Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

ENTRE ASPAS > SEXTA-FEIRA, 14/04

Brasil fecha acordo com
o Japão por TV Digital

Por Luiz Antonio Magalhães em 14/04/2006 na edição 376


Leia abaixo os textos de sexta-feira selecionados para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Sexta-feira, 14 de abril de 2006


TV DIGITAL
Folha de S. Paulo


Governo faz acordo com Japão sobre TV digital


‘O governo brasileiro anunciou ontem acordos com o governo japonês e a empresa Toshiba detalhando contrapartidas caso o país adote o sistema japonês de televisão digital. A Toshiba mostrou interesse em instalar uma fábrica de semicondutores no Brasil.


Ainda não foi feito um anúncio oficial sobre a escolha, mas o acordo assinado com o Japão reforça a tendência do governo brasileiro de escolher esse padrão.


Na edição do dia 8 de março, a Folha havia divulgado que o governo já escolhera o padrão japonês de TV digital, mas, desde então, o lobby do padrão europeu intensificou as suas ações.


O chanceler brasileiro, Celso Amorim, e seu colega japonês, Taro Aso, assinaram ontem memorando de entendimento para uma futura adoção do padrão japonês pelo Brasil. Amorim e os ministros das Comunicações, Hélio Costa, e do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, estão no Japão desde terça-feira com uma delegação brasileira para estudar o padrão japonês e negociar contrapartidas para a escolha do formato pelo Brasil.


Em seu primeiro posicionamento formal sobre o assunto, o governo brasileiro se declarou favorável ao modelo japonês de TV digital no acordo assinado com os japoneses. No texto do memorando, ‘o governo brasileiro manifesta seu forte desejo de implementar o SBTVD [Sistema Brasileiro de TV Digital], com base no ISDB [padrão japonês]’.


O ministro das Comunicações, Hélio Costa, já vinha dando declarações de apoio ao padrão japonês, mas não era corroborado por outros ministros.


O padrão é o preferido das emissoras de televisão, e, em ano eleitoral, o governo quer o apoio das principais redes. Além disso, o Japão foi o primeiro a negociar com o Brasil a possibilidade de implantação de uma fábrica de semicondutores no país.


Como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não fez o anúncio oficial, o texto do memorando assinado em Tóquio tem essa ressalva: ‘Caso esta opção [padrão japonês] venha a ser adotada, este memorando terá como objetivo essa implementação [do padrão] e a construção das bases para a viabilização e o desenvolvimento conjunto da respectiva plataforma industrial eletroeletrônica brasileira’.


Em troca da opção pela tecnologia ISDB, o governo brasileiro quer a instalação de uma fábrica japonesa de semicondutores no país. O memorando assinado ontem também não formaliza a contrapartida industrial.


O texto do documento informa que ‘o governo japonês colaborará com o governo brasileiro na elaboração de um plano estratégico com o objetivo de desenvolver a indústria de semicondutores no Brasil’.


Os japoneses se comprometem a estudar a ‘possibilidade de investimentos futuros na indústria eletroeletrônica, incluindo a indústria de semicondutores e correlatos e a cooperação na capacitação de recursos humanos’.


No documento, foram ratificadas propostas que já haviam sido feitas pelos representantes do padrão japonês ao governo brasileiro durante as negociações: participação de representantes brasileiros no conselho que define a padronização do sistema ISDB, introdução de tecnologia inovadora desenvolvida pelo Brasil no padrão oriental, transferência de tecnologia e dispensa de pagamento, pelo Brasil, de royalties relativos a patentes das próprias tecnologias ISDB.


Além do padrão japonês, dois outros estão sendo analisados pelo Brasil: o europeu (DVB) e o norte-americano (ATSC).


Toshiba


Se a construção de uma fábrica de semicondutores da Toshiba no Brasil for confirmada, ficará cumprida a principal contrapartida que o governo brasileiro busca para adotar o sistema japonês.


A Toshiba mantém desde 1977 parceria no Brasil com a Semp. Hélio Costa, que anunciou o entendimento com a Toshiba, não deu detalhes sobre o acordo, mas disse que uma equipe da empresa vem ao Brasil avaliar o projeto.


‘Há um compromisso assinado com a Toshiba, que já tem associação muito importante com a empresa brasileira Semp. A Toshiba está enviando ao Brasil delegação de especialistas para trabalhar imediatamente na instalação de uma fábrica de semicondutores no país’, disse Hélio Costa.


Ao ser questionado se isso significava que o Brasil havia praticamente decidido a favor do sistema japonês, o ministro respondeu: ‘Acredito que sim’. Mas completou: ‘Porém, essa é uma decisão que deve ser tomada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Nós somente preparamos o ambiente para que a decisão seja adotada’.


Frustração


A falta de um compromisso definitivo com o Brasil, no qual o país se comprometesse a adotar o modelo japonês de TV digital, frustrou o governo do país asiático, segundo a imprensa japonesa.


O Japão tinha a esperança de que a delegação brasileira comunicasse durante a visita a escolha do padrão de TV digital japonês.


Com agências internacionais’


***


Europeus reagem e também oferecem fábrica


‘As indústrias européias que formam a ‘Coalizão DVB’, que tenta convencer o governo brasileiro a adotar o padrão europeu (DVB) de televisão digital, foram para o contra-ataque. Ontem, após a assinatura do memorando entre os governos do Brasil, a coalizão européia disse estar disposta a fazer uma proposta firme para a construção de uma fábrica de semicondutores no Brasil. Também ofereceu incluir aplicativos desenvolvidos por universidades brasileiras na segunda fase de modernização da tecnologia DVB.


Segundo o diretor de Tecnologia da Philips, Walter Duran, ‘a Comissão Européia, assim como as seis empresas que participam da ‘Coalizão DVB’, já convidou as autoridades brasileiras para ir à Europa, ocasião em que se propõem a assinar uma proposta firme de construção de uma fábrica de semicondutores no Brasil’. A proposta seria assinada pela Philips e a ST Microeletronics.


As seis empresas que formam a ‘Coalizão DVB’ são a Siemens (alemã), a Philips (holandesa), a Thales (francesa), a Nokia (finlandesa), a Rohde & Schwarz (alemã) e a ST Microelectronics (franco-italiana).


Ontem o grupo propôs reunir representantes do governo brasileiro com o ‘board’ técnico da DVB. Sugeriu, ainda, que as autoridades brasileiras visitem duas fábricas européias de semicondutores -uma de porte médio e outra maior, de ponta-, que seriam referência para discutir a unidade a ser implantada no país.


A discussão da TV digital no Brasil desencadeou uma guerra comercial entre os fabricantes das tecnologias européia (DVB) e japonesa (ISDB). Os norte-americanos, que têm a tecnologia ATSC, estão menos agressivos. A disputa começou a partir do momento em que o ministro das Comunicações, Hélio Costa, manifestou-se favorável ao sistema japonês, ainda em 2005.


