Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

ENTRE ASPAS > QUARTA-FEIRA, 19/12

Agência federal americana amplia monopólios de mídia

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 19/12/2007 na edição 464

Leia abaixo a seleção de quarta-feira para a seção Entre Aspas.


************


Folha de S. Paulo


Quarta-feira, 19 de dezembro de 2007


CONCENTRAÇÃO & DIVERSIDADE
Sérgio Dávila, de Washington


EUA aprovam medida que permite ampliação de monopólios de mídia


A agência federal que regula a mídia e o mercado de telecomunicações nos EUA aprovou ontem medida que amplia o monopólio das empresas de comunicação no país. Por três votos a dois, a Comissão Federal de Comunicações (FCC, na sigla em inglês) passa a permitir que companhias baseadas nos maiores mercados nacionais sejam donas tanto de publicações quanto de emissoras.


Pela nova medida, nas principais cidades norte-americanas, as empresas poderão ser proprietárias ao mesmo tempo de jornais e de emissoras de rádio ou TV, desde que respeitem duas condições: que haja ao menos oito empresas de proprietários diferentes no mercado em questão e, se a transação envolver uma televisão, que não seja uma das quatro de maior audiência local.


Com isso, cai a regra segundo a qual a chamada ‘propriedade cruzada’ era proibida. Criada há 32 anos, servia para evitar a concentração da mídia nas mãos de uma mesma empresa. ‘Não podemos ignorar que o mercado é consideravelmente diferente de como era quando a regra de dupla propriedade foi implantada’, defendeu o diretor da FCC, o advogado republicano Kevin Martin, apontado por George W. Bush no início de seu segundo mandato.


Fora dos 20 maiores mercados, a empresa jornalística que se candidatar a comprar uma emissora de rádio ou TV ou vice-versa deve pedir que a agência federal aprove uma exceção para seu caso depois de provar que o negócio levará em conta o interesse público. Na prática, essa brecha legal já acontecia mesmo antes da aprovação da medida de ontem, inclusive nos 20 maiores mercados.


Empresas como as que editam o diário ‘The New York Times’ ou o ‘Chicago Tribune’ são proprietárias de emissoras de rádio (no caso do primeiro) e de TV (no segundo) e operam há anos com as exceções aprovadas pela agência. O que o novo diretor queria era legalizar essa situação. Fez isso debaixo de críticas e comunicou o resultado do voto aos gritos de ‘Injusto!’ e ‘Essa votação foi armada’, de manifestantes presentes na saída da sede da FCC, em Washington.


Martin conseguiu desagradar quase todos os setores envolvidos. Os dois democratas que votaram contra a medida acham que ela serve aos interesses da Casa Branca, e seu partido promete passar legislação que anula a mudança. As próprias grandes empresas de comunicação, as supostas beneficiárias da nova regra, criticam tanto a reforma proposta pela nova medida, que acham modesta, quanto o prazo dado pela FCC para que ela seja discutida pela sociedade.


Por fim, entidades de direitos civis acham que a nova regra não protege a produção de noticiário local nos mercados menores, atividade em franco declínio, segundo estudos de institutos que examinam a mídia norte-americana. Prometem entrar na Justiça contra a decisão nos próximos dias.


 


CULTURA
Raquel Abrantes


4,2 milhões trabalham com cultura no país


‘Dos 89,3 milhões de trabalhadores com dez anos de idade ou mais em 2006, 4,2 milhões ou 4,8% estavam em atividades relacionadas à cultura, de acordo com a segunda versão do estudo Sistema de Informações e Indicadores Culturais, divulgado ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em parceria com o Ministério da Cultura.


De 2005 para 2006, a população ocupada cresceu 2,4%, enquanto no trabalho cultural o aumento foi de 5,4%, segundo dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do IBGE.


O rendimento médio mensal do trabalhador do setor, com dez anos de idade ou mais, é estimado em R$ 846 em 2006, próximo à média da população ocupada total, de R$ 848. Já o nível de escolaridade na cultura é mais alto que a média.


Das pessoas com pelo menos o ensino médio completo, o percentual é de 37,6% para ocupação total e de 55% nas atividades culturais. A região Sudeste registrou a maior parcela de pessoas com 11 anos ou mais de estudo vinculadas à cultura.


No mercado de trabalho cultural, 33,8% têm carteira assinada, 22,8% têm empregos informais e 33,9% trabalham por conta própria. Isso significa que em cada cinco postos de trabalho do setor, cerca de três são ocupados por empregados sem carteira ou trabalhadores por conta própria.


Da mão-de-obra obra cultural, no entanto, 38% ganham até um salário mínimo, 30% recebem de um a dois salários e 11,4%, de dois a três salários.


São Paulo e Rio de Janeiro tiveram 6% cada um dos trabalhadores em atividades culturais em 2006, enquanto Minas Gerais e Bahia registraram 4,5% e 3,2%. O Rio se destaca em relação aos demais Estados, com alta de 0,6 ponto percentual de 2004 para 2005 e de 0,4 ponto entre 2005 e 2006.


A região Sudeste apresentou a maior proporção de ocupados nessas atividades em 2006 (5,7%), seguida pela Sul (4,8%). No Norte, Nordeste e Centro-Oeste, o setor cultural representava 3,2%, 4% e 3,8% para população ocupada, respectivamente.


Perfil


No setor, predominou o sexo masculino (51,5%). A participação da mulher no mercado de trabalho em geral vem crescendo gradativamente. Em 2004, elas representavam 41,8% dos ocupados, passando para 42,1% em 2005 e para 42,5% em 2006. Na cultura, a presença feminina passou de 48% em 2004 para 48,5% em 2006. Já nas regiões Nordeste (51%) e Sul (50,2%), foi verificada uma ligeira predominância das mulheres na população ocupada total.


Em 2006, o percentual dos jovens (10 a 24 anos de idade) trabalhando em atividades culturais (28,8%) supera o dos jovens da mesma faixa etária na população total ocupada (22,4%). O fato se confirma em todas as regiões e Estados. No Nordeste, houve a maior participação de jovens no setor cultural, de 31,9%, em função da população mais nova. Na Bahia, o percentual foi de 33%. Já o Rio de Janeiro, com população mais velha, apresentou a maior proporção de pessoas com 50 anos de idade ou mais em atividades culturais.


Entre 2003 e 2005, foram criadas 52.321 empresas e organizações nas atividades culturais, somando 321 mil -o que correspondeu a 5,7% do total de companhias que constituem o Cempre (Cadastro Central de Empresas) do IBGE. Essas empresas ocuparam cerca de 1,5 milhão de pessoas, das quais cerca de 70% eram assalariadas, com renda média mensal de R$ 1.565,74 (com carteira assinada).


O estudo considerou como atividades econômicas diretamente relacionadas à cultura aquelas tradicionalmente ligas às artes, incluindo edição de livros, rádio, televisão, teatro, música, bibliotecas, arquivos, museus e patrimônio histórico. Excluiu-se atividades turísticas, esporte, meio ambiente e religião.’


 


Municípios são os que mais gastam com setor


‘As despesas do governo federal no setor de cultura subiram de 14,4% em 2003 para 16,7% em 2005. Os gastos públicos consolidados na área cultural das três esferas de governo aumentaram de 0,19% em 2003 para 0,2% em 2005. O total de gastos públicos com o setor cultural foi de R$ 2,4 bilhões em 2003 para R$ 3,1 bilhões em 2005, de acordo com o IBGE.


‘O aumento dos gastos federais com cultura foram destinados principalmente à área de formação e aos editais públicos. Faltam indicadores mais precisos. Não acho que o principal problema do setor seja a falta de recursos, mas sim conseguir elaborar políticas consistentes’, disse Celso Frateschi, presidente da Funarte (Fundação Nacional de Artes).


Os governos estaduais respondem por 36% (contra 31,7% em 2003) das despesas, mas os municipais continuaram a ser a esfera que mais gastou com cultura: 47,2% em 2005 (contra 54% em 2003). Mesmo com a queda percentual dos municípios, o valor absoluto cresceu de R$ 1,27 bilhão para R$ 1,48 bilhão em 2005.


A despesa per capita do governo com cultura cresceu 31,6% de 2003 a 2005, passando de R$ 12,91 para R$ 16,99 ao ano. A região Centro-Oeste concentra os maiores gastos por habitante, de R$ 39,31, e avançou 52,8%. A região Sudeste vem em seguida, com despesa de R$ 17,78 e alta de 20,3%. Em 2005, o Sul foi a área que recebeu menos investimentos, de R$ 11,90 por pessoa-foram R$ 10,38 em 2003.


Os gastos do governo federal estão divididos entre oito órgãos. A maior parte, do Ministério da Cultura, cresceu de R$ 90,7 milhões em 2003 para R$ 132,8 milhões em 2005. O Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) contribuiu com R$ 116,3 milhões na última apuração, contra R$ 101,7 milhões em 2003. A despesa do Fundo Nacional de Cultura passou de R$ 46,9 milhões para R$ 116,3 milhões.


A distribuição dos gastos da esfera estadual com cultura mostrou que São Paulo e Bahia foram os Estados com maior participação nas despesas. São Paulo registrou aumento de 28,2% em 2003 para 28,6% em 2005 e a Bahia, queda de 10,6% para 10,1%.’


 


TV em cores é o produto com a maior expansão


‘A TV em cores foi o bem durável que mais se difundiu nas famílias brasileiras, diz o IBGE. Em 1987, 42,6% das famílias não tinham esse bem, percentual que caiu para 6,8% em 2003. Dos mais de 92% das famílias com TV em cores, 36% tinham mais de um aparelho.


Dentre as capitais, o maior crescimento da TV em cores foi na região metropolitana de Recife, onde passou de 39,3% em 1987 para 91% em 2003.


Em todas as faixas de renda, o percentual de TV em cores supera os 80%. Para as famílias que ganham até dois salários mínimos, subiu de 15% em 1987 para 80,9% em 2003.


Os microcomputadores passaram a fazer parte de 21,9% das casas em 2003, contra 6,9% em 1996. Para esse item, todas as áreas analisadas apresentaram crescimento, principalmente as regiões metropolitanas do Sudeste e do Sul e para o Distrito Federal.


