Quinta-feira, 18 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1046
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ENTRE ASPAS >

Carlos Heitor Cony

09/09/2005 na edição 345


‘Durante anos, em minhas primeiras andanças no ofício de cronista, mantive no ‘Correio da Manhã’ e quase simultaneamente na Folha de S.Paulo, onde revezava com Cecília Meirelles dia sim, dia não, uma seção assim intitulada: ‘Da arte de falar mal’. Não chegava a falar mal de ninguém, mas, genericamente, de tudo, o que até hoje faço, sem o mesmo vigor, é certo, mas com igual dose de razão. De lá para cá, o tempo não conseguiu melhorar nem a mim nem ao mundo.


Pode parecer que fui ou continuo sendo o único a cultivar semelhante e maléfica arte. Nem tanto, nem tanto. Lembro dois, aliás, três episódios que demonstram a saudável tendência comum a muita gente boa sem necessariamente me incluir nesse tipo de gente.


Numa tarde antiga do passado, quando eu era vizinho de Guimarães Rosa, ali no Posto Seis, ele, sentindo-se sozinho e sem ter nada a fazer ou sem vontade de fazer qualquer coisa, me convocou para jogar conversa fora. Rosa morava na rua Francisco Otaviano e eu, ao pé (a expressão era do gosto e uso de Machado de Assis), ou seja, morava na rua Raul Pompéia.


Ele me recebeu com aquela cara que ficava um pouco infantil, passara a manhã revendo uns textos, já havia me ensinado o seu método, quando suprimia uma palavra, riscava-a toda, nada deixando que lembrasse a eliminação. Gostava de riscar palavras como ‘amena’ ou ‘sincera’, não por serem adjetivos que julgasse redundantes, mas porque as letras tinham a mesma altura, ficava fácil apagar tudo sem deixar nenhum vestígio. O mesmo não ocorria quando havia um ‘q’, um ‘p’ ou um ‘t’, que davam maior altura ou profundidade à palavra escrita, obrigando-o a aumentar o volume do retângulo feito a tinta.


O bibliófilo José Mindlin, se não estou enganado, tem uma edição do ‘Grande Sertão: Veredas’ cheio desses cubinhos azulados, dando a impressão de que foram feitos com um carimbo ou com uma régua e compasso. Infelizmente, não lhe herdei nem o gênio nem o estilo, mas herdei essa mania, até a chegada do computador que deleta a palavra indesejável com menos esforço e compenetração.


Mas não foi para isso que ele me chamou naquela tarde. Queria conversa. Duas horas depois e dois chás que ele mesmo preparou, levou-me até a porta, olhou-me com aquele jeito de gato safado e comentou: ‘Puxa! Como falamos mal de todo mundo!’.


Pulo alguns anos e estou na sala de Rachel de Queiroz. Haviam-me feito candidato à Academia Brasileira de Letras. Não fiz campanha, apenas duas visitas a acadêmicos que revelaram o mau gosto de me conhecer em carne e osso. Não foi o caso de Rachel, mas ela mandou um recado pela sobrinha. Exigia que eu fosse buscar o voto dela pessoalmente. Dirigi-me ao prédio no Leblon, que tem hoje o nome de sua mais ilustre moradora. Ela me recebeu em sua cadeira de balanço. Tudo ali lembrava a miniatura de pequena casa-grande, sala senhorial, despojada, redes, cadeiras e sofás de palhinha, aquele cheiro bom de limpeza, claridade e paz das casas nordestinas.


Mal entrei e, antes de pedir que me sentasse à sua frente, ela me entregou um envelope: ‘Pronto! Aqui estão os votos para os quatro escrutínios! Não se fala mais nisso. Vamos agora falar mal de todo mundo!’.


Anoiteceu e ainda estávamos botando em dia a vida e os feitos alheios. Política, sociedade, Academia, artes em geral, não ficou pedra sobre pedra de nada e de ninguém. Grande Rachel. Não se faz outra igual.


Os dois casos acima lembrados tiveram a minha participação. Lembrarei agora um terceiro, que, por acaso, já contei resumidamente em outro canto de jornal por aí. Noite de chuva, meia dúzia de escritores estava reunida na casa de um famoso dicionarista. De repente, lembraram-se de um colega, notável ensaísta, jurista, historiador, parlamentar e ex-ministro de Estado. Um dos intelectuais foi encarregado de telefonar para o ausente. Recebeu uma resposta definitiva: ‘Não, meu caro, sinto muito, mas está chovendo, já estou recolhido, lendo o meu Montaigne…’.


O intelectual desligou o telefone e informou com cara desolada: ‘Ele não pode vir, está chovendo, já se recolheu, está lendo o Montaigne dele…’.


O dono da casa ficou furioso. Acusou o colega de não ter feito a convocação como devia. Pegou o telefone, discou com raiva para a casa do ensaísta, jurista, historiador, parlamentar e ex-ministro de Estado, exigindo a sua presença. A resposta foi a mesma: ‘Não posso, sinto muito, está chovendo, já estou recolhido, lendo o meu Montaigne…’.


-Uma pena, realmente uma pena! Estamos aqui reunidos, falando mal do Gilberto Freyre…


Do outro lado da linha, a voz veio, terrível: ‘Nem mais uma palavra! Me esperem! Daqui a 15 minutos estou aí!’.’



INTERNET


Tom Zeller Jr.


‘Criminosos dão o golpe da doação pela internet’, copyright O Estado de S. Paulo / The New York Times, 9/09/05


‘Enquanto milhões de americanos se unem para fazer donativos às vítimas do furacão Katrina, a internet está repleta de mensagens e anúncios falsos ou oportunistas relacionados aos esforços de ajuda. O promotor público da Flórida já entrou com uma ação por fraude contra um homem que montou uma das primeiras redes de sites – katrinahelp.com, katrinadonations.com e katrinafamilies.com – com o alegado propósito de coletar doações para as vítimas da tragédia.


