Terça-feira, 11 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1016
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Carta Capital

09/12/2008 na edição 515

TRIBUNA
Carta Capital

Justiça que tarda falha , 5/12

‘Por uma dessas ironias da história, a Tribuna da Imprensa, jornal fundado por Carlos Lacerda em 1949 e que serviu ao golpismo udenista do segundo governo de Getúlio Vargas ao início do governo João Goulart, deixou de circular por efeito retardado do golpe militar que seu fundador tanto desejou, embora tenha cortado laços com o Corvo bem antes do golpe de 1964.

O jornalista Hélio Fernandes, que o adquiriu em 1962, imprimiu-lhe outra orientação, criticou a ditadura e pagou o preço de dez anos de censura prévia, de junho de 1968 a junho de 1978 e de um atentado a bomba em março de 1981. Sofrendo o boicote dos anunciantes após a truculência da ditadura, o jornal mostrou coerência e firmeza em sua linha editorial e uma notável capacidade de sobrevivência.

Mas o editorial na primeira página da última edição, de 2 de dezembro de 2008, conta como foi forçado a interromper a circulação, devido à demora do ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal, para julgar a indenização cobrada da União pelo jornal desde 1979, por perseguições na ditadura. O processo aguarda decisão em sua mesa desde abril de 2006.

Os empregados, que não receberam os salários de outubro e novembro, terão de esperar, sem receber, por uma possível solução. O jornal ainda não morreu definitivamente. A versão on-line (http://www.tribuna.inf.br/) continua a ser atualizada e Fernandes, de 88 anos, aposta na indenização para voltar a circular. CartaCapital espera que, no papel ou na internet, a Tribuna da Imprensa continue a prestar seus valiosos serviços ao pluralismo e à democracia e que a justiça tão protelada finalmente seja feita.’

 

TELEVISÃO
Nirlando Beirão

A caricatura do mal, 5/12

‘Ante a vilania convicta, sem constrangimento, da sibilina Flora (Patrícia Pillar), de A Favorita, o colunista tem ímpetos de recorrer à expertise de Cesar Maia, há oito anos ex-prefeito em exercício do Rio. Gostaria, junto com Maia, de imaginar para a abjeta criatura – a Flora, que fique bem claro – o que haveria de ser a mais cruel de todas as punições. Só não vale dizer que o pior castigo seria a companhia do próprio Cesar Maia.

O ex-prefeito em longa interinidade é uma mistura de sadismo com paranóia, o que faz com que a weltanschauung dele, com perdão da palavra, se traduza numa indissipável auréola negra de infortúnio e no prazer permanente em chafurdar na tragédia.

Bastava Cesar Maia aplicar a Flora o que ele anda torcendo para que aconteça com a economia brasileira para que a jararaca viesse a ter o merecido destino. Mas como esta coluna, na erudita companhia de Hannah Arendt, não acredita no mal absoluto, nem no que diz respeito à Flora, nem em outros casos, melhor deixar de lado a severa palmatória do agourento profeta.

O problema, porém, persiste, e cabe ao autor João Emanuel Carneiro destrinchá-lo: existirá, na instância humana, castigo capaz de compensar toda a palheta de perversidades e dissimulações que a praguenta já percorreu, ao longo da atual novela? João Emanuel tem um desafio monstro pela frente, ele que é um jovem autor com tanto talento quanto auconfiança. Não sendo, porém, ou por ora, Deus, terá de ministrar um corretivo tipo folhetim. Nada que surpreenda além de uma morte sofrida, tanto quanto anunciada. O suicídio – que Albert Camus disse ser a única questão filosoficamente séria – há de ser sempre uma saída.

Flora será justiçada exemplarmente, sua sordidez desprovida de superego – como a de, na vida real, alguns homens de comunicação – nem o papa nem a Virgem Santíssima são capazes e redimir. O mal caricato de A Favorita pressupõe desde já o desfecho clichê, numa trama em que a virtude é exercida por aquela Donatela (Claudia Raia) de nariz vermelho de tanto sofrer e por um Zé Bob (Carmo Dalla Vecchia) que, em extremo de inverossimilhança, é um jornalista com bons sentimentos.

A câmera, em A Favorita, praticamente arranha as feições dos protagonistas, chamando-os para perto do vídeo, e, assim, quebrando aquela rotina modorrenta dos planos abertos em conversas familiares e discussões de escritório do sitcom-padrão. É como se o diretor Ricardo Waddington quisesse, com engenhoso truque técnico, reiterar a irrefreável vocação da telenovela para a caricatura e para o burlesco.’

 

 

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