Houve crescimento na posse de microcomputadores em todas as faixas salariais, mas o percentual foi superior entre as famílias de maior poder aquisitivo. De 8 a 15 salários, o percentual passou de 3,3% para 30,7% e, acima de 15 salários, subiu de 21,9% para 62,1%.’


 


GOVERNO
Fernando de Barros e Silva


Zôo Brasil


‘SÃO PAULO – ‘Crescimento tira milhões das classes D e E’. Era esse o título da reportagem de Fernando Canzian na Folha de domingo. Com base em dados do Datafolha, constatava que nos últimos cinco anos, sob Lula, cerca de 20 milhões de brasileiros passaram à classe C. E explicava: primeiro, em decorrência da expansão de programas sociais e previdenciários; de um ano e meio para cá, foi sobretudo o crescimento que elevou o consumo dos mais pobres. Boa notícia.


Ainda que essa divisão por ‘classes’ seja um instrumento de mercado -e não um indicador social, mais efetivo para aferir a melhoria estrutural das condições de vida-, ninguém de boa-fé vai tomar um avanço por estorvo ou coisa ruim.


Recorde-se que a era FHC também havia ‘incluído’ uma legião de banguelas e neocomedores de frango na fase heróica do real. A moeda derreteu e eles voltaram a ser pó.


O Brasil tem suas manhas. O próprio Fernando Canzian, na sua coluna desta semana na Folha Online, tratou de relacionar as boas novas do consumo com aquilo que presenciou no sábado à noite, ao assistir a um show na Rocinha. Vale ler.


O relato da onipresença aterrorizante do tráfico basta para dissolver a convicção de que algo melhora no Brasil. Não é um caso isolado. É só abrir o jornal ou andar pela rua para acumular evidências diárias do que nos afasta da vida civilizada. Que progresso -que país é este?


Haverá muitas respostas. A que mais me convence (e fascina) é a do sociólogo Francisco de Oliveira, num grande ensaio de 2003: somos o ornitorrinco, animal improvável, nem isso nem aquilo, meio réptil meio mamífero, achado alegórico para uma sociedade que não é mais subdesenvolvida, mas tampouco se tornou uma sociedade avançada e decente -nem se tornará.


A figura do ornitorrinco sugere que o progresso, entre nós, carrega consigo conseqüências socialmente regressivas, as quais também definem nossa modernidade arrevesada. Serve ao menos como antídoto à idéia ingênua de que nos aproximamos do Primeiro Mundo no grande varal da história universal.’


 


Marcelo Coelho


Habemus Senatum


‘ASSISTI ATÉ o fim, madrugada adentro, a sessão do Senado que decidiu o fim da CPMF. Não estava torcendo por nenhum dos dois lados em confronto. Mas adorei o espetáculo.


Arthur Virgílio está longe de ser um Cícero; o carpete azul e vulgar daquele plenário não pode aspirar ao mármore austero dos tempos clássicos, e duvido que uma toga de linho caísse bem sobre os ombros do senador Agripino.


Viciado que sou na minissérie ‘Roma’, da HBO, posso entretanto dizer que a votação da CPMF, transmitida pela TV Senado, teve lances de emoção e suspense capazes de rivalizar com qualquer roteirista de Hollywood.


Com a greve dessa categoria profissional, é pelo menos um alento ver que os senadores brasileiros, de vez em quando, retomam as atividades pelas quais recebem sua copiosa remuneração.


Um grande momento, aí pelas dez e meia da noite, foi protagonizado pelo senador Heráclito Fortes. Conhecia-o de alguns debates na CPI: a dicção muito ruim, como se ele guardasse quatro bolas de Natal entre as bochechas, nunca ajudou muito sua intenção de ser mordaz.


Ele sobe à tribuna, com um calhamaço nas mãos. Começa um discurso candente contra a CPMF. Interrompe-o logo depois. O lance estava bem ensaiado. Ele diz que poderia continuar seu raciocínio, mas que tem ojeriza a plagiar textos de seus colegas.


O discurso, na verdade, era do petista Paulo Paim, que a exemplo de seus correligionários tinha sido pugnaz adversário do tributo durante as calendas cardosianas.


A câmera da TV Senado captou então o rosto de Paim, consumido em fúria impotente e púnica. ‘Como ele vai responder agora?’, pergunta-se o espectador. Veio a resposta, mas a oposição (que poderia ser acusada da mesma incoerência que apontava nos petistas) tinha, de todo modo, lavrado um tento.


Um momento! Um momento!


Surge, esbaforido, um mensageiro no palco apinhado e convulso dos trabalhos. Mensagem de César!


Era uma carta do presidente da República. Prometia repassar integralmente para a saúde a arrecadação do imposto. Mas eram mais de dez e meia da noite; tucanos e demistas saboreavam o desespero da serôdia concessão governamental: tarde piaste, presidente! ‘De tardibus piantur non esse disputandibus.’


Uma cartada extrema -e o senador Pedro Simon assoma ao microfone. Imagino que o microfone já se assuste quando ele aparece; a gesticulação desabrida, o rosto que investe para todos os lados e a haste do aparelho se inclina e sofre, junco frágil no deserto diante dos rugidos de um leão.


Simon começa manso. Seria eu, senhor presidente, a pessoa menos indicada a defender este governo.


Certamente: era notório que o Planalto não o quisera na presidência do Senado; quem ocupava o lugar, naquela noite, não era o áspero senador gaúcho, mas sim um Garibaldi felicíssimo.


Com o rosto desfigurado de invectivas, Pedro Simon pede o impossível: que a sessão seja adiada por 12 horas, em função daquele dado novo -a carta presidencial. ‘Devia ter sido mandada antes?’ Ele grita.


‘Sim.’ Gira na tribuna; contorce o corpo. ‘Chegou tarde!’ Simon concorda. ‘Chegou tarde. Mas chegou!’


Agita e amassa um papel nas mãos.


‘Uma carta do pre-si-den-te da Re-pú-bli-ca! E não va-le na-da?’ Que, pelo menos, os senadores dedicassem algumas horas à leitura do documento. Interrompe-o Heráclito Fortes. ‘Mas quantas páginas tem essa carta, afinal?’ Não tinha mais de um parágrafo.


Com a palavra, Arthur Virgílio.


Passa uma descompostura no honrado adversário. Simon não vale mais do que nenhum de nós! Rebaixa-se, servindo a tão simplória manobra do Executivo.


A coisa encrespa. Pedro Simon responde que não ouvirá lições de quem ‘tinha calças curtas’ quando ele, Simon, já curtia a pele nas duras lides da República.


Estou de cabelo em pé. O líder do governo vai falar. Persistirá na tática do adiamento? Antes, uma questão de ordem. O senador Agripino esclarece, cortante, que a oposição não irá tolerar mais nenhum rodeio. Tudo irá azedar-se definitivamente, ameaça. Romero Jucá toma então a palavra. Sentiu o pulso do plenário.


Abandona a tática sugerida. Vote-se a matéria. Cai o pano; cai a CPMF. Desligo a TV. Por Júpiter! Será que isso, então, é um Senado de verdade?’


 


Evandro Spinelli


Câmara aprova 50 projetos e cria o ‘big brother restaurante’


‘A Câmara de São Paulo aprovou ontem um projeto que exige que todos os restaurantes com capacidade para mais de 30 pessoas instalem circuito interno de TV com transmissão on-line da cozinha para monitores no salão de refeições.


O ‘big brother restaurante’, idéia do vereador-cantor Agnaldo Timóteo (PR), faz parte do pacote de 50 projetos que os vereadores de São Paulo aprovaram ontem. Somados aos dez vetos mantidos, os parlamentares paulistanos aprovaram 60 matérias em sessões com quatro horas e meia duração no total, o que dá um projeto a cada pouco mais de quatro minutos.


‘É uma neurose’, diz Ana Tabanez, dona do Otto Bistrô, sobre o projeto de Timóteo. Para ela, é melhor confiar no trabalho da Vigilância Sanitária, que já faz uma série de exigências. ‘Esteticamente, não é legal uma câmera no restaurante. E a gente acha meio ‘deprê’ as pessoas trabalharem com uma câmera filmando o tempo todo.’


Edson Pinto, coordenador de comunicação do Sindicato dos Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares, também é contra. ‘A gente espera que o prefeito [Gilberto] Kassab, com sua lucidez, vete esse projeto.’


Pacotão


O novo ‘pacotão’ de projetos foi aprovado menos de duas semanas após a Câmara Municipal votar 96 matérias em pouco mais seis horas.


Naquela ocasião, os vereadores criaram uma aberração legislativa: no mesmo dia, aprovaram um projeto que acabava com o rodízio de veículos e outro que o ampliava. Desta vez, o ‘pacotão’ traz outra polêmica.


Um exemplo: fica proibido o uso de fogos de artifício na cidade, como os usados por torcidas nos estádios quando os times entram em campo. O projeto é do vereador e ex-jogador de futebol Ademir da Guia (PR). Ficam ‘liberados’ fogos ornamentais e shows pirotécnicos em eventos do calendário oficial da cidade.


Outro exemplo: shoppings e supermercados ficam proibidos de cobrar estacionamento dos clientes que gastarem pelo menos dez vezes mais que o valor do estacionamento. Se estacionamento custar R$ 3 e o cliente gastar R$ 30 no cinema, por exemplo, parar o carro sai de graça. O autor é Edivaldo Estima (PPS). Ele afirma, em seu site, que, com a apresentação dos cupons de compras, todo mundo sai ganhando, ‘tanto o consumidor como o lojista’ -em seu site, a palavra lojista está grafada com a letra g.


Outra: os capacetes dos motociclistas precisarão ter grafados, em material reluzente e tamanho mínimo de 10×15 cm, a placa da moto.


O pacotão de ontem foi aprovado por acordo entre os líderes de quase todos os partidos. O PSDB, que boicotou a eleição da Mesa Diretora da Casa por não concordar com o cargo que lhe foi reservado, foi boicotado ontem. Nenhum projeto de vereador tucano foi discutido. Segundo Carlos Alberto Bezerra Júnior, líder do PSDB, esses projetos não foram votados a pedido dele, mas serão votados hoje. O projeto que extingue o rodízio também não entrou na pauta -o que amplia a restrição foi retirado pelo autor.