Um capítulo à parte na disputa entre os fornecedores é a implantação de uma indústria de semicondutores. Os primeiros a se manifestar nesse sentido foram os japoneses. Como o governo encampou a idéia, os europeus acompanharam a proposta.


Japoneses e europeus oferecem linhas de crédito de US$ 500 milhões para financiar as emissoras de televisão na implantação das redes de transmissão digital e abrem mão dos royalties.


Procurados pela Folha, representantes do sistema americano não responderam às ligações.’


Rogério Cezar de Cerqueira Leite


Escolha compromete futuro por benefício pífio do presente


‘Em meados da década de 70, o poderoso ‘Sistema Bell’, que englobava então toda a telefonia dos EUA, do Canadá e muito do tráfego internacional de comunicações, lançou uma concorrência internacional para a primeira encomenda de fibras óticas. Essa inovação havia ocorrido graças a uma colaboração entre os laboratórios da própria Bell e a Corning, uma empresa especializada em vidros.


Não obstante, ganha a concorrência uma empresa japonesa, a Fujitsu. O governo americano interveio contra essa aquisição, sob o argumento de que a produção fora do país acarretaria perda de capacidade tecnológica. Os japoneses ofereceram-se, então, para montar uma fábrica nos EUA, o que foi rechaçado com ainda maior vigor pelo governo americano. E a aquisição teve que ser realizada nos EUA, em empresa americana.


Ora, os EUA não estavam apenas defendendo uma indústria própria. Antes de mais nada, preservavam seu desenvolvimento tecnológico futuro. Embora possuíssem um aparato tecnológico muito mais avançado à época do que o Japão, sabiam que perderiam essa vantagem com a cessão do próprio mercado.


A implantação de uma fábrica japonesa nos EUA traria certamente vantagens a curto prazo (investimentos) e a médio prazo (empregos, renda etc). Todavia, a longo prazo, haveria prejuízos irreparáveis para a indústria americana, como perdas de competitividade devido à redução de atividades de pesquisas, que, por sua vez, tornariam-se insustentáveis sem níveis adequados de produção.


Outro fator que justificaria em si a decisão protecionista americana é a cultura empresarial característica da indústria japonesa. Quantas indústrias de autopeças brasileiras conseguem fornecer para montadoras japonesas? Preferem essas importar ou trazer uma fornecedora do Japão. Basta lembrar que praticamente todo o sistema produtivo japonês é composto por apenas seis gigantescos conglomerados, ou melhor, feudos.


Pois bem, o Brasil, depois de longas discussões, escolheu a tecnologia japonesa para seu sistema de TV. Mostrou coragem. Nenhum outro país do mundo o fez, senão o próprio Japão, cuja televisão é estatizada e, portanto, funciona também como agência reguladora. A diferença essencial entre a tecnologia japonesa e as duas outras é que a primeira faz com que todo usuário eventual se submeta às empresas de televisão, enquanto com a adoção de uma das outras tecnologias a telefonia móvel e outras formas de comunicação interativa se tornam autônomas, ou seja, não precisam ser intermediadas pelas empresas de televisão.


Podemos compreender, portanto, por que as empresas de TV escolheram e moveram mundos e fundos para que fosse escolhida a tecnologia japonesa. Pode-se imaginar que imenso poder político e financeiro conseguiram. Qualquer outra consideração sobre características tecnológicas ou patrimonial é perfumaria.


Para compensar essa faceta negativa da escolha, o Brasil receberia de presente duas fábricas, uma de semicondutores (componentes) e outra de monitores a plasma. Espera-se, com isso, economizar US$ 1 bilhão anualmente com a substituição de importações. E também empregos serão criados. Todavia novamente se compromete o futuro em troca de benefícios pífios do presente. Ocupam-se espaços tecnológicos presentes e futuros e mercados imensos. São R$ 2 bilhões de investimentos nas duas fábricas. Entretanto, só os conversores a serem inseridos nos atuais aparelhos necessários para a tecnologia digital já representam um mercado de R$ 30 bilhões a R$ 50 bilhões. Esses japoneses são vivos, não são? Aprenderam com os gregos, os que derrotaram Tróia.


Outra grande perda é a da convivência e trocas tecnológicas e comerciais com o resto do mundo. Portanto ninguém poderá acreditar que a escolha da tecnologia japonesa foi feita por razões de ordem tecnológica ou mesmo econômica. Também não há nenhuma urgência quanto à implantação de um sistema digital no Brasil. Quase nenhum país do mundo implantou, de fato, a TV digital. Nem os EUA nem o próprio Japão, onde apenas duas cidades a experimentam atualmente.


Então por que esse açodamento histérico? Falou-se na necessidade vital para a Copa do Mundo ou para o Sete de Setembro, absurdos tecnológicos e financeiros, que apenas os apoucados tradicionais analistas podem conceber. Só há uma explicação. Vamos ver se você, caro leitor inteligente, é capaz de adivinhar. Plim-Plim!


Rogério Cezar de Cerqueira Leite, físico, é professor emérito da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e membro do Conselho Editorial da Folha.’


Gunnar Bedicks


Padrão japonês é o mais adequado para o país


‘O Brasil é um dos países com maior densidade de canais de TV analógicos abertos via ar. Segundo a Anatel, são hoje 4.625 canais, de geradoras e retransmissoras de TV, que convivem no congestionado espectro de VHF e UHF ocupando cada um 6 MHz de largura de banda. Em São Paulo, por exemplo, não existe sequer a possibilidade da inclusão de novo canal analógico.


Além da densidade espectral, há problemas relacionados à transmissão analógica que impedem que a imagem assistida na tela da TV seja limpa e sem interferências. Esses problemas estão relacionados às características morfológicas das cidades do país. Quanto maior for a densidade habitacional, maiores os problemas na qualidade da imagem nas telas. Em São Paulo, por exemplo, 56% dos domicílios recebem as imagens com algum tipo de degradação.


Basicamente, esses problemas estão classificados em três grupos:


a) Chuvisco (área de cobertura), provocado pelo distanciamento do receptor de TV da torre de transmissão;


b) interferência (ruído impulsivo), causada por motores elétricos (eletrodomésticos, motores industriais, elevadores etc.), veículos automotores, transformadores de distribuição de energia elétrica e descargas atmosféricas;


c) fantasmas ou sombras (multipercurso), imperfeições resultantes de reflexões em objetos fixos e/ ou móveis e em edifícios altos.


Além do congestionamento do espectro e dos problemas relacionados à transmissão no ar, durante a fase de transição, que deverá durar mais de dez anos, ocorrerá a convivência dos canais analógicos com os digitais, agravando ainda mais a situação já existente.


Desde 1998, o Laboratório de TV Digital do Mackenzie faz testes para identificar qual o sistema de TV digital é o mais adequado às características brasileiras.


Essas adequações se devem principalmente ao tipo de modulação, pois é ela que transporta os sinais digitais da torre de transmissão até o receptor de TV.


