Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 7 E 8/6

Carta Capital

10/06/2008 na edição 489

INTERNET
Felipe Marra Mendonça

Novo capítulo da Microsoft com o Yahoo!, 6/6

‘O dramalhão que se tornou a proposta pública da Microsoft pela compra do Yahoo!, em torno de 45 bilhões de dólares, foi previsto pela diretoria da empresa meses antes da oferta. É o que revela parte da documentação a sustentar um processo de acionistas, que se sentiram lesados pela recusa do Yahoo!, que pode ser conferida no endereço www.blbglaw.com/cases/yahoo_takeover.html. O que mais impressiona é a paranóia dos altos executivos da empresa em relação a qualquer proposta de compra ou até mesmo de parceria na unidade de propaganda on-line, aventada pelo Google.

O interesse da Microsoft surgiu em outubro de 2007, durante reunião do conselho do Yahoo!, em que os integrantes discutiram comunicações de interessados na empresa e a possibilidade de uma compra. Entre elas, estaria a Microsoft. O presidente Jerry Yang traçou uma defesa incendiária. Recomendaria, caso a proposta fosse concretizada, que os 14 mil empregados da companhia pedissem demissão, sem revelar que a Microsoft também oferecia 1,5 bilhão de dólares de bônus a ser repartido entre os empregados, caso os mesmos decidissem ficar na empresa depois da fusão. Além disso, Yang recebeu permissão para traçar uma estratégia de comunicação para negar qualquer oferta, o que aconteceu três meses depois.

A Microsoft parecia saber da antipatia do Yahoo! à sua oferta. O presidente da empresa, Steve Ballmer, disse a Yang, em telefonema, que preferiria negociar confidencialmente. Estava, porém, preparado para tornar a proposta pública, porque entendia ser a única maneira de forçar o conselho do Yahoo! a analisar a proposta com mais cuidado. A publicação dos detalhes da negociação pode ser o fim de Yang no comando do Yahoo! O The Wall Street Journal publicou, na terça-feira 3, que os acionistas da empresa querem retirar todos os conselheiros, que procuram reeleger-se a outro mandato de um ano. Entre eles, está Yang. O bilionário investidor Carl Icahn disse que ‘não é mais um mistério a retirada da oferta da Microsoft’. Segundo ele, o Yahoo! não pode mais dizer que está disposto a negociar novas propostas e vender a empresa (como foi feito após a proposta pública da Microsoft) e, ao mesmo tempo, sabotar completamente o processo e manter isso em segredo.

Como qualquer boa novela, o enredo não é tão simples. Ballmer e Yang se encontraram no último fim de semana de maio para jogar golfe e discutir negócios, especificamente a compra da divisão do Yahoo! que cuida de publicidade em ferramentas de busca, mas não uma aquisição total. O final do romance, portanto, continua bem longe.

*

A rede social Facebook é o novo palco para bandas que ainda não chegaram ao tão sonhado sucesso. Um grupo londrino, RedBoxBlue, começou uma série de shows diários na quarta-feira 4, transmitida de um estúdio na cidade para usuários do Facebook, de graça. ‘Temos fãs ao redor do mundo e achamos que a melhor maneira de tocar para todos seria pela internet’, disse Jonathan Haselden, vocalista da banda, ao London Paper. Haselden estima que tenham sido gastos ‘alguns milhares de libras’, mas espera que os shows também consigam atrair a atenção de grandes gravadoras.’

TELEVISÃO
Nirlando Beirão

Saudade da bobagem, 6/6

‘Qual foi o primeiro seriado japonês a desembarcar no Brasil? É isso aí: o National Kid. Onde passava? Na Record. Quando? Domingo à tarde. De onde vinha o super-herói? Do planeta Andrômeda. Quem eram os seus inimigos? Os Incas Venusianos. Qual era a identidade secreta do Kid? O jovem e tímido professor Massao Hata.

Releia o parágrafo acima e diga: o que vai mudar no futuro da humanidade se alguém vier a se lembrar dos trepidantes episódios de um dos seriados, no entanto, mais vistos em toda a história da tevê brasileira? Não importa: o Kid, sua body language canhestra, seus golpes caricatos, seu ridículo grito de guerra hão de permanecer na memória de todos aqueles – e são muitos – que nos anos 70 preferiram se engajar naquele ostensivo kitsch nipônico do que nas lições de Geometria Analítica.

Se a mais original expressão da teledramaturgia no Brasil é a novela, o formato seriado, embrulhado para presente pelo broadcasting americano, está aí, porém, povoando a programação desde que a primeira luzinha se acendeu naqueles pioneiros televisores Telefunken de válvulas. Seriados empacotados tipo Bonanza, I Love Lucy e A Feiticeira – sujeitos, volta e meia, a um replay ainda capaz de turbinar a audiência – fazem parte de nossa história pessoal e formação tanto quanto a ditadura militar e o Biotônico Fontoura.

A tevê simula, aliás, ora e vez, intuitos altamente pedagógicos, e nesse quesito nada se compara àquele Papai Sabe Tudo, tão asséptico, tão edificante, tão classe média, tão determinado no propósito de vender, na época em que a gente tinha de checar se havia um comunista debaixo da cama antes de dormir, o edulcorado American Way of Life. Responda: quem era o ator que fazia o papai sabichão e bonachão? Robert Young. Qual era o nome do filhote meio descabeladinho? Bud Anderson. Viu? Não dá para esquecer. Papai Sabe Tudo é o avesso do que viria a ser Os Simpsons, com seu humor debochado, autodestrutivo.

