Sábado, 25 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

ENTRE ASPAS > SEXTA-FEIRA, 20/1

BNDES anuncia patrocínios para cinema

Por Leticia Nunes em 20/01/2006 na edição 364

Nesta sexta-feira, Folha, Estadão e Globo noticiam o anúncio dos filmes selecionados para receber patrocínio do BNDES este ano. Dos mais de 200 projetos inscritos, apenas 18 foram selecionados. Ficaram de fora nomes como o do cineasta Paulo Thiago e o do produtor Luiz Carlos Barreto. As decisões do júri foram criticadas por uma parcela da indústria cinematográfica brasileira, que reclama da priorização de projetos ‘experimentais’ em detrimento dos de caráter mercadológico.


Longe da polêmica, um nome brasileiro ganha lugar de destaque no Bafta, maior premiação britânica de cinema. O Jardineiro Fiel, de Fernando Meirelles, é um dos recordistas de indicações, anunciadas ontem em Londres, como noticia o Globo.


De volta ao Brasil, o jornal carioca informa que Guilherme Fontes recebeu prazo até amanhã para entregar finalizado o filme Chatô à Ancine – caso contrário, o diretor, que começou a filmar em 1999, terá que devolver quantia milionária à Agência.


Leia abaixo os textos desta sexta-feira selecionados para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Sexta-feira, 20 de janeiro de 2006


 


MORDOMIAS NO CONGRESSO
Nelson Motta


Saudades de Justo Veríssimo


‘RIO DE JANEIRO – Radicalmente a favor do pagamento do jabá em dobro para (não) trabalhar nas convocações extraordinárias, o deputado baiano falou alto e grosso, com forte sotaque: ‘Não devolvo nem dou para ONG nem para caridade. Aqui na Câmara são 300 deputados que estão no vermelho’.


Falou claro. Ao se referir aos 300 colegas, o líder do PP, Mário Negromonte, nos lembrou dos 300 picaretas de Lula e dos 300 do baixo-clero de Severino. E, ao dizer que eles estavam ‘no vermelho’, a própria expressão revelava uma linguagem comercial, de lucros e perdas. Parecia mais um comerciante falando de um ponto. Parecia que os coitados eram obrigados a ser deputados, a carregar um fardo, condenados a deputar.


Mas afinal, em que tanto gastam? Será que vamos ter que ouvir que os pobres e nobres parlamentares gastam, do próprio bolso, tudo que ganham -e até mais do que isso, senão não estariam ‘no vermelho’- comprando dentaduras, remédios, cestas básicas, bolas de futebol, chinelos, camisetas e bonés para seus eleitores necessitados?


Nem Justo Veríssimo ousaria tanto. Mas o saudoso personagem de Chico Anísio, que tão exemplarmente representa a sordidez e o cinismo do arquetípico político brasileiro, pelo menos não mentia. E era muito mais engraçado.


Este é mais um bom motivo para maldizer esse pessoal: tantas eles fizeram, mentindo, trapaceando, legislando e conspirando em causa própria, sem qualquer respeito pela lei e pela opinião pública, que não temos mais Justo Veríssimo na TV para nos alegrar e divertir -ele foi superado pela realidade, perdeu a graça e saiu do ar.


Agora, eles estão furiosos, porque, sob pressão da opinião pública, tiveram que renunciar a alguns privilégios escabrosos. Culpam a imprensa, sentem-se perseguidos e exigem providências. Mas lhes faltam a ironia e a sinceridade de Justo Veríssimo.’


 


José Sarney


De recesso e de porquinhos de olhos verdes


‘O Congresso , numa operação relâmpago, derrubou o recesso de 90 dias e acabou com a ajuda de custo para as convocações extraordinárias, existente desde 1892.


O fim da ajuda de custo era necessário. Quando ela foi instituída, o recesso parlamentar era de quatro meses, passados nos Estados. Se fossem convocados, tinham despesas extras de longas viagens de navio e tudo mais. Agora, na época dos aviões, com deputados e senadores recebendo passagens, a ajuda de custo perdeu justificativa.


Quanto ao recesso parlamentar, é outra a história. A atividade parlamentar se exerce não só no Congresso Nacional mas também no trabalho constante com as bases eleitorais e no contato permanente com a sociedade, cada vez mais exigente na discussão e análise dos assuntos da pauta política, tão diversificada e controversa. E esse contato é essencial também para que o parlamentar conheça de perto as necessidades do povo e do Estado que representa.


Não devemos confundir recesso com férias nem comparar a atividade política com serviço público ou empresa privada. Na vida pública não há espaço para férias. Nos países saxônios há um costume de tirá-las, talvez necessárias nos longos invernos.


A imprensa, estranhando a grande pressa com que a matéria foi votada, começou a fazer uma indagação: a pressa do Congresso fora motivada pela opinião pública ou por pressão da mídia? As duas hipóteses são a mesma coisa. A justificação da imprensa, gozando dos direitos de liberdade que lhe são assegurados, foi idealizada por Jefferson ao sentir a necessidade de um contraponto à inviolabilidade de palavra dos parlamentares para assegurar ao povo uma tribuna livre para questionar os governos, exercer -como se diz hoje- um controle externo sobre os Poderes do Estado.


A imprensa jeffersoniana era um prelo de madeira que imprimia um pequeno jornal de um quarto de página. Hoje, a mídia, em sua globalidade, é o terceiro negócio do mundo, dispondo de instrumentos tecnológicos capazes de divulgar os fatos em tempo real. Assim, a opinião do povo se exerce pelos meios de comunicação, que ou expressam essa opinião ou formam a opinião. Dizia Joaquim Nabuco -e isso há cem anos- que ninguém tinha condições de se contrapor a uma contrária onda avassaladora. Hoje, então, nem falar.


O mundo mudou e temos que conviver com a nova força da imprensa, da sociedade civil organizada e da opinião pública apoiada num instrumental de comunicação incontrastável.


Mas não nos esqueçamos de que graças a esses avanços é que sabemos, encantados, que, na Coréia, alguns cientistas fizeram uns porquinhos fosforescentes e de olhos verdes. E também que o promotor Eron Santana, de Salvador, pediu um habeas corpus para Suíça, um chimpanzé fêmea, para que ela fosse libertada do zoológico. A argumentação foi muito consistente e científica: macaco tem raciocínio e, portanto, direito de ir e vir.


E, no meio de todo esse mundo caindo sobre sua cabeça, ainda pensa o Congresso em ter recesso e receber uns trocados. Nem pensar.’


 


IRAQUE
Folha de S. Paulo


Mãe de jornalista faz apelo a seqüestradores


‘Mary Beth Carroll, mãe de uma jornalista americana seqüestrada no Iraque, apelou ontem publicamente para que os captores soltem sua filha, Jill Carroll.


Carroll, 28, que trabalha para o jornal ‘Christian Science Monitor’, foi seqüestrada no último dia 7 de janeiro, e seus captores afirmaram, em uma fita de vídeo, que a matarão se os EUA não soltarem mulheres iraquianas que estão sob sua custódia militar.


‘Eu, o pai e a irmã dela [de Jill] estamos apelando diretamente aos seqüestradores para que soltem essa jovem que tem trabalhado duro para mostrar ao mundo o sofrimento dos iraquianos’, disse Mary Beth à rede de TV CNN.


A Casa Branca informou ontem que não está programada a libertação de nenhum prisioneiro.


Violência


Em Bagdá, dois ataques de insurgentes mataram 22 pessoas. No centro da cidade, uma patrulha policial foi atingida pela explosão de um carro-bomba estacionado na rua. E um homem-bomba se explodiu dentro de um café, na mesma região.


