Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Zuckerberg abre Internet.org para desenvolvedores

Por Bruno do Amaral em 12/05/2015 na edição 850

Em um discurso em vídeo no qual apela para emoção da oferta ao acesso para a população offline, o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, anunciou na segunda-feira (4/5) a abertura do programa de universalização Internet.org para desenvolvedores. A iniciativa visa acalmar as críticas ao projeto sob a ótica da neutralidade de rede, em especial na Índia – não à toa, o vídeo de quase 7 minutos tem opção de legenda em hindu. Mas há pontos nos requerimentos para a criação de sites e serviços que ainda deverão dar pano para a manga dos opositores.

Zuckerberg fala várias vezes que dois terços da população mundial ainda não possuem acesso, citando a estimativa de que, para cada bilhão de pessoas com acesso, mais de 100 milhões sairiam da pobreza. “Dar acesso a 4 bilhões de pessoas é a coisa certa a se fazer.” Ele ainda explica que os maiores beneficiados não conseguem sequer opinar no debate: “As pessoas que são mais afetadas não tem voz na Internet, não podem argumentar nos comentários ou assinar uma petição online”.

Assim, ele ataca os argumentos contrários, comparando o tratamento isonômico com o sistema de cotas para minorias em universidades: “Prevenir discriminação apenas não é o suficiente. Tem que investir em grupos de minorias, e o mesmo se aplica à neutralidade”.

Na visão dele, a urgência da necessidade passaria por cima das discussões políticas de como o projeto é realizado. “Acesso é igual à oportunidade, e neutralidade de rede não deveria prevenir acesso”, diz o dono da rede social.

Para acalmar os ânimos dos ativistas pró-neutralidade de rede, ele garante que a abertura do Internet.org para desenvolvedores poderá expandir as opções dos usuários para além dos serviços básicos gratuitos (saúde, educação, trabalho e comunicação), com cada vez mais serviços com o passar do tempo. “Pessoas tem escolha de que serviços e operadoras querem usar”, garante.

Zuckerberg diz ainda que nenhuma companhia paga pra ser inclusa no Internet.org, tampouco há compensações financeiras por parte das operadoras. “O Facebook nem mostra propaganda nesse programa”. O modelo é sustentável porque muitos acabam decidindo acessar a Internet aberta, e isso faz o negócio ficar interessante para operadora. O executivo voltou a dizer que o modelo de acesso à Internet irrestrito “não é sustentável”.

A Internet dentro da Internet.org

Conforme explica Mark Zuckerberg, o conteúdo exibido é otimizado para a plataforma, com baixo consumo de dados e algumas exigências por parte do projeto. O Facebook, por exemplo, não exibe fotos e vídeos. Os sites são simples para que “operadoras possam oferecê-los de graça em uma maneira economicamente sustentável”. As páginas não pagam para serem incluídas e nem as teles cobram dos desenvolvedores pelos dados que as pessoas usam para seus serviços.

“Hoje estamos no próximo passo, abrindo o Internet.org para que qualquer um possa construir seus serviços gratuitos, que estarão disponíveis para todo mundo. Isso dá mais opções e serviços gratuitos, enquanto (o modelo de negócios) ainda fica sustentável.”, afirma.

A questão é que o programa de participação tem três diretrizes, todas com pontos que ainda deverão levantar dúvidas a respeito do caráter do projeto. Uma dos requerimentos é “encorajar a exploração da Internet aberta onde for possível” – um ponto importante para operadoras, já que boa parte do interesse delas para manter o negócio viável é conseguir migrar os usuários para planos (pré ou pós) pagos. O segundo ponto é ser eficiente para baixo consumo de dados – dessa forma, plataformas que utilizem VoIP, vídeo, transferência de arquivo, fotos em alta resolução ou grande volume de imagens não serão inclusas. Novamente, uma demanda em conformidade com a agenda de operadoras, já que o serviço não pode sobrecarregar a rede móvel.

Por fim, os websites precisam estar em condições de serem navegados tanto em smartphones quanto em feature phones, além de precisarem consumir poucos dados. Isso não é um problema, mas, para entrar em conformidade com o Internet.org, as páginas não podem requerer JavaScript ou protocolos de segurança SSL/TLS/HTTPS. A justificativa para isso é a necessidade de que o Internet.org redirecione o tráfego (em proxy). “Embora nós preferíssemos dar suporte total a conexões criptografadas entre usuário e website em todos os casos, fazer proxy de sites terceiros não permite isso em sua implantação atual sem introduzir capacidades de man-in-the-middle (agente introduzido para captura de dados)”, justifica o projeto em sua linha de diretrizes.

A interferência do Internet.org, aliás, é feita para “criar um fluxo de tráfego padronizado para que operadoras possam identificar corretamente e não cobrar seu serviço”. O projeto não hospeda o conteúdo, apenas servindo como proxy – isso significa, inclusive, que cookies são suportados “e não são alterados”. Ou seja, dados de navegação do usuário podem ser capturados pelos desenvolvedores, outro ponto fundamental para a sustentabilidade do projeto.

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Bruno do Amaral, do Teletime

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