Terça-feira, 25 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1006
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ENTRE ASPAS > BRASIL NA FRANÇA

Ancelmo Gois

13/07/2005 na edição 337

‘Deu no ‘Le Fígaro’. O jornalão francês fala da crise do mensalão aqui e chama a mesada dos deputados de ‘pot-de-vin’.’



 


Clóvis Rossi


‘Lula e o kama sutra’, copyright Folha de S. Paulo, 12/7/05


‘PARIS – No dia 28 de janeiro de 2003, Luiz Inácio Lula da Silva era recebido, pela primeira vez, no Palácio dos Campos Elíseos.


Escrevi, então: ‘Se tivesse dinheiro, pagaria uma fortuna para entrar na mente e no coração de Luiz Inácio Lula da Silva no instante em que ele desceu do Peugeot 607 chapa 570PGF75 e foi pisando o cascalho do pátio de entrada dos Campos Elíseos, a sede do governo francês’.


Mais adiante: ‘Para quem nasceu para a vida a bordo de um pau-de-arara, não deve ser pouca coisa experimentar a pompa de um dos palácios mais emblemáticos do planeta’.


Amanhã, Luiz Inácio Lula da Silva volta a Paris. Mas a enorme diferença vai muito além do baita calor que faz agora, no verão francês, comparado ao rigor do inverno.


Está dada, acima de tudo, pela maneira como Lula é encarado nos círculos informados. Há dois anos e meio, o presidente brasileira encarnava, para as lideranças européias, a chance de tirarem a castanha do fogo com a mão do gato.


Traduzindo: teriam, imaginavam eles, um presidente que seria ortodoxo na economia, como prometera, mas, mesmo assim, faria a redenção social do pobre Brasil.


Na noite daquele 28 de janeiro, aliás, cruzei com o então diretor-gerente do FMI, o alemão Horst Köeller, hoje presidente da República, que se derreteu em elogios a Lula, a quem chegou a classificar como ‘socialista maduro’. Essa frase, vinda de quem vinha, fez meu sexto sentido avisar, com 28 dias apenas de Presidência: ‘Cuidado, velho, que alguma coisa está errada, muito errada’.


Hoje, a revista britânica ‘The Economist’, que, como o FMI, tinha tanto carinho por Lula, recebe o presidente com esta frase sobre seu partido: ‘O PT, o partido que proclamava ter ‘copyright’ sobre governo limpo, está envolvido em um verdadeiro kama sutra da corrupção’.


Francamente, eu preferiria não ter de voltar ao Eliseu.’


 


Reali Júnior


‘Em Paris, mais segurança, contra jornalistas’, copyright O Estado de S. Paulo, 12/7/05


‘PARIS – A segurança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante sua visita a Paris, a partir de amanhã, será reforçada, não tanto por causa dos riscos de atentados, mas para poupá-lo das perguntas dos jornalistas sobre a situação de seu governo, no Brasil, e a crise na alta direção do PT. A orientação passada aos seguranças é dobrar seus cuidados em pontos sensíveis, como a visita à Praça da Bastilha, onde ele deverá assistir um megashow de artistas brasileiros, ou na recepção que dará o presidente Jacques Chirac no Palácio do Eliseu, no dia 14 – a data nacional francesa.


Lula e Chirac se encontrarão num momento em que os dois estão extremamente fragilizados e vivendo um momento difícil de suas carreiras. Enquanto Lula tenta recompor seu ministério e o PT muda toda a sua cúpula, o presidente francês perdeu a batalha da Constituição Européia, derrotado no referendo do final de maio. Logo em seguida, foi submetido a uma nova humilhação, em Cingapura, quando o Comitê Olímpico Internacional, ignorando o franco favoritismo francês, optou por Londres para sede dos Jogos Olímpicos de 2012. Sua popularidade, hoje, é de apenas 24 %. Ele perderia as eleições para todos os candidatos da direita e da esquerda.


CUIDADOS


Um programa ‘sensível’ de Lula, que ficará com pequena comitiva no hotel Marigny, será o megashow de artistas brasileiros na Praça da Bastilha, entre eles, Gilberto Gil, Gal Costa , Daniela Mercury e Lenine, alem do francês Henri Salvador. Espera-se, no show, a presença de 50 mil pessoas. Outro compromisso problemático será a recepção nos jardins do Palácio do Eliseu, no 14 de Julho. Ali se reúnem tradicionalmente cinco mil convidados do presidente Jacques Chirac.


