Terça-feira, 15 de Outubro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1059
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ENTRE ASPAS >

Blitz da Receita intimida jornal argentino

11/09/2009 na edição 554


Leia abaixo a seleção de sexta-feira para a seção Entre Aspas. 
 


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Folha de S. Paulo


Sexta-feira, 11 de setembro de 2009 


 


CLARÍN


Silvana Arantes


Blitz da Receita intimida jornal argentino


‘O jornal ‘Clarín’, principal diário argentino, pertencente ao maior grupo de comunicação do país, interpretou como um ato de intimidação por parte do governo Cristina Kirchner o ingresso de cerca de 200 agentes da Receita Federal em sua sede, numa operação-surpresa de inspeção, ontem, em Buenos Aires.


‘Não temos nenhum inconveniente em prestar informações à Receita. Mas esse é claramente um sinal de intimidação. O que chama a atenção é a desproporção do procedimento’, disse Martín Etchevers, gerente de comunicação externa do Grupo Clarín, que emprega 15 mil profissionais -1.500 deles no jornal.


O editor-geral-adjunto do ‘Clarín’, Ricardo Roa, associou a operação a reportagem publicada ontem pelo jornal, que denunciava operação irregular de 10 milhões de pesos (US$ 2,5 milhões) na Oncca, órgão de controle agropecuário ligado à Receita. A fraude teria sido feita para favorecer um empresário próximo ao governo.


‘A associação é obvia. Entendo que o kirchnerismo está buscando reter o poder e ter mais poder sobre a imprensa’, afirmou Roa. O diretor da Receita Federal argentina, Ricardo Echegaray, citado na reportagem, negou, em carta endereçada a Roa, ter dado a ordem para a operação e afirmou que afastará o funcionário responsável por sua realização.


O procedimento da Receita Federal argentina, que o ‘Clarín’ classificou de ‘invasão’, foi imediatamente condenado pelas principais vozes de oposição ao governo, como o deputado Francisco De Narváez e o líder agropecuário Hugo Biolcatti, que disse: ‘Este país está perdendo as regras do jogo’.


Nas últimas semanas, desde que Cristina enviou ao Congresso um projeto de lei que disciplina os serviços de radiodifusão (leia mais nesta página), intensificou-se o clima de confronto entre o governo e o Grupo Clarín.


O ex-presidente e marido de Cristina, Néstor Kirchner, afrontou um repórter do grupo durante uma entrevista coletiva, na semana passada. Kirchner disse que o ‘Clarín’ o ataca não por razões jornalísticas, mas para ‘manter sua posição monopolista’, e afirmou que o repórter não deveria indagar sobre as finanças de Kirchner -alvo de investigação-, assim como ele não pedia explicações sobre o modo como a proprietária do ‘Clarín’, Ernestina Herrera de Noble, gerencia a sua fortuna.


Interlocutores de Kirchner fazem chegar à imprensa a versão de que ele trata o confronto com o ‘Clarín’ como ‘uma batalha de vida ou morte’. De Noble já se referiu publicamente ao fato de que seria senso comum entre os governantes argentinos que ‘não se pode governar tendo o ‘Clarín’ contra’.


No mês passado, a presidente sugeriu ser vítima de um ‘fuzilamento midiático’. O desentendimento de seu governo com o ‘Clarín’ tem origem na cobertura que os veículos do grupo fizeram do conflito entre o setor agropecuário e o governo, em 2008.


Na avaliação do governo, o ‘Clarín’ insuflou a opinião pública contra Cristina, apoiou o locaute dos produtores agropecuários e foi determinante para a derrota imposta à Presidência pelo Congresso no tema.


Neste ano, o ‘Clarín’ tem dedicado amplo espaço a reportagens com denúncias de corrupção no governo Kirchner e à investigação da hipótese de enriquecimento ilícito do casal Kirchner, cujo patrimônio aumentou declarados 158% no ano passado.


Com tiragem média de 353 mil exemplares nos dias de semana e 713 mil exemplares nas edições de domingo, o ‘Clarín’ influi não apenas na formação da opinião de seus leitores.


É comum que os demais veículos da imprensa argentina incorporem os termos com os quais o diário classifica as notícias. Exemplos recentes são a expressão ‘tarifaço’, para um aumento de luz anunciado pelo governo, e ‘lei de controle dos meios de comunicação’, para o projeto governista da nova lei de radiodifusão.


Nesta semana, o diário ‘Ámbito Financiero’ publicou declarações de um ex-executivo do banco JP Morgan em que ele sugere ter facilitado procedimentos de evasão fiscal na gestão de contas no exterior da proprietária do ‘Clarín’.’


 


 


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Lei em debate prejudica Grupo Clarín


‘Na versão do governo argentino, seu projeto de lei de serviços audiovisuais objetiva aperfeiçoar a democracia, promovendo a desconcentração da propriedade de meios de comunicação de massa.


Na avaliação de quase toda a imprensa argentina, o projeto tem um alvo -destruir o Grupo Clarín. A atual lei de radiodifusão é de 1980, período ditatorial e anterior a tecnologias como TV a cabo, internet e telefonia celular.


O novo texto incorpora essas formas de transmissão de conteúdo, mas restringe a capacidade de uma mesma empresa operar em múltiplas frentes.


Se o projeto for aprovado como está, estima-se que o Grupo Clarín terá de abrir mão de 236 licenças de exploração de serviços das 264 que possui hoje.


Uma hipótese seria o grupo desistir de seus rentáveis negócios em TV a cabo, que seriam prejudicados pela autorização dada pela nova lei à entrada das empresas de telefonia nesse mercado..


A lei, sob análise de comissões do Congresso, vem sendo debatida em audiências públicas.


Com o avanço do trâmite legislativo, supõe-se que o presidente do Senado e vice-presidente da República, Julio Cobos, terá outra ação decisiva, como na derrubada do projeto de Cristina que motivou o conflito com o campo.’


 


 


ESTADO


Folha de S. Paulo


São Paulo acaba com a ‘lei da mordaça’, criada na ditadura


‘A Assembleia Legislativa de São Paulo revogou na terça-feira a chamada ‘lei da mordaça’, um dispositivo criado na ditadura militar (1964-1985) que impede servidores de dar declarações públicas que envolvam o governo, sob pena de punições disciplinares.


