Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

E-NOTíCIAS > CHINA

Revolta e justiça na net

10/02/2004 na edição 263

Em outubro do ano passado, um acidente chamou a atenção da opinião pública na China. Uma BMW subiu na calçada em frente a uma agência de empregos na cidade de Harbin, matando uma pessoa e ferindo outras doze. O triste episódio começou a causar revolta na população dois meses depois, quando a motorista, Su Xiuwen, recebeu a sentença do julgamento: apenas uma suspensão da carteira. Estranhamente, o júri caiu no argumento de Xiuwen, que afirmou não saber muito bem como dirigir o carro, já que tirou sua carteira de motorista ilegalmente.

A partir daí, uma discussão na internet causou uma reviravolta no caso. Em dez dias, um dos portais mais populares do país, o Sina.com, recebeu cerca de 200 mil mensagens sobre o assunto. Segundo grande parte das opiniões postadas na rede, o veredicto provou que o sistema judicial chinês é facilmente manipulável pelos ricos e poderosos. O mercado de BMWs vêm crescendo vertiginosamente na China, mas a maioria da população de Harbin, por exemplo, levaria 100 anos para conseguir dinheiro suficiente para comprar um carro desses. A advogada de Xiuwen argumentou que o caso só foi tão discutido por causa da marca do carro, e que o incidente não teria levantado o interesse do público se tivesse sido causado por um carro de uma marca mais barata.

Não importam as especulações. O fato é que a repercussão do caso foi imensa na internet. As opiniões dos chineses chamaram a atenção dos jornais, que passaram a acompanhá-las e a noticiá-las em suas páginas. Finalmente, o governo cedeu à pressão e anunciou, em janeiro, que o caso será reexaminado.

O incidente em Harbin serviu para ilustrar o poder crescente da internet na China. Li Xiguang, um especialista em jornalismo da universidade Tsinghua, em Pequim, afirmou que o governo passou a prestar mais atenção na internet. Hoje, segundo números oficiais, aproximadamente 80 milhões de chineses têm acesso regular à rede. [As informações são da Economist, 31/01/04]

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