Segunda-feira, 17 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1041
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10/02/2009 na edição 524

TELEVISÃO
Marcelo Gripa

A TV está perdendo a soberania no Brasil

‘A fartura de audiência deixou há tempos de ser rotina na televisão brasileira. Havia épocas em que grande parte do país se reunia em frente à TV de forma fiel e garantia a felicidade das emissoras, que esbanjavam pontos no Ibope. Mas isso foi moda idos da década de 80, um tempo em que o consumo de mídia era basicamente restrito à TV, rádio e impressos. (Veja enquete sobre o tema)

Certa vez, por exemplo, a líder TV Globo conseguiu o feito de marcar 90% de audiência do país, sendo que todos esses televisores estavam ‘presos’ no último capítulo de uma mesma novela: ‘Roque Santeiro’. Porém, a evolução foi implacável e a chegada da internet com seus aparatos tecnológicos, aliada a opções como a TV paga, tratou de minimizar a soberania deste meio tradicional e começar a repartir o bolo da audiência. É chegada, portanto, uma nova era de consumo de mídia.

Uma das provas mais recentes deste novo cenário foi confirmada por dados do Ibope, publicados esta semana no Adnews. O índice de TVs desligadas bateu recorde na Grande São Paulo no fim do mês de janeiro. No horário considerado nobre (18h às 24h), apenas 48% dos aparelhos permaneceram ligados, de acordo com dados referentes ao último sábado (31/01). Na semana anterior a esta data, o índice era de 54%.

‘Graças a Deus os tempos são outros’

Em meio às mudanças, nem mesmo novela das oito se safou. O mesmo produto que fisgava o país em frente à telinha despencou com o passar dos anos e atingiu o patamar dos 20 pontos no Ibope. ‘Caminho das Índias’, a atual trama da emissora global, chegou a marcar 27 pontos recentemente e não representa uma exceção à regra. Apenas segue o curso constante de queda das novelas, num processo que alerta para o desgaste de um modelo que sofre concorrência.

‘Graças a Deus os tempos são outros e acabou a época em que 80 milhões de pessoas assistiam à mesma coisa. Isso é esquizofrenia aguda’, diz Nelson Hoineff, jornalista e diretor do Instituto de Estudos de Televisão em menção ao antigo sucesso das novelas da Globo. Para ele, é uma ‘aberração’ imaginar que grande parte de um país tão plural consuma exatamente a mesma dose de conteúdo cultural. Baseado neste contexto, ele decreta: ‘ a TV está perdendo cada vez mais a soberania no Brasil. E isso é ótimo para o país’.

O especialista atribui o novo momento à ‘possibilidade escolha’, vinda da multiplicação de acesso à informação. Ele conta que houve situações históricas nas quais a telenovela servia como um meio de inclusão digital. ‘Na década de 80, a novela era um dos principais meios de inclusão era assistir à novela, pois a informação girava em torno disso’, afirma. Hoje em dia, entretanto, ‘o veículo não ‘domestifica’ mais o telespectador’, de acordo com o especialista.

Mas a queda não foi brusca. Hoineff destaca que o atual rito de passagem se concretizou após a estabilização da internet, TV paga e novas possibilidades que ajudaram a desgastar o modelo. Ele ressalta que o problema é do meio e não de um ou outro canal de TV específico. Em citação à atual trama da Globo, ‘Caminho das Índias’, ele diz que o problema não é com o conteúdo, mas sim com o formato. ‘Vivemos numa sociedade multifacetada que não quer sempre a mesma coisa. As novas tecnologias oferecem as possibilidades de conhecer novas opções’.

Tendência

Mobilidade e divisão são palavras-chave com as quais Hoineff prevê o cenário para os próximos anos. Assim como o rádio e telefone, a tendência para a televisão é se aproveitar da mobilidade, movimento que ainda engatinha no Brasil.

Na visão do publicitário Ângelo Franzão, vice-chairman do grupo de agências McCann, os próximos anos serão definidos pela qualidade de produção e segmentação. ‘O avanço de novos canais, a entrada de novos players, a introdução de devices que antes não participavam do mercado farão com que o consumo seja mais dividido. Mesmo assim, entendo que, quem comanda essa relação é a qualidade.’

Diante da concorrência, Franzão diz que o sucesso dependerá da aproximação com o consumidor da informação. ‘Ganhará quem estiver mais próximo do espectador, entregando tudo aquilo que ele aspira em nível de informação, entretenimento, qualidade de produção, credibilidade, etc.’’

 

 

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