O tempo de presença do presidente Lula nessa festa foi reduzido: salvo mudança de última hora, ele só ficará ali 30 minutos, segundo uma fonte francesa credenciada. Até ontem não estava decidido se Lula e Chirac darão entrevista coletiva no final.


Para Chirac, o 14 de julho é o dia de sua principal entrevista do ano à TV francesa: ele recebe dois ou três jornalistas das principais emissoras e passa em revista os problemas políticos do país, numa longa conversa que pode ser assistida pelos convidados em aparelhos espalhados pelo Palácio do Eliseu.’


 


TODA MÍDIA


Nelson de Sá


‘O Brasil das malas’, copyright Folha de S. Paulo, 12/7/05


‘À tarde, a Record surgiu com um enunciado vago no programa ‘Tudo a Ver’:


– Polícia Federal prende sete pessoas com R$ 10 milhões no aeroporto de Brasília.


Nem mais uma palavra -só depois, com o comunicado da Igreja Universal. Enquanto isso, na Globo, Fátima Bernardes:


– O deputado João Batista, do PFL, depõe desde cedo. Ele é presidente da Igreja Universal. Ele e outros seis funcionários da igreja estavam com sete malas cheias de dinheiro.


Também na Globo:


– O deputado foi presidente da Rede Record.


E no SBT, num ‘telejornal’ com duas modelos:


– O deputado do PFL disse à polícia que as malas de dinheiro são da Igreja Universal.


Por fim, abrindo os telejornais da noite, escalada de manchetes do ‘Jornal da Band’:


– O Brasil das malas cheias de dinheiro. Um deputado da Igreja Universal é detido com milhões. A explicação é que as sete malas continham dinheiro doado por fiéis.


O ‘Jornal Nacional’ foi no mesmo tom, mas o ‘Jornal da Record’ não deu manchete.


Surpreendido, ao que parece, o PFL saiu prometendo a cabeça de seu deputado.


Na CBN, José Agripino Maia falava em ‘desligar’ o colega, ‘independente da origem das malas’. Na Jovem Pan, Jorge Bornhausen convocava reunião com ‘poderes para expulsar’. No Globo Online, José Carlos Aleluia pedia o ‘afastamento imediato’ e Rodrigo Maia falava em levar o caso para o Conselho de Ética da Câmara.


Mas as investigações da PF não deram notícia ruim só para PFL e Igreja Universal, ontem. Da escalada do ‘JN’:


– O homem dos dólares na cueca. Parente do ex-dirigente do PT preso diz que dinheiro não era dele.


A CPI tem que se mexer, se quiser retomar a boca de cena. Ontem no ‘JN’, a nota do dia foi para o debate sobre ampliar ou não a investigação.


É que amanhã começa a CPI dos Bingos, que vai ouvir Carlos Cachoeira, aquele mesmo que ‘apareceu negociando propina com Waldomiro’.


Se nada vem da CPI, vem do Ministério Público.


O ‘JN’ deixou para o fim as sete malas e abriu nova frente, com empresários do Rio e José Dirceu. Nas manchetes:


– Uma conversa gravada. E nova suspeita. Auditora do INSS acusada de corrupção diz que a federação das indústrias do Rio dá dinheiro ao PT para evitar a fiscalização da Previdência.


EM PARIS


Para o site da ‘Economist’, em título, Lula e seu PT já não são ‘mais santos’ que os outros


Lula viaja hoje à França, mas até ontem o que chamava a atenção nos diários parisienses era menos o presidente e seu escândalo sem fim -e mais o festival de música do Brasil no parque de La Villette. Estava lá, do ‘Libération’ ao ‘Le Figaro’: as atrações são ‘a bomba percussiva da Bahia’, Carlinhos Brown, a ‘diva funk’ Fernanda Abreu, o ‘créme da nova cena’, Z’África Brazil etc.


A escolha de Tarso Genro para presidir o PT foi nota no ‘Le Figaro’ e nem isso no ‘Le Monde’, que gastou os últimos dias com artigos sobre a relação histórica com o Brasil, perfis românticos de Lula, e reportagens aqui e ali sobre como ‘a classe política preserva Lula’.


EM LONDRES


Se Paris ameaça com festa, Londres não se cansa mais de bater em Lula. Ontem, o site da ‘Economist’ trouxe texto baseado na pesquisa Ipsos, destacada pela ‘Veja’, dizendo que os brasileiros já suspeitam que Lula sabia. Os londrinos ‘Guardian’ e ‘Financial Times’ também carregaram nas tintas, o primeiro dizendo:


– Para a política eclipsar o futebol no Brasil como conversa de bar, algo sério deve estar acontecendo.


