Sexta-feira, 22 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

ENTRE ASPAS > JORNALISMO & HISTÓRIA

Antonio Brasil

01/03/2005 na edição 318

‘Adoro bons livros de História. Principalmente, obras sobre a história do jornalismo. Nada como viajar ao passado para rever os nossos erros e acertos. A história, no entanto, não é mera coleção de dados. É uma fonte inesgotável de informações contraditórias que precisam ser analisadas e contextualizadas. Afinal, o principal objetivo de investigar a história é tentar entender o presente e prever o futuro. Mas, para mim, a História também nos proporciona a possibilita de criar soluções e a oportunidade de cometer erros… novos.

Queria recomendar um livro excelente sobre a história do jornalismo moderno publicado recentemente na França – ‘Une Histoire Politique du Journalisme’ – XIXe – XXe siecle de Geraldine Muhlmann – Le Monde- PUF, 2004. (ver aqui)

Mas também queria aproveitar para recomendar aos nossos leitores que não percam o seu tempo e dinheiro com um outro livro de ficção histórica. Trata-se da versão global pasteurizada e ‘despolitizada’ de um dos principais capítulos da história do jornalismo brasileiro: ‘Jornal Nacional – A Notícia faz história’, Memória Globo/Jorge Zahar Editor.

Uma História inteligente

‘Une Histoire politique du Journalisme’ é o resultado de uma extensa pesquisa acadêmica que gerou uma tese de doutorado de altíssimo nível. A autora, Geraldine Muhlmann, é uma jornalista com longa experiência internacional. Hoje, ela é professora de Ciência Política na Sorbonne XI em Paris. Geraldine mergulhou nos arquivos dos principais jornais franceses e americanos e o resultado é um verdadeiro tratado sobre a evolução das técnicas do jornalismo moderno. Mas o que diferencia essa obra é que a autora não se limita a coletar dados e fatos. Geraldine não teve medo de buscar explicações políticas para a prática jornalística. O resultado final não poderia ter sido melhor. Geraldine nos convida a entender as ‘encruzilhadas’ do jornalismo em sua evolução de linguagem e conteúdo.

Segundo o escritor americano Norman Mailer: ‘Este é um livro verdadeiramente inteligente e bem escrito sobre a essência do que chamamos de jornalismo’.

Em sua trajetória profissional, Geraldine trabalhou muitos anos na França e no EUA. Correspondente de grandes jornais, um dia resolveu investigar o seu próprio meio, o jornalismo. Com o apoio da Universidade de Nova Iorque, teve acesso a fontes privilegiadas quando buscava as raízes políticas do jornalismo. Ou seja, Geraldine não procurou escrever mais uma história do jornalismo. Seu objetivo é explicar as mudanças na narrativa jornalística dentro de um contexto maior das explicações políticas. Não se pode escrever a história do jornalismo e ignorar o seu contexto político.

No entanto, essa interpretação política da história reflete uma perspectiva pessoal da autora. Nada mais claro e honesto. Mas ela procura inserir os ‘fatos’, textos, movimentos e obras de jornalistas importantes em seus contextos históricos. O principal objetivo é a inserção política dos fatos destacados, e não somente uma descrição cronológica do jornalismo.

O olhar jornalístico

Segundo a autora, a grande revolução na imprensa foi o momento em que os jornalistas resolveram abandonar o jornalismo opinativo e partir em busca dos fatos. Nesse momento histórico, os jornalistas passaram a cultivar o ‘olhar’ jornalístico. A mera ‘opinião’ e as explicações ideológicas não eram mais suficientes para interpretar o mundo. O jornalismo buscava práticas e técnicas mais profissionais. O excesso de opiniões transformava o jornalismo em um mero exercício de ‘retórica’.

Em algum momento da nossa história, os jornalistas tomaram uma decisão política que exigiria ver e testemunhar in loco os acontecimentos considerados importantes e relevantes para os leitores. A ousadia custaria muito caro. Muitos jornalistas tiveram que enfrentar inúmeros obstáculos para buscar os fatos.

Essa atitude ‘política’ revolucionou o jornalismo. A busca da verdade, a objetividade jornalística, o equilíbrio e isenção passariam a ser princípios básicos e universais para um jornalismo de verdade. O jornalista se aproxima dos fatos e se afasta da propaganda. A idéia era não se contentar com ‘opiniões’ vagas e imprecisas. O objetivo político era aperfeiçoar o olhar para retratar da melhor forma possível os acontecimentos que se transformariam. O jornalista como primeira testemunha da história. Esta foi a grande revolução do jornalismo na segunda metade do século XIX.

