Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

ENTRE ASPAS > TERÇA-FEIRA, 18/09

Cidades com internet aumentam 178% em 7 anos

Por Textos selecionados por Luiz Antonio Magalhães em 19/09/2007 na edição 451


Leia abaixo a seleção de terça-feira para a seção Entre Aspas.


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O Estado de S. Paulo


Terça-feira, 18 de setembro de 2007


INTERNET
Felipe Werneck e Alexandre Rodrigues


Número de municípios com acesso à internet cresce 178%


‘Mais provedores de internet, mais lojas de discos e DVDs, mais videolocadoras e menos livrarias. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou ontem o Suplemento de Cultura da Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic), que traça um perfil cultural das cidades do País.


Os municípios com provedores de internet aumentaram 178% no período de sete anos. Estavam presentes em 16,4% dos municípios em 1999, primeiro ano da pesquisa, e atingiram 45,6% em 2006. O número de cidades onde há lojas de discos e DVDs cresceu 73,8% em relação ao mesmo período, chegando a 59,8% dos municípios. Aqueles com videolocadoras subiram 28,3% – a presença foi ampliada para 82% das cidades. Também aumentaram os municípios com museus (+41,3%), teatros ou salas de espetáculos (+54,7%) e bibliotecas públicas (+16,8%). Mas houve queda de 15,5% no número de cidades com livrarias no mesmo período. Isso não significa, para o IBGE, que esteja ocorrendo necessariamente redução da venda de livros porque ‘o comércio se diversificou para bancas, supermercados e para a internet’.


As rádios comunitárias foram pesquisadas pela primeira vez em 2006. Elas podem ser ouvidas em quase metade (48,6%) dos 5.564 municípios do País, superando as estações comerciais locais FM (em 34,3% das cidades) e AM (em 21,2%). A TV aberta ainda tem a maior cobertura, presente em 95,2% dos municípios, embora tenha ocorrido uma pequena redução em relação a 1999 (-3,2%).


No país, só 4,2% das cidades têm secretaria municipal exclusiva para a cultura, o que para o IBGE revela o ‘lugar ainda marginal do setor’. Dos municípios do País, 42,1% admitiram não ter uma política cultural formulada. Foi destinado R$ 1,5 bilhão para a cultura em 2006, correspondente a 0,9% do total das receitas municipais arrecadadas – proporcionalmente, é mais que o 0,8% aplicado pelo governo federal no setor.


No País, 83,8% das cidades disseram ter orçamento exclusivo para a cultura, mas grande parte dos recursos é absorvida por funções administrativas. Só 5,1% têm Fundo Municipal. A região que mais destinou recursos para o setor foi a Nordeste (1,2% do total da receita). Norte e Sul informaram ter destinado 0,8%; e Sudeste e Centro-Oeste, 0,9% e 0,6%, respectivamente.


O ministro da Cultura, Gilberto Gil, admitiu ontem que a pesquisa tem ‘um certo gosto amargo’. No quinto ano à frente da pasta, Gil ainda pleiteia no governo a aplicação de 1% do orçamento federal na cultura, meta recomendada pela Unesco. Segundo ele, a cultura deve chegar a 0,9% em 2008. ‘A cultura ainda não tem a percepção que deveria ter por grande parte do grande conjunto brasileiro, passando por governos, população, instituições de ensino e meio empresarial’, disse Gil.


O ministro afirmou que ‘há um enorme vazio de gestão cultural no País’, ao comentar a falta de estruturas e políticas de cultura nas cidades.


Gil defendeu que mais municípios criem leis de incentivo à cultura, com renúncia fiscal, atraindo o empresariado. Só 5,6% das cidades declararam ter legislação de incentivo. Na Região Sudeste, 8% dos municípios têm legislação de incentivo, ante 0,6% no Nordeste.’


