Sexta-feira, 06 de Dezembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1066
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ENTRE ASPAS >

Claudio de Souza

25/05/2004 na edição 278

‘A Comissão de Valores Mobiliários vai examinar a compra do provedor de acesso à internet iG pela Brasil Telecom. A companhia de telefonia fixa anunciou anteontem a aquisição de 63% do capital do provedor por US$ 100 milhões das mãos de vários sócios, entre eles a Telemar, que detinha 17,6% do iG. O problema do negócio é que o controlador da Brasil Telecom é o Grupo Oportunity, do banqueiro Daniel Dantas, que também é sócio do iG e da Telemar.

O presidente da CVM, Luiz Leonardo Cantidiano, disse ontem que ainda não conhecia o caso, mas explicou que a lei diz que o acionista de uma companhia aberta não pode participar da aprovação de uma operação que o beneficie de maneira particular.

– Se um sujeito tem uma influência sobre uma empresa e essa empresa está comprando um bem que é de maneira direta ou indireta dele mesmo, há um potencial de conflito. A CVM vai examinar – afirmou.

Somada a participação de 9,45% que já detinha, a Brasil Telecom controlará 72,45% do iG.

A Telemar, concessionária de telefonia fixa em 16 Estados do Norte-Leste brasileiro, informou anteontem à Bolsa de Valores de São Paulo que estava vendendo seus 17,6% do capital do iG à rival por US$ 17,5 milhões, com um lucro contábil de aproximadamente R$ 6 milhões. Tanto a participação quanto o valor desse negócio estão incluídos no montante total anunciado pela Brasil Telecom, que estimou o valor de mercado do iG em US$ 137,7 milhões, considerando que o provedor teria em caixa cerca de US$ 16 milhões.’



Talita Moreira

‘BrT compra controle do iG por US$ 100,8 milhões’, copyright Valor Econômico, 19/05/04

‘A Brasil Telecom (BrT) firmou acordo para adquirir 63% do capital social do provedor de internet iG por US$ 100,8 milhões.

A operadora já tinha 9,45% da empresa e, com a aquisição, elevará sua fatia para 72,45% do total. O anúncio, feito ontem à noite, encerra cinco meses de negociações.

Entre os investidores que decidiram vender suas ações estão a operadora Telemar, GP Holdings, Andrade Gutierrez e UBS Capital Americas. O provedor foi avaliado em US$ 137,7 milhões – próximo do valor que analistas haviam estimado.

A BrT é controlada pelo Opportunity, que também é acionista do iG. Segundo a operadora, a conclusão do negócio ainda depende de algumas condições, incluindo a diligência dos ativos e a aprovação pelas autoridades competentes.

Em outro comunicado, a Telemar disse que aceitou vender sua fatia de 17,6% no provedor por US$ 17,5 milhões e que terá lucro contábil de R$ 6 milhões com a operação. Nos bastidores, a Telemar também era apontada como candidata à compra do controle do iG.

O provedor é interessante para a empresa de telefonia por causa do tráfego que gera. No ano passado, a BrT fez uma apresentação a analistas na qual estimou em R$ 732 milhões o crédito de interconexão que o iG teria em 2004 com as teles.

Na sexta-feira, a Telecom Itália – acionista da BrT – pediu à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que apure a compra do iG, argumentando que o processo estava sendo conduzido de forma pouco transparente.’



Daniele Carvalho

‘CVM vai monitorar a compra do iG pela Brasil Telecom’, copyright Gazeta Mercantil, 20/05/04

‘O Banco Opportunity está dos dois lados do negócio, de US$ 100,7 milhões. O presidente demissionário da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Luiz Cantidiano, disse ontem que a entidade deverá monitorar a compra do provedor de acesso à internet iG pela Brasil Telecom (BrT). Na operação, concretizada no início desta semana, a empresa de telefonia passou a ser controladora do iG, adquirindo 63% de seu capital, que somados aos 9,45% que já detinha, a deixará com participação acionária de 72,45% no portal.