O projeto de lei complementar, enviado à Casa pelo Executivo, deve ser sancionado pelo governador José Serra (PSDB) ainda neste mês. O texto alterou o artigo 242 da lei nº 10.261, de 28 de outubro de 1968, que disciplinava proibições e deveres a que estão submetidos os servidores públicos estaduais.


Foi revogado pelos deputados o inciso 1, que proibia os funcionários de se referirem de maneira depreciativa ‘em informação, parecer ou despacho, ou pela imprensa, ou por qualquer meio de divulgação, às autoridades constituídas e aos atos da administração’.


Segundo o governador, a regra continha ‘mandamento em desarmonia com o princípio do Estado democrático de Direito, por se tratar de norma restritiva à liberdade de informação e expressão’.


Projeto com o mesmo teor havia sido apresentado pelo deputado Roberto Felício (PT) e aprovado pela Casa, mas foi vetado pelo Executivo. A alegação era que apenas o Palácio dos Bandeirantes poderia deliberar sobre o tema por se tratar do funcionalismo estadual.


‘Agora, assim que for sancionada a lei aprovada, vai restar a manutenção do veto porque o conteúdo anterior se tornou completamente inócuo’, disse Vaz de Lima (PSDB), líder do governo na Casa.


A ‘lei da mordaça’ era alvo de críticas do funcionalismo e dos partidos de oposição ao PSDB, que comanda o Estado de São Paulo desde 1995, quando Mario Covas tomou posse.


 


 


TODA MÍDIA


Nelson de Sá


Um ano de crise


‘No UOL, ‘Bolsa sobe e atinge o maior nível’ desde julho de 2008. No Valor Online, ‘Bolsa fecha em nova máxima’. Pouco antes, no Valor Online, ‘Bolsa já sobe 98% desde outubro’.


Para marcar o aniversário da quebra do Lehman Brothers, em 15 de setembro de 2008, a BBC Brasil vem postando especial sobre os efeitos no país, ‘Um ano de crise’, com o logo acima. Ontem na manchete, entrevista com o ministro da Fazenda e o enunciado ‘Brasil pode ser quinta economia na próxima década, diz Mantega’. No enunciado do dia anterior, ‘Crise fortaleceu papel do Brasil no mundo, dizem analistas’ de Economist Intelligence Unit e outras.


Por outro lado, manchete do ‘Wall Street Journal’ à Folha Online, ontem no início da noite, o ‘preço alto da recessão nos EUA’, segundo o Census Bureau, com queda na renda familiar e ‘maior pobreza’.


‘DESMAMAR’


Nada de 11/9. A nova ‘Economist’ também abre com o aniversário da crise global, 15/9, e a avaliação de que foi ‘Seleção não natural’. As Bolsas ‘sobrevivem graças ao apoio estatal e precisam desmamar, agora’. Apoia ‘regular os bancos para torná-los mais seguros’


‘ESPLENDOR’


Regalado produziu vídeo de testes dos blindados e até se colocou ‘na linha de tiro’


Na capa do ‘WSJ’, ao lado, ‘Nas ruas cruéis de São Paulo, os ricos rodam em esplendor blindado’. No subtítulo, ‘Alta taxa de crime e gosto apurado levam a ‘upgrade’ dos carros; para jovem de 19 anos, Fusca rosa à prova de bala’.


A longa e irônica reportagem de Antonio Regalado relata que o salto na indústria de carros blindados ocorreu há dez anos, quando filhos de um banqueiro escaparam de sequestro graças, segundo uma revista, ao ‘carro herói’. ‘Conforme o dinheiro e o crime se cruzaram, mudaram os hábitos’ e São Paulo é hoje considerada ‘a capital mundial do carro blindado, segundo algumas estimativas’.


‘THE END’?


Noticiado dias atrás por aqui, o lançamento do projeto ‘Fim da Linha’ ou ‘The End of the Line’, da Polícia Federal, ecoa no exterior com fotos do mais célebre dos muitos criminosos que se esconderam no Brasil, Ronald Biggs.


O correspondente da BBC, Gary Duffy, escreveu que ‘o Brasil quer mudar sua imagem de destino promissor para os fugitivos da Justiça’, presente em Hollywood desde pelo menos ‘Notorious’ (1946) até ‘Inimigos Públicos’, agora. Abrindo a reportagem da AFP, o país está ‘cansado de sua imagem de santuário para criminosos’.


‘YOU LIE’


Repercutiu menos o discurso de Barack Obama, ontem no Congresso, do que a interrupção por um republicano, gritando ‘você mente’. Foi manchete on-line o dia todo, por Huffington Post, Drudge Report etc. Com alguma boa vontade, o site Politico arriscou que pode até ‘unificar os democratas’. Mas ontem mesmo o ataque já ganhou apoio de referências ultraconservadoras como o radialista Rush Limbaugh.


INTIMIDAÇÃO


O ‘Clarín’ destacou operação ‘intimidatória’ contra o próprio jornal, por ‘batalhão de inspetores’ do fisco argentino, após dar reportagem sobre o próprio fisco. Ressaltou a ‘grande repercussão’ por Brasil etc.


GOOGLE & JORNAIS


Deu no blog do Nieman Lab, de Harvard, e ecoou por toda parte que o Google avisou à Associação Americana de Jornais que se prepara para disponilizar uma ferramenta de micropagamentos on-line até meados de 2008.’


 


 


CAÇAS


Eliane Cantanhêde


Força Aérea atribui confusão a ‘precipitação’ da imprensa


‘O comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, afirmou ontem que toda confusão da semana foi por ‘uma precipitação’ da imprensa, porque o processo de seleção dos caças que vão renovar a frota da FAB continua e em nenhum minuto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse o contrário.


FOLHA – O favorito no FX [programa de renovação da frota de caças iniciado no governo FHC] acabou sendo o Gripen sueco. Por que não manter isso?


SAITO – Naquela época, concorreram o Sukhoi, o Mig, o F-16, o Gripen e o Mirage 2000-5 e, com esses concorrentes, o Gripen C e D recebeu uma boa colocação, sim. Agora, é um outro certame. Quem concorre é um outro Gripen, o NG, um avião ainda em desenvolvimento, o F-18 Super Honet, muito mais moderno, e o Rafale, que não é o Mirage, é um outro avião.


