Terça-feira, 18 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1018
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ENTRE ASPAS >

Bia Abramo

05/07/2005 na edição 336

‘Deu no jornal esses dias: os brasileiros despendem 18,4 horas assistindo à televisão por semana e apenas 5,2 horas com leitura no mesmo período. Os dados são de uma pesquisa que avaliou e comparou os hábitos em relação à mídia em 30 países.


Se serve de algum consolo, os brasileiros não estão sozinhos. No mundo inteiro, a leitura é a atividade relacionada à aquisição de informações que menos toma o tempo das pessoas. A tendência global é clara: a televisão, que consome 16,6 horas semanais, ganha de longe do rádio (8) e da leitura (6,5) e, ainda, do computador/internet (8,9).


Não deveria constituir uma surpresa o fato de que se lê menos do que se vê televisão, mas ainda assim os números parecem meio chocantes. Mesmo entre aqueles que mais dedicam tempo à leitura, os índices parecem reduzidos. Os três primeiros colocados no ‘ranking’ de leitores não chegam a ler por dia mais do que uma hora: indianos, com 10,7 horas/semana, tailandeses, com 9,4, e chineses, com 8.


Enquanto isso, em relação à televisão, apenas em cinco dos 30 países pesquisados se vê menos de duas horas por dia: Austrália (13,3 horas/semana), Suécia (13,3), Índia (12,3), Venezuela (11,9) e México (11,6). Sacrificando um pouco a precisão, pode-se dizer que no mundo todo a televisão ocupa o dobro do tempo na vida das pessoas do que a leitura.


Não é difícil de entender o porquê, na verdade, mas vale se deter um pouco nas diferenças entre ler e assistir à TV.


A leitura é uma atividade solitária, em todos os sentidos. Requer silêncio e concentração do leitor, mas para, além disso, o que se lê é (quase sempre) uma escolha individual e pessoal. O ‘quase sempre’ vai por conta dos fenômenos modernos tipo ‘O Código Da Vinci’ e os livros da série ‘Harry Potter’, que ‘coletivizam’ a experiência da leitura em escala global -é uma suposição apenas, mas parte do sucesso desses best-sellers deve vir do fato de que eles tornam a experiência de leitura mais coletiva.


Tudo o que se alega contra ler -dificuldade de concentração, de entendimento, aridez, falta de tempo e paciência, chatice- remete um pouco à idéia de que a leitura exige um comprometimento, um engajamento do sujeito com aquilo que se lê, se pensa e se sente, por conseqüência. E, se, ainda por cima, pensarmos que esse engajamento se dá numa relação íntima, a dois -apenas o leitor e o texto, pelo menos no momento da leitura -, talvez tenhamos uma pista aí.


A TV, não. A TV é povoada e, ainda que falsamente, dá a impressão de inserir o sujeito numa comunidade. Não deixa o espectador com a angústia de escolher e sustentar sua escolha é só se deixar levar por aquilo que está sendo exibido e partilhado tanto com a ‘audiência’, que se sabe ou se adivinha ou até mesmo está representada (nos programas de auditório, por exemplo), como com todos aqueles sujeitos do ‘lado de dentro’, ou seja, os que fazem a TV.’




TELEJORNALISMO
Laura Mattos


‘Padrão critica Globo; Fibe diz que rede foi ‘escola’’, copyright Folha de S. Paulo, 3/07/05


‘As duas não suportavam mais trabalhar até a madrugada, decidiram deixar a cobiçada bancada do ‘Jornal da Globo’ para trás e tiveram problemas com a direção da Globo ao pedir demissão do cargo.


A diferença é que a saída de Ana Paula Padrão, em maio, foi bem mais traumática do que a de Lillian Witte Fibe, em 2000. Apesar do pagamento da multa de R$ 3,7 milhões pelo SBT, a Globo tentou impedir judicialmente sua estréia na emissora concorrente, alegando rompimento unilateral do contrato. Perdeu a causa e ganhou da ex-funcionária críticas indiretas com doses de ironia: ‘O SBT não tem compromisso político e comercial com ninguém. Dependo do meu bom senso e não preciso consultar ninguém. Toda grande rede tem um determinado compromisso, seja de ordem política, religiosa ou econômica. Aqui não.’ Afirma ainda que ‘a ousadia’ dos tempos de Evandro Carlos Andrade, diretor de jornalismo da Globo, não avançou após sua morte, em 2001. Já Lillian saiu após o término do contrato e, apesar de ter desmentido à época nota da emissora de que sua saída tinha razões financeiras, hoje evita embates: ‘A Globo foi uma grande escola.’


