Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1018
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ENTRE ASPAS >

Carol Knoploch

21/09/2004 na edição 295

‘Faz 24 anos que Ione Borges está no ar, sem pausa. Atual apresentadora do Pra Você, da Gazeta, começou a freqüentar os holofotes aos 12 anos, cantando em programas infantis. Antes de assumir o tradicional Mulheres – hoje sob o comando de Cátia Fonseca -, fez carreira como manequim ‘de passarela’ para grandes magazines, embora meça 1,64 metro.

Ao Estado, Ione fala sobre passado e presente dos programas femininos e da vontade de escrever um livro de sua trajetória – especialmente sobre os convidados que sentaram em seu sofá.

Estado – Como começou?

Ione Borges – Minhas primeiras aparições na TV foram em programas infantis, principalmente na Record. Eu cantava músicas da Celly Campello. Meu pai era músico e eu até que cantava direitinho. Entre os 12 e 13 anos, comecei uma carreira de modelo e manequim de passarela. Nesse meio tempo, fiz publicidade, cinema e até uma participaçãozinha na novela Meu Pedacinho de Chão, de Benedito Ruy Barbosa.

Estado – Como foi essa fase de manequim?

Ione – Tinha um fotógrafo que morava perto de casa que precisava de uma manequim. Eu era muito novinha, não ia sozinha aos locais de trabalho, meu pai era desconfiado. Como não tinha ninguém para me acompanhar, o fotógrafo foi em casa. Depois fiz muitos comerciais e curtas-metragens.

Estado – Era muito diferente ser manequim?

Ione – Eu comecei a desfilar pela Clipper, um grande magazine, que na época era forte concorrente do Mappin e da Mesbla. Depois fiquei 10 anos no Mappin, havia desfiles diários. Era muito diferente, sim. As seleções eram mais rigorosas. Não era qualquer rostinho bonito que abafava. O Brasil também não era o País do bumbum, diga-se.

Estado – Quais eram as suas medidas?

Ione – Sempre tive corpinho certinho. Não tinha altura para manequim de passarela. Imagine, tinha 1,64 de altura. Quando recebi o primeiro troféu de manequim revelação – sim, na época tinha este tipo de premiação -, saí no jornalzinho da faculdade. O título era assim: ‘Manequim revelação mede apenas 1,64 metro.’

Estado – Você teve uma confecção?

Ione – Minha confecção era de moda feminina, para jovens e jovens senhoras elegantes. Sempre fomos chiquérrimas. Quando assumi meu primeiro programa na TV, tive de me desfazer do negócio.

Estado – Como era o programa?

Ione – Peguei o bonde andando e não tive como mudar nada, nem cenário.

Entrei no lugar da Clarice Amaral, que tinha 11 anos de programação feminina. Só o nome mudou: era Clarice Amaral em Desfile e ficou Mulheres em Desfile. Eu tremia feito vara verde.

Estado – Os femininos eram muito diferentes na época?

Ione – Culinária e moda sempre fizeram parte dessas atrações. Quem não lembra da querida Ofélia? Brincávamos que quem nunca havia passado pelo Mulheres Deus duvida. Ela ficou um tempão na Band, mas também trabalhou na Gazeta. Aos poucos, fomos deixando o programa mais informativo. Começamos a ter psicólogos, pediatras e advogados que tiravam dúvidas no ar. Chegamos a ter o Eduardo Suplicy como comentarista econômico.

Estado – Quando o sexo começou a ser abordado nesses programas?

Ione – Nos anos 80. O TV Mulher veio depois do Mulheres e não teve a longevidade do Mulheres. É bom lembrar que nós também tivemos a Marta Suplicy como nossa sexóloga. O Mulheres foi pioneiro em campanhas beneficentes, quadros em que visitávamos a casa de famosos, comentários sobre notícias de jornais e revistas, entre outros. O duro hoje é fazer coisas diferentes.

