Terça-feira, 22 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº955

ENTRE ASPAS > TERÇA-FEIRA, 30/01

Cervejarias desafiam a
lei e exploram erotismo

Por Luiz Antonio Magalhães em 31/01/2007 na edição 418


Leia abaixo os textos de terça-feira selecionados para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Terça-feira, 30 de janeiro de 2007


PUBLICIDADE
Fabiane Leite


Cervejarias descumprem veto a erotismo


‘Três anos após se comprometerem a não recorrer ao apelo sexual em anúncios de bebidas alcoólicas, as cervejarias voltaram a abusar de cenas com conotação erótica nas campanhas publicitárias deste verão.


Integrantes do mercado publicitário e representantes dos produtores de álcool admitem que parte da última safra de propaganda desrespeita o acordo de auto-regulamentação.


‘É preciso que haja muita responsabilidade para que a gente não perca a liberdade’, alerta Dalton Pastore, presidente da Associação Brasileira de Agências de Publicidade.


O superintendente do sindicato das cervejarias, Marcos Mesquita, também reconheceu ‘algumas irregularidades sob o conceito ético’ na nova safra de comerciais, sem citar nomes. ‘Todos esses equívocos ou casos de mau gosto são pontuais.’


A Folha apurou que o Conar (Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária) já recebeu denúncias contra a Antarctica (Ambev) em razão do anúncio em que a atriz Juliana Paes atua como dona do Bar da Boa. O Conar tem poder para tirar um comercial do ar.


Em um dos comerciais, Juliana ameaça ‘botar para fora’ os clientes que batem os pés para ver os seios dela balançar- eles respondem ‘bota, bota’, em referência aos seios.


Já a atriz Karina Bacchi e a apresentadora Adriane Galisteu viraram ‘namoradas’ do ‘baixinho’ da Kaiser, da fábrica mexicana Femsa. Em um dos filmes, garotas tiram as roupas umas das outras em uma disputa pelo garoto-propaganda até ficarem de biquíni.


A cerveja Cintra, do grupo português homônimo, é mais explícita. Lançou há uma semana comercial em que a modelo Dani Lopes, ao abaixar para pegar uma cerveja, expõe a tatuagem ‘tô dentro’ na altura do cóccix. Há marcas ainda que têm distribuído gibis eróticos.


‘Não há sutileza, as mulheres estão ali para serem consumidas. Os anúncios revelam que a mulher é algo para servir ao homem e mostram como estamos longe de uma sociedade com eqüidade de gêneros’, diz Berenice Bento, doutora em sociologia e pesquisadora da Universidade de Brasília.


Para Ilana Pinsky, coordenadora do Ambulatório de Adolescentes da Uniad (Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas), da Unifesp, as propagandas utilizam linguagem simplista, associações diretas entre beber e conquistar mulheres, parte de uma estratégia muito mais pesada de marketing. ‘Talvez ficaram mais apelativas em razão da entrada da Femsa no mercado.’


O presidente do Conar, Gilberto Leifert, diz que o órgão passará a monitorar todas as propagandas -não só as de cerveja- para verificar se está havendo falta de ética no uso de mulheres em comerciais.


O anexo sobre bebidas alcoólicas do Código Brasileiro de Auto-Regulamentação Publicitária, publicado em 2003 pelo Conar, diz que os anúncios ‘não se utilizarão de imagens, linguagem ou idéias que sugiram ser o consumo do produto sinal de maturidade ou que contribua para o êxito profissional, social ou sexual’.


O objetivo da regra era que se promovessem marcas e não quantidade de consumo -ficou acordado que a associação entre bebida e erotismo pode levar ao consumo abusivo.


A auto-regulamentação de dezembro de 2003 ocorreu após ameaça do governo, nunca concretizada, de endurecer no controle do álcool, inclusive sobre a propaganda, com horário restrito para as cervejarias.’


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Cervejarias afirmam não haver desrespeito


‘Cervejarias negam desrespeitar a auto-regulamentação sobre bebidas alcoólicas do Conar (Conselho de Auto-Regulamentação Publicitária) que veta o apelo erótico nos comerciais dos produtos.


‘Boa é a cerveja e ela [Juliana Paes, estrela da propaganda], a dona do bar. Não há relação entre êxito com as mulheres e tomar cerveja’, afirma o gerente de comunicação da Ambev, Alexandre Loures, sobre o comercial da Antarctica. A Ambev detém mais de 60% do mercado nacional de cervejas.


