Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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ENTRE ASPAS >

Claudia Pereira

18/01/2005 na edição 312

‘O ano é 2004. Um incêndio destrói a favela do Buraco Quente, na zona sul de São Paulo. O mundo pára e acompanha a comoção do povo palestino ao perder seu líder, Yasser Arafat. Brasileiros se revoltam diante do desespero do atleta Vanderlei Cordeiro de Lima, que liderava a maratona na Olimpíada de Atenas quando foi bloqueado por um torcedor. Essas são algumas das cenas que poderão ser relembradas pelo público que visitar a exposição Fotojornalismo: Retrospectiva 2004, organizada pela Agência Estado em parceria com o Espaço Cultural Citigroup.

Das 300 imagens, publicadas em todas as editorias, encaminhadas ao curador da exposição, o museólogo Júlio Abe, 69 foram selecionadas entre fotos da Agência Estado e da Associated Press. ‘Alguns fatos se tornam artísticos sob o olhar do repórter fotográfico. Foi difícil chegar às 69 fotos, mas consideramos, além da importância do fato, a qualidade da imagem’, explica ele.

A mostra está dividida em 12 módulos, que marcam cada mês do ano, e conta com fotos ampliadas em até 120 centímetros.

Todas as imagens expostas foram publicadas pelo Estado durante o ano passado e entre os repórteres fotográficos participantes estão Jonne Roriz, Paulo Pinto, Mônica Zarattini, Sebastião Moreira, Eduardo Nicolau, Vidal Cavalcante e J.F. Diório.

Segundo Anthony Ingham, diretor de Assuntos Corporativos e Comunicação do Citigroup Brasil, ‘o objetivo da exposição é fazer com que as pessoas parem para refletir sobre os fatos ocorridos em 2004 e que de alguma maneira comecem a pensar e a fazer as coisas de forma diferente’.

Outro ponto importante para a realização dessa coletiva ‘é levar cultura e informação à população e promover uma maior proximidade do público com assuntos ligados ao esporte, às artes, à política’, afirma Eleonora Halpern Xandó, gerente de Responsabilidade Social e Eventos do Citigroup.

Ao conferir essa exposição, o visitante reconhecerá que, definitivamente, a imagem marca quanto vale determinada ação.’



TV DIGITAL
Daniel Hessel Teich

‘Sul de Minas vê imagem de TV digital’, copyright O Estado de S. Paulo, 13/1/05

‘Os brasileiros que quiserem conhecer como é uma imagem de TV digital vão ter de fazer uma peregrinação a Santa Rita do Sapucaí, cidadezinha de 35 mil habitantes no sul de Minas Gerais.

Foi em Santa Rita que aconteceu ontem a primeira transmissão digital em TV aberta realizada no País. Durante pouco mais de uma hora, imagens transmitidas do laboratório de uma empresa foram recebidas num aparelho de TV de alta definição instalado num centro de pesquisa, a cerca de dois quilômetros de distância um do outro. As imagens – vistas aéreas de castelos europeus, campos nevados, arranha-céus, touradas e florestas – foram transmitidas através de um canal de UHF, o 25, concedido especialmente para os testes pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). As transmissões devem se repetir esporadicamente nos próximos três meses, tempo em que durará a concessão.

A transmissão foi uma iniciativa da empresa Linear, uma das maiores fabricantes de transmissores analógicos do País, e do Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), centro de ensino privado dedicado à tecnologia. Em conjunto, as duas instituições conseguiram um financiamento de R$ 8 milhões do Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (Funttel), e criaram o primeiro transmissor de TV digital brasileiro. O aparelho opera no padrão americano de TV digital, o ATSC.

‘Com essa transmissão, mostramos que é possível produzir no Brasil equipamentos para a TV digital. Agora, é só o governo decidir como vai ser o sistema’, diz Adonias da Costa Silveira, pro-diretor de Desenvolvimento Institucional do Inatel.