Jair Aceituno


Banda larga muda até serviço público em Agudos


‘Como 45,6% dos municípios brasileiros, Agudos, na região de Bauru (SP), conta com provedor próprio de internet de banda larga. Durante algum tempo, a cidade de 35 mil habitantes só tinha um pequeno equipamento com acesso discado, agora absorvido pelo provedor regional Lpnet, de Lençóis Paulista, que oferece acesso via rádio em 11 municípios da região central do Estado.


Paulo de Tarso, diretor da Lpnet, afirma que sua empresa começou a atuar em 1999, em Lençóis Paulista, fornecendo acesso discado. Aos poucos foi avançando para a região e há três anos adquiriu o provedor de Agudos.


Nos últimos anos, o uso da rede de computadores tornou-se significativo na cidade, a ponto de a prefeitura passar a oferecer serviços online para a emissão de certidões e de segunda vias de taxas e tributos. ‘Conseguimos estender nossos serviços para toda a população e ainda reduzimos o movimento nos balcões de atendimento’, afirma o prefeito Carlos Octaviani (PMDB).


Embora Agudos figure na pesquisa como município que teve sua única livraria fechada, os moradores dizem que nunca tiveram uma loja de livros de verdade. ‘O que tivemos foram papelarias que nos traziam os livros escolares por encomenda, mas não livrarias onde pudéssemos escolher entre muitos títulos’, diz o professor João Carvalho. Para ele, as papelarias continuam vendendo livros escolares. Para comprar em livrarias ou fazer atividades culturais, os agudenses vão a Bauru, a 14 quilômetros.’


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Web muda vida de morador de favela


‘Fátima de Souza Amaro não sabia até dois anos atrás que diabos era aquela tal de internet. ‘Não sabia mexer naquele troço, achava muito complicado, não entendia nada’, diz a cabeleireira de 42 anos, 20 deles morando em Heliópolis, a maior favela da cidade de São Paulo. Ainda assim, de 2005 para cá, ‘aquele troço’ acabou mudando um pouco a sua vida e a da sua família. Pelos 16 computadores do Telecentro do bairro, o marido mecânico enviou currículos e conseguiu um emprego, o filho de 12 anos aprendeu computação e ela mesma pôde aumentar a clientela do salão onde trabalha imprimindo folhetos.


‘Todos aqui na região aprenderam a usar a internet’, conta Fátima. O Telecentro de Heliópolis foi montado no segundo andar do sobrado da União de Núcleos, Associações e Sociedades dos Moradores de Heliópolis (Unas), o maior centro de atuação social dentro do bairro. Funciona das 9 às 18 horas, no número 38 da Rua da Mina. Inaugurado em 2003, o local conta com acesso gratuito à internet em alta velocidade. Há também cursos curtos, de noções básicas até aulas de programação e edição de imagens.


Desde 2001, foram inaugurados 160 centros municipais com computadores e internet gratuitos bancados pela Prefeitura. Isso representa cerca de 1,1 milhão de usuários cadastrados. Por dia, a Unas calcula que entre 100 e 150 pessoas passem pela sua unidade – de crianças que querem jogar ou fazer trabalhos escolares até adultos que procuram melhorar o currículo. ‘Todo mundo usa, é o meio mais democrático de todos’, diz João Miranda, diretor da associação.’


MÍDIA & POLÍTICA
Roberta Pennafort


Fernando Gabeira e Cândido Mendes discutiram política em debate concorrido


‘Um embate entre o ‘pensamento pessimista’ e o ‘otimismo da ação’, como definiu um espectador em pergunta enviada à mesa, marcou uma das discussões mais concorridas dos primeiros dias de Bienal do Livro do Rio. Em debate mediado pelo filósofo Adauto Novaes, na tarde de domingo, o professor Cândido Mendes e o deputado Fernando Gabeira tinham como tema A Sociedade em Movimento: Educação, Política, Legislação e Protesto. O título vago não incluía a palavra ‘corrupção’ nem o nome do senador Renan Calheiros, mas a combinação dos dois deu a tônica das argumentações.


