Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

ENTRE ASPAS > SEGUNDA-FEIRA, 25/1

Chávez tira emissora do ar pela segunda vez

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 27/01/2010 na edição 574


Leia abaixo a seleção de segunda-feira para a seção Entre Aspas.


 


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Folha de S. Paulo


Segunda-feira, 25 de janeiro de 2010


 


VENEZUELA


Chávez tira do ar emissora de TV a cabo oposicionista


‘Atendendo a uma ordem do presidente Hugo Chávez, a autoridade venezuelana de regulação de TVs a cabo e por satélite suspendeu ontem a transmissão da emissora RCTV, abertamente antigoverno.


A decisão, condenada pelos EUA e pela oposição, soma-se a uma longa lista de ataques à imprensa por parte de Chávez e acirra tensões políticas no país, que está envolto numa crise energética e econômica.


A Comissão Nacional de Telecomunicações da Venezuela (Conatel) cortou à meia-noite de ontem o sinal da RCTV (Radio Caracas Televisión Internacional), alvo principal de uma medida que atingiu outras cinco emissoras privadas.


O governo alega que a RCTV descumpriu a nova legislação do setor que entrou em vigor na semana passada, obrigando todos os canais com ao menos 70% do conteúdo produzido na Venezuela a transmitirem programas oficiais sempre que as autoridades pedirem.


No sábado, a emissora oposicionista se recusou a transmitir um discurso dirigido por Chávez a simpatizantes.


‘Se os canais não respeitarem a lei, não poderão retomar suas transmissões. A decisão é deles, não nossa’, disse Chávez ontem em seu pronunciamento semanal de rádio e TV.


Um advogado da RCTV entrou com pedido na Suprema Corte para suspender a aplicação da nova regulação no setor.


Um dos canais mais populares na Venezuela, a RCTV havia migrado para a TV a cabo em 2007, quando o governo decidiu não renovar a licença do canal para transmitir na TV aberta. A razão alegada por Chávez foi o suposto apoio da RCTV ao golpe de Estado que tentou, em vão, derrubá-lo em 2002.


Desde que saiu da programação aberta, a emissora perdeu audiência, mas se manteve popular. A RCTV afirma que sua programação é acompanhada regularmente por ao menos 90% dos assinantes de TV a cabo -presente em ao menos um terço dos lares do país.


Dezenas de veículos, entre os quais 34 emissoras de rádio e duas emissoras TV, já foram alvo de sanções do governo venezuelano nos últimos anos.


Analistas afirmam que a nova ofensiva contra veículos de comunicação mostra que Chávez está acuado e tenso, oito meses antes das eleições legislativas nas quais ele pode perder o controle do Parlamento.


Apoio na berlinda


Embora ainda seja de longe o político mais popular do país, Chávez enfrenta crescentes dificuldades internas que ameaçam minar a base de seu apoio.


A Venezuela registrou em 2009 uma queda de 2,9% do PIB, na primeira recessão em cinco anos. O país sofre também com um racionamento de energia, que obrigou o governo a reduzir o horário das repartições públicas e do funcionamento de shopping centers.


A crise energética causa apagões e racionamento de energia, o que tem levado manifestantes às ruas para reclamar.


Chávez pediu que os venezuelanos tomassem banho de três minutos e usassem lanternas para ir ao banho à noite como formas de diminuir o consumo. Para os críticos, a culpa é dos atrasos nos investimentos.


Há duas semanas, Chávez anunciou a maior desvalorização da moeda nacional, o bolívar, desde que implantou o controle de câmbio, em 2003. Autoridades admitem que a medida aumentará a inflação, uma das maiores na região.


Com agências internacionais’


 


 


INTERNET


Fundadores do Google venderão US$ 5 bi em ações


‘Os fundadores do Google, Larry Page e Sergey Brin, anunciaram na última sexta-feira que venderão US$ 5,5 bilhões em ações da companhia num período de cinco anos. É a segunda vez que a dupla se desfaz de papeis.


Com isso, Page e Brin, que hoje detêm cerca de 59% das ações da empresa, passarão a controlar apenas 48% dos papeis. O Google é comandado por um ‘triunvirato’ formado pelos dois fundadores e pelo presidente-executivo, Eric Schmidt, que tem 10% das ações.


Vendas de ações desse tipo são uma prática comum entre fundadores de empresas e executivos que buscam levantar fundos para diversificar seus investimentos.


O trio diz que pretende continuar no comando até pelo menos 2024.’


 


 


TODA MÍDIA


Nelson de Sá


Intenções


‘O general Floriano Peixoto surgiu da BBC Brasil à Folha, desde sexta, chefiando distribuição de ajuda e dizendo ser ‘uma forma de marcar posição’ no Haiti, pois ‘a imprensa tem dado pouco destaque’ à ação brasileira. Nas manchetes ontem da Reuters Brasil ao UOL, mais uma vez, ‘Tropas brasileiras distribuem alimentos em favela’.


E ontem Eugênio Bucci, ‘teórico da ética’, avaliou no ‘Globo’ que ‘nossa imprensa vai tecendo uma teia de pertencimento ao imaginário nacional que inclui o Haiti’. Até ‘na cobertura de TV sobre a ‘agressividade’ da ajuda americana, os haitianos aparecem criticando as intenções dos EUA’ de ‘ocupar o país’ e não ajudar -o que, diz, ‘não era comum’ nos telejornais brasileiros.