Eleições


O resultado final das eleições iraquianas devem ser divulgados hoje, embora uma comissão internacional tenha revelado a existência de fraudes no pleito.


A Missão Internacional para as Eleições Iraquianas, composta por dez países, recomendou mudanças nos próximos pleitos.’


 


DESIGN INTELIGENTE
Folha de S. Paulo


Jornal do Vaticano elogia decisão anticriacionismo


‘O diário ‘L’Osservatore Romano’, órgão oficial de imprensa do Vaticano, publicou artigo elogiando a decisão de um juiz americano proibindo o ensino do ‘design inteligente’ -teoria que diz que a vida foi projetada diretamente por uma inteligência superior. Segundo o jornal, cujos textos costumam refletir a opinião da Igreja Católica, promover a tese seria abdicar do estudo científico sobre os seres vivos.’


 


CINEMA BRASILEIRO
Folha de S. Paulo


BNDES investe R$ 22 milhões em cinema


‘O BNDES anunciou ontem os 18 filmes que receberão R$ 10 milhões do total de R$ 22 milhões que o banco investirá em cinema neste ano. O patrocínio é realizado por meio da Lei do Audiovisual, baseada em renúncia do Imposto de Renda.


Dos R$ 12 milhões restantes, R$ 10 milhões aplicam-se em Funcines (Fundos de Financiamento da Indústria Cinematográfica Nacional) e R$ 2 milhões destinam-se à construção da Sala BNDES Cinemateca, em São Paulo, e à reforma do Cine Olinda, em Pernambuco.


Uma comissão formada por cinco especialistas -os cineastas Aurélio Michilis, Emiliano Ribeiro e Rosemberg Cariry, a exibidora Adriana Rattes e o crítico de cinema José Geraldo Couto, da Folha-, além de dois representantes do BNDES (Isis Jurema da Silva Pagy e Mário Diamante) e um do MinC (Ministério da Cultura), Roberval Duarte, selecionou os vencedores, entre 223 projetos inscritos. A comissão definiu também o valor do prêmio de cada ganhador.


O BNDES convidou para a divulgação do resultado, em sua sede, no Rio de Janeiro, os vencedores e os maiores críticos da forma como foi realizado o concurso.


O produtor Luiz Carlos Barreto e o cineasta Paulo Thiago, que pertencem ao segundo grupo, compareceram à cerimônia. Ambos haviam sido recebidos pela diretoria do banco numa reunião, na sexta-feira passada.


Barreto e Thiago tinham projetos em disputa e já sabiam de sua derrota, porque não foram chamados à terceira e última etapa da seleção, que consistiu na defesa oral dos projetos. Era essa também a condição dos cineastas Daniel Filho e Anibal Massaini, presentes à mesma reunião.


A portas fechadas, o grupo expôs sem freios sua discordância com a composição do júri do concurso e com a tendência que anteviam de privilégio a projetos de perfil ‘experimental’, preterindo os ‘mercadológicos’.


O argumento repetido à diretoria do BNDES e já manifestado pelo grupo à imprensa é o de que um banco de desenvolvimento deve mirar o fortalecimento da indústria e, portanto, reforçar seus elos mais fortes, não as franjas da produção alternativa.


Barreto e Thiago repetiram ontem suas críticas, mas ouviram do BNDES o anúncio público de que um novo concurso será lançado ainda neste semestre.


‘Concordo que se deva financiar a inovação, mas isso só não basta’, diz Barreto. Já Paulo Thiago estranha a presença minoritária de cineastas veteranos entre os vencedores. ‘Não é possível que os diretores que estão filmando desde os anos 70 e 80, de repente, sejam considerados superados.’


Nos concursos anteriores do BNDES (desde 1995), Barreto e Thiago acumulam quatro vitórias cada um, somando a obtenção de R$ 1,5 milhão e R$ 1 milhão em patrocínio, respectivamente.


Representante do BNDES na comissão de seleção de projetos e assessor da presidência do banco na área de cultura, Mário Diamante diz que ‘eventualmente pode haver ajustes’ nas regras do próximo concurso, mas afirma que ‘o banco ficou muito satisfeito com o modelo atual’.


Segundo Diamante, a seleção dos 18 vencedores ‘aproximou a política de patrocínio à missão do banco, que é o desenvolvimento’. Ele afirma, exemplificando, que o prêmio dado às cineastas Tata Amaral e Carla Camurati (para finalização de filmes) é o empurrão que faltava para que eles estréiem nos cinemas, diz que, com a verba do BNDES, a cineasta Sandra Kogut completa 100% do orçamento de seu filme e afirma que vários projetos, como os de Hector Babenco e Laís Bodanzky, têm contratos de co-produção internacional assinados, o que indica sua viabilidade também nos mercados internacionais.


Camurati avaliou como ‘equilibrado’ o resultado. ‘É claro que, quando deixa um Nelson [Pereira dos Santos], um Barreto de fora, eles fazem falta. Mas, se no processo de seleção, você não vai revezando, há coisas importantíssimas que também não entram.’


‘Antigamente, nem inscrevíamos os projetos, porque não entendíamos os critérios’, disse o baiano Pola Ribeiro. ‘Agora já está havendo uma descentralização, ainda que pequena’, diz o cineasta, que tenta filmar desde 2003.’


 


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Verba de R$ 3 mi ainda não tem destino


‘O BNDES tem R$ 3 milhões para investir em cinema, mas ainda não sabe exatamente aonde. O dinheiro, parte dos R$ 22 milhões que o banco separou para o patrocínio da atividade cinematográfica, foi reservado à aplicação em Funcines (Fundos de Financiamento da Indústria Cinematográfica Nacional). Falta decidir a qual fundo o valor será destinado.


Atualmente, existem dois Funcines no país -um da BBDTVM (Banco do Brasil Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários) e outro da Rio Bravo, lançado em 30 de dezembro passado, no qual o BNDES responde pelo maior investimento inicial. O banco aplicou R$ 7 milhões no RB Cinema, que conta também com R$ 5 milhões da Aracruz Celulose e R$ 500 mil da Rio Bravo.


Fernando Buarque, co-gestor do RB Cinema, afirma que estão sendo analisados pela comissão de investimentos cinco projetos, pré-selecionados entre 60 propostas avaliadas.


Segundo Buarque, os projetos em estudo contemplam os três setores da atividade cinematográfica -produção, distribuição e exibição. O resultado deverá ser definido em 45 dias.


Por exigência do BNDES, o fundo deverá destinar 50% de seus investimentos à área de distribuição. De acordo com Mário Diamante, assessor do banco na área de cultura, a decisão objetiva fortalece um elo considerado frágil na cadeia industrial brasileira.


Existe também a recomendação por parte do BNDES ao fundo de que as distribuidoras independentes brasileiras tenham especial atenção. ‘Mas tudo é muito flexível’, diz Diamante.


Não há impedimento, segundo Buarque, para que um projeto que tenha patrocínio do BNDES, como os 18 vencedores anunciados ontem, seja também selecionado para investimento pelo fundo. ‘Mas há um cuidado com os conflitos de interesse’, diz.’


 


TV DIGITAL
Fábio Zanini


Congresso entra no debate da TV digital


‘O presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo (PC do B-SP), anunciou ontem a entrada do Legislativo no debate sobre a introdução da TV digital no Brasil, o que poderá, segundo ele mesmo admitiu, atrasar o processo de implantação da tecnologia no país.