Mesmo ao lado de Gabeira, quase uma unanimidade política em tempos de desesperança na classe, o pessimista Cândido Mendes – dono do dom da oratória – conseguiu arrebatar a platéia (lotada e disposta a debater) com suas fortes declarações. Começou falando da ‘semana da vergonha nacional’, referindo-se à absolvição de Renan no Senado, e terminou com um alerta: ‘O Brasil precisa acabar com o otimismo doentio. Temos condições de sair de onde estamos, mas isso depende de uma visão realista do que vemos em nossa frente.’


Obstruindo a visão dos brasileiros, acredita o intelectual, estão o futebol (o ópio do povo, em sua opinião) e a televisão. ‘O Brasil é o país da revolta mais conformada’, disse, enfaticamente. ‘Não vamos mudá-lo enquanto continuarmos intoxicados pelo futebol e enquanto 86 milhões de pessoas estiverem todos os dias coladas às novelas. Já educamos o inconsciente ao happy end.’


O professor criticou ainda o que chama de conformismo do ‘tudo bem’ e o ‘civismo de butique de Hebe Camargo’, este simbolizado por movimentos como o ‘Cansei’. ‘Nós somos tristemente o país do ‘tudo bem’. Por que o Brasil não tem inconsciente da rebeldia? Porque nós passamos por essa domesticação quase terapêutica.’ Suspirou de saudades da luta contra a ditadura militar e contra o governo Collor e propôs a instituição do ‘recall de políticos’: uma volta às urnas dois anos depois das eleições, para que os eleitores reavaliem suas decisões.


Otimista mesmo nos dias mais negros, Gabeira – aplaudido várias vezes durante sua exposição e alvo da maior parte das questões levantadas pelo auditório – ainda crê na mudança. ‘Vejo com algum otimismo esse momento de transição. Estamos passando por este processo, mas vamos chegar a uma situação mais avançada. Vamos virar o jogo progressivamente. Não é possível que o Brasil aceite ser governado por quadrilhas.’


Enquanto Cândido Mendes atacou a passividade do brasileiro de hoje, que, ao invés de sair às ruas, envia e-mails para criticar a absolvição de Renan (e assim fica ‘com a consciência tranqüila’), Gabeira defendeu as novas tecnologias como meio de dar voz ao protesto do povo.


No entanto, o deputado também convocou a platéia a se engajar mais. Já que os movimentos sociais foram cooptados pelo Estado, destacou, a ação individual se tornou essencial. ‘É muito difícil começar um movimento sem termos os dínamos que existiam. Mas acho que cada grupo de pessoas vai encontrar uma maneira de protestar. Não é que os políticos não vão ouvir, nós é que não falamos alto ainda’, conclamou, colocando-se do lado da população, e não do lado ‘deles’, os políticos.


Espaço tradicional da bienal, o Fórum de Debates recebeu um público bastante atento, que não se furtou a devolver aos convidados as provocações que ouvira. Lida por Adauto Novaes, uma pergunta direcionada a Gabeira provocou risada geral: ‘O que é isso, companheiro? Não é preciso respeitar a decisão do Senado, já que vivemos numa democracia?’ Gabeira, sério, disse que não. Outro espectador disparou: ‘Abaixo o pessimismo do pensamento e viva o otimismo da ação!’,referindo-se às posições dos debatedores. Cândido Mendes não se abalou e confirmou seu desgosto com o que vê.


Num ponto a mesa concordou: mais do que uma crise, o País vive um momento de transição. Para Adauto Novaes, organizador do ciclo de conferências O Silêncio dos Intelectuais, realizado há dois anos, ‘o conceito de crise não dá conta. É difícil tentar entender a política de hoje com os conceitos que usamos até a década de 70. É um momento muito peculiar na nossa história. A gente não sabe muito bem onde está e para onde vai’.