Se ela não for robusta o suficiente, ou seja, não resolver os problemas hoje existentes na transmissão analógica, a tela da TV ficará sem imagem (tela preta), e, no lugar de uma imagem ruim, não existirá imagem na TV. Conseqüentemente, esses domicílios estarão fora da audiência.


A escolha feita pelo Brasil ao adotar a modulação BST-OFDM (Band Segmented Orthogonal Frequency Division Multiplex), utilizada no sistema japonês, ISDB-T (Integrated Services Digital Broadcasting – Terrestrial), é acertada, haja vista ser a modulação mais robusta para resolver os problemas aqui relacionados.


Essa escolha já havia sido apontada no relatório ‘Testes em Sistemas de TV Digital’, apresentado em 2001 pela Anatel, resultado dos testes realizados em conjunto por Mackenzie, SET, Abert, CpqD e Anatel. Também nos relatórios entregues pelas instituições que estudaram a modulação no Sistema Brasileiro de TV Digital, em dezembro de 2005, houve a indicação da modulação com banda segmentada como a mais propícia para as características brasileiras.


Além disso, a modulação BST-OFDM é a única que permite a flexibilidade com robustez, ou seja, transmitir no mesmo canal de TV, de 6 Mhz, vários tipos de serviços, como: um programa HDTV (High Definition TV); um programa HDTV e um programa para dispositivos móveis e portáteis; um programa HDTV e um programa SDTV (Standard Definition TV) ou quatro programas SDTV.


Gunnar Bedicks é pesquisador-chefe do Laboratório de TV Digital da Universidade Presbiteriana Mackenzie.’


ALCKMIN SOB SUSPEITA
Leandro Beguoci e Frederico Vasconcelos


Presidente da Nossa Caixa contradiz versão de Alckmin


‘O presidente da Nossa Caixa, Carlos Eduardo Monteiro, disse ontem que Jaime de Castro Júnior, ex-gerente de marketing do banco, tratava diretamente da publicidade da estatal com Roger Ferreira, ex-assessor de comunicação do governo de São Paulo. Esta versão é diferente da divulgada por Ferreira e também colide com a apresentada por Geraldo Alckmin, ex-governador de São Paulo e candidato à Presidência.


Em nota divulgada anteontem, Ferreira disse que a Nossa Caixa ‘não tem nenhuma subordinação formal ou informal, no que se refere à comunicação, a nenhuma instância ou pessoa exterior à empresa’. Por sua vez, Alckmin disse, quando a Folha revelou que a Nossa Caixa beneficiava com propaganda seus aliados na Assembléia Legislativa, que ‘o governo do Estado não interfere em banco público’ e que ‘o critério de distribuição da mídia do governo é eminentemente técnico’.


Monteiro contradiz a versão de Ferreira e Alckmin ao apresentar o decreto de número 43.834, de 1999. O decreto mostra que todo o plano de comunicação do banco deve ser submetido à Assessoria Especial de Comunicação do Estado, que era gerida por Ferreira.


Segundo Monteiro, que ontem deu entrevista a três jornais, o decreto estabelece que o plano de marketing do banco não precisava passar pela presidência do banco: ‘O relacionamento era do marketing com o Sicom, é outra coisa que está no decreto’, afirmou. O Sicom é o Sistema de Comunicação do Governo do Estado de São Paulo, ligado a pasta que Roger Ferreira comandava. Monteiro também disse que não tinha ‘nem idéia de quais são [eram] os critérios’ usados para a veiculação de publicidade. E acrescentou: ‘O que cabe à diretoria do banco? Aprovar as políticas gerais de propaganda. Não cabe a mim dizer onde colocar os anúncios’. Ao exemplificar como eram as relações da Nossa Caixa com a assessoria de comunicação do governo de São Paulo, Monteiro relatou: ‘Uma vez recebi uma bronca dele [Ferreira] por escrito porque tínhamos feito uma campanha de televisão sem mostrar para ele, porque o decreto diz que tem que mostrar’. Questionado se gostaria que o banco tivesse autonomia para gerir a política de comunicação, afirmou: ‘Adoraria’.


Apesar das declarações, Monteiro nega ingerência política de Alckmin na política de comunicação do banco: ‘Aqueles e-mails [trocados entre Ferreira e Castro Júnior, que indicam favorecimento de aliados de Alckmin] não afetaram em nada o negócio do banco mesmo em relação ao marketing. É o tipo de anúncio que o banco faria’.


Depoimento


Monteiro distribuiu cópia do depoimento que o ex-gerente de marketing -demitido do cargo depois que uma sindicância apontou irregularidades no setor- prestou ao Ministério Público, na véspera. O ex-gerente sustentou que Roger Ferreira ‘interferia nas ações de marketing do banco’. Disse que ‘recebeu ordem do então assessor de comunicação’ do governo para enviar carta às agências Full Jazz e Colucci -que prestaram serviços para a Nossa Caixa depois que seus contratos haviam expirado- manifestando interesse na prorrogação dos contratos.


Castro Júnior sustentou que os pedidos de publicidade (conduzidos ou não por políticos) eram ‘deferidos pela presidência’ do banco. Ou seja: por Carlos Monteiro, que nega a acusação e diz que Castro Júnior mente. A Folha procurou o ex-gerente de marketing, mas ele não se manifestou.


Embora não tenha apontado veículos ligados a deputados, o ex-gerente ratificou ‘integralmente’ as manifestações escritas que entregara à Comissão de Sindicância da Nossa Caixa, nas quais cita o direcionamento das verbas de publicidade para atender à base aliada do governo. Cópia da sindicância foi solicitada pelo Banco Central.


Ontem, na entrevista, Monteiro admitiu que somente enviou a sindicância interna ao Ministério Público quando o órgão requisitou. Com base em informações do banco sobre a publicidade irregular -sem contrato-, o então governador Alckmin havia dito que ‘quando a Nossa Caixa percebeu que houve erro lá dentro, fez uma sindicância, demitiu o responsável, comunicou ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas’.


Monteiro diz que não tinha motivo para levar o caso ao Ministério Público. ‘Não tinha indício de crime’, explicou. ‘Houve uma irregularidade administrativa enorme, mas não é crime.’


Alckmin, que ontem esteve em Londrina (PR), não quis comentar as declarações do presidente da Nossa Caixa. Afirmou que não conhecia o teor da entrevista. Procurado ontem pela Folha, Roger Ferreira, que deixou o cargo no mês passado, reiterou o conteúdo da nota divulgada anteontem.


Colaborou JOSÉ MASCHIO, da Agência Folha, em Londrina’


ITÁLIA
Romano Prodi


Voltemos ao multilateralismo


‘Depois de um governo repleto de atividades midiáticas, mas destituído de qualquer propósito político, a Itália deve agora voltar a andar para frente.


Seu papel e sua contribuição, em termos de política externa, devem ser relançados com firmeza e realismo, se ela deseja conservar seu lugar e evitar a possibilidade de se isolar entre os participantes nos assuntos mundiais, como aconteceu, por exemplo, com as consultas sobre o Irã, mantidas em Berlim entre os Estados Unidos, a Rússia, a China e os três países da União Européia que lançaram as negociações com Teerã.


