Terça-feira, 20 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº974

ENTRE ASPAS > VEJA vs. ISTOÉ

Carta aos Leitores, IstoÉ

24/08/2004 na edição 291

Gostaria de parabenizar a revista ISTOÉ pela excepcional reportagem de capa sobre o ex-deputado Ibsen Pinheiro. A ética editorial tem que demonstrar à sociedade as injustiças que são cometidas pela imprensa, governo e empresas. Caberia à revista Veja e ao Congresso Nacional um pedido exemplar de desculpas ao sr. Ibsen Pinheiro, pelo extermínio de sua vida pública e a mancha que impuseram em sua imagem durante todo esse período. Fábio Luis R. C. Alvim São Paulo – SP

Até que enfim se fez justiça! Como viúva do deputado Amaury Müller, que, em 24 anos de mandato, sempre combateu a corrupção e a injustiça em todos os sentidos, sinto-me gratificada com a matéria, pois ele sempre defendeu a integridade e a inocência do deputado Ibsen Pinheiro. Parabéns a ISTOÉ pela excelente contribuição que deu à história. Samira El Ammar Müller Brasília – DF’



Paulo Moreira Leite

‘Radiografia de uma mentira’, copyright O Globo, 18/08/08

‘O mundo preocupado com as mazelas da imprensa deparou-se há dias com uma reportagem da ‘IstoÉ’ sobre a cassação do mandato do deputado federal Ibsen Pinheiro, em 1994. A reportagem se baseia num artigo do ex-jornalista Luís Costa Pinto. Assessor do presidente da Câmara de Deputados, João Paulo Cunha, do PT, legenda que defende a criação de um Conselho de Jornalistas para ‘orientar e disciplinar’ a imprensa, Costa Pinto produziu um artigo que é uma síntese de grandes defeitos do jornalismo: mentiroso, impreciso e covarde.

Diz ele que em 1993, quando trabalhava na revista ‘Veja’, escreveu uma reportagem sobre Ibsen Pinheiro, então investigado pela CPI do Orçamento. Diz ainda que colocou as mãos em boletos bancários que apontavam que Ibsen teria recebido depósitos na conta bancária no valor de U$ 1 milhão. Quando os checadores da revista conferiram a mercadoria entregue por Costa Pinto descobriram que fora superfaturada em 1.000%. Os depósitos somavam mil dólares.

Costa Pinto sustenta que, mesmo alertada sobre o erro, a revista foi em frente e manteve a notícia falsa na capa. No artigo ele escreve que a checagem corrigiu ‘o texto interno da revista, a despeito de não ter salvado a capa, já impressa’.

Ao contrário do que Costa Pinto escreveu, e os jornais dos últimos dias divulgaram sem a preocupação de conferir, a capa daquela edição da revista NÃO menciona que Ibsen tinha uma movimentação bancária de 1 milhão de dólares. Num artigo onde se arrisca a reproduzir de memória, entre aspas, diálogos ocorridos onze anos atrás, Costa Pinto não se deu ao trabalho de olhar para a capa da edição enviada às bancas naquele sábado de 1993 — e que é o centro de sua historia.

Na capa da revista fala-se em ‘dólares suspeitos’, definição coerente com aquilo que era investigado há vários dias pela CPI. Naquele fim de semana de 1993, a mesma ‘IstoÉ’ que divulgou o artigo de Costa Pinto publicou uma reportagem parecida, que não era de capa. Os títulos eram idênticos. Se ‘Veja’ perguntou ‘Até tu, Ibsen?’, ‘IstoÉ’ afirmou: ‘Até tu, Ibsen.’ Numa legenda, ‘IstoÉ’ disse: ‘Ibsen movimentou em suas contas pelo menos U$ 1 milhão desde 1990.’

Costa Pinto produziu certo alvoroço com seu artigo em função de um erro absurdo. Ele confunde o saldo financeiro dos documentos examinados pela CPI com os papeizinhos que enviou a São Paulo. Chega a sugerir que a movimentação bancária de Ibsen se limitava aos mil dólares de seus papéis. Se fosse assim, o deputado não teria de ser investigado pela CPI, pois estaria numa fila de esmola.

A CPI sempre disse que sua movimentação bancária girava em torno de US$ 1 milhão. Seis meses depois, Ibsen teve o mandato cassado por larga margem. A CPI concluiu que ele movimentara U$ 1 milhão e não conseguiu explicar corretamente a origem de US$ 230 mil. Os trabalhos da CPI foram acompanhados por um auditor do Banco Central, nomeado por Pedro Malan, presidente do BC.