O anticlímax foi protagonizado pelo ator Carlos Vereza, que, sentado na primeira fila, pegou o microfone ao fim do debate e denunciou um suposto golpe do governo federal para dissolver o Legislativo. Segundo Vereza, o governo Lula quer desestabilizar o Congresso e, num segundo momento, fechá-lo. ‘Escrevam o que eu estou dizendo’, disse, em tom profético, dirigindo-se a uma platéia que não lhe dava a menor atenção.


Vereza esteve presente também ao anárquico encontro entre João Ubaldo Ribeiro e o poeta Geraldo Carneiro, amigos de longa data. Com sua voz gutural e seu palavreado ritmado, Ribeiro também pregou contra o governo Lula, provocando gargalhadas do público que lotou o Café Literário ao desmerecer a inteligência do presidente.


Constantemente cortado por Carneiro, o que dificultava uma conversa mais produtiva, Ribeiro contou que ainda não sabe quando vai terminar seu novo romance, esperado para o próximo ano. ‘Escrevo cada vez mais devagar’, confidenciou.’


ECOS DA DITADURA
Marcello Cerqueira


A verdade do direito de memória


‘O Estado publicou neste Espaço Aberto, dia 4 de setembro, artigo do estimado senador Jarbas Passarinho, sob o título A memória, a verdade e o destempero, em que contabiliza as vítimas da ação armada de grupos que então se opunham ao regime militar e manifesta sua revolta em face do lançamento, no Palácio do Planalto, do livro Direito à Memória e à Verdade, simples compilação de denúncias de vítimas e de parentes das vítimas da repressão e de seus advogados.


Lembra sua atuação em favor da aprovação da Lei de Anistia (Lei 6.683/79) como líder no Senado do governo do general Figueiredo. Vice-líder do MDB na Câmara dos Deputados, concordei com o arenista senador Passarinho, líder do governo, mas objetivando a ampliação da lei com a aprovação da emenda generosa do saudoso deputado Djalma Marinho, derrotada por escassos quatro votos no Congresso Nacional.


Julga o articulista que o livro ‘coleta dados para denegrir a honra do Exército…’ Nesse passo (sem querer discutir a expressão preconceituosa ‘denegrir’), o senador alcança resultado diverso de sua repulsa, já que admite que a instituição Exército, e não seus subúrbios repressivos, foi responsável por prisões, seqüestros, torturas, mortes e ocultação de cadáveres de opositores ao regime militar.


As Forças Armadas são instituições nacionais permanentes (artigo 142 da Constituição federal) e por isso não se confundem com atos insanos de militares que desertaram de seus compromissos.


São também organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do presidente da República. Aí, sim, em 1964 declinaram de seus compromissos constitucionais e destituíram, pela força, o presidente constitucional do Brasil, golpe articulado com os serviços de inteligência dos Estados Unidos da América e já em curso, se necessária, a intervenção armada da Frota do Caribe, apoiada pelo porta-aviões da classe Florestal, na operação conhecida como Brother Sam, conforme revelam, hoje, insuspeitos documentos do Departamento de Estado norte-americano.


O recrudescimento do golpe com o AI-5 – carimbado com uma frase do senador Passarinho que desmerece sua honrada biografia: ‘Às favas os escrúpulos’ – levou um setor da esquerda à aventura da luta armada, um erro político, sem dúvida. Mas, ao fechar os canais elementares de participação política, generalizar a violência contra a população, perseguir cruelmente os que a ela se opunham, a ditadura compeliu os vitimizados a adotar uma ação política de que, na origem, não cogitavam. A ilegitimidade do regime e sua ação violenta é que geraram uma contraviolência equivocada, mas perfeitamente compreensível. A responsabilidade moral e política pela resistência armada é dos que romperam a legalidade democrática, em 1964, e marcharam, de rota batida, para a mais terrível repressão de nossa História desde os capitães-do-mato.


Mais afeito à linguagem castrense do que à forense, engana-se o senador sobre o alcance da expressão ‘crimes conexos’, que acobertaria os torturadores, delinqüentes do regime de exceção, supostamente considerados inimputáveis pela Lei de Anistia.