Meu programa de política externa, cujo objetivo é restaurar a participação ativa de Itália nos assuntos mundiais, é baseado em três princípios: uma Europa forte e unida, uma aliança sólida com os Estados Unidos e uma abertura para os problemas do planeta, especialmente as crises que constituem ameaças para o conjunto de nossos países, com uma abordagem multilateral concertada.


Na encruzilhada da segurança européia e atlântica, a Itália está numa posição que explica o notável potencial de influência política e diplomática do qual tradicionalmente desfrutamos. Entretanto nos equivocamos ao pensar que podemos lutar em uma categoria superior à nossa: a Itália é uma potência européia de envergadura média na zona mediterrânea, situada sobre um arco de instabilidade que vai do norte da África até o Oriente Médio e a Ásia Central, passando pelos Bálcãs. A tradição política dos últimos 50 anos, assim como os desafios colocados a nossa segurança e prosperidade, exigem de nós uma política externa baseada na cooperação internacional.


O princípio essencial da política externa que proponho será a criação de um vínculo entre o processo de integração política da Europa e a sólida relação de confiança com nossos aliados americanos. Na condição de potência européia importante, o peso e o papel da Itália residem sobretudo em sua capacidade de participar da elaboração das políticas da Europa. Além disso, sendo aliada sólida na comunidade atlântica, a Itália pode contribuir para a formulação das decisões da Aliança Atlântica.


Se a Itália se marginalizar com relação à Europa, ela se tornará uma parceira transatlântica bem menos eficaz. Do mesmo modo, um isolamento com relação aos EUA faria do país um franco-atirador ou um espectador passivo. Longe de evoluir sobre planos distintos, uma Europa unida e a Aliança Atlântica se completam. Tenho como projeto dedicar toda minha energia e as iniciativas de meu governo à eliminação das tensões surgidas entre os europeus e nossos aliados americanos, tensões que apenas reduziram a eficácia da comunidade de valores compartilhados e de interesses comuns.


Uma Europa mais forte é necessária para uma parceria transatlântica equilibrada. Ela reforçaria a dimensão política da Aliança e adaptaria seu papel aos desafios atuais. Desse modo, as decisões tomadas em conjunto seriam implementadas conjuntamente.


Nenhum país pode administrar sozinho os desafios assimétricos de nossa época: os ‘dois pilares’ dos quais falou John Kennedy devem se erguer juntos, em vista do fato de que uma Europa mais forte e mais unida é a ‘aliada indispensável’, especialmente numa época em que os novos perigos colocados à segurança mundial são transnacionais, exigindo soluções coordenadas.


Estou intimamente convencido de que a paz e a estabilidade mundiais requerem uma parceria estratégica euro-americana forte, e não apenas coalizões criadas para finalidades definidas e distintas.


É por essa razão que penso que nossa política externa deve ser colocada sob o signo do multilateralismo. Apenas a colaboração entre a Aliança transatlântica, mas também as Nações Unidas e as instituições financeiras de Bretton Woods, nos permitirá fazer frente aos desafios da pobreza e da doença, dos direitos humanos, da instabilidade e do totalitarismo. O multilateralismo é antes de mais nada um método e um conjunto de regras compartilhadas e aplicadas, um pacto social internacional.


O mundo de hoje, assim como nossas sociedades locais, se caracteriza por uma diversidade extraordinária.


A resolução dos grandes problemas mundiais passa por uma união dos parceiros e por negociações sobre as práticas e as regras comuns, negociações essas que levem em conta as necessidades e as aspirações de todos os participantes de boa-fé. Deixar de relançar o multilateralismo, deixar de adaptá-lo aos desafios de nossos tempos, nos faria correr o risco de ver emergir, daqui a 20 anos, um novo equilíbrio multipolar de potências, com países que não desejarão jogar de acordo com regras que não terão contribuído para criar.


É nisso que consiste a essência da política: a arte de encontrar juntos as soluções para problemas comuns.


A Itália não abandonará seus esforços. Pelo contrário: como no passado, vamos continuar a participar de missões multilaterais de manutenção da paz. Consideramos que a intervenção no Iraque foi injusta e injustificada: não foi encontrada nenhuma arma de destruição em massa, a legitimidade multilateral nunca foi solicitada, e, enfim, longe de combater o terrorismo, a guerra apenas contribuiu para exacerbá-lo. Vamos retirar nossas tropas do Iraque, em acordo, antes de mais nada, com o governo legítimo de Bagdá, e vamos enviar um contingente civil para auxiliar na reconstrução da infra-estrutura e das instituições iraquianas.


O terrorismo não pode ser combatido unicamente por meios militares. Pelo contrário, é ao nível político, social e econômico, e dentro do quadro de princípios e valores, que devemos fazer frente a ele, especialmente ao combater a alienação e marginalização dos terroristas.


Tudo isso implica uma estratégia em escala mundial contra o terrorismo, estratégia essa na qual a Europa deverá desempenhar seu papel. Encerradas as eleições, a Itália está pronta para assumir seu devido lugar nela.


Romano Prodi é líder do bloco de centro-esquerda e futuro premiê italiano.


Tradução de Clara Allain’


TELEVISÃO
Daniel Castro


Globo grava novela em tempo recorde


‘Para poder se livrar de ‘Bang Bang’ na próxima sexta, a Globo está produzindo ‘Cobras & Lagartos’ em tempo recorde. A próxima novela das sete começou a ser gravada apenas no último dia 1º. Mas em sua estréia, dia 24, já terá frente de 18 capítulos gravados, como é padrão na emissora.


Normalmente, uma novela precisa de até três meses para estrear com 18 capítulos gravados. A próxima trama das oito, ‘Páginas da Vida’, que só estréia em julho, está sendo gravada desde segunda.


A Globo teve de correr contra o tempo para colocar ‘Cobras & Lagartos’ no ar. A emissora antecipou em um mês o final de ‘Bang Bang’ (que não decolou, permitiu o crescimento de ‘Prova de Amor’, da Record, e prejudicou o ‘JN’). Além disso, ‘Cobras & Lagartos’ sofreu com a atual escassez de elenco disponível na Globo muitos de seus atores estavam na minissérie ‘JK’; outros foram ‘tomados’ por ‘Sinhá Moça’.


Para recuperar o atraso, o diretor Wolf Maya está atacando em quatro frentes simultâneas de gravações (o normal são três). Enquanto uma equipe grava em estúdio, duas trabalham em cidades cenográficas e uma em externas.


A novela será a primeira da Globo a ser lançada dentro do Projac com festa para 500 convidados, no próximo dia 23. O evento será na Luxus, megaloja de alto consumo como a Daslu, principal cenário da novela, que foi construída com interior de verdade.


