Quinta-feira, 25 de Maio de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº943

EDUCAçãO > Profissão desvalorizada

Professor não tem vida fácil

Por Ricardo Santos em 16/10/2015 na edição 872

Ser professor no Brasil é um enorme desafio. O Brasil mudou muito nos últimos anos. Há cerca de cinquenta anos, a realidade da educação era outra. Os professores tinham boa remuneração, eram respeitados e valorizados pela sociedade.

Hoje, a carreira do professor vem se deteriorando ano a ano. Isso se dá em função de uma série de razões… Mais, além da desvalorização salarial, ele tem de lidar com a violência escolar e uma jornada de trabalho extremamente extenuante. É comum, ainda, muitos profissionais trabalharem em duas ou mais escolas.

E tem mais: é fato que a procura pelo magistério diminui a cada ano que passa. A realidade é que os cursos de licenciatura não atraem os jovens estudantes. E isso tem sua razão de ser: remuneração defasada, ambiente de trabalho ruim, falta de recursos didáticos e falta de laboratórios. Enfim, educação não é uma prioridade política. No geral, não existe um plano de carreira consistente com o mercado para os professores do ensino público e privado. É claro que há exceções.

A verdade é que muitos pais não se interessam pela escola e pelo estudo de seus filhos. Muitos responsáveis se recusam a comparecer às reuniões para saberem sobre seus filhos e o que acontece dentro da instituição. Melhor dizendo: a escola reproduz os problemas e as contradições da nossa sociedade.

Precisamos valorizar o professor

Pois bem, ninguém nega que as condições de trabalho dos docentes, em especial, na rede pública, estão se precarizando. São muitos os fatores, entre eles a superlotação das salas de aulas, o desinteresse dos alunos pelo seu aprendizado, a apatia dos pais e a aprovação automática. Resultado: a cada ano que passa, temos mais greves. É uma situação difícil e ruim para os alunos, para os pais e para os educadores. No ensino superior, a realidade não é muito diferente do ensino médio e fundamental.

Os governos, em seus três níveis, de modo geral não valorizam os profissionais de ensino. O reflexo dessa realidade são os baixos salários e um cotidiano cheio de problemas nas escolas, que, muitas vezes, o profissional não está capacitado para resolver. Para piorar mais, os educadores estão quase sozinhos em sua luta.

Por sua vez, é fato que a mídia, quase sempre, reproduz o discurso oficial. Um exemplo: o editorial da Folha de S.Paulo “Escolas dedicadas” (26/9), que trata da reorganização das escolas em São Paulo, está em perfeita sintonia com o discurso do governador tucano Geraldo Alckmin. No entanto, nas ruas pais e estudantes protestam contra a reorganização da escola. Tem mais: nossos formadores de opinião não se interessam pelos problemas da educação, não cobram das autoridades o cumprimento de suas obrigações e deixam de informar a população sobre os problemas reais das escolas…

Finalmente, nenhuma nação moderna evoluiu sem valorizar a educação. O Brasil segue, infelizmente, em sentido oposto ao resto do mundo. Ou seja, andando para trás. Assim, elegemos maus governantes, formamos maus profissionais de saúde, de segurança, de engenharia… Por fim, vale lembrar que gente educada tem mais maturidade para fazer melhores escolhas durante suas vidas e lida de forma satisfatória com os desafios da vida social. Por tudo isso e muito mais é que precisamos valorizar, realmente, o professor!

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Ricardo Santos é professor de História

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