Quarta-feira, 19 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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E-NOTíCIAS > NOVAS TECNOLOGIAS

Um novo conceito em público de mídia

Por Luiz Gustavo Pacete de Lima em 29/04/2008 na edição 483

Vive-se uma nova era em diversos segmentos da mídia. Um tempo que promete modificar os padrões de comunicação existentes em distintos meios. Com a era digital e o surgimento de novos nichos, dá-se a necessidade de rever os conceitos outrora criados e que até agora logravam alcançar seus objetivos. Quando se fala em público de mídia, logo é possível lembrar do conceito de cultura de massa. São inúmeros os casos de sucesso em que programas e peças publicitárias eram voltados para este tipo de público, aquele que se enquadrava dentro da média. Muitos, por muito tempo, se utilizaram deste recurso para atingir o maior número possível de pessoas.


Alguns dos veículos que obtiveram êxito com este modelo já começaram a perceber mudanças no seu próprio mercado. A última pesquisa encomendada pela líder do segmento televisivo no Brasil retrata o aumento no número de televisores desligados no Rio. Isso não só assustou a empresa que encomendou a pesquisa como fez com que ela discutisse as principais causas: o aumento no número de evangélicos e a alta pirataria em relação às TVs a cabo. Isso mostra que o chamado ‘grande público’ tem buscado alternativas e é necessário adaptar se ao seu novo perfil.


Um novo conceito de público passou a ser discutido. Com a era digital, a blogosfera e o aumento da interação entre público e meio, aumentou a exigência por produtos, serviços e linhas de comunicação que fale de maneira específica, diferente do modelo atual, que transmite a mensagem de forma generalizada. O grande público se caracteriza pelo seu volume e heterogeneidade e o público segmentado se difere pela sua particularidade e pela importância dada ao perfil individual.


O perfil dos ‘públicos’


O perfil do público está mudando para consumidores que queiram ser reconhecidos pelas suas diferenças, e não pelas similaridades, que querem se sentir exclusivos, partindo do princípio de que eles já podem fazê-lo através de suas ferramentas tecnológicas: TV digital, mp4s, Ipods, celulares que convergem diversas mídias como TV, rádio e internet e permitem aos consumidores selecionar o seu próprio conteúdo.


O mercado de consumo brasileiro mudou. A classe C já passou a ser maioria e representa 46% da população brasileira (86,2 milhões). Com o acesso ao consumo e informação, esses brasileiros estão se tornando cada vez mais cidadãos autônomos. A cultura Macworld defende o conceito de pseudo-liberdade. Seriam idéias que vêm para provocar falsas sensações de liberdade. Uma pessoa que se sinta independente e criadora do seu próprio estilo e consumo, o que representa um novo perfil de consumidor.


São inúmeros os fatores que nos levam à tendência de segmentação, principalmente do público brasileiro: com aproximadamente 123 milhões de aparelhos celulares, o Brasil só fica atrás da China e Índia no ranking de países onde a telefonia celular mais cresce. Chega a mais de 10 milhões o número de acessos à internet, principalmente da classe C. O país lidera o acesso ao Orkut e MSN e os brasileiros ficam mais em frente ao computador do que os norte-americanos. Estes e outros exemplos comprovam que a necessidade de rever os conceitos de público é urgente, até porque os computadores pessoais se popularizaram e passaram a ser acessíveis a uma parte considerável da população.


Como atingir os novos públicos é a grande chave para o sucesso da publicidade e das mídias que querem alcançar de maneira eficiente os seus nichos. É pretensioso fazer previsões quanto aos modelos já existentes, mas será cada vez mais necessário que os veículos entendam e conheçam o perfil de ‘seus públicos’ – e não mais do ‘seu público’.

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Estudante de Jornalismo, Osasco, SP

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