Segunda-feira, 21 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

ENTRE ASPAS > TELENOVELAS

Carol Knoploch e Renata Gallo

17/02/2004 na edição 264

‘O entusiasmo da Record em voltar a bancar a produção de novelas nacionais reacende o debate sobre todas as dificuldades de se fazer novela fora dos domínios da Globo. Nesse mesmo contexto, o SBT, que vem se mantendo na produção do gênero com base em textos mexicanos traduzidos para o português, consegue até bons 15 pontos de audiência com a atual Canavial de Paixões, mas, mesmo assim, cogita outra pausa: a vaga de Canavial poderá ser ocupada apenas por uma mexicana dublada. A Band só ensaia retorno aos textos nacionais, enquanto exibe tramas portuguesas da produtora NBP.

Diretor Artístico e de Operações da Record, Del Rangel afirma que o objetivo da emissora é engatar uma história na outra. Mas essa meta já foi discurso anunciado em outros tempos, pelo SBT, pela Band e até pela própria Record, que agora produz a novela Metamorphoses com a produtora Casablanca. ‘Agora que Metamorphoses está em plena produção, já estou pensando em outra novela.

É preciso criar o hábito no nosso telespectador.’

O vice-presidente da Band, Marcelo Parada, promete que depois de Olhos d’Água, no ar desde o janeiro, e Morangos com Açúcar, a partir de março, a Band apostará na área. ‘É a nossa intenção, mas sei que a caminhada é longa.

Até porque, ao apostar em dramaturgia, são necessários, no mínimo, uns cinco anos para engrenar. É natural que se erre neste processo e é preciso ter chances para acertar. Sei que, em um livro de 200 páginas, estamos no prefácio.’

Pode-se dizer que desde Irmãos Coragem (1970), de Janete Clair, a Globo é referência no assunto. Poucos folhetins ameaçaram a emissora nesses 34 anos.

A maior pedra no sapato da família Marinho já foi extinta e atendia por TV Manchete, a única que efetivamente bancou uma novela atrás da outra nesse período.

Nascida da falência da Tupi, em 1980, juntamente com a TVS (hoje SBT), foi a Manchete que mais vezes acertou nesse contexto. Começou com Marquesa de Santos, em 1984, incomodou a Globo com Dona Beija, em 1986, e roubou significativa fatia de público da Globo com Pantanal, em 1990 (ver matéria ao lado). Foi assim que a Manchete bateu fácil a Band e a Record, ambas bem mais antigas, e não abandonou o barco nem à beira da falência, quando teve de interromper Brida pela metade. Os invejosos diriam que esse investimento desenfreado em teledramaturgia contribuiu para a falência do canal, mas a verdade é que a Manchete foi ao chão por má administração do Grupo Bloch.

No pacote de exemplos bem-sucedidos fora do plim-plim também se destacam Os Imigrantes (1981), da Band, Éramos Seis (1994), do SBT, e Xica da Silva (1996), da Manchete.

‘A Globo tem uma longa tradição em teledramaturgia, vem formando profissionais de altíssimo gabarito há muitos anos. Temos uma qualidade de produção muito aprimorada e um casting de primeira’, constata Walcyr Carrasco, que é exceção à regra: autor de Chocolate com Pimenta, é o único que foi absorvido pela Globo após criar fama na concorrência – sem contar os veteranos que vieram da Tupi ou Excelsior, claro.

‘As outras emissoras freqüentemente começam um projeto e param, e, assim, não criam tradição na área. Cada vez que se começa um núcleo, tudo começa de novo. E são tantos os detalhes, como, por exemplo, o próprio acervo que facilita a direção de arte’, comenta Carrasco. Foi ele quem respondeu por Xica da Silva, o último grande sucesso da Manchete, inicialmente sob o pseudônimo de Adamo Angel – na época, o autor era contratado pelo SBT, mas não vinha sendo aproveitado pela emissora de Silvio Santos e topou o convite de Walter Avancini para escrever Xica. Na seqüência, bingo, o autor foi contratado pela Globo.

Furando o cerco – Se houve alguém que testemunhou vários episódios de ascensão e queda de núcleos de dramaturgia fora da Globo, esse alguém é Nilton Travesso. Foi ele quem levou Jayme Monjardim ao comando do setor na Manchete, na fase áurea da emissora; foi ele quem implantou e comandou o time responsável pelas melhores produções do SBT – Éramos Seis, As Pupilas do Senhor Reitor (1994), Sangue do Meu Sangue (1995), Razão de Viver (1996) e Ossos do Barão (1997) -; e fez o mesmo na Band, com Serras Azuis (1998) e Meu Pé de Laranja Lima (1998). Para ele, o sucesso de uma novela está calcado na escolha de um bom autor. ‘Não é o elenco que dá audiência, mas sim uma boa história’, explica.

No entanto, quando Travesso optou por fazer o remake de Éramos Seis, no SBT, teve muita dificuldade para conseguir bons atores. ‘A Irene Ravache foi uma das primeiras a aceitar e só depois que ela decidiu se arriscar é que ficou mais fácil e vieram os outros’, conta.

