleção da Chanel para a SPFW TV, entre trechos do desfile da maison. Na fábrica da Gap, a repórter da Nylon TV tenta cortar o molde de um jeans, enquanto a câmera da PraTV segue Alexandre Herchcovitch no dia do desfile de sua marca em Nova York.


Sem nada dever à qualidade da televisão, vídeos de moda se multiplicam na internet.


‘Primeiro surgiu a possibilidade de postarmos fotos, depois de linkarmos vídeos do YouTube e, então, a vontade de criá-los’, diz a editora de moda da ‘Vogue Brasil’ Maria Prata, que apresenta reportagens em vídeo em seu blog Prataporter (www.prataporter.com.br).


‘Quando começamos, ninguém sabia como os vídeos deveriam ser. Em um ano e meio, a internet está preenchida por eles. A qualidade aumentou muito’, conta Bridget Paylard, produtora da Nylon TV, hospedada no site da revista americana (www.nylonmag.com), que faz uma larga cobertura de moda e já recebeu 4 milhões de acessos em sua página no YouTube.


‘Produzimos vídeos de altíssima qualidade, que funcionam tanto na internet quanto na TV’, diz Paulo Borges, presidente do site da São Paulo Fashion Week (www.spfw.com.br), que passou a investir em vídeos há um ano e meio.


A cada edição da semana de moda paulista, o site grava mais de 200 vídeos, entre desfiles e matérias sobre o evento.


‘As pessoas querem ver aquilo a que elas não têm acesso -os bastidores-, e ouvir gente que pode fazer uma avaliação do que é tendência’, diz Richard Luiz, que dirige os vídeos da SPFW. ‘A informação é rápida, dinâmica. Na cobertura das semanas de moda de Nova York e Paris nossa prioridade era que as matérias entrassem no ar poucas horas depois dos desfiles’, diz Richard.


Além da agilidade, outro diferencial dos vídeos da rede em relação à TV é a curta duração. No site da SPFW, as reportagens costumam ter de três a cinco minutos. Para Maria Prata, a novidade é a adesão dos blogueiros aos vídeos. Richard completa: ‘Os blogueiros produzem vídeos com câmera fotográfica. É uma coisa mais à vontade, de mostrar a chance que eles tiveram de estar lá [no backstage, no desfile etc.]’.


Compras


Muitos sites não apenas mostram -também vendem moda. A Vogue TV (www.vogue.tv) é um canal que oferece os produtos anunciados nas páginas da revista, ao lado de um série de vídeos produzidos pela publicação em parceria com os anunciantes. Mas não é preciso comprar nenhum botão para ter acesso a cinco canais de vídeos, entre desfiles, ‘making ofs’ e um reality show, que acompanha três modelos em seu dia-a-dia -todos, claro, exibem produtos das marcas em questão.


Já a loja francesa Colette (www.colette.fr), referência na moda, começou a produzir vídeos este ano. Longe da sisudez da marca, os vídeos que anunciam seus produtos se valem de sósias de Elvis Presley e Kate Moss -que, na realidade, nada lembram os originais-, entre uma série de aulas de dança, que ensinam da coreografia de ‘Vogue’, de Madonna, ao ‘ABC’, dos Jackson Five.


MINHA REVISTA


A Idiomag (www.idiomag.com) é uma revista digital que você pode personalizar com tudo que lhe interessa em matéria de música. Com ela você pode ler artigos e críticas sobre seus artistas ou gêneros favoritos, assistir aos vídeos, ouvir as faixas, comprar os mp3 etc. Além de manter o leitor atualizado sobre suas bandas favoritas, ela também aponta novos artistas, de estilos semelhantes. Se você já é membro de sites de música como o Last.fm (www.last.fm), o Pandora (www.pandora.com) ou o iLike (www.ilike.com), pode importar seus dados e preferências automaticamente.


TRILHA SONORA


Um projeto no YouTube (www.youtube.com/group/1001movies) traz uma estonteante Marilyn Monroe em cenas de clássicos como ‘Quanto Mais Quente Melhor’ embalada pela música ‘Sugar Kane’, do Sonic Youth. A lista de filmes com novas trilhas sonoras tem ainda clássicos como ‘Metrópolis’ (1927), ‘…E o Vento Levou’ (1939), ‘Casablanca’ (1942), ‘Gilda’ (1946) e ‘2001 -Uma Odisséia no Espaço’ (1969), entre outros.