‘Coisa feita’


Lula falou à claque sindicalista, cobrou o PT e foi destaque na TV. Mas o pior foi um presente da delegação baiana, segundo relato da Globo Online:


– Um ‘kit contra coisa feita’, para protegê-lo do mau olhado e das mandingas. Tem carranca do São Francisco, figa, fitinha do Senhor do Bonfim e sabonete de arruda e sal grosso.


Dada a largada


Apesar de tudo o que se assiste em Brasília, começou na ONU, com discurso do embaixador do Brasil, a semana de decisão para a sonhada cadeira no Conselho de Segurança.


O ‘JN’ cobriu, bem como sites e agências no exterior. Mas, da Reuters ao ‘Financial Times’, a avaliação é de pouca chance.’


 


***


‘Que escândalo?’, copyright Folha de S. Paulo, 13/7/05


‘- Escândalo? Que escândalo? Lula, do Brasil, cresce em pesquisa.


Era o título da agência Reuters, em despacho reproduzido nos sites dos principais jornais, ontem. Falava da pesquisa CNT/Sensus, que ecoou pelo mundo como por aqui, talvez mais.


O título no site do ‘Wall Street Journal’, para reportagem de sua agência Dow Jones:


– Apoio para o governo e o presidente cresce apesar do escândalo.


E tome o presidente da Confederação Nacional dos Transportes:


– Os brasileiros estão culpando o Congresso e os políticos pelo escândalo, não o presidente.


E tome cientistas políticos e analistas brasileiros em geral, explicando para o mundo, por exemplo, que ‘o real está forte e a classe média pode viajar ao exterior’, daí a popularidade.


Curiosamente, antes mesmo de sair a pesquisa o ‘El País’ publicou ontem reportagem, traduzida no UOL, dizendo que ‘Lula mantém popularidade’, ele que está ‘blindado’ pela economia.


O título em espanhol, que poderia ser traduzido como ‘Lula agüenta o temporal’:


– Lula aguanta el chaparrón.


No exterior, Lula ‘cresce’. Já no Brasil a cobertura é mais contida ao tratar da pesquisa. Na Band News, por exemplo:


– Denúncia não afeta avaliação do governo.


As rádios CBN e Jovem Pan e os sites Folha Online e Globo Online recorreram a enunciados semelhantes, quase sempre com a expressão ‘não afeta’.


Sempre atrasado, o site do ‘Le Monde’ deixou escapar a nova pesquisa ao tratar ontem da visita de Lula, ‘fragilizado politicamente pelos escândalos que atingem seu partido’.


Mas estava lá, como sempre -os escândalos atingem o PT, não o próprio.


Os blogs brasileiros não trataram de outra coisa, ontem, descrevendo Lula como ‘teflon’, expressão usada desde Ronald Reagan, e ironizando FHC e outros. Do Blog do Noblat:


– Analistas, parlamentares, jornalistas e toda sorte de gente metida a entender as coisas estão boquiabertos com os resultados. Lula continua sendo, disparado, o queridinho dos brasileiros. Nada parece atingi-lo.


De Pedro Dória, no Nomínimo Weblog, ao destacar a taxa de rejeição de Lula, sempre inferior à dos presidenciáveis do PSDB:


– As viúvas do tucanato hão de estar ganindo.


Do blog tucano E-Agora, próximo de FHC, a um passo do desespero:


– A mistificação e a fraude que levaram Lula à Presidência da República, seu despreparo para a função, sua falta de firmeza para decidir, sua indigência para administrar qualquer coisa que não seja a própria imagem, enfim, sua inaptidão para chefiar o Estado não conseguem se tornar visíveis para a maioria.


A PREVISÃO DO TEMPO


Apresentada pela própria pesquisa, segundo a Folha Online, como maior responsável pela avaliação favorável de Lula, a economia também anima a cobertura financeira no exterior.


O ‘Financial Times’ publicou análise intitulada ‘A maior crise política em anos -e eles chamam de estabilidade’. No caso, ‘eles’ é a Fitch Ratings, que divulgou anteontem um relatório sobre o Brasil com a expressão ‘previsão: estável’. A análise do ‘FT’ abordou a economia ponto a ponto e concluiu que uma explicação é que ‘o Brasil pôs sua casa fiscal em ordem’.


Os sites do ‘WSJ’, Bloomberg e da revista ‘Forbes’, também ontem, entraram com análises semelhantes, baseadas em avaliação semelhante divulgada ontem pela Standard & Poors Ratings, concorrente da Fitch.