FOLHA – Por que o Sukhoi russo foi excluído?


SAITO – Não atendeu, por exemplo, o requisito de transferência de tecnologia.


FOLHA – Se o Sukhoi foi descartado porque os russos não transferiam tecnologia, conclui-se que todos os três transferem. Por que o governo diz que o Rafale é preferido por isso?


SAITO – Em que grau, eu não sei, mas todos os três transferem tecnologia.


FOLHA – O que significa transferência de tecnologia nessa área?


SAITO – Há várias áreas e vários graus de transferência de tecnologia e, numa determinada área, eu quero me capacitar ao ponto de ficar autônomo. No AMX, nos anos 80, que foi um consórcio Brasil-Itália, coube à Embraer uma participação importante na fabricação de componentes. Foi com esse conhecimento que a Embraer conseguiu evoluir para fabricar todos esses aviões que estão aí.


FOLHA – Há uma gradação nessa transferência de tecnologia?


SAITO – Pode haver uma parte muito sensível, e que o país diga assim: ‘Olha, eu cedo tecnologia nessa parte daqui, mas nessa outra, não’. O avião é uma plataforma importante, mas o que vai nela é muito mais importante. Você tem de considerar o sistema de armas.


FOLHA – Quando afunila em três concorrentes, qual o peso do requisito preço?


SAITO – Lembre-se de que se trata de um produto de segurança e cada item tem seu peso específico. Você sabia que esse processo tem mais de 26 mil páginas? Há ofertas, contraofertas, e tudo está assinado.


FOLHA – Vocês falam em cinco aspectos da seleção, como os operacionais e a transferência de tecnologia. E o político?


SAITO – Fazemos uma análise técnico-comercial, mas isso tudo vai para o governo, que é quem analisará a parte estratégica, qual o país melhor… Sei lá. O governo tem uma estratégia que nós não conhecemos. A decisão final é dele.


FOLHA – Por que tanta turbulência com o comunicado de que a preferência era pela França?


SAITO – Eu não recebi do presidente: ‘Saito, encerra o processo porque eu já escolhi’. Então, eu não sei por que tanto alarde. Quando me mostraram o comunicado, dizendo que tinha terminado, eu disse que não tinha entendido assim, não.


FOLHA – Foi uma surpresa?


SAITO – O que foi uma surpresa foram as manchetes dos jornais, porque, na minha interpretação, o comunicado conjunto não era para terminar e escolher um.


FOLHA – O comunicado explicitou que a aliança com a França englobava a área aeronáutica e usou o verbo ‘decidir’ para anunciar o início de negociações para a aquisição dos Rafale. Não é claríssimo?


SAITO – Quando o comunicado fala em ‘aeronáutica’, isso abrange vários setores, inclusive helicópteros, cuja compra já estava decidida..


FOLHA – Por que o governo manifestou preferência pelo Rafale?


SAITO – Não digo que é um indicador, mas foram eles que ofereceram transferência de tecnologia dos submarinos, ofereceram fazer o helicóptero aqui na Helibras.


FOLHA – Todo mundo acha que houve essa confusão toda, mas vai acabar dando o Rafale. Vai?


SAITO – Eu não sei. Pode até ser.’


 


 


TECNOLOGIA


Folha de S. Paulo


Motorola adota plataforma do Google em celular


‘A Motorola apresentou ontem, durante conferência em San Francisco (EUA), seu primeiro ‘smartphone’ equipado com o sistema operacional para celulares criado pelo Google, o Android. Os principais concorrentes devem ser o popular iPhone, da Apple, e os aparelhos Blackberry, da RIM.


Nos EUA o aparelho será chamado de Cliq e contará com tela sensível ao toque. A proposta é investir em conectividade e integrar dados de redes sociais e e-mails em uma interface simples.


O aparelho deve estar disponível no mercado americano no fim do ano. O preço não foi divulgado.’


 


 


TELEVISÃO


Daniel Castro


Rede TV! negocia reality show com ‘dr. Hollywood’


‘A Rede TV! negocia com o cirurgião plástico Robert Rey uma temporada do reality show ‘Dr. 90210’ (aqui batizado de ‘Dr. Hollywood’) com pacientes brasileiros.


Rey nasceu no Brasil, mas cresceu e foi educado nos Estados Unidos. Seu programa, gravado em Los Angeles, mostra as transformações de pessoas submetidas a tratamentos estéticos radicais.


Rede TV! e Robert Rey já chegaram a acertar a gravação do programa no Brasil. Mas a emissora consultou o Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) e descobriu que teria problemas.


Primeiro, Rey não pode fazer cirurgias no país, porque sua formação acadêmica é americana. Segundo, porque o órgão considera antiético médicos se promoverem em programas como ‘Dr. Hollywood’ e exporem pacientes na TV.


Ambas as partes retomaram agora uma nova negociação. Trabalham para gravar nos EUA uma edição brasileira de 13 episódios de ‘Dr. Hollywood’. A Rede TV! estuda levar pacientes do Brasil para a Califórnia, mas, para reduzir custos, poderá arregimentar brasileiros que vivem nos EUA.


‘Dr. Hollywood’, que a Rede TV! exibe aos domingos, é uma das maiores audiências da emissora. São edições com pacientes americanos, produzidas para a TV dos EUA.


Rey, apesar de falar português com sotaque americano, também quer apresentar um talk show no Brasil. Além da Rede TV!, ele chegou a tentar negociação com a Band.


VALORIZADO 1


O humorista Marcelo Adnet, da MTV, está sendo assediado pela Globo e pela Band. A Globo o quer para um quadro no ‘Fantástico’ e para o ‘Zorra Total’. A Band sonha com Adnet no elenco de ‘La Liga’, programa da mesma produtora de ‘CQC’, que prepara para 2009.


VALORIZADO 2


O contrato de Adnet com a MTV vence em dezembro. As negociações pela renovação já começaram. Neste ano, ele será apresentador do ‘Video Music Brasil’, o principal programa-evento da emissora..


SEXO


Parte da cúpula da Globo gostou de ‘Amor e Sexo’, que Fernanda Lima está apresentando às sextas. Quer nova temporada em 2010.


