Terça-feira, 19 de Março de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1029
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Um mundo de objetos interconectados

Por The Economist em 01/05/2007 na edição 431

Novas tecnologias sem fio irão conectar não apenas pessoas, mas também muitos objetos. Isso será tremendamente útil, diz Kenneth Cukier (em inglês); mas também irão ocorrer surpresas.

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O rádio tem 110 anos e ao microprocessador um pouco menos de 50. À medida que essas duas tecnologias se aproximam cada vez mais, com as possibilidades dos chips de computador funcionarem sem fio, vem acontecendo algo excitante. Todos os benefícios do mundo da informática – inovações, ciclos curtos de desenvolvimento e baixo preço – vêm sendo transferidos à comunicação sem fio. O resultado é que uma miríade de objetos até agora separados passa a poder se conectar com redes, desde televisores e carros até máquinas industriais e agrícolas. Pequenos dispositivos estão, inclusive, sendo colocados no corpo humano para cumprir tarefas úteis. A nova tecnologia permite um controle à distância e deixa que diferentes dispositivos interconectados façam algo novo.

Até agora, o telefone celular tem sido o centro de atenções. Já existem 2,8 bilhões e, a cada dia, surge mais 1,6 milhão. Os telefones propriamente ditos vêm melhorando num ritmo alucinante. No entanto, essa explosão também se vem fazendo sentir na área das comunicações sem fio, usada para conectar máquinas, sensores e objetos. ‘Todo mundo fala que os mercados emergentes são a grande oportunidade para a indústria celular dos próximos anos, mas num prazo mais longo surgirá uma porção de dispositivos falando entre eles próprios’, diz Paul Jacobs, diretor da Qualcomm, que produz chips para telefones celulares.

Neste ano, serão vendidos 10 bilhões de microprocessadores – implantados em todo tipo de objeto, de computadores até máquinas de café. Em sua grande maioria, serão capazes de ‘pensar’, mas não de ‘falar’: realizarão tarefas específicas, mas sem a capacidade de se comunicar. Isso, no entanto, começa a mudar. Os requisitos de custo, tamanho e potência para o funcionamento de equipamentos sem fio vêm caindo de forma tão rápida que alguns candidatos insólitos vêm sendo conectados às redes. A integridade das estruturas de pontes e edifícios, por exemplo, vem sendo monitorada por pequenos sensores. O mesmo vem acontecendo com a agricultura e os sistemas de irrigação são acionados e desligados por controle remoto.

Reduzir distâncias

Nos próximos anos, as comunicações sem fio se tornarão cada vez mais presentes na rotina do quotidiano. David Clark, cientista de computação do Massachusetts Institute of Technology – e um dos responsáveis pelo desenvolvimento da internet – acredita que dentro de 15 ou 20 anos a rede terá que acomodar um trilhão de mecanismos, em sua maioria, sem fio. Para dar uma idéia de como poderia ser esse mundo, Robert Poor, co-fundador de duas empresas de equipamentos sem fio, a Adozu e a Ember, apela para um exemplo modesto: a instalação elétrica em edifícios. Se cada tomada contivesse um pequeno terminal sem fio, as pessoas não somente controlariam melhor a iluminação como também poderiam utilizá-la de diversas maneiras. Se os terminais fossem programados para servir como detectores de fumaça, poderiam alertar para um incêndio, assim como poderiam indicar sua localização. Também poderiam funcionar como um sistema de segurança ou ainda prover a conexão por internet com quaisquer outras coisas no prédio.

Esse tipo de utilização já vem sendo desenvolvido. A Philips, por exemplo, uma empresa eletrônica, planeja inaugurar sistemas de iluminação para edifícios comerciais, com controle sem fio, dentro de cinco anos. E seus pesquisadores estão trabalhando no sentido de tornar um sistema interconectado de tomadas elétricas capaz de monitorar objetos por todo o edifício, localizar equipamentos em hospitais e evitar roubos em escritórios.

Estas idéias, que já vêm sendo discutidas há anos, respondem por nomes como ‘computação ubíqua’, ‘redes implantadas’ e ‘internet disseminada’. O fenômeno ‘poderia facilmente reduzir distâncias até aqui imensas, na revolução da informática’, segundo um relatório do Conselho Nacional de Pesquisa dos Estados Unidos, de 2001, intitulado ‘Implantado, por toda parte’. Um documento da agência das Nações Unidas de 2005 chamou-o ‘A Internet das Coisas’.

Direção nítida

Mas agora está, realmente, começando a acontecer. Até os governos já estão atentos para o fato. O Japão e a Coréia do Sul já incorporaram a tecnologia sem fio a suas políticas nacionais, com seus imensos conglomerados de internet passo a passo com os líderes políticos. A União Européia e os Estados Unidos (onde verbas do Departamento da Defesa foram responsáveis por muitos dos avanços) produziram longos relatórios.

Apesar de toda a excitação, ainda demorará um pouco para que as comunicações máquina-a-máquina (M2M), assim como as redes de sensores, se tornem onipresentes. Embora a tecnologia já exista, as diferentes abordagens até agora experimentadas não funcionam bem em conjunto.

Ao contrário de um software de computador, que pode ser aberto com alguns cliques do mouse, cada sistema ainda tem que ser modelado. E a combinação de comunicação com computação cria duas indústrias e culturas de engenharia que, em geral, esbarram uma na outra, atrasando o progresso. Além do mais, os modelos empresariais que justificariam o tempo e o custo de implantar serviços sem fio ainda são incipientes.

A direção, porém, é nítida. Nos próximos anos, as novas tecnologias sem fio surgirão numa abundância de equipamentos, tal como ocorreu com os chips de computador na segunda metade do século 20. O estudo e o exame dessas tecnologias irá explicar como elas surgirão e por que não será fácil.

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http://www.economist.com/

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