O PAÍS DAS MALAS


O pefelista das sete malas foi ‘expulso’ pelo partido, anunciou a escalada do ‘JN’, depois de dois dias de cobertura do ‘dizimão’, em que não faltaram críticas de Franklin Martins e Alexandre Garcia.


Além das Globos, o episódio envolvendo o ex-presidente da Record ecoou pelas versões impressas de ‘New York Times’ e ‘El País’ e pelos sites de ‘Guardian’ e ‘Washington Post’, sem falar da BBC, sempre descrito com ironias como ‘cheio de dinheiro’.


Repercute


O ‘JN’ abraçou seu novo ramo no escândalo quase sozinho. Da escalada, ontem:


– Novas gravações do suposto pagamento de mensalidade das indústrias ao PT. Denúncia repercute em Brasília, parlamentares querem explicações do ex-ministro José Dirceu.


Negativa


E continua a transmissão ao vivo da CPI dos Correios, por horas sem fim, de manhã à noite nos dois canais de notícias, da Globo e da Band.


Ontem, com os depoimentos de ex-diretores da estatal, o verbo mais ouvido depois, nos telejornais, foi ‘negou’.’


 


CASO VALERIE PLAME


O Globo


‘Bush sob pressão devido a estrategista’, copyright O Globo, 12/7/05


‘WASHINGTON. A oposição democrata exigiu ontem da Casa Branca explicações sobre o papel de Karl Rove — principal estrategista político do presidente George W. Bush — no vazamento para a imprensa da identidade da agente da CIA (agência de inteligência americana) Valerie Plame. Foi uma reação à declaração de Robert Luskin, advogado de Rove, de que seu cliente de fato conversou com pelo menos um jornalista sobre a agente.


Alguns democratas consideraram Rove um traidor. Outros pediram que seja cortado seu acesso a informações secretas e que ele compareça ao Congresso para esclarecimentos.


— O presidente deveria imediatamente suspender o acesso de Karl Rove a assuntos de segurança — disse o senador Frank Lautenberg.


Scott McClellan, porta-voz da Casa Branca, recusou-se a responder perguntas sobre o assunto, embora nos últimos dois anos o governo viesse insistindo que Rove nada tinha a ver com o vazamento. Bush dizia que o responsável seria demitido.


Em reportagem ontem no ‘Washington Post’, Luskin disse que embora Rove tenha vazado para a imprensa que a mulher do ex-diplomata Joseph Wilson era agente da CIA, ele não citou seu nome. A identificação de Plame, há dois anos, levou a uma investigação judicial que culminou semana passada com a prisão da jornalista Judith Miller, do ‘New York Times’, por ela se recusar a revelar sua fonte. Já seu colega Matthew Cooper, da revista ‘Time’, identificou sua fonte e evitou a prisão.


Ao depor quarta-feira passada, Cooper disse que acabara de ser procurado pela fonte e que ela o autorizara a revelar sua identidade. Mas sua situação se complicou ontem com uma reportagem do ‘New York Times’ na qual o advogado de Rove afirma que seu cliente não falou com Cooper naquele dia.


Os desdobramentos de ontem aumentaram a polêmica em torno do caso no qual a Justiça americana — numa atitude pouco comum — exigiu dos dois jornalistas a revelação de suas fontes. Wilson acusara o governo de tentar puni-lo ao revelar a identidade de sua mulher, pelo fato de ele ter negado que Saddam Hussein tivesse tentado comprar urânio no Níger, como dissera Bush, justificando a decisão de invadir o Iraque.’


 


Paulo Sotero


‘Casa Branca reitera apoio a assessor presidencial’, copyright O Estado de S. Paulo, 13/7/05


‘WASHINGTON – Sob intensas críticas dos democratas e um bombardeio da imprensa, a Casa Branca interrompeu ontem um embaraçoso silêncio sobre o envolvimento de Karl Rove, o principal assessor político do presidente George W. Bush, no vazamento da identidade de uma agente da CIA e saiu em sua defesa. ‘Qualquer indivíduo que trabalha aqui na Casa Branca tem a confiança do presidente’, disse o porta-voz, Scott McClellan.


A declaração não satisfez a oposição nem os jornalistas. Há dois anos a Casa Branca mantinha que Rove nada teve a ver com a exposição do nome de Valerie Plame, em julho de 2003, numa coluna do jornalista conservador Robert Novak, um simpatizante da administração. O vazamento é considerado desde o início um acerto de contas com o marido de Plame, o ex-embaixador Joseph Wilson, pois dias antes ele impugnara um dos argumentos usados por Bush para invadir o Iraque, num artigo na página de opinião do New York Times. Em setembro daquele ano, McClellan chegou mesmo a dizer que era ‘ridículo’ imaginar que Rove tivesse algo a ver com o vazamento. Ele acrescentou que qualquer pessoa desta administração envolvida seria demitida.