Dos projetos aprovados ontem, em segunda votação, ao menos 25 devem ser vetados pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM), segundo a Folha apurou. Os 24 que dão nomes a locais e vias e prestam homenagens serão sancionados, se não houver nenhum impedimento jurídico. O único que deve ser sancionado é o do vereador Milton Leite (DEM) que proíbe o uso e a venda de madeiras nativas e ameaçadas de extinção.’


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Sexto ou, ainda, décimo


‘Na manchete de UOL e demais e em destaque no ‘Jornal Nacional’, ‘Brasil sobe posição e é a sexta economia mundial’. São os novos cálculos do Banco Mundial, sobre ‘poder de compra’. Acontece que, ‘ao se verificarem os números de participação no PIB mundial, sem arredondar, continuaria em décimo’.


A Folha Online registrou que, dos US$ 55 trilhões em produtos e serviços movimentados em 2005, ano do levantamento, ‘cerca de 40% vieram dos países em desenvolvimento’. E que ‘China, Índia, Rússia, Brasil (os Brics) e o México responderam por quase 20%’.


BRICS 2008 1


A Bloomberg deu a reação dos mercados brasileiros com a ‘demanda renovada pelos emergentes’, notada ontem.


E a Dow Jones deu especial sobre Brics em 2008, com a previsão de ‘mais um ano de retornos impressionantes’.


BRICS 2008 2


‘Telegraph’, ‘Financial Times’ e ‘Economic Times’ noticiam que, para a Ernest & Young, o lançamento de ações dos Brics compensou a queda nos ricos e garantiu ‘recorde’.


Para 2008, mais do mesmo.


BRICS 2008 3


E prosseguem os anúncios de investimentos para o ano. ‘Wall Street Journal’ e ‘New York Times’ deram previsão de consultoria -de aumento de 9% no gasto em tecnologia, ‘‘particularmente nos Brics’.


E a IBM, em carta de seu presidente, avisou ‘continuar a investir nos países Bric’.


‘DRAMATICAMENTE’


O irlandês ‘Irish Times’ já arrisca que saem amanhã as medidas da União Européia para ‘cortar dramaticamente o volume de carne brasileira importada’. A decisão, se sair, vem após meses de pressão dos pecuaristas irlandeses.


FAZ DE CONTA


Antes, a União Européia espalha a doação de milhões ao Mercosul, a eventual volta dos encontros para negociar um acordo de comércio etc.


ETANOL LÁ


O ‘NYT’ destacou que os EUA estão para aprovar novo plano de ‘grande ampliação’ dos padrões de consumo de etanol, ‘criando do nada uma grande indústria’. Parte viria do milho e parte de celulose.


O texto nem cita eventual abertura ao Brasil. Mas ecoou por ‘WSJ’ e ‘FT’ a decisão da OMC de abrir investigação do subsídio ao etanol americano.


UM PAÍS PENTECOSTAL


Duas longas reportagens do ‘Christian Science Monitor’ perfilam pentecostais no país. ‘Nas ruas malvadas do Rio, uma credibilidade rara’ mostra ex-traficante que hoje converte os colegas. E ‘mais lei e ordem é muitas vezes o resultado.’


Outro texto retrata o avanço entre pobres, com números e a opinião do Council on Foreign Affairs sobre a queda católica. O Brasil que se declara ‘o maior país católico do mundo’ agora está perto de ser também o maior país pentecostal.


POR EVO MORALES


A cobertura por aqui mal mencionou. Mas nas agências foi destaque que o Mercosul saiu ‘em defesa do governo da Bolívia, que enfrenta crise’. Em ‘coluna’, a Reuters avalia o apoio como ‘significativo’.


E o ‘Haaretz’ deu o acordo de comércio com o Mercosul, citando que em 2006 Hugo Chávez ‘tentou reunir líderes mundiais contra a ofensiva militar israelense no Líbano’.


BRASIL-JAPÃO


O ‘Valor’ foi aos brasileiros que vivem no Japão, abrindo a cobertura dos cem anos da imigração. E por lá o ‘Yomiuri Shimbun’ destacou a busca pelos destroços do primeiro navio de imigrantes, Kasato-maru, que afundou na Rússia, na Segunda Guerra Mundial.


Por outro lado, o ‘Yomiuri Shimbun’ deu a condenação aqui de brasileiro que havia cometido um assassinato lá.


‘JINGLE-BANG!’


BBC e outros, até na China, noticiaram ontem que o helicóptero que conduzia um Papai Noel para uma festa na favela de Vila do João foi metralhado ‘por traficantes, que aparentemente o confundiram com a polícia’. Entre os enunciados, quase todos com humor, ‘Jingle-Bang!’ -e relatos como ‘nem Papai Noel está a salvo na violenta cidade do Rio de Janeiro’ e ‘Papai Noel voador sob fogo’.’


 


INTERNET
Marina Gazzoni


Conexões em banda larga crescem 8% no 3º trimestre, diz pesquisa


‘O número de assinantes de internet banda larga cresceu 8,3% no terceiro trimestre de 2007, segundo a pesquisa Barômetro Cisco de Banda Larga, realizada pela IDC Brasil e divulgada ontem.


Os provedores receberam 544 mil novos usuários de julho a setembro.


O total de conexões registrado ultrapassa 7 milhões. Nos 12 meses encerrados em setembro de 2007, o país registrou 1,8 milhão de novas conexões. A meta do mercado para 2010 é de 10 milhões de assinantes.


‘Crescer 8% no universo de 6,5 milhões de assinantes de banda larga que havia no segundo trimestre é um aumento bastante relevante’, avalia o diretor de Desenvolvimento de Novos Negócios da Cisco, Rodrigo Uchôa.


Apesar do crescimento, a presença da banda larga em relação à população é de apenas 3,8% dos habitantes. A região Sul é a que apresenta o maior índice -4,9%-, e a Nordeste, o menor -0,7%. O Estado de São Paulo tem 6,7%.


Em relação às residências, 13% têm conexão banda larga, segundo a pesquisa. As assinaturas residenciais cresceram mais que as comerciais do segundo ao terceiro trimestre do ano -9,3% ante 2,4%.


As conexões com velocidade superior a 1 Mbps (megabits por segundo) aumentaram mais de 17%. O estudo aponta a queda de 30% nos preços como um dos motivos pela procura.


O maior acesso da população a computadores e o financiamento facilitado também influenciaram a venda de planos de internet banda larga.’


 


INCLUSÃO
Angela Pinho e Johanna Nublat


‘Laptop de US$ 100’ pode chegar a custar US$ 475


‘O pregão para a compra de 150 mil laptops para escolas públicas do país começou no início da tarde de ontem e tem previsão de terminar hoje. O preço mínimo oferecido pelo que foi conhecido como ‘laptop de US$ 100’ era, até as 18h de ontem, R$ 855 por unidade (cerca de US$ 475). Alunos e professores de até 300 escolas deverão receber um computador a partir do ano que vem.


A concorrência foi suspensa -para reabrir hoje- com a consideração, por escrito, do pregoeiro de que ‘os preços cotados permanecem MUITO [em maiúsculas] altos em relação ao preço de referência da administração’, que não foi divulgado. Ao menos oito empresas participam do pregão.


Finalizada a compra, os 150 mil laptops serão enviados a 228 cidades e utilizados por todos os alunos e professores dos ensinos fundamental e médio de ao menos uma escola.


Em cinco municípios, todas as escolas receberão os laptops: Barra dos Coqueiros (SE), São João da Ponta (PA), Tiradentes (MG), Santa Cecília do Pavão (PR) e Terenos (MS). A sergipana é a mais populosa do grupo: 19.218 habitantes.


Os critérios para a escolha, de acordo com José Guilherme Moreira Ribeiro, diretor do Departamento de Infra-estrutura Tecnológica do Ministério da Educação, foram: ter um número pequeno de habitantes, para poder atender todos os alunos e professores, e já ter uma estrutura de conexão de banda larga e sem fio ou compromisso de implantá-las por parte do Estado ou município.


Segundo o assessor da Presidência José Luiz Maio de Aquino, se o acordo para conexão for descumprido, os laptops poderão ser remanejados.


Zona rural e capitais


Entre todas as cidades que receberão laptops, há ao menos uma na zona rural de cada Estado, além de todas as capitais.


Estão contempladas ainda Abaetetuba (PA), palco do abuso sexual de adolescente L., presa em uma cela com outros homens; e Garanhuns, cidade natal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com rede sem fio em todo o município, escolhida, de acordo com o MEC, pelo governo de Pernambuco.


A idéia é que crianças e professores possam levar os laptops para casa. Mas, segundo o MEC, a direção ou o Estado podem decidir mantê-los na escola por segurança, por exemplo. Todos terão câmera de vídeo e integração a redes sem fio.


Cinco cidades já têm escolas que participam do UCA (projeto Um Computador Por Aluno): São Paulo, Porto Alegre, Brasília, Palmas e Piraí (RJ).


Léa Fagundes, coordenadora pedagógica do projeto na cidade gaúcha, conta que foi possível registrar significativa melhora na escrita e na leitura dos alunos. ‘O aluno passa a escrever para se comunicar, não para fazer um exercício que será guardado no caderno.’


Valdemar Setzer, professor do departamento de ciência da computação da USP, considera o projeto ‘um absurdo’. ‘O ensino público é uma verdadeira calamidade. Para constatar isso, basta pedir a tabuada para um aluno de qualquer série. Não adianta introduzir computador nessa situação.’’


 


LITERATURA
Tereza Novaes


Milionésima visitante ganha prêmios e ‘paga mico’ no Museu da Língua Portuguesa


‘Câmeras de TV, fotógrafos e repórteres estavam a postos na entrada do Museu da Língua Portuguesa, na Estação da Luz, centro de SP, ontem de manhã. A ‘celebridade’ que os jornalistas esperavam era a milionésima pessoa a cruzar as catracas do lugar.


A procuradora do trabalho Anya Gadelha Diógenes, 38, só entendeu a movimentação quando foi informada de que era a visitante número 1 milhão. Ganhou livros de Gilberto Freyre (tema da exposição em cartaz), catálogos, além de entrada vitalícia.