‘A posição da Femsa é de repúdio à utilização de qualquer cidadão em situações estereotipadas. Nossas personagens são sempre expostas de forma digna e respeitosa’, afirmou Paulo Macedo, diretor de relações externas da mexicana Femsa, terceira do setor. ‘Não podemos nos pronunciar sobre a vida particular de nenhuma de nossas personagens’, ironizou Macedo quando questionado sobre o fato da atriz e beldade Karina Bacchi aparecer como namorada do garoto-propaganda da Kaiser nos comerciais.


A agência de publicidade ALMAP BBDO, autora da propaganda da Antarctica, não se manifestou. A reportagem não conseguiu falar com a agência Fischer América, da Kaiser. O publicitário Gláucio Binder, sócio da agência Binder/FC+G, autora do comercial da Cintra, falou pela cervejaria. Segundo ele, a moça tatuada com a palavra ‘tô dentro’ acima do bumbum ‘não é apelo erótico, compõe a história [do comercial]’. ‘Até fomos criticados por não colocar um biquíni menor. Não quisemos porque ficaria mais erótico do que engraçado.’


‘Propaganda de cerveja é test-drive do momento de consumo. A propaganda quer que o consumidor se sinta naquele momento com os amigos, falando de mulher, futebol’, disse Carlos Righi, do Clube de Criação de SP. ‘Se você pegar os anúncios antigos, sempre teve muita mulher, beleza, charme’, defende Áurea Silveira, presidente da Associação Nacional Memória da Propaganda.’


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‘A mulher é sempre um atrativo nos comerciais’, afirma a atriz Juliana Paes


‘A atriz Juliana Paes, 27, a dona do Bar da Boa no comercial da cerveja Antarctica, diz que não vê nada vulgar nos comerciais de cerveja atuais, mas estética aliada ao bom humor. ‘O homem gosta, mesmo que seja inacessível, de tomar uma cervejinha vendo e convivendo com algumas beldades no ambiente’, diz a atriz, formada em publicidade. Leia trechos da entrevista feita por e-mail. (FL)


FOLHA – Recentemente uma socióloga escreveu que os comerciais de cerveja exploram indevidamente o corpo da mulher. O que você acha?


JULIANA PAES – Independentemente de cerveja, a mulher é sempre um atrativo nos comerciais do mundo todo, em vários segmentos, como carro, cosméticos, cigarro, bebidas. Não tenho visto nada de agressivo nas propagandas e, quanto à Antarctica, discutimos freqüentemente os roteiros para justamente não sugerir nada vulgar.


FOLHA – Por que as mulheres são tão requisitadas nesses anúncios?


JULIANA – Não sei quem exatamente detectou, na propaganda, que a mulher é sinônimo de motivação em relação a conquistas materiais ou atitudes de homens bem-sucedidos.


FOLHA – O que acha de exibir o corpo nesses anúncios? E de ser ‘a boa’?


JULIANA – Acho que a brincadeira sugestiva, sem agredir, feita no Bar da Boa é fruto de pesquisas em barzinhos onde alunos, empresários, secretárias etc. brincam assim o tempo todo, sem faltar respeito. O próprio Conar já havia revisto o apelo abusivo de usar mulheres de maneira inconveniente. A meu ver, a estética aliada a bom humor ficou bem melhor.


FOLHA – Como você vê as condições de vida das mulheres no Brasil?


JULIANA – A mulher atual não quer mais depender de ninguém e almeja vôo solo. Mesmo que ainda romântica, como eu.’


Marco Aurélio Canônico


Reino Unido proíbe elo com a sexualidade


‘No Reino Unido, a rigidez no controle da publicidade de bebidas alcoólicas é comparável à severidade que cerca a venda delas.


A propaganda não costuma ter apelo erótico. As regras estabelecem que ‘não deve ligar o álcool à sedução, à atividade sexual nem implicar que a bebida pode aumentar a atração, a masculinidade ou a feminilidade.’


Além disso, anúncios de bebida são vetados em programas infantis e em publicações que tenham mais de 25% de seus leitores abaixo dos 18 anos.


Os anúncios são regulados por um código de 1961. Há regras específicas para bebidas alcoólicas desde 1975; preocupado com o consumo excessivo, o governo britânico tornou-as mais rígidas em 2005.