A compra, no valor de US$ 100,7 milhões em ações com e sem direito a voto, foi recebida com dúvidas pelo mercado. Isto porque a BrT é controlada pelo banco Opportunity, do empresário Daniel Dantas, que também é acionista da Telemar. A Telemar vendeu na transação a totalidade de sua participação, de 17,6%, no provedor iG para a BrT. Os outros acionistas – GP Investimentos, Andrade Gutierrez Telecomunicações e Grupo La Fonte – fizeram o mesmo. Só o próprio Opportunity, que detém o restante do capital do provedor (27,55%) através de alguns fundos, manteve sua participação. Desta maneira, Daniel Dantas estaria nas duas pontas da operação, desempenhando ao mesmo tempo os papéis de vendedor e de comprador do iG.

De acordo com Cantidiano, é praxe da área técnica da CVM acompanhar todas as operações de compra e venda envolvendo companhias de capital aberto, em especial aquelas que possam ferir a legislação. A transação envolvendo BrT e iG, esbarraria no artigo 115, que trata do abuso de direito de voto. O dispositivo estabelece que o acionista não pode votar na aprovação de suas próprias contas e nem em operações que o beneficiem de maneira particular. ‘Se uma pessoa é acionista de uma empresa que está comprando um bem do qual ele também é, direta ou indiretamente acionista, existirá um potencial risco de conflito’, comentou Cantidiano.

Com a aquisição do iG, a BrT afirma que se tornará o maior provedor de internet da América Latina, se posicionando entre os 15 maiores do mundo. Em apresentação a analistas do setor, a empresa estimou que para cada R$ 1 gerado no iG, iBest e BrTurbo, serão gerados aproximadamente R$ 2 de tráfego e serviço de banda larga na Brasil Telecom. Ainda de acordo com cálculos da empresa de telefonia, o tráfego conjunto do iBest e iG tem potencial valor de interconexão de R$ 900 milhões por ano nas regiões I e III, que incluem todos os estados do Sudeste, do Nordeste e a maior parte do Norte.

A sinergia entre os projetos das empresas também chegará à telefonia móvel. O lançamento da operação da Brasil Telecom GSM, por exemplo, poderá ser beneficiado com o Selig, portal wireless do iG. No segmento de acesso à internet por banda larga, a BrT estima expandir sua base de clientes, absorvendo os atuais 60 mil assinantes deste serviço no iG (Superig).

Na análise do banco de investimentos Merrill Lynch, o retorno do investimento da Brasil Telecom na iG ‘não está claro’. ‘O fluxo de receita do iG vem de seu negócio de portal, e, o que é mais importante, da interconexão recebida das teles locais pelo ¡ claro’. ‘O fluxo de receita do iG vem de seu negócio de portal, e, o que é mais importante, da interconexão recebida das teles locais pelo negócio de conexão telefônicaica, que apresenta vários riscos’, disse o banco em um documento divulgado ontem. ‘O mais importante é que o regime atual de interconexão pode ser substituído pelo sistema de tarifação e manutenção quando novos contratos de concessões entrarem em vigor em 2006, eliminando uma fonte básica de caixa para o iG’. O futuro do negócio do IG, portanto, segundo o Merrill Lynch, é ‘incerto’.

A corretora Socopa, por sua vez, considerou que os fatores negativos relacionados à compra do provedor já estão precificados nos papéis da BrT. A operação, apesar de já esperada pelo mercado, ‘é positiva’, aponta o relatório da corretora. ‘Acreditamos no bom desempenho do papel e recomendamos compra forte para os papéis da Brasil Telecom e Brasil Telecom Participações para os investidores com perfil agressivo em virtude do risco elevado da empresa’, disse a Socopa. As ações da BrT e da BrT Participações apresentaram alta ontem no pregão da Bovespa.’



Teletime News

‘Analistas questionam: por que Telemar vendeu o iG?’, copyright Teletime News, 19/05/04

‘Alguns analistas de investimentos ouvidos por esse noticiário consideraram, a princípio, positiva para a Brasil Telecom a compra da iG. O que não entendem é por que a Telemar abriu mão do negócio, que gera um volume tão expressivo de tráfego para a sua própria rede.

A partir dessa dúvida é que começaram as especulações e rumores de que a transferência da provedora de Internet poderia ser parte de uma acomodação de interesses entre o Opportunity (acionista da Telemar) e os principais controladores da tele (Andrade Gutierrez, La Fonte e GP).