PARAÍSO 1


A Band negocia a compra dos direitos da minissérie colombiana ‘Sin Tetas no Hay Paraiso’, que se projeta como uma nova ‘Betty, a Feia’ -fez sucesso em vários países.


PARAÍSO 2


Para viabilizar a produção no Brasil, a Band pretende realizar 60 capítulos de ‘Sin Tetas’ -sobre uma jovem que sonha implantar silicone nos seios e se prostitui para traficantes.


EXAGERO


Otávio Mesquita, ao tentar conectar a câmera de seu PC no Twitter, acabou acionando o sistema de segurança de sua casa, em São Paulo. Pela rede social, relatou que sua mulher ficou trancada no quarto. Na verdade, a trapalhada apenas acionou alarmes e vigias.’


 


 


Andrea Murta


Documentário retrata a impostora do 11/9


‘Tania Head se tornou nos primeiros anos após o 11 de Setembro a mais célebre sobrevivente do ataque às Torres Gêmeas. Sua história de superação e perda -enquanto ela fugia, ferida, do 78º andar da torre sul, o noivo, David, morria na torre norte- chegou a milhares de pessoas no mundo todo.


Em pouco tempo, ela se tornou presidente da associação de sobreviventes. Chegou a ser recebida por políticos de primeira grandeza dos EUA. Só em 2006 a verdade veio à tona.


Tania Head nunca existiu.


A mulher loira, baixinha e gordinha que causou tanta compaixão e admiração no país se chama, na verdade, Alicia Esteves Head. É espanhola e nem sequer estava em Nova York quando o World Trade Center foi destruído. A família do suposto noivo jamais ouvira falar dela. Os e-mails semanais que enviava a outros sobreviventes narrando a luta para livrar-se do trauma eram fantasia.


A saga de uma das mentiras mais bem contadas da última década será exibida hoje às 21h pelo canal pago GNT, na estreia do documentário ‘A Impostora do 11/9’. Uma mistura de imagens de arquivo, entrevistas e depoimentos de sobreviventes (verdadeiros), o filme trabalha bem com elementos de tensão e emoção, e não só pela sensibilidade do tema ou pelos contos reais de heroísmo.


Repúdio e gratidão


Gerry Bogacz, cofundador da Rede de Sobreviventes, foi uma das pessoas tocadas por Tania.


Ele trabalhava no 82º andar da torre norte e diz no documentário ter compartilhado vários desabafos com a impostora.


Bogacz conta ter percebido, ao longo do tempo, discrepâncias em seus relatos. Algumas vezes, ela dizia que era noiva; outras, casada. Ao descobrir que o bombeiro voluntário Welles Crowther, que morreu nos ataques, salvou diversas pessoas, Tania incorporou a presença dele em sua história.


Ainda assim, Bogacz -como outros- só mudou de posição quando o ‘New York Times’ finalmente publicou uma reportagem questionando a veracidade da experiência dela, em setembro de 2006.


Mesmo depois de saber a verdade, muitos mantiveram dose de gratidão, como a sobrevivente Carrie Sullivan. ‘Ela fez muitas coisas boas por nós. É é difícil descartar tudo isso’, diz.


Tania colaborou de verdade.


Não só doou dinheiro como transformou o grupo de sobreviventes em uma organização oficial. Obteve financiamento do governo. Conseguiu permissão para a primeira visita de sobreviventes ao marco zero, em 2003. Foi guia voluntária do local -os primeiros a ouvi-la foram o prefeito Michael Bloomberg e o ex-prefeito Rudolph Giuliani, durante inauguração do memorial pelas vítimas.


Alicia deixou os holofotes sem nunca se explicar. Como jamais lucrou financeiramente, seu comportamento nos EUA não foi criminoso. Acredita-se que ela tenha deixado o país.


Algum tempo depois, segundo o documentário, os sobreviventes reais receberam um e-mail que dizia que ela havia cometido suicídio. Mas, a esta altura, ninguém sabe mais no que acreditar.


A IMPOSTORA DO 11/9


Direção: James Cruemel


Quando: hoje, às 21h, no GNT


Classificação: livre’


 


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Sexta-feira, 11 de setembro de 2009 


 


ARGENTINA


Ariel Palacios


Fiscais da Receita argentina fazem buscas na sede do ‘Clarín’


‘Numa nova ofensiva do governo de Cristina Kirchner contra o Clarín, maior grupo privado de comunicação da Argentina, dezenas de fiscais da Administração Federal de Ingressos Públicos (Afip), o Fisco argentino, fizeram buscas ontem na sede dos jornais Clarín, Olé e La Razón e outras empresas que fazem parte do conglomerado por uma hora. Foram apreendidos documentos e livros contábeis. Um dos fiscais alegou que operação era de rotina, ‘com o objetivo de investigar a situação trabalhista e fiscal da empresa’.


Segundo o site do jornal Clarín, ‘um batalhão de 180 a 200 inspetores’ da Afip chegou ao edifício da empresa no meio da tarde e 50 fiscais foram enviados a outras empresas do grupo. A ‘manobra pretende amordaçar o diário’, disse ao Estado o diretor-geral do Clarín, Ricardo Kirschbaum.


‘Nunca houve uma operação de intimidação como essa nos 36 anos em que estou no jornal’, disse Kirschbaum. ‘Os inspetores também foram à casa dos gerentes do grupo. Há um clima de intimidação na redação.’ Segundo Kirschbaum, os fiscais entrevistaram cada um dos funcionários presente ‘para ver suas condições de legalidade’.


A operação marca o ponto mais alto das tensões entre o Clarín e o governo de Cristina. A presidente tenta aprovar às pressas no Congresso uma nova lei de radiodifusão que contraria interesses comerciais do Clarín e de outros grupos privados. O projeto do governo reserva apenas 33% dos canais de TV argentinos às empresas privadas. Os outros dois terços seriam divididos entre o poder público, ONGs, igrejas, universidades e sindicatos.


A operação dos fiscais da Receita coincide com a publicação, na edição de ontem do Clarín, de uma reportagem que revelaria a ‘concessão de um subsídio irregular de mais de 10 milhões de pesos (US$ 2,6 milhões) do Escritório Nacional de Controle de Qualidade Agropecuária (Oncca), órgão subordinado à Receita, a uma empresa agropecuária sem registro’. Segundo o jornal, a Oncca concedeu uma licença provisória à empresa após a liberação dos subsídios.