Estado – Como foi o fim da parceria com a Claudete?

Ione – Durou 15 anos. Mais que um casamento. Uma tem de querer a separação, não é? Ela queria dar o grito de liberdade, não foi especificamente por nenhum motivo. Até a direção sentiu que a relação estava um pouco desgastada. Ela continuou aqui, com o Pra Você, de manhã, e eu reformulei o Mulheres. Quando eu fui para a noite, com o Ione, ela voltou para o Mulheres e depois foi para a Record.

Estado – As pessoas confundiam os seus nomes?

Ione – Assim como confundem o Chitãozinho com o Xororó e vice-versa. Ainda acontece comigo e com ela.

Estado – Quais os momentos mais difíceis que teve de segurar ao vivo?

Ione – Preciso me organizar para escrever um livro. Assim, de bate-pronto, não lembro de muita coisa. A morte da Elis Regina, do Ayrton Senna, do Tancredo Neves foram difíceis.

Estado – Quem gostaria de entrevistar?

Ione – O Chico Buarque (risos).’



REDE TV!
Daniel Castro

‘Rede TV! é campeã de merchandising’, copyright Folha de S. Paulo, 20/09/04

‘A Rede TV! é a emissora nacional que mais exibe merchandising, formato de publicidade que varia da rápida aparição de um produto em uma cena de novela ao testemunhal de um apresentador de programa de auditório.

Estudo inédito feito para a Folha pelo Controle da Concorrência, serviço que monitora publicidade, mostra que a Rede TV! exibiu pouco mais de 210 horas de merchandising de janeiro a agosto deste ano na Grande São Paulo. Do total do merchandising transmitido pelas cinco maiores redes, a Rede TV! responde por 41%.

A Band vem em segundo lugar no ranking do merchandising, com 160 horas (30% do total). A Record é a terceira. Transmitiu 91 horas de merchandising (17%). Em seguida, ficaram SBT (49 horas, 9%) e Globo (17 horas, 3%).

Os dados mostram que o merchandising é uma importante fonte de receitas para as redes menores, nas quais o espaço publicitário é mais barato e o anunciante pode ocupar mais tempo. O merchandising, que costuma irritar e afastar telespectadores, é o segundo formato mais usado na TV, ocupando 14% de todo o tempo de publicidade irradiada pelas redes. O primeiro formato é o da propaganda nos intervalos, com 82% do tempo de publicidade.

‘A Casa É Sua’ (Rede TV!), ‘Bom Dia Mulher’ (Rede TV!) e ‘Melhor da Tarde’ (Band) foram os programas que mais transmitiram merchandising neste ano.

OUTRO CANAL

Namoro ou amizade?

Pode estar pintando um clima de ‘romance’ entre Gugu Liberato e a Record. Interlocutores do apresentador teriam sinalizado à cúpula da Record que ele poderia mudar de emissora caso Silvio Santos resolva exibir o ‘Domingo Legal’ sempre gravado, e não mais ao vivo, o que prejudicaria o programa no Ibope.

Outro lado

Gugu nega qualquer aproximação com a Record. Diz que tem contrato com o SBT até 2006.

Esforço 1

O governo venezuelano voltou a afirmar que o Brasil será parceiro da Telesur, rede de televisão que Hugo Chávez quer criar, inicialmente em toda a América do Sul, para se ‘contrapor à CNN’.

Esforço 2

Sites hispânicos noticiaram na semana passada que Chávez e Lula teriam assinado uma carta de intenções para a criação do canal noticioso. Mas o governo brasileiro nega já ter aderido. Diz que o assunto apenas foi mencionado pelo presidente da Venezuela em reunião com Lula em Manaus (AM), na última quarta.

Agenda

A Globo reservou a noite de 18 de dezembro para a exibição do tradicional especial de fim de ano do cantor Roberto Carlos. Não será mais um show ao vivo, como se cogitou. A emissora ainda procura local para gravá-lo.’