Para Carrasco, no entanto, o maior empecilho para se criar um núcleo de dramaturgia é o investimento e não a falta de autores na praça. Mas a Globo, que detém exclusividade sobre os melhores autores do ramo, bem sabe que eles são peças essenciais nesse processo. Tanto que, ao ser questionado sobre até quando está contratado pela Globo, Carrasco desconversa: ‘Por muitos anos ainda…’

Segundo o diretor-geral do Núcleo de teledramaturgia do SBT, David Grinberg, a falta de autores disponíveis no mercado fez com que a emissora fechasse acordo com a mexicana Televisa, de 2000 a 2008. ‘E, até lá, não podemos desrespeitar esse acordo, apesar de achar interessante trabalhar com autores brasileiros’, comenta Grinberg.

A cobiça por autores de novela já rendeu um episódio ímpar na história da TV. Em 1996, o SBT contratou Glória Perez, Walther Negrão e Benedito Ruy Barbosa. A Globo contra-atacou, aumentou a oferta aos três e os convenceu a voltar. Para tanto, bancou a briga jurídica e tenta driblar uma multa rescisória que ultrapassa os R$ 20 milhões. Hoje, a história ainda está sub judice.

Para Benedito Ruy Barbosa, o ‘pai’ de Pantanal, esta foi a grande jogada de mestre da emissora. ‘O sucesso de uma novela começa no papel e, quando a Globo segurou os autores, segurou também a matéria-prima. As emissoras podem ter o elenco que quiserem, mas não se faz novela sem um bom texto’, diz.

Antes porém de conhecer a estabilidade da maior emissora do País – ele tem contrato até 2007 -, Benedito se aventurou por outras casas. Ele é do tempo em que autor de novela recebia o salário por obra e que para ganhar dinheiro fazia trabalhos seguidos. Ele mesmo fez quatro novelas consecutivas.

Trabalhou na Band, na Manchete e, em relação ao caso de 1996, diz que estava realmente resolvido a ‘fazer novela para valer em São Paulo’. Fala que essa história foi uma sucessão de erros que prefere não comentar.

Para ele, a grande falha das emissoras é exatamente o que Grinberg vê como saída: optar por adaptações de textos enlatados, o que, na opinião de Benedito, nada tem a ver com o gosto nacional. ‘As novelas do Silvio Santos são uma mesmice, até os nomes são parecidos.’

Identidade – o vice-presidente da Band, Marcelo Parada, afirma que há espaço para outro pólo de dramaturgia no País. Na sua opinião, o investimento é o maior rival. ‘Nossa produção tem de ter custos compatíveis com a nossa realidade de ibope e, conseqüentemente, de investimento. A disputa com a Globo, que é a referência, é cruel. Se eu soubesse como bater o concorrente nessa área, seria o profissional mais bem pago da TV do planeta!’, brinca Parada, que coloca a dramaturgia, ao lado de telejornais e programas de entretenimento, como os pilares de sustentação de uma emissora.

A Band até que tentou investir na área e obteve com Os Imigrantes, nos anos 80, sua melhor performance. Na década passada, veio outra tentativa com Serras Azuis, mas a média de 3 pontos de audiência não animou a emissora.

‘Era um canal masculino, nenhuma mulher sabia que a Band estava fazendo novela’, justifica Travesso, diretor de Serras Azuis.

‘O que fazer quando só se tem um produto?’, questiona Travesso. Para ele, é praticamente impossível concorrer com a Globo, que tem mais de 30 anos de tradição.

Jayme Monjardim concorda. ‘Se mesmo a Globo, tendo os melhores autores, melhores diretores e melhores atores, pode errar, imagine quem não tem toda essa estrutura?’Para Monjardim, fazer uma novela com um grande autor e um grande diretor é um selo de tranqüilidade que só a Globo tem.

No que isso vai dar? – Del Rangel, que já trabalhou na Globo e nos núcleos de dramaturgia do SBT e da Band, vê na parceria com a produtora Casablanca a saída para se ter novela nacional com qualidade. ‘É uma produção independente, mas a Record tem poder de veto. Eu vejo todo o material duas vezes por semana, leio os textos, faço observações.’ E está animado: ‘Este ano promete. Já estamos pensando em uma outra trama.’ O investimento em Metamorphoses é de R$ 120 mil por capítulo.

O mais importante: o autor da história é José Louzeiro, que tem experiência no ramo.

Outro ponto fundamental: Metamorphoses deverá ir ao ar no horário do Jornal Nacional, um nicho alternativo que sempre foi explorado pelas TVs dispostas a tirar uma casquinha desse público noveleiro que faz a liderança da Globo.

Se vai dar certo ou não, ninguém pode garantir. Como diz Monjardim, nem a Globo tem a fórmula pronta para acertar. Mas saber o que pode dar errado já é um bom caminho. E, se vale a dica de alguém que entende sobre o assunto, Nilton Travesso tem autoridade para falar: ‘Que as tentativas venham, mas que fique claro que o mercado é dificílimo e o melhor é entrar nele com humildade.’’