Em Missouri, um conjunto muito mais amplo de sites – com nomes como parishdonations.com e katrinafamilies.com – exibe fotos da enchente e conduz o tráfego a um único site, InternetDonations.org, uma entidade sem fins lucrativos com links para grupos anti-semitas. O homem que registrou estes sites foi processado quarta-feira pelo Estado do Missouri por violar a lei estadual de arrecadação de fundos e por ‘omitir o fato de que a companhia por trás dos sites apóia a supremacia branca’.


Na tarde de quarta-feira, o FBI divulgou que 2.300 sites afirmam ter informações e ajuda do Katrina – alguns legítimos, outros não – e a quantidade está aumentando. Dezenas de sites suspeitos, que declaram ter vínculos com entidades beneficentes legítimas, estão sendo investigados pelas autoridades estaduais e federais.


As campanhas de spam por e-mail que usam o furacão como gancho para convencer as vítimas a dar seus números de cartão de crédito aos ladrões também estão sob investigação, assim como sites de notícias falsas de furacões.


No domingo, a companhia de segurança na internet Websense alertou que um site fraudulento hospedado no Brasil, feito para parecer da Cruz Vermelha, pedia doações por meio de cartões de crédito, Quando o internauta fornecia seus dados e fazia a ‘doação’, era redirecionado para o verdadeiro site da Cruz Vermelha, o que tornava difícil perceber o golpe.’



Folha de S. Paulo


‘eBay pode comprar site de telefonia Skype’, copyright Folha de S. Paulo, 9/09/05


‘A empresa de leilões pela internet eBay negocia a compra do serviço de telefonia via web Skype por um valor entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões, segundo reportagem publicada ontem pelo jornal americano ‘Wall Street Journal’.


As duas empresas não quiseram comentar o assunto ontem e disseram que se tratava de boatos e especulação.


As ações do eBay caíram 3,8% ontem após a publicação da notícia, e vários analistas do mercado de internet disseram que não fazia sentido que o site de leilões comprasse o Skype.


‘Eu ficaria chocada e desapontada se o eBay fizesse esse movimento de entrar no mercado de telefonia’, disse Maribel Lopez, analista da Forrester Research. ‘Várias outras empresas [Google, Yahoo e Microsoft] já oferecem voz como parte do sistema de mensagens instantâneas.’


Para Lopez, se o eBay realmente tiver interesse em comprar o Skype, será com o objetivo de fortalecer os canais de comunicação entre compradores e vendedores nos leilões on-line.


O software gratuito do Skype permite que os usuários conversem de graça usando seus computadores, via internet, por meio da tecnologia VoIP (voz sobre protocolo de internet). O sistema também permite fazer ligações para telefones convencionais a tarifas menores que as de operadoras tradicionais.


O Skype tem 53 milhões de usuários registrados, e a empresa diz que, a todo momento, aproximadamente 2 milhões de pessoas usam o serviço.


O eBay havia dito em abril que poderia fazer parcerias com operadoras de telefonia celular e provedores de serviços VoIP. (Com agências internacionais)’



O Globo


‘eBay negocia serviço de telefonia da Skype ‘, copyright O Globo, 9/09/05


‘O site de leilões online eBay Inc. está negociando a compra da empresa de telefonia por internet Skype Technologies S.A. por um valor entre US$ 2 bilhões e US$ 5 bilhões, informou ontem o ‘Wall Street Journal’, citando fontes próximas à transação. A notícia fez com que as ações do eBay caíssem 4% ontem, devido ao temor de que seus lucros sejam afetados pela Skype.


O ‘Journal’ ressaltou que o acordo representaria uma mudança dramática na estratégia do maior site de leilões online do mundo. Segundo o jornal, as negociações ainda não estão fechadas. Os representantes das empresas não quiseram comentar a reportagem.


Em julho passado, o Skype chegou a negociar sua venda ao conglomerado de mídia News Corp. (controlador dos estúdios Fox, de cinema e TV, entre outros), por US$ 3 bilhões, mas as conversas foram suspensas. Segundo o ‘Journal’, Yahoo! e Microsoft também mostraram interesse pela Skype, mas teriam se assustado com o alto valor pedido pela empresa.


O motivo de tanto interesse pela Skype é que o serviço de telefonia pela internet, o chamado VoIP, está crescendo e pode se tornar uma pedra no sapato das operadoras de longa distância.


Fundado por Niklas Zennström – que também criou o serviço de troca de arquivos de música online Kazaa – e Janus Friis, o Skype, com sede em Luxemburgo, oferece serviço de VoIP desde julho de 2004. Desde então, conquistou 40 milhões de usuários fixos, e 126 milhões baixaram o software do serviço.


Comprando a Skype, o eBay teria acesso a novos mercados e serviços internacionais, disse o ‘Journal’. Nos últimos anos, o site de leilões tem feito investimentos e aquisições.


A fonte disse ao jornal que o eBay quer agregar serviços que facilitem a compra e venda de mercadorias pela internet, a exemplo do que fez em 2002, quando comprou o sistema de pagamento online PayPal. Um serviço de VoIP também seria uma fonte de receita, acrescentou o ‘Journal’.


– Este seria um grande passo além do negócio de leilões para o eBay e poderia ser uma mudança estratégica para a empresa à medida que a indústria de telecomunicações começa a crescer de novo – disse o analista independente Jeff Kagan à Reuters.’


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