O desenvolvimento da TV digital no Brasil anda emperrado desde o início do governo Lula, quando ficou decidido que o País adotaria um sistema próprio, e não seguiria nenhum dos três que existem atualmente – o americano, o europeu e o japonês. A expectativa do governo era de que até março o Comitê de Desenvolvimento para o Sistema de Brasileiro de TV Digital (SBTVD) apresente uma proposta sobre o assunto (Ler texto abaixo). Atualmente, apenas as TVs pagas por satélite e a cabo usam tecnologia digital.

A decisão pelo modelo americano tem um motivo estratégico. ‘Nós adotamos esse sistema por uma questão de mercado. Nossa idéia é produzir e exportar os transmissores digitais enquanto não se define como serão as transmissões por aqui’, diz Carlos Alberto Fructuoso, diretor de Marketing da Linear.

A empresa pretende exportar transmissores digitais para o México, os Estados Unidos e Canadá. ‘Só nos Estados Unidos existe uma demanda por 7 mil transmissores digitais semelhantes a este que foi testado em Santa Rita’, conta Fructuoso.

A Linear exporta 25% de sua produção para 40 países. A grande vantagem da televisão digital frente à TV convencional é a qualidade de imagem.

Enquanto na TV convencional a imagem é formada por 480 linhas horizontais, na TV digital são 1.080 linhas. O aspecto da imagem é horizontalizado, o chamado ‘wide screen’. Como no cinema, o formato horizontal dá mais realismo à imagem.

A resolução da TV comum é de 300 mil mega pixels (pontos que formam a imagem), enquanto na TV digital é de 2 milhões de pixels. O resultado são imagens mais nítidas, de contornos e nuances de cores mais definidas.

A TV digital também permite interatividade do espectador e ampliação de conteúdos, como jogos, e serviços – ‘home banking’ e comércio eletrônico.

Mesmo na pequena Santa Rita de Sapucaí, agora transformada em capital da TV digital brasileira, ver tudo isso vai ser um privilégio de poucos. Há apenas um aparelho capaz de receber essas imagens, que ficará fechado num laboratório, constantemente vigiado por técnicos.

Lá também vai demorar mais algum tempo para a população poder ver a novela das 8 com imagem de cinema.’



Agnaldo Brito

‘País ainda está longe de ter sistema próprio’, copyright O Estado de S. Paulo, 13/1/05

‘Mesmo com a primeira transmissão de TV digital, ocorrida ontem, o Brasil ainda está longe de ter um Sistema Brasileiro de Televisão Digital (SBTVD). A opção brasileira em tentar desenvolver um arcabouço próprio para sustentar este objetivo mobiliza neste momento um grupo de pesquisadores no País. O projeto de construção do SBTVD, no entanto, ainda não cruzou a primeira fase.

Conhecida como ‘apoio à decisão’, a primeira fase consiste na apresentação de um ‘modelo de referência’ a partir do qual o governo brasileiro dirá se o País terá um sistema próprio ou utilizará sistemas mundiais já existentes. Também pode optar por uma solução mista. De qualquer forma, ao definir a abrangência do sistema brasileiro, o governo definirá concomitantemente qual o tipo, o cronograma e o custo de implantação que estará disposto a arcar.

‘Esta será uma decisão eminentemente política do governo brasileiro. O que a academia tenta neste momento é provar, a partir de estudos e de criações de protótipos, que o desenvolvimento tecnológico do País pode dar suporte a um sistema nacional’, explica Ricardo Benetton Martins, diretor de TV Digital do CPqD, uma das instituições de pesquisa do País que dá suporte ao grupo gestor do SBTVD.

O Brasil desenvolve neste momento 18 subsistemas, que envolvem modulagem de transmissão, tipos de serviços e interatividade, entre outros temas. O trabalho deve estar concluído em março, quando todo estudo feito até agora constará do modelo de referência. Mas a perspectiva é que o prazo de um ano, fixado pelo decreto que mobilizou a academia – e que termina em março -, não seja cumprido. Benetton afirma que os estágios dos projetos em andamento não são os mesmos. Ainda assim, preferiu não se pronunciar sobre a possibilidade real de não ser cumprido o prazo original.