Renata Gallo

‘‘Pantanal’levou o telespectador a paraíso pouco explorado’, copyright O Estado de S. Paulo, 15/02/04

‘Pantanal estava guardada na gaveta da Globo havia mais de sete anos quando o diretor Jayme Monjardim convidou Benedito Ruy Barbosa para abandonar sua carreira de mais de 20 anos na casa – junto com seu projeto, é claro – e se mudar para a Rede Manchete. ‘Sabia que o sonho do Benedito era o Pantanal e precisava de um grande autor’, lembra Monjardim, que em 1988 tinha acabado de assumir o departamento artístico da emissora da família Bloch.

Foi por causa da história de Juma Marruá que o telespectador brasileiro, até então acostumado a ver na tela imagens sóbrias das cidades grandes, pôde conhecer, sentado no sofá de sua casa, um paraíso pouco explorado. ‘Estreamos com um show de imagem e conseguimos trazer o público masculino para a frente da TV. Eles ficaram maravilhados com a paisagem, com o tuiuiú, o jacaré…’, diz Benedito ao tentar explicar o estrondoso sucesso. É bom lembrar, no entanto, que, quase na mesma proporção dos tuiuiús, jacarés e do resto da fauna pantaneira, havia em Pantanal muita sensualidade, com as intermináveis cenas de banho e romances às margens do Rio Paraguai.

A novela, que para entrar no ar esperava, a cada capítulo, o fim do capítulo de Rainha da Sucata – novela das 8 da Globo na época -, conseguiu incomodar a emissora dos Marinhos de tal forma que a Globo resolveu adiantar projetos de duas minisséries – A, E, I, O, Urca e Desejos – para tentar minar a audiência de Pantanal. Recentemente, quando exibiu um Globo Repórter em comemoração aos 40 anos de teledramaturgia, a Globo fez um raríssimo mea-culpa, citando Pantanal como um dos maiores sucessos nacionais. Não foi por menos, realmente. A protagonista Cristiana Oliveira virou uma Malu Mader da noite para o dia. De atriz estreante, a eterna Juma se transformou em celebridade nacional e símbolo de mulher brasileira.

A ousadia de Monjardim de procurar um cenário diferente e abrir o quadro para fora do estúdio fez também com que o passe de Benedito – e o seu próprio – se valorizasse. A intenção da dupla era mostrar, ainda na Manchete, as belezas do Estado baiano com Renascer, mas a Globo se adiantou e trouxe o autor de volta. Desta vez, não para o horário das 6, como ele estava acostumado, mas sim para o das 8.

Monjardim ainda persistiu na Manchete e seguiu com Ana Raio e Zé Trovão que, apesar de apresentar um público honesto, ficou marcada como o início da decadência da rede. Nada que o diretor não previsse. Em entrevista dada à Revista Veja em 1990, no auge de Pantanal, Monjardim disse que temia sua sucessora: ‘Nosso grande pavor é o que virá depois. Não podemos nos dar ao luxo de errar’, declarou.

Para ele, esse drama continua até hoje fora da Globo. ‘Na Globo, à medida que um autor acaba uma novela ele pensa na outra. Eu não tiro a possibilidade isolada de haver um grande sucesso fora dela, mas quando pensamos em continuidade temos de admitir que não há um time melhor do que o da Globo’, diz.’



PERFIL / CLÁUDIA RODRIGUES
Leila Reis

‘‘Acho meu humor quase negro’’, copyright O Estado de S. Paulo, 14/02/04

‘No fim do ano, a Globo fez uma espécie de concurso testando novos programas. A Diarista, protagonizado por Cláudia Rodrigues e escrito por Glória Perez, teve o maior ibope e por isso ganhou lugar fixo na grade da emissora de abril a agosto. Claudia, que repetia ‘sou pobre, mas sou limpinha’ no Sai de Baixo e comunica que vai ‘beijar muuuuito’ no Zorra Total, diz nesta entrevista que a maior magia do mundo é o riso.

Estado – Você já interpretou empregada doméstica no ‘Sai de Baixo’, ‘Escolinha do Professor Raimundo’ e agora protagoniza ‘A Diarista’. De onde surgiu essa predileção pelas domésticas?

Cláudia Rodrigues – Não escolhi fazer domésticas. Elas são alguns de meus personagens. Observo o comportamento das pessoas o tempo todo. Não vejo diferença entre a garota da zona sul e a doméstica. Não converso com empregada para me inspirar, nem com a da minha própria casa. A doméstica é um tipo, fruto da minha observação. Quando eu trabalhava com Educação Física ainda, adorava ir de trem para observar os tipos. Pegava qualquer ônibus e ia até o ponto final. Minha curiosidade pela vida é absurda.

Estado – Como você classifica o tipo de humor que faz?

Cláudia – Acho meu humor meio perverso, meio masculino, quase negro. Tenho um personagem no teatro que apanha do marido e desconta nas crianças. Mas humor não tem muita classificação. A maior magia do mundo é o riso. Eu fazia a Ofélia no Zorra Total, que é um humor mais tradicional e hoje faço um tipo mais atual, a Talia. Trabalhar no Zorra é uma felicidade, tenho uma aula a cada minuto. Chico Anysio e Lúcio Mauro são mestres.