Ao jornal concorrente La Nación, Kirschbaum disse ter recebido um telefonema do diretor da Receita, Ricardo Echegaray, durante a operação. Segundo ele, o chefe dos fiscais ‘disse que não sabia’ (da operação). Echegaray teria dito ainda que ‘há uma investigação contra dois dos supostos fiscais responsáveis’ pela ação no grupo. Em seguida, Echegaray enviou uma carta de desculpas ao jornal.


O repórter do Clarín Daniel Santoro lembrou que a ação foi desencadeada depois que o jornalista Claudio Díaz, que trabalhou na redação do diário argentino até abril, publicou uma carta aberta denunciando o Clarín por subempregar muitos de seus trabalhadores, sonegando obrigações trabalhistas.


A Associação de Entidades Jornalísticas Argentinas, que representa os donos das empresas jornalísticas, repudiou a blitz e sustentou que as desculpas de Echegaray – homem de confiança do casal Kirchner – não são suficientes para ‘dissipar o sabor amargo da suspeita de perseguição’ contra o Clarín.


CONFLITO


Desde que chegaram ao poder, em 2003, Néstor e Cristina Kirchner mantiveram a relação mais tensa entre o Poder Executivo e a imprensa desde o fim da ditadura, em 1983. O casal, que costuma evitar o contato com jornalistas, não aceita as críticas dos jornais e, com frequência, afirma que os meios de comunicação são ‘golpistas’. A própria presidente disse, dias atrás: ‘Sou vítima de um fuzilamento midiático.’


Desde 2008, quando o governo entrou em conflito com os produtores ruralistas, os Kirchners acusam os meios de comunicação – principalmente o Clarín e seu canal da notícias por TV a cabo Todo Notícias – de ‘desestabilizar’ o governo.


Organismos de defesa da liberdade de imprensa afirmam que vários jornais, TVs e rádios foram comprados nos últimos anos por empresários sem tradição na área de mídia. Mas todos tinham em comum o fato de serem amigos dos Kirchners.


Associações de jornalistas denunciaram nos últimos anos intensas pressões do governo aos profissionais da mídia, grampos telefônicos e ameaças diversas. Nas últimas duas semanas, escritórios do jornal Clarín foram atacados com pichações de militantes governistas. Enquanto foi presidente, Kirchner nunca deu uma entrevista coletiva. Sua mulher, Cristina, só aceitou entrevistas exclusivas com meios de comunicação aliados do governo.


Ela também não veicula publicidade oficial nos jornais críticos. Mas os empresários amigos conseguem farta publicidade do governo. É o caso de Rudy Ulloa, magnata da mídia no sul do país que lançou a revista Atitude, que na capa ostenta polêmico slogan: ‘Uma revista que não é independente.’


Colaborou João Paulo Charleaux’


 


 


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Ação leva tensão a jornalistas do grupo


‘A grande concentração de fiscais do Fisco argentino na frente da sede do grupo jornalístico Clarín, que edita o principal jornal do país, causou tensão e indignação entre funcionários da empresa.


‘Desde a volta à democracia, nunca vi uma ação parecida’, afirmou Hermenegildo Sábat, de 76 anos, um dos mais respeitados e conhecidos caricaturistas da Argentina. ‘Nem durante a ditadura (de 1976 a 1983) houve uma fiscalização tão ostensiva e tão intimidatória.’


Segundo os jornalistas da redação do Clarín, os cerca de 200 agentes da Receita foram chegando a pé e aos poucos até o edifício do jornal. ‘Acredito que nem todos são fiscais’, disse ao Estado a colunista de economia Silvia Naishtat. ‘Muitos vieram até aqui apenas para dar volume à operação, impressionar e intimidar.’


‘Negamos que se trate de alguma espécie de campanha de intimidação’, disse um dos fiscais que participavam da operação da Receita, assegurando de que se tratava de um ‘procedimento normal’.


Segundo a fonte, os fiscais foram enviados à sede do Clarín porque teriam sido detectadas ‘inconsistências’ em suas declarações de renda.


GARANTIA


Ainda de acordo com a fonte, o grande número de agentes era necessário para que fosse possível entrevistar cada um dos funcionários responsáveis pela declaração de impostos do grupo.


O editor-geral adjunto do jornal, Ricardo Roa, disse que o grupo recebeu a garantia do diretor da Receita, Ricardo Echegaray, de que nenhuma operação específica havia sido autorizada, quase todos os homens da Receita foram autorizados a entrar no setor de contabilidade da empresa . Por cerca de uma hora, os fiscais reviraram e levaram livros contábeis e conversaram com funcionários do setor. A princípio, segundo o grupo, nenhuma irregularidade ou autuação foi relatada.


IMITAÇÃO


‘A verdade é que os Kirchners estão ficando muito parecidos com (o presidente venezuelano, Hugo) Chávez’, declarou Roa, referindo-se ao contínuo assédio do líder bolivariano aos meios de comunicação de seu país. ‘Num caso como esse, a comparação com Chávez é inevitável.’


Roa afirma que o normal nesse tipo de operação é a participação de quatro a seis agentes. Nunca 200.


‘Eu não sei como nem quando isso vai terminar’, declarou o caricaturista Sábat, que no ano passado, no auge do confronto entre a presidente Cristina Kirchner e líderes ruralistas, foi chamado de ‘semimafioso’ pela líder.


‘O problema é que esse pessoal é pragmático’, prossegue Sábat. ‘Fico preocupado não por mim, mas por minha mulher, filhos e netos.’’


 


 


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Kirchners tentam aprovar lei com restrições à mídia


‘A presidente argentina, Cristina Kirchner, está mobilizando seus aliados na Câmara dos Deputados para apressar a votação do polêmico projeto de lei de radiodifusão, enquanto o governo ainda conta com uma frágil maioria no Parlamento. A oposição faz o possível para adiar a votação para depois de 10 de dezembro, quando os novos membros do Congresso assumirão, acabando com a atual maioria governista.