Na mesma linha, o ‘New York Times’ destacou que a organização Médecins Sans Frontières teve oito aviões proibidos de pousar no Haiti pelos EUA, enquanto o governador da Pensilvânia, em avião particular, descia para transportar órfãos e falar à mídia americana. ‘As autoridades de EUA, França e Brasil se encontram’ hoje, no Canadá, informa o jornal, ‘para coordenar a ajuda’.


DESAFIOS


O jornal ‘O Estado de S. Paulo’ relatou palestra em Washington do embaixador americano no Brasil, Thomas Shannon, destacando que ele reconheceu diferenças entre os dois países, o que traz novos ‘desafios’, como buscar o ‘entendimento em partes onde isso não ocorria’. Disse que ‘não são muitos os países do mundo que podem ter suas próprias opiniões, e o Brasil é um deles’.


PÓS-GOLPE


Manuel Zelaya sai nesta semana da embaixada do Brasil em Honduras, noticiam agências. E nesta semana toma posse o novo presidente, mas ‘os únicos presidentes que planejam comparecer são o do Panamá e o de Taiwan’, diz a ‘Economist’. Os EUA reconhecem a eleição, ‘mas a chave é ganhar o apoio do Brasil. Isso vai requerer anistia para Zelaya, governo de unidade e a vontade de discutir reforma constitucional, diz um diplomata brasileiro.’ Já o embaixador americano, a jornais hondurenhos, defendeu uma ‘comissão da verdade’ no país.


QUE GOLPE?


Na virada do ano, Alexandre Garcia comparou, em coluna de jornal, Zelaya a João Goulart. Este ‘promoveu movimentos populistas visando a cancelar eleições e fechar o Congresso’, mas ‘no Brasil o povo saiu às ruas e os jornais publicaram editoriais exigindo um basta ao governo Jango’. E ‘os militares deram o coup de grâce’, levando à ‘invacância, com a fuga de Goulart’.


Semanas depois e o mesmo Alexandre Garcia leu no ‘Jornal Nacional’ (acima) a extradição de um ‘acusado de participar da Operação Condor, ações coordenadas pelas ditaduras de vários países’. Foi a maior notícia de Brasil no fim de semana, com a BBC citando o esforço de evitar a extradição argumentando com ‘uma lei brasileira que anistia soldados que agiam sob o governo militar’. Mas ‘tal anistia não existe na Argentina’.


PÓS-LULA


O ensaio ‘Raízes sociais e ideológicas do Lulismo’, na revista ‘Novos Estudos’ (acima), do cientista político André Singer, foi saudado por Luiz Carlos Bresser-Pereira, na Folha, dizendo que ‘há muito não via artigo tão esclarecedor da política’. Em suma, diz o ensaio, ‘enquanto os atores políticos tinham a atenção voltada para denúncias do ‘mensalão’, o governo produzia o ‘Real do Lula’, com o tripé Bolsa Família, salário mínimo e crédito seduzindo o ‘subproletariado’. O lulismo ‘achou em símbolos dos anos 50 a gramática necessária’ e agora ‘a noção antiga de conflito entre Estado popular e elites antipovo poderá cair como uma luva para o próximo período’.


Ele não cita Dilma Rousseff, mas o sociólogo Demétrio Magnoli já respondeu, no ‘Globo’ e no ‘Estado’, que ‘a profecia do triunfo de Dilma foge ao campo das ciências sociais, inscrevendo-se na esfera dos desejos’.


‘VEM DE GETÚLIO’ PÓS-LULA


Na capa da revista ‘Fórum’, o diretor José Celso Martinez Corrêa questiona o próprio Fórum Social Mundial, de ‘discurso muito careta’, compara Lula a Getúlio, Jango e JK e afirma que Dilma ‘pode ter mais carisma, porque ela vem de Getúlio, vem do PDT de Darcy Ribeiro’’


 


 


TELEVISÃO


Laura Mattos e Clarice Cardoso


Record convence seu principal autor a ficar


‘Depois de um demorado impasse, chegaram ao fim as negociações entre a TV Record e Lauro César Muniz, 72, seu principal autor de novelas.


Ex-Globo e responsável por sucessos como ‘Roda de Fogo’ e ‘O Salvador da Pátria’, ele chegou a ser sondado por outros canais, mas aceitou a proposta de permanecer na Record por mais cinco anos.


O contrato está sendo elaborado pela emissora e deverá ser assinado nos próximos dias.


Muniz chegou à Record em 2006, ganhando duas vezes e meia o que recebia na Globo, onde trabalhou por 33 anos e fazia parte do primeiro time de autores. Na Record, já fez a novela ‘Cidadão Brasileiro’ e, agora, escreve ‘Poder Paralelo’, que está na fase final.


O novo contrato prevê que Muniz escreverá mais duas novelas e poderá fazer minisséries no intervalo entre elas.


Após o final de ‘Poder Paralelo’, o autor voltará a escrever peças -a anterior foi ‘O Santo Parto’. Ele ainda não definiu o próximo trabalho na televisão.


Além de Muniz, a Record conta com Marcílio Moraes, também ex-Globo e autor de ‘Vidas Opostas’ e ‘A Lei e o Crime’, que garantiram boas audiências. Gisele Joras (atualmente no ar com ‘Bela, a Feia’), Christiane Friedman e Vivian de Oliveira completam o quadro de autores.


Outro ex-Globo, Tiago Santiago, o autor da saga dos Mutantes que inaugurou a nova fase de dramaturgia da Record, foi para o SBT em 2009.