Estado – Quem criou a expressão ‘vou beijar muuiiiito’ da Talia que hoje está na boca das adolescentes brasileiras?

Cláudia – Fui eu. Por causa de uma festa à fantasia, fui remexer alguns objetos e achei uma dentadura de borracha que meu pai trouxe dos EUA. Botei na boca e quando olhei no espelho falei: ‘vou beijar muuuuuito esta noite’.

Na volta da festa, sentei ao computador e criei a Talia. Às vezes, o bordão nasce antes do personagem.

Estado – O que você acha mais engraçado na sua profissão?

Cláudia – É divertido criar personagens, especialmente quando eles são encomendados.

Estado – Quais são os que mais funcionam?

Cláudia – Candoca, uma paulistona que odeia o mato (no Sítio do Picapau Amarelo), Sirene, Talia. No teatro faço uma criança metida a mocinha e uma mãe de ator-mirim. É crítica, sim, pois sou contra uma criança trabalhar 12 horas dentro de um estúdio.

Estado – Você nunca foi chamada para fazer novela?

Cláudia – Fiz uma participação em Kubanacan e quem não fez? Participei do Brava Gente, Você Decide, Mulher. Comecei na Globo na novelinha Caça Talentos, dentro do programa da Angélica em 1996.

Estado – Teatro, cinema ou TV?

Cláudia – Adoro cinema, fiz dois longa-metragens da Xuxa. Teatro é uma arte viva. Fiz umas 15 peças, fiquei um ano em São Paulo com Monólogos da Vagina.

Atualmente estou em cartaz no Rio com Esse Alguém Maravilhoso que Eu Amei, com o Marcelo Serrado.

Estado – Quem gosta mais do seu tipo de humor: carioca ou paulista?

Cláudia – São públicos diferentes. Os paulistas são mais difíceis de dobrar porque são mais inteligentes. É brincadeira! Pelo amor de Deus não escreva isso porque os cariocas me matam. O carioca é mais escrachado, ri mais facilmente. Mas não posso me queixar, sou muito bem recebida em São Paulo.

Estado – Quem você gostaria de ser quando crescer?

Cláudia – Não vou crescer nunca, só para os lados.’



CARTOON NETWORK
Keila Jimenez

‘Cartoon quer produzir novela e talk show para o Brasil’, copyright O Estado de S. Paulo, 16/02/04

‘Uma novelinha misturando personagens de animação e personalidades brasileiras, e a volta do talk show do personagem Space Ghost: esses são alguns dos planos do canal pago Cartoon Network para fortalecer a sua audiência no Brasil.

O canal, que é líder de audiência em TV paga no País, planeja para 2004 produzir atrações voltadas para o público brasileiro. Entre elas está uma novelinha que misturaria desenhos animados com gente famosa no Brasil, ou covers de personalidades.

‘A idéia é cada vez mais investir em produções que criem identificação com o público de cada país onde o Cartoon está. Como o Brasil é uma praça muito importante, temos muitos planos para o País’, diz o vice-presidente de Criação do Cartoon na América Latina, Fernando Semenzato. ‘Podemos usar personagens de nossos desenhos animados junto de personalidades brasileiras, como o Pelé por exemplo. Seria divertido também colocar sósias dessas pessoas.’

Zico e Pelé – Além do projeto da novelinha, que ainda está em fase de análise operacional, o canal também pensa em trazer de volta para a programação brasileira o talk show do super-herói Space Ghost.

Nele, o atrapalhado combatente espacial entrevistaria esportistas, artistas e pessoas de expressão no Brasil. Bem, chamar de entrevista o que Space Ghost faz é um grande elogio, pois ele é justamente conhecido por não saber nada de seus entrevistados, que tentam, sem sucesso, responder às suas perguntas sem sentido.

O Cartoon já levou o programa ao ar em 2001 e 2002, quando o herói do espaço entrevistou Pelé e Zico. Com Pelé, Space tinha certeza de que se tratava do protagonista do filme Missão Impossível. O herói também comandou um debate eleitoral fictício entre personagens do Cartoon na época da eleição presidencial no Brasil, em 2002, e já teve também um show de calouros em que imitava Silvio Santos.

‘Não há só a identificação do público infantil, o público adulto também gosta de ver esse tipo de ação no Cartoon’, diz Semenzato.’




TV RECORD
Daniel Castro

‘Pela Europa, Record abre filial em Lisboa’, copyright Folha de S. Paulo, 17/02/04

‘A Record está instalando em Lisboa uma ‘empresa estrangeira’ para a ‘exploração de atividades de televisão por cabo, assinatura, DTH [TV paga via satélite], MMDS [TV paga via microondas] ou outros meios de distribuição de sinal, aberta ou codificada, em Portugal ou no estrangeiro’.


Essas informações constam em ata de assembléia geral ocorrida em 3 de outubro passado e registrada na Junta Comercial de SP.