‘No SBT não há compromisso político e comercial com ninguém’


Leia abaixo trechos da entrevista com Ana Paula Padrão.


Folha – Como será seu telejornal?


Ana Paula Padrão – Vamos tentar inovar na linguagem. Os telejornais hoje são duros, não estabelecem identidade com o telespectador. Os textos têm de ser mais diretos, os repórteres, vistos como pessoas. Além disso, o SBT não tem compromisso político e comercial com ninguém. O Silvio Santos é independente. O sonho de todo jornalista é trabalhar com liberdade editorial completa. No SBT, dependo do meu bom senso e não preciso consultar ninguém. Toda grande rede tem um determinado compromisso, seja de ordem política, religiosa ou econômica. Aqui não.


Folha – E estilo de apresentação?


Ana Paula – Estilo mais aberto.


Folha – Quem é seu concorrente?


Ana Paula – Nunca pensei nisso. Estou voltada para esse jornal. O que sei é o seguinte: tudo o que vejo no ar hoje me parece velho em relação ao que estamos fazendo.


Folha – Você e Lillian Witte Fibe passaram pelo ‘Jornal da Globo’ e agora se preparam para alavancar o jornalismo em emissoras concorrentes. Como vê esse ‘encontro’?


Ana Paula – Acho superlegal. Quanto mais gente estreando produto de qualidade, melhor para o mercado e o telespectador, que não fica com um leque pequeno. Informação não pode ser monopólio, tem de ser plural.


Folha – O 21 e o SBT tiveram várias idas e vindas. Dá para acreditar que o projeto jornalístico das duas tenha futuro desta vez?


Ana Paula – Conheço pouco o 21. No SBT, acredito firmemente, porque o investimento é muito grande, e o retorno comercial será infinitamente maior. Essa efervescência no mercado de telejornal mostra que o anunciante e o telespectador querem novidades.


Folha – Sua personalidade foi considerada forte para o estilo do ‘Jornal Nacional’, chamado de ‘engessado’. Acredita que o ‘JN’ tenha mudado e que hoje poderia estar naquela bancada?


Ana Paula – Não me vejo no ‘JN’ de jeito nenhum. Isso talvez tenha passado pela minha cabeça quando tinha 30 anos. Minha formação não tem nada a ver com o ‘JN’. O Evandro Carlos de Andrade [morto em 2001 e substituído por Carlos Schroder na direção de jornalismo da Globo] fez a Globo respirar, trouxe jornalistas às bancadas, firmou a cobertura política forte, ousou em vários projetos. Até a morte dele, houve um período de muito avanço. Mas esse avanço se estabilizou.


Folha – É verdade que salários de jornalistas em outras redes podem ser milionários e os da Globo não?


Ana Paula – Só posso falar por mim. E sempre me senti muito bem paga na Globo. Sobre o SBT, entendo a curiosidade, mas as pessoas vão entender minha discrição. É claro que estou ganhando mais do que na Globo, mas quanto só interessa a mim e a quem me paga. O que posso dizer é que tudo o que foi falado a respeito é uma viagem estratosférica.


Folha – O telejornalismo ‘mundo cão’ manterá seu espaço na TV?


Ana Paula – Se houve espaço para isso, foi porque telejornalismo [convencional] não fala com o público. Se dermos assuntos de interesse das classes D e E de forma que entendam, vão ficar conosco. O ‘mundo cão’ é uma solução boba, que está com os dias contados. Restam os cadáveres.


‘Nunca me deixei encantar pelo fato de a emissora ser grande’


Leia abaixo trechos da entrevista com Lillian Witte Fibe.


Folha – Como será seu telejornal?


Lilian Witte Fibe – Vamos adquirir um perfil ao longo do tempo e com a resposta do público. Mas telejornal é telejornal em qualquer lugar do mundo. Temos de ter ‘hard news’, as principais manchetes do dia. Será curto, com 30 minutos. Tenho a forte sensação de que esse horário [22h], no qual o telespectador já foi bombardeado com informações de várias fontes -rádio, jornal, televisão, internet-, combina com explicação e análise.


Folha – E estilo de apresentação?


Lillian – Como não sou atriz, vou ser eu mesma, não uma personagem. As pessoas dizem que estou mais solta, que esse tempo na internet me descontraiu etc. Mas notícia é notícia. Não vou dar a minha opinião pessoal, o público tem direito de ter sua própria opinião sobre os fatos. Mas a análise é diferente da opinião, e eu ando meio obcecada ultimamente com a explicação da notícia. Nossa obrigação é transmitir a notícia da maneira mais clara possível.


