Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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ENTRE ASPAS >

Carlos Chaparro

12/07/2005 na edição 337

‘O XIS DA QUESTÃO – Equivocam-se os estrategistas da Secom ao pensarem que o anúncio pode substituir a notícia, na divulgação das coisas do governo. É sempre bom lembrar, porém, que não há notícia sem fatos noticiáveis. E fatos noticiáveis jamais faltam, no governo de um grande país. É uma pena que os fatos noticiáveis do nosso ‘agora’ não sejam favoráveis ao governo. Mas interessam à Nação.


1. Lição de Severino


Em sua esperteza sertaneja, o surpreendente Severino Cavalcanti tomou a decisão radical de suspender o contrato que a Câmara Federal mantinha com uma das agências do sr. Marcos Valério, a SMP&B. Li a notícia no Estadão, nesta sexta-feira. E por ela soube que a Câmara já pagara à SMP&B 10,7 milhões de reais. Para este ano, informa a matéria, a previsão de gastos era de até oito milhões e duzentos mil reais. O bom Severino pagou à SMP&B cinqüenta e poucos mil reais, referentes a anúncios veiculados em jornais de Brasília, e decidiu não fazer novos gastos.


Em meio ao tiroteio de caça aos corruptos, Severino Cavalcanti livra-se de um abacaxi e ainda posa de administrador exemplar. Além de eliminar vínculos com o abominável homem das misteriosas valises dos milhões, o presidente da Câmara economizou dinheiro público que seria consumido em algo que nada tem a ver com as finalidades e os deveres da instituição.


Não dá para mapear os percursos do raciocínio esperto do presidente Severino. Pode ser, por exemplo, que o saber da sua larga vivência política o tenha levado à conclusão de que a boa imagem de um parlamento não se faz com anúncios que apenas servem ao jogo do cinismo político, mas com o desempenho sério e honesto dos parlamentes. Ou pode ser que, em sua sábia decisão, o deputado presidente tenha sido orientado pelo instinto de sobrevivência política, item no qual é imbatível. E, aí, o instinto de sobrevivência o terá colocado diante da seguinte pergunta prática: para quê e por quê a Câmara Federal precisa de uma agência de publicidade? – questão que talvez só o deputado João Paulo Cunha saiba elucidar, já que foi ele quem contratou a SMPB, tão logo se elegeu presidente da Câmara, em 2003.


Podemos até pensar que os oito milhões de reais economizados pelo presidente da Câmara poderão ser gastos em coisas tão inúteis e imorais quanto os anúncios produzidos pela agência do sr. Marcos Valério. Ainda que tal aconteça, valeu a pena, presidente Severino. O senhor produziu um fato que serve de lição aos estrategistas da Secretaria da Comunicação do governo (Secom). E falo em estrategistas, porque, imagino eu, eles devem existir numa Secretaria que, além da Comunicação, cuida dos assuntos estratégicos do governo.


2. Lição de Osasco


Porém, a lição que melhor serve à Secom vem de Osasco, cidade paulista administrada pelo petista Emídio de Souza. A notícia está na mesma edição e na mesma página A10 do Estadão em que a decisão do presidente Severino Cavalcanti ocupa a manchete. Ela nos dá conta de que o prefeito de Osasco cancelou o processo de licitação aberto para contratar uma agência de publicidade. A licitação vinha sendo liderado pela mesma SMPB, do Marcos Valério. Por coincidência ou não, Osasco é a cidade que dá base política ao deputado João Paulo Cunha, que em 2003 contratara a mesma agência para gastar dinheiro em publicidade.


Mas deixemos isso para lá. A verdade é que o prefeito Emídio de Souza não quer mais conversa com a SMPB. Cancelou a licitação, que previa gastos de três milhões de reais em um ano. Foi além: na mesma decisão, aproveitando o cancelamento da licitação, repassou 750 mil reais da área de Comunicação para a Secretaria Municipal da Saúde. Esse dinheiro público, em vez de ser gasto em anúncios que serviriam apenas a projetos partidários de poder, será aplicado em benefício do povo. E espera-se que destino semelhante seja dado aos 2.250 mil reais que ainda sobraram.