Jornalistas históricos

Mas qual seria o papel do repórter em nossa sociedade? Como ele se posiciona diante dos fatos em relação aos destinatários de sua própria visão, os leitores, o seu público?

Para responder a essas questões, a autora nos convida a fazer uma viagem pela história ‘política’ do jornalismo moderno. Para isso, Geraldine escolheu profissionais históricos e paradigmáticos da imprensa americana e francesa. O objetivo dessa viagem é analisar as práticas profissionais e os conceitos de um jornalismo que pretendia ‘mudar o mundo’.

Geraldine investiga o trabalho de jornalistas ‘históricos’ como o britânico George Orwell, ou os americanos Edward R. Murrow, que cobriu a ‘batalha da Inglaterra’ ao vivo para os ouvintes da CBS, e Seymour M. Hersh, responsável pela divulgação do massacre de My Lai no Vietnã, e, mais recentemente, do escândalo dos prisioneiros de Abu Grabi no Iraque. Eles dividem o espaço da pesquisa com jornalistas menos conhecidos, porém não menos importantes, como Severine, a jornalista francesa que cobriu o processo contra Dreyfus na França do final do século XIX. A autora também resgata o trabalho de uma outra jovem jornalista francesa, Nellie Bly, que ainda no século passado se internou em um manicômio para denunciar a práticas médicas abusivas de sua época. Foi uma jornalista corajosa, engajada em uma luta política e precursora do atual jornalismo ‘embutido’. Um jornalismo que limita e manipula a prática profissional e a atuação política de tantos repórteres.

Geraldine não foi contratada por uma empresa ou partido político para escrever a história oficial do jornalismo. Doa a quem doer, ela procura revelar os mistérios da história da profissão e os compromissos políticos de grandes jornalistas em momentos considerados históricos. A narrativa acompanha as revoluções causadas pelos movimentos de renovação da linguagem jornalística e pelos grandes jornalistas do passado.

O mais interessante do seu trabalho, no entanto, é que a autora não se deixou levar tanto pelo ‘fascínio’ da história do jornalismo americano. Por outro lado, ela também não se rendeu a uma visão ‘antiamericanista’, tão na moda nos meios acadêmicos em nossos dias.

O livro é excelente, mas, infelizmente, para nos brasileiros, custa muito caro. Mas, aqui entre nós, o livro vale cada centavo. Para piorar as coisas, hoje, vive-se sob a tutela de um governo de sábios que impõem impostos para a importação de livros. A justificativa deve ser que no Brasil temos obras ‘similares’ que dispensam os livros importados.

‘Jornal Nacional – A notícia não faz história’

E por falar em história do jornalismo, queria comparar a obra da jornalista francesa com outro livro de história lançado no Brasil – ‘Jornal Nacional: A Notícia Faz História’, Autoria: Memória Globo, Editora: Jorge Zahar, Preço: R$ 29,50 (408 páginas). Há muito tempo não leio nada tão ruim e insípido. Em verdade, a obra deveria ter o título ‘Jornal Nacional – A notícia que distorce a história.’ Trata-se de uma obra de revisão histórica disfarçada de autocrítica sincera. Tanto dinheiro gasto para explicar o inexplicável. O resultado, no entanto, é uma ficção histórica ou história chapa-branca. O leitor é convidado a participar de uma viagem pelo mundo da fantasia. A narrativa é digna das telenovelas da emissora: muita forma, nenhum conteúdo. A estratégia da obra é inundar o leitor com um emaranhado de dados e fatos nada importantes para evitar explicações relevantes ou implicações políticas. O objetivo final também não poderia ser mais evidente: evitar mudanças e garantir privilégios.

Um dos maiores problemas desse tipo de livro é não ter autoria definida. A desculpa do ‘trabalho de grupo’ em busca da verdade oculta os objetivos da empresa em reescrever a sua história.

Fica muito difícil acreditar na isenção da Globo para escrever a sua própria historia. Faltam distanciamento e isenção. Princípios básicos para a pesquisa histórica e para o bom jornalismo.

Como não poderia deixar de ser, o livro não faz nem história nem um jornalismo investigativo de verdade. O livro sobre o JN é propaganda disfarçada ou simulacro de história. Os fatos citados sem qualquer análise ou contextualização histórica confirmam um objetivo político definido. Afinal, a verdade tem muitas versões. Esta é a versão da Globo da verdade. Até aí tudo bem. O problema, no entanto, é que essa pode vir a ser a única versão da história do JN para as futuras gerações.