Folha – Quem é seu concorrente?


Lillian – Estou tão por fora da programação das emissoras abertas… Não vejo muito TV.


Folha – Você e Ana Paula Padrão passaram pelo ‘Jornal da Globo’ e agora se preparam para alavancar o jornalismo em emissoras concorrentes. Como vê esse ‘encontro’?


Lillian – Como uma coincidência de mercado.


Folha – O 21 e o SBT tiveram várias idas e vindas. Dá para acreditar que o projeto jornalístico das duas tenha futuro desta vez?


Lillian – No caso do SBT, não é da minha conta, mas torço pelo projeto por causa do nosso mercado de trabalho, que estava muito deprimido. No meu caso, desde que saí da Globo, ouvi todo mundo que me procurou com proposta de trabalho. Recusei por três razões básicas: o salário não me interessava, o projeto não me convencia ou eu não poderia manter a qualidade de vida que estipulei para mim. Nunca me deixei encantar pelo fato de a emissora ser grande. O que quero é passar a notícia com credibilidade, e o projeto do 21 me convence.


Folha – Sua personalidade foi considerada forte para o ‘Jornal Nacional’, chamado de ‘engessado’. Acredita que o ‘JN’ tenha mudado e que hoje você poderia estar naquela bancada?


Lillian – Se eu falar que tenho visto o ‘JN’, estarei mentindo. Estou trabalhando nesse horário e preciso tentar voltar a assistir.


Folha – É verdade que salários de jornalistas em outras redes podem ser milionários e os da Globo não?


Lillian – Eu não tenho a mais vaga idéia de como estejam os salários das personalidades de vídeo na Globo hoje. O que eu diria é que essa história de salários milionários na concorrência tem muita lenda, muito mito, chute, ‘over’ salário para tudo o quanto é gosto. E nossos colegas da mídia impressa estão comprando essas informações não sei por quê. O salário de quem está no vídeo é sim diferente do de quem não está no vídeo, mas cada caso é um caso.


Folha – O telejornalismo ‘mundo cão’ manterá seu espaço na TV?


Lillian – Hoje em dia a TV está tão segmentada que parece ter espaço para tudo, pornografia, filmes, 24 horas de notícias. O céu é o limite em matéria de conteúdo, do ‘trash’ ao melhor do mundo.’




AMÉRICA
Laura Mattos


‘Gay de ‘América’ fica sozinho até o fim’, copyright Folha de S. Paulo, 3/07/05


‘Júnior, homossexual interpretado por Bruno Gagliasso em ‘América’ (Globo), só terá a chance de arrumar namorado no final da história, segundo Glória Perez, autora da novela das oito.


‘Não sei se ele vai ganhar par romântico. Se acontecer, será só no final, porque a idéia é mostrar esse momento delicado do conflito interno, quando Júnior hesita em se aceitar como gay’, diz.


Para ela, ‘esse é o momento que as novelas ainda não mostraram’. ‘A luta pela aceitação do homossexualismo pela sociedade já foi muito vista, eu mesma trabalhei esse tema mais de uma vez.’


Perez afirma que Júnior não terá que se envolver com Ellis (Silvia Buarque), com quem mantém um casamento de fachada.


‘Ele nasceu gay, logo não há como ter recaídas hétero. A Ellis é amiga, foi a pessoa que sempre entendeu o Júnior e com quem ele pode falar abertamente sobre suas dúvidas e conflitos. Dentro desse quadro, ele pode até se confundir, achando que está apaixonado por uma mulher’, conta.


Michael Jackson


A autora dá pistas de que a protagonista Sol (Deborah Secco) poderá passar por um julgamento nos Estados Unidos e ser absolvida da acusação de tráfico de drogas. ‘É preciso fazer uma diferença entre o que a lei diz e as possibilidades oferecidas por um julgamento. Se você descrever os casos O.J. Simpson e Michael Jackson, todos dirão que não existe saída, é condenação na certa. No entanto, os dois foram absolvidos.’


Sobre a possibilidade de Sol obter o ‘green card’, despista: ‘Ela se casou para isso, mas, se vai conseguir, são outros 500’.


‘América’ deverá ter uma segunda pesquisa com grupo de discussão de telespectadores, ainda não agendada. A novela começou com audiência insatisfatória, o que culminou com a saída do diretor Jayme Monjardim. Mas se recuperou e, nos 93 capítulos exibidos até quarta, registra média de 45 pontos no Ibope, contra 46 da antecessora, ‘Senhora do Destino’, e 42 de ‘Celebridade’ e ‘Mulheres Apaixonadas’.’

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