Ao Dines, com carinho | Observatório da Imprensa - Você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito
Sexta-feira, 17 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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EDIçãO BRASILEIRA DA COLUMBIA JOURNALISM REVIEW > Bastidores de criação do Observatório da Imprensa

Ao Dines, com carinho

Por Carlos Vogt em 18/12/2017 na edição 971
Ex-reitor da Unicamp relembra episódios que levaram à criação do Observatório da Imprensa

Em uma tarde de 1993, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), recebi, por intermédio de Luiz Schwarcz, a notícia – depois confirmada por José Marques de Melo – de que Alberto Dines queria falar comigo sobre um projeto de criação de um programa de jornalismo na Unicamp, universidade de que eu era reitor, na ocasião.

Dines estava em Portugal e tinha vindo ao Brasil, um pouco antes, no ano anterior, para um tratamento de saúde, tudo isso envolvendo, além de outras atividades, sua pesquisa e a produção de seu trabalho fundamental sobre Antônio José da Silva, publicado em livro com o nome de Vínculos e Fogo (Companhia das Letras, 1992).

Dines, como ele próprio relata, passava as manhãs de Lisboa prisioneiro de seu projeto na Torre do Tombo, à tarde, ia para a Editora Abril e, à noite, lia e escrevia, trabalhando o material que sua pesquisa ia organizando.

A bolsa da Fundação Vitae estava prestes a terminar, e o trabalho na Abril permitia-lhe esticar a estada e dava-lhe, então, condições para seguir adiante com os estudos e as investigações para a obra sobre o autor brasileiro do teatro português no século 18, morto ainda jovem, queimado, num auto da fé da Inquisição, com apenas 34 anos, em 1739.

Interesses comuns

Fizemos o contato, Dines me escreveu e eu, que tinha uma viagem programada para Paris, combinei com ele de passar por Lisboa, na volta, para conversarmos e, eventualmente, avançarmos com a ideia da criação de um programa e mesmo de um centro de estudos em jornalismo.

Anos antes, quando Paulo Renato Costa e Souza era reitor da Unicamp e eu seu vice-reitor, chegamos a tratar, na universidade, com Claudio Abramo, então editor da Folha de S.Paulo, de um projeto de curso de pós-graduação em jornalismo, que acabou não se concretizando.

Havia, pois, uma disposição da universidade para um empreendimento dessa natureza que vinha, enfim, encontrar-se com Dines e com a ideia inovadora e precursora que ele alimentava, preparando também, no fundo, a sua volta ao Brasil, no
período pós-Fernando Collor e no cenário dos tempos melhores que o governo de Itamar Franco e, depois, de Fernando Henrique anunciavam.

Cheguei a Lisboa e fui recebido pela Norma Couri e pelo Dines com uma simpatia, um carinho e uma acolhida tais que a sensação que compartilhamos era de velhos amigos com saudades de não ter se conhecido antes.

Norma, que estava em Lisboa como correspondente do JB, e Dines hospedaram-me num hotel maravilhoso na rua das Janelas Verdes, cujo nome, se bem me lembro, reportava à sua própria localização. Passeamos, comemos bem, tomamos bons vinhos, fomos a Cascais e a Sintra e paramos no Canto 3 d’Os Lusíadas, de Luís de Camões, no Cabo da Roca, “aqui(…) onde a terra se acaba e o mar começa”.

Tiramos fotos e seguimos embalados, pelo fim de semana de azul e luz, nas conversas sobre os planos de criação do que viria a ser, em 1994, o Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo, o Labjor, da Unicamp; depois, em 1996, também berçário do Observatório da Imprensa, cuja infância, adolescência e idade adulta sempre tiveram em Dines a referência segura, criativa e constante, na constância de sucesso de sua trajetória.

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Carlos Vogt é professor titular na área de semântica argumentativa e coordenador do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor), da Unicamp, onde foi reitor de 1990 a 1994.

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