Uma lei dos anos 70 proíbe expressamente funcionários do governo a revelar o nome dos agentes do serviços de inteligência. Um promotor federal investiga há dois anos se dois altos funcionários da administração citados por Novak como fontes cometeram um crime. Na segunda-feira, o advogado de Rove admitiu que ele conversou com alguns repórteres sobre o caso antes da publicação da coluna de Novak. A um deles, Matt Cooper, na revista Time, Rove disse que a mulher de Wilson ‘trabalha na agência (a CIA)’, mas sem citar seu nome.


Novak não cometeu nenhum crime ao expor Valerie Plame pelo nome, pois a lei em questão diz respeito a altos funcionários credenciados para ter acesso a informações sensíveis. Até agora, os únicos a sofrer as conseqüências do vazamento foram dois jornalistas – Cooper, da Time, e Judith Miller, do New York Times – que não revelaram o nome de Plame e, no caso da repórter do NYT, sequer escreveu sobre o assunto. Por esa razão, o episódio é visto como uma ameaça à liberdade de imprensa nos EUA.


Intimados a prestar depoimento pelo promotor federal e identificar suas fontes, Cooper e Miller, recusaram-se, alegando que não podiam quebrar o compromisso de confidencialidade sob o qual obtiveram a informação. Na semana passada, Cooper voltou atrás e concordou em depor após ser liberado do compromisso por sua fonte. Miller manteve sua recusa e foi detida por desacato à justiça.


Na segunda-feira, o deputado Henry Waxman, democrata da Califórnia, lembrou que a exposição intencional de um agente da CIA é um ato de traição. Ele e outros parlamentares democratas pediram a Bush para que o afaste de suas funções até que o promotor se pronuncie. Virginia Brooks, professora da escola de Direito da Universidade de Virginia, acha que o promotor tem informações suficientes para indiciar Rove.’


 


BUSH MAD


Folha de S. Paulo


‘Hillary compara Bush a Alfred E. Neuman, da ‘Mad’’, copyright Folha de S. Paulo, 12/7/05


‘Declarações da senadora democrata Hillary Rodham Clinton, satirizando o presidente americano George W. Bush, irritaram ontem os republicanos. Hillary comparou Bush ao personagem Alfred E. Neuman, o mascote banguela da revista de humor ‘Mad’.


‘Às vezes tenho a impressão de que Alfred E. Neuman está no comando em Washington’, disse ela durante a abertura de um congresso organizado pelo ‘think tank’ Instituto Aspen, no Colorado. Ela arrancou risos da platéia ao dizer que a atitude do presidente diante de assuntos difíceis é igual à do personagem, parafraseando-o: ‘What, me worry?’ (algo como ‘O quê? Eu? Me preocupar?’).


A senadora acusou Bush de prejudicar a economia gastando demais enquanto corta impostos dos ricos, de deixar os soldados americanos no Iraque sem a estrutura necessária para a guerra e de cortar fundos para pesquisas científicas.


A porta-voz do Comitê Nacional Republicano Tracey Schmitt disse que a ex-primeira-dama faz ‘parte do atual raivoso e desorientado Partido Democrata’ e que se mostra ‘um lobo em pele de cordeiro’.


‘No momento em que o presidente Bush e a maior parte dos políticos eleitos estão focados na segurança da nossa nação, a senhora Clinton parece focada em dar golpes e promover sua campanha presidencial’, disse o líder do partido em Nova York, Stephen Minarik. Hillary lidera a lista de possíveis candidatos democratas à Presidência em 2008.’


 


TERRI SCHIAVO


Ali Kamel


‘A autópsia de Terri’, copyright O Globo, 12/7/05


‘Em todo o mundo, as notícias sobre a autópsia de Terri Schiavo dizem que o exame prova que ela de fato estava em estado vegetativo permanente, sem nenhum grau de consciência. A autópsia teria provado mais: ela também estaria cega. Com esses resultados, sentem-se mais confortáveis os que defenderam a decisão da justiça americana de permitir que Terri deixasse de ser alimentada e, com isso, morresse de fome e sede. As notícias, porém, estão completamente erradas.