SENHORA DO DESTINO
Bia Abramo

‘Beijo gay esconde truques por audiência’, copyright Folha de S. Paulo, 19/09/04

‘Agora é moda. Novela que é novela tem que ter beijo lésbico. O casal da vez está em ‘Senhora do Destino’. As moças são Eleonora (Mylla Christie) e Jenifer (Barbara Borges), que acabaram de iniciar um romance. Menos glamourosas que o casal de ‘Torre de Babel’, formado por Silvia Pfeiffer e Christiane Torloni, mais maduras que as meninas vividas por Aline Morais e Paula Picarelli, de ‘Mulheres Apaixonadas’, Eleonora e Jenifer vão viver um drama ao tentarem adotar uma criança.

Com essa abundância de casos de lesbianismo televisivo, daria até para pensar que a sociedade brasileira está se tornando mais tolerante em relação ao homossexualismo, que isso é um avanço em direção a um ambiente de respeito à diversidade sexual, que a hipocrisia em relação à sexualidade em geral diminuiu… Será mesmo?

Nem tanto. A formulação de algumas hipóteses para explicar esse súbito ataque de tolerância se impõe. Ainda que entre a primeira novela a fazer alusões veladas ao tema, ‘O Rebu’ (1974), e o beijo de Eleonora e Jenifer alguns passos em direção à discussão menos preconceituosa tenham sido dados, a recorrência mais recente do tema deve procurar outras explicações.

Em primeiro lugar, não é à toa que a maioria dos casais homossexuais que aparecem são formados por mulheres. O olhar machista classifica a homossexualidade feminina como: a) menos ‘séria’ e b) mais palatável. A brincadeira erótica entre mulheres é excitante e faz parte do repertório pornográfico. É como se as moças, entediadas à espera do falo, se entretivessem uma com a outra. É como se a negociação com o moralismo do público passasse por uma barganha do tipo: bem, já que vai ter que falar de homossexualidade -porque o assunto ganhou uma visibilidade no noticiário e na vida social muito maior do que à época de ‘Torre de Babel’- que seja a feminina, pelo menos.

Com homem no meio, só Silvio de Abreu teve coragem. Em ‘A Próxima Vítima’, Abreu construiu uma boa história de amor gay e inter-racial entre os jovens Sandrinho (André Gonçalves) e Jeferson (Lui Mendes). Mais recentemente, ele se saiu com uma provocação ainda maior, ao juntar a transexual Ramona (Cláudia Raia) e Leonardo (Alexandre Borges), que tiveram direito a final feliz em ‘As Filhas da Mãe’.

Em segundo lugar, porque há uma espécie de nova licenciosidade nas novelas. Ousar -simplesmente por ousar, para botar o limite do aceitável a alguns centímetros adiante- tornou-se moeda de troca na busca por audiência. Quer se trate de violência -como em ‘Celebridade’ ou ‘Da Cor do Pecado’- quer se trate de questões polêmicas -a próxima novela das oito já levanta a lebre da crueldade contra animais, ao retratar o mundo dos rodeios-, a ordem é ter um arsenal preparado para produzir índices noticiáveis de audiência.’



Daniel Castro

‘Telespectadora se vê em Maria do Carmo’, copyright Folha de S. Paulo, 16/09/04

‘Os principais responsáveis pelo sucesso da novela ‘Senhora do Destino’ são os personagens de Suzana Vieira (Maria do Carmo) e José Wilker (o ex-bicheiro Giovanni Improtta). É o que revela pesquisa feita na semana passada em São Paulo pela Globo, com grupo de telespectadoras.

Esse tipo de pesquisa normalmente é realizada um mês após a estréia da novela para consertar rumos da trama. No caso de ‘Senhora do Destino, que estreou bem no Ibope, só foi feita agora para explicar o sucesso da novela, que registra média de 46 pontos na Grande São Paulo, o melhor desempenho até o 67º capítulo desde 1999.