O jornalista mineiro Paulo Gustavo Pereira mergulhou fundo na nostalgia para produzir o delicioso Almanaque dos Seriados, que a Ediouro acaba de botar nas livrarias (327 págs., R$ 49,90).

‘Uma viagem no túnel do tempo’, diz ele. Viagem que começa ecoando velhos hits dos anos 50, como aquele de 77 Sunset Strip, ou o de Peter Gun, ou o de Danger Man – sem falar do mais atraente de todos, Rota 66, mortal dueto de Tod Stiles (Martin Milner) e Buz Murdock (George Maharis), a bordo de uma Corvette amarela, pelas estradas da América.

Columbo – com o detetive caolho Peter Falk e um backstage tão requintado que chegou a ter o privilégio premonitório de ver o ainda iniciante Steven Spielberg dirigindo seu primeiro episódio (Um Crime Quase Perfeito), o Kojak, feito sob medida para Ted Savallas, e Baretta, recordista com 80 episódios, inauguraram a dupla novidade das séries em cor e a mania dos detetives espertinhos.

Tony Baretta, interpretado por Robert Blake, acabaria encarnando uma ironia macabra: o agente da lei da ficção foi acusado pela Justiça de ter assassinado sua mulher na vida real. Como toda celebridade que se preze, nos Estados Unidos, acabou inocentado pela Justiça. Na tevê, a Justiça é mais rigorosa. CSI, Sex & the City, Friends, Seinfeld, Família Soprano, Lost, Lei & Ordem – diga aí um seriado dos novos tempos, e ele estará freqüentando o livro de Paulo Gustavo, esquadrinhado naquilo que tem de mais curioso ou folclórico.

Mas a graça de um almanaque é revolver a poeira do passado e, sendo assim, que tal lembrar dos cachos dourados da pantera Jill, do trio diabolicamente belo das Charlie’s Angels? Farrah Fawcett foi a mulher mais fotografada dos Estados Unidos nos anos 70, tão superexposta que Esquire botou-a certa vez na capa, com esse título: Não estamos falando nada de Farrah Fawcett nesta edição.

Agora, só para testar o seu conhecimento: Farrah Fawcett foi casada de verdade com outro astro da tevê. Você se lembra do nome dele? Do seriado onde ele era o protagonista? Hein? Hein? Se sua memória acionou algo do tipo homem feito em laboratório, biônico, cyborg, vá em frente. Lee Majors, o maridão, era o protagonista de O Homem de 6 Milhões de Dólares (da Universal).

Laboratórios de talento, as séries made in USA revelavam rostos e silhuetas que iriam se expandir, depois, nas supertelas do cinema. O enfant terrible Johnny Depp, quem diria, começou com cara limpa em Anjos da Lei. Mas Tom Selleck, por exemplo, embora tenha sido igualmente cooptado por Hollywood, nunca venceu a maldição de Magnum.

É daqueles anos 80 o seriado que este colunista levaria para uma ilha deserta. A Gata e o Rato (Moonlighting, no original da ABC) começa com uma história simples e convencional, mas encobre uma pretensão bem cabeça. Uma top model (Cybill Shepherd) descobre que seu agente fugiu com todo o dinheiro para – onde mais? – a América do Sul e só lhe resta no espólio uma agência de detetives administrada por um sujeito meio atrapalhado (Bruce Willis).

O seriado, criado por Glenn Gordon Caron, é cheio de entrelinhas, citações cifradas e requintes de roteiro pelo qual até William Shakespeare passeia. A dupla exercita relação entre o platônico e o masturbatório, de arrufos e afetos, mas toda aquela tensão pré-sexual vira um desastre de audiência, quando o roteiro afinal leva Maddie e David para a cama. O espectador preferia a sugestão, não o fato consumado.’

 

SILVIO BERLUSCONI
Carta Capital

A globalização do clown, 6/6

‘Silvio Berlusconi deixou há muito tempo de ser um baú de surpresas, mas nesta semana mostrou que seu repertório é mesmo inesgotável. Na terça-feira passada, seu alvo foi o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, em cenário solene qual o da Conferência da FAO, a agência da ONU para a Agricultura e Alimentos.

Ali, Lula pronunciou um discurso para ‘afastar a cortina de fumaça lançada por lobbies poderosos, que pretendem atribuir à produção de etanol a responsabilidade pela recente inflação dos preços dos alimentos’. Enquanto o presidente falava, em vários e longos momentos o primeiro-ministro italiano falou ao celular.

Perdeu um pronunciamento importante, proferido com a firmeza e a precisão adequadas. Lula denunciou ‘as absurdas políticas protecionistas na agricultura dos países ricos’, e diferenciou o etanol brasileiro do americano, produzido a partir do milho, competitivo em relação à cana-de-açúcar ‘quando anabolizado por subsídios e protegido por barreiras tarifárias’.

Ao cabo, Berlusconi limitou-se a lamentar o tamanho do discurso, cerca de meia hora, e desenterrou uma velha anedota: Karl Marx pediu um mês de tempo para preparar os trabalhadores à revolução do proletariado e recebeu apenas três segundos. Concluiu o premier com a sua moral: ‘Acho que cinco minutos eram o bastante para o Lula’.

Cantor de boate em tempos de juventude, o infatigável Silvio passou a especializar-se em comicidade circense para a diversão mundial. É a globalização do clown.’

 

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O Estado de S. Paulo – 1

O Estado de S. Paulo – 2

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