De qualquer forma, ainda é pouco visível o que o Brasil poderá ter como sistema de TV digital. Na justificativa original para a mobilização da academia na construção do modelo de referência foram fixadas algumas premissas. Por isso, a decisão de ainda não se aderir a um sistema internacional.

Entre as determinações centrais do sistema brasileiro estão a inclusão social e digital (ou a universalização de acesso a serviços interativos, principalmente para a área pública – o que determina acesso a banda larga), baixo custo de aquisição de equipamentos, robustez na transmissão do sinal para alcance em todo o território brasileiro e flexibilidade.

Segundo Benetton, um dos aspectos importantes no caso brasileiro é a possibilidade que será aberta às empresas para escolha e definição do modelo de negócios que poderão surgir a partir da SBTVD, seja em qualidade do sinal, seja na oferta de serviços.

Nesta primeira etapa, o Brasil investirá cerca de R$ 65 milhões, o que incluiu o financiamento dos projetos para desenvolvimento dos subsistemas e estudos para avaliar todo o arcabouço de regulação necessário ao País. O custo do sistema como um todo vai depender muito da decisão política que será tomada pelo governo.

‘Ele pode escolher parte dos subsistemas desenvolvidos, a totalidade ou nenhum. O custo e o prazo de implantação estarão relacionados a essas escolhas’, explica o pesquisador. Atrelado a tudo isso estará embutida uma política industrial que seja capaz de suportar a demanda gerada pela escolha do País.’



O Estado de S. Paulo

‘Como ocorre a transmissão’, copyright O Estado de S. Paulo, 13/1/05

‘PRIMEIRO: A imagem é captada em uma câmera digital ou gerada a partir de um arquivo (filmes, musicais e programas pré– gravados).

SEGUNDO: As imagens passam por um procedimento de edição no computador.

TERCEIRO: O sinal de áudio e vídeo é processado em um compressor e passa de 270 megabits por segundo para 19 megabits por segundo.

QUARTO: O sinal passa pelo modulador digital onde é processado segundo o padrão de transmissão desejado, que pode ser o americano, o europeu ou o padrão japonês.

CINCO: O sinal é amplificado e repassado para a antena transmissora.

SEIS: A recepção é feita pela antena receptora.

SETE: A imagem é decodificada no televisor. Na TV digital a imagem é mais nítida com contornos e cores mais definidas.’



Daniel Castro

‘Globo quer financiamento para TV digital’, copyright Folha de S. Paulo, 18/1/05

‘As emissoras e os fabricantes de televisores terão que ter acesso a linhas de financiamento de longo prazo para migrarem para a TV digital, caso contrário a nova tecnologia ficará restrita apenas às classes sociais mais altas.

A opinião é de Octavio Florisbal, diretor-geral da Globo. ‘As TVs terão que fazer um investimento pesado, que exige financiamento, porque o mercado publicitário só vai pagar mais por um comercial em alta definição se tiver uma massa de pelo menos 20% dos domicílios com acesso à TV digital’, disse Florisbal no último sábado, no lançamento da minissérie ‘Mad Maria’.

Florisbal defende uma discussão sobre o financiamento e o modelo econômico (receitas extras que as redes terão com interatividade) que será adotado com a TV digital: ‘Como baratear o televisor? O governo vai dar financiamento à indústria? Como as redes se financiarão? Como terão retorno? Tem que haver uma solução’.

A Globo prevê que a TV digital começará a ser implantada no Brasil em dois ou três anos. Estudo interno prevê que só a Globo terá que investir cerca de US$ 300 milhões para transmitir digital simultaneamente em todo o país.

A emissora já investe para a mudança. Toda a sua captação já é digital. A próxima novela das oito, ‘América’, está servindo para treinar técnicos. As cenas externas estão sendo gravadas com novas câmeras de alta definição.’

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