Segundo a ata, a empresa se chamará Rede Record de Televisão – Europa Ltda. e terá um capital social de 10 mil euros (cerca de R$ 37 mil). A Rádio e Televisão Record S.A., razão social da empresa do bispo Edir Macedo, terá 99,98% das cotas da sociedade.


A assessoria de imprensa da Record confirma a instalação da empresa, que é a primeira filial da emissora no exterior. Afirma que as principais atribuições da Record Europa será o de alavancar a distribuição e as vendas de assinaturas e de publicidade do canal internacional da emissora no mercado europeu.


Na Europa, a Record Internacional está hoje apenas em Portugal, Reino Unido e Espanha. Seus principais mercados, no mundo, no entanto, são Estados Unidos, Canadá, Japão e países africanos de língua portuguesa.


A Record não divulga o total de assinantes de seu canal pago internacional, que disputa brasileiros residentes no exterior com o canal da Globo.


OUTRO CANAL


Dança 1


Depois de seis meses de negociações, Marcelo Rezende e Record finalizaram ontem de manhã os termos de um contrato com validade até 2006. A Record irá pagar a multa de rescisão de Rezende com a Rede TV!, onde ele apresentava o ‘Repórter Cidadão’. O jornalista irá apresentar o ‘Cidade Alerta’.


Dança 2


A contratação poderá respingar na Globo. Já assediado pela Record, o repórter César Tralli está agora nos planos da Rede TV!


Musical 1


A Globo vai mudar substancialmente o formato do ‘reality show’ ‘Fama’, que deve entrar no ar em junho. O programa não terá confinamento em uma ‘academia’, para reduzir custos, e lançará apenas dois CDs, no final _uma compilação e um do vencedor, que, ao contrário das edições anteriores, deverá gravar músicas inéditas (e não apenas ‘covers’).


Musical 2


Outra mudança importante, em estudos, é apresentar o show semanal às terças, após a novela das oito, ao vivo. No sábado à tarde, diferentemente dos outros ‘Fama’, entraria um compacto dos ‘melhores momentos’ da semana.


Coro


O programa de Hebe Camargo terá uma orquestra no dia 8 de março, quando ela faz aniversário. No dia 22, para comemorar seus 18 anos de SBT, o programa será na Sala São Paulo.’

Todos os comentários

PRIMEIRAS EDIçõES > SEXO NA TV

Carol Knoploch e Renata Gallo

Por lgarcia em 09/12/2003 na edição 254

SAÚDE

“Saúde dá Ibope”, copyright Estado de S. Paulo, 7/12/03

“Saúde (e doença) dá ibope e, por isso, o assunto não sai da pauta do Globo Repórter, que ora fala do mundo animal, ora dedica-se à saúde. No Fantástico, cujo slogan mais antigo é O Show da Vida, além das tradicionais reportagens, séries programadas com os médicos Dráuzio Varella e Jairo Bauer abordam temas como gravidez, dependência química e tratamentos para compulsivos. De forma geral, a saúde ganha espaço nos telejornais sob ótica comportamental (?como se alimentar direito?, ?como cuidar da pele? ou ?viciados em esporte?, por exemplo). O assunto já ganhou programas específicos como o Saúde Brasil (TV Cultura), Alternativa Saúde (GNT), Saúde Feminina (Rede Mulher), etc. E chegou ao auge de ocupar 24 horas por dia a grade de um só canal: é o paraíso para hipocondríacos e gente que adora um bisturi, mesmo sem ser médico.

A rede Discovery Networks criou um canal somente para o tema. O Discovery Health foi lançado em toda a América Latina em julho de 2000 – nos Estados Unidos, o canal existe desde 1999. Também está disponível desde 2000 na Inglaterra. Em julho desse ano, o Discovery Health passou a ser mostrado no Brasil pela Net, aumentando sua distribuição – Sky e DirecTV também o transmitem. Apesar da proposta de valorizar a saúde e o bem-estar, não há como fugir de cenas mais fortes, com holofotes sobre mesas de cirurgia. O telespectador pode se deparar, por exemplo, com alguém costurando pontos na pele ou com os efeitos colaterais do tratamento que uma criança com câncer pode ter.

Se há público para isso? ?Tenho um lado mórbido e gosto de ver as imagens das operações. Já vi coisas chocantes como uma cirurgia para retirada de tumor?, atesta Marisilda Anjos, de 33 anos.

Os dados do Discovery também comprovam o interesse do público pelo tema. De acordo com o vice-presidente de Programação da rede Discovery para a América Latina, Guillermo Sierra, o Discovery Health é o canal da rede Discovery Networks que mais cresce entre seus ?irmãos?. E olha que a rede conta com People + Arts, Animal Planet, Discovery Channel, Discovery Kids e Discovery Travel & Adventure. Hoje, o canal tem quase 9 milhões de assinantes na América Latina. Somando os espectadores dos Estados Unidos, Inglaterra e América Latina o número salta para 64 milhões.