MÚSICA ON-LINE


Se você já pensou em fazer música, mas não tinha experiência ou as ferramentas para isso, o Jam Studio (www.jamstudio.com) vai ser de grande ajuda. É uma ferramenta gratuita que permite criar canções nota por nota, adicionando os instrumentos (guitarra, violão, bateria, baixo, piano) e escolhendo os arranjos, o ritmo e o estilo. Apesar da grande quantidade de opções e das notações musicais profissionais, o Jam Studio é de fácil manipulação mesmo para os não-iniciados. Quando você termina suas canções, pode compartilhá-las por meio de um link. Há também um serviço de assinatura mensal.


SALA DE AULA VIRTUAL


O site www.tinyurl.com/5fqsl3 promete ser uma alternativa para alunos e professores, uma ‘opção’ para as salas de aula. Gratuita, a comunidade funciona com vídeos e chats e é possível compartilhar documentos e imagens. As aulas são gravadas automaticamente. Não é necessário fazer downloads para participar.’


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Terça-feira, 28 de outubro de 2008


 


JORNALISMO EM CRISE
O Estado de S. Paulo


Circulação de jornais tem queda nos EUA


‘A circulação dos jornais voltou cair nos EUA. De abril a setembro, a média diária foi de 38,165 milhões de exemplares, 4,6% abaixo dos 40,022 milhões de um ano antes, segundo o Audit Bureau of Circulations. O USA Today segue como o jornal de maior circulação, com 2,293 milhões de exemplares, seguido do Wall Street Journal, com 2,011 milhões.’


 


 


TECNOLOGIA
Cláudia Trevisan


China vira o jogo na guerra dos chips


‘Como muitos empresários na China, Richard Chang dirige um negócio especializado em fabricar produtos sob medida para clientes no exterior, principalmente americanos. Só que, em vez de camisetas e calças jeans, o que sai da linha de montagem das sete fábricas que comanda são chips, as minúsculas peças que carregam a ‘inteligência’ e a ‘memória’ de quase tudo que permeia a vida moderna – de computadores e celulares a cartões de crédito e GPS.


Chang fundou a Semiconductor Manufacturing International Corporation (SMIC) em 2000. Em menos de oito anos, transformou a empresa na maior fabricante de semicondutores da China e na terceira maior do mundo entre as grandes ‘foundries’, nome que se dá às fábricas que produzem sob encomenda para terceiros.


Depois de passar 20 anos nos Estados Unidos e três em Taiwan, Chang conseguiu reunir em 2000 um grupo de investidores dispostos a colocar US$ 1,1 bilhão na criação da SMIC. Hoje, a empresa tem sete fábricas e uma unidade de montagem e teste, nas quais foi investido um total de US$ 6 bilhões.


A China entrou relativamente tarde nesse jogo, mas conseguiu se expandir rapidamente, apesar da fragilidade de seus mecanismos de proteção à propriedade intelectual. O país ainda está bem atrás de Taiwan, líder entre as ‘foundries’, mas a distância caiu de maneira considerável nos últimos anos.


O principal fator que estimulou a indústria de semicondutores no país foi o 10º Plano Qüinqüenal, aprovado em 2000, que acabou com restrições para investimentos estrangeiros e estabeleceu uma série de incentivos para o desenvolvimento do setor, como a criação de parques industriais de alta tecnologia em Pequim e Xangai.


Com a transferência de linhas de montagem de multinacionais para a China, o país se transformou em um dos maiores consumidores mundiais de semicondutores, que são usados na fabricação de produtos finais, muitos dos quais para exportação. Mesmo com o aumento da produção local, a China importa 90% dos chips que utiliza, disse Chang ao Estado na sede da SMIC, em Xangai. Segundo ele, a grande demanda é outro fator que ajuda a explicar o rápido crescimento do setor.


Apesar disso, os principais clientes da SMIC são as americanas Qualcomm, Broadcom, NVIDIA e Marvell – empresas de alta tecnologia que não possuem fábricas de semicondutores e, por isso, são chamadas de ‘fabless’. Essas companhias desenvolvem seus chips e contratam a SMIC para fabricá-lo dentro de suas especificações. A principal razão para elas não terem fábricas é o elevado investimento exigido.