Há também o controle da imprensa sobre a publicidade: boa parte dos jornais mais respeitados, como o ‘Guardian’, tem colunas de crítica a anúncios.’


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Assustador, aterrador


‘‘Fantástico’ e ‘Independent’, entre outros, adiantaram trechos do ‘mapa do aquecimento global’ que sai sexta em Paris, em reunião da ONU aberta ontem, com cobertura global que segue o ritmo de Davos.


É ‘assustador’, diz a Globo, destacando a previsão de que ‘o nível do mar deve subir quase meio metro antes do fim do século’, com praias perdendo cem metros de areia por todo o Brasil, sendo Rio e Recife as ‘mais vulneráveis’. E é ‘o mais aterrador relatório de todos os tempos’, diz o ‘Independent’, também com o rascunho. Vêm aí ‘ondas de calor’, como a européia de 2003, e ‘tempestades tropicais e furacões’.


EXTREMOS


Na Reuters original, ‘13% dos americanos não ouviram falar em aquecimento global’. Na Reuters Brasil, ‘Brasileiros são os mais conscientes sobre aquecimento global’.


É uma pesquisa mundial do Nielsen, que dá os chineses ao lado dos brasileiros. Reação do próprio instituto, sobre a maior consciência global:


– Foi preciso aparecer padrões extremos e ameaçadores para finalmente transmitir o recado de que o aquecimento está acontecendo…


NOS TRÓPICOS


O ‘Fantástico’ avaliou que até George W. Bush ‘está com medo do aquecimento’. Paul Krugman, colunista do ‘New York Times’, não vê assim.


Diz que, no discurso presidencial dias atrás, ‘a única coisa concreta foi convocar a um grande aumento nos combustíveis alternativos’, a saber, etanol de milho, ‘uma idéia ruim’. Sim, ‘há um lugar para o etanol no futuro energético, mas é nos trópicos’, no Brasil, a partir da cana. Nos EUA, é só mais lobby agrícola.


A GUERRA DOS LAPTOPS


Nicholas Negroponte, do MIT, e Craig Barrett, da gigante Intel, levaram a Davos a disputa em torno do laptop popular mundial, que começou dois meses atrás com a apresentação dos modelos de ambos aqui mesmo, no Brasil.


Segundo o ‘NYT’ de ontem, Negroponte acusou Barrett de estar em ‘campanha para desencorajar os líderes mundiais a se comprometerem’ com seu projeto -que é barato e ‘nonprofit’, não visa lucro, enquanto o da Intel, posterior, é mais caro. Para registro, o de Negroponte usa sistema Linux, grátis, o de Barrett, Microsoft Windows. No enunciado do ‘NYT’, a disputa é pelo ‘terceiro mundo’.


MYSPACE VEM AÍ?


O ‘Financial Times’ noticiou que uma das estrelas da Web 2.0 ou participativa, o site de relacionamento social MySpace, o Orkut dos EUA e Europa, ‘está perto de lançar uma versão local no México, como parte de sua agressiva expansão internacional’.


Seria o primeiro país da América Latina com o MySpace, comprado pelo empresário conservador Rupert Murdoch -o mesmo da Fox News e, no hemisfério, do serviço de satélite Sky/DirecTV.


VALE-TUDO


O ‘NYT’ detalhou como uma informação falsa sobre o presidenciável democrata Barack Obama -a de que ele estudou numa escola islâmica- surgiu num site conservador, Insight, e se propagou pela web, chegando à Fox News.


Já o ‘Washington Post’ relatou como ‘analistas online’ vêm sendo contratados para identificar e contra-atacar ondas que atingem a ‘reputação’ de seus clientes, em especial políticos. O contra-ataque é com posts ‘positivos’.


BRASILEIROS LÁ


De um lado, o ‘Fantástico’ deu a ‘indignação na comunidade brasileira’ de Marlboro, próxima a Boston, EUA, com ‘um apresentador de TV que ofende os brasileiros e desrespeita nossa bandeira, urinando sobre ela’. Ele já foi candidato a prefeito com uma plataforma antiimigrantes.


De outro, longo despacho da AP desde Oizumi, próxima a Tóquio, Japão, retratou o cotidiano da comunidade brasileira, também de preconceito. Mas a notícia é que, com sua população em queda desde 2005, o Japão já estuda aumentar a ‘importação de trabalhadores estrangeiros’.’


