Quarta-feira, 16 de Outubro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1059
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Um profissional camaleão

Por Regiane Santos em 24/03/2009 na edição 530

Para exercer a profissão de webjornalista, não basta dominar os princípios amplamente difundidos pelos professores nas salas de aulas das universidades brasileiras. A maioria deles, jornalista, ainda insiste em ministrar aos seus discípulos técnicas propagadas na década de 1980, quando o jornalismo se resumia à apuração e checagem de informações seguidas pela redação da reportagem que estampava as páginas do jornal impresso, produção de áudio veiculado em programas de rádio ou vídeo exibido nos noticiários televisivos.

Com a popularização da internet nos anos 1990, emergiu, entre professores e intelectuais da área, a necessidade de criar a disciplina de Jornalismo Online, na qual estudantes conhecem a história do jornalismo exercido na rede mundial de computadores bem como noções básicas da linguagem hipertextual.

Mas, no século 21, com a crescente inclusão digital da população proporcionada pela facilidade da aquisição de computadores, difusão internet banda larga, nascimento da web 2.0 e portabilidade da informação, o jornalista não pode mais restringir seus conhecimentos aos conceitos básicos do jornalismo online.

Versatilidade deve ser o lema do webjornalista, termo cunhado para designar os profissionais que projetam seus trabalhos para o mundo através da internet.

Adeus à timidez

Dominar a tecnologia torna-se primordial para atuar neste novo nicho de mercado. O webjornalista ‘…não tem medo de manuais de instruções, instala programas, enfim, faz a roda girar dentro daquela caixa que tem tudo o que a gente precisa para fazer o jornalismo multimídia hoje: o computador’ (DUARTE, Alec, 2009).

Com as soluções técnicas nas pontas dos dedos para resolver os freqüentes problemas das máquinas que conectam os usuários com apenas alguns cliques ao mundo, o webjornalista não se intimida frente aos desafios de obter os melhores ângulos nas fotografias que compõem o slide show para ilustrar sua reportagem multimídia.

Através de seu raciocínio sagaz, o novo profissional redige e revisa o texto para o podcast ainda no local onde ocorreu o fato ou grava o áudio durante as entrevistas que substituem, de forma verossímil, as aspas das reportagens convencionais. O webjornalista ainda dá adeus à timidez e grava, com desenvoltura, VTs com seqüências que despertam a curiosidade do internauta.

Sensibilidade aguçada

Mesmo a redação ganha nova roupagem através da inserção de hiperlinks integrados às palavras do texto jornalístico que, embora curto para proporcionar uma leitura agradável ao usuário, torna-se contextualizado pela infinidade de possibilidades de navegação, à escolha do internauta, existentes na rede mundial de computadores. ‘Nas edições online, o espaço é tendencialmente infinito. O jornalista pode oferecer novos horizontes imediatos de leitura através de ligações entre pequenos textos e outros elementos multimídia organizados em camadas de informações’ (CANAVILHAS, João).

Ter habilidade para fotografar, gravar áudio, filmar ou narrar ao vivo já se transforma em realidade, embora pareça surreal, em veículos de comunicação instalados nos grandes centros urbanos e também em sites e blogs com linhas editorais alternativas, administrados por jornalistas independentes, forma de atuação profissional cada vez mais crescente, uma vez que considerável parcela dos veículos de comunicação se encontra em crise financeira e enxuga suas redações.

Sensibilidade aguçada também compõe a gama de habilidades imprescindíveis ao webjornalista. Após a apuração na qual selecionou diversificados suportes para informar o fato ao internauta, o polivalente profissional da comunicação edita o material e o organiza para aguçar o interesse do usuário em conhecer o conteúdo multimídia que reporta um recorte da realidade.

Formar e educar para a vida

O webjornalista não necessita dominar somente a tecnologia. Para garantir sua credibilidade, continuam imprescindíveis a checagem e re-checagem de informações, uma vez que ‘uma edição e filtragem de informação de confiança e com qualidade torna-se ainda mais importante na internet, onde qualquer pessoa pode publicar qualquer coisa e fazer com que pareça importante’ (AROSO, Inês).

Ao lançar sua âncora no oceano open source da internet, no qual os cidadãos têm livre participação para pulverizar uma vasta gama de informações, os webjornalistas passam de guardiões das informações a intérpretes da notícia, tornando-se fundamental a sólida formação em ciências sociais bem como o domínio da linguagem técnica e legislação da área na qual atua, para ‘informar com crítica, competência e cidadania, formar e educar cidadãos para a vida’ (VIANA, Moisés, 2009), premissa básica do jornalismo.

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Jornalista, blogueira e assessora de comunicação, Pedro Leopoldo, MG

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