Muito além do Cidadão Kane

Mas por que será que ninguém se atreve a escrever uma outra história política da Rede Globo ou do JN? É bem verdade que já tentaram. Quem ainda se lembra do cineasta britânico Simon Hartog? Ele acabou se tornando um autor maldito de obra proibida no Brasil. Seu documentário, Beyond Citizen Kane, (Muito além do Cidadão Kane), continua proibido no Brasil apesar do seu inegável valor histórico.

Simon tentou produzir uma história ‘política’ da emissora e sofreu retaliações. Todos conhecemos bem o resultado da ‘ousadia’. O premiado diretor britânico morreu sem ter a sua obra liberada no Brasil. Seu documentário continua sendo visto em todos os lugares do mundo, com uma única exceção: o Brasil. Amparada por duvidosas sutilezas legais, a Globo conseguiu impedir os brasileiros de conhecer um pouco mais sobre a sua própria história.

E pensar que tanto o livro do Jornal Nacional quanto a recém-lançada biografia do Roberto Marinho, autorizada pela Globo e escrita pelo seu jornalista estelar Pedro Bial, não citam em nenhum momento a obra de Simon Hartog. Liberdade de expressão ou mesmo investigação histórica de verdade no Brasil ainda são considerados privilégio do poder. Para os amigos e aliados da hora, tudo. Para os inimigos, investigação jornalística minuciosa ou os rigores da lei.

Confesso que até hoje não consigo entender essa proibição baseada em sutilezas legais. O documentário é uma referencia histórica essencial para entendermos a história política do nosso principal meio de comunicação. Mas continua proibido porque nem mesmo o governo dos trabalhadores ousaria enfrentar o império. Afinal, dizem por aí, que hoje, no Brasil, vivemos tempos de mudanças. Mas, pelo jeito, essas mudanças ainda são consideradas ‘pragmáticas’ e não incluem enfrentar o JN.

Em se tratando do único documentário jamais produzido sobre o ‘jornalista’ mais poderoso do Brasil e sobre a Rede Globo, sua proibição é incompreensível. Em um país que se diz democrático, essa proibição é simplesmente ‘inadmissível’.

A verdadeira história política do jornalismo brasileiro e, principalmente a verdadeira história do JN, ainda está para ser escrita. Quem se candidata?’



JORNALISMO CULTURAL
Ana Maria Bahiana

‘Simpatia por um diabo velho’, copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 23/02/05

‘Escrevo para dizer por que não escrevi – e por que vai mudar o que escreverei daqui para frente. Barroco, não?

Nos últimos dois meses me debati com um dilema de consciência para o qual a única saída é a famosa transparência – com o início da campanha de divulgação do filme 1972, que eu co-escrevi e co-produzi, como seria possível manter a necessária distância do assunto em questão neste espaço, o jornalismo cultural?

A resposta é: pelo menos no Brasil, âmbito imediato da campanha de lançamento, isso simplesmente não seria possível.

Sim, eu sei que estamos vivendo em outros tempos, nos quais é considerado apropriado usar espaços de mídia para ‘descer o pau’ em quem não nos convida para festas, não nos elogia, não nos atende ou não nos manda mimos. Mas eu sou da velha escola, já disse aqui. Na velha escola se fazia um esforço hercúleo para separar uma coisa _ o que fazíamos com o espaço de mídia que nos cabia – da outra – o que acontecia no avesso desse espaço. E se esta separação era de todo impossível, abria-se o jogo. Assim, em tese: ‘fulano de tal até que pode ter talento (ou ser rico, famoso, etc) mas não vou com a cara dele desde o dia em que me esnobou e não me convidou para a estréia (ou festa, ou lançamento) dele. Então sou obrigada a dizer que ele é um mediocre, um arrogante, etcetecetc’. Isso dava, no mínimo, um jornalismo muito mais legível, honesto e divertido

Imparcialidades e dilemas devidamente declarados, passo a me ocupar, a partir de hoje, de tudo menos o jornalismo cultural brasileiro. (O que porventura me acontecer do outro lado das trincheiras da produção cultural está sendo devidamente anotado, para uso futuro em algum formato).