HQ
Paulo Ramos


Versatilidade foi característica do quadrinista Ely Barbosa


‘É difícil encontrar uma palavra para definir a profissão de Ely Barbosa, que morreu no dia 19 deste mês, aos 69 anos. Ele não tinha uma área de atuação. Tinha várias. Fez histórias em quadrinhos, livros, peças de teatro, programas infantis, campanhas publicitárias.


Foi também um dos pioneiros da animação na TV. É dele, por exemplo, o comercial da DDDrin, produzido no início dos anos 70.


O desenho mostrava uma festa feita por baratas e insetos. Ficavam todos a ‘roerrrr’ (forma como era cantado o ‘jingle’) até a chegada de um funcionário da empresa, especializada em controle de pragas. Fim da festa. A história fez tanto sucesso que é reprisada até hoje (inclusive no YouTube).


Ely Barbosa trabalhou também com Silvio Santos por muitos anos. Criou comerciais e animações para as empresas e programas do apresentador. Chegou até a ser chamado de ‘Walt Disney brasileiro’.


Em 1976, Barbosa começou a investir também em quadrinhos. Inventou um grupo enorme de personagens infantis: o cãozinho Cacá, a Turma da Fofura, Os Tutti Fruttis, Patrícia, o exército dos Incríveis Amendoins (talvez sua criação mais popular).


Cada um deles teve revista própria entre as décadas de 70 e 80. Foram publicados primeiro pela editora Rio Gráfica e, depois, pela Abril, onde a equipe do desenhista produzia 250 páginas de quadrinhos por mês.


Ele criou até um estúdio, que serviu de escola para diversos artistas do traço. Por anos, os personagens dividiram espaço com a Turma da Mônica, de Mauricio de Sousa. E com sucesso.


Parte da popularidade vinha dos programas infantis. Ely Barbosa transformou os personagens em bonecos e os levou para a TV. Teve dois programas exibidos na TV Bandeirantes (hoje Band): ‘Boa Noite, Amiguinhos’ e ‘TV Tutti Frutti’, vencedor do APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) em 1983.


Teatro e internet


Com o tempo, a popularidade diminuiu. Os programas de TV foram cancelados e as revistas não demoraram a seguir o mesmo caminho. Restaram o teatro e a internet, onde as histórias em quadrinhos passaram a ser veiculadas. Paralelamente, publicou um romance e vários livros infantis, lançados por diferentes editoras.


A saúde debilitada (tinha mal de Parkinson) atrapalhou o desenvolvimento de novos projetos nos últimos dois anos. A família informou que vai dar continuidade ao trabalho dele.


Ely Barbosa nasceu em Vera Cruz, cidade a 428 km de São Paulo. Ficou órfão cedo. O pai, um jornalista, morreu aos 29 anos. Coube à mãe, Aurora Medeiros Barbosa, a tarefa de criar Ely e os quatro irmãos, entre eles o escritor de novelas Benedito Ruy Barbosa.


Segundo a curta biografia que escreveu em seu site, o desenhista disse que o interesse pela criação de bonecos começou cedo. Aos quatro anos, já moldava pequenas imagens com sobras de cera de vela.


Três anos depois, criava animais para o presépio de uma igreja. O padre pagou pelo serviço. ‘Foi o primeiro dinheiro que ganhei com minha arte.’’


INTERNET
Folha de S. Paulo


Site YouTube é processado por vídeos de ‘24’


‘A News Corp., proprietária da Fox, decidiu processar o site de vídeos YouTube, que trouxe quatro episódios da série ‘24 Horas’ e 12 de ‘Os Simpsons’ antes mesmo da estréia na TV dos EUA.


Segundo o site Tela Viva, a News Corp. exige que o YouTube revele o responsável por postar os episódios na site, que está sendo acusado de pirataria. A Google, dona do YouTube, só revela a identidade de seus usuários mediante ordem judicial.


Após o vazamento dos quatro capítulos de ‘24 Horas’, a própria Fox aproveitou para lançá-los em DVD nos EUA.’


TELEVISÃO
Laura Mattos


‘Cocoricó’ terá personagem negro


‘Júlio, protagonista da série de bonecos ‘Cocoricó’, ganhará um novo amigo, João. Será um garoto negro, que irá introduzir na turma da fazenda um debate a respeito de diferenças.


