Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

CADERNO DO LEITOR > QUINTA-FEIRA, 3/12

Comissão do Senado aprova proposta que exige diploma

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 03/12/2009 na edição 566


Leia abaixo a seleção de quinta-feira para a seção Entre Aspas.


 


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Folha de S. Paulo


Quinta-feira, 3 de dezembro de 2009


 


CANUDO


Senado aprova proposta que exige diploma


‘A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado aprovou proposta de emenda à Constituição que retoma a obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão. A exigência caiu em junho no STF -quando 8 ministros entenderam que ela contrariava o princípio da liberdade de expressão. A proposta vai para votação no plenário. Se aprovada, segue para a Câmara.’


 


 


MÍDIA NOS EUA


Kenneth Maxwell


Mercados e notícias


‘QUASE TODOS os grandes jornais dos Estados Unidos passaram por forte declínio em sua circulação paga ao longo dos últimos 12 meses. As três exceções foram o ‘Wall Street Journal’, que elevou a sua circulação em 0,6%, o ‘Seattle Times’, que registrou elevação de 32,6%, e o ‘Denver Post’, cuja circulação cresceu 61,9%. Mas esses resultados representam grandes exceções à tendência geral. No caso do ‘Seattle Times’ e do ‘Denver Post’, a alta na circulação foi ajudada pelo fechamento do principal concorrente local.


Resultado mais típico foi o do ‘New York Times’, cuja circulação se reduziu 7,3%. No ‘USA Today’, a queda nos últimos 12 meses foi de 17,1%, enquanto o ‘Washington Post’ caía 6,4%. As perdas no ‘Dallas Morning News’, no ‘San Francisco Chronicle’ e no ‘Star Ledger’, de Newark, foram de, respectivamente, 22,2%, 25,8% e 22,2%.


O declínio do ‘USA Today’ foi atribuído, em larga medida, à queda do movimento nos hotéis, que respondem por parte considerável de sua circulação. Mas no ‘San Francisco Chronicle’, o número médio de leitores diários caiu agora a 252 mil, cerca de metade do total de seis anos atrás.


Os jornais continuam a oferecer um olhar crítico quanto ao governo. Continuam a se ver como ‘o quarto poder’, um elemento essencial no equilíbrio entre os Poderes. Cabe a eles manter honestos os políticos e empresários, bem como, ocasionalmente, os juízes e os tribunais. Mas as perdas de receita estão causando grande preocupação.


O colapso na receita publicitária dos jornais já se tornou catastrófico, atingindo 28% apenas neste ano, e não é fácil encontrar substituto para essas receitas na internet, que vê acesso crescente, mas na qual poucos jornais desenvolveram métodos seguros de explorar comercialmente o acesso a essa nova fonte de informação.


Todas as grandes redes de televisão também sofreram perdas de audiência, e o mesmo se aplica à CNN, que vem sendo uma pioneira das notícias televisivas há 30 anos, mas viu três de seus quatro programas noturnos caírem à quarta e última posição entre as redes noticiosas a cabo.


Enquanto isso, as redes de TV a cabo identificadas com causas políticas ganharam considerável vantagem, estimuladas pela rivalidade entre a Fox News Network e a MSNBC, à direita e à esquerda, respectivamente. A Fox News lidera em termos de audiência no telejornalismo com os programas de opinião apresentados por Bill O’Reilly e Sean Hannity.


Não é um quadro encorajador. E explica muito sobre as dificuldades correntes para estabelecer um consenso básico em relação a questões essenciais na política norte-americana.


Tradução de PAULO MIGLIACCI’


 


 


TODA MÍDIA


Nelson de Sá


A guerra de Obama


‘O ‘New York Times’ saiu com a manchete de papel ‘Obama acelera tropas e promete iniciar retirada em 2011’ e não com o envio de mais 30 mil soldados. Mas no próprio jornal a coluna de Thomas Friedman já anunciava discordar da ‘decisão de escalada’. No fim do dia, a manchete on-line já era o ‘questionamento forte’ ao plano, no Congresso.