‘Crime conexo’ ocorre (conexão teleológica) quando o crime é praticado para assegurar a execução de outro, permanecendo ligados pelo liame de causa e efeito, aplicada, no caso, a regra do concurso material (artigo 69, caput, do Código Penal).


Exemplificando: um militante furta um carro e o entrega a um grupo para praticar assalto a estabelecimento bancário. Todos são presos: o crime do que furtou o carro é conexo com o crime dos que assaltaram o banco, mas absolutamente não é conexo com o crime do agente que os torturou. O que estou a dizer é que, do ponto inarredável da doutrina e da lei penal, os torturadores não foram anistiados!


A lei é um texto promulgado num contexto. Quando da promulgação da Lei de Anistia, a questão principal era libertar os presos políticos e promover a volta dos desterrados. Não se cogitava de buscar interpretação da lei que apenasse os torturadores. Não se cogitou, na Alemanha, de fazer Nuremberg com Hitler no poder. É certo que, embora o texto permaneça o mesmo, o contexto naturalmente se transforma e o âmbito do legalmente proibido acompanha as mudanças. Daí os processos que no Chile alcançaram Pinochet e outros e, na Argentina, Videla, Massera e outros, por decisão dos tribunais.


Aqui, o processo foi menos violento se comparado a outros e, aqui, os agentes comprometidos com a tortura e o terrorismo nada sofreram: o oficial comprovadamente responsável pela bomba no Riocentro, por exemplo, foi inocentado por tribunais militares e seguiu sua carreira.


Há de se atentar para a diferença abismal entre crimes políticos praticados por pessoas ou grupos políticos e crimes praticados pelo Estado, responsável este pelo processo civilizador.


No caso, o livro Direito à Memória e à Verdade, mera compilação de testemunhos particulares, é apenas um tímido passo no sentido do esclarecimento dos crimes praticados pelos subúrbios do autoritarismo sob responsabilidade do Estado brasileiro.


O que se espera é que o governo abra seus arquivos secretos para esclarecer os crimes praticados sob o manto do Estado e permita a tantas famílias saber de seus mortos, render-lhes a última homenagem e servir de advertência para que tais atos não venham novamente a manchar nossa já tão sofrida História. É o Brasil o único país do Cone Sul da América que ainda não abriu seus arquivos para a História.


É direito dos vivos saber dos seus mortos. É direito do País não querer que tais fatos se repitam.


A abertura dos arquivos não é um ato de revanche, mas de justiça. E o fiador dela será o Exército que libertou os escravos, fundou a República e lutou contra o fascismo na Itália. É o Exército dos homens de bem, de oficiais honrados como o coronel Jarbas Passarinho.


* Marcello Cerqueira é advogado’


TELEVISÃO
O Estado de S. Paulo


TV Cultura anuncia novas demissões


‘A Fundação Padre Anchieta demitiu ontem 68 funcionários para uma redução de custos de R$ 600 mil mensais. Há um mês, 20 já haviam sido cortados. O presidente da fundação, Paulo Markun, disse em carta que o ‘objetivo é assegurar um futuro sólido para a instituição que (…) tem, como acionistas, 41 milhões de paulistas que pagam impostos.’O corte inclui TV Cultura, Rá-Tim-Bum e a Rádio Cultura.’


Flávia Guerra


Série da Fox tem episódio ‘brasileiro’


‘Juan Felipe Orozco começou a rodar ontem em Bogotá, Colômbia, o primeiro (e único) episódio em português da série Tempo Final, a primeira série da Fox produzida na América Latina. Juan Felipe é um jovem diretor colombiano, responsável pelo thriller de sucesso Al final del Espectro, que vai ganhar remake em Hollywood, dirigido por ele mesmo e estrelado por Nicole Kidman. A atriz aceitou desde que fosse Orozco o diretor.