O premiado programa da TV Cultura, fenômeno entre o público infantil, passará por algumas alterações, que serão discutidas nesta semana em uma reunião na emissora.


A nova temporada, com 26 episódios de 15 minutos cada, começa a ser gravada em março. Deve entrar no ar na TV Rá Tim Bum (canal pago da Fundação Padre Anchieta) nas férias de julho e em outubro, mês das crianças, na Cultura.


Além de João, deverão entrar outros personagens, entre eles dois ‘vilões’: o Pato Torquato (que já fez pequenas participações) e sua parceira, Pata Vina. Um sapo, ainda sem nome, ficará entre a turma do ‘mal’ e a do paiol. No ar há mais de dez anos, Júlio e seus amigos também deverão ganhar complexidade e ter a personalidade ‘enriquecida’. Um exemplo: apesar de ser o ‘mocinho’, Júlio pode ter sentimentos dúbios, como a inveja.


No debate das diferenças, podem entrar outros personagens, como uma índia que já é amiga de Júlio. Isso sem falar nos próprios animais que fazem parte de sua turma: as três galinhas, o cavalo Alípio e o porquinho Astolfo.


Cidade


João, seu novo amigo, virá da cidade para passar férias na fazenda Cocoricolândia, na casa dos avós de Júlio.


Dessa forma, o programa, ambientado na zona rural, prepara-se para ampliar seu rol de temas e entrar no universo urbano. Na temporada do próximo ano, Júlio deverá ir com João à cidade.


Assim, poderão entrar em debate assuntos ligados ao dia-a-dia de grande parte dos telespectadores, como trânsito, correria e violência.


Júlio, um garoto de seis anos, morava com os pais na cidade, mas mudou-se para a casa dos avós na fazenda. As razões para essa mudança poderão ser exploradas nessa nova fase.’


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O Estado de S. Paulo


Terça-feira, 30 de janeiro de 2007


TELEVISÃO
Ricardo Brandt


Lula faz tabelinha com Rivellino na TV


‘O clima era de festa, a platéia estava repleta de atletas e celebridades do esporte, mas quem roubou a cena foi o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Corintiano roxo, Lula foi convidado a entregar ontem, em São Paulo, um prêmio a um dos maiores ídolos do Corinthians, Roberto Rivellino, na terceira edição do Troféu Mesa Redonda, da TV Gazeta, e para surpresa geral, compareceu. Justificou dizendo que sua presença era um gesto para o povo brasileiro.


Num rápido discurso em que abusou das metáforas futebolísticas, defendeu a atuação do governo no auxílio aos times, enfatizou o papel do esporte e o do futebol como mecanismo de inclusão social.


Sem falar abertamente na Timemania, loteria criada pelo governo para ajudar os times endividados com o INSS, Lula defendeu a intervenção estatal nos clubes. ‘Estamos tentando trabalhar para que os times tenham uma administração mais forte. Esses times não são uma empresa qualquer porque mexem com as cabeças das pessoas. A responsabilidade do governo é não virar as costas para os times com problemas’, declarou. ‘Como o governo não vai fazer um sacrifício para salvar esses times?’


Segundo ele, os times precisam recuperar a capacidade de manter os jogadores no Brasil. E defendeu os atletas que deixam o País para atuar no exterior. ‘Tem gente que fala que os jogadores são mercenários. Mas não são, eles são artistas e, como todo artista, cobram o preço que acham que vale seu talento.’


Diante de técnicos como Luiz Felipe Scolari, Abel Braga, Murici Ramalho, Leão e Antônio Lopes, relembrou Ademir da Guia, Dudu e a seleção de 1974 em tom saudosista. ‘Hoje estou me sentindo mais gente porque não é aquela entrevista pesada.’


E completou: ‘No Brasil tem três coisas que nivelam ricos e pobres, pretos e brancos. Carnaval, praia e futebol. É nele que muitos jovens viram uma personalidade.’ Segundo Lula, são raras as profissões no mundo que oferecem a chance para jovens carentes ascenderem socialmente.


‘O futebol é uma paixão nacional e está definitivamente no cotidiano, nos nossos domingos e nas nossas segundas. Na segunda é mais grave porque a gente chora, como eu, Leão, depois de ver o Corinthians jogar nesse sábado’, brincou o presidente com o técnico corintiano. O time perdeu para o Ituano por 2 a 1.