Nada mais justo, levando-se em conta que ela não conseguiu aproveitar sua primeira visita. ‘Nós não vimos direito [o museu], porque ficamos respondendo às perguntas’, explicou Isabel Gadelha, mãe da procuradora.


Resignada com o ‘prêmio’, Anya (o nome apareceu em um sonho de seu pai) atendeu aos pedidos de fotos e entrevistas. ‘Pegaram a pessoa errada, ela é tímida, não gosta de flash’, disse Isabel.


Cearense, Anya mora em São Luís (MA) e veio a São Paulo para passear com a mãe e os dois filhos.


Os meninos de 11 e 16 anos não se renderam à fama instantânea. ‘Vou deixar ela pagar o mico sozinha’, disse Felipe, o mais velho, enquanto a mãe enfrentava as câmeras.


Os dois deixaram a confusão e trataram de conhecer a exposição com um monitor, evitando os jornalistas.


A família deixou o museu por volta das 14h, três horas depois de ter chegado.


‘As crianças adoraram, estavam contando para a gente o que viram’, disse Isabel, que atendeu o telefone de Anya no meio da tarde.


A procuradora não foi a primeira a ganhar homenagens por marcar um feito do museu. O visitante 100 mil e o 500 mil também receberam cortesias -nenhum deles vive em São Paulo.


A visitação média é de 1.400 pessoas por dia -aos sábados, com entrada franca, o público sobe para 3.000. Inaugurado há quase dois anos, o Museu da Língua Portuguesa sedia até 4 de maio de 2008 a mostra ‘Gilberto Freyre – Intérprete do Brasil’. Guimarães Rosa e Clarice Lispector foram temas das duas exposições anteriores.’


 


Eduardo Simões


Cartas para irmãs revelam mais de Clarice Lispector


‘Em uma carta de 28 de dezembro de 1946, enviada de Berna, na Suíça, para a irmã Tania Kaufmann, a escritora Clarice Lispector (1920-1977) descreve uma surpresa feita pela empregada, Rosa, no Natal. O trecho, reproduzido na próxima página, é, segundo a biógrafa Teresa Montero, autora de ‘Eu Sou uma Pergunta’ (Rocco, 1999), um exemplo da inconfundível ‘maneira de olhar as coisas do dia-a-dia’ da escritora.


‘Por mais que seja uma carta íntima, para uma irmã, percebe-se aí o toque de Clarice. É uma carta belíssima’, avalia Montero.


A carta enviada de Berna é uma das 120 compiladas em ‘Minhas Queridas’, livro recém-lançado pela editora Rocco, e que encerra as homenagens aos 30 anos da morte da autora, no dia 10 de dezembro de 1977, um mês antes do lançamento de seu livro mais conhecido, ‘A Hora da Estrela’. Inéditas, escritas entre 1940 e 1957, para as irmãs Elisa Lispector e Tania Kaufmann, que então moravam no Rio de Janeiro, elas foram selecionadas ao longo de cinco meses pela biógrafa.


A correspondência teve início quando Clarice Lispector ainda vivia no Rio de Janeiro, solteira, e não havia publicado seu primeiro livro, o romance ‘Perto do Coração Selvagem’, de 1943. Neste mesmo ano ela se casou com o diplomata Maury Gurgel Valente e começou, no ano seguinte, cerca de duas décadas de separação das irmãs, vivendo em Belém, Lisboa, Roma, Florença, Paris etc.


Segundo Montero, pela primeira vez é possível acompanhar, de maneira contínua, o dia-a-dia de Clarice.


‘Sabemos das suas dificuldades para publicar estando longe do Brasil, contando com a ajuda das irmãs. E também de suas idas a concertos, peças de teatro, museus, e ainda filmes que viu e escritores que a inspiraram, como Tolstói, Katherine Mansfield, Simone de Beauvoir etc.’, conta Montero.


Contexto histórico


Para a biógrafa, as cartas representam também um interessante registro dos contextos histórico e político em que a obra de Clarice foi gestada. Há descrições de como era viver em Nápoles, na Itália, em plena Segunda Guerra, com racionamento de alimentos e dificuldade de transporte. E também do trabalho voluntário de Clarice com soldados feridos durante os conflitos. ‘Há ainda comentários sobre seu processo de criação e contos que acabara de escrever’, diz Montero.


Um dos contos escritos por Clarice é citado numa carta enviada em 8 de maio de 1956, de Washington. A escritora adianta às irmãs as primeiras reações e sobre o que fala ‘O Búfalo’, que só viria a ser publicado em 1960 no livro ‘Laços de Família’: ‘É a história de uma mulher que vai ao Jardim Zoológico para aprender com os bichos a odiar. Mas é primavera e os animais estão mansos, mesmo o leão lambe a testa da leoa […]


Depois é que vem o búfalo. Mas estou vendo que estou matando a história, contando-a desse jeito. Um dia vocês verão’.


MINHAS QUERIDAS


Organização: Teresa Montero


Editora: Rocco


Quanto: R$ 39 (312 págs.)’


 


CINEMA
Silvana Arantes


Cineastas pedem mais reserva de mercado


‘O governo decide, nos próximos dias, qual será a reserva de mercado para o filme brasileiro em 2008. A cota de tela -número de dias de exibição obrigatória de filmes brasileiros nas salas comerciais- é fixada por decreto, a cada ano.


O mecanismo visa a proteger a produção nacional do que seria uma competição desigual, em seu próprio território, com o produto estrangeiro hegemônico -os filmes de Hollywood.


Os cineastas pedem aumento de 15% em relação à cota de 2007, que é de 28 dias de exibição de filmes brasileiros para salas individuais. A cifra sobe no caso dos complexos. Conjuntos de nove salas têm cota de 52 dias para cada uma.


‘O argumento dos exibidores [proprietários de cinema] para não aumentar a cota de tela sempre foi o de que não havia produção suficiente de filmes brasileiros. Agora há’, diz Ícaro Martins, presidente da Apaci (Associação Paulista de Cineastas), que requereu o aumento da cota de tela em reunião na Ancine (Agência Nacional do Cinema), que regula o setor.


O total de títulos brasileiros lançados neste ano deverá chegar a 82, com as estréias previstas até o próximo dia 25.


Público


O público dos filmes nacionais cresceu 11% em relação a 2006 (até o mês de novembro), enquanto os filmes estrangeiros registraram queda de 6,3% no mesmo período, segundo dados da empresa Filme B, especializada nesse mercado.


O resultado demonstra recuperação da performance dos filmes brasileiros em relação ao primeiro semestre, que registrou tendência de queda.


Colaborou para isso o fenômeno ‘Tropa de Elite’, de José Padilha, que foi lançado em outubro e se tornou líder do ano entre os títulos nacionais, com 2,4 milhões de espectadores.


Enquanto os cineastas pediram aumento da cota de tela, os exibidores, também ouvidos pela Ancine, pediram sua redução. Os proprietários das salas comerciais argumentam que o aumento do número geral de títulos brasileiros produzidos não corresponde ao incremento do volume de títulos com bom desempenho de público.


‘O filme nacional tem uma performance muito inconsistente. Nos últimos anos, o resultado sempre se baseou no desempenho de dois ou três filmes. A cota de tela está sendo cumprida à custa de passarmos filmes em sessões vazias’, afirma Marcelo Bertini, presidente da Cinemark, a maior cadeia de cinemas do país.


O governo determina um número mínimo de títulos com o qual a cota de tela deva ser cumprida -dois filmes para salas individuais e 11 títulos para complexos acima de 11 salas.


Após debater com o setor, a Ancine encaminhou ao Ministério da Cultura proposta de decreto com a cota de 2008.


A agência afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que ‘somente se pronunciará sobre o tema após a publicação do decreto presidencial’.’


 


Garantia de trailer é nova reivindicação


‘Além do aumento da cota de tela para 2008, os cineastas solicitam à Agência Nacional do Cinema uma medida que obrigue a exibição de pelo menos um trailer de filme nacional antes de cada sessão.


A demanda pela regulação dos trailers, cuja exibição vem perdendo espaço nos cinemas concomitantemente ao aumento da difusão de anúncios publicitários, tem o apoio de parcela dos produtores.


O trailer é tido por especialistas do mercado como a mais eficaz peça de divulgação de filmes, já que atinge diretamente o consumidor de cinema.


‘Hoje em dia, o grande problema é conseguir passar o seu trailer. Sem regular isso, a [existência da] cota de tela e nada é a mesma coisa’, afirma o produtor Luiz Carlos Barreto.


Negócio


A demanda por mais regulação no setor não é consenso. A produtora Walkiria Barbosa, da Total Filmes (‘Se Eu Fosse Você’, campeão de público de 2006, com 3,6 milhões de espectadores), afirma que, ‘o cinema encarado como indústria tem que acabar com o conceito da obrigatoriedade e fortalecer o conceito do negócio’.


Barbosa é contra a existência da cota de tela. ‘Ninguém rasga dinheiro. Se você tem um bom produto, o exibidor vai querer.’


Para o lançamento da comédia ‘Sexo com Amor’, de Wolf Maya, no próximo mês de fevereiro, ela preparou um ‘trailer interativo’. Na avaliação da produtora ‘existe uma mudança no comportamento do consumidor, não só de cinema, que hoje é impactado por milhões de mídias ao mesmo tempo e quer participar, dar opinião’.


Barbosa afirma que ‘vamos ter que ser mais inteligentes para falar com o espectador e voltar a ter as salas cheias’.


O exibidor Adhemar Oliveira, cujo circuito de salas Espaço Unibanco e Unibanco Arteplex privilegia os títulos nacionais, diz que ‘estamos discutindo o sexo dos anjos’ ao debater a cota de tela. ‘O cinema está enfrentando um problema de público, de sobrevivência. Fico imaginando a saúde das mil e tantas salas brasileiras que não pertencem a complexos [empresas de multiplex]’, diz.’


 


Dono de todos os cinemas de Tocantins torce (em vão) por filas na bilheteria


‘Todas as salas de cinema do Estado do Tocantins pertencem a uma única pessoa: Getúlio Vargas Aguiar. Todas as salas de cinema do Tocantins são apenas quatro.