Em sua farsa Costa Pinto diz que foi acordado às oito da manhã daquele sábado para atender a um chamado meu, então editor-executivo de ‘Veja’. Diz que depois de informá-lo sobre o erro eu teria determinado que ajudasse a revista a montar uma fraude contra os leitores. Como já era tarde para fazer qualquer coisa, diz Costa Pinto, eu teria ordenado que encontrasse uma fonte capaz de sustentar nosso erro, que seria publicado como se nada tivesse acontecido. ‘Já rodamos um milhão e 200 mil capas. E jogar fora é um prejuízo impagável,’ ele diz ter ouvido. Em seguida, ele garante ter ouvido também: ‘Vê se consegue, em dez minutos, alguém para sustentar em on essa dolarização de l milhão de dólares.’

Costa Pinto mente. Nunca pedi a nenhum jornalista que arrumasse uma fonte para sustentar uma informação falsa. O sentido do telefonema para Brasília era outro. Cobrei transparência. Se havia deputados acusando Ibsen, eles deveriam assumir sua responsabilidade e não usar a imprensa como bucha de canhão.

Em 1993 ninguém alegaria prejuízos impagáveis para não mudar uma capa da revista. ‘Veja ‘ já tinha trocado a capa quando Bernardo Cabral deixou o Ministério de Fernando Collor e em outros episódios. Quem participou do fechamento da matéria sobre Ibsen lembra que a direção de redação decidiu mudar a chamada de capa quando se verificou que os papéis de Costa Pinto não valiam o que ele dizia.

Também foram feitas mudanças internas. No texto, toda responsabilidade pelos números é atribuída à CPI. ‘A contabilidade de 1 milhão de dólares foi feita na CPI e é de sua responsabilidade’, diz a revista.

Nenhuma pessoa identificada na fraude imaginária de Costa Pinto confirma os diálogos mencionados no artigo. Apontado como cúmplice, o deputado Benito Gama, membro da CPI, entrou com ação criminal.

O chefe dos checadores, Adam Sun, desmente um diálogo e refuta com indignação a sugestão que seu trabalho teria servido a uma fraude.

Costa Pinto erra até quando faz homensagem. Diz que foi Adam quem descobriu o erro de seus documentos bancários e ganhou um premio de US$ 1.000. O erro foi descoberto por Margô, como é conhecida a checadora Maria Margarida Negro. O prêmio foi de US$ 500.

Ibsen sempre se disse inocente. As CPIs são palcos políticos, e não apenas jurídicos. É possível que o deputado tenha mesmo sido vítima de uma trama obscura. Mas, se ocorreu uma injustiça, cabe investigar, apurar erros cometidos, voltar aos fatos.

Num comportamento estranho para quem diz ter feito um texto baseado na própria memória, Costa Pinto pediu auxílio à memória de Ibsen para escrever o artigo. Ibsen conta que, ao longo de três ou quatro rodadas pela internet, fez modificações mudando fatos e datas.

Luís Costa Pinto garante que fez o artigo para ‘reparar as injustiças que, involuntariamente, ajudei a perpetrar.’ Alega que manteve-se em silêncio por onze anos porque ‘pensei em mim, no meu emprego.’ PAULO MOREIRA LEITE é jornalista.’



Luís Costa Pinto

‘Os métodos de um covarde’, copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 23/08/04

‘O jornalista Paulo Moreira Leite mente, delira e revela uma fragilidade abjeta de caráter em seu artigo ‘Estelionatários de factóides’, publicado na última edição de Veja.

A mentira: eu não pedi emprego a ele na equipe de Época, revista que lhe coube dirigir depois de ter sido alijado da equipe de Veja. Certa tarde, quando eu era editor executivo do Correio Braziliense, Moreira Leite telefonou-me e convidou-me para voltar a integrar a equipe de Época. Disse-lhe que isso era até possível, que tinha vontade de fazer essa migração porque gostaria de voltar à reportagem. Ele perguntou o meu salário.

Revelou-se espantado: ‘pô, estão te pagando demais!’, respondeu. A conversa terminou ali e eu concluí que Época não tinha condições salariais, naquele momento, para me levar de volta à sua redação. Depois, Moreira Leite foi alijado da direção de redação de Época.

O delírio: fica patente que Moreira Leite crê em uma teoria conspiratória sobre o relato da confissão do erro jornalístico que ajudei a perpetrar em 1993 e que entreguei em junho desse ano ao ex-deputado Ibsen Pinheiro. O atual diretor de redação do Diário de São Paulo, que ao menos até o ano de 2003, quando era diretor de Época, ia a Brasília confraternizar com seus amigos da facção petista Libelu (Liberdade e Luta) em jantares que nada tinham a ver com apuração de reportagens – eram, sim, convescotes marcados para saudar a chegada da ‘turma’ ao poder –, crê agora que eu integrei uma conspiração do governo para ajudar a criar o Conselho Federal de Jornalismo com a admissão de um erro meu que, sequer, foi um erro solitário. Sou contra o CFJ e havia deixado isso claramente expresso em dois artigos publicados no Correio Braziliense e no Jornal do Brasil antes da eclosão do episódio Ibsen Pinheiro.