Uma autópsia é unicamente capaz de analisar a anatomia dos órgãos do morto e, com isso, descrever em que grau eles apresentam defeitos. No que diz respeito ao cérebro, porém, o exame é incapaz de descrever o estado mental do morto quando vivo. Li as 39 páginas da autópsia de Terri, como devem fazer todos os que escrevem sobre o assunto. E, nisso, fui auxiliado pela neurocientista Lúcia Braga, diretora-executiva da Rede Sarah de Hospitais e presidente da Federação Mundial de Neuroreabilitação. Ela não é responsável por minhas opiniões, mas me ajudou a evitar erros técnicos.


Recordemos. Os pais de Terri, apoiados no exame clínico de dois médicos, diziam que ela estava minimamente consciente e que seu nível de entendimento poderia vir a melhorar. Três outros médicos, um apontado pela Justiça e dois, pelo marido de Terri, diziam que ela estava em estado vegetativo permanente, sem esperança de melhora. Apesar da divergência, a justiça ficou com a maioria e aprovou que ela deixasse de ser alimentada.


Pois, então, o que diz a autópsia? ‘O estado vegetativo permanente e o estado de consciência mínima são diagnósticos clínicos e não diagnósticos patológicos’. Ou seja, trata-se de um diagnóstico somente possível de ser feito em seres vivos e nunca a partir do exame de um cadáver. O relatório é bastante cuidadoso. Diz que, embora haja publicadas numerosas autópsias de cérebros de pacientes que vegetavam, a anatomia desses cérebros varia caso a caso, dependendo do que provocou a inconsciência. E diz mais: não há estudos semelhantes em pacientes que morreram em estado de consciência mínima. De um lado, portanto, as anatomias de cérebros de pessoas que vegetavam variam muito e, por isso, adiantam pouco na comparação com o cérebro de Terri. E, de outro, não existem autópsias de cérebros de pessoas com consciência mínima, o que torna impossível dizer se o cérebro de Terri era compatível com outro em tal estado.


Apesar da variabilidade, o relatório diz, porém, que há dois padrões principais na anatomia de cérebros de pessoas em estado vegetativo: necrose difusa do córtex laminar, mais presente em pacientes cuja inconsciência decorreu da falta de oxigênio, e lesão axonal difusa, mais presente em pacientes que sofreram ferimentos traumáticos. O cérebro de Terri apresentava a primeira anomalia, mas não a segunda. Mesmo assim, não se pode dizer a partir disso que ela vegetava. E por uma razão simples: se todas as autópsias de pessoas em estado vegetativo permanente mostram que elas têm necrose difusa do córtex laminar, nem todas as pessoas com necrose difusa do córtex laminar apresentam estado vegetativo permanente.


O relatório, portanto, atesta com todas as letras os limites da autópsia: ‘Por si só, exames neuropatológicos do cérebro de Terri _ ou de qualquer cérebro, com o mesmo propósito _ não podem comprovar ou refutar um diagnóstico de estado vegetativo permanente ou de estado de consciência mínima’. Na conclusão, o patologista-chefe, Jon Thogmartin, redige oito perguntas. A pergunta número cinco é a seguinte: ‘A senhora Schiavo estava em estado vegetativo permanente’? A íntegra da resposta: ‘O estado vegetativo permanente é um diagnóstico clínico ao qual se chega por meio de exames físicos em pacientes vivos. Correlações post mortem entre o estado vegetativo permanente e achados patológicos têm sido feitas na literatura, mas os achados variam com a etiologia do evento neurológico adverso’. Em outras palavras, a autópsia nada pode dizer sobre isso.


Os jornalistas enlouqueceram, então? Convencidos de que Terri era uma morta e viva, talvez tenham lido a autópsia com um olhar enviesado. Suas conclusões equivocadas talvez tenham sido também provocadas por um erro de ênfase do relatório. Os patologistas deram grande destaque ao peso do cérebro de Terri: 615 gramas, menos da metade do peso considerado normal para o cérebro de uma mulher saudável de mesma idade. O cérebro de Terri seria ainda menor do que o de Karen Ann Quinlan, que pesava 815 gramas quando ela morreu em 1985.


Karen teve também uma vida trágica: num estado semelhante ao de Terri, ela vivia ligada a um respirador artificial. Os pais dela então empreenderam uma longa luta judicial para que tivessem o direito de desligar os aparelhos. Venceram, mas, mesmo sem o respirador, Karen continuou viva durante mais dez anos, até morrer das complicações decorrentes de uma pneumonia. Naquele tempo, ninguém ousaria pedir que ela fosse deixada à míngua, sem alimentação, e com isso, Karen morreu alimentada e hidratada.