‘Mas aqui nunca tem fila’, afirma Aguiar, por telefone, do Cine Blue, em Palmas, que possui duas salas. As outras duas ficam em Araguaina. ‘O Tocantins todinho tem 139 municípios. Os únicos cinemas são os meus. Isto é Brasil’, diz ele.


Aguiar explica a ausência de filas ou a ‘baixíssima média de freqüência’ de seus cinemas, pelo fato de que ‘o povo nativo daqui não sabe o que é cinema, não tem o hábito de ir’.


Mas não é só isso. ‘A distribuidora nunca valoriza o pequeno exibidor. Nunca conseguimos cópia [dos filmes] no lançamento. Isso nos atrapalha em relação ao público’, diz.


‘2 Filhos de Francisco’ (5,4 milhões de espectadores em 2005) só chegou ao Tocantins sete semanas depois de estrear nas principais capitais, diz ele.


‘Tropa de Elite’, o campeão deste ano, estreou por lá com três semanas de atraso. ‘Não deu grande coisa. Não vingou.’


Para incentivar o hábito da população de ver filmes, o exibidor, em parceria com o Sesi, promove sessões itinerantes e ao ar livre em municípios do Estado e sorteia uma bicicleta entre os espectadores.


Aguiar debita ao otimismo do brasileiro, ‘que sempre acha que o ano que vem vai melhorar’ sua persistência no negócio. A expectativa do exibidor para 2008: ‘Falando sério, vai ser bom demais da conta!’.’


 


Folha de S. Paulo


Na sétima semana, greve pode afetar Oscar e Globo de Ouro


‘Mesmo perdendo um pouco de sua força com o anúncio da volta à programação das TVs americanas de dois importantes talk shows, a greve dos roteiristas de Hollywood chega à sétima semana e pode prejudicar as festas das premiações do Oscar e do Globo de Ouro.


Os representantes dos grevistas negaram pedido da Academy of Motion Pictures, Arts and Sciences para que seus membros escrevessem roteiros para os dois prêmios, devido ao impasse das negociações entre os profissionais e os estúdios.


Enquanto isso, a emissora NBC divulgou que os programas de Conan O’Brien e de Jay Leno -fora do ar desde novembro- voltarão a ser exibidos em 2 de janeiro.


O’Brien diz que a decisão visa salvar os empregos dos membros de sua equipe que não pertencem ao sindicato Writers Guild of America (WGA). ‘Ou volto a trabalhar e mantenho a minha equipe ou continuo fora e deixo que 80 pessoas, muitas que trabalham comigo há 14 anos, percam seus empregos’, diz O’Brien, que apresenta o ‘Late Night With Conan’.’


 


Festival de Berlim seleciona ‘Mutum’ e ‘Cidade dos Homens’


‘‘Mutum’, de Sandra Kogut, e ‘Cidade dos Homens’, de Paulo Morelli, foram selecionados para duas mostras competitivas do Festival de Berlim, que acontece entre 7 e 17 de fevereiro na capital alemã. Como já foi anunciado, ‘Tropa de Elite’ disputará o Urso de Ouro na principal mostra competitiva do festival alemão.


‘Cidade dos Homens’ concorre pelo Urso de Cristal da mostra Generation 14plus, no qual o vencedor é eleito por um júri formado por adolescentes. O longa de Paulo Morelli é descrito erroneamente pelo festival como ‘a aguardada seqüência do cultuado ‘Cidade de Deus’’. Pela primeira vez, esta mostra contará com curtas, exibidos em uma competição paralela.


Já o longa de Kogut será exibido na Generation Kplus, mostra que tem seu júri composto por crianças. ‘Mutum’ irá competir com o filme de estréia de Hana Makhmalbaf, 19, a filha mais nova da família de cineastas iranianos – Hana é filha de Mohsen Makhmalbaf e irmã de Samira.


A seleção do festival será concluída em janeiro de 2008.’


 


TELEVISÃO
Laura Mattos


Musa pink da internet estréia na MTV


‘Mariana de Souza Alves Lima, 25, era uma anônima estudante de moda até 2003. Foi quando decidiu criar um fotoblog (diário com fotos na internet) e, quase sem querer, começou a se tornar celebridade.


Em 21 de janeiro, ela estréia como apresentadora do programa ‘Scraps’, desenvolvido para ela na MTV. Na tela, não será Mariana, mas MariMoon, seu nickname (apelido virtual) e agora nome artístico.


‘Sempre estudei com umas cinco Marianas. Queria um nome só meu. Então criei esse inspirada no mangá [quadrinho japonês] ‘Sailor Moon’.’


Além do nome, os cabelos coloridos ajudaram MariMoon a bombar. Eles já foram pintados de azul, verde, roxo, vermelho e, há um ano, estão cor-de-rosa.


Seu fotoblog passou a receber muitas visitas e se tornou referência dentre os diários de anônimos. Em razão disso, ela concedeu entrevistas a jornais, revistas e programas de TV.


No ano passado, atuou na campanha publicitária de uma marca de sandálias. Lançou sua própria grife de roupas e criou uma loja virtual para vendê-las. Com a vida de empresária/celebridade, teve de trancar matrícula na Santa Marcelina. ‘Tem faculdade que parece ser para mocinhas que podem ser sustentadas pelos pais até os 35’, diz MariMoon, que acredita ter ‘opinião sobre tudo’.


No programa (ao vivo, de segunda a quinta, às 19h30), dará conselhos por telefone a telespectadores, dicas sobre musicas e internet e fará entrevistas.


Em seu site (www.marimoon.com.br), ela lista os canais prediletos. Tem de Cartoon a People & Arts. Nada de MTV. Ela ri ao ser questionada. ‘Gostava da MTV nos anos 90, depois enjoei. Vejo pouca televisão. Hoje a gente vê clipes na internet, né?’’


 


Vitor Angelo


‘Brazil’s’ escolhe hoje sua top model


‘Suba no salto, força no picumã e meio pivô em direção ao televisor porque hoje é o último capítulo do ‘Brazil’s Next Top Model’. A Sony, feliz da vida com a audiência e a repercussão do programa, promete novas temporadas. Com certeza o sucesso do reality se deve ao clima de chanchada do programa, que agradou não só aos fashionistas como a quem se diverte com uma boa novela das sete.


Tentando seguir (ou copiar?) a matriz americana, o BNTM mostrou ser ‘cheio de charme’ (como exigiam tanto da finalista Lívia) quando ficava evidente a impossibilidade de ser idêntico à versão dos EUA.


Frases memoráveis como a da concorrente Lana, que disse ter ficado feliz porque ‘conseguiu movimentar os membros inferiores e superiores ao mesmo tempo’, ou do jurado Paulo Borges elogiando uma candidata pelo ‘mérito do emagrecimento’ entraram na moda de quem assistia ao programa.


Mas ninguém superou a apresentadora Fernanda Motta. Tentando ser durona como Tyra Banks, conseguiu despertar graça involuntária pelo número de últimas chances que dava às mesmas candidatas.


Agora são apenas três as concorrentes. Qual delas será a vencedora: Lívia Maria, Ana Paula ou Mariana Velho (essa uma aposta forte na blogosfera de moda)? Como já disse Motta: ‘O circo está fechando’!


BRAZIL’S NEXT TOP MODEL


Quando: hoje, às 21h


Onde: Sony’


 


 


************


O Estado de S. Paulo


Quarta-feira, 19 de dezembro de 2007


TV BRASIL
Wilson Tosta


TV pública pode ‘confiscar’ eventos esportivos


‘O relator da medida provisória que cria a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), deputado Walter Pinheiro (PT-BA), quer obrigar as emissoras privadas a ceder gratuitamente à TV Brasil os direitos de transmissão de eventos esportivos com equipe representando o País cuja exclusividade tenham comprado, mas não queiram exibir. O objetivo da proposta é reprimir uma prática relativamente comum entre as emissoras brasileiras: adquirir a transmissão de competições para impedir que os concorrentes o façam, prevenindo-se contra a perda de audiência. Pela proposta, se não quiser ceder o direito à emissora pública, a TV privada terá de fazer a transmissão.


‘Transmissão esportiva é um drama no Brasil’, disse Pinheiro ao Estado. ‘Os caras compram os campeonatos e não passam. Nesse caso, seriam obrigados a passar à TV Brasil. Ou exibem ou passam para a TV pública. Compram para o boicote deles, mas têm de entregar para o povo ver.’


O dispositivo só poderia ser invocado em competições com participação de seleções esportivas do Brasil. Outro ponto que Pinheiro pretende incluir em seu projeto de conversão da MP 398 e poderá atingir as emissoras privadas é a obrigatoriedade de inclusão da TV Brasil em todos os pacotes de TV a cabo. ‘As TVs por assinatura terão de carregar a TV pública.’


A Rede Globo de Televisão, por meio da Central Globo de Comunicação, informou oficialmente que não se manifestaria sobre o assunto, porque ainda não havia decisão oficial. A Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA) alegou que seu presidente, Alexandre Annenberg, não estava disponível para entrevistas.


Cauteloso, o presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Daniel Pimentel Slaviero, ressaltou que será necessário esperar para saber qual será exatamente a redação a ser dada ao dispositivo que quebra a exclusividade da transmissão esportiva. Disse, porém que, se for como o parlamentar antecipou ao Estado, a entidade será contrária à medida.


LIMITES


O parlamentar, que recebeu pelo menos 133 emendas à MP assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também quer impor à nova emissora características que a diferenciem das TVs comerciais. Uma é a imposição de limite para exibir anúncios. ‘Na TV convencional, cerca de 25% do tempo vai para isso’, disse o deputado. ‘Estou tentado ver se cai para 15%.’


Na mesma linha, Pinheiro quer estabelecer uma definição muito rígida para os patrocínios culturais, para evitar o que ele considera como formas disfarçadas de publicidade comercial. ‘Uma coisa é colocar: ?Apoio cultural da Caixa Econômica Federal?; outra é dizer: ?Apoio cultural da Caixa Econômica Federal, onde suas aplicações rendem mais.? Isso é anúncio comercial.’


Pinheiro ainda quer garantir, em algum grau, autonomia financeira para a EBC. Ele estuda a inclusão do repasse automático de parte do Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel) para o caixa da empresa. Quer, também, a criação do posto de ouvidor ou ombudsman, com a reserva de alguns minutos diários na TV Brasil.’