Ontem, em desafio ao governo, o vice-presidente Julio Cobos reuniu-se com líderes da oposição para definir uma posição comum sobre o polêmico projeto de lei. Opositores acusam a presidente de tentar aprovar um projeto de lei autoritário, pois determina a mais intensa intervenção do Estado argentino na mídia desde o fim da ditadura militar, em 1983. A presidente responde dizendo que a nova lei significa o ‘fim dos monopólios’ e a ‘democratização’ dos meios de comunicação.


A oposição pretendia promover sete audiências públicas em todo o país em dois meses. Mas o governo impôs seu cronograma e realizou apenas uma audiência, na terça-feira.


Uma senadora peronista que pediu para não ser identificada disse ao Estado que o governo está fazendo o possível para votar a nova lei entre o fim deste mês e o início de outubro. Segundo ela, a presidente precisa da lei para neutralizar meios de comunicação críticos à sua gestão e favorecer empresas aliadas.


A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) disse que projeto argentino ‘introduz cláusulas contrárias à liberdade de imprensa’.


A nova lei é resultado dos atritos entre o governo e o principal grupo privado de comunicação da Argentina, o Clarín, com o qual o ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007) e sua mulher, Cristina, tiveram forte aliança entre 2003 e 2008.


A aliança acabou no início do ano passado, quando surgiu o conflito do governo com os ruralistas. Na ocasião, o Clarín passou para a oposição.


O projeto de lei complica a situação dos atuais grupos privados que dominam o mercado atualmente, mas favorece as empresas telefônicas – com as quais os Kirchners possuem boas relações. Telefônica e Telecom poderão entrar com força no mercado.


O deputado Claudio Lozano, do esquerdista Projeto Sur, declarou-se perplexo: ‘Isso abre as portas às empresas de telefonia. O Grupo Clarín fatura US$ 1,48 bilhão, mas a Telecom fatura US$ 4,55 bilhões.’


O projeto também favorece os sindicatos, majoritariamente vinculados ao governo e as organizações sociais, que também estão na órbita de influência dos Kirchners.


Analistas chamam a atenção para a cláusula que permite que a Igreja Católica possa contar com canais de TV e rádio sem necessidade de passar por concorrência pública. Segundo eles, trata-se de uma manobra para restabelecer as estremecidas relações dos Kirchners com o Vaticano e, assim, neutralizar um dos muitos setores críticos ao governo.


BOLIVARIANOS


Mariano Ure, professor de Instituto de Comunicação Social (ICOS) da Universidade Católica Argentina (UCA), especializado em Ética na Comunicação, disse que há ‘crescente semelhança’ entre os Kirchners e o presidente venezuelano, Hugo Chávez, no relacionamento com os meios de comunicação.’


 


 


Ruth Costas


Ameaças à liberdade de expressão espalham-se pela América Latina


‘Nos últimos anos, as ameaças à imprensa disseminaram-se pela América Latina seguindo um modelo que, segundo analistas, parece ter sido criado pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, e copiado por Bolívia, Equador e Nicarágua, além da Argentina. Entre os novos métodos de censura estão ações judiciais e administrativas contra jornais, rádios e TVs, multas, novas leis e a não renovação ou interrupção de concessões.


Chávez declarou guerra à imprensa em 2002, quando algumas emissoras apoiaram um golpe contra seu governo. Em 2007, ele rejeitou renovar a concessão da maior televisão do país, a RCTV, e agora ameaça fechar a TV Globovisión e mais de 200 rádios. Além disso, seus aliados costumam atacar jornalistas críticos ao governo.


O presidente equatoriano, Rafael Correa, também ameaça tomar controle de rádios e TVs alegando irregularidades em suas concessões. No mês passado, ele qualificou a imprensa como o ‘maior adversário’ de seu governo.


Uma retórica semelhante é adotada pelo nicaraguense Daniel Ortega, que ontem mesmo conclamou seus aliados a ‘lutar’ contra meios opositores: ‘Eles servem de caixa de ressonância para os inimigos do nosso projeto popular.’


Na Bolívia, os ataques à imprensa privada vêm acompanhados de um esforço para expandir os meios oficiais. Evo Morales abriu 250 novas rádios e reaparelhou a TV estatal. Mas ameaçou nacionalizar o maior jornal do país, o La Razón, e está processando o La Prensa.


Já no Brasil, preocupam os grupos de defesa da liberdade de expressão os processos judiciais para barrar informações de interesse público – como a ação que censurou o Estado a pedido de Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney.


CERCO À IMPRENSA


Venezuela – A RCTV foi tirada do ar em 2007. Chávez ameaça outra TV e mais de 200 rádios


Nicarágua – Ortega lidera ‘batalha’ a meios opositores


Equador – Correa processa e ameaça fechar rádios e TVs


Bolívia – Meios opositores são atacados e processados


Brasil – Preocupam casos em que juízes fazem censura prévia’


 


 


***


Blogueiros cubanos também estão sob ameaça


‘Há seis anos, quando foram presos em Cuba 75 jornalistas e opositores, era difícil imaginar que novas vozes independentes pudessem desafiar o governo da ilha. Por isso, impressiona a vibrante cultura de blogueiros que surgiu no país. Segundo um relatório divulgado ontem pelo Comitê de Proteção aos Jornalistas (CPJ) em Nova York, há hoje pelo menos 25 blogs independentes transmitindo notícias de Cuba. Outros 75 tem um enfoque mais pessoal.


O argentino Carlos Lauria, autor do documento, porém, faz um alerta: ‘Ainda estão na prisão jornalistas presos em 2003. Então, não dá para descartar que também haja uma investida contra os blogueiros’, disse Lauria ao Estado. ‘Alguns, de fato, já foram chamados para prestar depoimento.’


Os blogueiros não se intimidam e divulgam seus nomes e sobrenomes. Ontem, dezenas participaram do primeiro concurso de blogs cubanos, em Havana.. Segundo o relatório do CPJ, o fato de o governo não ter fechado o cerco contra os blogs, como fez com os jornalistas há seis anos, é atribuído a três fatores.


Primeiro, uma parcela pequena da população tem acesso à internet e a repercussão dos blogs é maior fora do que dentro da ilha. Segundo, por serem mais velhos, as autoridades locais ‘não entendem’ o fenômeno.. Por fim, há o fato de os blogs evitarem a confrontação política aberta, tratando mais de problemas sociais e econômicos. ‘Anos de doutrinamento ideológico provocaram uma aversão à política nas gerações mais jovens’, diz Lauria.’