Ocorre que 70% do cérebro de qualquer pessoa são feitos de água. Ao morrer, Terri estava havia 13 dias sem beber água, absolutamente desidratada, seca. O patologista chefe chegou a dizer que nunca tinha visto um cadável com tal nível de desidratação. O peso do cérebro de Terri foi obviamente afetado pela desidratação e, por isso, vale pouco a comparação com uma mulher saudável ou mesmo com Karen. Mas, mesmo que não tivesse sido, o peso tem importância relativa. Pesquisas já demonstraram que o cérebro de idosos encolhe até 30% em relação ao de jovens mas, em testes, mostram-se em igualdade de condições mentais. Há casos de crianças que nasceram com apenas metade do cérebro e ingressaram na universidade. Partes remanescentes podem absorver funções das partes mortas.


Esse mesmo princípio explica por que não se pode dizer que Terri estava cega, mesmo a autópsia tendo revelado que a parte do cérebro de Terri responsável pela visão estava toda deteriorada. Mais uma vez, porém, a autópsia não pode assegurar que ela estivesse cega, porque o que restou do cérebro pode ter absorvido tal função. Os jornais se apressaram a concluir que as cenas em que Terri acompanhava com o olhar a trajetória de uma bola de encher mostravam apenas atos autômatos. Isso poderia ser verdade se ela acompanhasse a trajetória de um ponto luminoso, porque a pupila se abre ou fecha respondendo, reflexamente, à luz, mas o mesmo não aconteceria com um objeto sem luz. Somente uma ressonância magnética funcional poderia verificar com certeza se aquela região do cérebro entraria em atividade diante de estímulos visuais. E isso nunca foi feito.


Aliás, a parte mais chocante do relatório é justamente a que tenta explicar por que os médicos de Terri não a submeteram a um dos dois tipos de ressonância: o anatômico e o funcional, indispensáveis para descobrir o estado de consciência de Terri. A funcional, como disse, mostra a atividade no cérebro quando se submete o paciente a um estímulo externo (visual, por exemplo). O relatório diz que a FDA, a agência americana que controla o uso de remédios e exames, lançou um alerta advertindo que ressonâncias em pacientes com um estimulador neurológico implantado no cérebro podem causar danos permanentes, coma e até a morte. Terri usava um implante de nove centímetros. Ocorre que o alerta da FDA foi dado no mês passado, dois meses depois da morte dela. Não se sabe por que o exame não foi feito antes do implante. Uma coisa é certa: médicos deixaram de submeter Terri ao exame que poderia mostrar se ela tinha algum grau de consciência, por temer que ele provocasse mais dano neurológico ou a sua morte; e, depois, os mesmos médicos, atestando que Terri era inconsciente, levaram a justiça a decidir deixá-la morrer de fome e sede. É uma lógica que não compreendo.


A autópsia de Terri mostra que o seu cérebro estava danificado de uma maneira trágica, mas é incapaz de afirmar que ela vegetava. Terri era uma mulher extremamente incapacitada e, por isso, indefesa, incapaz inclusive de se alimentar por si só. Ela, mais do que ninguém, merecia continuar a ser alimentada e hidratada. É um direito fundamental. Que a justiça americana tenha concordado em negá-lo é uma mancha que não se apagará.’


 


TERROR EM LONDRES


Folha de S. Paulo


‘Jornal diz como terroristas teriam agido’, copyright Folha de S. Paulo, 13/7/05


‘REINO UNIDO – Citando altas fontes de segurança britânicas, o jornal ‘The Independent’ descreveu os últimos momentos vividos pelos quatro suicidas que teriam detonado os explosivos dos atentados de quinta em Londres.


Encontro


Os quatro supostos suicidas se encontraram na estação de trem de Luton na manhã de quinta-feira levando mochilas de estilo militar cheias de explosivos. Os homens, de origem paquistanesa segundo o jornal, embarcaram no trem da Thames Link às 7h48 (hora local) e chegaram à estação de King’s Cross (Londres) às 8h20.


Câmaras de segurança da estação mostram os quatro conversando enquanto caminham em direção ao metrô, onde então se dividiram, segundo a fonte de segurança ouvida pelo jornal.


Viagem


Os homens-bomba, três dos quais com idades entre 19 e 30 anos, haviam viajado de Leeds, depois de recolher os explosivos de uma casa em Burley. Fontes policiais estimam que eles tenham viajado em dois ou três carros alugados. Dois eram de Leeds e outros dois, de Dewsbury.