OUTRO CANAL


Paternidade 1 As redes concorrentes da Record reagiram (mal) a um ‘furo’ da emissora, a única a ter imagens de Suzane von Richthofen passando uma noite algemada numa sala do DHPP (departamento de homicídios da Polícia Civil de SP)- o que gerou um pedido de investigação de tortura.


Paternidade 2 Suspeita-se que a Record só conseguiu as imagens porque uma de suas produtoras (repórter que só atua atrás das câmeras) é filha do delegado Domingos Paulo Neto, diretor do DHPP, que teria ‘facilitado’ a ação de cinegrafista da emissora.


Paternidade 3 A Record nega envolvimento da filha do policial na reportagem. Diz que o ‘furo’ foi de outro profissional (Armando Bortoletti). A direção do DHPP não quis comentar o assunto.


Pegou O ‘reality show’ ‘Ídolos’, um show de calouros em que os jurados dão um show, deu 18 pontos de audiência anteontem, um crescimento de 80% em relação à estréia. O programa do SBT está ‘pegando’ e virando ‘cult’ – ontem, já tinha 24 comunidades que somavam 7.134 fãs no Orkut, site de relacionamentos.


Ladeira É feia a coisa na Rede TV!, a rede de TV que mais demitiu neste mês (cerca de cem profissionais). Na semana que vem, sai do ar o espírita ‘Encontro Marcado’, o quarto programa extinto em duas semanas.’


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O Estado de S. Paulo


Sexta-feira, 14 de abril de 2006


TV DIGITAL
Renato Cruz


TV digital: Japão não garante fábrica


‘As emissoras de TV venceram a guerra da TV digital. Ontem, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, assinou em Tóquio, com o chanceler japonês Taro Aso, um memorando de entendimento para instalação no Brasil de um sistema de TV digital baseado no padrão japonês ISDB. Agora, só falta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ratificar a escolha. O que deve acontecer em breve, já que ele dificilmente iria contrariar os radiodifusores em ano eleitoral. As redes de TV fizeram campanha pelo ISDB.


‘Nossa missão está cumprida’, afirmou o ministro das Comunicações, Hélio Costa. Em visita à emissora estatal japonesa NHK, Costa ressaltou sua trajetória de homem de TV. Ele assumiu a pasta com o objetivo de garantir a transição do rádio e da televisão brasileira para a tecnologia digital com o mínimo de impacto possível no modelo atual de negócios. Acionista de uma rádio em Barbacena (MG), Costa foi repórter do programa Fantástico e chefe da sucursal da Rede Globo nos EUA, antes de ingressar na política.


O memorando não garante a instalação de uma fábrica de semicondutores no Brasil, uma das principais demandas. O documento diz que ‘o governo japonês valoriza as empresas japonesas que cooperem com os vários estudos para a modernização das indústrias relacionadas a serem feitos pelo Brasil, e estudem a possibilidade investimentos futuros na indústria eletroeletrônica, incluindo a indústria de semicondutores e correlatos e cooperação na capacitação de recursos humanos’.


Apesar disso, o governo está animado. ‘Seja mais otimista’, sugeriu Costa à imprensa, ao ser questionado sobre a fábrica. ‘A versão assinada do documento foi a quinta, e está muito mais objetiva do que as anteriores’. Segundo ele, a Toshiba enviará ao Brasil, em duas semanas, equipe técnica para trabalhar no projeto de viabilização da indústria de semicondutores. Técnicos do governo destacaram que a Samsung também teria interesse em instalar fábrica no Brasil.


Representantes dos dois países trabalharam no documento até as 6 horas da manhã de ontem. Os integrantes da comitiva consideram que todas as demandas brasileiras foram atendidas no que alguns chamaram, em tom de brincadeira, de ‘a batalha de Tóquio’. O memorando prevê absorção de tecnologia desenvolvida no Brasil pelo padrão ISDB, participação brasileira no consórcio responsável pela tecnologia, criação de centro de desenvolvimento nacional, dispensa de pagamento de royalties e financiamento, pelo Japan Bank for International Cooperation, da transição dos radiodifusores brasileiros para o sistema digital.


O memorando confirmou a escolha do padrão japonês, apesar de não dizê-lo textualmente. ‘Tudo está encaminhado neste sentido, a menos que ocorra algum desastre’, afirmou Amorim. O documento trata da escolha como uma decisão ainda a ser tomada, para não passar por cima do presidente Lula.


PONTOS DO ACORDO


Semicondutores: O Japão se compromete em auxiliar o Brasil a definir plano estratégico e a apoiar empresas japonesas que queiram instalar fábricas.


Pesquisa: A tecnologia japonesa irá absorver inovações brasileiras, o País terá representante no comitê do padrão, será criado um centro de desenvolvimento no Brasil e haverá isenção de pagamento de royalties.


Financiamento: O Japan Bank for International Cooperation (JBIC) vai oferecer uma linha de crédito para os emissores brasileiros migrarem para a tecnologia digital.


Prazo: Depois que o governo anunciar sua decisão, os dois países têm quatro semanas para formar um grupo de trabalho e implementar as medidas previstas no documento.’


Jamil Chade


UE lamenta escolha brasileira


‘A União Européia (UE) lamentou a decisão do Brasil de assinar um protocolo de entendimento com o Japão, indicando a preferência pelo modelo japonês para o desenvolvimento tecnológico da TV digital no País. A UE afirmou que essa não é a melhor escolha para os interesses do Brasil. Se essa decisão for de fato confirmada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, será frustrante do ponto de vista europeu e do onto de vista dos interesses tecnológicos do Brasil a longo prazo, afirmou Peter Power, porta-voz do comissário de Comércio da Europa, Peter Mandelson.


O comissário esteve no Brasil há duas semanas e aproveitou a visita para insistir com membros do governo que o padrão europeu seria o mais adequado ao País. Ele chegou a dizer que o Brasil ficaria isolado se optasse pelo modelo japonês. Fontes em Bruxelas revelaram ao Estado que o comissário da UE saiu de Brasília com a impressão de que o lobby das emissoras de TV estaria dominando a avaliação sobre o padrão que seria escolhido.


TV GLOBO


Mandelson não hesitou em criticar a TV Globo em suas declarações,afirmando que um governo não poderia tomar uma decisão com base apenas nos interesses de uma companhia.


O gabinete de Mandelson contou ainda que, quando o comissário esteve no Brasil há duas semanas, o europeu deu uma entrevista de 30 minutos à rede de TV. Até hoje essa entrevista não foi colocada no ar, queixou-se um dos assessores do comissário.


Por enquanto, os europeus aparentam ser os grandes perdedores da disputa entre Estados Unidos, Europa e Japão pela implantação da TV digital na América do Sul. Em Bruxelas, ninguém esconde que o temor agora é de que não conseguirão entrar no mercado sul-americano para desenvolver seu próprio modelo de TV igital na região, com prejuízos milionários para as empresas européias.


Bruxelas acredita que a Argentina tende mais para o modelo americano, enquanto o Brasil optou agora pelo padrão japonês.