Pesquisa realizada pelo Ibope, em setembro e novembro de 2003, mostra que o público do canal é, em sua maioria, formado por mulheres com mais de 25 anos, pertencente às classes A e B. ?Adoro o Hospital Infantil. Acho bom conhecer tratamentos diversos para as mais diferentes doenças infantis?, afirma Marisa Marrocos, de 40 anos, mãe de dois filhos. Conta que recentemente comentou com uma amiga que o filho dela podia ter problemas de audição e fala. ?Vi no programa que os pais descobrem tarde, na época da alfabetização, que seus filhos podem ser surdos e mudos. Mas basta prestar atenção no choro da criança. Quando é muito diferente, esse pode ser o diagnóstico.?

Boa de estômago – Marisa começou a assistir ao Discovery Health após dica da amiga Marisilda. ?Sou curiosa e gosto de aprender. Você sabe o que é vaginismo? Descobri que são mulheres que têm medo da penetração?, ensina Marisilda. Ela assiste com freqüência aos programas: Planeta Médico (curiosidades), Linha Vital (pessoas em fase crítica e em salas de emergência) e Hospital Infantil. Acompanha também atrações lights, como os bastidores do Circo Soleil e Os 10 + (ambos People + Arts), que mostra os dez melhores sobre um assunto qualquer, os dez hotéis mais luxuosos do mundo ou as dez montanhas-russas mais mirabolantes. ?Acho que fui médica em outra encarnação. Posso ver imagens com sangue e jantar ao mesmo tempo.?

?É um canal que valoriza a saúde, o bem-estar. Nosso foco não é a doença.

Quando apresentamos programas sobre enfermidades, a abordagem se dá através de histórias da vida real, sob um ângulo positivo?, rebate Guillermo, que tem consciência da clientela hipocondríaca. ?Pesquisas apontam que o público está mais interessado em receber informações sobre bem-estar como um todo, como levar uma vida menos estressante, por exemplo. Vamos explorar mais tópicos ligados à saúde física e emocional.? Em janeiro, estréia Dez Anos Mais Jovem (cinco moradores de Miami que tentam rejuvenescer dez anos em dez semanas) e Laboratório Culinário (o chef de cozinha inglês Heston Blumenthal ensina como tirar o máximo proveito do sabor e das propriedades nutritivas dos alimentos).

Mas os temas preferidos do público são gravidez e avanços tecnológicos (Medicina do Século 21). Em Maternidade é possível acompanhar o dia D de uma futura mãe. A atração mostra tudo, desde a chegada ao hospital até o parto.

Detalhe: sem nenhum corte de cena. O curioso é que a atração é recheada de partos normais, hoje esquecidos no Brasil – o excesso de cesarianas foi assunto no último Fantástico, aliás. E é exatamente essa falta de regionalização um dos problemas do canal. As atrações mostradas aqui são estrangeiras, traduzidas para o português. ?O Discovery Health é uma marca global e nosso maior desafio é dar sabor local ao canal?, diz Guillermo, sobre a intenção de produzir programas com médicos brasileiros.

Enquanto esse toque tupiniquim não chega, os espectadores brasileiros se contentam com as atrações bem mais ?suaves? feitas com profissionais nacionais. ?Atualmente, um programa sobre o câncer não tem uma grande resposta, o telespectador está muito mais interessado em assuntos como qualidade de vida e envelhecimento saudável?, acredita Silvia Sayão, editora-chefe do Globo Repórter.

Apesar de o telespectador achar que o programa exibe tanta matéria de saúde quanto de animais, segundo Silvia, este ano, dos 51 programas exibidos – contando até o último, que será a retrospectiva – 7 foram de saúde. Os de maior interesse, afirma ela, são os que apresentam os alimentos que têm poderes medicinais. ?Quando falamos de alimentos com poderes de cura temos um retorno igual ou maior de quando fazemos um especial sobre o Pantanal, que atrai bastante público.?

Queixas femininas – No Saúde Feminina, na Rede Mulher, por exemplo, os temas que dão a maior resposta são os já manjados menstruação, obesidade e menopausa. ?É que os médicos não dão bola para as queixas da mulherada?, justifica a apresentadora Isabel Vasconcellos.

Isabel faz programas de saúde há 20 anos, há quatro está no comando do Saúde Feminina, mas, segundo ela, está longe de se achar expert ou hipocondríaca.

?Ainda tenho muitas dúvidas, em medicina nunca se sabe tudo, ainda mais que a toda hora surgem novas descobertas, novos conceitos ?, diz. Aliás, sua reação é exatamente oposta à dos viciados em automedicação: quanto mais programa ela faz, menos remédio ela toma.

Lina Menezes, apresentadora do Saúde Brasil, da TV Cultura, concorda. Aos amigos e familiares que a procuram para, quem sabe, ganhar uma ?consulta? de graça, ela diz que não há conselho de vizinho ou dela mesma que adiante, é preciso ir ao médico. ?A demanda pelo conhecimento nessa área é absurda.

Está todo mundo interessado, não só as pessoas acima de 60 anos, que, por motivos óbvios, formam um público cativo.?