Hunter S. Thompson, por exemplo. Temo que, tendo passado para um outro plano de existência nesta era apressada e trivial, HST possa entrar para a história do jornalismo apenas como uma figura exótica, ‘colorida’, um tipo estranho que amava armas de fogo, privacidade e alguns pós miraculosos. Tudo isso é verdade a respeito dele, e o fato de sabermos que tudo isso é verdade revela o talento, o vigor, o pique desse homem a quem devo as carreiras de muita gente que admiro e amo. Numa outra era trivial, quando o jornalismo, como hoje, era chapa branca de um modo ou de outro, HST começou a falar como se falava, a escrever como se falava, a rasgar ilusões, a por pingos nos is, a revelar o avesso, a se revelar, a cumprir até o amargo (às vezes doce) fim essa promessa de um texto tão claro que pudesse abarcar até o escuro (leia novamente o quarto parágrafo). Não é possível estudar a America sob Nixon sem ler HST. Isso não é pouco. Que a estrada, finalmente, se erga até seus pés, HST!

E por favor, o livro famoso de HST que se tornou filme estrelado por Johnny Depp e dirigido por Terry Gilliam è Fear and Loathing in LAS VEGAS e não em Los Angeles.

Lembro-me de tê-lo visto numa daquelas salas abarrotas e ultra-refrigeradas do Palais, durante um Festival de Cannes. Eu estava na última fileira do balcão, ao lado de um italiano de pés fedorentos que foi ficando progressivamente mais indignado à medida em que o filme rodava e eu ria gostosamente. Ele finalmente se levantou e foi embora, xingando em italiano minha sensibilidade pervertida. Não estava sozinho: com ele foi-se cerca de dois terços da platéia, que tambem não compreendia como alguém poderia achar interessante e divertida uma estação no inferno dos anos 70, com drogas, armas e rock n roll.

O terço que ficou, amou. Devíamos ser todos da Velha Escola.’



JORNAL DA IMPRENÇA
Moacir Japiassu

‘Porre monumental!’, copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 24/02/05

‘Ao pé do texto da seção Tendências/Debates da Folha de S. Paulo desta segunda, 21/2, fica-se sabendo que Denis Lerrer Rosenfield, 54, é doutor pela Universidade de Paris 1, professor titular de filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e editor da revista ‘Filosofia Política’. Também escreveu ‘Política e Liberdade em Hegel’ (Ática), entre outros livros.

Trata-se, como se vê, de ilustradíssimo intelectual. Portanto, causa perplexidade o texto que ele escreveu, depois de procurar determinada marca de cachaça na prateleira de um supermercado. Janistraquis, que se deliciou com o artigo enquanto oferecia mais uma pro santo, comentou: ‘Considerado, para alguém ver tanta maldade num simples rótulo da branquinha, das duas uma – ou tá ‘bêbo’ ou tá doido…’

E ainda bem que Hegel não está vivo para verificar o estrago que o comportamento ‘politicamente correto’ faz com a inteligência das pessoas. Rogo ao considerado leitor que experimente o tira-gosto abaixo e confira aqui a íntegra da monumental bebedeira:

(…) Quando o rótulo da garrafa de uma cachaça é utilizado para comemorar o aniversário de uma empresa, recorrendo ao que é moralmente condenável, ele não passa a mensagem do tempo de maturação de um produto, mas a da persistência do abjeto, do tempo que não passou, do que continua, de certa forma, legitimado. Será que o suor, a dor e a penúria de escravos negros são a melhor apresentação da qualidade de um produto? Alguém pode se comprazer com o gosto de uma bebida contemplando uma tal servidão?(…)

(‘O próximo livro dele, pelo visto, será Cachaça e Política em Debret’ , escreveu o mestre Sérgio Augusto em mensagem ao colunista.)

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Desembargadores

O considerado José Truda Júnior, cuja verve costuma brilhar aqui na área de comentários, enviou notícia do jornal carioca Extra, reproduzida pelo Globo Online:

19/02/2005 – 19h27m

Desembargadores do Rio derrubam lei estadual que aumentava ICMS de armas e munição em 200%

Giampaolo Braga – Extra

RIO – Na última segunda-feira, os 25 desembargadores que compõem o Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio decidiram, por unanimidade, derrubar a Lei estadual 4.135, 2003, que aumentava para 200% o ICMS sobre a venda de armas e munição. Na decisão, os desembargadores classificaram como ‘absurdo’ o Estatuto do Desarmamento e afirmaram que retirar armas da sociedade pune apenas a população ordeira. A decisão do colegiado o põe em rota de colisão com a campanha do desarmamento (…)

O leitor pode conferir aqui a íntegra da sensacional notícia.

Janistraquis, que leu e festejou, fez o seguinte comentário:

‘Considerado, não é possível que os 25 desembargadores, cidadãos de notório saber jurídico e ilibada reputação, estejam na folha de pagamento dos fabricantes de armas, né mesmo?’

(Aproveitem e leiam mais esta: OAB diz que Estatuto do Desarmamento não está se mostrando eficaz)

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Boa pergunta

O considerado leitor Etevaldo Rabelo Nunes envia a seguinte e indignada notinha:

Avalie, Janistraquis, se este miserável país merece respeito! A chamada de capa da Folha Online diz:

VIOLÊNCIA NO PARÁ

Para a Polícia Federal, o assassinato da missionária Dorothy Stang está praticamente solucionado.

Agora, pergunta-se: por que foram tão rápidos e eficientes no caso da missionária e não dão a mínima para a morte do policial Luiz Pereira da Silva, assassinado num acampamento do MST em Pernambuco?!?!

É boa pergunta, ó Etevaldo; é boa pergunta.

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Povo evoluído

A considerada Karla Siqueira passava em revista o site Blue Bus quando freou de repente diante desta notícia:

602 mil portugueses com idade acima de 4 anos visitaram blogs em 2004, segundo a pesquisa ‘A blogosfera em 2004’, da Marktest. O numero representa 36,9% do total de internautas no ano passado. Foram visitadas mais de 57 milhões de páginas de blogs. 21/02 BBI

Boquiaberta com a precocidade lusitana, Karlinha comentou:

Fiquei na curiosidade, querendo descobrir quantos portuguesinhos visitaram blogs. E depois fazem piada com os portugueses… povo evoluído taí, com esse programa de inclusão digital que chegou às creches!

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Tsuriname

Diretor da sucursal desta coluna em Belo Horizonte, o considerado Camilo Viana abriu o arquivo recente e de lá extraiu esta preciosidade publicada em O Globo no falecidíssimo dia 8 de janeiro:

O prefeito de Recife, João Paulo, começou seu segundo mandato com um governo novo. Rompeu alianças e acordos de campanha.

Cheio de gás por ter derrotado o governador Jarbas Vasconcelos, João Paulo reuniu seu secretariado para divulgar as metas de sua administração.

Na reunião, repetiu o que dissera na posse:

– Sinto-me um gladiador que desce à arena pronto para qualquer combate.

E surpreendeu o secretariado:

– Pode vir até o Suriname! Eu enfrento o Suriname!

Ninguém entendeu. Declarar guerra logo ao país vizinho que Celso Amorim acaba de anunciar que Lula será o primeiro presidente, depois de Sarney, a visitá-lo agora em fevereiro?

Mas logo entenderam quando ele arrematou:

– Eu enfrento tudo mesmo. Eu não tenho medo de enchente, terremoto, maremoto e até esse suriname que acaba de devastar a Ásia.

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Má tradução

Diretor de nossa sucursal no Planalto, de onde se pode confirmar a notícia do Financial Times, segundo a qual Lula ‘perde o controle das reformas estruturais’, Roldão Simas Filho, que prefere o Correio Braziliense, também abriu o baú, a exemplo de Camilo Viana, e nos enviou a seguinte nota publicada em 3/1 no seu jornal predileto:

Catástrofe na Ásia

A doutora Van Alphen, da OMS, comentou: ‘autoridades se apressam em dispor dos corpos devido a uma crença errônea de que representam risco de epidemias. Isso não é verdadeiro e fere os direitos humanos de vítimas e parentes.’

Roldão ajuntou seu comentário:

Em português, o verbo adequado é descartar e não dispor. Esta é somente má tradução do inglês.

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Nota dez

Embora o mais delicioso texto da semana, do mês, do ano, talvez do século, tenha saído do espetacular bafo do professor Rosenfiel, a verdade é que a nota dez pertence a Carlos Heitor Cony, em sua coluna da Folha de S. Paulo:

O grande pasmo

RIO DE JANEIRO – Deus é testemunha de que nunca tinha ouvido falar em Severino Cavalcanti, nem podia imaginar que ele existisse, tal como é, com seus defeitos, cantados e recantados pela mídia, e com suas qualidades, que certamente as tem. Swift dizia que até o Demônio tem qualidades, pois cultiva há séculos uma das virtudes teologais, a esperança de fazer nós todos piores do que já somos (…)

Os assinantes do UOL ou da Folha podem ler a íntegra aqui.

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Errei, sim!

‘DE CASTRAÇÕES – Titulinho ‘mais discreto que um modess’, no dizer de Janistraquis, publicado no Jornal do Brasil: Ex-castrado ganha um Oscar pornô. Justamente indignado, meu secretário vociferou: ‘Considerado, quem merecia um Oscar era o redator, capaz de perpetrar tão cínico milagre. Ex-castrado. Ora bolas!’ (agosto de 1995)’

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