Terça-feira, 17 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

ENSINO DO JORNALISMO > A novidade em pauta

Em busca da matéria “perfeita”

Por Gabriel Bocorny Guidotti em 11/09/2015 na edição 867

Recentemente, uma disciplina de revista da faculdade desafiou meus colegas e eu a produzirmos uma grande reportagem – nunca antes contada. E aí começa uma indigesta dificuldade. Encontrar um assunto ainda não repercutido pela mídia é tarefa complexa que exige conhecimento de boas fontes, permanente leitura e, inequivocamente, sorte. Boas matérias saíram de acontecimentos que os jornalistas mal esperavam.

Em minha classe, das reuniões com os professores surgiram diversos temas, um mais mirabolante que o outro. Experientes no mercado jornalístico, os docentes desafiaram os alunos a fugir do óbvio, estimulando nossa capacidade de raciocínio. Desse modo, diversas pautas foram descartadas sem dó. Um mês após o início do semestre, alguns colegas permanecem à procura da “matéria perfeita”. Felizmente, eu já encontrei a minha.

No dia-a-dia, a imprensa destaca ampla maioria de seus profissionais a analisar os acontecimentos de momento, sejam regionais, nacionais ou internacionais. Publica-se a luta de classes pelo reconhecimento de seus direitos; crimes perversos que assolam uma comunidade; as decisões públicas cujos efeitos vão repercutir na vida das pessoas. Em suma, o objetivo é bem informar.

A notícia é o acontecimento de agora; não exige a consulta a muitas fontes e se esgota rapidamente. É a reportagem, entretanto, que justifica a profissão. Tal modalidade consiste num recurso pelo qual, em algumas páginas ou minutos, os veículos de comunicação oferecem uma tese que fará a sociedade refletir. Ainda hoje, atiçado pela velocidade da internet, o “furo jornalístico” é busca constante de todo profissional de imprensa.

Originalidade é desafio

A notícia publicada é uma fração de uma infinidade de fatos que chegam às redações diariamente. Na hora de decidir o que é relevante, o jornalista leva em consideração critérios como proximidade, notoriedade, temporalidade etc. Ele acredita que sua seleção será benéfica ao público-alvo. Ademais, é natural que as notícias se repitam no inesgotável trabalho da imprensa.

A grande reportagem, no entanto, é artigo raro nos veículos diários, exceto quando uma hecatombe acontece. Normalmente, ela surge nas edições do final de semana. Não há mal nisso, pois seria demais pedir o impeachment de um presidente, a queda de um avião ou complexas investigações jornalísticas todos os dias. Fatos extraordinários – alguns deles trágicos – beneficiam a profissão, não num sentido moral, mas com a finalidade de revigorar o noticiário.

A novidade da pauta permite produzir uma série de suítes a respeito do assunto de momento. A busca do jornalismo deve se assentar justamente nisso: o novo, o diferente. Eu e meus colegas ainda estamos engatinhando nessa arte secular, mas, com engajamento e experiência, tenho certeza que uma grande revista será produzida. Torço que outras universidades adotem o mesmo expediente. Afinal, o jornalista existe para reportar, não para ser mensageiro de trivialidades.

***

Gabriel Bocorny Guidotti é bacharel em Direito e estudante de Jornalismo

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