A atriz Patricya Travassos, que comanda o Alternativa Saúde do GNT há sete anos, sabe muito bem o tamanho desse público. ?É igual fazer novela. Acho que, desde que comecei a fazer o programa, o interesse das pessoas quadruplicou?, diz. Por isso, Patricya decidiu fazer um livro, Alternativas de A a Z, e está montando um site, uma espécie de páginas amarelas com os contatos dos profissionais que entrevista. ?As pessoas me perguntam na rua o telefone dos entrevistados como se eu soubesse tudo de cor. Elas nem lembram o nome do profissional e acham que eu tenho tudo anotadinho na agenda?, diz.

Assim como o Saúde Brasil e o Alternativa Saúde, o Saúde Feminina é baseado mais nas formas de prevenção do que nos sintomas da doença. ?Existem programas de saúde e de doença, o meu se encaixa no primeiro caso?, diz Isabel. Para ela, a segunda opção serve mais para apavorar o espectador do que informá-lo. ?São passadas informações desnecessárias, o que acaba criando uma reação psicossintomática no espectador?, explica.

Síndrome do ?Fantástico? – A apresentadora conta que, há alguns anos, os médicos do ambulatório do Hospital das Clínicas brincavam que segunda-feira sempre apareciam pacientes com a ?Síndrome do Fantástico?, achando que estavam com a doença apresentada no programa do dia anterior.

?Outro dia, em um programa à tarde, vi um dentista falando sobre câncer de boca de uma maneira horrível. Qualquer pessoa menos informada ficaria apavorada e morreria de medo?, diz a bióloga Moema Reis Saleiros Soares, de 55 anos. Ela acredita que esse tipo de abordagem não só não educa, como deturpa a realidade.

Moema é espectadora fiel do Saúde Brasil, da Cultura, exibido às 7 horas de domingo, com reapresentações às 8 horas de terça e quinta. E o que é mais surreal: assiste ao programa enquanto caminha na esteira. Mais saudável impossível, não? ?Sou cardíaca, já passei por duas cirurgias e gosto de ver programas que falam do tema e que dão dicas saudáveis para o dia-a-dia?, justifica Moema que também é dona de um restaurante naturalista.”

“E doença também…”, copyright Estado de S. Paulo, 7/12/03

“Para quem gosta de doença, o Discovery Health é um prato cheio. Mas é preciso ter estômago. Afinal, não é qualquer um que se senta na frente da TV disposto a acompanhar um reimplante de dedo ou uma cirurgia para remoção de um tumor de 90 quilos enquanto come um balde de pipoca. Não gostou? Mude para o GNT, onde o cardápio é sexo e ciência, sexo e saúde e sexo e comportamento. Desde que o canal assumiu seu ?lado feminino?, dá-lhe sexo.

Claro, você pode arriscar buscar informação sobre saúde num dos canais universitários, onde um pobre médico sentado numa poltrona fala, fala e fala sobre alguma doença até você começar a cair de sono – lógico, a falta de recursos impede que esses canais usem e abusem dos recursos visuais à disposição das grandes emissoras.

Mais opções nos canais abertos. O Fantástico tem saúde todo domingo e vira-e-mexe o Globo Repórter ataca o tema, geralmente aliando-o a comportamento. O programa faz também incontáveis reportagens sobre os ?segredos e mistérios da Amazônia? e martela na tecla de que ?a cura do câncer pode estar na floresta?: até pode, mas não, como leva a crer, nas coloridas poções e chazinhos. Animais podem correr ou lutar quando ameaçados, as plantas não. Para se defender, produzem toxinas, pencas delas.

Produzir remédio a partir delas exige muita pesquisa, muito investimento e tempo.

É claro que no meio de tanta saúde, tem muita coisa boa. Valem o Maternidade e História de um Bebê do Discovery Health só para ver o quanto os médicos americanos se empenham pelo parto normal e como as grávidas reagem quando a cesárea é inevitável. Deve deixar os cesaristas daqui de cabelo em pé. Lá não tem essa de cordão enrolado no pescoço do bebê, bebê grande demais, falta de dilatação anunciada dias antes do início do trabalho de parto para justificar cesariana. Valem também os programas que mostram o que se faz nos laboratórios não apenas em busca de curas, mas de explicações, de porquês.

A cobertura de saúde, porém, ou segue o caminho do como evitar – tenha coração de 30 aos 70, chegue aos 80 com visual de 50, como ficar em forma – ou cede à sedução da tecnologia – as novas drogas contra o câncer, o avanço do diagnóstico por imagem. No primeiro, o apelo é em boa parte estético, um apelo à eterna juventude. No segundo, a atração é a modernidade, nem sempre ao alcance físico e financeiro do comum dos mortais. A ditadura do ?como evitar? se apóia invariavelmente no tripé beba muita água, tenha alimentação equilibrada e faça meia hora de exercícios físicos por dia. Tedioso, não? Só que poucos seguem a recomendação. A tecnologia de ponta produz imagens fantásticas, tanto que até dá vontade de ficar doente só para fazer uma ressonância magnética.