FRENTE A FRENTE


O ‘Superpop’ (RedeTV!) estreia amanhã em novo estúdio, com 500 m2. O cenário terá espaços para diferentes atrações, como desfiles e musicais. Luciana Gimenez conta uma novidade: ‘Não vou mais ficar de bumbum para a plateia’.


TUCANÊS


A apresentadora quer investir em debates de fatos do dia. ‘Estamos mais ‘lights’. Teremos mais musicais, entrevistas com políticos e conflitos sociais. É que não falo ‘barracos’.’


SERA QUE ELE É


Luciana Gimenez fará mais reportagens fora do estúdio e levará ao ar na estreia a entrevista que fez com Donald Trump nos EUA. ‘Ele é bem simpático. Perguntei se ele usava peruca e ele me deixou puxar o cabelo dele para conferir.’


LOUSA


Maria Adelaide Amaral (‘Dalva e Herivelto’, 2010) , Alcides Nogueira (‘Ciranda de Pedra’, 2008) e Ricardo Linhares (‘Paraíso Tropical’, 2007) começam hoje a dar aulas para os alunos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, em Portugal. Até quarta, os autores darão um curso de teledramaturgia, parte do projeto Globo Universidade.


CADEIRA


Paulo Fogaça é o novo nome à frente do departamento de jornalismo da TV Cultura. Ele, que é irmão do prefeito de Porto Alegre, José Fogaça (PMDB), trabalhou 13 anos na TV Globo e também passou pelo SBT e pelos jornais ‘Gazeta Mercantil’ e ‘Zero Hora’.’


 


 


Thiago Ney


Com subtítulo infame, seriado ‘Gossip Girl’ estreia hoje no SBT


‘Com um infame subtítulo, ‘Gossip Girl’, o seriado que descortina os relacionamentos de um grupo de jovens bem-nascidos de Manhattan, começa a ser exibido pelo SBT. Os cinco primeiros episódios da temporada de estreia de ‘Gossip Girl – A Garota do Blog’ vão ao ar de hoje a sexta, às 21h. Nos Estados Unidos -e, aqui, no canal pago Warner-, a série já está no terceiro ano.


Inspirada na série de livros homônima (e best-seller) de Cecily von Ziegesar, ‘Gossip Girl’ centraliza a história no cotidiano dos riquíssimos amigos Serena van der Woodsen (interpretada por Blake Lively), Blair Waldorf (Leighton Meester), Chuck Bass (Ed Westwick) e Nate Archibald (Chace Crawford), além dos irmãos Dan (Penn Badgley) e Jenny Humphrey (Taylor Momsen), que são ‘apenas’ classe média e moram no ‘longínquo’ Brooklyn. A ‘garota do blog’ do desnecessário subtítulo brasileiro refere-se à misteriosa fofoqueira que divulga os podres da turma.


No primeiro episódio, a ‘garota do blog’ anuncia o retorno de Serena à escola. Blair fica com ciúme, pois seu namorado, Nate, confessa que já transou com Serena; já Dan fica feliz com a notícia, pois é apaixonado pela loira. A terceira temporada, que terminará em maio, é a que está com a pior audiência do seriado; alguns episódios foram vistos por menos de 2 milhões de norte-americanos, número baixo se comparado aos 3,65 milhões que assistiram ao episódio de estreia nos EUA.


Após o primeiro episódio de ‘Gossip Girl’, o SBT exibe a pré-estreia da quinta temporada de ‘Sobrenatural’.’


 


 


Diógenes Campanha


A musa do quarentenário


‘São 9h30 da manhã quando Palmirinha Onofre surge na calçada de seu prédio, na Chácara Klabin (zona sul de SP), carregando uma bandeja de trufas e um ‘tupperware’ cheio de alfajores. Dois isopores também fazem parte da bagagem. Todo dia ela faz tudo sempre igual: acorda às 5h30 da manhã, vai para a cozinha e prepara os pratos que leva, antes das 10h, à TV Gazeta, onde apresenta, de segunda a sexta, às 13h10, o programa ‘TV Culinária’.


Palmira da Silva Onofre, 78, é uma das estrelas da emissora, que completa hoje 40 anos de idade. O ‘TV Culinária’, que apresenta, dá um ponto ou menos no Ibope, mas os ‘melhores momentos’ da atração (como aqueles em que se confunde com as receitas) reverberam em programas de outras emissoras e na internet. Na rede, aliás, fazem sucesso imitações da apresentadora feitas pela humorista Dani Calabresa e pela atriz Graziella Moretto. Um sucesso que Palmirinha ignora: a família não a deixa assistir às brincadeiras, com medo de que ela ‘fique chateada’.


De camisa rosa, saia preta, meia-calça e óculos Max Mara, Palmirinha chega ao estúdio e começa a arrumar os ingredientes. Corta fitinhas e embrulha os alfajores, receita da atração na última terça-feira. Seleciona os que aparecerão no vídeo. ‘Esses aqui estão feios, vocês podem comer’, diz, enquanto a filha Sandra, que a acompanha, e a produtora Rafaela Correa preparam a decoração do cenário, com toalha de mesa e um bule de prata.


‘Ela está tirando foto sem maquiagem!’, preocupa-se a coordenadora de produção Glaucimara Marzenatti. Palmirinha pega uma nécessaire rosa, onde carrega o próprio kit de cosméticos -base, pó, ruborizador e batom- e vai para a sala de maquiagem. ‘Ela gosta de batom cor de boca, simples, bem coradinho, de vovozinha mesmo’, diz a maquiadora Shoko Golgatti.