Convém ponderar, contudo, que a reação dos investidores foi positiva em relação às duas companhias. As ações preferenciais da Brasil Telecom subiram 2,74% (operadora) e 1,98% (holding), enquanto as da Telemar tiveram alta de 2,56% (operadora) e 1,02% (holding).

Em princípio, a aquisição da iG por US$ 100,75 milhões pode ser considerada, segundo alguns profissionais do mercado, um bom negócio. Principalmente pelo volume de tráfego (que se traduz em receita de interconexão) que pode chegar este ano a R$ 917 milhões quando somadas as operações do iG e do iBest. Mesmo considerando uma redução nesse valor de cerca de 15% em função de novas regras de interconexão, o total seria interessante. E se os números do iG (que não são auditados) estiverem corretos, com a compra, a Brasil Telecom pode incorporar uma receita consolidada de R$ 234 milhões.

Telemar

Mas se é tão bom negócio, por que a Telemar abre mão dele? A Telemar não está falando sobre o assunto no momento, segundo um funcionário da área de relações com o mercado da empresa. Ele apenas adiantou que a venda não significa, de forma alguma, um descarte de atuação na Internet. ‘O que ocorre é que estamos olhando para outras possibilidades’. TELETIME News ouviu de analistas geralmente bem informados dois tipos de especulações a respeito do negócio: 1) A primeira hipótese é de que a venda da iG bem poderia ser parte de um acordo para uma futura saída do Opportunity da Telemar. Como se sabe, o grupo detém cerca de 13% do capital votante, adquirido da Inepar, sem que possa, no entanto, participar legalmente do grupo de controle; 2) A Brasil Telecom e a Telemar poderiam estabelecer um acordo pelo qual ficaria mantida parte das operações, metade por exemplo, com a Telemar, dividindo o tráfego gerado.’

***

‘Para Merrill Lynch, compra do iG pela BrT gera dúvidas’, copyright Teletime News, 19/05/04

‘A Merrill Lynch divulgou a investidores financeiros uma análise sobre a compra do provedor de Internet iG pela Brasil Telecom. Como boa notícia, a análise da ML aponta apenas o fato de que, aparentemente, o Opportunity não está vendendo a sua participação, o que geraria problemas de governança corporativa. Segundo a análise da Merrill Lynch, é incerto o retorno do investimento já que a principal remuneração do iG vem da atividade do portal e provedor. Em relação às receitas de interconexão geradas pelo tráfego do iG, diz a ML, o problema é uma eventual mudança de regras, por exemplo com a adoção do modelo de bill-and-keep. A valoração do iG, portanto, dependeria dos dados financeiros da atividade do provedor e portal em si, o que não é possível, diz a Merrill Lynch, dada a falta de dados.

Apesar do alívio manifestado pela análise em relação ao fato de aparentemente o Opportunity não ter sido parte do negócio como vendedor, evitando assim problemas de governança corporativa, a análise da Merrill Lynch pode ter perdido um detalhe: entre os vendedores está a NG9 Internet Investments e ‘administradores da empresa’, segundo o fato relevante. A NG9 Internet Investments é uma empresa estrangeira, mas provavelmente ligada ao fundo fechado NG9 Opportunity FMIA, registrado no Brasil e administrado pelo Opportunity. O ‘NG’ é homenagem a Nizan Guanaes, fundador do iG e sócio de Daniel Dantas em outros negócios.

Entre os demais vendedores, estão não só a Telemar (através da sua subsidiária Digital Networks Investments Ltd), mas também os próprios acionistas da Telemar Andrade Gutierrez, GP e La Fonte (através da empresa Infinity Trading Ltd). A Telemar, em 2001, pagou cerca de US$ 50 milhões pela participação no iG, adquirida justamente destes seus acionistas. Na ocasião, apostava-se que os provedores gratuitos seriam grande fonte de receitas de interconexão. A Anatel, então, deixou claro que nenhum provedor de acesso pode ser remunerado pelo tráfego gerado.

Outra empresa que, segundo a Brasil Telecom, está entre as vendedoras do iG é a TH Lee Putnam, que é acionista também do Submarino e sócia do GP no portal Decolar.com. O UBS, que também está vendendo participações de alguns de seus fundos no iG à BrT, também é ligado a Daniel Dantas. Substituiu o ABN Amro como custodiante do Opportunity Fund em Cayman.’

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