Por várias semelhanças, Tempo Final está sendo comparada a 24 h (a série da Fox estrelada pelo ator Kiefer Sutherland). Não só pelo ritmo da ação, mas também porque cada um dos episódios se passa em tempo real e dura exatamente uma hora. Sem contar o padrão de qualidade Premium da série, a primeira produção do Grupo Fox depois de comprar Telecolombia com o objetivo de transformar a rede em uma produtora de conteúdos para a América Latina. ‘Usamos uma câmera High Definition e filmamos como no cinema’, conta Orozco. Os temas e o elenco mudam a cada episódio, mas o formato se mantém. ‘O episódio em português conta com Alexandre Rodrigues (o Buscapé de Cidade de Deus) e Cynthia Falabella no elenco’, adiantou.


A preocupação com a qualidade não se traduz só pela produção. A seleção dos três jovens diretores para dividir a seleção da série – além de Orozco, o time conta com Riccardo Gabrielli e Felipe Martínez – deixa clara a preocupação da Fox em atrair o público jovem e exigente. Ainda de olho no público de toda a América Latina e não só no hispânico, a Fox pretendia rodar dois episódios em português e com atores brasileiros. No entanto, por questões de prazo e custos, acabou desistindo e filmando apenas um. ‘Eu iria dirigir um episódio que casaria muito bem com o Brasil, pois falaria da história de um jogador de futebol famoso (e casado) que se mete em grandes enrascadas quando vai a um motel com uma fã. Mas acabamos por filmar com atores colombianos mesmo’, conta Felipe Martinez, responsável pela direção de 10 dos 26 episódios da série, com estréia prevista para 26 de outubro.’


Keila Jimenez


Chaves no Cartoon


‘No ar atualmente no SBT, a versão animada do seriado Chaves é a mais nova atração do canal pago Cartoon. A produção da Televisa em parceria com a Ánima Estudios começa a ser exibida na TV paga em outubro.


O canal comprou a primeira temporada da atração – que contém 13 episódios – com textos escritos pelo próprio Roberto Bolaños, criador do personagem. Muitos dos episódios lembram aventuras vividas na série original.


O Cartoon pretende exibir o desenho pela manhã, o que exclui competição direta com o SBT, que exibe a atração na hora do almoço.


Por problemas jurídicos, Chiquinha é a única que não aparece na animação. A atriz María Antonieta de Las Nieves, que a interpretava no seriado, ganhou os direitos autorais da personagem e não entrou em um acordo para cedê-la ao desenho.


Sucesso no México, seu país de origem, a animação de Chaves já foi vendida para a maioria dos países onde a série fez sucesso. Roberto Bolaños está produzindo mais temporadas do desenho.


O SBT exibe o desenho desde janeiro, com média de 7 pontos de audiência no horário.


Entre- linhas


Eri Johson vai viver um sambista inspirado livremente em Zeca Pagodinho em Duas Caras, próxima novela das 9 da Globo.


A Sony enfim anuncia a compra de Ugly Betty, a série em torno da temática Betty, a Feia.


Um mês após a estréia de Caminhos do Coração, a Record põe no ar a série Heroes, de temática similar à da novela, na noite deste domingo.


O Domingo Legal levou o SBT à liderança de ibope por 19 minutos anteontem em Sampa. Na média geral, de 17h30 às 21h37, somou 13, ante 21 da Globo.


Galvão Bueno repreende por bonés piratas


Rendeu 8 pontos de média e 15 de pico o Pânico de anteontem, tendo a Dança do Siri by Galvão Bueno como trunfo do dia. Os dados são do Ibope na Grande São Paulo. Por sete minutos, durante a campanha Dança, Galvão, a RedeTV! ficou na vice-liderança.


Galvão mostrou-se bem-humorado para livrar-se de Vesgo e Ceará, mas não perdeu a chance de constrangê-los ao alertar para o boné fake da Ferrari que ambos usavam. Vesgo justificou: ‘É o que a gente pode comprar.’ E Galvão rebateu: quem vai até Monza não tem condições de comprar um boné oficial?