 


CULTURA
Felipe Werneck


Cultura fica com apenas 0,2% dos gastos públicos


‘Apenas 0,20% do gasto público do País foi aplicado no setor cultural em 2005, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo Sistema de Informações e Indicadores Culturais 2003-2005, divulgado ontem, mostra que as despesas com cultura dos governos municipais, estaduais e federal aumentaram de R$ 2,4 bilhões para R$ 3,1 bilhões no período, mas a participação no total de gastos ficou no mesmo patamar de 2003 (0,19%).


O governo federal elevou sua participação de14,4% para 16,7% e os governos municipais, que totalizavam 54% em 2003, mantiveram-se como a esfera que mais aplicou seu Orçamento no setor, mesmo que a participação tenha caído para 47,2% em 2005. A fatia dos governos estaduais foi de 31,7% para 36%.


‘Quer a gente queira ou não, quer goste ou não, hoje a cultura brasileira depende da iniciativa privada. Não é nem do dinheiro, mas da boa vontade dos setores responsáveis a lidar com o imposto’, declarou o presidente da Fundação Nacional de Artes (Funarte), Celso Frateschi.


Ex-secretário da Cultura em São Paulo na gestão Marta Suplicy (PT), ele criticou a aplicação de verba pública, por meio da renúncia fiscal, em ‘mega espetáculos importados que gastam milhões e milhões’.


‘O principal problema é conseguir formular políticas consistentes. Com isso, os recursos acabam vindo. O governo anterior trabalhou (no sentido) de transformar a Lei Rouanet na única política cultural que existia. Não existiam nem os R$ 40 milhões da Funarte. O ministro Gilberto Gil mudou o rumo das coisas, por isso ele é fundamental. Até então, era ?deixa a Lei Rouanet resolver e pronto?’, declarou Frateschi.


O IBGE mostra que a despesa per capita total com cultura passou de R$ 12,9 em 2003 para R$ 17 em 2005. Os Estados com maior participação nos gastos em 2005 no setor foram São Paulo (28,6%) e Bahia (10,1%), patamar semelhante ao de 2003 (28,2% e 10,6%, respectivamente). O Rio, que em 2003 ocupava a terceira posição, com 8,2% do total, caiu para 6% em 2005, enquanto o Pará, que tinha 5,1%, passou para 6,3%. Maranhão, Paraíba, Alagoas e Rio Grande do Sul foram os que mais reduziram os gastos no setor.


Só 266 municípios (4,8% do total), com população acima de 100 mil habitantes, respondiam por 55,1% dos gastos com cultura em 2005.


De 2003 a 2005, o número total de empresas que atuavam na produção cultural aumentou 19,4% – o crescimento foi superior ao do número total de empresas do País, de 9,3% no mesmo período. As atividades de serviços culturais que apresentaram maior queda na média salarial foram as de agências de notícias (de 15,2 salários mínimos em 2003 para 12,7 em 2005) e de telecomunicações (de 14,2 mínimos para 11,3). No inventário dos bens duráveis das famílias, o IBGE observou que o porcentual do total de famílias que possuíam microcomputador subiu de 6,9% em 1995 para 21,9% em 2003. No entanto, a aquisição ficou praticamente restrita àquelas com rendimentos mais altos: 62% tinham renda superior a 15 salários mínimos.


Em discurso lido por Frateschi, o ministro Gil disse que, ‘do vazio estatístico pelo qual padecia a cultura no Brasil em 2003, passamos para os primeiros resultados de uma política pública das informações culturais’.’


 


EUA
O Estado de S. Paulo


Congresso amplia acesso a dados oficiais


‘O Congresso dos EUA aprovou ontem a ampliação do acesso a informações do governo. As agências governamentais terão 20 dias para responder a pedidos de informações, caso contrário precisarão reembolsar as taxas pagas pelo requisitante. Para rejeitar os pedidos, terão de citar a determinação legal específica que permite manter os dados requisitados em segredo.’


 


INCLUSÃO
Renato Cruz


Propostas de laptops têm preço ‘muito alto’


‘O pregão eletrônico para a compra de 150 mil computadores portáteis de baixo custo pelo governo será retomado hoje às 9h30. A concorrência não foi finalizada ontem porque os preços oferecidos pelos concorrentes foram considerados ‘MUITO altos’ (com muito em maiúsculas) pelo leiloeiro, quando comparados ao preço de referência da administração pública. O melhor lance apresentado pelas empresas foi de R$ 128,26 milhões, o que corresponde a um preço de R$ 855 por laptop.


‘Senhores, chegamos ao final deste dia sem que houvesse uma redução de preços realmente significativa, sendo que os valores cotados permanecem completamente inaceitáveis’, escreveu o leiloeiro. ‘Nesse ínterim, pedimos o esforço de todos no sentido de revisar suas planilhas de custos, a fim de cotar preços compatíveis com aquele orçado pela administração.’


No começo do mês, Cezar Alvarez, assessor especial da Presidência da República, afirmou que o governo esperava pagar menos de US$ 300 por máquina, incluindo a entrega nas escolas e três anos de assistência técnica. O edital foi publicado no último dia 6.


O governo planeja distribuir os laptops para estudantes de cerca de 300 escolas públicas de todo o País. A expectativa é que as máquinas estejam disponíveis entre março e abril de 2008, para o início do ano letivo. Os candidatos são o XO, da organização sem fins lucrativos One Laptop Per Child (OLPC); o Classmate, da Intel; e o Mobilis, da indiana Encore. O XO foi apelidado de laptop de US$ 100. Apesar disso, seu preço inicial está próximo de US$ 190.


Os equipamentos terão isenção de ICMS, PIS, Cofins e imposto de importação. Nas escolas escolhidas, todos os alunos e professores receberão computadores, para que seja possível avaliar as mudanças trazidas pela tecnologia. Serão escolhidos cinco municípios em que todas as escolas receberão laptops. Uma das exigências é que os computadores venham com software livre, como o Linux, que pode ser copiado e modificado livremente, sem o pagamento de royalties.’


 


CONVERGÊNCIA
Marili Ribeiro


allTV cria rede de TV interativa no País


‘Perto de comemorar seis anos de transmissão online – em maio de 2008 -, a emissora de televisão na internet allTV, criada e dirigida pelo jornalista e empresário Alberto Luchetti Neto, anuncia a criação do que ele define como a ‘primeira rede de televisão interativa do Brasil’. Desde o começo do mês, por meio de um modelo de negócio que se apóia em um sistema de franquias, parcerias e investimentos próprios , a allTV montou nove ‘retransmissoras’. Graças a elas, forma uma rede de TV interativa 24 horas ao vivo no ar.


Além da sede em São Paulo, a allTV conta agora com geradoras de conteúdo regional, com equipes habilitadas a transmitir nove horas de programação e entretenimento local, nas seguintes regiões: allTV Amazônia, cobrindo os Estados do Acre, Rondônia, Pará, Amapá, parte de Mato Grosso, Roraima, Maranhão, Amazonas e Tocantins; allTV Rio; allTV Bahia; allTV Rio Grande do Sul, extensiva a Santa Catarina e Paraná; allTV Pantanal, chegando a Mato Grosso do Sul e parte de Mato Grosso; e allTV Brasília (Distrito Federal e Goiás).


‘Quando criei a allTV, imaginei reunir o melhor de cada veículo de comunicação por onde passei na minha carreira profissional’, diz Luchetti. ‘A televisão na internet é capaz de ter o imediatismo e a agilidade do rádio, a riqueza de conteúdo dos jornais, a plástica da televisão e ainda proporciona a interatividade, ou seja, o telespectador/internauta pode se comunicar na hora com o apresentador, do outro lado da tela.’


A maior vantagem da IPTV (sigla para televisão sobre protocolo de internet) é a facilidade de uso de recursos que barateiam a captação e o envio de sinais via computador. ‘Para relatar o caos dos aeroportos, por exemplo, nós, da allTV, precisamos apenas de um cartão de internet para telefone, um laptop e uma câmera de computador’, diz Luchetti. ‘As emissoras tradicionais têm de mobilizar muitos recursos caros.’


Segundo Luchetti, a allTV já alcança 30 milhões de acessos por mês. Boa parte dessa audiência, cerca de 32%, vem do exterior. ‘São brasileiros que vivem nos EUA, Europa ou Japão e que nos assistem para ver o que acontece em casa sem qualquer custo. Caso contrário, precisam pagar a Globo ou a Record internacional’, diz. Segundo ele, esse internauta até tem acesso a determinados programas no site das emissoras. ‘Mas com atraso’, diz.


Atualmente, a receita da allTV vem da publicidade convencional e também de projetos de TV interativa para grandes corporações. Com a criação da rede interativa, Luchetti espera aumentar significativamente a receita, que não revela qual é.’


 


CINEMA
Luiz Carlos Merten


Gong Li volta a brilhar com Zhang


‘Ela tem um dos rostos mais belos do mundo e, não por acaso, foi escolhida pela L’Oréal para representar a beleza feminina. Gong Li é mito dos últimos 20 anos, desde que surgiu em O Sorgo Vermelho, de Zhang Yimou, consagrado no Festival de Berlim de 1987. Depois vieram mais seis filmes com o diretor, incluindo A História de Qui Ju, que lhe deu o prêmio de melhor atriz em Veneza. Em 1997, eles romperam, ou pelo menos Gong Li deixou de ser a atriz-fetiche de Zhang. Mas ela volta agora no admirável fecho da trilogia de artes marciais do cineasta chinês. Após Herói e O Clã das Adagas Voadoras, ela brilha ao lado de Chow Yun-fat no melhor dos três, A Maldição da Flor Dourada. O filme possui acentos shakespearianos – é o Rei Lear de Zhang – e Gong Li é poderosa, como mulher e atriz, na pele da imperatriz que está sendo envenenada pelo marido, enlouquecido pelo poder. Relegado a circuito reduzido (só duas salas), o filme merecia mais atenção da distribuidora Sony e do público. A seguir, a palavra de Gong Li, em entrevista por e-mail, de Pequim.


Como você se sente retornando ao cinema de Zhang Yimou e num filme tão diferente dos de antes?