‘Muita gente pensa que o papel do presidente da República é só ficar assinando decreto. Não, o papel do presidente é dizer: eu sou como vocês, tenho sentimentos, quando o time ganha fico feliz.’ Lula terminou o rápido discurso com bom humor: ‘Sou um azarado. Sou convidado para entregar o prêmio quando o Corinthians não ganhou um prêmio sequer.’’


Cristina Padiglione


Leão perde espaço


‘Extintos os programas Sabadaço e Boa Noite, Brasil, Gilberto Barros negocia seu destino na Bandeirantes. A emissora deve propor-lhe um programa semanal – em lugar das quatro vagas que ele ocupava na grade – mas ainda depende de ele concordar em abrir mão de alguns pontos estabelecidos no contrato em vigência.


No horário do Sabadaço, no último fim de semana, foi ao ar um jogo de futebol e um filme. Ontem à noite, o popular Leão, como é chamado, foi substituído pelo elitista Canal Livre.


Assim segue a reforma na programação da casa, para temor de uns e felicidade de outros. Renata Fan, especialmente importada do programa de Milton Neves na Record, vem pilotando mesa-redonda diária no horário do almoço e já no próximo domingo deve chegar ao horário nobre do gênero.


Convém informar que talvez Renata não se junte ao time de Roberto Avallone no Show do Esporte. É que o destino de Avallone na casa é também incerto. Ontem, a agência de notícias de TV Canal 1 dava como certa a ida de José Luiz Datena para o mesmo Show do Esporte. A Band ainda não confirma tais mudanças.


entre-linhas


Autor de uma carta interna (que acabou vazando para a esfera pública), em que tecia um punhado de críticas à cobertura da Globo nas eleições, o jornalista Rodrigo Vianna foi visto ontem circulando pela sede da Record, na Barra Funda.


Rodrigo Vianna, a princípio, tinha repudiado, entre colegas, a forma como a Record fez uso de suas críticas, levando a carta ao ar numa edição do Domingo Espetacular.


Pedro Bial costura com Eduardo Bueno, o Peninha, os detalhes de acabamento para o quadro Que História É Essa?, previsto para entrar no Fantástico assim que o apresentador se livrar do expediente Big Brother. Em foco, episódios da História do Brasil embalados em linguagem atraente aos olhos da massa.


A partir de amanhã, o Universal Channel transmite uma maratona das duas primeiras temporadas da série House, de segunda a sexta-feira, às 19 horas. A terceira temporada estréia em 15 de março.


Por falar em House, o protagonista da série, Hugh Laurie, recebeu no domingo o prêmio de ‘melhor ator em série dramática’ na 13.ª edição do Screen Actors Guild Awards (SAG), promovido pelo maior sindicato de atores dos EUA.


Para cada onda e pista,um som: o DJ Marcos Bocayuva entra na Zona de Impacto, do SporTV, para pilotar o quadro Ondas Sonoras. Quinzenal, dará à turma do surfe e do skate a chance de sugerir uma trilha sonora.’


Beatriz Coelho Silva


Gilberto Braga volta à sua Copacabana


‘Em Paraíso Tropical, autor vai rever seu bairro, quase 30 anos após Dancing Days


O autor Gilberto Braga está de volta ao bairro de Copacabana. O lugar onde viveu dos 10 aos 30 anos e onde tem raízes é cenário de Paraíso Tropical, novela sua que estréia no dia 5 de março, às 21 horas, na Rede Globo, para substituir Páginas da Vida.


Uma mudança radical, pois em vez do cotidiano da classe média alta de Manoel Carlos, Braga aposta no clichê do bem contra o mal, sem esconder as mazelas dos lugares e pessoas de que fala. É sua segunda novela em Copacabana, pois os personagens de Dancing Days, de 1978, que revelou Glória Pires, aos 14 anos, viviam lá.


Em quase três décadas, 30 anos, o bairro mudou muito, como conta Gilberto Braga, nesta entrevista que ele deu por e-mail ao Estado.


Qual Rio veremos na novela?


O Rio maravilhoso, a cidade mais bela do mundo, e o Rio complicado, cheio de problemas. É nossa cidade, nosso País e não gostaria de morar em outro lugar.


O que diferencia suas duas novelas passadas em Copacabana?