Dependendo do grau de sofisticação de sua tecnologia, uma fábrica de semicondutores pode custar de US$ 800 milhões a US$ 3,5 bilhões, e há uma feroz corrida pela sofisticação, que torna muitos dos investimentos obsoletos em curto espaço de tempo. Na linha de montagem da SMIC há máquinas de US$ 60 milhões, que operam no chamado ‘quarto limpo’, onde o número de partículas no ar é reduzidíssimo, para não comprometer a qualidade dos chips.


Quando olha para o mercado global, Chang avalia que o Brasil pode ser a nova região para desenvolvimento dessa indústria, por ter um grande mercado consumidor. Se a economia continuar a crescer e a renda a subir, mais pessoas vão ter condições de comprar celulares, computadores, carros e televisores, todos produtos que incluem chips em sua fabricação.


O Brasil tem um déficit crônico na balança comercial do setor eletroeletrônico em razão da importação de semicondutores e componentes para fabricação de produtos eletrônicos acabados. Essa é a principal razão pela qual o governo tenta há anos atrair uma fábrica de chips. No ano passado, a importação desses produtos provocou um déficit de US$ 14 bilhões na balança comercial do setor, e a previsão é que o número chegue a US$ 20 bilhões em 2008.


Segundo Chang, além do mercado consumidor, dois outros fatores são fundamentais para o desenvolvimento dessa indústria: apoio do governo e um parceiro que detenha a tecnologia de fabricação dos chips.


Coréia do Sul, Taiwan, Cingapura, China e Malásia só conseguiram sucesso no setor porque contaram com forte estímulo oficial, ressalta Chang. O principal deles é a isenção fiscal, mas também são importantes o fornecimento de infra-estrutura e a oferta de financiamento a baixo custo.


Eduardo Chakarian, consultor do Monitor Group em Cingapura, concorda que o suporte oficial é essencial, já que a indústria de chips exige pesados investimentos, impõe a necessidade de constante inovação e apresenta enormes riscos.


Em Cingapura, o governo deu início ao setor de semicondutores com a criação de uma empresa estatal para fabricá-los, a Chartered, que no ano passado ficou em quarto lugar no ranking global, atrás da SMIC.


‘O governo de Cingapura queria atrair indústrias intensivas em mão-de-obra altamente qualificada e decidiu fundar a Chartered, para mostrar que tinha um compromisso de longo prazo com o setor e, assim, estimulou outras empresas a se instalarem no país’, observa Chakarian.’


 


 


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Fabricante chinesa negocia acordo no Brasil


‘‘O melhor lugar para construir uma fábrica de semicondutores é onde já existe uma fábrica de semicondutores.’ A frase resume a posição do consultor Eduardo Chakarian, do Monitor Group, em relação ao desenvolvimento desse setor no Brasil, principalmente quando se considera o estágio avançado de produção atingido por países asiáticos.


Na opinião dele, a fábrica de semicondutores que a Symetrix e o Grupo Damha pretendem construir em São Carlos, interior de São Paulo, só amenizará a dependência do Brasil em relação às importações se for o primeiro passo para a criação de um complexo mais amplo, que contemple formação de mão-de-obra qualificada e a instalação de outras indústrias complementares. ‘No caso de semicondutores, é muito difícil ter apenas uma fábrica isolada’, diz. Como os investimentos exigidos são altíssimos, a escala é que torna viável a operação das indústrias.


O presidente da SMIC, Richard Chang, acredita que o Brasil pode desenvolver a indústria de semicondutores, mas defende que o primeiro passo seja a construção de fábricas de montagem e teste, um estágio anterior ao da fabricação de chips. ‘Começar essa indústria requer muito esforço. O melhor é iniciar montagem e teste. O processo de colocar o chip em um suporte traz muita experiência’, disse.


A SMIC negocia uma parceria com o Synergy Group, empresa especializada em fazer intermediação de negócios entre os dois países. Chang planeja dar apoio tecnológico à empresa, enquanto o presidente da Synergy, Paul Ji, prevê investir US$ 30 milhões em uma fábrica de montagem de produtos com semicondutores fornecidos pela SMIC.’


 


 


TELES
Michelly Teixeira e Renato Cruz


Novo PGO sai no prazo esperado, garante ministro


‘O ministro das Comunicações, Hélio Costa, garantiu ontem, durante o evento Futurecom, em São Paulo, que a mudança no Plano Geral de Outorgas (PGO), necessária para a compra da Brasil Telecom (BrT) pela Oi, sairá dentro do prazo esperado pelas empresas. Um contrato entre as duas operadoras prevê que o negócio precisa receber a aprovação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) até 19 de dezembro. Caso não seja aprovado em tempo, a Oi terá de pagar uma multa de R$ 490 milhões à BrT.


