Segunda-feira, 22 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1046
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Vivemos um cerceamento online?

Por Tamyris Torres em 19/04/2011 na edição 638

Lendo o artigo ‘La revolucíon no será Twiteada‘ da revista de cultura Ñ do Clarín (Argentina), escrito por Siegel Lee, do New York Times, sobre tecnologia e internet, mostrando os perigos e riscos que o internauta está correndo com as ditas censuras no meio digital, onde editores de livros e jornais procuram diversas maneiras de protegerem os conteúdos para não haver vazamentos, ou até mesmo pais tentam manter seus filhos longe dos ciber-bullyings e empresas sustentam suas informações em sigilo absoluto, reparei que, depois de anos vivificando este meio comunicacional e com tantas notícias a respeito de censura aos jornalistas, não é que ele pode estar certo?

Lee cita o livro de Evgeny Morozov A Ilusão do Net, no qual é observando as contradições e as confusões que se tornam visíveis através da neblina que se desvanece na euforia inicial da internet. ‘E o potencial libertador da internet também contém as sementes da apatia política e, consequentemente, a erosão da democracia’, justifica.

No livro, Morozov explica que a internet tem uma poderosa ferramenta nas mãos, nada mais e nada menos que a emancipação política, que em nome da liberdade acabará destruindo a liberdade. Pensando nisto, lembrei-me de Néstor García Canclini, em Leitores, Espectadores e Internautas, em que se discute sobre usuários da web chamados de visitantes, ou seja, quem ‘visita não dita as normas da casa, ainda menos quando se trata de uma casa tão peculiar em que há mais lixo que entra do que sai’.

Nas mãos dos manipuladores de massa?

Diariamente são difundidas milhares de informações na rede e nós não fomos treinados para isto. Usamos a nossa liberdade de expressão ou protegemos a nossa privacidade no mundo digital? Não sei bem se somos tão autônomos ao passar informações na internet e, pior, com o domínio da comunicação de massa, também não sei se vamos acabar vendo a internet como um instrumento manipulativo como a TV, por exemplo.

Estive acompanhando o Twitter de um amigo em que ele dizia que não é a TV que influencia a sociedade, e sim, o contrário. Oras, basta a celebridade do momento usar um vestido de uma estilista nova do horário nobre da telenovela mais comentada no país, para nós vermos na semana seguinte todas as mulheres usarem o mesmo modismo nas ruas. É só inventar um jargão novo e falar durantes alguns capítulos que o mesmo estará na boca do povo, como se diz por aí. Então, ele retrucou dizendo que todo mundo vê, que as novelas batem recorde de audiência. Óbvio, isto tem um motivo muito lógico. Alguém por acaso bateu na sua porta e te perguntou o que você gostaria de ver? A gente nunca teve a oportunidade de escolher outra coisa para ver simplesmente porque nunca nos deram tal oportunidade. Como saber se o telespectador vai gostar de outros assuntos se não fomos moldados para isto?

Voltando à internet, você facilmente inicia uma conversa com uma pessoa qualquer de um lugar remoto, você fica dependente a ponto de sair do cinema e ligar rapidamente o smartphone para saber o que está acontecendo nas suas redes sociais. O celular é outro espetáculo, mas que vale outro artigo. Será que os jornalistas estão livres para escrever o que quiserem no meio digital? Fico me perguntando se a internet, que a princípio veio para revolucionar e libertar, não está seguindo o caminho inverso, se jogando nas mãos dos manipuladores de massa. Portanto, termino o artigo oferecendo uma frase que servirá como pensamento da semana: será que estamos sitiados até no cibermundo?

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Jornalista

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