Aldo afirmou que na semana que vem ficará pronto um projeto de lei para ‘disciplinar e estabelecer o padrão’ da nova TV, que promete uma melhor qualidade de imagem e a possibilidade de interação com o telespectador.


‘Essa discussão tem sido realizada quase que exclusivamente no âmbito do Executivo. Eu decidi que a Câmara dos Deputados vai entrar nesse debate’, afirmou Aldo. O Ministério das Comunicações promete definir os detalhes da TV digital no mês que vem e promover a efetiva implantação até o final do ano.


‘Deputados especialistas’


Aldo convocou para a próxima terça-feira uma reunião com ‘deputados especialistas em comunicação’. O primeiro a ser convidado foi Jader Barbalho (PMDB-PA), presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia da Casa. Também foram chamados, entre outros, Walter Pinheiro (PT-BA), Jandira Feghalli (PC do B-RJ), André de Paula (PFL-PE) e Miro Teixeira (PDT-RJ), ex-ministro das Comunicações.


‘O projeto vai dar segurança jurídica ao povo brasileiro e definir os contornos do tema. Vou reunir o que nós acumulamos na Câmara para dar o próximo passo’, declarou o presidente da Casa, que não deu detalhes do que estará no texto.


Ele assegurou que quer fazer o projeto em cooperação com o Executivo. ‘Não queremos desconhecer nem subtrair as responsabilidades e atribuições do Executivo, mas julgamos que é de grande importância para a população e a sociedade que a Câmara dos Deputados participe’, afirmou.


O Legislativo, na visão do presidente, integra o conjunto de poderes da República e portanto deve participar de discussões como essa. ‘Não estamos interferindo num assunto ‘interna corporis’ do Executivo’, afirmou.


Segundo Aldo, a Câmara não está entrando no debate tarde demais. ‘Já existem alguns projetos e estudos feitos por parlamentares sobre o assunto. Não é novo para nós’, declarou.


De qualquer forma, disse ele, ‘o calendário do Executivo não é necessariamente o nosso [do Legislativo]’. Questionado sobre um eventual atraso que o Legislativo possa causar na discussão, Aldo admitiu a possibilidade. ‘Essa pode ser uma decisão, eu não sei’, disse.


Por meio de sua assessoria de imprensa, o ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB-MG), informou que sempre se posicionou favoravelmente ao debate no Congresso sobre a TV digital. Segundo o ministro, o fato de os parlamentares debaterem projetos sobre o assunto não impede que o governo defina o modelo a ser adotado no país.


O governo está avaliando os modelos existentes nos Estados Unidos, Japão e Europa para decidir qual deles será implantado no Brasil.


Na discussão, além das características técnicas de cada padrão, entram questões políticas e de contrapartida comercial. A decisão deverá acontecer na primeira quinzena de fevereiro. Inovações produzidas por pesquisadores no Brasil poderão ser incorporadas ao modelo que for escolhido.’


 


MISTÉRIO NA TELINHA
Daniel Castro


Vitória da Record sobre ‘JN’ some no Ibope


‘A Record comemorou como se fosse final de Copa os oito minutos que sua novela ‘Prova de Amor’ ficou à frente do ‘Jornal Nacional’ (Globo) no Ibope da Grande SP, anteontem à noite. A emissora chegou a divulgar comunicado festejando os dados, que eram prévios _fornecidos pelo Ibope às TVs em tempo real.


Nessa medição, a Record chegou a ficar quatro pontos à frente do ‘JN’, o intervalo mais caro da TV (R$ 292 mil cada 30 segundos). Às 20h30, quando o ‘JN’ estava em intervalo, a Record marcava 24,6 (arredonda-se para 25) pontos, contra 21,4 (21) da Globo.


No final da manhã de ontem, quando o Ibope enviou às emissoras seus dados consolidados, a Record tomou uma ducha de água gelada. Nessa planilha, em nenhum minuto ‘Prova de Amor’ aparece à frente do ‘JN’, mas apenas cinco minutos empatada com o telejornal. Os quatro pontos de vantagem das 20h30 desapareceram. No consolidado do Ibope, às 20h30 a Record tem 24,8 pontos e a Globo, 25,9.


É normal o consolidado do Ibope apontar até dois pontos a mais do que a prévia. Mas cinco pontos de diferença é incomum, indica eventual erro de processamento.


O Ibope nega favorecimento à Globo. Diz que variações ocorrem porque o consolidado incorpora domicílios de sua amostra que, por algum problema técnico, não transmitem dados em tempo real para a medição prévia.


OUTRO CANAL


Estratégia 1 Apesar da queda de audiência do ‘Jornal Nacional’ (que marcou 27 pontos no Ibope anteontem), a Globo não fará mudanças no telejornal. Para a emissora, o vilão é a novela das sete, ‘Bang Bang’, que desabou (deu 26 anteontem) e prejudicou o ‘JN’ e até ‘Belíssima’ (44). Avalia-se que a novela das oito estaria dando 50 pontos se a das sete estivesse acima dos 30 pontos (sua meta).


Estratégia 2 A Globo não deve encurtar ‘Bang Bang’, que tem término previsto para 21 de abril. É que ‘Coração de Ouro’ ainda nem começou a ser gravada. E apressar a substituta poderia reduzir sua qualidade e capacidade de recuperar a audiência do horário.


Reforço A Band acaba de contratar Roberto Lestinge (ex-Globo) para o cargo de diretor de expansão internacional. Sua primeira missão será representar a emissora na Natpe, feira de TV que acontece semana que vem em Las Vegas (EUA), onde a Band tentará exportar a série sobre Chico Buarque, exibida em primeira mão pela DirecTV. A Band detém os direitos da série.


Aprovada Vencedora do primeiro ‘O Aprendiz’, da Record, Vivianne Braffmann foi efetivada como funcionária do publicitário Roberto Justus, como diretora de contas da Wunderman (agência de marketing direto). Ela já trabalhou um ano na empresa, mas como prêmio pelo ‘reality show’.’


 


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O Globo


Sexta-feira, 20 de janeiro de 2006


 


CINEMA BRASILEIRO
Alessandra Duarte, Jaime Biaggio e Rodrigo Fonseca


No fim, quase todos felizes


‘Envelhecer é prejudicial à saude financeira de quem faz cinema no Brasil? Desde que 2006 começou, veteranos realizadores brasileiros têm reclamado publicamente que são prejudicados na captação de recursos e preteridos nos editais pelos jovens diretores. Mas o Banco Nacional para o Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) discorda deles. Se endossasse o coro dos queixosos, não teria incluído um cineasta com um currículo de mais de três décadas de atividade como Hector Babenco entre os 18 contemplados pela Seleção Pública de Projetos Cinematográficos 2005 do banco, que vão dividir um total de R$ 10 milhões. Aguardada com ansiedade pela classe cinematográfica, a lista de patrocínio à produção de longas do BNDES, divulgada ontem, promoveu equilíbrio entre a experiência e a juventude, beneficiando estreantes como Matheus Nachtergaele, que concorria com ‘A festa da menina morta’. Ao todo, 14 ficções entraram — entre elas ‘O passado’, adaptação de Babenco para o romance homônimo do escritor e crítico argentino Alan Pauls — duas animações (‘Garoto cósmico’, de Alê Abreu, e ‘BRichos’, de Paulo Roberto Munhos) e dois documentários (‘Pixote 20 anos’, de Felipe Guimarães Briso, e ‘Grande Otelo — Êta menino bamba’, de Evaldo Mocarzel).