Antes da TV, Palmirinha foi engraxate, lavadora de carros, empacotadora de autopeças em metalúrgica e faxineira em uma repartição pública. Em 1994, começou a cozinhar no extinto ‘Note e Anote’, da Record, com Ana Maria Braga. Seus olhos ficam marejados: ‘Foi muito sofrimento. Muitas portas se fechando, muita calúnia, muita traição’, diz, contando que despertava ciúme nas outras culinaristas da atração. ‘Eram três mulheres, que viviam dizendo: ‘Imagina, ela nem sabe falar direito!’ Quem me defendia era aquele fofoqueiro, o Nelson Rubens. Ele entrava na cozinha, as pessoas estavam falando de mim, e ele dizia: ‘Cês têm é dor de cotovelo!’.


Quando Ana Maria foi para a Globo, em 1999, Palmirinha continuou na Record, até receber o convite da Gazeta. ‘As outras saíram, achando que a Ana iria levar todo mundo pra Globo. Hoje, eu tô aqui e elas tão pedindo pelo amor de Deus pra ir num programa.’


Embora receba convites para ir a ‘lançamentos de livros de culinária, inaugurações de cozinhas gourmet e shows’, Palmirinha raramente sai à noite. Prefere ficar no apartamento de três quartos, que comprou à vista. Conta que recusou há pouco uma proposta da Secretaria Estadual da Agricultura para estrelar vídeos institucionais sobre reaproveitamento de comida, que seriam exibidos em escolas públicas. ‘Não foi pelo dinheiro, que nem era muito e eu ia doar, mas estou me poupando um pouquinho.’’


 


 


CENSURA


David Barboza e Brad Stone, do NYT


Titãs da web encontram barreiras na China


‘XANGAI – Se o Google sair da China por estar frustrado com as restrições impostas pelo governo chinês, não será a primeira vez que um gigante americano da internet terá batido em retirada do país.


O eBay e o Yahoo! chegaram à China com grandes esperanças de um mercado que, entretanto, não satisfez suas expectativas. Sites como Facebook, MySpace e Twitter tampouco conseguiram firmar presença significativa ali.


Nenhuma grande empresa americana da web conseguiu dominar em sua área na China. Muitos especialistas pensavam que o Google seria a primeira a fazê-lo. ‘Nenhuma empresa americana de internet chega perto de ser líder aqui’, comentou Gary Rieschel, fundador da firma de investimento Qiming Venture Partners. ‘E, na maioria dos casos, os danos que sofreram foram autoprovocados.’


Embora cada fracasso tenha sido diferente, analistas dizem que os diversos casos podem ajudar a explicar porque o Google está frustrado -não apenas com os censores do governo, mas com sua incapacidade de alcançar sua grande rival chinesa, Baidu.


Titã da internet, o Google está levando uma surra na China, onde domina só 33% do mercado de motores de busca, contra 63% da Baidu. Desde seu ingresso formal na China, há cinco anos, a empresa aumentou sua presença no mercado, mas quase todo esse crescimento se dá às expensas de rivais menores. No mesmo período, a presença da Baidu também cresceu.


Ninguém previa esse desfecho. As gigantes americanas foram para a China armadas com dinheiro, propriedade intelectual e a capacidade de administrar redes complexas e profissionais introvertidos.


O Google montou sua operação na China em 2006, após ter investido na Baidu e, ao que consta, tentado comprar essa empresa, sem sucesso. Fundada em 2000, a Baidu cresceu ao oferecer algo que o Google se recusou inicialmente: links para downloads de canções, programas de TV e filmes pirateados de sites chineses.


Em 2009, o próprio Google acabou lançando um serviço de música on-line gratuita na China, com a autorização das gravadoras, sem conseguir recuperar o terreno perdido. Mas o Google diz que sua ameaça de deixar a China não tem relação com considerações financeiras.


Talvez nenhuma empresa tenha tropeçado tanto na China quanto o Yahoo!. Em 2004, ele comprou uma empresa local para ampliar sua presença na web e competir com a Baidu e o portal local Sina.com. Sem conseguir ganhar terreno, o Yahoo! mudou de direção de uma hora para outra, pagando US$ 1 bilhão por uma participação de 40% na Alibaba, uma gigante local da internet, que, então, assumiu o controle de seus negócios na China.


Em 2004, a ONG Médicos Sem Fronteiras revelou que dissidentes chineses tinham sido presos porque o Yahoo! deixou o governo chinês acessar o conteúdo de suas contas de e-mail. Nos anos seguintes, executivos do Yahoo! foram levados ao Congresso dos EUA e repreendidos pelo incidente.


Em 2003, o eBay comprou a EachNet, importante empresa de leilões chinesa, e durante um curto período de tempo controlou 80% do mercado chinês de comércio eletrônico. Mas então foi passada para trás. O eBay cobrava pelos anúncios de objetos à venda postados em seu site. Enquanto isso, uma empresa recém-fundada local -a Taobao.com, site de leilões da Alibaba voltado aos consumidores- publicava os anúncios gratuitamente. Ao contrário da Taobao, o eBay tampouco oferecia maneiras de compradores e vendedores baterem papo on-line.


O eBay se rendeu e abandonou a China em 2006, deixando o mercado para a Taobao, que hoje supera de longe o site chinês de comércio eletrônico da Amazon.


A mais recente a apresentar performance decepcionante foi a MySpace, que em meados de 2007 montou um negócio chinês de propriedade local. Mas milhares de pessoas já usavam os serviços sociais de empresas locais de internet, como a Tencent, que opera um bazar de entretenimento on-line e é avaliada em US$ 37 bilhões.