 


 


POLÍTICA


Leandro cólon


Sarney defende internet sem limitações


‘O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), defendeu ontem a liberdade na internet em 2010. ‘É uma tecnologia que veio para ficar e é impossível estabelecer qualquer controle. A concepção de rede significa que não tem um centro gerador. Cada um vai agregando, a rede vai se expandindo e não temos como controlá-la’, afirmou. ‘Eu acho que nem se deve estabelecer normas nesse sentido porque, na realidade, são normas que não vão ter nenhuma condição de fiscalização.’


Em 2006, Sarney processou o blog da jornalista Alcinéia Cavalcante, no Amapá. A ação foi assinada pelo advogado Fernando Aquino, funcionário do Senado.


O Tribunal Regional Eleitoral do Amapá acolheu o pedido e impôs multa de R$ 21 mil, derrubada depois no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).’


 


 


Andrei Netto, Ariel Palacios e Patricia Campos Mello


Estados Unidos, França e Argentina têm menos barreiras na web


‘França, Estados Unidos e Argentina adotam posições diferentes sobre o uso da internet em campanhas eleitorais, mas os três países têm menos restrições se comparado ao Brasil.


Nos EUA, por exemplo, é permitida propaganda em sites de notícias, desde que seja revelada a identidade de quem pagou pelo anúncio. Os anunciantes americanos estão sujeitos a limites de contribuição aos partidos e candidatos. Os recursos usados pelos políticos para propaganda online estão sujeitos à Lei Federal de Campanhas. A mesma regra é aplicada para emissoras de TV e jornais impressos. A grande maioria da internet, porém, fica sob proteção da primeira emenda da Constituição, sobre liberdade de expressão.


Desde 2001, o Fórum de Direitos na Internet e a Comissão Nacional Informática e Liberdade, da França, elaboram diretrizes sobre o ‘bom uso’ da web pelos candidatos. As regras, no entanto, não são obrigatórias. Os partidos políticos são convidados a seguir orientações que, respeitando a liberdade de expressão, criam uma espécie de ‘código de ética’ na rede mundial de computadores.


SEM CONTROLE


Na vizinha Argentina, a internet ainda é ‘território livre’ e as campanhas políticas praticamente não possuem restrições. O fenômeno da web não é contemplado pela lei eleitoral do país, elaborada nos últimos meses da ditadura militar.


O diretor eleitoral de Buenos Aires, Julián Curi, disse ao Estado que as regulamentações na mídia sobre a publicação de pesquisas ou propaganda eleitoral valem somente para rádio, TV e jornais.’


 


 


Clarissa Oliveira


Na TV, Marina testa estratégia para 2010


‘O PV utilizou todo o seu programa partidário no rádio e na televisão para divulgar a biografia da senadora Marina Silva (AC), que se filiou à sigla no mês passado e deverá disputar o Palácio do Planalto no ano que vem. Nos dez minutos do filme, que foi ao ar ontem à noite, Marina já colocou em prática a estratégia desenhada pela cúpula do PV para o ano que vem, de estender o discurso ambiental para outros setores.


‘Desenvolvimento sustentável não é só floresta, não é só biodiversidade’, disse a senadora no filme, ao defender o ‘socioambientalismo’. Na fala, ela tratou até mesmo de comércio exterior. ‘As pessoas devem preferir nossos produtos porque eles foram feitos respeitando o meio ambiente, a legislação trabalhista e a segurança alimentar.’ Outros líderes do PV nem sequer tiveram espaço no vídeo, a não ser nas reproduções dos discursos que fizeram na festa da filiação de Marina, em São Paulo.


O partido não criticou diretamente o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nem abordou divergências entre a senadora e a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, mas deixou claro que a saída de Marina do governo não foi pacífica. ‘Em 2008, Marina deixou o Ministério do Meio Ambiente para garantir as conquistas que tinha feito, dizendo: perco a cabeça, mas não perco o juízo.’ O filme não menciona a candidatura ao Planalto em 2010, mas destaca o desempenho de Marina na disputa do Senado.. ‘Comecei a campanha com 3%. No final, fui a senadora mais votada.’’


 


 


ESTADÃO SOB CENSURA


Fausto Macedo


‘Censura é para Estado totalitário’, afirma Dipp


‘‘Censura é para Estado totalitário’, declarou ontem o corregedor nacional da Justiça, ministro Gilson Dipp, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Pouco antes de ser condecorado em solenidade no Tribunal Regional do Trabalho da 2.ª Região, em São Paulo, Dipp asseverou ‘conceitualmente’ que toda censura ‘é absolutamente inconstitucional e vai contra todos os princípios democráticos de uma nação que se diz protetora dos direitos e garantias individuais e das liberdades públicas’.


O Estado atravessa longo período de censura – desde 31 de julho, quando o desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, proibiu o jornal de publicar dados sobre a Operação Boi Barrica, da Polícia Federal, que envolve o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).


Dipp está examinando explicações do desembargador, que nega ser suspeito embora tenha relações de convívio social com os Sarney. ‘Sou partidário de que, mesmo nos processos penais, o sigilo só deve ser decretado naqueles casos expressamente definidos pela Constituição. Nada além disso, o resto é público.’


Para o corregedor, a demanda no TJ-DF já deveria ter sido julgada. ‘Sob o aspecto de que cada dia que passa é um dia em que a liberdade de imprensa está sendo tolhida já deveria ter sido prolatada a decisão.’


Dipp revelou que há cerca de 15 dias telefonou para a presidência do TJ e transmitiu recado do ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal. ‘Gilmar avalia que essa é uma matéria muito sensível e deve ser apreciada com certa preferência.’


O corregedor considera que a censura ao Estado ‘é uma questão muito delicada’. Mas ele ressalvou: ‘O CNJ tem que ter muito cuidado na análise do caso porque uma das alegações que se fez, quando da sua criação, é que poderia interferir na independência e na autonomia dos juízes em decisões jurisdicionais. E isso não queremos, em hipótese alguma.’