Fiquei muito feliz por trabalhar de novo com ele. Quando ele me mostrou o roteiro, fiquei fascinada. Ele me oferecia um papel forte, que eu sabia que poderia interpretar. Não era muito diferente dos anteriores e, ao mesmo, era totalmente novo. Afinal, nunca havia representado uma imperatriz. E o importante é que o filme teria todos os elementos do estilo pessoal de Zhang – uma história dramática, emoções muito fortes e o esplendor visual. Mesmo que não tenhamos estado juntos por dez anos, assim que o trabalho começou foi tudo muito natural – era como se eu tivesse voltado para uma família, a minha família. A gente conseguia falar tudo, com franqueza e sinceridade. E o mesmo valia para o restante da equipe, embora tenha de ser honesta dizendo que me relacionava melhor com Chow Yun-fat do que com os nomes jovens do elenco, como Jay Chou. Nossa família por trás das câmeras era o oposto da outra, na tela, que passa o tempo todo tentando se destruir, na luta pelo poder.


Se tirarmos as esplêndidas cenas de ação, o universo familiar não é muito diferente do retratado em Lanternas Vermelhas, concorda?


Tudo no filme se expressa na interação de seus vários elementos: a emoção dos personagens, os conflitos entre eles e a maneira como interagem com o espaço físico. E como se trata de um palácio real, cada gesto adquire um significado extra, pois essas pessoas não são como as outras. Nesse sentido, o drama fica bem mais intenso que em Lanternas Vermelhas. As cenas de ação também aumentam a voltagem do filme, pois são parte integrante da história. A diferença é que Zhang hoje possui u orçamento maior. Você pode ver o resultado na cena da grande batalha. Ao contrário do que muita gente pensa, não há muitos efeitos computadorizados. Zhang dispôs de centenas e centenas de extras. Mas não precisei lutar com minhas mãos. Uma imperatriz tem quem lute por ela.


Sua personagem da China também tem seus paparazzi para atender a essa demanda. Todo mundo tem celular, as pessoas estão sempre tirando fotos, onde quer que você esteja. Mas sinto menos pressão quando estou em casa. Nós, chineses, somos um povo educado. Mesmo quando me identificam e querem cumprimentar, as pessoas sabem que sou um ser humano e me respeitam.


Cannes virou uma espécie de segundo lar para você. Como é estar na Croisette?


Quando fui pela primeira vez a um grande festival, era tudo novo e excitante e estava ali para promover filmes em que acreditava. Hoje, vou a Cannes mesmo sem filmes. Para mim, virou uma chance de reencontrar amigos de todo o mundo que pertencem a esse mesmo universo do cinema.


Para terminar, uma indiscrição. Qual é o seu segredo de beleza?


(Rindo) Mais importante é sempre uma boa noite de sono!’


 


RÁDIO
O Estado de S. Paulo


Críticos paulistanos atestam qualidade da Eldorado, AM e FM


‘A Rádio Eldorado termina o ano em grande estilo. Recebeu há poucos dias mais três prêmios da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). O júri contemplou a atuação da emissora em diversas áreas – música, jornalismo e serviços – ao premiar A Sala dos Professores (musical), Plug Eldorado (programa) e seu ingresso no setor esportivo em parceria com a ESPN Brasil (Grande Prêmio da Crítica).


A escolha dos melhores de 2007 nas categorias rádio, televisão, artes visuais, teatro, teatro infantil, cinema, literatura, música popular e dança foi feita no dia 11.


‘Nossa virtude é nosso maior defeito’, diz Pierluigi Piazzi, que ao lado de Tarcísio de Carvalho apresenta há cerca de três anos o programa Plug Eldorado aos sábados, às 14h, com reprises durante a semana. Professor de Física como o colega com quem divide a apresentação e produção do programa, Pierluigi afirma que o improviso é o trunfo do Plug Eldorado (AM). ‘Por isso é um programa sincero, cheio de espontaneidade, que faz interação com o ouvinte.’ Eles também fazem o Infodrops, boletim diário de 1 minuto com dicas sobre sites.


A enorme quantidade de mensagens eletrônicas que os dois recebem durante a semana envolve dúvidas, indicações e respostas sobre informática. ‘E 20% dos e-mails que recebemos são de deficientes visuais que trabalham com computadores.’ Um deles é o Moacir, que mantém um site, no qual deixa os programas à disposição para os internautas. O link pode ser acessado no www.intermatica.org, mantido por Pierluigi e Tarcísio.


Pioneira em transmissões radiofônicas das Olimpíadas e de esportes náuticos, a Eldorado iniciou em abril deste ano parceria com o canal televisivo de esportes ESPN para transmitir jogos de futebol. ‘A parceria deslanchou rápido porque existe coerência de pensamento, a maneira de trabalhar das duas empresas é semelhante’, explica Miriam Chaves, diretora-executiva da Eldorado. A novidade é que durante a narração dos jogos não se veiculam merchandisings, uma maneira velha e antiquada de transmitir as partidas, segundo Miriam. Assim, não há interferência no trabalho dos narradores esportivos. O Abre Jogo, que dura 1 hora, traz informações históricas sobre os duelos esportivos antes do início das transmissões.


No ar há três anos, Sala dos Professores faz uma seleção diária das melhores músicas instrumentais do Brasil e do mundo com comentários de Daniel Daibem. ‘Os ouvintes não conhecem as regras, a música tem um idioma, que é preciso ser conhecido para ser apreciado’, diz Daibem. Segundo o apresentador, o rádio é um veículo que deve instruir os ouvintes e não tocar sempre as mesmas músicas e distribuir adesivos. O Sala… vai ao ar diariamente, às 19h.


A Eldorado AM é sintonizada na freqüência de 700 kHz e a FM na de 92,9 MHz. Ou nos sites www.radioeldoradoam.com.br ou www.radioeldoradofm.com.br. A cerimônia de entrega dos prêmios APCA ocorrerá em 25 de março, no Teatro Sérgio Cardoso.’


 


TELEVISÃO
Etienne Jacintho


Estilo Duas Caras


‘Todas querem ter os cabelos de Alinne Moraes – a Silvia, da novela Duas Caras -, segundo levantamento da Central de Atendimento ao Telespectador (CAT), da Globo, que recebe os telefonemas do público que quer informações sobre o que aparece nos programas da emissora.


Priscila Fantin e Giovanna Antonelli, em cartaz na novela Sete Pecados, ficaram com o segundo e terceiro lugar, respectivamente, na preferência do público. Mal entrou em cena, Grazi Massafera, de Desejo Proibido, também fez sucesso com suas madeixas e está em quarto lugar na lista de cabelos mais procurados do CAT.


Na lista ainda figuram quatro atrizes do elenco de Duas Caras: Flávia Alessandra, Débora Falabella, Renata Sorrah e Marjorie Estiano – que teve seu visual composto por Wanderley Nunes, do Studio W.


No quesito figurino, Grazi arrasou com um vestido vermelho em participação no Fantástico e a peça foi recordista de telefonemas no CAT. Do guarda-roupa de Júlia – Débora Falabella, em Duas Caras -, os vestidos soltinhos são coqueluche, mas eles fazem parte do acervo da TV Globo.’


 


Leila Reis


‘Eu me jogo, pago mico sem pudor’, provoca Márcio Garcia


‘Há três anos, o galã Márcio Garcia mudou o rumo de sua vida. Deixou a posição confortável de pertencer ao primeiro escalão do cast da Globo para ser apresentador de programa de auditório na Record. E se deu bem. Hoje, além de comandar um dos programas mais vistos da emissora – O Melhor do Brasil -, ele se tornou diretor-artístico da Record Filmes. Aos 37 anos e dois filhos (de 2 e 4 anos), Márcio está construindo uma produtora e se prepara para iniciar carreira com roteirista e diretor de cinema. Nesta entrevista exclusiva, ele diz que a receita de seu sucesso é se divertir com o que faz.


Você fez bem em trocar a Record pela Globo há três anos?


Na época foi um movimento arriscado, falei com muitas pessoas antes de tomar a decisão. O Boni me aconselhou a analisar o que eu queria da vida e clareou as coisas para mim. Eu estava na Globo há 11 anos, no auge depois da novela Celebridade e se tinha de mudar, aquela era a hora. Fiz a coisa certa porque tive a oportunidade de atuar em várias frentes. Hoje, lidero uma equipe de 25 pessoas, criei a maioria dos quadros do meu programa (O Melhor do Brasil). E hoje tenho tempo para o ócio criativo, porque minha rotina é tranqüila.


E ganhou um cargo de direção na Record Filmes…


Lá eu sou diretor-artístico, avalio projetos. Recebo dez roteiros por semana e tenho uma equipe para me ajudar a avaliar. Li um muito interessante sobre a vida do boxeador Popó, talvez seja o primeiro longa da Record Filmes. Mas toco projetos próprios fora. Vou dirigir o thriller O Golpe, com roteiro da Carol Castro, para a Total Filmes. E fiz o argumento e roteiro de Os Filhos do Morro, sobre um menino cego que consegue tirar um traficante do mundo do crime. Além disso, estou erguendo a minha própria produtora.


Produtora de cinema?


De tudo, filmes, minisséries, programas. Estou construindo em Jacarepaguá dois estúdios de mil metros quadrados cada um e um prédio de quatro andares.


Você não sente saudade de atuar?


De vez em quando eu ponho a cara em alguma novela. Fui chamado para fazer o personagem do Leonardo Vieira, em Caminhos do Coração, mas não dá para abraçar tudo. Novela é uma coisa muito longa.


Você está feliz com o seu programa?


O Melhor do Brasil tem quatro horas e registra entre 8 e 10 pontos o que o coloca entre os programas mais vistos da Record. Sinto isso na resposta do público na rua e pelo número de pessoas que se inscrevem para participar dos quadros: Vai dar Namoro tem uma fila de 3 mil pessoas.


Qual quadro de maior sucesso?


É As Aparências Enganam, no qual uma pessoa tem de descobrir qual é o casado, o solteiro e o gay. Alguém classificou o quadro como homofóbico, mas ele nada mais é do que uma brincadeira despretensiosa. Entidades dos gays entraram em contato para apoiar, porque se sentem respeitadas.