Mas, muitas vezes, falta o miolo da história, o que está entre o evitar e o ter de recorrer à alta tecnologia. O que, afinal, é diabetes, hipertensão, gastrite, bronquite, alergia? De onde vêm essas doenças? E, principalmente, como administrar essa doença que apareceu apesar de todos os cuidados, por que eu? Ninguém hoje sai de uma consulta médica, de 10, 15 minutos, com essas respostas na ponta da língua.

A audiência do Discovery Health e dos programas de saúde é a prova de que há uma enorme demanda por informação de qualidade em saúde, em alimentação – levante a mão quem sabe responder sem titubear qual a diferen&cccedil;a entre gordura saturada e insaturada, que alimentos são ricos em ácido fólico. A mulher é a principal consumidora desse tipo de informação. Independente, profissional, moderna, é ainda ela quem administra em casa a saúde do marido, dos filhos, dos pais, quem os empurra para o médico, quem controla dieta, quem checa se o pai ou marido tomou remédio ou não. Ela não está apenas interessada na sua saúde, mas na da família. Essa mulher moderna é exigente também em termos de qualidade e profundidade da informação. É um público enorme, uma demanda idem e um filão que só tende a crescer.”

 

SEXO NA TV

“Falta sexo na TV brasileira”, copyright Estado de S.Paulo, 7/12/03

“Em muitos aspectos, este é o país do parece, mas não é. Parecemos exercer uma democracia sociorracial, mas barramos na mídia os negros, os orientais, os pobres, os homossexuais, os deficientes, enfim, os diferentes.

A grande massa telespectadora – composta pelas classes C, D e E – é segregada em diversos guetos da programação. O território dos pobres e negros é bem demarcado na TV: a cozinha dos brancos nas novelas, delegacias e camburões nos programas policialescos e o palco de shows que têm como peça de resistência a exploração da miséria de gente simples.

Pelo que passa na TV, também parecemos ser liberados, sem preconceitos e que exercemos nossa sexualidade plenamente. Afinal, o apelo sexual é usado em grande fatia da programação. Nas novelas – o maior alvo dos espectadores militantes -, a sensualidade, às vezes, ocupa o lugar do protagonista, como Kubanacan, que hoje lidera a lista da baixaria do site www.eticanatv.org.br.

Existe algum programa de humor na TV sem mulher despida, piadas de duplo sentido, insinuações sexuais e homossexuais na condição de bichas alvoroçadas? Nos shows de auditório, a regra é mandar para a casa do telespectador closes quase ginecológicos no equipamento físico de bailarinas.

Mesmo assim, desde os anos 80 – quando Marta Suplicy mostrava sua loirice no TV Mulher, da Globo, na condição de sexóloga -, a TV aberta não trata de sexo com seriedade. Explicando: tratar com seriedade é prestar serviço a respeito de sexo. Neste país, onde a cada dia cresce o contingente de mães adolescentes, mulheres morrem por causa de aborto e garotos resistem em usar camisinha, a difusão de informações sobre sexo não pode ficar apenas a cargo de campanhas esporádicas do governo.

E é também necessário que o sexo entre na TV não apenas associado a doenças/morte (como nas campanhas), mas também pela porta do prazer. Isso é possível, porque a MTV fez isso muito bem há alguns anos com o Erótica e o Peep Show, com VJs e o médico Jairo Bauer respondendo a dúvidas do público jovem. Pena que parou e promete voltar ao tema, em janeiro, de modo mais pobre. Chamado internamente de Sexy Penélope, o projeto prevê um bate-papo da VJ tatuada com telespectadores, em que ela responderá às perguntas sobre sexo.

A pequena parcela do público que assina a TV paga pode constatar a possibilidade de construir um bom programa sobre o assunto. Nas madrugadas de sábado (1h) e segunda-feira (meia-noite), o canal GNT apresenta a série Falando de Sexo com Sue Johanson, em que uma enfermeira septuagenária responde às perguntas de todos os tipos de gente com problemas na cama.

Parecida com a cozinheira Palmirinha (a estrela da TV Gazeta), Sue conduz o programa com tanta naturalidade que parece estar falando de arranjos de ikebana. Fala de sexo ?sem discurso, sem sermão, sem lição de moral?, como a apresentadora avisa na abertura de cada programa.

Conta um pouco do sexo na história, mostra apetrechos eróticos (e como usá-los), mas o forte são as respostas às perguntas de telespectadores. São perguntas dos mais variados aspectos que podem envolver de cuidados higiênicos, fantasias sexuais, tipos de orgasmo a soluções simples para problemas que podem acontecer na vida de qualquer um.

Sue fala de sexo de maneira que todos entendem, como vende o slogan do programa. Sem nenhuma solenidade, trata de assuntos (que até podem servir de pretexto para piadas de mau gosto) com tanta habilidade que desmitifica o sexo. Não há dúvidas de que a senhora de cabelos brancos presta realmente um bom serviço ao seu público. Coisa que a nossa sensual TV brasileira poderia pensar em copiar.”

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem