Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

ENSINO DO JORNALISMO > Educomunicação

A função da imprensa na “evangelização” ecológica

Por Jean Carlos Monteiro em 23/11/2015 na edição 877

Muitos são os questionamentos sobre o que a sociedade espera dos comunicadores diante de tantas calamidades ambientais. As mentes inquietas costumam questionar quais as contribuições dos comunicadores na disseminação da educação ambiental e, principalmente, na formação do cidadão consciente. O profissional da comunicação, além de ser uma fonte de informação – que é função primordial da imprensa –, é o principal meio que hoje promove mudanças no comportamento social.

A atual crise ecológica exige dos comunicadores exercer o papel de educar e mobilizar seu público (leitores, ouvintes, telespectadores e internautas) para que se adotem hábitos de consumo e atitudes com foco na responsabilidade socioambiental, conscientizando especialmente para uma utilização eficiente dos recursos hídricos, questão crítica vivida no cotidiano por todos nós.

No processo que mobiliza e conscientiza cidadãos para a sustentabilidade ambiental, o comunicador é o diálogo entre o homem e a educação. A partir dele, a imprensa cumpre melhor sua função de formador de opinião e instrumento de catequização do indivíduo. Porém, é necessário uma atenção maior para pautas que abordam os problemas ambientais, pois elas precisam traduzir com profundidade e clareza a atuação do homem na natureza, e trazer à tona as causas e os impactos dos problemas ambientais atuais e as calamidades que podem surgir se as práticas sociais não tomarem um novo rumo.

No campo de atuação da imprensa, existe uma ferramenta técnico-pedagógica chamada educomunicação que visa utilizar os diversos canais da mídia para introduzir no ser humano informações e conhecimentos culturais, socioeducativos e ambientais. Com essa ferramenta, os comunicadores participam ativamente da socialização por meio da educação participativa, na qual seu público interage de forma a cooperar com o discurso.

Acesso e assimilação

A educação ambiental realizada pela imprensa precisa ser constante. O comunicador deve estar atento à sustentabilidade, que é um dos grandes desafios deste século. Mas para que seu trabalho seja eficiente e eficaz é necessário que, além de uma especialização, ele esteja imerso na questão ecológica e atualizado sobre a temática a ser disseminada e discutida, pois arduamente se pauta os problemas ambientais com lucidez nos meios de comunicação.

Para fazer com que a comunicação seja indutora de comportamentos positivos e trabalhe a serviço da sustentabilidade, é de suma importância que o conteúdo apurado não contenha erros científicos ou de conhecimento, muito menos que contextualize tal problemática de modo genérico ou com temas melindrosos e sensacionalistas no intuito de gerar discussão temporária e pontual. Dessa forma, a imprensa deve sempre ir em busca de boas fontes, estudar, questionar, investigar e informar com responsabilidade e ética, pensando sempre na formação pedagógica do seu público. É preciso também maior atenção aos diversos tipos de narrativas dessa nova sociedade em que crianças já nascem conectadas, jovens mais atualizados e adultos que se adaptam em um espaço cada vez mais democrático, em que as formas de comunicar estão ao mesmo tempo descentralizadas e distribuídas.

A comunicação para a educação ambiental ainda precisa passar por pequenos ajustes. O conteúdo ambiental, por ser científico, deve ser traduzido e tornar-se de fácil compreensão, dado que, muito se fala em temáticas como “ecocatástrofes”, mas insuficientemente se informa sobre suas causas. Assim sendo, a imprensa tem a necessidade de se estruturar de forma a produzir conteúdo educativo que comunique e transforme valores que possibilitem a faculdade crítica e autocrítica do homem em relação as suas atitudes para com o meio ambiente.

Ao comunicar a atual revolução entre homem, natureza e impactos sociais, a imprensa deve, portanto, fazer com que a recepção da informação pelo público seja de fácil acesso e assimilação. Essa nova forma de educar tem um caráter mais forte de influenciar e levar a sociedade a analisar e remodelar suas práticas ambientais. A educação ambiental é a oportunidade que a imprensa tem de formar cidadãos cientes dos seus deveres e com a sociedade em que vivem. Comunique para a sustentabilidade.

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Jean Carlos Monteiro é jornalista

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