— Houve uma sintonia entre a Ancine, a Secretaria do Audiovisual e o BNDES. Mas é muito difícil escolher e dar racionalidade a essa escolha. O que tem que se levar em conta é sempre o mérito. E aí é relevante tanto o currículo quanto o projeto — afirmou Gustavo Dahl, presidente da Agência Nacional do Cinema (Ancine), sobre a lista.


Medalhões ficam de fora da lista


Aberta no dia 31 de agosto, a seleção recebeu 220 inscrições, sendo que só 178 apresentaram a documentação exigida e estavam de acordo com o regulamento, tornando-se habilitados para concorrer aos patrocínios oferecidos pelo banco. A lista revela filmes potencialmente comerciais. No entanto, medalhões de um tipo de cinema competitivo como Guel Arraes, Bruno Barreto, Daniel Filho e Mariza Leão ficaram de fora. Mas vale lembrar que, comercialmente, as últimas produções de Arraes (‘O coronel e o lobisomem’), Barreto (‘O casamento de Romeu e Julieta’) e Mariza (‘Onde anda você?’) tiveram resultados aquém do que se esperava. A prestigiada O2, de Fernando Meirelles, contudo, não foi esquecida: ‘Cidade dos homens’, de Paulo Morelli, entrou no rol das ficções premiadas pelo BNDES, que se firma como o segundo maior veio produtor do cinema brasileiro, ficando atrás apenas da Petrobras.


— Como os critérios do BNDES sempre foram transparentes, acredito que os filmes foram contemplados pela qualidade do projeto. Com respeito à diversidade e à democratização — elogia o diretor Paulo Morelli, que soube anteontem, por telefone, que o longa-metragem ‘Cidade dos homens’, ramificação cinematográfica da série de TV homônima, estava entre os premiados. — O filme não será apenas um episódio longo. Ele é a conclusão da história de Laranjinha e Acerola, abordando o amadurecimento deles, que estarão completando 18 anos e sofrem um abalo em sua amizade.


Foram qualificados prováveis blockbusters de produtoras que ainda não têm o porte de uma LC Barreto ou da Diler (que não levaram nada). É o caso de ‘Budapeste’, adaptação do último romance de Chico Buarque, produzido por Rita Buzzar (roteirista e produtora de ‘Olga’) e dirigido pelo fotógrafo e cineasta Walter Carvalho (de ‘Cazuza — O tempo não pára’). A seara infanto-juvenil ficou calçada por ‘Tainá 3 — Na selva da cidade’, de Michael Ruman, e por ‘Meu pé de laranja lima’, de Marcos Bernstein, um dos projetos a ganhar a verba máxima, de R$ 800 mil.


— Estamos negociando distribuição. Quando fechar com algum distribuidor, começamos as filmagens. Quero filmar no meio do ano, até para pegar as férias escolares — diz o diretor de ‘O outro lado da rua’, cujo filme recebeu também verba da Petrobras e terá metade do orçamento de R$ 8 milhões coberta por um acordo de co-produção com a produtora francesa TF 1. — O filme tem lançamento garantido na França em função disso, e eles se encarregam das vendas internacionais. Eles são grandes vendedores. Eles contam com isso. E a gente também (risos).


A produtora de ‘Budapeste’, Rita Buzzar, que contará com R$ 500 mil do BNDES, fará seu filme em co-produção com uma empresa da Hungria, país central na trama escrita por Buarque. Ela também conta com R$ 340 mil de verba relativos ao prêmio adicional de renda da Ancine, conquistado pelo bom desempenho de ‘Olga’ no mercado. Justamente por isso, discorda que grandes produtores estejam sendo excluídos.


— Toda seleção é difícil. Estou acostumada a isso. Quando fiz o ‘Olga’, fiquei quatro anos tentando aqui pelo banco até sair. E acho que a seleção de agora foi transparente, e que não é verdade que não escolheram projetos com retorno comercial. Eu produzi ‘Olga’, que teve retorno comercial. Outras coisas deveriam ser discutidas pela classe, além dos critérios de seleção. Por exemplo, a Lei do Audiovisual, que está chegando ao fim — diz Rita, sem saber que já está sendo estudada a prorrogação da lei por mais uma década.


Carla Camurati, diretora de ‘O mistério de Irma Vap’, ganhou R$ 400 mil do BNDES. O que segundo ela é o que faltava para fechar o orçamento do filme, que deverá estrear em abril:


— Foi minha terceira tentativa. Perdi nas outras duas. Tinha tentado para a produção e ganhou para a finalização. Se você deixa nomes como Barreto e Nelson de fora, é claro que são forças do cinema que fazem falta. Mas acho que houve equilíbrio, porque sempre quem fica de fora não vai ficar feliz. Eu também não fiquei das outras vezes.


Foram contemplados oito projetos do Rio de Janeiro e sete de São Paulo, além do baiano ‘Jardim das folhas sagradas’, o paranaense ‘Brichos’ e o gaúcho ‘Saneamento básico’.’


 


BAFTA
O Globo


‘O jardineiro fiel’ sai na frente


‘O filme de Fernando Meirelles ‘O jardineiro fiel’ tornou-se o recordista de indicações aos prêmios da Bafta (British Academy of Film and Television Arts — Academia Britânica de Artes Cinematográficas e Televisivas), anunciadas ontem em Londres. ‘O jardineiro fiel’ concorre a dez dos 21 prêmios que serão entregues no dia 19 de fevereiro. O filme do cineasta brasileiro é seguido de perto por ‘O segredo de Brokeback Mountain’ e ‘Crash’, cada um com nove indicações.


Diretor brasileiro concorre com o já premiado Ang Lee


O Bafta dá prêmios diferentes para ‘melhor filme’ e ‘melhor filme britânico’. ‘O jardineiro fiel’ recebeu indicações nas duas categorias. Na de melhor filme, seus adversários são ‘O segredo de Brokeback Mountain’, ‘Capote’, ‘Crash’ e ‘Boa noite e boa sorte’. As outras categorias a que o filme concorre são as de diretor, roteiro adaptado, ator, atriz, música, fotografia, montagem e som.


Ao prêmio de melhor diretor (batizado pela Bafta de Prêmio David Lean), Meirelles está enfrentando Ang Lee (‘O segredo de Brokeback Mountain’), que acabou de ganhar o Globo de Ouro, na mesma categoria, e já é o favorito para o Oscar; Bennett Miller (‘Capote’); Paul Haggis (‘Crash’); e George Clooney (‘Boa noite e boa sorte’).


O par central do elenco de ‘O jardineiro fiel’ — Ralph Fiennes e Rachel Weisz — está disputando os prêmios de melhor ator e melhor atriz. Rachel já ganhou o Globo de Ouro, mas na categoria de atriz coadjuvante. Agora, ela concorre com Charlize Theron (‘Terra fria’), Judi Dench (‘Sra. Henderson apresenta’), Reese Whiterspoon (‘Johnny e June’) e Zhang Ziyi (‘Memórias de uma gueixa’). Finnes, que foi pouco lembrado até agora nas listas de prêmios já anunciados, disputa o troféu da Bafta com David Strathairn (‘Boa noite e boa sorte’), Heath Ledger (‘O segredo de Brokeback Mountain’), JoaquiN Phoenix (‘Johnny e June’) e Philip Seymour Hoffman (‘Capote’).


Como roteiro adaptado, ‘O jardineiro fiel’ tem como adversários ‘O segredo de Brokeback Mountain’, ‘Capote’, ‘Marcas da violência’ e ‘Orgulho e preconceito’. Para o prêmio de melhor música, os outros concorrentes são ‘O segredo de Brokeback Mountain’, ‘Memórias de uma gueixa’, ‘Sra. Hendersen apresenta’ e ‘Johnny e June’.