‘Vamos analisar o PGO em 48 horas e encaminhá-lo ao presidente Lula’, disse Costa. O PGO, um decreto presidencial, teve sua proposta aprovada pelo Conselho Diretor da Anatel este mês. Agora, o texto passa pela avaliação do Conselho Consultivo da agência, que irá produzir um relatório a ser encaminhado junto com a proposta ao Ministério das Comunicações.


O ministro disse que irá receber o texto ‘extra-oficialmente’ amanhã, para que sua equipe possa analisá-lo ao mesmo tempo em que o Conselho Consultivo trabalha nele. O prazo para o Conselho Consultivo analisar a proposta é de 15 dias.


‘Nós entendemos que algumas observações serão feitas por nossos técnicos’, disse Costa. ‘O projeto não muda tecnicamente, mas deve ser preciso tirar algumas gordurinhas.’


Costa preferiu não comentar quais seriam essas ‘gordurinhas’. Segundo fontes do mercado, existem pelo menos dois pontos que não deixaram o Ministério satisfeito: a falta de uma definição do que é Serviço Telefônica Fixo Comutado (STFC), encontrada no PGO em vigor e não na proposta, e a ausência de obrigatoriedade de a controladora das concessionárias terem capital aberto. Em seu discurso na abertura do evento, Costa defendeu a mudança nas regras do setor. ‘Com a revisão do PGO, as empresas se fortalecem’, disse o ministro, para quem a compra da BrT pela Oi trará redução de tarifas e aumento da competição. ‘Nosso desafio, depois de 10 anos da privatização, é captar as mudanças no cenário nacional e internacional.’


Costa afastou a possibilidade de o setor brasileiro de telecomunicações ser afetado pela crise mundial. ‘O setor é tão forte que sobrevive à crise’, garantiu o ministro, para quem as empresas não vão reduzir investimentos. Ele também descartou atraso na implantação da TV digital por causa da alta do dólar. ‘Os transmissores que estão sendo entregues agora já foram comprados no ano passado.’


O ministro informou que negocia com as operadoras celulares um acordo para que elas assumam serviços sociais, como fizeram as fixas com a banda larga nas escolas. Caso as empresas móveis não aceitem, elas estariam sujeitas a uma redução na tarifa de interconexão de redes que recebem de outras operadoras, uma importante fonte de receita para elas.


O ministro voltou a falar em reduzir a assinatura básica do telefone fixo. Ele quer retomar o projeto do telefone social, apresentado ao Congresso Nacional no ano passado, que previa uma assinatura mais barata, de cerca de R$ 20. ‘Existem 10 milhões de linhas fixas sem uso’, destacou Costa. ‘Com uma assinatura mais baixa, essas linhas entrariam rapidamente em uso.’’


 


 


LIVRO SOLTO
Lais Cattassini


Pegue, leia e deixe o livro em um local público


‘Vagueou errante por inúmeras regiões, visitou cidades e conheceu o espírito de tantos homens.’ As poucas linhas que introduzem A Odisséia, de Homero, descrevem também o que acontecerá a milhares de livros a partir dessa semana em São Paulo. Duas iniciativas diferentes prometem incentivar a leitura e um hábito estranho: o de esquecer um livro.


A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) iniciou ontem a campanha Livro Livre, que disponibilizará cerca de 5 mil títulos e 15 mil exemplares para doação em 27 estações de trem da Grande São Paulo. Obras como Triste Fim de Policarpo Quaresma, O Cortiço e O Guarani podem ser retiradas nas estações participantes até sexta-feira. A única exigência é que, terminada a leitura, o exemplar seja abandonado em algum lugar público. ‘Deve ser mentira que o brasileiro não lê. As pessoas apenas não têm acesso ao livro, o que pretendemos melhorar com essa iniciativa’, explica a idealizadora do projeto, Maria Cândida de Assis.


O professor de história Adir de Almeida Mota é um exemplo de paixão pela leitura. Ao ler Crime e Castigo, de Fiódor Dostoievski, ele se encantou pela literatura russa e ficou surpreso ao encontrar outro livro do autor entre as obras da CPTM, Os Irmãos Karamazov. ‘Eventos como esse ajudam muito a promover o interesse.’


