Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

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Use sem moderação

Por Alexandre Honório em 15/12/2009 na edição 568

O Twitter não mudará sua vida, mas certamente tem mudado a relação de pessoas iguais a você com os limites da comunicação. A pergunta mais comum entre os que não conseguiram compreender ainda a função desta rede social é ‘para que serve isso?’. Eu particularmente procuraria uma outra perspectiva: ‘O que posso fazer com isso?’.

Como ferramenta o Twitter não chega sequer perto de outra vedete das redes sociais – o Facebook. Pelo menos em termos de recursos, mas em relevância comunicacional, o ‘passarinho’ dá de capote. Diferente do Facebook, o grande segredo do Twitter é que sua instantaneidade informacional – o modo como a informação é difundida entre seus usuários – suplantou quaisquer recursos que outras redes dispusessem até então.

O Twitter é a manifestação de uma perspectiva da comunicação que tem se delineado com a ascensão das mídias digitais: se nos tempos em que a TV e o rádio imperavam absolutos os seus usuários lidavam com uma perspectiva comunicacional regida por uma orientação ‘um-muitos’, em nossos dias a dinamicidade da orientação ‘muitos-muitos’ representam desafios não só para quem se comunica, mas para quem igualmente estuda os fenômenos da comunicação.

Outra revolução

Não é que a comunicação esteja mudando pura e simplesmente e se transformando em um lugar para pouco; não há substituição, mas hibridização dos agentes e processo da comunicação. Como considera Carlos Scolari em seu Hipermediaciones – Elementos para uma teoria de la Comunicación Interactiva Digital, o que tem mudado é a relação que temos mantido com a comunicação.

Como descreve Scolari, o nosso olhar em direção aos limites da comunicação tem sido modificado em uma velocidade que igualmente tem exigido uma componente que, esta sim, tem atiçado a crescente participação coletiva: a experiência da participação.

O grande trunfo das redes sociais, portanto, inclua-se o Twitter como sua mais recente vitrine, tem sido fazer com que consumidores da comunicação e dos seus produtos participem, interfiram, interajam com processos que representam a essência do comunicar, mas tradicionalmente se encontravam fora do alcance para muitos.

Assim, o Twitter pode não mudar nossas vidas; pode não mudar o modo como o mundo nos salta aos olhos; pode simplesmente ser a vedete interativa da vez até que uma outra se apresente como estrela de uma outra revolução (alguém ainda lembra do ICQ?). Entretanto, somente por motivar uma discussão sobre como nos comunicamos e o que esta experiência encerra, posso afirmar que a mudança está inevitavelmente em curso. Aproveite-a – sem reservas.

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Chefe de reportagem do Novo Jornal, Natal, RN

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