Sobre o levantamento da Associação Nacional de Jornais (ANJ), que apurou 12 decisões judiciais de censura a veículos de comunicação nos últimos dois anos, o corregedor observou. ‘Há outros mecanismos e salvaguarda dos direitos à intimidade e ao sigilo que não a intervenção judicial. Reafirmo que estamos numa democracia ainda incipiente. Se nós não tratarmos esses assuntos com muito cuidado a democracia poderá sofrer abalos. Temos que ocupar dignamente os nossos espaços, porque outros podem ocupá-los por nós.’


***


Liminar do Tribunal de Justiça do DF em ação movida por Fernando Sarney proíbe o jornal de publicar dados sobre a investigação da PF acerca de negócios do empresário, evitando assim que o ‘Estado’ divulgue reportagens já apuradas sobre o caso’


 


 


ISRAEL


Mídia critica Bibi por visita secreta à Rússia


‘O premiê israelense, Binyamin ‘Bibi’ Netanyahu, atraiu ontem as críticas dos mais influentes jornais israelenses pela tentativa de seu governo de encobrir um viagem à Rússia. Seus assessores afirmaram que ele havia visitado na segunda-feira uma instalação de segurança em Israel. Mas o jornal Yedioth Ahronot afirmou que ele foi à Rússia tentar dissuadir o governo de fornecer mísseis ao Irã.’


 


 


NA REDE


Ubiratan Brasil


Andrew Keen combate amadorismo da internet


‘Cansado das infinitas bobagens que inundavam a tela de seu computador, o inglês Andrew Keen atacou a rede mundial pelas vias tradicionais: escreveu o livro O Culto do Amador (Jorge Zahar), no qual prega que a internet piora a qualidade da informação e ameaça a cultura. A resposta raivosa veio principalmente em blogs, ainda que uma crítica elogiosa do The New York Times ajudou a salvá-lo da total crucificação e, de quebra, a transformá-lo no líder contemporâneo entre os críticos da internet. ‘Não gosto dessa posição’, disse ele ao Estado, por e-mail. ‘Há outros nomes importantes como Susan Greenberg, professora de neurociência da Universidade de Oxford; e John Freeman, editor da revista Granta e autor de um livro que está por sair, Tyranny of E-Mail (Tirania do E-Mail).


Keen deverá dar mais explicações como essa na tarde de hoje, quando, às 17 horas, vai participar com Caio Túlio Costa do debate Banalização da Cultura na Era da Rede Global, no espaço Café Literário da Bienal do Rio – na segunda-feira, ele estará presente em outro encontro, agora em São Paulo, às 19h30, na Livraria da Vila da Alameda Lorena. ‘Juntos, formamos o grupo crítico contra a ideologia de tecno-utópicos como Lawrence Lessig e Chris Anderson.’


O pesquisador inglês não se indispõe contra a tecnologia em si, mas contra a chamada web 2.0, baseada no conteúdo feito por usuários, seja em blogs ou em sites, como YouTube e Wikipédia. ‘Gosto da irreverência e da energia encontradas na web e, subversivo como sou, adoro acompanhar o espetáculo da insubordinação’, reconhece. ‘Mas, as pessoas que me apoiam (professores, bibliotecários, pais), também reconhecem o malefício aos jovens com a desaparição de culturas intermediárias e com o domínio de portais de informação rasa como Wikipédia.’


Keen reconhece a impossibilidade do cotidiano viver sem internet, especialmente por serviços prestados como o comércio eletrônico e a livre divulgação de informações. Ele ressalta, no entanto, o perigo do nivelamento por baixo que hoje condiciona a cultura, o que também ocorre em outros meios de comunicação. ‘O maior problema é essa aceitação do culto amadorístico a programas de TV como o lixo de reality shows, e outros tipos semelhantes que também invadem o rádio’, afirma. ‘Os meios de comunicação de massa perderam, infelizmente, seu rigor diante da radical democratização da cultura. E, ao acontecer isso, seria também uma ameaça à nossa própria existência.’


O autor de O Culto do Amador acredita ainda que o crescente interesse por novas tecnologias de comunicação é um dos fatores que explicaria a queda de vendagem de jornais e revistas. ‘As pessoas não leem mais porque estão usando cada vez mais a web’, observa. ‘Mas há também razões culturais para explicar essa queda de leitura: o desinteresse contemporâneo pelo mundo exterior, uma vez que predomina a cultura do narcisismo aliada a uma crescente preguiça mental.’


Indagado sobre que tipo de líderes poderão emergir em uma sociedade dominada pela internet, Andrew Keen foi irônico: ‘Pessoas como eu, especializadas na autopromoção.’’


 


 


TELEVISÃO


Keila Jimenez


Vem aí Toda Terça


‘Não deu certo o Toda Sexta? Vem aí o Toda Terça. Preocupada com a fraca audiência da atração de Adriane Galisteu, a Band planeja para outubro uma mudança geral no programa, começando pelo dia de exibição, que deixará ser às sextas-feiras à noite, para ganhar as noites de terça-feira. Para tanto, a rede já registrou o título Toda Terça, que deve ser o novo nome da atração.


Desde que estreou, em abril deste ano, o Toda Sexta sofre para atingir a média de 2 pontos de audiência, o que complicou o formato também no âmbito comercial, uma vez que foi prometida aos anunciantes média na casa dos 5 pontos.


Boa parte da crise que afeta a atração é atribuída ao seu dia de exibição. A Band acredita que o público jovem de Adriane Galisteu não esteja em casa no hora em que o Toda Sexta vai ao ar.


O programa, que é ao vivo, também enfrenta dificuldades para levar atrações musicais e convidados famosos, pois a maioria dos artistas está viajando em turnês de espetáculos e shows nas noites de sexta.


Procurada, a Band, por meio de sua assessoria, diz que a reforma do Toda Sexta segue em estudo.’


 


 


Etienne Jacintho


Universal compra The Good Wife


‘O Universal Channel adquiriu a série The Good Wife, o novo drama de tribunal da rede americana CBS, com os atores Julianna Marguiles, de E.R., e Chris Noth, o Mr. Big de Sex and the City. Na série, Noth é um político que vai preso após um escândalo de corrupção e sexo. Sua mulher, papel de Julianna, tem de voltar ao trabalho de advogada para reconstruir sua reputação e sustentar seus dois filhos. The Good Wife é o segundo reforço do canal para novembro, que terá ainda Three Rivers, drama médico com foco em transplante de órgãos.’


 


 


 


 


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