A fragilidade abjeta de caráter: Moreira Leite tomou para si, como uma acusação, toda a culpa pelo erro de Veja que admiti para mim. Ele mandou, sim, que eu corresse em busca de uma frase de Benito Gama para sustentar aquela fatídica capa de Veja, ‘Até tu, Ibsen?’, de há 11 anos. A frase está lá, no texto, incluída às pressas. Mais que uma fragilidade de Veja, revista que foi para mim uma escola de virtudes do jornalismo, o episódio revela um método de comando de Moreira Leite. O diretor de redação do Diário de São Paulo é um burocrata de redação que sempre temeu enveredar, ele próprio, pelos caminhos da reportagem. Adora dar lições de jornalismo sentado nas suas cadeiras de espaldar alto dos chefetes e crê saber usar os últimos laivos intelectualóides de sua formação trotskista para constranger os repórteres sob seu jugo a procurar frases de fontes que lhe confirmem as teses de sua mente torturada. Tenho pena de Moreira Leite. Sua pobre biografia profissional está pontuada por vítimas – sejam elas jornalistas que subjugou e que seguem em silêncio, sejam elas personagens e fontes de reportagens que ajudou a publicar com apurações tortuosas como aquelas do caso Ibsen Pinheiro. Moreira Leite, hoje, dirige um veículo de comunicação e está dedicado a usá-lo covardemente contra mim, que só disponho da minha consciência e do meu e-mail. Essa covardia está patente no uso que ele faz, no jornal que dirige, para me atacar e para assacar contra os clientes de minha empresa.

Gostaria de debater os seus e os meus métodos jornalísticos e os aparatos éticos de cada um diretamente, sem que ele esteja a se esconder em seu cargo tão imponente de um órgão importante. Estou à disposição de Moreira Leite para marcar o dia, a hora e o local desse debate. Ele sabe me encontrar, pois no dia 10 de agosto mandou que um de seus repórteres no Diário de São Paulo me procurasse para saber o que eu achava do CFJ.

Estava sendo entrevistado, por ordem dele, porque era então considerado um jornalista de destaque. Dei a entrevista e manifestei a minha opinião contra o Conselho. Sigo com os mesmos números telefônicos nos quais ele pode me achar.’



Paulo Moreira Leite

‘Pobre Blair Costa Pinto’, copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 23/08/04

‘Incapaz de dar respostas objetivas sobre a fraude que publicou na revista Istoé, desmentida por profissionais de respeito e mesmo amigos de longa data, o farsante Jayson Blair Costa Pinto não se emenda. Sem condições de sustentar uma farsa escandalosa e delirante, considera-se em condições de me desafiar a debater ‘métodos jornalisticos’ e ‘aparatos (sic) éticos’. Só uma pessoa absolutamente ignorante sobre método e ética pode achar que temos uma ‘divergência’. Nada tenho a debater com este delinquente.

Ele mente e eu busco a verdade. Ele não confere fatos e cita testemunhas que o desmentem.

Como aquele filhinho de papai que nunca foi contrariado pelos amiguinhos, agora que descobriram os truques de seu brinquedinho, Jayson Blair Costa Pinto ameaça ‘contar tudo prá mamãe’.

Como diz VEJA, Jayson Blair Costa Pinto é ‘marqueteiro quando lhe convém, lobista quando lhe convém, jornalista quando lhe convém e ético quando lhe convém.’

Como afirma VEJA Jayson Blair Costa Pinto ‘cortou sua trajetória no jornalismo,’ passando a freqüentar um ‘limbo onde transitam pessoas que, por terem sido jornalistas de alguma expressão, hoje se oferecem como lobistas e ‘apaziguadores de crises.’ Nesse momento difícil que atravessa na carreira, alvo de escárnio e piadas, sem ninguém com disposição para socorrê-lo, Blair Costa Pinto deveria se recolher para apaziguar a própria crise. Ficar em silêncio é o melhor cuidado para quem mente compulsivamente. Evitará novos vexames. Ele não está em condições de debater com ninguém. Lobistas respeitados e sérios querem distância deste indivíduo, pois temem ser confundidos com um farsante tão abominável.

Depois de mentir tanto, sobre tudo, durante todo o tempo, Jayson Blair Costa Pinto deve ficar quieto na esperança de ser esquecido. (*) Diretor de Jornalismo do Diário de S. Paulo’

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