Quinta-feira, 19 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

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Tablets animam editoras

Por David Gelles em 04/10/2011 na edição 662
Reproduzido do Valor Econômico, 30/9/2011; título original: “`Bancas de jornais´ vão para tablets e animam companhias de revistas”; intertítulos do OI

Quando a Apple lançar seu aplicativo Newsstand na semana que vem, muitas editoras de revistas esperam que o software marque um ponto de inflexão, em momento no qual tentam aumentar suas vendas digitais por meio da nova onda dos tablets. O Newsstand vai reunir as revistas e jornais digitais do usuário em um lugar em seu tablet e oferecer uma nova “vitrine” para navegar e comprar números avulsos ou assinaturas. As editoras veem esse esquema como uma grande melhoria em relação ao modelo atual, que mantém os títulos individuais vinculados, cada um, a seu próprio aplicativo, ou na internet, onde as empresas enfrentaram dificuldades para cobrar pelo conteúdo.

O Newsstand da Apple vai reproduzir, na forma e na função, o recurso de mesmo nome (que quer dizer “banca de jornal”) incluído no novo tablet da Amazon, o Kindle Fire, anunciado na quarta-feira (28/9). O aplicativo da Amazon, além disso, vai organizar os jornais e revistas e permitir que os usuários comprem novos títulos. Tomados em conjunto, os novos aplicativos Newsstand apontam para uma nova fase no relacionamento, muitas vezes conflituoso, entre as empresas de revistas e as companhias do setor de tecnologia. “Um ano atrás, esse era um experimento. Hoje, é um negócio”, disse John Loughlin, vice-presidente executivo da Hearst Magazines.

A Hearst, editora da Cosmopolitan, Popular Mechanics e Esquire, vende atualmente mais de 300 mil edições digitais por mês em plataformas como o iTunes, da Apple, e o leitor eletrônico Nook, da Barnes & Noble. Esse número mais do que duplicou desde o início do ano. Loughlin afirmou que o Kindle Fire, com seu baixo preço de US$ 199, abriu caminho para o lançamento do mercado de massa dos tablets, e disse prever que o aparelho vá desencadear novas vendas digitais dos títulos da Hearst. “Acho que vamos ter um novo aquecimento [das vendas]”, afirmou.

Nem todas as empresas estão se dando bem

A grande esperança é que o Fire amplie o mercado. Monica Ray, vice-presidente executiva de marketing ao consumidor da Condé Nast, editora da Vogue, Vanity Fair e The New Yorker, disse prever que o Kindle Fire atrairá as leitoras, por ser menor que o iPad. “Acho que ele vai dar um grande impulso em nossos títulos femininos”, disse ela.

As editoras também contrataram os serviços de cobrança da Apple e da Amazon, que permitem vender assinaturas digitais anuais da maioria dos títulos por US$ 19,99 cada uma. Embora as editoras reclamem que a comissão de 30% recebida pelas empresas de tecnologia é alta demais, e que os dados do cliente não são de fácil compartilhamento, empresas como a Hearst e a Condé Nast têm poucas alternativas se quiserem alcançar os usuários de tablets.

As companhias de revistas ainda não seguiram as poucas empresas que publicam jornais, como o Financial Times, que lançaram os aplicativos da internet HTML5 como forma de contornar a loja da Apple. “Entramos em uma nova conjuntura”, disse Ray. “Quando começamos, há 18 meses, conseguíamos apenas vender edições avulsas – não assinaturas.” Mas nem todas as empresas de mídia estão se dando bem com o novo regime. A Time, maior editora mundial de revistas em termos de circulação, não vai vender assinaturas por meio da Apple ou da Amazon.

Clientes mantêm a versão impressa

Os analistas dizem que as empresas de mídia deveriam se concentrar em vender pacotes combinados de assinaturas da versão impressa e da digital. “A verdadeira oportunidade está entre pessoas que têm assinaturas da versão impressa ou são compradoras regulares”, disse Bruce Benson, da FTI Consulting. Ray disse que essa estratégia está se mostrando bem-sucedida no caso da Condé Nast.

As editoras também observam que, até agora, os clientes não estão cancelando suas assinaturas da versão impressa em favor da digital. “Daqui a dez anos, não sei como vai ser”, disse Ray. “Neste momento, não vimos isso acontecer” (tradução de Rachel Warszawski).

***

[David Gelles é jornalista do Financial Times, de Nova York]

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