Segunda-feira, 20 de Maio de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1037
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ENTRE ASPAS >

Bia Abramo

06/09/2005 na edição 345

‘‘A Lua me Disse’ já foi elogiada aqui nesta coluna e, de fato, ia bem, mostrando uma coesão de roteiro e uma diversidade de personagens mais ou menos raras hoje em dia nas novelas, mas acabou por dar uma descambada feia na vulgaridade e no mau gosto. Em nome da comédia escrachada, a novela foi adquirindo inflexões cada vez mais popularescas, chegando ao quase grotesco.

Até aí, nada demais. Há uma tendência cada vez mais acentuada nas novelas em geral de perda de sutileza, por qualquer que seja o lado. Mas nem seria o caso de tocar nesse assunto, não fosse a personagem Índia, que resvala em questões interessantes no terreno da representação ficcional.

A personagem, interpretada por Bumba, de 73 anos, só aparece em cenas em que é sistematicamente humilhada e ofendida pelas irmãs parasitas de Ademilde (Arlette Salles). A artilharia de Adail (Bia Nunes) e Adalgisa (Stella Miranda) dirigida a Índia, uma empregada doméstica, é para lá de pesada, embaraçosa mesmo.

Nesta semana, a coluna de Daniel Castro noticiou que o Ministério Público recomendou ‘que não sejam mais transmitidas na novela ‘A Lua Me Disse’ cenas que exponham a personagem Índia a situações constrangedoras ou degradantes’. A decisão do Ministério Público partiu de um parecer do Ministério da Justiça, que considera as cenas inadequadas para o horário das 19h.

O caso conduz a uma discussão curiosa e não muito simples: em uma obra de ficção, qual é a força e a amplitude da representação? Ou seja, se o personagem pertence a um grupo minoritário, com um histórico de discriminação, de opressão, de humilhação etc., o modo pelo qual ele é representado deve levar isso em conta? Em que medida?

Mostrar situações de preconceito teria o poder de educar, de transformar as atitudes negativas do espectador? Ou, ao contrário, assistir de fora ao preconceito serve para o espectador aliviar um tanto a sua culpa -’não sou eu que acho essa pessoa desqualificada e inferior, é o personagem tal, e, enquanto isso, posso continuar rindo à vontade’- e prosseguir inabalável em suas convicções?

A propósito de ‘A Cor do Pecado’, esta coluna observou que, naquele caso, o fato de a heroína e vários outros personagens negros serem positivos conferia uma visibilidade importante para a questão racial brasileira, mas, ao mesmo tempo, o tratamento esquemático do preconceito poderia causar um efeito catártico, naturalizando o comportamento racista do público.

Talvez em ‘A Lua Me Disse’ aconteça coisa semelhante. Os ataques e humilhações sofridos por Índia, mesmo que depois sejam aparentemente redimidos por uma reviravolta ficcional, funcionam como uma espécie de descarrego emocional para os vários preconceitos (de etnia, classe e etário) do espectador.’



TV CULTURA
Daniel Castro

‘Cultura dá mala, e Valério cancela ‘Roda’’, copyright Folha de S. Paulo, 3/09/2005

‘A TV Cultura, emissora custeada pelo governo de São Paulo (Estado administrado pelo PSDB), enviou nesta semana a diretores ou vice-presidentes de mídia de cerca de 20 agências de publicidade uma mala preta para divulgar entrevista que o publicitário Marcos Valério, acusado de ser o operador do ‘mensalão’, daria na próxima segunda-feira no programa ‘Roda Viva’. A entrevista foi cancelada ontem à tarde.

Dentro da mala, folhetos convocavam profissionais de mídia a aproveitarem a ‘oportunidade’ e programarem anúncios nos intervalos do ‘Roda Viva’.

A iniciativa do departamento de marketing da Cultura causou um certo mal-estar. Alguns profissionais acharam uma idéia de ‘mau gosto’, que poderia fazer insinuações. A maioria dos publicitários sequer considera Marcos Valério um publicitário de fato.

A assessoria de imprensa de Marcos Valério afirma que o cancelamento de sua entrevista ao ‘Roda Viva’ não tem nada a ver com a mala promocional da Cultura. Disse que o empresário não sabia disso e que teve de cancelar a entrevista porque foi convocado a depor, segunda-feira à tarde, na Polícia Federal em Brasília.

A TV Cultura confirma a versão do depoimento à PF e diz que não recebeu manifestações contrárias à mala promocional. Por meio de assessoria, informou que o mercado publicitário recebeu ‘muito bem’ a ação.

OUTRO CANAL

Rendição O ‘reality show’ musical ‘Fama’, da Globo, que sábado passado perdeu no Ibope para o ‘Programa Raul Gil’, resolveu apelar para uma ‘arma’ do concorrente. Na edição de hoje, o baiano Fábio irá cantar ‘Pra Sempre Vou te Amar’ (versão da melosa ‘Forever by your Side’), que, assume o site do programa, ficou ‘conhecida na voz de Robinson’ _que vem a ser um dos calouros mais bem-sucedidos de Raul Gil.

