Domingo, 16 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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ENTRE ASPAS >

Carlos Novo

22/02/2005 na edição 317

‘Ronaldo jogou bem e tudo parece indicar que conseguiu afastar os paparazzi da festa com que celebrou seu compromisso matrimonial com a top model brasileira Daniella Cicarelli, celebrada na tarde e noite da última segunda-feira (14/02) no castelo de Chantilly, a 35 quilômetros de Paris.

Por enquanto não apareceram fotos nem imagens da comemoração e só uma câmera da Real Madrid TV fez no interior do castelo um filme para uso exclusivo dos noivos. Dentro de alguns dias se saberá se, como insistem vários veículos de comunicação brasileiros, o casal o vendeu com exclusividade para a revista ‘Hola’ por 400 mil euros, o que nega com veemência o relações-públicas do jogador.

A festa não foi propriamente um casamento, porque Ronaldo ainda não concluiu o divórcio de sua primeira esposa, Milene Domingues, mãe de seu filho Ronald. Apesar disso, um sacerdote brasileiro oficiou uma espécie de cerimônia. Deu a bênção, citou a passagem da Bíblia referente às bodas de Canaã e como fórmula de compromisso perguntou ao jogador: ‘Deseja tornar Daniella feliz?’ Ele respondeu ‘sim’ e logo o casal trocou alianças, compradas na famosa joalheria Tiffany’s de Nova York. Ronaldo vestia fraque e Daniela um vestido de noiva branco desenhado pelo estilista italiano Valentino.

O banquete foi um generoso bufê regado a 200 garrafas de vinho Vega Sicilia. Na sobremesa brindou-se com champanhe francês e depois o pai e um irmão do jogador distribuiram entre os convidados charutos Montecristo. Os padrinhos foram Florentino Pérez e Massimo Moratti, presidentes do Real Madrid e da Inter de Milão, os dois últimos clubes de Ronaldo.

Entre os convidados não se encontrava Adriano, o atacante da Inter e último capricho de Florentino. Também não se sabe se o presidente branco (cor do Real) fez uma oferta por ele a Moratti. Ronaldinho também não esteve, pois na segunda-feira à tarde treinava com o Barça, mas sim outros brasileiros que jogam no futebol italiano, como Kaká, Dida ou Cafu.

Entre os esportistas espanhóis não-futebolistas participaram o golfista Sergio García e o piloto Fonsi Nieto. Entre os artistas podia-se ver Paz Vega.

O jantar terminou depois da uma e a festa continuou para quem quis em uma discoteca da moda em Paris. No meio da manhã os jogadores voltaram num vôo fretado e treinaram às 16:30. Menos Ronaldo, que chegou mais tarde devido a um atraso em seu vôo e perdeu o treino. Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves’



Marcelo Coelho

‘‘Blecaute midiático’ neutraliza expectativas’, copyright Folha de S. Paulo, 20/02/05

‘Então é isso. Para decepção do público e dos jornalistas, o ‘casamento do século’ se fez a portas fechadas. Não rendeu foto nenhuma, exceto a do castelo de Chantilly, iluminado como num cartão-postal da Disneylândia, e a de Ronaldo e Daniella, ainda em trajes comuns, saindo de um hotel entre guarda-costas e guarda-chuvas.

Tudo protegido, cercado, preservado. Noticiou-se que as grades em torno do castelo foram cobertas de panos pretos para vedar o olhar dos curiosos. Mas não se pode dizer que tenha sido uma cerimônia íntima; o que se preservou, cercou e protegeu não foi a vida particular do casal -cujos pequenos amuos e desentendimentos haviam ocupado os sites de fofocas nas últimas semanas.

Mal comparando, o casamento foi vedado com insulfilme. Ninguém põe insulfilme no carro para ‘preservar a própria intimidade’. Não há, salvo uma ou outra ocasião escusa, particularidades de comportamento a esconder por trás do vidro fumê. Como todos sabem, usa-se insulfilme mais por uma questão de segurança; protege-se o patrimônio, não a privacidade de quem está sobre quatro rodas.

Numa palavra, interessa mais afastar quem está de fora do que garantir o conforto de quem está dentro. Por isso mesmo, a grande notícia da noite foi a que envolveu a modelo Caroline Bittencourt. Barrada na porta da festa, ela terminou virando celebridade. Numa mesma pessoa, juntou-se o mundo dos ‘excluídos’ e o dos belos e invejáveis.

Nada impediria, eu acho, que depois de uma sessão fotográfica os jornalistas fossem convidados a se retirar do casamento, deixando todos contentes. Mas não acho que Ronaldo e Daniella estejam errados.

Não se tratava de uma cerimônia pública, feita de pura pompa, para consumo da plebe, como ocorre nos casamentos das grandes casas reais européias. Ronaldo não é um ‘rei’, ele é o ‘fenômeno’: qualidade que, dadas as instabilidades pelas quais passou sua carreira futebolística, é menos uma questão de direito de nascença do que de um desempenho que cumpre renovar a cada jogo. Nos tempos de Pelé, não havia, ao que eu saiba, o costume ‘democrático’ de eleger a cada ano o melhor jogador do mundo.

Fenômeno, num sentido estrito do termo, é tudo aquilo que aparece, que se dá a conhecer, que surge diante de nossos sentidos, em oposição ao mundo das essências, das entidades ideais e inatingíveis. O bloqueio, a blindagem visual do casamento em Chantilly parece ter sido fruto da necessidade de criar um ‘antifenômeno’. As expectativas em torno da festa foram assim neutralizadas, num blecaute midiático.

