Sábado, 17 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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Um teste para a imprensa

Por Luciano Martins Costa em 21/07/2008 na edição 494

O Globo informa que a Operação Satiagraha, que resultou no indiciamento, entre outros, do banqueiro Daniel Dantas, entra na segunda-feira (21/7) em nova fase, com a criação de uma força-tarefa para continuar a investigação.


Segundo o jornal carioca, cerca de 50 profissionais, entre agentes da Polícia Federal, procuradores do Ministério Público Federal, funcionários da Comissão de Valores Mobiliários, da Receita Federal, do Banco Central e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras vão passar o pente-fino nos documentos apreendidos com os acusados.


O Globo afirma que a ordem de formar um grupo especial de investigação partiu do próprio presidente da República, que estaria preocupado com suspeitas de que teria determinado o afastamento do caso do delegado Protógenes Queiroz.


A nova equipe terá pela frente a tarefa de analisar muitas horas de gravações de conversas telefônicas e e-mails, além dos documentos apreendidos com os 24 envolvidos, principalmente Daniel Dantas, o especulador Naji Nahas e o ex-prefeito Celso Pitta.


Processo criminal


O foco central dos investigadores deverá ser o conjunto de discos magnéticos encontrado atrás de uma parede falsa no apartamento do banqueiro.


Essa é a fonte de preocupação de muitos figurões da República, representantes de variadas correntes políticas que parecem ter em comum o fato de haverem sucumbido ao poder de sedução do banqueiro Dantas.


A Folha de S.Paulo calcula que o trabalho de análise deverá demorar quatro meses.


Segundo a Polícia Federal, as 56 ordens de busca e apreensão cumpridas no dia 8/7 durante a Operação Satiagraha resultaram na coleta de cerca de uma tonelada de equipamentos e documentos.


Por enquanto, só foi concluído o inquérito que resultou na abertura de processo criminal contra Daniel Dantas e seus colaboradores Humberto Brás e Hugo Chicaroni pela tentativa de subornar um delegado.


Mais que migalhas


Os jornais diários têm demonstrado mais fôlego do que as principais revistas semanais para manter seus leitores informados sobre aquele que promete ser o mais alentado escândalo envolvendo empresários e autoridades públicas dos últimos tempos.


Mas a periodicidade também cria dificuldades para manter o interesse pelo assunto.


Esse período em que o noticiário se torna mais rarefeito, por causa da natural lentidão das investigações, costuma ser um grande desafio para a imprensa.


As próximas semanas vão mostrar se a mídia consegue oferecer ao público mais do que as migalhas de informação que vazam da Polícia Federal.

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