Terça-feira, 19 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1064
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Um ser real em um mundo utópico

Por Flavia Arcanjo em 30/06/2009 na edição 544

Michael Jackson não teve infância. Aos onze anos de idade, já trabalhava.

No comando do grupo Jackson Five, cantarolava e encantava o mundo. A população chorava ao ouvir a canção I’ll Be There e Michael também. Cada obra do cantor era fruto de lágrimas. O pequeno garoto era treinado por seu rígido pai, Joe Jackson e cada passo errado era severamente punido. As brincadeiras infantis que todos nós vivenciamos, o astro apenas presenciou por trás das janelas que cercavam os estúdios.

O menino prodígio cresceu e o grupo já não comportava mais seu sucesso. Lançou se em carreira solo. O planeta cantou e dançou a música Thriller. Paramos quando ele fez pela primeira o passo moonwalk. Bilhões de CDs foram vendidos. Consequentemente, a pressão sobre si aumentou. O cantor deveria quebrar seu próprio recorde. A perfeição não era o bastante.

O rei do pop foi notável

Em nossa sociedade capitalista, onde tudo se consome, passamos a consumir a vida de Michael. Devido à doença vitiligo, o astro passou por uma metamorfose. Estava cada dia mais branco. Passamos a questionar os seus atos e a dar palpites. Suas ações não mais diziam respeito apenas a si. Ele nos devia satisfações, sua vida pessoal se estendeu a nós. Seu rosto se desfigurou. Seu aspecto exterior era o reflexo de seu interior. Ele não tinha mais identidade. Branco ou negro? Homem ou mulher? Adulto ou criança? Se nem mesmo a sociedade, com todos os seus intelectuais, foi capaz de resolver estas incógnitas… Quem dirá o pequeno Michael Jackson.

Cobrado por tempo integral. Ele deveria ser o nosso entretenimento, nos trazer alegria. Mas a sua felicidade não era importante. O mundo o conhecia, porém ele era solitário. Ninguém o compreendia. Afinal ele deveria se limitar a ser um objeto de lucro e sucesso.

Mesmo com tantas dúvidas e mágoas, Michael seguiu seu trajeto. Tentava trilhar o caminho de sua lenda pessoal. Somente agora que não temos mais a sua presença percebemos o quanto ele era importante.

O rei do pop não será imortalizado por ter feito algo notável, mas sim, por ter sido notável.

Michael Jackson não morreu. Apenas colocou um ponto final.

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Estudante de Jornalismo, São Paulo, SP

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