Domingo, 21 de Abril de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1033
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ENTRE ASPAS >

Ancelmo Góis

15/06/2005 na edição 333


‘A Caixa avaliou o prédio do ‘Jornal do Brasil’, no Rio, em R$ 11 milhões. O valor será repassado pelo Ministério da Saúde ao INSS, para abater a dívida que o JB tem com a Previdência.


Em um ano e meio se instala no lugar o Instituto de Traumato-Ortopedia (Into).’



TODA MÍDIA


Nelson de Sá


‘Chega ‘, copyright Folha de S. Paulo, 15/06/05


‘- Chega, vou vomitar.


Era um blogueiro, à noite, ao desistir de acompanhar Roberto Jefferson.


O depoimento foi mostrado ao vivo por Band, Record, Rede TV!, Gazeta e Cultura. Globo e SBT fizeram entradas.


Globo News, Band News, TV Câmara e rádios transmitiram por longas sete horas, inclusive perguntas e respostas.


De início, nos sites noticiosos, a manchete era quase a mesma, ‘Não tenho provas’. Mas não demorou e outro enunciado se fixou, nos sites Folha Online, Globo Online e outros:


– Dirceu pode transformar Lula em réu, diz Jefferson.


Numa das entradas na Globo, no final da tarde, Fátima Bernardes saiu destacando:


– O deputado contou como Lula ficou sabendo do ‘mensalão’. Vamos ao momento.


E tome Jefferson falando de ‘um inocente, um homem de bem, um homem honrado’, em suma, Lula, ‘traído por um cordão de isolamento’.


Mas, de novo, Lula sabia.


Daí a escalada de manchetes no ‘Jornal Nacional’:


– Jefferson depõe e reafirma que PT pagou ‘mensalão’ para PL e PP. Volta a dizer que denunciou o esquema a ministros e ao presidente Lula.


E no ‘Jornal da Band’:


– Jefferson não apresenta provas, mas confirma denúncia e sugere saída de Dirceu para preservar o presidente.


E no ‘Jornal da Record’:


– Jefferson diz que Dirceu pode transformar Lula em réu.


Sobrou para a mídia.


Com ‘O Globo’ e ‘Época’ chamados de ‘imprensa oficial’, o ‘JN’ respondeu pela voz de Fátima Bernardes:


– As Organizações Globo entendem que ‘O Globo’ e ‘Época’ cumpriram apenas com a sua missão de informar. Será sempre assim. Como o deputado pôde constatar, nas Organizações Globo ninguém segura informação nenhuma. Aqui, para que alguma coisa seja noticiada, basta ser verdade.


E tem mais mídia.


Os blogs já tratavam do novo personagem, minutos antes do depoimento, trombeteando que ‘a ‘IstoÉ Dinheiro’ tem entrevista com secretária do publicitário acusado por Jefferson’.


Este até citou a entrevista no depoimento e, sem demora, ela entrou no site da revista. Da secretária, segundo o site:


– Vi malas de dinheiro. Às vezes, mandavam tirar R$ 1 milhão, no Banco Rural.


Também de imediato, o site da revista ‘Veja’ entrou dizendo ‘quem é a secretária’.


Ela é ‘processada por tentativa de extorsão’. Segundo outra funcionária, ‘a secretária disse ter recebido telefonemas de jornalista que ofereceu dinheiro’. Para a ‘Veja’, ‘a entrevista da ‘IstoÉ Dinheiro’ foi feita em novembro’ e ‘é um mistério o motivo que levou a revista a guardar por sete meses’.


Como desabafou o blogueiro, ‘chega’.


OS PODRES


No Blog do Tas, ‘Não se deprima, Mr. Presidente’


Desta vez, foram três os sites com ‘live blogging’ de Jefferson. No coletivo Insanus, o blog A Nova Corja entrou, ao longo da tarde e noite:


– É preciso levar em conta que é um advogado mais que esperto. Mesmo assim, a convicção com que Jefferson diz o que diz é assustadora… Dá a real sobre todo o funcionamento da política… Vai acabar o país… Chega, vou vomitar.


No Blog do Colunista, de Ricardo Noblat:


– Notas com etiquetas de bancos… Jefferson expõe os podres da política… Eles que se preparem. Deputado não poderá mais desfilar por aí incólume.


E no blog de Jorge Bastos Moreno, no Globo Online:


– Por enquanto teatro, blablablá… Deixou pro final, citou nomes, insinuando que recebiam o ‘mensalão’… Fica a constatação de que o Congresso, os partidos e a política em geral sairam perdendo. Um jogo feio, sujo, triste e que não dá esperanças ao povo.


Por fim, do blog de Luiz Carlos Bresser-Pereira:


– Não apresentou provas nem era esse seu papel, mas foi convincente. Com indiscutível coragem, rompeu as ‘regras do jogo’, mas antes quem as rompeu de forma brutal foram os atores desta triste farsa.


Sal


Os sites de ‘Financial Times’ e ‘El País’ adiantaram à noite os textos de seus correspondentes sobre o depoimento de ontem. O título do ‘FT’:


– Os mercados brasileiros se recuperam após inquirição no Congresso.


E o do ‘El País’:


– Caso de corrupção salpica o ‘número 2’ de Lula.


Espalhou


E o ‘New York Times’ voltou ao tema com Larry Rohter, em texto anterior ao depoimento, sob o título ‘Partido no poder no Brasil sabia de suborno de votos, diz parlamentar’.


Segundo o correspondente, o ‘escândalo comum se espalhou em uma crise muito maior’.’



