Sábado, 20 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1046
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Um guia de boas maneiras

Por David Carr em 19/04/2011 na edição 638

Uma modesta proposta de relaxamento digital: dez regras para garantir que o uso de smartphones não nos irá embrutecer.


1. Vá, dê uma olhada nele para ver o texto que está entrando. E desculpe-se por não responder a um que propõe medidas imediatas para sua conspiração de dominar o mundo. Mas não digite perto de mim. Fico sem jeito.


2. O aparelho deveria sempre ficar desligado durante o jantar ou almoço com amigos, mas também deveria ser permitida uma phone break mútua caso a refeição dure mais de uma hora.


3. Não use a ‘mensagem instantânea’ para algo que não é instantâneo. É para isso que serve o e-mail: para responder adequadamente ao seu pedido quando tiver tempo para fazê-lo. E, por amor de Deus, nunca use instant message se você digitar devagar.


4. Ficar olhando para um smartphone num elevador parece algo interessante para todo mundo. Ao invés de fazer o quê?


5. Não pense que tuitar sobre tomar uma comigo irá valorizar minha importância. Tomar uma comigo valoriza minha importância. Decore essa regra mais tarde, ou quando eu tiver me retirado para o quarto.


6. Não faça um link com todas as suas redes sociais simultaneamente. Caso eu queira acompanhá-lo no Foursquare, eu o acompanharei no Foursquare. A descoberta, pelo Twitter, que você é o bam-bam-bam em nada muda minhas atuais necessidades.


7. Cubra a tecla ‘responder a todos’ com uma proteção de vidro. Só usar em casos de emergência.


8. Não adicione meu nome a um grupo social ‘bem legal’; provavelmente, não serei assim tão legal para ele. E mesmo que fosse, é provável que sua lista esteja repleta de pessoas que tento evitar, para falar francamente.


9. Não tenha conversas privadas ou banais em lugares públicos. Ficar no vaivém com alguém no Twitter equivale a você falar em voz alta na igreja ou no trem. Não estamos interessados.


10. Não se torne um super-articulador de autopromoção nas redes sociais, como tantos recomendam. Se sua página no Facebook expõe um ego exagerado, provavelmente deixei de acessá-la há anos. Sim, as redes sociais são uma boa ferramenta profissional, mas não são para servir como medidas excêntricas de sua brilhante carreira.


Descumpro todas estas regras, eventual ou sistematicamente. Mas, como dizem em inúmeros programas de reabilitação, é o progresso, e não a perfeição.

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Jornalista, New York Times

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