De onde você tirou essa idéia?


Clonei de um programa que vi no People & Arts, em que uma mulher é levada para uma ilha para conviver com três homens e tem de descobrir qual é a de cada um.


Você se sente bem como apresentador?


A onda é fazer de maneira meio trash, despretensiosa. Acho os apresentadores muito contidos, se levando muito a sério. Eu me jogo, pago mico, não tenho pudor. Minha receita é me divertir.


E o dinheiro?


Sou três vezes mais bem pago do que na Globo.’


 


GREVE
O Estado de S. Paulo


Boicote à premiação do Oscar


‘Dois dos eventos cinematográficos mais glamourosos de Hollywood foram atingidos pela disputa trabalhista, a mais grave nas últimas duas décadas, envolvendo a indústria norte-americana do cinema. O Sindicato de Roteiristas dos Estados Unidos, na costa oeste, proibiu que os seus associados se inscrevam na premiação do Globo de Ouro, em 13 de janeiro, e do Oscar, em 24 de fevereiro.


A direção do grupo não concordou em assinar um acordo interino com a Academia, que permitiria que as inscrições fossem feitas. A decisão do Sindicato acirrou a disputa contratual entre os escritores e os estúdios de cinema e TV. As negociações para pôr fim à greve, já em sua sétima semana, implodiram no último dia 7 com uma troca de insultos que até agora não terminou.


Antes de encerrar as negociação, a aliança argumentou que os líderes do sindicato estavam querendo ganhar poder à custa de seus associados, enquanto os líderes acusaram a aliança de semear mentiras com o intuito de causar dúvidas e desunião do sindicato. Agora o sindicato maculou a entrega do Oscar, a principal vitrine dos melhores filmes e dos melhores atores da indústria, assim como o Globo de Ouro, outro importante veículo promocional.


Em 1988, quando os roteiristas haviam realizado a sua última greve, que durou cinco meses, o sindicato fez uma ação similar antes da entrega dos prêmios da Academia. Enquanto a disputa recebe apoio do Sindicato de Atores de Cinema, que enfrenta sua própria negociação contratual no próximo ano, a participação de famosos convidados e apresentadores no Oscar seria afetada, diminuindo seu atrativo para os espectadores.’


 


IMAGEM
Marili Ribeiro


Kaká, alvo certo da publicidade


‘A chegada de Kaká ao festejado pódio da Fifa, como o melhor jogador do mundo, inaugura a era do ‘bom-mocismo’ na imagem refletida pelos atletas do futebol nos negócios da publicidade. Antes dele, costumava ser mais habitual a figura de jovens torneados, mas também atormentados pelo excesso de testosterona exposta a situações de risco, como festas repletas de belas mulheres, ou duras divisões de bola em campo. Em ambos os casos, poderiam resultar em confusão.


A boa imagem que transmite, tanto em jogo como fora dele, aliada agora à reconhecida alta performance como atleta, transforma Kaká em garoto-propaganda de forte apelo para às empresas associarem suas marcas. Com isso, ele irá ampliar o já farto portfólio de patrocínios, que somam contratos globais da ordem de 3 milhões por ano, sendo os três maiores o de aparelhos de barbear Gillette, o de calçados esportivos da Adidas, e o de roupas da grife Armani.


Há publicitários, como Carlos Perrone, presidente da Pepper, agência de marketing esportivo do grupo Newcomm, que arriscam que Kaká possa assinar, pelo menos, ainda mais dois contratos milionários para engordar seu cofrinho e, com isso, aumentar a sua renda anual, que conta com salário de 9 milhões, em negociação com o time italiano Milan.


‘É difícil ter um perfil como o dele no futebol, mas, sem dúvida, é o cenário ideal: é bem-sucedido, bonito, de família, tem valores morais e é bem articulado’, avalia Isabelle Perelmuter, vice-presidente de Planejamento da agência de propaganda Fischer América. ‘Mas não é todo dia que nasce um símbolo feito sob medida como ele’, acrescenta, para indicar o quanto ele assume um papel especial nesse momento.


Entre os aficionados do futebol, ganha destaque a qualidade de Kaká ser o tipo de atleta que joga para o time, para atingir o melhor resultado, sem necessidade de chamar atenção para si. Esse desempenho, discreto e elegante, já lhe valeu um modelo de chuteira clássico – preto com singelas listras brancas – batizando de Pure pela Adidas e a ser lançado em breve. Em contraste, quem não se lembra das chuteiras douradas que a Nike criou para o fenômeno Ronaldo?


E, por falar em Ronaldo, é bom lembrar que no seu auge chegou a faturar US$ 10 milhões com patrocínios. Ou seja, Kaká já está quase empatando.


PRIMOS POBRES


Mas se Kaká atinge toda essa magnitude no meio publicitário e está virando o garoto-propaganda mais cobiçado do momento , os outros dois futebolistas também premiados pela Fifa, a Marta, no futebol feminino, e o Buru, no futebol de areia, permanecem a léguas dessa possibilidade.


Marta, atualmente, tem apenas um contrato com a marca esportiva Puma e, junto com o salário do time sueco Umea para o qual joga, recebe por mês no total US$ 55 mil. Buru, por sua vez, não tem apoio publicitário e só conta com a federação esportiva.


A razão para tal é explicada pelo vice-presidente de Criação da agência DM9DDB, Rodolfo Sampaio: ‘O esporte requer não apenas um vencedor e excelente atleta, mas também o símbolo de uma série de valores positivos, de perseverança, família, dedicação, saúde. Alguém acima de polêmicas, alguém que é unanimidade. É o caso do Kaká’, diz ele. ‘Já Marta e Buru, para terem a valorização de seu ‘passe publicitário’ dependem também e diretamente de uma maior popularização das categorias em que atuam.’


O QUE ELES TÊM


KAKÁ


Contratos globais de patrocínio: Gillette, Armani e Adidas


Valor: de ? 2,5 milhões a ? 3 milhões (aproximadamente R$ 6,52 milhões a R$ 7,82 milhões)


Salário: Negociando ? 9 milhões (aproximadamente R$ 23,46 milhões) por ano com o Milan


Contrato no Brasil: Guaraná, da AmBev


MARTA


Patrocínio: Puma


Salário: US$ 55 mil por mês (aproximadamente R$ 100 mil), valor equivalente ao de jogadores de futebol da Primeira Divisão’


 


Cosme Rímoli


Imagens do astro, aos 8 anos, valem apenas R$ 3 mil


‘Uma hora e meia de filmagens exclusivas de Kaká – escolhido como o melhor jogador do mundo da Fifa – quando garoto. O talento excepcional do menino com apenas oito anos é nítido como as imagens. Ele dribla, marca dez gols e ainda dá a volta olímpica carregando a taça do torneio da escola. Por ironia veste com orgulho a camisa da Itália que organizou a Copa do Mundo no ano do torneio, 1990. E ainda seria o país que acolheria Kaká.


O que poderia ser um tesouro para quem filmou, na verdade não é. As emissoras de tevê ofereceram no máximo R$ 3 mil para mostrá-las em programas com fins jornalísticos. Patrocinadoras de material esportivo ou qualquer outra empresa não podem comprar para exibir e associar o talento precoce à sua marca. O motivo é simples: os direitos de imagem são de Kaká. ‘Até mesmo como feto, os direitos pertencem ao jogador. A legislação é bem específica em relação a isso. As emissoras de tevê estão sendo até generosas oferecendo R$ 3 mil porque só podem fazer programas jornalísticos, sem fins lucrativos com as imagens. Não importa se o Kaká é o melhor do mundo e foi filmado quando nem era jogador profissional. O direito de imagem é dele e acabou. Como todo mundo hoje tem uma câmera, as pessoas não podem se iludir achando que ganharam na loteria filmando um craque nascendo’, explica a diretora executiva da Associação Brasileira das Produtoras de Audiovisual, Sonia Piassa.


Quem filmou Kaká despontando para o futebol foi o economista João Francisco Adolfo Kock. Ele era o treinador e câmera da ‘Itália’ que foi campeã do torneio interclasses da Escola Baptista Brasileiro.


‘Eu filmei porque o meu filho, Frederico, jogava no time. Mas guardei as imagens por anos porque, infelizmente, ele faleceu no mesmo ano. Teve leucemia. Sabia que tinha as imagens do Kaká e resolvi divulgá-las até porque o meu filho está nas filmagens. O Kaká foi sensacional nesse torneio, jogou demais e foi campeão e o artilheiro com 24 gols. Não quero explorar ninguém, fazer nada escondido do Kaká. Simplesmente tenho a fita e vou ver o que fazer. Mas sempre pedindo a autorização dele’, diz João Francisco. Ele cedeu gratuitamente ao Estado as fotos de Kaká aos oito anos.


O diretor do programa Esporte Espetacular da TV Globo, Sidney Garambone, coloca um ponto final na questão sobre enriquecer com imagens de um craque nascendo. ‘As pessoas acreditam que têm nas mãos uma preciosidade e que vão ficar milionárias com essas imagens. Mas não vão ficar mesmo. Não adianta pedir quantias exorbitantes. Nós fazemos trabalhos jornalísticos. Não vamos ter lucro com as imagens que pertencem ao jogador. Freqüentemente nós temos imagens de arquivos sendo oferecidas de graça. Não vamos ficar pagando fortunas por isso. De jeito nenhum’, afirma Garambone.


Imagens que ficaram famosas de Maradona, Ronaldo, Ronaldinho, Messi e tantos outros quando meninos não renderam grande quantias para quem os filmou. Na maioria das vezes, foram cedidas gratuitamente.


A saída para tentar ganhar dinheiro com dribles e gols de Kaká ou seja de quem for é procurar o jogador. ‘Se tiver a concordância dele, aí sim é possível vender esses filmes para uma multinacional esportiva, por exemplo. Se não tiver a autorização, pode esquecer’, destaca Sonia Piassa. ‘Eu sou amigo da família do Kaká. Posso até procurar a patrocinadora dele, já que acaba de ser escolhido o melhor do mundo. Mas não vou fazer nada pelas costas dele. Se não tiver a concordância dele, as imagens vão ficar comigo para sempre’, garante João Francisco.’


 


 


************

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem