Segunda-feira, 28 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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ENTRE ASPAS > PLÁSTICA NA TVTÍTULO

Artur Xexéo

10/08/2004 na edição 289

‘NA TELA DA TELEVISÃO, A DESIGNER de ambientes… – meu Deus, quando é que eles deixaram de ser chamadas de decoradoras? Deve ter sido na mesma época em que os maquiadores se transformaram em make-up stylists… Mas, voltando ao que interessa, na tela da TV, a senhora, de 57 anos, discute com o cirurgião plástico o que fazer com seu rosto. Em princípio, ela só queria eliminar a papada. Mas o médico a convence a experimentar um duplo lifting, botox na testa, injeções de um troço qualquer nas rugas em volta da boca, corte das bolsas sob os olhos… ela se convence com facilidade. Afinal, eliminada a papada, talvez o rosto velho não combinasse com o pescoço novo. Quando ela chega à mesa de operação, já estava curioso em saber como a família reagiria ao resultado – sim, estávamos acompanhando a decisão da… ahnn… designer de ambientes, ao mesmo tempo em que seguíamos a ansiedade de seus quatro filhos e de sua irmã – quando o programa acabou. Como assim, acabou? Veja amanhã como ficou o rosto de nossa protagonista. A cirurgia plástica passou a ser tratada como novela!

Confesso que vinha passando quase incólume a esta moda de programas de TV que trazem a cirurgia plástica e os… ahnn… pacientes que se submetem a ela para a nossa sala de visitas. Quase incólume porque já tinha visto um em que o sujeito procurou a cirurgia plástica para ficar parecido com… Elvis Presley! Deste jeito ele poderia realizar seu sonho, que era ser o primeiro sósia de Elvis a posar para uma revista de nus masculinos.

Só este caso – ou sintoma? – já justificaria uma tese – ou diagnóstico? – mas não dei muita bola. Sou de uma geração que via com desdém a plástica (naquela época, a gente falava assim, só plástica) e ridicularizava aqueles narizes em série saídos dos consultórios de Pitanguys e Fabrinis. Pensei que estes programas de agora fossem só mais uma moda. Como falar iôga em vez de ióga, customizado em vez de personalizado, harmonizar em vez de combinar, Ben Jor em vez de Jorge Ben. Mas o programa da designer de ambientes me sensibilizou. Ela parecia tão normal. Seus parentes também. O apartamento jeitoso em que ela morava poderia ser o meu. Ela poderia ser minha vizinha. Seus parentes também. Não tinha ali nenhuma patologia como a do maluco que queria ficar igual ao Elvis. Era gente como a gente. Só que ela estava implicando com a própria papada.

Apesar de toda a normalidade, ela se dispôs a ser flagrada pela televisão revelando suas inseguranças sobre se submeter à cirurgia e, pior, deixou-se filmar durante o ato cirúrgico. E sabe Deus o que aconteceu no segundo capítulo, que, confesso, preferi não ver.

No estúdio, um grupo de… ahnn… especialistas acompanhava os acontecimentos. Como os antigos jurados do Chacrinha e do Silvio Santos, uma diretora de teatro, uma carnavalesca, um poeta urbano e uma quarta pessoa que não identifiquei comentavam o que viam. O comportamento do médico era criticado. A ingenuidade da paciente, ressaltada. Imagino que, no segundo capítulo, eles tenham avaliado esteticamente o novo rosto. Vai para o trono ou não vai?

Vão longe os tempos em que a cantora de samba-canção mantinha em segredo como seu nariz tornou-se arrebitado. A cirurgia plástica foi banalizada e virou atração no horário nobre. Torço para que o botox na testa tenha feito bem à designer e a todos os seus. A mim é que ele está fazendo mal.’



PREJUÍZO DA NET
O Globo

‘Net tem prejuízo de R$ 154 milhões no semestre’, copyright O Globo, 6/08/04

‘A Net Serviços, maior operadora de TV por assinatura do país, encerrou o primeiro semestre com um prejuízo de R$ 154,5 milhões, 242,5% a mais que no mesmo período de 2003, quando a perda fora de R$ 45,1 milhões. A empresa atribuiu o resultado ao peso de uma dívida de quase R$ 1,4 bilhão, que está em processo de renegociação, e à variação cambial no período.

Apesar do prejuízo, a Net voltou a registrar resultado operacional recorde. O indicador de rentabilidade que mede o lucro antes do pagamento de juros e impostos (chamado de Ebit) somou R$ 59,8 milhões na primeira metade do ano, o que representou crescimento de 386,17% sobre junho de 2003.

– Operacionalmente, a empresa é lucrativa. A situação financeira vai mudar a partir dos efeitos da renegociação da dívida – disse o presidente da Net Serviços, Francisco Valim.

Anunciada no fim de junho, a reestruturação da dívida passará pelo aumento de capital da Net e pela entrada da mexicana Telmex. O valor a ser investido pela Telmex, bem como sua fatia no bloco de controle da Net, vão depender do resultado do aumento de capital. Valim prevê que a operação será concluída até novembro, quando espera obter a adesão de 100% dos credores.

– Já aderiram 70% dos credores. O resto está pulverizado no varejo internacional, são investidores de fundos.

A receita líquida aumentou 16,7% (de R$ 586 milhões para R$ 684 milhões), refletindo a expansão pelo segundo semestre seguido da base de clientes. A companhia fechou junho com 1,376 milhão de assinantes, contra uma base de 1,319 milhão em junho de 2003. Já o total de assinantes em banda larga pulou de 63,5 mil para 131,4 mil.

Segundo Valim, os resultados preliminares de julho apontam para o crescimento:

– A economia voltou a crescer, isso está estampado no nosso balanço. Não posso adiantar números, mas julho foi o melhor mês do ano para a Net.’



TV À TARDE
Leila Reis

‘Estréias desanuviam a tarde na TV’, copyright O Estado de S. Paulo, 8/08/04

‘O tom sombrio da tarde na TV começou a dar lugar a tons mais pastéis esta semana. Como já foi escrito aqui nesta coluna, a movimentação nas emissoras indicava uma tendência de suavizar a programação que, em princípio, é vista por mulheres, jovens e crianças. O fato é que o processo já começou.

A Record encolheu o Cidade Alerta (fadado à extinção em setembro, quando entra no ar a novela Escrava Isaura), para dar lugar ao Tudo a Ver, noticiário soft apresentado por Paulo Henrique Amorim e Janine Borba, com a ajuda de vários outros. Repórteres da casa (incluindo uma de helicóptero, claro), Luciano do Valle, Sophia Camargo, que fala sobre economia, Luciano Facciolli, um ‘justiceiro’ que sai às ruas para apontar coisas que ‘assim não dá’ (este é o nome do quadro) e depois vai ao estúdio explicar sua reportagem, e a modelona Ana Hickman.

Uma espécie de consultora de estilo e beleza, Ana Hickman vai às compras em época de liquidação para montar um guarda-roupa básico ‘para durar mais quatro invernos’ por um preço acessível. Ela ensina a combinar blazer com saia, com calça, com blusas, etc. Faz direitinho e, com certeza, vai ajudar muita telespectadora a ser mais segura na hora de compor o visual. Afinal, Ana é uma autoridade em vestir.

É evidente que a top model precisa de tantas horas de vídeo quanto tem de passarela para adquirir a desenvoltura necessária para que a telespectadora a tenha como ‘aquela’ amiga. Mas essa não é uma missão impossível.

Paulo Henrique Amorim não consegue resistir à tentação de mergulhar no economiquês e inserta na revista eletrônica o quadro Conversa Afiada (que já foi programa na Cultura e na Record) para explicar a vitória do Brasil contra as restrições internacionais às exportações de algodão e açúcar.

Faz parte, porque Tudo a Ver é eminentemente jornalístico. Mesmo quando fala de coisas de mulher – ‘Por que as mulheres engordam mais no inverno?’ -, a reportagem busca nos restaurantes personagens em luta com a cumbuca de feijoada, mas coloca no estúdio uma endocrinologista para dar as bases científicas do assunto. Incêndios na cidade, catástrofes internacionais e notícias de polícia (como a morte do pai do craque Adriano) e de política entram em forma de reportagem ou de desfile de caracteres ao pé do vídeo.

Tudo a Ver não revolucionou a audiência da Record, mas também não a derrubou. Registra média de 6 pontos no ibope (Grande São Paulo) que a emissora já registrava antes. O mesmo ocorre no SBT, que tem mantido 7 pontos de média depois da estréia de Cor-de-Rosa, o TV Fama de Silvio Santos, apresentado por Décio Piccinini e a herdeira Sílvia Abravanel.

O programa do SBT chama-se Cor-de-Rosa para contrapor-se ao jornalismo marrom, como explica a emissora. É uma revista especializada em celebridades como TV Fama, da RedeTV!, com material pinçado no baú da própria emissora, como o Vídeo Show, da Globo.

Ao contrário da revista da Record, Cor-de-Rosa não tem o menor compromisso com a atualidade. Pega um assunto e cozinha-o, como se diria no jargão jornalístico. Ou seja, monta uma historinha alinhavando material de arquivo.

No caso, trechos dos programas da Hebe, do Gugu, etc. Na estréia, relembrou os melhores momentos da Casa dos Artistas 1, nos seguintes, da Casa 2, da Casa 3. Na quinta, gastou um tempo enorme com a metamorfose da garotinha Wanessa Camargo em ‘mulherão’.

O casal de apresentadores tenta bater uma bola para quebrar o gelo antes de chamar as reportagens, mas a coisa está meio difícil. Décio Piccinini é macaco velho e vai dando conta do seu jeito. O duro é sua partner. Sílvia Abravanel tenta descontrair, mas demonstra ter menos jogo de cintura do que uma geladeira. Mesmo sendo filha do rei, a garota não escapa do nervosismo dos iniciantes. Se o programa durar – no SBT é difícil fazer previsões – é bem capaz que Sílvia supere a timidez e solte a animadora que deve ter no sangue.

O fato é que os dois programas podem não ser a grande maravilha do momento, mas, com toda certeza, dão um upgrade na caída programação vespertina.’

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