ESTADOS UNIDOS


Peter Schechter , um dos sócios Chlopak,Leonard,Schechter & Associates , escritório de advocacia e lobby que cuidou da conta do padrão americano de TV digital, o American Television Systems Committee(ATSC),criticou a opção do Brasil pelo padrão japonês.


‘É curioso que o Brasil repita no caso do padrão da televisão digital o que fez no caso da televisão colorida, quando optou por um sistema modificado e mais caro, que não era usado nem nos EUA nem na Europa’, disse Schechter.


COLABOROU PAULO SOTERO’


Carlos Franco


Emissoras comemoram acordo


‘O diretor-geral da Band e vice-presidente da Associação Brasileira de Radiodifusores (Abra), Frederico Nogueira, disse que o acordo com o Japão é um avanço nas negociações para implantação da TV digital no Brasil. ‘Sempre defendemos o padrão japonês e acreditamos que é perfeitamente compatível o desenvolvimento de um modelo que possa unir a modulação japonesa a tecnologias que centros de pesquisa brasileiros estão desenvolvendo.’ Para Nogueira, a definição acelera os planos da TV digital no Brasil. Desde o início das discussões, a Abra defende o padrão japonês como ideal, sem descartar estudos de universidades. Ao contrário do padrão europeu, que permite a transmissão direta de imagens de TV digital para celulares GSM, o padrão japonês exige a transcodificação, o que preserva o acervo das TVs abertas e abre espaço para negociações comerciais com operadoras de celular.’


Gerusa Marques


Para Philips, não é hora de jogar a toalha


‘Apesar de a escolha brasileira pelo padrão japonês de TV digital ter sido dada como praticamente certa com a assinatura, ontem, de um memorando entre os governos do Brasil e do Japão, o diretor-executivo da Philips na América Latina, Walter Duran, não se deu por vencido. Duran, que integra coalizão DVB (defensora do padrão europeu), disse ontem que o memorando é superficial. ‘Não considero que a questão está definida’, afirmou Duran, acrescentando que cabe ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva tomar e anunciar essa decisão. ‘O que aconteceu lá foi uma das etapas de uma negociação.’


Compromisso parecido ao que foi assumido ontem pelo Japão já havia sido oficializado pela União Européia, segundo ele, em carta encaminhada no mês passado à ministra de Minas Energia, Dilma Rousseff.


‘Apesar da pompa (do ato de assinatura do memorando com o Japão), a proposta da UE foi mais fundo’, diz. Segundo ele, os europeus estão dispostos a implantar no Brasil um ‘ecossistema completo’ para a fabricação de semicondutores, passando pela criação, desenvolvimento e fabricação. O memorando assinado com o Japão não garante a instalação da fábrica de semicondutores, diz. Ele espera que a comitiva de ministros também vá a Europa.’


TELEVISÃO
Patrícia Villalba


Endemol França grava no Rio


‘Depois da italiana, é agora a Endemol França que desembarca no Rio de Janeiro, para gravar a partir de hoje o reality show I’m a Celebrity, Get me out of here! (Eu sou uma celebridade, me tire daqui!). É uma parceria dos franceses com a Endemol Globo – as duas empresas fazem parte da Endemol, a produtora holandesa que inventou e disseminou o modelo Big Brother mundo afora. O formato engraçadíssimo de confinamento de celebridades – na verdade, semicelebridades em de um upgrade, mais no estilo do Casa dos Artistas, de Silvio Santos – que são forçadas a cumprir provas incomuns foi lançado na Inglaterra, e com enorme sucesso, está na quinta edição. A primeira teve grande repercussão, quando foi vencida pela jornalista Carol Thatcher, filha da ex-primeira-ministra Margareth Thatcher. O programa já teve versões também nos Estados Unidos e Alemanha.


Je Suis une Célébrité, Sortez-moi de là! será gravado numa fazenda – ‘pouco confortável’ – em Teresópolis. A Endemol Globo será responsável pela produção local. O grupo de 12 celebridades ficará confinado durante duas semanas, até o dia 28, competindo por prêmios – cada uma representa uma entidade filantrópica.


A vantagem de vir ao Brasil tem a ver com o fuso horário – o programa será exibido pelo canal TF1 à noite e ao vivo, e feito aqui poderá ter belas imagens ensolaradas. E, por mais engraçado que possa parecer, o outro atrativo é ‘o clima exótico’ que os franceses acham que a graciosa Teresópolis tem.


Os nomes dos participantes ainda são mantidos em sigilo e só serão revelados quando o programa começar – esse suspense é um charme a mais. Por enquanto, o público se diverte na internet tentando adivinhar quem estará sofrendo na ‘selva brasileira’.’


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Manifestantes foram à festa da TV Cultura


‘O movimento sindical se divertiu anteontem na porta da Fundação Padre Anchieta (FPA): aproveitou a festa dos 18 anos do Metrópolis para informar que a TV Cultura, enquanto faz faz festa para tantos convidados, não acerta o devido dissídio de jornalistas e radialistas.


‘Eles é que ainda não se acertaram com o dissídio’, justificou o presidente da FPA, Marcos Mendonça, para quem a manifestação faz parte do show: ‘É a hora que eles têm para aparecer’. O cartão de visitas da noite foi uma transmissão experimental digital para celular, obra de uma parceria com a USP, o Mackenzie e a Universidade Federal.’


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O Globo


Sexta-feira, 14 de abril de 2006


TV DIGITAL
Gilberto Scofield Jr.


Amorim: país adotará padrão de TV digital japonês


‘TÓQUIO. O Sistema Brasileiro de TV Digital vai adotar o padrão tecnológico japonês conhecido como Integrated Services Digital Broadcasting (ISDB), afirmou ontem o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Ele e o chanceler do Japão, Taro Aso, assinaram um memorando de entendimento que prevê as responsabilidades dos dois países na implementação do sistema japonês, como transferência de tecnologia, dispensa de pagamento de royalties pelo Brasil, financiamento japonês à migração para o novo sistema, entre outros pontos.


– Se não houver nenhum desastre, a tendência é o presidente aprovar – disse Amorim. – Já foi criado um grupo de trabalho com integrantes dos dois países para implementar o sistema.


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem ainda de definir oficialmente o padrão como a plataforma tecnológica escolhida pelo Brasil, mas essa escolha é dada como certa pelos representantes da missão oficial no Japão: Amorim, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, e o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan.


– Não foi à toa que as negociações para a preparação do documento duraram 13 horas – afirmou Costa. – O texto é um avanço importante não apenas com relação à proposta anterior do Japão, mas quanto às propostas européia e americana.


O novo sistema foi batizado de ‘sistema nipo-brasileiro de televisão digital’. Ainda que integrantes da comitiva esperassem uma declaração mais enfática sobre a instalação de uma fábrica de semicondutores (chips) no Brasil, num investimento de US$ 700 milhões, o projeto foi apenas mencionado no texto final como uma hipótese apoiada institucionalmente pelo governo japonês:


‘O governo japonês colaborará com o brasileiro na elaboração, pelo governo brasileiro, de um plano estratégico com o objetivo de desenvolver a indústria de semicondutores no Brasil’, diz o memorando.