Também o site Politico abriu o dia com a manchete ‘Discurso de Obama: um chamado sóbrio para uma missão limitada’. E fechou, muito pelo contrário, com ‘A consequência: uma nova realidade para Obama’ e a Casa Branca ‘se preparando para meses brutais à frente’, junto à opinião pública.


Drudge Report e ‘The Economist’ já abriram e se mantiveram com ‘Obama’s War’. O primeiro linkou a ‘Der Spiegel’, ‘Nunca um discurso de Obama soou tão falso’. A segunda postou que ‘é basicamente o que os generais encomendaram’.


‘MAIS AMERICANOS VÃO MORRER’


Na manchete no site da BBC, um ‘comandante sênior do Taliban’ deu entrevista, em resposta: ‘Foi um ano de sucesso para nós. Obama está mandando mais soldados, e isso significa que mais americanos vão morrer. Quero dizer às mães dos soldados estrangeiros: Se amam seus filhos, mantenham-nos em casa, em seu próprio país’


EUA VS. BRASIL


O ‘Washington Post’ deu a reportagem ‘EUA e aliados discordam sobre Honduras’, com o subtítulo ‘Brasil não quer que golpe saia sem punição’.


No ‘Wall Street Journal’, ‘EUA enfrentam resistência crescente a sua política latino-americana’. O país, ‘que já considerou a região seu quintal, tem dificuldade cada vez maior onde Brasil e China agora disputam influência’. Citando as diferenças sobre as bases na Colômbia e o Irã, diz que ‘a ascensão do Brasil como potência hemisférica está virando um desafio e, em termos de política externa, uma decepção’, no original, ‘disappointment’.


EUA, SEGUNDO JIM O’NEILL


O ‘WSJ’ postou ontem que ‘Goldman Sachs proclama recuperação mundial, mas os EUA ficam para trás’. Jim O’Neill, economista chefe do banco, lançou novo relatório, prevendo um ‘flamejante’ crescimento global no ano que vem, de 4,4%. Já os EUA não passam de ‘anêmicos’ 2,1%. Puxando o mundo, os emergentes, ‘especialmente a China e a Índia’. ‘A ascensão do consumidor no mundo em desenvolvimento é um desenvolvimento estratégico maior para nossa era’, escreve O’Neill.


BRASIL, SEGUNDO KRUGMAN


De passagem, o economista Paul Krugman, colunista do ‘NYT’ e Nobel, declarou aos sites que o Brasil foi ‘feliz’ na reação à crise, ‘mas não vai se tornar superpotência no próximo ano, e os mercados estão agindo como se fosse’. O economista vê o real ‘muito valorizado’ pela euforia dos investidores externos.


Na agência Bloomberg, no topo das buscas pelo Yahoo News no final do dia, ‘Krugman diz que planeja vender alguns investimentos no Brasil’.


‘LEJANÍA’


Jornais paraguaios estão em revolta com o ‘Fantástico’, que apresentou um clipe de Zezé de Camargo e Luciano cantando ‘Meu Primeiro Amor’, com crédito para três brasileiros. A canção, ‘Lejanía’ no original, é de Herminio Giménez, só adaptada para o português. No título do ‘ABC Color’, ‘Rede Globo trata música paraguaia como brasileira’. No ‘La Nación’ de Assunção, ‘Guarânia é apresentada como ‘música popular brasileira’. A canção, com a dupla, está na trilha de ‘Lula, o Filho do Brasil’.


CONSTITUINTE, O RETORNO


O portal G1, da Globo, destacou que ‘Lula agora diz que o escândalo é deplorável’.


Já a BBC Brasil deu na manchete, desde a Ucrânia, que ‘Lula defende Constituinte para fazer reforma eleitoral’. Sobre as imagens, ‘vi algumas, acho que é grave, mas tudo agora vai ter um processo’.’


 


 


PARANÁ


César Benjamin terá situação revista na RTVE


‘O diretor-presidente da RTVE (Rádio e Televisão Educativa do Paraná), Marcos Batista, disse ontem que vai rever a situação funcional de César Benjamin, colunista da Folha, na autarquia.