O caso tem algo de semelhante com o que aconteceu na Copa da França. No momento crucial, Ronaldo como que sumiu de cena; talvez agora o seu desejo de fugir aos olhos de todo mundo, de ausentar-se do espetáculo, esteja sendo reencenado em chave mais feliz.

Se a ‘boda’ -para usar a linguagem das revistas especializadas- não foi uma cerimônia público-política como as que acontecem na corte britânica ou espanhola, tampouco seguiu à risca o estilo ‘emergente’. Marta Suplicy e Favre, ocupando páginas e páginas de ‘Caras’, representaram a passagem da política radical-chique ao mundo do deslumbramento novo-rico.

Numa boda de emergentes haveria fotos e reportagens sem limite. Mas o que interessava, aqui, era diferenciar-se de um tipo de comportamento que cada vez mais se parece com a transparência total do Big Brother. Esbanjamento houve para ninguém botar defeito; mas como estratégia de distinção de classe, não como alimento do voyeurismo de uns e do exibicionismo de outros.

Em suma, o que tivemos foi um evento ao estilo do velho ‘jet set’ internacional -Onassis, Ira de Furstenberg, Madame Sukarno, esse tipo de coisa-, e não um show televisivo. Interessa mais excluir do que se expor, mais marcar o luxo e o privilégio do que desfrutar da celebridade em tempo integral. Quem se casa em Chantilly dispensa cobertura.’



Folha de S. Paulo

‘Cenas de um casamento’, copyright Folha de S. Paulo, 20/02/05

‘A mídia eletrônica gastou pouco, mas teve um alto retorno com o casamento do jogador Ronaldo, 28, e da modelo Daniella, 26, na última segunda-feira em um castelo nos arredores de Paris.

A cerimônia, apesar de fechada para a imprensa, rendeu até quatro horas de assunto nas TVs e recordes de audiência para os sites de celebridades. O principal combustível do fenômeno foi a notícia de que a noiva expulsara da festa a modelo Caroline Bittencourt, que virou celebridade instantânea.

A Record declara ter dedicado quatro horas de sua programação ao tema, a maior parte desse tempo com debates e até uma sátira no ‘Show do Tom’. Mas não mandou um jornalista à França.

‘Pegamos as informações [de sites e jornais] e de informantes que estavam lá e entrevistamos especialistas, como um professor de etiqueta’, diz Sonia Abrão, apresentadora do ‘Sonia e Você’.

Até a Globo apelou ao expediente. Usou o ‘gancho’ do suposto ciúme doentio de Daniella para uma longa conversa sobre temperamento feminino no matinal ‘Mais Você’.

Somados o ‘debate’ mais a cobertura em seus telejornais, a Globo gastou quase 45 minutos com o ‘casamento do ano’. A emissora destacou seu correspondente em Paris, que entrou no castelo horas antes da cerimônia.

A Band mobilizou seu correspondente em Paris e o de Madri e também entrou no castelo. A emissora abordou o assunto nos telejornais e em programas. Foram, no total, 70 minutos de Daniella e Ronaldo, que atingiram picos de seis pontos, quase o triplo de sua audiência média diária.

A Rede TV!, a mais ‘pobre’ das redes, foi a que mais enviou profissionais para Paris: os humoristas Rodrigo Scarpa e Wellington Muniz, do ‘Pânico’, um câmera e um produtor. Ficou duas horas e meia no ar com o assunto, que chegou a lhe dobrar a audiência.

Mas foi uma ‘aventura de mochileiro’, na expressão de Scarpa. A hospedagem foi em albergue, e a verba para a equipe passar dois dias em Paris era de apenas 1.000 (cerca de R$ 3.370).

‘Só no primeiro táxi gastamos 400’, conta Scarpa. ‘Mas o pior foi que o casamento em si não rendeu, porque as pessoas não falavam com a gente. Tivemos que fazer zoeira na torre Eiffel para completar’, diz Scarpa.

Sites de celebridades como ‘Babado’ e ‘Glamurama’, do IG, e ‘Dirce’, da Globo.com, também não enviaram repórteres à festa. Seus editores dizem que bateram recordes de audiência e produziram até 60 notas do Brasil.

A reportagem sobre a expulsão de Caroline Bittencourt, produzida pelo enviado especial da Folha, foi a mais lida no site da Folha Online durante 14 horas.

Do outro lado dos holofotes

Em apenas dois dias, o cachê para desfiles da modelo saltou ‘de cerca de R$ 1.000 para R$ 20 mil’, de acordo com o diretor da agência Mega, Eli Hadid. Segundo ele, clientes ligaram perguntando sobre a modelo e se os R$ 15 mil que cobrava para estrelar campanhas publicitárias subirão nos próximos contratos.

‘A curto prazo, a Caroline vai ser a mulher do momento’, avalia Vanessa Baroni, consultora de imagem e etiqueta. ‘Mesmo que tivesse dado motivos para isso acontecer, a Caroline só ganhou: ela foi ‘a expulsa’ da festa.’

Para Washington Olivetto, da agência W/Brasil, que cuida da campanha da marca Reebok com Cicarelli, seu cliente não foi prejudicado. ‘Essa história da briga vai se diluir em cinco ou seis dias. A Reebok tem um target jovem, que não se influencia com isso.’

Olivetto afirma que a campanha da marca de tênis foi pensada estrategicamente para coincidir com a época do casamento.

Após o anúncio da união com Ronaldo, Cicarelli foi contratada, com o cachê engordado, pela Ellus e pela operadora de telefonia móvel Tim, da qual o marido já era garoto-propaganda. Na MTV, seu novo contrato também prevê aumento de salário. Ela já tem data para gravar e para estrear, mas ainda não assinou o documento.’

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