Toshiba estudará viabilidade de fábrica de chips no país


Furlan, no entanto, dá como certa a abertura da fábrica.


– Não há como o governo japonês obrigar as suas empresas a abrirem uma fábrica no Brasil, mas há o apoio oficial, o que no Japão significa muita coisa – afirmou. – Ainda assim, uma missão da Toshiba embarca na próxima semana para o Brasil para iniciar estudos de viabilidade de construção da fábrica.


O memorando prevê ainda a participação de instituições brasileiras nos comitês da Associação das Indústrias e Empresas de Rádio (Arib, na sigla em inglês), que gerencia a evolução do padrão de TV digital ISDB; o uso de tecnologias nacionais sugeridas pelos centros de pesquisas que ajudaram a criar o Sistema Brasileiro de TV Digital; a organização de fóruns de especialistas dos dois países para a transferência de tecnologia; e a dispensa de pagamento, pelo Brasil, de royalties relativos a patentes da tecnologia adotada pelo país.


No texto, o JBIC (banco estatal japonês que aplica em projetos em países estrangeiros) se compromete a estudar a criação de linhas de crédito para a implementação da transmissão digital.’


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Migração deve demorar alguns anos


‘TÓQUIO. O processo de migração do sistema de TV analógico para digital deverá levar alguns anos, afirmou o ministro das Comunicações, Hélio Costa, mas as transmissões de programas nesse formato podem começar logo. Segundo Costa, para que o consumidor sinta a diferença, basta que ele compre um aparelho de conversão do sinal, por um custo hoje estimado em R$ 80.


– Há o compromisso de usarmos a rede do Banco do Brasil, Caixa e Banco Popular para financiar a aquisição dos aparelhinhos de conversão a juros baixos – disse Costa. – As empresas brasileiras já se comprometeram a iniciar a produção dos aparelhos tão logo o padrão seja definido.


Novo sistema permitirá mais canais na TV aberta


O novo sistema também permitirá a entrada de novos canais de TV aberta no mercado brasileiro, incluindo a produção de conteúdo mais específico, como TVs comunitárias. De acordo com o ministro, o Brasil possui hoje 250 geradoras de TV comercial e cerca de 150 educativas ou comunitárias. Existem ainda cinco mil retransmissoras.


– Se formos digitalizar essas 5.400 geradoras e retransmissoras, estaremos usando apenas 4,89% do espectro digital total, só para termos uma idéia. A NEC (empresa japonesa) já se comprometeu a fazer os transmissores da TV digital no Brasil – afirmou Costa.


A digitalização avançará também na transmissão de conteúdo interativo (com pacotes de programas escolhidos pelo próprio telespectador) e no uso de novos meios, como telefones celulares.’


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Estatal é alvo de denúncias de desvio


‘TÓQUIO. A rede de TV estatal japonesa NHK – a inventora do padrão tecnológico de TV digital do Japão – vive hoje um de seus piores momentos em meio a acusações de má gestão e desvio de recursos.


No mesmo dia em que o Brasil assinava com o governo japonês um acordo para o uso da tecnologia de TV digital do país e o ministro das Comunicações, Hélio Costa, era recebido pelo presidente da estatal, Genichi Hashimoto, a empresa estampava as primeiras páginas dos jornais japoneses como alvo da ira dos consumidores do país.


Cada dono de TV no Japão paga mensalmente cerca de 2.000 ienes (US$ 16) para a NHK, que cobra pelas transmissões porque não possui anúncios. Mas cerca de 30% dos domicílios se recusam a pagar pelo serviço, por causa dos escândalos envolvendo a empresa.


O último caso envolveu o produtor-chefe do Departamento de Programas Esportivos da rede em Sapporo, Tetsushi Oshita, por desviar 17 milhões de ienes (US$ 143 mil) para pagar roupas e jantares. Oshita devolveu a quantia e Hashimoto foi a público pedir desculpas.’


ALCKMIN SOB SUSPEITA
Tatiana Farah


BC de Lula investiga Nossa Caixa de Alckmin


‘SÃO PAULO. O Banco Central pediu à Nossa Caixa, banco do governo de São Paulo, cópia da sindicância que confirmou a inexistência de contrato de publicidade durante 22 meses. Entre 2003 e 2005, a Nossa Caixa gastou mais de R$ 45 milhões em propaganda sem fazer licitação nem contrato. A informação foi dada ontem pelo próprio presidente da Nossa Caixa, Carlos Eduardo Monteiro.


Segundo Monteiro, o BC quer apurar se há fragilidade no controle do banco. Ele se disse tranqüilo em relação ao procedimento do BC. Monteiro afirmou também que, segundo decreto estadual de 1999, toda a publicidade de estatais e órgãos públicos é monitorada diretamente pela Casa Civil, através da Sicom (Secretaria de Informação e Comunicação de São Paulo).


A Sicom era dirigida por Roger Ferreira, que, semanas atrás, quando as denúncias sobre a Nossa Caixa ganharam repercussão, se demitiu do cargo afirmando que não queria causar embaraço ao ex-governador Geraldo Alckmin, hoje pré-candidato do PSDB à Presidência. Em nota, Roger havia dito que o banco é autônomo.


Monteiro também negou a acusação do ex-gerente Jaime Castro Júnior de que sabia da irregularidade de usar os recursos de publicidade sem contrato. Ontem, ele apresentou documento de novembro de 2003, em que o ex-gerente informa a uma auditoria interna que o contrato com as agências de publicidade havia sido renovado.


Em depoimento à Corregedoria da Assembléia Legislativa, Castro Júnior afirmou que só soube da irregularidade em 2004 e que, até então, acreditava que o banco havia renovado o contrato. Com o ocorrido, ele disse ter comunicado o presidente do banco. Segundo Monteiro, essa informação só foi dada por Castro Júnior depois que o ex-gerente pediu uma audiência secreta, fora da empresa, que aconteceu em 27 de junho de 2005. De acordo com Monteiro, o funcionário o encontrou muito nervoso e, chorando, contou sobre a irregularidade. Monteiro, no entanto, não sabe dizer, mesmo depois da sindicância interna, por que o contrato com as agências Colluci e Full Jazz não foi renovado ou por que não foi feita uma licitação para a contratação de outras agências.


– Há mentiras claras no depoimento de Jaime ao Ministério Público – rebateu Monteiro, afirmando que, quando soube da irregularidade, afastou o gerente, abriu sindicância e tomou outras providências.


O presidente do banco também disse que há contradições entre os depoimentos de Castro Júnior à sindicância interna e seu depoimento anteontem ao Ministério Público. Na sindicância, o ex-gerente não acusa o presidente da estatal.


Carlos Eduardo Monteiro disse ontem que gostaria de depor ao Ministério Público, que apura o caso, assim como aos deputados da Assembléia, que tentam agendar a convocação do presidente do banco.’