 


POLÍTICA CULTURAL


Tereza Novaes


‘Secretário quer fundo e incentivo fiscal ‘, copyright Folha de S. Paulo, 15/06/05


‘Um mês depois de assumir a Secretaria de Estado da Cultura, o cineasta João Batista de Andrade, 65, pretende manter o andamento da gestão anterior e cita a ‘inclusão cultural’ como prioridade.


Mas o que desde já marca sua administração é a polêmica criação de um mecanismo de fomento à produção cultural no Estado.


Há um projeto em discussão na Assembléia e outro sendo redigido por Andrade e uma comissão. Leia a seguir trechos da entrevista concedida anteontem à Folha, em seu gabinete, ao lado da Sala São Paulo, no centro da capital.


Folha – Quais mudanças o senhor está promovendo na secretaria?


João Batista de Andrade – Estamos completando um mês, é claro que há um choque de administração. A secretaria é muito envolvente, tem uma grande atuação e a estrutura é muito tentacular, para cada problema se cria uma nova estrutura para agir. De um lado, parece um defeito de estrutura, será que não seria possível criar uma estrutura horizontal? Depois, verifiquei que não era possível, há muitas particularidades em cada ação. Acho que é melhor assim. Não se pode pegar idéias diversas e transformar num gesto só; quanto mais diversidade de ações para enfrentar as questões da cultura é melhor. A questão fundamental é a exclusão social, mas o que enfrentamos aqui é a exclusão cultural, cujo resultado ajuda as outras áreas do governo que trabalham com a questão social. A secretaria tem que fazer política pública diversificada e não ser prisioneira de setores.


Folha – Na gestão anterior, a mudança de vocação da Casa das Rosas causou muita polêmica. O sr. tem planos de redirecionar o funcionamento de algum lugar?


Andrade – Em termos de mudança, a única coisa é transformar o teatro São Pedro em um espaço para ópera. Conversei muito com pessoas ligadas à ópera, e há vontade de criar na cidade um grande teatro para esse fim. O São Pedro cumpriria esse papel, tendo permanentemente espetáculos, mesmo que não tão grandiosos.


Folha – Como isso seria feito?


Andrade – Não quero me antecipar, a questão está colocada a partir da visão da secretaria que o teatro deve ganhar uma cara.


Folha – Há mudanças nas diretorias ligadas à secretaria?


Andrade – Quase todo mundo está confirmado. Estou tentando mexer o mínimo possível. Estou entrando com a coisa em andamento, então, a não ser que haja um problema grave em algum setor, que não é o caso, estou confirmando todo mundo. A gente tem muito pouco tempo, estamos no meio da gestão Alckmin. É importante que as pessoas sintam que eu quero dar continuidade, mesmo que permanentemente rediscutindo a programação.


Folha – E a Sala São Paulo?


Andrade – Ela caminha para a criação de entidade própria, uma fundação. Nesse sentido, eu dou todo meu apoio ao [maestro John] Neschling. Uma orquestra tem custo alto e é algo delicado, uma cultura muito particular.


Folha – O sr. acha que esse é um caminho para todos os setores?


Andrade – Eu diria que esse é basicamente o caminho. Já entrei na secretaria com esse processo em andamento. A administração direta na área da cultura é algo terrível. Se há um vazamento no telhado, por exemplo, tem que se esperar um ano para resolver isso. E, como outros órgãos no país, a SEC foi perdendo funcionários e não houve mais concursos. Para preencher as vagas, foram credenciando pessoas, mas isso tem que ser revertido. A saída que encontramos é a OS [organização social]. Vou citar um exemplo: quando comecei no cinema, nos anos 60, fui programador da Sociedade Amigos da Cinemateca. Na verdade, a sociedade é que sustentava a Cinemateca, que cobria algumas despesas. Já é uma coisa antiga, e a prática foi mostrando que esse tipo de administração é a melhor para a área. O cuidado que se deve ter é o de não privatizar a ação pública.


Folha – Qual é a sua idéia sobre o projeto do fundo de cultura?


Andrade – O projeto que está na Assembléia não cria nada. O artigo primeiro é: ‘Autorizo o governador a criar’. Ora, o governador já está trabalhando comigo num projeto, então, não precisa dessa autorização. Além do mais, o nível de detalhamento daquele projeto chega ao absurdo. O projeto que eu estou trabalhando conjuga um fundo com uma ação de incentivo fiscal do Estado. O fundo serve para projetos até R$ 40 mil ou R$ 50 mil, ou seja, para viabilizar o que vem de baixo, da periferia, do interior, movimentos que se iniciam na produção cultural.’



 


***


‘Andrade deve discutir projeto com artistas ‘, copyright Folha de S. Paulo, 15/06/05


‘Há duas semanas, o projeto de lei que autoriza o governador a criar o Fundo Estadual de Arte e Cultura entrou em votação na Assembléia Legislativa. Mas o processo foi emperrado por uma emenda apresentada pelo deputado Arnaldo Jardim, líder do PPS (partido que indicou João Batista de Andrade para o cargo).


Uma das alegações de Jardim era que havia outro projeto com o intuito de fomentar a produção cultural, em discussão no Executivo. No final da semana passada, houve a primeira reunião de Andrade com uma comissão de sete membros, que deve redigir a nova proposta.


O deputado Vicente Cândido (PT), que há dois anos apresentou a primeira versão do texto e articula com a classe artística a criação da legislação, afirma que haverá uma reunião entre o movimento e o secretário ainda nesta semana.


‘Não estamos preocupados com a paternidade, mas com a criação de uma lei de fomento’, afirma Cândido.


Caso não haja entendimento, o deputado petista promete colocar o projeto antigo novamente em votação na próxima segunda. Há dois anos a classe artística vem elaborando o projeto de fundo, cujo orçamento seria de cerca de R$ 115 milhões, para três anos.’


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