Desde que leu O Pequeno Príncipe, a cabeleireira Gisleine Garcia passou a adorar ler. Com seu exemplar de O Cortiço em mãos, ela prometeu entregá-lo a outra pessoa quando terminar. ‘Vou trocar de livros com as amigas’, conta.


A proposta da CPTM atrai também autores de outros Estados para lançar seus livros durante a semana do Livro Livre. O escritor baiano Sérgio Castro Barreto não demorou para distribuir os exemplares autografados de seu mais novo livro, Versos de um Coração. ‘Esse movimento faz a cultura chegar à mão do povo. É genial.’


‘Para um autor não tem nada mais emocionante do que ouvir alguém dizer que já leu seu livro. Quanto mais pessoas tiverem acesso ao que escrevi, melhor’, complementa o autor Rubens Neco da Silva, que participa pela terceira vez do projeto, iniciado em 2006.


OUTRO PROJETO


Quarta-feira é iniciado o projeto Livro para Voar. Com o apoio da Ale Combustíveis, mais de 6,7 mil exemplares de 20 títulos serão entregues em postos participantes de todo o Brasil. A proposta é a mesma, mas as obras são mais modernas. Entre os títulos disponíveis estão Sex and The City e O Pianista. Diferentemente dos livros livres da CPTM, as edições que voam da Ale devem ser cadastradas em um site americano, www.bookcrossing.com. Os leitores devem comentar o que leram e indicar o último lugar em que o livro foi visto, o que possibilita que obras sejam encontradas mais facilmente.


OPÇÕES


Os livros


O Ateneu (Raul Pompéia)


O Cortiço (Aluísio de Azevedo)


O Guarani (José de Alencar)


Triste Fim de Policarpo Quaresma (Lima Barreto)


Contos (Machado de Assis)


Quincas Borba (de Machado de Assis)


Memórias de um Sargento de


Milícias (de Manuel Antonio de Almeida)


Um Ladrão de Guarda-Chuvas (Jurandir Ferreira)


Amar, Verbo intransitivo (Mário de Andrade)


Idílio (Mário de Andrade)


Os Irmãos Karamazov (Fiódor Dostoievski)


Estações


Hoje – Linha 12-Safira: Brás, Tatuapé, São Miguel, Itaim Paulista, USP Leste, Jardim


Romano e Jardim Helena


Amanhã – Linha 9-Esmeralda: Cidade Universitária, Hebraica-Rebouças, Santo Amaro, Jurubatuba, Autódromo e Grajaú


Dia 30/10 – Estações da Linha 8-Diamante: Barra Funda, Osasco, Lapa, Carapicuíba e Itapevi.


31/10 – Linha 11-Coral: Guaianazes, Itaquera e Mogi’


 


 


PRÊMIO
O Estado de S. Paulo


Livro de repórter do ‘JT’ recebe prêmio


‘Casadas com o Crime (Editora Letras do Brasil), de Josmar Jozino, repórter do Jornal da Tarde, recebeu menção honrosa na categoria livro-reportagem do 30º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. O autor já havia recebido uma menção honrosa na 27ª edição do prêmio, por seu livro Cobras e Lagartos (Editora Objetiva).’


 


 


TELEVISÃO
Alline Dauroiz


Silvio libera Galisteu


‘Após meses de incerteza, a novela sobre o destino profissional de Adriane Galisteu finalmente terminou. A loira assina ainda esta semana um contrato de 25 meses com a Band, após o SBT formalizar em documento a liberação de sua ex-funcionária. Segundo o novo contrato, o programa de Galisteu na Band deve estrear em março.


Uma cláusula em seu antigo acordo com o SBT era o que emperrava o fim da conturbada relação entre Galisteu e a emissora de Silvio Santos. Nela, o canal teria preferência para cobrir qualquer oferta dos concorrentes. Isso, mesmo após dois anos do fim do contrato, o que ocorreu no último dia 30.


Com a proposta da Band em mãos, nas duas últimas semanas, Galisteu estava apenas esperando a resposta do patrão.


E, como ela já imaginava, Silvio não aceitou duas das condições impostas: a de que seu programa não poderia sair do ar e de que a atração deveria ser, necessariamente, entre 20 h e 23 h.


A loira começou no SBT com programa noturno, mas as apostas do patrão em busca de ibope provocaram a mudança da atração para a faixa noturna, depois vespertina e até para a madrugada.’


 


 


 


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