Muitos executivos e especialistas americanos na China se queixam de que as condições de trabalho lá são desiguais. As empresas americanas que querem operar na China precisam fazê-lo por meio de firmas de propriedade local, fato que cria uma estrutura pesada e limita sua flexibilidade. Também sofrem com a censura do governo e o favoritismo das firmas locais.


Mais que tudo, a internet chinesa é vibrante e caótica. Há blogs locais crescentes e sites de entretenimento e jogos on-line. Enquanto isso, magnatas da internet chinesa como Jack Ma, da Alibaba, Robin Li, da Baidu, e Pony Ma, da Tencent, são figuras nacionalmente conhecidas e elogiadas. ‘É difícil superar os empreendedores chineses em matéria de flexibilidade e tática’, diz Rieschel, da Qiming Ventures.


Colaborou com pesquisa Bao Beibei’


 


 


Nazila Fathi, Associated Press


Iraniana no exílio fica livre para informar


‘TORONTO, Canadá – Um dia em junho passado, quando eu saía da garagem, notei um homem me encarando em um Peugeot branco, do outro lado da pacata rua de Teerã onde eu vivia. ‘Aí está ela’, ele disse, e se apressou em ligar seu carro. Olhei pelo retrovisor. Atrás de mim havia um carro cinza, já me seguindo. Logo em seguida, dois homens desgrenhados numa moto. Então, eu disse a mim mesma, estou sendo vigiada. Eles mandaram uma equipe inteira. Voltei para casa e liguei para um advogado. Passei três dias dentro do meu prédio. E fui de lá direto para o aeroporto. Era hora de deixar o Irã. Sou iraniana, uma jornalista hoje vivendo no exílio como centenas, talvez milhares de outros. Fomos levados a partir do país depois da eleição de junho, amplamente considerada fraudulenta, e dos protestos e da repressão subsequentes. Nosso crime foi tê-los coberto a fundo demais. Durante períodos de turbulência, aprendi a ser discreta e noticiar o que podia, alertada de que algumas coisas -slogans dos manifestantes, até execuções anunciadas internamente- eram delicadas demais para serem contadas fora do Irã. Mas achava que o governo iraniano estava aprendendo a nos tolerar. Tudo isso mudou em junho. Confrontado com furiosos protestos de uma inconsolável oposição política, o governo se empenhou extraordinariamente em suprimir qualquer notícia sobre as consequências da eleição. Um dia, o telefone tocou, e uma fonte linha-dura, mas solidária, me alertou que eu seria alvejada por franco-atiradores se fosse vista nas ruas. Mesmo assim, continuei saindo para trabalhar. Só depois que a equipe de vigilância chegou, cerca de dez dias depois, minha família e eu decidimos partir. Fiquei aliviada por ter escapado por pouco. Mas um grande pedaço de mim ansiava por ficar. As ruas de Teerã estavam agora convulsionadas por alguns dos maiores e mais sangrentos protestos desde a revolução de 1979; eu queria contar a história, continuar a fazer parte do destino do Irã. Mais do que qualquer coisa, eu temia cair naquilo que os jornalistas iranianos chamam de ‘síndrome do exílio’ -minha compreensão sobre o Irã ficaria congelada no momento da partida, e eu seria incapaz de me manter atualizada. Sem dúvida o governo esperava o mesmo de mim e de outros. Não poderíamos estar mais errados. Três coisas fizeram toda a diferença: o alcance global da internet; a capacidade de criação de redes entre jornalistas exilados e nossas fontes; e a engenhosidade dos dissidentes iranianos em enviarem informações e imagens para o exterior. Fui a Nova York cobrir uma greve de fome em apoio à oposição iraniana. Fiquei surpresa por ver mais de uma dúzia de ex-fontes minhas -ex-parlamentares, ativistas e blogueiros- que haviam partido para o exílio anos antes. Em vez de ficar isolada, travei contato com outro Irã -um Irã virtual na internet, ligando reformistas no exterior a blogueiros e manifestantes ainda dentro do país, e jornalistas e fontes fora. Na verdade, ao acompanhar blogs e vídeos de celulares que vazavam para fora do Irã, de certa forma eu podia divulgar notícias com mais produtividade do que quando eu tinha de temer e driblar o governo. Eu podia noticiar, livre dos éditos governamentais, que os protestos estavam entrando em uma nova fase. Há uma ironia nisso tudo; os vários anos de controle autoritário haviam educado grande parte do Irã sobre a necessidade de burlar as restrições na internet, e agora eu estava vendo e ouvindo os resultados no meu computador e na minha TV. No mês passado, durante e depois do funeral do grão-aiatolá reformista Hossain Ali Montazeri, uma das ferramentas mais úteis dos manifestantes foi o sinal de rádio de curto alcance do Bluetooth, que os americanos usam principalmente para ligar o celular a um fone de ouvido, ou uma impressora ao laptop. Há muito tempo, os dissidentes iranianos descobriram que o Bluetooth pode com a mesma facilidade ligar celulares entre si numa multidão. E isso deu origem ao verbo ‘bluetoothar’ no Irã. Um manifestante ‘bluetootha’ um vídeo para outros por perto, e estes fazem o mesmo. De repente, se as autoridades querem impedir que uma imagem escape do local, têm de confiscar centenas ou milhares de telefones e câmeras. Em novembro, as autoridades anunciaram que uma nova unidade policial, o ‘ciberexército’, iria varrer a dissidência da web. Ela bloqueou notas do Twitter por algumas horas em dezembro e um site oposicionista. Mas outros blogs e sites brotaram mais rapidamente do que o governo poderia acompanhar.’