Comercial de adoçante


Foi assim, nesse clima de comercial de adoçante, que Paloma Duarte e Petrônio Gontijo gravaram na semana passada em Búzios cenas para Luz do Sol, da Record. Dirigidos por Roberto Bomtempo, a dupla, que vive um casal na trama, se divertiu na praia.’


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Folha de S. Paulo


Terça-feira, 18 de setembro de 2007


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


‘Agenda pesada’


‘Ontem, após almoço com reis, Lula voava ao Brasil, segundo a Globo, quando o blog de Lauro Jardim deu que ele, ‘num desabafo, reclamou da ‘agenda pesada’ que arranjaram’. Nada contra reis e rainhas, parece.


Em nova entrevista, ontem ao financeiro espanhol ‘Expansión’, ele sublinhou seu ‘papel moderador’ na região: ‘Com a Venezuela, prefiro valorizar o desejo de integração’. É que depois de amanhã, em Manaus, vai encontrar Hugo Chávez, que domingo já adiantou a agenda em seu ‘Aló, Presidente’. Seria a ‘revolução socialista do gás’ ou o gasoduto ‘faraônico’, no dizer da Reuters. ‘Lula me telefonou. Eu disse, ‘Lula, já era hora, faz um ano que não falamos do gasoduto’.’ Mais quatro dias e Lula se encontra, como destacou ontem a Globo, ‘com o meu amigo Bush’. Diz ele que para falar, ‘Bush, resolva o problema da crise’ imobiliária.


E antes, talvez até hoje, tem a conversa com Renan.


ARMADA ESPANHOLA


Mais que reis, nas agências, o dia do brasileiro foi com as multinacionais da Espanha, a partir da ‘maior investidora estrangeira’, a Telefônica.


Segundo o ‘Expansión’, a reunião de Lula e o primeiro-ministro tratou da aprovação da compra da Telecom Itália. Já o presidente da Telefônica, ao ver Lula, saiu prometendo investir 7 bi no país até 2010, segundo a Bloomberg.


E se seguiram Repsol-YPF, de petróleo, o Santander etc.


OUTRA REPÚBLICA


No mesmo ‘Expansión’, o presidente do Santander dizia que ‘arremata’ a compra do ABN Amro/Real em 20 dias.


Já a Bloomberg contou os ex-funcionários do banco na comitiva -e concluiu que ele ‘ergue uma ‘república de Santander’ no Brasil de Lula’.


E TEM AS ESTRADAS


De quebra, agências como a Efe deram que a espanhola Acciona disputará estradas na licitação de outubro, por aqui.


AOS NOVOS CAMPOS


O petróleo bate novo recorde, bradou Fátima Bernardes ao abrir o ‘Jornal Nacional’. E o ‘Valor’ destacou ontem que ‘a nona rodada de licitações da ANP, marcada para novembro, promete obter uma das maiores arrecadações da história da agência’. Além da Petrobras, as privadas Vale, OGX e Odebrecht se preparam, em associação com estrangeiras. A notícia ecoou do ‘WSJ’ ao blog do Globo Online onde escreve David Zylbersztajn, agora na Vale.


SOBROU A LÍBIA


Falando em ‘riqueza de oportunidades às maiores multinacionais do mundo’, o ‘Financial Times’ deu ontem as licitações de gás na Líbia.


‘Supergrandes americanas e européias como Exxon, Chevron, BP e Shell estão prontas para disputar com a Lukoil da Rússia, a Petrobras do Brasil, a ONGC da Índia.’ A ‘onda de nacionalismo’ nas reservas deixou pouca opção além da Líbia -e do Brasil.


MULTIBRICS


Já o ‘WSJ’, em coluna na página 2, voltou a destacar ontem que as ‘multinacionais ocidentais podem ter sido as pioneiras em aquisição, mas o capítulo recente é escrito por uma nova geração de lugares como Rússia, China, Brasil’.


Os acordos ‘marcam uma mudança fundamental’. Este ano ‘pode ser o primeiro na história em que emergentes comprem mais’ nos países ricos do que ‘vice-versa’.