Divisão


Em King’s Cross, o homem de 30 anos tomou a Circle Line até a estação de Edgware Road. O de 22 anos viajou na direção contrária, até as estações de Liverpool Street e Aldgate. Um terceiro suicida pegou a Piccadilly Line em direção à estação Russell Square. Às 8h50, eles detonaram as bombas.


Segundo o jornal, o quarto homens-bomba, de 22 anos, deveria ter tomado a Northern Line, em direção norte, mas a linha estava fechada. Tomou então o ônibus da linha 30 e, depois de ter se atrapalhado, detonou sua bomba às 9h47, uma hora depois dos demais, na Tavistock Square.


Contato


O jornal afirma que o primeiro conhecimento da polícia sobre os homens-bomba veio após contato da família do suicida mais jovem, que afirmou que ele havia viajado com três amigos a Londres e estava desaparecido. Segundo a fonte, ele foi inicialmente tratado como uma das vítima dos atentados até sua imagem ser localizada no circuito interno de King’s Cross com outros três homens carregado mochilas.


Investigação


A polícia achou pedaços de corpos de três dos supostos terroristas, com exceção do suicida da Piccadilly Line. O jornal cita os nomes de três pessoas que desapareceram desde o dia dos atentados e que estão sendo investigadas pela polícia, segundo suas fontes: Rashid Facha, Shazad Tanweer e Hasib Hussain, de distritos de Dewsbury e Leeds. Foram investigados ainda os irmãos Naveed e Eliaz Fiaz, na mesma região. Um veículo apreendido pela polícia na estação de Luton pode ter sido usado pelos terroristas.


O comissário da polícia metropolitana, Ian Blair, descreveu a operação na região de ‘significativa’ e ‘diretamente relacionada’ aos atentados.


Al Qaeda


De acordo com informações obtidas pelo jornal, apenas um dos três suicidas identificados tinha ligações conhecidas, mas pequenas, com supostos membros da rede Al Qaeda. Uma fonte de segurança os descreveu como ‘peles novas’ -pessoas sem ficha criminal e de difícil investigação.’


 


Mariana Barros


‘Blogs detalham o atentado com rapidez’, copyright Folha de S. Paulo, 13/7/05


‘A reação da comunidade virtual ao ataque terrorista em Londres foi instantânea. No dia das explosões, o atentado figurava na lista dos temas mais discutidos na internet e vários blogs registravam links sobre o assunto.


O site de busca de blogs Technorati (www.technorati.com) registrava mais de 1.300 incidências sobre o tema, incluindo mensagens de pessoas à procura de amigos e de familiares. Muitos links levavam à agência de notícias BBC, que publicou, além de reportagens, um blog de seus correspondentes (news.bbc.co.uk/1/hi/uk/4659511.stm) e a narrativa de uma sobrevivente (news.bbc.co.uk/1/hi/uk/4670099.stm), que vem escrevendo diariamente.


Audiência


Markos Zúniga, autor de dailykos.com, sobre política, se disse surpreso com o número de visitas ao site no dia do ataque: 700 mil. Outro campeão de audiência foi instapundit.com, do americano Glenn Reynolds. Dias depois do atentado, mais de 10 mil links, publicados em outros blogs, levavam até o site.


A página www.huffingtonpost.com, da ex-candidata ao governo da Califórnia Arianna Huffington, foi uma das primeiras a noticiar a tragédia. As primeiras explosões aconteceram às 8h51, e às 9h17 o blog já publicava relatos e fotos do atentado.


Material bastante completo está na enciclopédia virtual Wikipedia (en.wikipedia.org/wiki/2005_London_transport_explosions), que traz telefones de órgãos do governo, dados das investigações sobre a origem dos ataques e uma linha do tempo das ocorrências. Os horários dos fatos mais marcantes daquele dia também estão no blog www.londonist.com.


Moradores


Relatos pessoais de moradores da capital também tiveram espaço na rede. A prestação de socorro à estação de metrô de King’s Cross é relatada no blog Reaching for lucidity (sgrblog.blogspot.com). O blogueiro Anthony Rickey diz que descobriu que algo estava errado ao evacuarem a estação de Sloane Square, onde estava (www.threeyearsofhell.com).


Um dos integrantes de Metroblogging London (london.metblogs.com) exaltou a cidade, publicando uma foto sua vestindo uma camisa com ilustrações do Big Ben e de ônibus londrinos. O autor de onthedistrict.blogspot. com relata a aflição de só ter conseguido falar com sua esposa quatro horas após as explosões.’


 

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