Na categoria de fotografia, os outros indicados são ‘O segredo de Brokeback Mountain’, ‘Crash’, ‘A marcha dos pingüins’ e ‘Memórias de uma gueixa’. Para o prêmio de melhor montagem, competem ainda ‘O segredo de Brokeback Mountain’, ‘Crash’, ‘Boa noite e boa sorte’ e ‘A marcha dos pingüins’. Na briga pelo prêmio de melhor som, os adversários são ‘Batman begins’, ‘Crash’, ‘King Kong’ e ‘Johnny e June’.’


 


BRASIL NA AMÉRICA
Helena Celestino


Gil lança ‘Projeto Pixinguinha’ nos Estados Unidos


‘Bem distante da polêmica lista de projetos financiados pelo BNDES, o ministro da Cultura, Gilberto Gil, estava esta semana em Nova York lançando uma espécie de Projeto Pixinguinha nos Estados Unidos, batizado de Brasil na América. Numa parceria com o Broward Center for Performing Arts, o governo brasileiro apoiará caravanas culturais que virão se apresentar nos palcos dos 120 centros de arte da instituição americana.


— Através do mercado, muito da cultura brasileira se relaciona com a cultura americana, especialmente no campo da música. Mas outros campos precisam de suporte maior e, por isso, estamos lançando este programa institucional — disse o ministro.


O governo pagará passagem e cachês dos artistas. O Broward Center tratará de sondar o mercado americano e montar os espetáculos brasileiros.


— No primeiro momento, o governo ajudará com dinheiro captado através da Lei Rouanet. Depois, o projeto pode andar sozinho — disse Gil.’


 


PRAZO FINAL
O Globo


‘Chatô’ tem até amanhã para estar na Ancine


‘Guilherme Fontes, intérprete do contador Jeff Wall Street na novela ‘Bang bang’, tem até amanhã para apresentar seu longa-metragem ‘Chatô’, devidamente finalizado, à Agência Nacional do Cinema (Ancine). Caso contrário, o ator, que dirige a adaptação cinematográfica do livro homônimo de Fernando Morais, terá de devolver R$ 35 milhões referentes ao uso do dinheiro público no longa-metragem, cujas filmagens começaram em 1999.


No dia 22 de dezembro, a Ancine enviou a Fontes uma carta-cobrança informando que ele teria 30 dias, a contar daquela data, para se manifestar, o que não aconteceu. O orçamento total de ‘Chatô’ seria de R$ 12 milhões, dos quais R$ 8,5 milhões foram captados por meio das leis de renúncia fiscal. A cobrança de R$ 35 milhões corresponde à atualização do valor captado. Procurado pelo GLOBO, o ator não respondeu até o fechamento desta edição.’


 


TV DIGITAL
Isabel Braga


Aldo Rebelo quer elaborar projeto de lei para regular padrão de TV digital


‘BRASÍLIA. A Câmara decidiu participar, de forma ativa, da definição sobre o padrão de TV digital que será adotado no Brasil. Na próxima terça-feira, o presidente Aldo Rebelo (PCdoB-SP) reúne em seu gabinete deputados e assessores ligados à área de comunicação para tentar montar, até o fim da semana, um projeto de lei que discipline e estabeleça o novo padrão.


Aldo deixou claro que a idéia é fazer o debate em cooperação com o Executivo, onde a análise técnica e econômica do processo está avançada. O governo está em negociações comerciais com os três padrões de TV digital existentes no mundo: japonês (ISDB), europeu (DVB) e americano (ATSC).


— Não queremos nem desconhecer, nem subtrair as responsabilidades e atribuições do Poder Executivo e do setor privado sobre essa questão. Mas julgamos que é de grande importância para a sociedade que a Câmara participe, disciplinando e oferecendo os contornos para a definição do uso dessa tecnologia — afirmou Aldo.


Ministro apóia participação da Câmara no processo


Do encontro da próxima terça-feira, participarão o presidente da Comissão de Ciência, Tecnologia e Comunicação e um grupo de deputados da área que já vêm discutindo o tema. Aldo disse que o deputado Walter Pinheiro (PT-BA) já tem um projeto nesse sentido. Indagado se não era tarde para a Câmara entrar no debate, já que a definição está programada para fevereiro, o presidente da Câmara foi categórico:


— Não está tarde, o calendário do Executivo não é exatamente o do Legislativo. Se possível, quero apresentar o projeto na próxima semana.


O governo trabalha com o prazo de 10 de fevereiro para a definição do padrão da TV digital. O ministro das Comunicações, Hélio Costa, disse, por meio de sua assessoria, que a decisão da Câmara não interfere na definição do padrão. O ministro tanto apóia a participação da Câmara, que esteve no ano passado duas vezes na Comissão de Ciência e Tecnologia, lembrando da necessidade da participação dos parlamentares na regulamentação do setor.’


 


MÚSICA DIGITAL
O Globo


Vendas de música online triplicaram em 2005


‘LONDRES. As vendas de música digital triplicaram no ano passado, saltando para US$ 1,1 bilhão, à medida que os consumidores fizeram download em computadores, celulares e MP3, de 420 milhões de faixas, elevando a receita do mercado fonográfico digital para 6% do total da indústria fonográfica. Atualmente, o setor luta contra a queda geral das vendas.


Impulsionados pela venda de 60 milhões de aparelhos de MP3, os downloads responderam por 60% das vendas do mercado de música online em 2005, enquanto a comercialização de toques e músicas para celulares abocanhou os 40% restantes, segundo relatório da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI, na sigla em inglês) divulgado ontem. Em 2004, as vendas do setor de música digital foram de US$ 380 milhões.


— No começo de 2005 a idéia de baixar uma música no celular era uma idéia, no fim do ano era uma realidade — disse John Kennedy, presidente e diretor-executivo do IFPI.


Federação critica falta de interação entre MP3 e iPod


A indústria fonográfica conta com as vendas de música digital para neutralizar o declínio na comercialização de CDs, que reduziu a receita mundial do setor para US$ 33,6 bilhões em 2004, frente aos US$ 39,7 bilhões de 2000. As vendas totais do setor fonográfico caíram 1,9% no primeiro semestre de 2005, e Kennedy disse que as vendas do ano passado provavelmente revelarão uma queda ‘de alguns pontos percentuais’ quando as estatísticas forem publicadas, dentro de alguns meses. Com relação a 2006, ele espera que as vendas se igualem às do ano passado.


Kennedy disse que a venda legal de música digital só é prejudicada pela pirataria e pela falta de interação entre os sistemas de MP3 e o iTunes, usado pelo iPod, da Apple, que domina o mercado americano (69%) de aparelhos portáteis, segundo a consultoria NPD Group.


Quatro grandes gravadoras controlam 72% do mercado fonográfico global: Universal Music (da Vivendi Universal), Sony BMG, EMI e Warner Music.


Aproveitando a febre dos MP3, a Universal vai oferecer aos consumidores europeus a possibilidade de baixar músicas e álbuns fora de catálogo, como ‘Strange weather’, de Marianne Faithfull, e ‘Ballades et mots d’amour’, de Jacques Brel. Inicialmente serão três mil faixas de Grã-Bretanha, França e Alemanha. Nos próximos quatro anos, a meta é atingir cem mil canções. O serviço, que estará disponível a partir do mês que vem, custará 6,99 euros (US$ 8,50) por álbum.’