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Segunda-feira, 25 de janeiro de 2010


 


VENEZUELA


Roberto Lameirinhas


Chávez volta a tirar do ar RCTV


‘O sinal da Rádio Caracas Televisão (RCTV) voltou a desaparecer das telas à zero-hora de domingo. Proibida em maio de 2007 pelo governo venezuelano de Hugo Chávez de continuar usando o sinal aberto, a emissora passou a transmitir sua programação por cabo e manteve boa parte de sua grande audiência. No sábado, porém, desobedeceu a uma ordem do governo para integrar-se a uma cadeia nacional convocada por Chávez para transmitir parte de seu discurso para uma multidão de manifestantes chavistas que lhe demonstravam apoio.


Na semana passada, a Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel) havia determinado que a RCTV e outras emissoras por cabo consideradas ‘nacionais’ deveriam transmitir mensagens do governo. A RCTV recorria da decisão na Justiça e recusou-se a integrar a cadeia no sábado. Foi o pretexto ideal para que, pouco depois, por volta das 21 horas (23h30 de Brasília), o diretor da Conatel e ministro de Obras Públicas, Diosdado Cabello, exigisse das operadoras de TVs por assinatura que tirassem de sua grade os canais que não cumpriam com as normas ditadas pelo órgão. Não mencionou especificamente nenhuma emissora. Além da RCTV, saíram da grade das operadoras os canais American Network, América TV, Ritmo Son, TV Chile e Momentum.


Como em maio de 2007, a revolta tomou conta dos 1.500 funcionários da RCTV depois que a emissora saiu do ar. Muitos deles se dirigiram à sede da Conatel para protestar. Ainda organizados após a gigantesca marcha contra as medidas de Chávez, grupos de estudantes e militantes de partidos da oposição juntaram-se à concentração dos funcionários da RCTV. Em Maracaibo, no oeste do país, pelo menos quatro pessoas ficaram feridas em um protesto contra o fechamento da emissora.


‘Estamos diante de mais um atropelo da liberdade de expressão por parte do chavismo’, disse ao Estado Yani Roque, militante do partido de oposição Primeiro Justiça. ‘Deixamos claro na marcha de sábado que não nos renderemos à ditadura de Chávez.’


Presidente do grupo ao qual pertence a RCTV, Marcel Granier disse em conversa com jornalistas que não sabe qual será o futuro da emissora. ‘Isso já não depende de nós’, afirmou. Granier acrescentou que a decisão da Conatel é ilegal, pois a sede formal da RCTV funciona em Miami. ‘Tínhamos impetrado um mandado de efeito suspensivo para a portaria da comissão porque a RCTV é uma emissora internacional, o que a desobriga de submeter-se às transmissões do governo.’ A portaria da Conatel, porém, estabelece como ‘nacional’ toda empresa de divulgação audiovisual que produza mais de 60% de sua programação em território venezuelano.’


 


 


Governo busca hegemonia midiática


‘Nos últimos anos, o governo de Hugo Chávez tem intensificado as ações contra canais de TV, emissoras de rádio e jornais, como parte de seu plano de estabelecer o que analistas chamam de ‘hegemonia comunicacional’. A não renovação da concessão para que a RCTV seguisse transmitindo em canal aberto, em 2007, foi apenas a ponta do iceberg de cerco às empresas de comunicação que não se alinham com a doutrina de ‘socialismo do século 21’ implementada por Chávez.


‘Não há nenhuma sofisticação no atual cenário político da Venezuela’, conclui o analista político e dirigente do sindicato de jornalistas de Caracas, Raúl Alfaro. ‘O governo tem todo o poder, controla todas as instituições e utiliza toda a sua força para calar qualquer um que levante a voz contra ele.’


Em agosto, a Conatel, utilizando instrumentos legais aprovados pela Assembleia Nacional, fechou 34 emissoras de rádio – quase todas ligadas à oposição – e aplicou multas equivalentes a quase US$ 2 milhões contra a TV Globovisión por ela ter difundido uma notícia sobre um tremor de terra em Caracas antes dos porta-vozes oficiais do governo.


Ao mesmo tempo em que amplia o rigor fiscal e aplica a ‘Lei de Responsabilidade Social’ – que qualifica de ‘terrorismo midiático’ a divulgação de informações consideradas ‘contrarrevolucionárias’ – a empresas de comunicação privadas, o governo tem ampliado sua rede de emissoras estatais e comunitárias. A frequência da RCTV, por exemplo, foi ocupada pelo canal estatal TVes. A meta do governo, segundo analistas, é a de ocupar pelo menos 75% do espaço de todas as mídias no país.’


 


 


Cerco à imprensa


’28/5/2007: Depois de 54 anos no ar, governo venezuelano fecha a RCTV. Emissora, que era a única de alcance nacional que ainda fazia oposição ao presidente Hugo Chávez, não conseguiu renovar sua concessão com o governo


8/7/2007: Globovisión, canal de notícias venezuelano que mantém oposição ao governo, envia carta ao vice-presidente Jorge Rodríguez denunciando pressões por parte de Chávez, como processos judiciais e administrativos contra a emissora


16/7/2007: RCTV inicia transmissões por cabo, prometendo manter sua linha ‘pluralista’. Emissora pode ser vista por assinantes da DirecTV, Intercable, Supercable e Planetcable


18/7/2007: Governo venezuelano anuncia que pretende fazer uma reforma na legislação que regulamenta as rádios e televisões do país para obrigar os canais de TV a cabo a ‘respeitar a lei’ e transmitir o hino nacional e os discursos do presidente Chávez