3. Estratégia equivocada


Quanto gasta a Secom em publicidade e campanhas institucionais que servem apenas à elaboração artificial da ‘boa’ imagem do governo?


Só com anúncios na mídia, dizem os jornais, foram consumidos 97 milhões de reais, em 2004. É mais do que o total gasto pelo Ministério da Saúde em ações de comunicação. E olha que, entre outras atividades de interesse direto da população, o Ministério da Saúde faz as grandes campanhas nacionais de vacinação, que exigem intensa propaganda.


São 97 milhões de reais gastos em anúncios socialmente inúteis. Além de socialmente inúteis, esses anúncios ajudam a nutrir circuitos onde atuam e ilicitamente enriquecem os Marcos Valérios da corrupção nacional.


O cidadão comum, vítima das omissões e incompetências do governo, tem todo o direito de pensar que esse dinheiro gasto em publicidade institucional representa um grave desvio ético nas políticas governamentais. No legítimo pensar do povo, é dinheiro roubado à educação, à saúde, à cultura, aos transportes, à segurança, à reforma agrária, à pesquisa e a outras áreas prioritárias, submetidas a uma realidade de humilhantes carências.


Equivocam-se os estrategistas da Secom ao pensarem que o anúncio pode substituir a notícia, na divulgação das coisas do governo. O anúncio pode até por algum tempo escamotear a realidade, entendida não apenas pelo que existe e se faz, mas também pelo que falta e não é feito. Porém, o logro publicitário não persistirá por longo tempo.


É sempre bom lembrar que não há notícia sem fatos noticiáveis. E fatos noticiáveis jamais faltam, no governo de um grande país. Acontece que os fatos noticiáveis do nosso ‘agora’ não são favoráveis ao governo. Mas interessam à Nação.’




O DIA
Comunique-se


‘Grupo O Dia (RJ) anuncia fim de reestruturação’, copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 7/7/05


‘Em comunicado enviado à imprensa, o Grupo O Dia de Comunicação informa que fechou o ciclo de reestruturação de sua direção com o anúncio de que Elizabeth Oliva, atual superintendente de Projetos Especiais, agora é diretora comercial da empresa, cargo antes ocupado por Paulo Fraga. O quadro de diretores agora está completo: além de Elizabeth, tem Mário Reis (Diretor de Marketing), Ronaldo Carneiro (Diretor Administrativo-Financeiro) e Eucimar de Oliveira (Diretor de Redação).’




TANURE VS. LIDE
Comunique-se


‘Tanure entra com queixa-crime por matéria da Lide’, copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 8/7/05


‘O empresário Nelson Tanure entrou com uma queixa crime no 10º Juizado Especial Criminal, no Rio, contra Aziz Filho, presidente do SJPMRJ, Fred Ghedini, presidente do SJPSP, o repórter da revista Lide Murilo Fiúza de Melo e Luiz Chaves, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio. Motivo: o conteúdo da matéria publicada na última edição da Lide sobre a história do Jornal do Brasil e as dificuldades pelas quais a empresa vem passando. ‘Eles chamam o Nelson de descontrolado, que adota práticas ilegais’, disse Raphael Mattos, advogado de Tanure.


‘Ele está nos intimidando’, declarou Aziz. O presidente do sindicato do Rio é acusado de elogiar a reportagem assinada por Melo no editorial da publicação. Já Ghedini responde o processo por ter dito que ‘Tanure é o grande predador da imprensa no Brasil. É um ser que destrói tudo aquilo que consegue pôr a mão’. Para Lopes, o empresário ‘foi o maior inimigo da indústria naval e hoje é o maior inimigo da imprensa’.


‘Quando dizem que ‘Tanure é o homem do esquema do Collor’, o que estão querendo dizer com isso? Essa é uma forma deliberada de ataque à honra de Nelson’, disse o advogado do empresário.


No próximo dia 18/07, haverá audiência de conciliação.’

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