 


COMPRA ANIMADA
O Globo


Walt Disney Co. pode comprar o estúdio Pixar


‘NOVA YORK. A Walt Disney Co. está negociando a compra do grupo Pixar Animation Studios — produtor dos desenhos animados de sucesso ‘Toy Story’ e ‘Procurando Nemo’, entre outros. As negociações para a aquisição do Pixar acontecem após meses de conversações entre os dois grupos sobre como manter a lucrativa parceria de produção cinematográfica, informou ontem o jornal de negócios ‘Wall Street Journal’.


A publicação acrescentou, citando fontes próximas às negociações, que a Disney vai pagar um prêmio nominal sobre o atual valor de mercado do Pixar, de US$ 6,7 bilhões. O pagamento será feito por meio da troca de ações, o que tornará o diretor-executivo do Pixar, Steve Jobs, o maior detentor individual de ações da Disney. Atualmente, ele possui 50,6% dos papéis da Pixar. Com o preço das ações hoje, sua participação é de US$ 3,44 bilhões.


O ‘Wall Street Journal’ ressaltou, contudo, que as negociações ainda estão em andamento e que existem outras opções, que podem alterar substancialmente o acordo.


As porta-vozes da Disney, Michelle Bergman, e do Pixar, Michele Clarke, não quiseram comentar a notícia do ‘Wall Street Journal’. Com a divulgação das negociações, as ações do estúdio de animação subiram ontem 5,7%, para US$ 60,50; ao passo que as da Disney recuaram 0,9%, para US$ 25.’


 


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O Estado de S. Paulo


Sexta-feira, 20 de janeiro de 2006


 


FREE ZONE
Luiz Zanin Oricchio


‘Acredito na força do cansaço’


‘Na entrevista que concedeu por telefone ao Estado, o diretor israelense Amos Gitai disse que, não apenas ele, mas todos os artistas da região se vêem obrigados a incorporar aquele real em transe em suas obras. Gitai é o maior nome do cinema do seu país, habituée dos festivais de Cannes e Veneza. Promete vir a São Paulo em outubro para dar uma master class na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, atendendo ao convite de Leon Cakoff, de quem é amigo.


Como teve a idéia de Free Zone?


A idéia surgiu de um motorista da minha produtora, que um dia me contou a história dele. Ele estava desempregado e encontrou um sócio, palestino morador da Jordânia, e os dois se meteram no negócio de veículos blindados. Vendiam os carros na Zona Livre. Então eu pedi para ele me levar, nós atravessamos o Vale do Jordão e chegamos àquele local. Achei que era uma boa história para contar.


E, no entanto, as três personagens são mulheres…


Resolvi transformar os personagens em mulheres. O chofer, Ofer, virou Hanna; o sócio, Samir, virou Leila, e eu… virei a Natalie Portman (risos), quer dizer, Rebecca, a americana.


Mas havia uma razão para que os personagens fossem mulheres?


Certamente. Achei que as mulheres é que podiam ter uma relação de exterioridade, mais crítica, em relação a esse conflito, que é basicamente masculino. Em geral, em todos os conflitos, os chefes são homens, são os generais, dirigidos por políticos, homens também, como são homens os chefes da organizações clandestinas. Talvez um dia se a gente passar o poder às mulheres nos liberaremos desse ciclo de violência.


A primeira cena do filme, uma longa tomada diante do Muro das Lamentações, com Natalie Portman chorando, é muito tocante.


É um dia um pouco melancólico, há a chuva, mas é um momento até certo ponto doce, com o carro estacionado diante do Muro das Lamentações em Jerusalém, que já um lugar muito emocional, por sua história mesmo. Natalie está no banco de trás e Hannah no da frente. Mas eu quis que no primeiro momento só se visse Natalie. O espectador vê apenas um rosto de mulher que chora, longamente. Acho que ela fez a cena de maneira maravilhosa e prepara todo o clima do filme.


Há também uma música muito tocante no fundo. Que música é essa?


É uma canção, que se chama Had Gadia, que se canta na festa da Páscoa judaica. A letra conta uma história um pouco darwinista, em que uma espécie caça outra, e achei que era uma forma de fazer um contraponto entre a causa do choro de Rebecca, muito íntimo e pessoal, e ao mesmo tempo muito público.


Aquele lugar, a Zona Livre, onde fica e como funciona?


Ela fica no Leste da Jordânia e é um mercado de carros usados e outros objetos, freqüentado por sauditas, jordanianos, palestinos, sírios, enfim, árabes de todos as regiões, e, claro, também por israelenses…


Quer dizer, é uma zona de livre comércio e portanto serve de metáfora para uma saída possível para a região?


É claro, foi isso que me encantou na Zona Livre. Existe um local, numa região conhecida por seus conflitos imensos, onde as pessoas conversam, fazem negócios, e encontraram uma forma de se comunicar, que parece bem eficaz.


Nesse filme, com em outros seus, há uma certa tonalidade documental. Gostaria que falasse um pouco dessa característica.


Israel não é um país completo, é um país em construção. As linhas não são completamente desenhadas e o país às vezes se assemelha a uma irrupção vulcânica. É dessa incompletude que vem tanto a sua grande energia quanto seus problemas. Eu me sinto como uma testemunha desse processo, dessa situação que está se construindo diante dos meus olhos. É essa história fragmentada, estilhaçada mesmo, que eu me sinto obrigado, como artista e cidadão, a transformar em matéria ficcional.


Mesmo porque o documental é bastante enriquecedor para a ficção…


Estou de acordo. Alguns filmes de ficção me parecem muito previsíveis, justamente porque não incorporam essa surpresa do real.


Além dos seus filmes, outros também estão sendo feitos no Oriente Médio. O palestino Paradise Now acabou de ganhar o Globo de Ouro, por exemplo. Acha que esses filmes ajudam na compreensão da região?


Nesta região o cinema tem de dialogar o tempo todo com o real. Não apenas os cineastas mas escritores, pintores, todos os artistas têm de dialogar com esse real, tentar interpretá-lo, o que cria uma situação delicada, porque é preciso abordar os problemas sem ser doutrinário, sendo aberto, evitando clichês, mas também o politicamente correto, que não leva a nada. É um fio de navalha sobre o qual se tem de caminhar


E como você vê o momento político, com a doença de Ariel Sharon?


A realidade aqui é mutante. A cada vez que tentamos antecipar alguma coisa, ela já mudou. Não podemos ser tão deterministas e tentar prever o que será o pós-Sharon. Mas é claro que existe uma real vontade de mudar, tanto por parte dos israelenses como dos palestinos. Há uma exaustão desse conflito tão longo. Acho que às vezes a resolução de um conflito chega nem tanto pelas idéias nobres, mas pela fadiga. Acredito muito na força do cansaço.


Nesse sentido, a cena final, com a americana correndo enquanto a israelense continua a brigar com a palestina é bem significativa.


Pois é (rindo), acho que se nós mesmos não encontramos uma solução, vamos continuar a nos destruir e a chatear o resto do mundo.’


 


***


A estranha beleza da mulher jovem diante da muralha


‘Alguns críticos fizeram ressalvas a Free Zone dizendo que se trata de um filme híbrido. Mas talvez essa seja a maior de suas qualidades e não um defeito. Boiando entre o documental e o ficcional, Gitai tenta nos mostrar um painel tanto duro como terno da realidade do Oriente Médio. É a região conflagrada, vista pelo olhar de três mulheres.


Rebecca (Natalie Portman), a americana, que vem de uma desilusão amorosa, embarca no táxi de Hanna (Hanna Laslo), que vai em direção à Jordânia para cobrar uma dívida.