Abrindo o ‘JN’, ontem, a ‘cela’ com ‘vista para o Mediterrâneo’


UM ESPECTRO RONDA


O ‘JN’ citou, afinal, ‘a desvalorização no governo do presidente Fernando Henrique’, ao mostrar as grades de Salvatore Cacciola em Mônaco. Já nos sites, sobrou para o ministro Marco Aurélio Mello dizer por que soltou, afinal: ‘Quando entendo que não assiste ao ato a prisão, o que temos de considerar é que a liminar foi deferida quando ele era um simples acusado, não havendo ainda’ etc. etc. Já Luiz Gonzaga Belluzzo não poupa a ‘turma do abafa’ ao alertar, no Terra: ‘Espectro de Cacciola ronda o país’.’


TELEVISÃO
Daniel Castro


Globo testa interatividade para TV digital


‘A Globo exibirá no final do ano o piloto de um programa que poderá ser o primeiro interativo da TV digital brasileira. ‘Faça Sua História’ foi desenvolvido pelo poeta Geraldo Carneiro e pelo escritor João Ubaldo Ribeiro. Será dirigido por Roberto Talma.


No projeto, o público não apenas decidirá o final da história (como no antigo ‘Você Decide’), mas vários desdobramentos das tramas, bloco a bloco. Poderá também determinar quais personagens e histórias aparecerão mais _por exemplo, se a trama principal dará espaço a uma subtrama.


O projeto é ideal para a TV digital porque explora a interatividade plena. Com a TV digital, o telespectador que tiver internet de banda larga conectada ao televisor poderá votar inúmeras vezes usando o controle remoto. No piloto de ‘Faça Sua História’, devido ao caráter incipiente da TV digital, a Globo fará votação pela internet.


Para tornar ‘Faça Sua História’ viável, a Globo terá que desenvolver roteiros com múltiplos encaminhamentos de tramas e gravar todas as cenas.


‘Faça Sua História’ será um dos quatro novos programas que a Globo testará na semana entre o Natal e o Ano Novo. Os outros três são ‘A Dama e o Vagabundo’ (de Carlos Lombardi), ‘Dicas de um Sedutor’ (de José Lavigne, Rosane Svartman e Ricardo Perroni) e ‘Casos e Acasos’ (de Daniel Adjafre e Marcius Melhem).


ATROPELO Os quatro pilotos que a Globo testará no final do ano estão entre os projetos que serão analisados por toda a área artística da emissora em encontro de criação que começa hoje em Angra dos Reis (RJ). Como os títulos já foram eleitos pela cúpula artística, caberá ao diretores de núcleo e autores apenas opinar em projetos alheios.


AVENTURA 1 ‘A Dama e o Vagabundo’, de Carlos Lombardi, ao contrário da maioria dos 57 projetos apresentados à Globo, não é uma sitcom, avisa o autor.


AVENTURA 2 ‘É uma mistura de policial, comédia e aventura’, diz. Mas a ‘aventura’ ainda depende do orçamento. Se ficar muito cara, será cortada. O nome do programa também não será esse.


LETRINHAS 1 Em sua segunda edição com novo cenário, o ‘Fantástico’ deu só 22,7 pontos no Ibope (contra 25,2 em 9/9). Chegou até a ficar atrás do ‘Domingo Legal’ durante 14 minutos após as 21h. O programa do SBT começou às 17h30 e foi até 21h37.


LETRINHAS 2 Há um ano, o ‘Fantástico’ dava 33,4 pontos. Só a Rede TV! (1,4 ponto) e o SBT (5,3) ganharam audiência. O maior ‘inimigo’ do programa é o botão ‘off’ do controle remoto. O número de TVs ligadas caiu sete pontos.


SELF-PROMOTER Sem divulgação pelo SBT, a autora de ‘Amigas e Rivais’, Letícia Dornelles, tem feito ela mesma a divulgação da novela: bombardeia imprensa e amigos com números positivos no Ibope e até trechos da trama.’


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