Em Dancing Days, o bairro apareceu menos porque a televisão não tinha os recursos de hoje. Em razão disso, a discoteca ficou bem mais marcante. Nesse sentido – o pano de fundo – a novela é autoral.


O que mudou no bairro desde Dancing Days?


O Brasil empobreceu e Copacabana, com ele. Mas veio a ciclovia, o movimento na orla, a onda da saúde, gente correndo e passeando na calçada. Quando morei lá não havia isso. O movimento era na Avenida Nossa Senhora de Copacabana (a principal via interna do bairro). Desse ponto de vista, melhorou muito, a orla é o máximo.


Moro em Ipanema e ando muito de bicicleta. Quando dobro a Francisco Otaviano (que liga os dois bairros), fico um tempão ali, apreciando aquela curva, com muita música dentro de mim. E me considero um privilegiado por morar no lugar mais bonito do mundo.


Copacabana é o supra-sumo da glória. Tem prostitutas, ladrões pivetes, camelôs, bagunça, mas que cidade grande do mundo não tem esses problemas? Estocolmo, aonde já fui, é uma que não tem. Mas é um pouco sem graça, bonita, mas sem graça.


Como é a trama de Paraíso Tropical?


É, ao mesmo tempo, uma novela tradicional – porque é uma clássica história de amor entre Daniel (Fábio Assunção) e Paula (Alessandra Negrini)- e uma história inteiramente atual. O carioca Daniel, executivo de um poderoso grupo de hotelaria, vive um romance com Paula , jovem bela e simples do litoral da Bahia. Para impedi-lo de chegar à presidência do grupo, o rival, Olavo (Wagner Moura), arma um golpe que os separa. Daniel descobre a irmã gêmea de Paula, que é mau caráter e se alia a Olavo para eliminar Paula e mandá-lo para a cadeia. No fim, o amor de Paula e Daniel vence.


É uma novela sobre o Brasil contemporâneo e a cobiça. A história do Brasil é a história da cobiça do paraíso. De um lado, a praia; do outro, o calçadão, com camelôs, cafetinagem, especulação imobiliária etc. O Brasil que a gente quer contra o Brasil que a gente tem. O Brasil que Paula e Daniel pensam em construir e o Brasil de que Olavo e Taís querem tirar proveito. Essa dualidade está nas gêmeas vividas por Alessandra. Se Celebridade era sobre o mundo da fama e a inveja, Paraíso Tropical é sobre o Brasil contemporâneo e a cobiça.


Você prefere novelas de clichês ou de crônica do cotidiano?


De longe, os clichês do folhetim. O clichê é bom, não fosse assim não virava clichê. Um tempero de crônica de costumes é sempre bem-vindo mas gosto, como ensinou a grande Janete Clair, de uma história bem amarrada, dos causos, como diz o Benedito Ruy Barbosa. E também com bastante ação, como fazem Sílvio de Abreu, Agnaldo Silva e Glória Peres. Quando penso nesse colegas, tenho muito orgulho de escrever para televisão.


Como a dicotomia ética/sobrevivência, constante em suas novelas, se apresenta em Paraíso Tropical?


Está em quase todas as histórias paralelas, mas o que carrega o novelão, sua espinha dorsal, é a história das gêmeas e do Fábio Assunção. A ética também é discutida na luta do capitalismo selvagem (Olavo) contra a visão do empresário que tem consciência de sua responsabilidade social (Daniel). E mesmo nas duas gêmeas. Baixando a bola, é a luta do bem contra o mal, ou não é?


Que personagens secundários vão seduzir o público?


Há vários. No momento, o mais marcante é Dinorá (Isabela Garcia), a mulher que quer ser namoradinha do marido (Marco Ricca) pelo resto da vida. É mais criação do Ricardo Linhares que minha, talvez por isso eu goste tanto.


Como foi transformar atores que sempre fizeram bons moços (Toni Ramos, Wagner Moura, Camila Pitanga, Bruno Gagliasso etc) em vilões?


Só trabalhei com o Toni numa minissérie (O Primo Basílio, em 1986) e sempre quis tê-lo numa novela. Finalmente, consegui, meio por acaso porque começamos a bolar o Antenor para o Antônio Fagundes. Gosto de escrever com certeza de que vou ter o ator e o diretor artístico da Globo, Mário Lúcio Vaz, disse que o Fagundes seria difícil porque Carga Pesada está na grade este ano. Acho que será uma novidade, o Toni, um super ator num papel que as donas de casa não estão nem um pouco acostumadas a vê-lo. Além de ser um homem severo e frio, Antenor tem mais de uma amante e se envolve com garotas de programa.