Lá encontram Leila (Hiam Abass), esposa do homem que deve US$ 30 mil a Hanna. Este homem, alguém que se conhece apenas como ‘o americano’, está desaparecido. Assim, o filme assume a aparência de um thriller existencial. Mas é apenas a aparência, porque o que interessa mesmo é registrar as contradições de uma região de conflito.


Contradições entre fronteiras rígidas, vigiadas por militares mal encarados e uma zona livre, de tolerância, onde tudo se permite e onde os diferentes conversam entre si, numa babel de línguas aparentadas.


É evidente que se trata de uma metáfora da convivência humana, que não seja em outra situação pelo menos na ancestral prática do comércio. Onde existem interesses econômicos – pequenos ou imensos – há uma chance de diálogo, e não apenas pela força das armas.


As mulheres que lá circulam são bem diferentes entre si, como diferentes são os homens. Rebecca é emotiva e está abalada. Hanna é prática e despachada. Leila é discreta e triste. Formam um trio interessante e heterogêneo.


Essas diferenças dão dinâmica ao filme. Mas há uma outra impressão de deslocamento, de movimento. E não apenas porque seja um filme de estrada, mas porque Gitai (que filma cada vez melhor) imprime um constante movimento de câmera para desenhar seus personagens e as situações em que eles atuam.


Nesse filme em que tudo é tão dinâmico, causa uma agradável estranheza a cena inicial, estática, filmada diante do Muro das Lamentações. O choro prolongado de Rebecca, ‘acompanhado’ por uma canção tradicional, é extremamente perturbador. Estamos ali, diante de um ser humano que sofre, sem a princípio se saber por que, numa paisagem tão deslumbrante quanto violenta. Há uma secreta beleza nesse sofrimento da mulher jovem diante da muralha ancestral.


Por racional que seja o resto da história, é desta imagem, no fundo tão enigmática, que continuamos a nos lembrar.’


 


Luiz Carlos Merten


Um papel sob medida para a dor de Hanna Laslo


‘Último dia do Festival de Cannes do ano passado. O repórter entrevista o diretor Amos Gitai e a atriz Hanna Laslo, de Free Zone. Gitai confirma que recebeu o convite para a cerimônia de encerramento, à noite, o que indica que seu filme foi premiado, mas ele não sabe o que vai receber. Nem Hanna Laslo, que logo mais vai receber o prêmio de melhor atriz. Por enquanto, ela ainda não sabe. Está feliz com as manifestações de carinho que tem recebido por seu papel como Hanna, a motorista de táxi que atravessa a zona livre da Jordânia para cobrar uma dívida. Com ela vão uma americana, Rebecca, interpretada por Natalie Portman, e Leila, a mulher do palestino que lhe deve dinheiro.


Atriz de teatro e TV, Hanna protagonizou um onewomanshow que lhe valeu todos os prêmios em Israel. A fama é de comediante, mas ela vai ser premiado por um papel dramático. Até os 28 anos, Hanna foi uma atriz muito conhecida no cinema de Israel. E então ela parou com a carreira no cinema para se dedicar ao teatro. Não fez mais nenhum filme até completar 50 anos, quando Amos Gitai lhe propôs um papel em Alila.


‘Quando Amos me ligou, lhe disse que não era mais a garotinha que ele conhecia dos filmes, mas uma mulher gorda de 50 anos. Ele me disse que queria uma atriz de 50 anos, o peso era o que menos importava. Amos me conquistou. Nós, atores, queremos ser amados. Quer maior demonstração de amor do que a dele?’


O peso é um dos flagelos de Hanna, por mais que ela tente levar o excesso numa boa. Existem coisas muito piores. Hanna vem de uma família marcada pelo horror do Holocausto. Os familiares de seu pai e mãe morreram em campos de extermínio. Mesmo assim, ela não desistiu do humor. ‘Amos gosta de improvisar e eu agradeço que ele tenha mantido uma improvisação minha sobre o Holocausto. Pode parecer frívola e desrespeitosa em face da gravidade do tema, mas não é nada disso’, garante. Free Zone foi criticado em Cannes por causa do enfoque que o diretor dá à questão, sempre delicada, das relações entre israelenses e palestinos. Em Kedma, Gitai defendeu o direito dos palestinos à sua terra. Aqui, transforma a questão dos territórios na cobrança de uma dívida em dinheiro.


Amos diz que não quer ficar preso a uma só maneira de enfocar a questão do Oriente Médio. Hanna diz que essa interpretação política é empobrecedora. ‘É um filme sobre mulheres, sobre os sentimentos das mulheres, o que foi sempre um tema muito caro a Amos.’ Mais do que qualquer comparação possível com o motorista de táxi de Martin Scorsese, ela acha que seu papel e o tema do carro remetem, em Free Zone, aos filmes de Abbas Kiarostami e ao clássico de Roberto Rossellini, Viagem na Itália. Sobre o fato de haver dirigido durante quase todo o filme, ela diz uma coisa curiosa. ‘Natalie pediu a Amos que arranjasse um jeito de eu não dirigir mais o carro. Ela achava inseguro. Era realmente complicado. Tinha que dirigir, representar e seguir as indicações de Amos com o fone de ouvido. Mas qualquer outra solução, do tipo hollywoodiana, seria falsa. Fingir que eu estava conduzindo o carro por exemplo. A força do cinema de Amos vem do lado documentário que todos os seus filmes têm. A Zona Livre que ele mostra na tela vai ser uma surpresa para o público que acompanha o noticiário do Oriente Médio, tenho certeza.’’


 


CINEMA BRASILEIRO
Beatriz Coelho Silva


BNDES vai patrocinar produção de 18 longas nacionais


‘RIO – A diversidade marcou a seleção dos filmes que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai financiar em 2006, com recursos da Lei do Audiovisual. Entre os 18 longas selecionados, há filmes em finalização (como O Mistério de Irma Vap, de Carla Camurati), outros que recebem o primeiro aporte (como Grande Otelo – Eta Moleque Bamba, de Evaldo Mocarzel) e outros que completam o orçamento com a verba (como Miguelin, de Sandra Kogut). Há também diretores e produtores veteranos (como Pedro Rovai, cujo filme Tainá 3 – Na Selva da Cidade será dirigido por Michael Ruman, e Hector Babenco, que fará O Passado, co-produção com Argentina, com distribuição já garantida pela Fox) e novatos (como o ator Matheus Nachtergaele, que estreará na direção com A Festa da Menina Morta).


Os filmes receberam entre R$ 100 mil e R$ 800 mil e os projetos do eixo Rio/São Paulo levaram a maior parte do dinheiro. São oito produções cariocas, sete paulistas e as outras três vêm da Bahia, Rio Grande do Sul e Paraná. Segundo o chefe de gabinete da presidência do banco, Élvio Gaspar, o critério foi financiar filmes com produção bem estruturada e que privilegiem o lado industrial da atividade. ‘Este é o naco da política do Ministério da Cultura que nos interessa. Os filmes de vanguarda ou regionais são importantes, mas não visamos a eles neste edital’, explicou Gaspar. Ele negou também que a verba do edital tenha diminuído. ‘Destinamos R$ 10 milhões para a Lei do Auviovisual (no ano passado foram R$ 15 milhões), mas, dos outros R$ 10 milhões destinados ao Funcine, 50% podem ir para a produção. A diferença é que, enquanto o edital é a fundo perdido, o do Funcine é empréstimo. No edital queremos ter retorno financeiro, no Funcine precisamos obtê-lo.’