11/4/2009: Globovisión é acusada de fazer ‘terrorismo midiático’


18/4/2009: Promotora sugere cassar licença de emissoras que ‘prejudiquem’ o governo venezuelano


3/7/2009: Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel) revoga a concessão de 240 emissoras de rádio AM e FM no país. Governo justifica ação dizendo que as emissoras perderam o prazo de recadastramento


21/1/2010: Chávez obriga 24 canais que operam no sistema de televisão a cabo a transmitir seus comunicados em rede nacional. Segundo a Conatel, essas emissoras estão classificadas como ‘produtoras audiovisuais nacionais’ porque mais de 30% de sua programação é produzida no país


Ontem: Governo suspende sinal da RCTV por não cumprir recente determinação’


 


 


Globovisión reforça coro opositor e amplia convocação de protestos


‘Frequentemente ameaçada de ser também fechada pelo governo, a emissora Globovisión canalizou ontem as reações e a revolta de vários setores da sociedade venezuelana contra o fechamento, pela segunda vez, da Rádio Caracas Televisión (RCTV). Apresentadores da emissora, muitos com a voz embargada, lembravam as ações do regime chavista contra os meios de comunicação e punham no ar imagens de 2007, de manifestantes pró-governo que apoiavam a saída do ar da RCTV em canal aberto. ‘El pueblo lo sabe. Y tiene razón. Ahora le toca, la Globovisión!’, gritavam os chavistas.


Em agosto, na mesma semana em que o governo fechou 34 emissoras de rádio, a Globovisión sofreu um atentado com bombas caseiras lançadas por motociclistas militantes da facção chavista radical União Popular Venezuelana, liderada por Lina Ron – uma mulher que até Hugo Chávez qualificou de ‘incontrolável’. Lina foi presa logo depois do ataque à emissora, que feriu levemente dois funcionários da TV, mas acabou libertada em outubro.


Consciente da grande possibilidade de que seja o próximo alvo do governo, a Globovisión ampliou ontem a convocação do prefeito de Caracas, Antonio Ledezma – de oposição a Chávez -, para um panelaço de protesto às 20 horas (22h30 de Brasília). Em nome da Mesa de Unidade, a coalizão opositora que busca alcançar a maioria da Assembleia Nacional nas eleições de setembro, Ledezma repudiou a medida do governo, que qualificou de ‘uma tentativa do governo de levar adiante seu propósito de estabelecer uma hegemonia nas comunicações’.


Normalmente discreta em seus pronunciamentos contra Chávez, a Igreja, por meio do cardeal-arcebispo de Caracas, Jorge Urosa Savino, também deplorou o fechamento da RCTV Internacional. ‘Não podemos assistir passivamente essas coisas. Temos de lutar para que respeitem nosso direito’, disse. ‘Calar um meio de comunicação não contribui em nada para a manutenção do estado de direito, mas sim enfraquece as garantias constitucionais.’


A saída do ar da RCTV ocorre em meio a dias politicamente turbulentos. No dia 8, Chávez alterou a cotação da moeda venezuelana e criou um câmbio duplo (2,6 bolívares forte por US$ 1 para produtos essenciais e 4,3 por US$ 1, para os demais produtos).


O governo também interveio e expropriou bancos e a rede franco-colombiana de supermercados Êxito, promoveu uma reforma ministerial e está às voltas com uma crise energética que o obriga a promover apagões programados de quatro horas a cada dois dias em todo o interior do país. Um cenário bastante difícil para um governo que hoje tem como prioridade manter sua maioria quase unânime no Legislativo.


Em seu programa semanal, Alô, Presidente!, Chávez convocou seu ministro Diosdado Cabello para explicar os motivos do fechamento da RCTV e das outras emissoras. Cabello, sem mencionar nominalmente a emissora, disse apenas ter cumprido a lei. ‘Então, parabéns Diosdado! Só temos de cumprir a lei’, retrucou Chávez.’


 


 


LUTO


Morre escritor e jornalista Ariosto Teixeira


‘O colunista político, poeta e escritor Ariosto Teixeira morreu no sábado, aos 56 anos, em Brasília – depois de uma longa luta contra a hepatite C, doença que o obrigou a fazer um transplante de fígado. Nesse período, nunca se afastou do trabalho e transmitia à esposa, Solange Morgado, e aos dois filhos a esperança de que iria se recuperar. Ele tinha planos de escrever um novo livro e ter ativa participação na cobertura das eleições deste ano. Esportista, adorava praticar canoagem e foi um dos pioneiros dessa modalidade em Brasília. Trabalhou no Estado, na Agência Estado, no Jornal do Brasil, na Gazeta Mercantil e na IstoÉ.’


 


 


RELIGIÃO


Papa pede que padres preguem pela internet


‘O papa Bento XVI disse anteontem que os sacerdotes devem anunciar o Evangelho não só com os meios tradicionais, mas também pela internet, fazendo uso de seus recursos audiovisuais, como fotos, vídeos e animações. Segundo Bento XVI, a notável influência da rede, especialmente entre os jovens, ‘torna cada vez mais importante e útil seu uso no ministério sacerdotal’.’


 


 


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Marili Ribeiro


Brasil sobe no ranking global de agências


‘Os escritórios de agências de propaganda em países emergentes ganham espaço nos rankings internos das grandes redes globais do setor. A brasileira NeogamaBBH, por exemplo, assumiu a segunda posição na listagem por faturamento da holding inglesa BBH, ficando abaixo apenas da sede londrina, mas à frente da operação em Nova York e Tóquio. A BBH Londres teve o pior ano desde sua fundação em 1982. Para manter a rentabilidade do negócio teve que fazer pesados cortes de pessoal e rever diversos processos internos.