Os primeiros dados da pesquisa (que ainda não foi apresentada à cúpula da Globo) mostram que a telespectadora média de ‘Senhora do Destino’ se identifica com a protagonista Maria do Carmo, a mãe protetora que deixou o Nordeste e venceu no Sudeste. As telespectadoras ainda disseram que pessoas como Giovanni ‘também fazem parte da vida delas’.

Para as telespectadoras, ‘Senhora’ é mais realista do que novelas que se dizem realistas, como as de Manoel Carlos. ‘Entendo por que as pessoas acham isso. Nesta novela, os personagens saem todos os dias para trabalhar, pegam ônibus. Estava faltando este cotidiano nas novelas’, afirma o autor, Aguinaldo Silva, que não participou da pesquisa (e não gostou de ter ficado de fora).

OUTRO CANAL

Bíceps 1

É grande a pressão da cúpula da Globo sobre Xuxa Meneghel. Insatisfeita com a audiência do ‘Xuxa no Mundo da Imaginação’, a Globo encarregou o diretor Roberto Talma de fazer uma mudança geral no programa. A emissora quer um novo formato e novos conteúdos. O formato de programa de auditório, aliás, é o grande vilão, na opinião da cúpula da rede.

Bíceps 2

Na semana passada, o programa de Xuxa só foi líder de audiência na sexta-feira. Empatou em um dia com o SBT e perdeu nos outros três. Nesta semana, sem contar ontem, o placar é de sete pontos para o SBT a cinco para Xuxa _que acaba derrubando o ‘Sítio do Picapau Amarelo’, exibido em seguida.

Caixa

A Globo já vendeu as cinco cotas de patrocínio das transmissões de futebol em 2005. Os patrocinadores serão os mesmos deste ano (Itaú, Ambev, Alpargatas, Vivo e Coca-Cola). Cada um pagará R$ 76,4 milhões.

Acerto

Marcos Mion e MTV devem assinar contrato entre hoje e amanhã. O apresentador e ator recuou da exigência de que a MTV retirasse imediatamente ação que move contra ele, por plágio de quadros da emissora em programa que fez na Band. Ou seja, por algum tempo, Mion será funcionário de uma empresa que o processa. Ele terá um programa semanal na MTV.’

***

‘Demagogo vira prefeito na novela das oito’, copyright Folha de S. Paulo, 19/09/04

‘Reginaldo (Du Moscovis), o político demagogo de ‘Senhora do Destino’, vai, sim, conseguir virar prefeito de Vila São Miguel, o lugar fictício que representa a Baixada Fluminense (RJ) na novela da Globo.

A informação é do autor da trama, Aguinaldo Silva. Nos próximos capítulos, Reginaldo sairá vitorioso no plebiscito pela emancipação de Vila São Miguel. Depois, será o primeiro prefeito do lugar, com ‘o apoio de um partido de esquerda!’.

A coincidência da campanha na novela com a campanha eleitoral real é proposital, diz Silva. A mensagem? ‘Não vote em demagogos nem em populistas. A decepção será enorme’, discursa o autor.

Simpatia 1

Luana Piovani finalmente se cansou da ‘perseguição’ do programa ‘Pânico na TV’ (Rede TV!) e aceitou o troféu ‘Sandálias da Humildade’.

Simpatia 2

Em evento na semana passada, Luana ‘fez as pazes’ com o programa (que exibe o material hoje). Mas não chegou a calçar as sandálias douradas (e baratas) oferecidas pelo Repórter Vesgo (Rodrigo Scarpa).

Ela mesma

Vera Fischer grava nesta semana participação em ‘Senhora do Destino’. Será a ex-miss Vera Robinson (uma homenagem à própria atriz e à personagem que ela interpreta em peça). Sua missão: seduzir Viriato (Marcelo Anthony) e acusá-lo de tentativa de estupro.’

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