Amnésia A descoberta de que era traída pelo marido, Glauco (Edson Celulari), não curou a cleptomania de Haydée (Christiane Torloni) em ‘América’, como fez parecer a novela nas últimas semanas. A personagem, que repentinamente parou de furtar objetos, volta a atacar no capítulo da próxima quarta.

Pesquisa Depois de perguntar qual o melhor horário para o ‘SBT Brasil’, o site do SBT lançou nova enquete. Quer saber agora se o programa é ‘ótimo’, ‘bom’ ou ‘regular’. Não há a opção ‘ruim’.

Destino Autores de ‘A Lua me Disse’, Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa decidiram mudar alguns finais que já tinham traçado para a novela das sete. Latoya (Zezé Barbosa), a negra que tem preconceito contra negro, não vai acabar mais em um circo, pobre e abandonada. Deve se redimir das maldades que praticou contra a família e ter um castigo mais brando.’



SHOPTOUR
O Estado de S. Paulo

‘Concorrência faz dono do ShopTour voltar ao ar’, copyright O Estado de S. Paulo, 5/09/2005

‘Nas emissoras de televisão, há uma forte disputa entre os programas de ofertas, como ShopTour, Shoptime e MixTV. Um cenário que acabou por trazer de volta ao ar o empresário Luiz Galebe, que criou o ShopTour em 1987. Hoje, o programa de Galebe, que foi pioneiro neste formato de publicidade no Brasil, luta para fixar a identidade de sua rede própria de televisão, o canal 46 (UHF), que é 15 na Net, 10 na TVA e 23 na TV Alphaville.

O ShopTour, que era veiculado inicialmente na TV Record, foi há 11 anos para o Canal 16 (UHF) – o 23 na Net -, de onde saiu fazendo muito barulho este ano. Na Justiça, Galebe acusa o controlador do Canal 16, João Carlos Di Gênio, de plagiar sua fórmula no MixTV, canal que tem ainda a vantagem de oferecer a anunciantes o acesso aos alunos das redes de ensino Objetivo e Unip, controlada pela família Di Gênio.

A MixTV se defende da acusação de plágio dizendo que sua programação é diferente e que a fórmula de varejo na televisão é a mesma em todo o mundo. Portanto, não teria por quê pagar royalties a Galebe. Ao voltar à tela, Galebe não esconde que o seu objetivo é o de criar a mesma movimentação de 11 anos atrás, quando estreou no canal da família Di Gênio e conseguiu provocar filas em lojas anunciantes e vender estoques encalhados com promoções via televisão.

ESTÍMULO

Na última sexta-feira, os assessores de Galebe contabilizavam uma primeira vitória. Ao voltar ao ar, o apresentador estimulou a venda de dois mil pares de sandálias da Meggashop, que só vende produtos da São Paulo Alpargatas. Nesse retorno, o empresário optou por dois formatos de programa. No A Cara do Dono, pretende surpreender o anunciante chegando de improviso, sem avisar e negociando na frente das câmeras, até baixar o preço da mercadoria. Já no Outlet, agenda a gravação e apresenta os produtos na loja, com a intenção de que se formem filas para comprar os produtos.’



SBT
Keila Jimenez

‘‘SBT Brasil’ atrai bons anunciantes’, copyright O Estado de S. Paulo, 3/09/05

‘É fato que a audiência não está como Silvio Santos sonhava, mas o faturamento comercial do noticiário de Ana Paula Padrão no SBT vai muito bem. Balanço feito pela Controle da Concorrência – empresa que monitora inserções comerciais para o mercado – mostra que o horário em que o SBT Brasil é exibido, às 19h15, teve um belo up grade de anunciantes.

Uma semana antes da estréia do noticiário, o horário comportava poucos anúncios e tinha seus breaks lotados de inserções de produtos do grupo Silvio Santos, como Liderança Capitalização e propagandas políticas. Atualmente, os quatro breaks comerciais do SBT Brasil comportam anunciantes como Bradesco, Net, Toyota, Telefônica, Procter & Gamble, montadoras nacionais e Nívea, sem falar na Avon, que é a mais nova patrocinadora do noticiário. A Caixa Econômica Federal foi a primeira a comprar uma das três cotas publicitárias nacionais oferecidas pela emissora para a atração, ao custo (de tabela) de R$ 2,2 milhões cada uma.

E olha que na semana de estréia o desempenho comercial do SBT Brasil foi melhor. Nos seus dois primeiros dias no ar, segundo o levantamento, o noticiário teve cinco breaks por causa do excesso de anunciantes.

Mas logo vem mudança por aí. Apesar de o SBT ainda não admitir, é certo na emissora que Silvio Santos quer colocar Ana Paula Padrão mais tarde no ar. Há quem aposte que já na próxima semana o SBT Brasil entre na faixa horária das 20 horas, concorrendo com o Jornal Nacional, da Globo. É esperar para ver.’

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