‘No mercado interno nós crescemos mais de 45%. Como Londres caiu 10%, nossa posição melhorou’, resume Alexandre Gama, presidente e diretor criativo da agência.


Clientes como banco Bradesco, a montadora Renault, a empresa de telefonia TIM e a multinacional Unilever estiveram ativos no mercado interno, apesar da crise externa.


A Leo Burnett do Brasil deve manter a sexta posição no ranking interno da rede americana com sede em Chicago, ocupado em 2008, mesmo em situação inversa – porque perdeu dois clientes, a operadora de cartões Visa e a empresa de telefonia Br Telecom (comprada pela Oi).


‘Os resultados do grupo serão conhecidos em março, mas acho difícil o Brasil cair porque ganhou a conta da Fiat’, pondera Renato Loes, presidente do escritório brasileiro da Leo Burnett e responsável pelo grupo na America Latina. A rede tem 96 agências em 84 países.


Países como China e Índia também conquistam espaço nesses conglomerados de propaganda.


A situação se acentuou no ano passado depois que a crise penalizou os mercados europeus e americano, que sofreram quedas de receita de mais de 10%. A questão que se impõe é o que acontecerá quando a economia retomar fôlego.


Para alguns executivos do meio a atual mudança de patamar não deve se manter. ‘Acho que a ascensão dos emergentes é um fenômeno que já vinha se desenhando nos últimos quatro ou cinco anos e a crise apenas acelerou’, pondera Stefano Zunino, presidente da JWT no Brasil e membro do board mundial da rede JWT , rede de 200 escritórios em 90 países.


‘Os emergentes são hoje um excelente negócio para as empresas de publicidade, porque as multinacionais que atendemos globalmente com prestação de serviços estão investindo cada vez mais nesses mercados. Há espaço para expandirmos, ao contrário de EUA e Europa onde a receita vem caindo como espelho do que acontece na economia’, diz Zunino.


No caso da JWT, as agências do Brasil, China e Índia já ocupam posição entre os dez melhores desempenhos da rede.


Loes concorda com Zunino. ‘Os escritórios melhor posicionados nesses países vão ter possibilidade de crescer mais rápido’, considera.


Na Ogilvy, uma das maiores redes de comunicação e marketing global, com mais de 450 escritórios em 120 países, o Brasil ocupa a quarta posição no ranking interno, atrás de EUA, Reino Unido e China. Há dez anos o País estava em 28º lugar.


‘O ranking de 2009 ainda não está fechado, mas poderemos subir uma posição’, diz Sérgio Amado, que preside a operação no Brasil e faz parte do board mundial há anos. ‘Não existe mais emergentes’, pontifica ele. ‘Existem países em crescimento forte e outros em crescimento moderado’.


Relatório sobre o futuro da economia global, elaborado pela consultoria PricewaterhouseCoopers, divulgado na semana passada em Londres, projeta que, até 2020, o Produto Interno Bruto (PIB) do grupo de sete maiores emergentes – China, Índia, Brasil, Rússia, México, Indonésia e Turquia – será maior do que os atuais integrantes do poderoso G-7 (EUA, Canadá, Japão, Alemanha, França, Reino Unido e Itália).


Cinco das dez maiores economias do planeta, até 2030, serão países hoje tidos como emergentes. Nesse cenário o Brasil será a quinta maior economia do mundo em 2030, ultrapassando gigantes como Alemanha, Reino Unido e França. O negócio da publicidade não é insensível a isso.


Alexandre Gama explica que as perspectivas são boas no caso brasileiro graças aos futuros eventos esportivos que mobilizam multidões e muitas obras, como a Copa do Mundo em 2014 e os Jogos Olímpicos em 2016.


Mas, mesmo assim, Gama considera que, se houver uma efetiva retomada econômica lá fora, a disputa por posições nas redes globais de comunicação ficará mais acirrada. ‘É uma questão de escala’, relativiza ele. ‘As verbas de marketing nos EUA são sempre imensas, às vezes o triplo do que se aplica hoje no Brasil’.’


 


 


TELEVISÃO


Keila Jimenez


Sem futebol no meio


‘Pedido antigo de Fausto Silva, o Domingão do Faustão não será mais dividido pelo futebol na Globo. A partir do dia 4 de abril, quando estreia a nova programação da emissora, a atração perde sua parte inicial. Atualmente, o Domingão vai ao ar das 15 às 17 horas, antecedendo o jogo, e volta para sua segunda parte, das 19 às 21 horas. Com a mudança e o fim do horário de verão, o futebol começará mais cedo na Globo, às 16 horas, e Faustão será exibido em uma só tacada, das 18 às 21 horas.


A mudança, positiva para audiência do Domingão – que não sofrerá mais uma quebra de público -, traz dois problemas para a Globo: o que colocar na brecha deixada no horário e como encaixar todos os anunciantes na nova configuração da atração de Fausto.


Xuxa, Márcio Garcia, Renato Aragão e os Caras de Pau disputam esse início de tarde, que ainda não tem dono na rede. Até dar uma esticadinha no Esporte Espetacular está sendo cogitada para preencher o horário.


Já o Comercial da Globo luta para encaixar a demanda de merchandisings – cerca de oito por programa – e breaks no Domingão, que acabará perdendo quase uma hora de sua duração.’


 


 


 


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