Domingo, 20 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

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Zuckerberg volta a encabeçar lista de poderosos

Por Sergio da Motta e Albuquerque em 05/09/2011 na edição 658

Cada vez mais cresce minha admiração por Eric Schmidt, ex-CEO do Google, por suas avaliações sobre a mídia digital. Na Conferência D9 deste ano, da revista All Things Digital, ele afirmou que existem quatro companhias que “vêm explorando as estratégias de plataformas da web muito bem”: o Facebook, a Apple, a Amazon e o Google.

Na quinta-feira (1/9), a Vanity Fair publicou a 17ª lista anual dos novos “poderosos” (“The 2011 New Establishment List”) no planeta. O Último Segundo publicou no domingo, três dias depois. São pessoas de diversas áreas e que, segundo a revista, vêm influenciando e moldando o mundo em que vivemos hoje em dia. Nos quatro primeiros lugares, a “lista de Schmidt”: Mark Zuckerberg (Facebook), Sergey Brin e Larry Page (Google), Jeff Bezos (Amazon), Tim Cook e Jonathan Ive, da Apple. O resultado deste ano parece confirmar a análise de Schmidt sobre quais são as companhias de base tecnológica que vêm dominando as mentes (e os bolsos…) dos consumidores e do mercado de mídia digital.

Mark Zuckerberg aparece pela segunda vez em primeiro lugar, repetindo o feito do ano passado. Que teve também Steve Jobs em segundo lugar, seguido pelos “garotos” do Google. O quarto lugar ficou para Rupert Murdoch. A revista justificou o porquê da escolha do hoje desmoralizado dono da News Corporation, em 2010:

“O bilionário da mídia, de 79 anos, está no seu melhor quando ataca aqueles que percebe como rivais (The New York Times, Time Warner Cable, Google). Seu último adversário: agregadores de notícias online que roubam (palavra dele) conteúdo de seus veículos da mídia. No último ano ele ameaçou remover todo o conteúdo da News Co. do Google (num blefe aparente) e anunciou que se as pessoas quisessem ler alguns de seus jornais online deveriam pagar um preço. É uma batalha que ele sabe que tem poucas chances de ganhar, mas está ajudando Murdoch a se transformar num tipo de salvador da mídia impressa.”

“Listas de maiorais”

Salvador da imprensa? Murdoch? Irônico, para dizer o mínimo. Ele desceu do posto de salvador da imprensa a predador e vilão-mor da mesma em apenas um ano. Estranhei o fato de a Vanity Fair ter feito uma avaliação tão “positiva” de Murdoch no ano passado. Suas práticas oligárquicas, seu conservadorismo ríspido e mal-educado, sua ambição desmedida já eram posturas conhecidas há muito tempo. Como tudo isso passou despercebido em 2010? Acaso não era ele o campeão da mídia impressa? Não iria salvá-la, erigindo pedágios de pagamento para os leitores? Não ameaçou o Google de retirar “seu material” de lá? Onde está aquele valha empáfia, a petulância de Murdoch, agora?

Não gosto dessas “listas de maiorais”. São arbítrio do poder e dos poderosos. Mas este ano a lista da Vanity Fair fez três coisas importantes: a primeira foi confirmar a análise de Eric Schmidt sobre as mais importantes plataformas da web no momento. A segunda foi compreender que o exemplo que Murdoch deixa para o mundo é desprezível, odioso e não molda as mentes de todos aqueles comprometidos não apenas com uma imprensa melhor, mas com uma nova humanidade. E a terceira foi deixar de fora os barões da mídia e substituí-los pela nova geração de empreendedores da mídia digital do Vale do Silício.

***

[Sergio da Motta e Albuquerque é mestre em Planejamento urbano, consultor e tradutor]

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