Élvio lembrou ainda que a outra face da política cultural do MinC financiada pelo BNDES é a preservação do patrimônio, que receberá R$ 25 milhões, R$ 20 milhões para restauração do prédios tombados, com recurso à Lei Rouanet, e R$ 5 milhões para preservação de acervos, com patrocínio direto.


OS SELECIONADOS


A Festa da Menina Morta (RJ) – de Matheus Nachtergaele; Andar às Vozes (SP) – Eliane Café; Antônia (SP) – Tata Amaral; Bope – Tropa de Elite (RJ) – José Padilha; Budapeste (SP) – Walter Carvalho; Cidade dos Homens (RJ) – Paulo Morelli; Jardim das Folhas Sagradas (BA) – Paulo Roberto Vieira Ribeiro; Meu Pé de Laranja Lima (RJ) – Marcos Bernstein; Minguilim (RJ) – Sandra Kogut; O Mistério de Irma Vap (RJ) – Carla Camurati; O Passado (SP) – Hector Babenco; Saneamento Básico – O Filme (RS) – Jorge Furtado; Tainá 3 – Na Selva da Cidade (RJ) – Michael Ruman; União Fraterna (SP) – Laís Bodanzky; Garoto Cósmico (SP), animação – Ale Cesário de Abreu; Brichos (PR), animação – Paulo Roberto Munhos; Grande Otelo – Eta Garoto Bamba (RJ), documentário – Evaldo Mocarzel; Pixote 20 Anos depois (SP), documentário – Felipe Guimarães Briso.’


 


MISTÉRIO NA TELINHA
Keila Jimenez


Record encosta em JN em ibope


‘O clima esquentou ontem nos bastidores da Globo. Tudo porque uma de suas maiores atrações, o Jornal Nacional, chegou a perder por alguns minutos em audiência, segundo medição prévia na Grande São Paulo, para Prova de Amor, novela da Record.


Segundo informações da Record, a trama, que vem crescendo em audiência semana a semana, alcançou na quarta-feira no horário das 19h40 às 20h43 – confronto direto com o JN – média de 20 pontos de ibope, com 32% de share (participação no total de TVs ligadas no horário). Às 20h30, a novela atingiu pico de 25 pontos de ibope, enquanto o Jornal Nacional registrava 21,6 pontos de audiência.


A Record afirma que na medição minuto a minuto do Ibope se manteve na frente da Globo por exatamente 8 minutos. Pouco? A rede acha que não. Tanto que colocou no ar, no fim da novela, um comunicado, com ares de provocação, especialmente criado para o acontecimento. Observando a diminuição da diferença de ibope entre a trama e a programação da Globo no horário, a direção da Record criou anúncio em que agradecia ao público pela audiência, dizendo que tinha alcançado seu objetivo: a liderança. A Globo, que já vinha sofrendo pressão da novela em cima de sua Bang Bang, que foi até diminuída, não deve ter ficado feliz com o embate com o JN.


O problema é que, na média consolidada, essa liderança da Record não aparece. Em dados enviados pelo Ibope ontem, o JN aparece com média de 26 pontos ante 21 de Prova de Amor. E, no minuto a minuto, a Record ficou empatada, e não venceu o noticiário da Globo. A emissora cobrou ontem uma explicação do Ibope para a mudança nos dados.


Mesmo assim, a Record aguarda para os próximos dias um novo e emocionante confronto.’


 


INTERCÂMBIO FOTOGRÁFICO
Karla Dunder


Flashes capturam detalhes urbanos


‘Basta um segundo e um flash para que um pedaço da história de uma cidade ou de uma vida fique congelado em uma imagem. Por trás de uma fotografia, o cotidiano de São Paulo, uma cidade fragmentada, que explode em cores e ao mesmo tempo em solidão. Esse é o mote da mostra Lá e Cá, que também dá uma pequena visão da vida em duas belas cidades portuguesas: Porto e Lisboa.


A exposição, em cartaz na Galeria do Senac da Lapa até o dia 4 março, sugere uma troca de olhares entre brasileiros e portugueses por meio de 30 fotos coloridas e em branco e preto, com 50 x 75 cm cada. ‘Optamos por fazer uma leitura de pontos comuns entre as três cidades e pontos absolutamente diferentes. Aquilo que nos aproxima e nos distancia como a praça da Sé e as sombras dos pedestres nas calçadas do Porto’, explica o curador João Kulcsár. Essa troca se estende ao público. As mesmas imagens poderão ser vistas simultaneamente, a partir de fevereiro, em Portugal. Também circularão pelo interior do Estado nas unidades do Senac e, ainda não confirmado, por Brasília e algumas cidades da Espanha.


Coube a Kulcsár, Cristiano Mascaro e Sandra Freitas escolherem as fotografias que foram para a exposição e para o catálogo. A curadoria elegeu como critério imagens que representam a fragmentação e cada detalhe de São Paulo, aquelas que transmitissem a vida na metrópole, sem cair em clichês. Estão reunidas imagens diversas como a que retrata a periferia, cinza, com um emaranhado de fios, roupas penduradas em frente a casebres numa rua que mais parece uma escadaria. Num registro de Paula Parreira Duprat do local. Ou a colorida fotografia de Leonardo Galina. Com sensibilidade ele desvenda todos os detalhes de uma casa humilde, porém bem decorada. ‘Essa é uma foto impressionante, que revela a pessoa que mora ali. Os detalhes da decoração revelam o gosto, o cuidado com o lar, o pôster do Corinthians e a imagem de uma santa indicam as crenças. Uma imagem muito forte.’


Pelo mesmo caminho segue Mariana Stefani Luciano, que mostra uma mulher solitária limpando um prédio em ruínas. E como São Paulo é uma cidade cheia de fatos curiosos, João Bacellar soube explorar o inusitado: um morador do viaduto do Glicério, vestido com a camisa da seleção brasileira, cumprimenta de ponta cabeça uma moça. O incrível é que ele surge de dentro do concreto. Em um muro pichado, surge o torso de um rapaz. Fundo e plano se fundem pelas mãos criativas de Erico Toscano Cavallete.


Numa capital que mal consegue acomodar seus habitantes, a solidão invade as ruas. A melancolia está expressa no calçadão da praça da Sé, por Fernando Barletta Simões. ‘Todos os ensaios fotográficos foram feitos após meses de estudo sobre cada região escolhida.’ O surpreendente é saber que as fotos foram feitas por alunos de graduação. Desde 2000 as imagens produzidas pelos alunos da faculdade do Senac são expostas para o público, uma forma de homenagear São Paulo, como parte das comemorações do aniversário da cidade.


INTERCÂMBIO


A exposição que segue em fevereiro para Portugal nasceu de uma parceria do Senac com o Instituto Português de Fotografia. Cada instituição escolheu um aluno para fazer um intercâmbio. O brasileiro Leonardo Galina fará um ensaio fotográfico sobre Portugal. Helena Garcia vem ao Brasil para registrar suas impressões. Depois eles apresentam o resultado.


Serviço


Lá e Cá. Senac Lapa. Rua Scipião, 67, tel. 3866-2500. 9h/21h (sáb., até 16h30; fecha dom.). Grátis. Até 4/3′


 


JOHN LENNON
O Estado de S. Paulo


Filme sobre Chapman irrita fãs de Lennon


‘Começaram em Nova York as filmagens de um longa que retrata psicologicamente o assassino de John Lennon. Os fãs do ex-líder dos Beatles consideram a produção ofensiva e desrespeitosa. O filme intitulado Chapter 27, de Jarrett Schaeffer, é visto por Beatles-maníacos como uma ‘glorificação’ do assassino Mark Chapman, que também foi um admirador obsessivo do músico.’


 


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