INDONÉSIA vs. PLAYBOY
O Estado de S. Paulo


Uma revista, um funeral e muitas pedras


‘JACARTA. Mesmo numa versão mais comportada e sem nus, o primeiro número da revista ‘Playboy’ na Indonésia despertou a revolta de radicais islâmicos. Mais de 150 pessoas atacaram o prédio onde funciona a revista, em Jacarta, na quarta-feira. E ontem, temendo novas represálias, a polícia pediu à editora que não publique o segundo número.


– Dêem-nos 24 horas e informaremos a nossa decisão – respondeu Ponti Carolus, diretor da ‘Playboy’.


A revista teve o seu primeiro número publicado no dia 7. Apesar da controvérsia, a edição revelava pouco mais do que o mostrado em anúncios de lingerie e não era mais ousada do que similares nacionais e estrangeiros vendidos no país. Os manifestantes, no entanto, dizem que somente o título já é suficiente para que seu fechamento seja pedido. Mas estes parecem ser minoria: a edição de estréia se esgotou em quatro dias.


Os manifestantes que apedrejaram o prédio pertencem ao grupo Membros da Frente de Defensores Islâmicos, conhecido por atacar bares que vendem bebidas alcoólicas durante o período do jejum muçulmano. Ontem alguns manifestantes protestaram na porta do edifício, mas de forma pacífica. A Indonésia é o país com a maior comunidade islâmica do mundo, moderada em sua maioria. Mas os grupos extremistas têm crescido.


BANGALORE. A paixão dos indianos pelo cinema e seus atores acabou gerando ontem uma tragédia, com a morte de cinco pessoas durante um funeral em Bangalore. Inconformados por não conseguirem se aproximar do corpo do ator Rajkumar, falecido na véspera, fãs atacaram prédios, incendiaram veículos e enfrentaram a polícia. No confronto, quatro pessoas foram mortas a tiros e um policial foi espancado até a morte.


Os primeiros tumultos aconteceram num estádio, onde milhares de pessoas foram ver o corpo do ator. A polícia precisou usar gás lacrimogêneo para conter a multidão. A situação se agravou durante o cortejo, que percorreu a cidade. No caminho, grupos descontrolados incendiaram dois ônibus, atacaram dezenas de veículos e casas, atiraram pedras e enfrentaram os policiais, que mais uma vez usaram gás, cassetetes e, por fim, armas de fogo para dispersá-los. Cerca de dez policiais ficaram feridos e mais de 50 veículos foram danificados.


– Foi uma morte natural. Por que os fãs estão ficando violentos? – perguntou um vendedor de rua.


O ator, que morreu aos 77 anos na quarta-feira, vítima de um ataque cardíaco, teve um funeral com honras de Estado. Lojas, tribunais, empresas e escolas fecharam em luto oficial de dois dias. Rajkumar trabalhou em mais de 200 filmes.’


TELEVISÃO
Elena Corrêa


Exageros dos tempos de ‘descontrole’ agora só se for como vilão de novela


‘O papel de vilão de ‘Bicho do mato’, próxima novela das sete da Record, já tem dono. Depois de algumas semanas de negociação e a especulação de que Marcos Mion estaria impondo uma série de condições para entrar num acordo com a emissora do bispo Edir Macedo, o VJ da MTV fechou contrato na semana passada. E garante que não fez qualquer exigência. Segundo ele, as negociações foram interrompidas apenas no período em que viajou para a África:


– Não teve nenhum vai-e-vem. As pessoas ouvem o galo cantar, não sabem onde, e falam o que querem.


Indignado com os boatos? Que nada. Se escrevesse um livro e fosse buscar inspiração no cineasta polonês Krzysztof Kieslowski para escolher um título, ele com certeza o chamaria de ‘A paternidade é azul’. Mais uma piadinha do irreverente, escrachado e debochado VJ? Nem pensar. Essa imagem não condiz em nada com o bem-humorado, centrado e de bem com a vida Marcos Mion. É… Alguma coisa aconteceu com o coração do apresentador. E não foi ao cruzar a Ipiranga com a Avenida São João. Foi ao tornar-se, há dez meses, pai de Romeo.


– Minha vida é meu filho. Sempre que termino um trabalho, volto correndo para casa. Não tenho vontade de sair, ir a festa… Só de ficar olhando para ele. E daqui a um tempo não vou mais precisar chamar os amigos para jogar videogame comigo – brinca.


Sucesso de ‘Camila Backer’ impulsiona carreira


O convite da Record veio na esteira do sucesso de ‘Camila Baker – A saga continua’, em cartaz no Teatro das Artes, no qual ele, Otávio Muller, Zeu Britto, Leonardo Brício e Daniel Boaventura, travestidos de mulheres, revezam-se em mais de 30 papéis para contar a história tragicômica de Camila Baker, uma diva do teatro. A partir da peça, muitas pessoas reconheceram a porção ator do apresentador, que, antes de ser VJ, atuou na Rede Globo no extinto seriado ‘Sandy & Junior’. Alguém da Record o viu no palco e o chamou para fazer a novela.


– Eu levei a proposta para a MTV e não teve problema. O pessoal lá é parceiro, encara o que é bom para todos. Não teve treta porque não há esse problema de domínio de imagem, não são emissoras concorrentes. E numa sou apresentador; na outra vou ser ator – explica ele.


Em ‘Bicho do mato’, Mion será Emílio, rapaz da cidade grande, primo do mocinho da história, que mora no Pantanal. A briga entre os dois vai se acirrar quando a namorada de Emílio se apaixonar pelo mocinho. O ator que fará o protagonista está sendo escolhido. A namorada será vivida por Renata Domingues. As gravações começam mês que vem.


– Dá para conciliar porque estou só com um programa semanal na MTV, gravo dois ou três em um dia. E, por causa da peça, já estou morando no Rio – afirma Mion.


Bizarrices foram ‘coisas da idade’


Bom, a trajetória de Mion como apresentador não foi assim, digamos, muito religiosa. Em 2001, ele deixou a MTV em plena renovação de contrato e foi para a Bandeirantes. Além de não ter agradado com as bizarrices do seu ‘Descontrole’ na nova casa, ainda foi acusado de plágio pela antiga. Três anos depois, o filho pródigo voltou à MTV.


Será que as pessoas não vão estranhar ao vê-lo agora, como ator, na emissora de um bispo da Igreja Universal do Reino de Deus? Mion dá uma risada e garante que amadureceu depois daqueles tempos:


– Antes eu era um jovem de 21 anos que já comandava um programa próprio em horário nobre. Teve alguns exageros, mas eram coisas próprias da idade. Hoje tenho 26 anos, sou um pai de família, quero investir na minha carreira.


E não há como negar que conseguiu chegar a um bom acordo com a Record em termos financeiros.


– Se eu saio de casa para ser DJ em festas, marco presença em eventos, só para levantar uma grana, imagina se não pensaria no salário? – brinca ele.’


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