Nunca tinha trabalhado com o Wagner Moura e estou apaixonado. Que ator maravilhoso! A Camila Pitanga superou minhas expectativas. Além de achá-la linda, fina e elegante, estou impressionado com seu talento ao fazer uma mulher tão distante do que ela é na vida real.


Como é sua rotina de escrever uma novela?


Acordo por volta de meio-dia e raramente consigo ir à ginástica, à natação ou caminhar na praia. Cada dia tenho menos tempo para atividades físicas, mas seja o que Deus quiser. Começo lá pelas 16 horas e termino pelas 3 da manhã. Há e-mails, telefonemas diversos, porque tenho ligação com todos os setores da novela, música, figurino, música, a direção da emissora. Um trabalho insano. Não tenho tido insônia e estou um pouquinho mais relaxado que na maior parte das novelas. Vamos ver se Paraíso Tropical vai agradar.’


IRAQUE
O Estado de S. Paulo


Jornal é punido por mostrar neta de Saddam


‘O jornal al-Watan vai recorrer à Justiça do Kuwait contra a sentença de três dias de suspensão e multa de US$ 10 mil por ter publicado a foto da neta do ex-ditador iraquiano Saddam Hussein em trajes de banho, na edição de 3 de julho. Processado por um cidadão conservador, o jornal alega ter ocultado as partes do corpo que pudessem violar as leis locais.’


INTERNET
O Estado de S. Paulo


‘Banda larga incentiva distribuição pela rede’


‘Há 13 anos, Steven Sinofsky foi assistente técnico do Bill Gates, fundador da Microsoft. ‘Quase nem me lembro, faz muito tempo.’ Mestre em ciência da computação, Sinofsky é vice-presidente sênior da empresa, responsável pelo grupo de engenharia do Windows e do Windows Live, que reúne os serviços online para consumidores. Em visita ao Brasil para o lançamento do Vista, falou sobre a estratégia online da empresa. A seguir, trechos da entrevista.


Esta é a última vez que vocês lançam caixas? Os próximos lançamentos serão pela internet?


Com o passar dos anos, o software tem sido distribuído de várias maneiras diferentes. O primeiro produto em que trabalhei vinha em disquetes de cinco e um quarto polegadas. A cada lançamento decidimos qual é a melhor maneira de distribuir.


Como o senhor vê a evolução da distribuição de softwares?


É óbvio quando mais clientes têm conexão de banda larga existe oportunidade de vender mais software. Podemos fazer versões disponíveis por download de qualquer software. Hoje, somos limitados pela adoção da banda larga e por coisas como pessoas que ainda não se sentem confortáveis em usar o cartão de crédito via internet. Depende do País.


Os parceiros poderiam ser um problema para a venda direta, não?


Você está dizendo que poderiam ser um problema. Acho que o nosso ecossistema de PCs e todos parceiros com que trabalhamos também mostram agilidade para tirar vantagem dessas oportunidades de vender software de maneiras diferentes, e também adicionando valor ao software. No Brasil, existem muitos negócios que giram em torno do treinamento, do gerenciamento dos PCs de pequenas empresas e de levar redes e conectividade às pessoas. Não está relacionado diretamente ao PC em si, à caixa ou ao software que vem instalado. Tem a ver com o serviço. Temos um ecossistema muito rico e ágil.


O que muda na estratégia Live com o lançamento do Vista?


O lançamento de produtos não muda nossa estratégia Live. Nossa estratégia é ter ótimos serviços que sejam parte integral de nossa experiência de software. Um jogador tem uma ótima experiência com o Xbox e, com o Xbox Live, sua experiência se torna global, multijogadora, online, que é totalmente diferente. Pode ter o melhor de dois mundos.


Como estão os serviços no Brasil?


Os brasileiros estão em primeiro lugar no mundo no tempo em que ficam conectados. O Brasil tem mais de 20 milhões de contas de Hotmail e, se não me engano, 35 milhões de contas de mensagens instantâneas. As pessoas são muito sofisticadas e usam amplamente nossos serviços de comunicação do Live, para compartilhar informação, se conectar com amigos e familiares.’


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