O motivo foi o questionamento feito pela oposição na Assembleia, por intermédio do deputado Élio Rusch (DEM), sobre a função de Benjamin, que consta como diretor-presidente, mesmo cargo exercido por Batista.


Batista afirmou que ‘houve uma confusão de nomenclaturas’.


Benjamin, que mora no Rio, diz que trabalha para a RTVE e viaja semanalmente ao Paraná para cuidar de projetos e gravar entrevistas e comentários que vão ao ar regularmente.’


 


 


IRAQUE


Jornalista iraquiano que jogou sapatos em Bush é alvo de sapatada em Paris


‘O jornalista iraquiano Muntader al Zaidi, que em dezembro de 2008 ficou famoso por jogar seus sapatos contra o presidente americano George W. Bush (2001-2009), foi alvo anteontem, em Paris, de um gesto similar por parte de um compatriota.


Al Zaidi promovia sua campanha para vítimas da Guerra do Iraque quando um iraquiano que se apresentou como jornalista jogou contra ele um de seus sapatos enquanto exclamava, em árabe, ‘toma outro sapato para você!’. O sapato atingiu a parede atrás da cabeça de Al Zaidi, mostraram imagens de TV.


A mídia francesa disse que o agressor era um jornalista iraquiano exilado, que antes de atirar o sapato defendeu a política dos EUA. Depois de ser contido pelos presentes, entre eles o irmão de Al Zaidi, o suposto jornalista foi retirado da sala.


‘Utilizei esse meio contra a ocupação e não contra um compatriota’, reagiu o repórter que virou herói para muitos ao jogar seus sapatos contra Bush. No mundo árabe, mostrar a sola do sapato é um gesto de desprezo.


Al Zaidi foi condenado a três anos de prisão por agressão contra um chefe de Estado estrangeiro, mas a pena foi reduzida a um ano. Oriundo da cidade xiita de Nassiriya, 350 km ao sul de Bagdá, Al Zaidi, 30, vivia em Bagdá e trabalhava para o canal de TV Al Bagdadía.


Depois de sua libertação e por temer por sua segurança, se refugiou no Líbano, mas anteontem anunciou que voltará ao Iraque para trabalhar. Ele também criou recentemente uma fundação na Suíça destinada a ajudar os órfãos e viúvas de seu país.


Indagado em Paris se jogaria sapatos também contra Barack Obama, o jornalista respondeu: ‘Eles ocupam meu país. Eu o faria qualquer que fosse seu país, sua cor de pele ou sua religião’.’


 


 


INTERNET


Google vai limitar acesso gratuito a notícias


‘O Google anunciou ontem que vai limitar o acesso gratuito a notícias que exigem a assinatura do conteúdo, em um momento em que grandes grupos de mídia reclamam do sistema de indexação de notícias que pertence à empresa de tecnologia norte-americana.


Pelas novas regras do indexador Google News (que reúne links de reportagens de diversas fontes), cada usuário poderá ver, no máximo, cinco artigos diários de algum site que exige assinatura, casos, por exemplo, do ‘Wall Street Journal’ e do ‘Financial Times’.


Com isso, a empresa pretende impedir uma distorção. Reportagens que só eram disponíveis para assinantes do ‘Wall Street Journal’, o principal crítico do modelo de busca e um dos mais prejudicados pela distorção, podiam ser lidas gratuitamente na busca do Google News. Com isso, muitos usuários liam os artigos que lhes interessavam só pelo sistema de indexação de notícia, sem precisar assinar o jornal ou o site.


‘Nós acreditamos que essa abordagem ainda protege o usuário comum da ocultação [sistema que permite que o Google rastreie sites com conteúdo pago, mas não dá o mesmo acesso ao usuário], ao mesmo tempo em que permite que os editores deem sua atenção para assinantes em potencial, que estão acessando grande parte do seu conteúdo de modo frequente’, disse Josh Cohen, gerente do Google.


Em outra medida que também visa melhorar as relações com a indústria da notícia, o Google também disse que passou a facilitar o bloqueio total ou parcial de conteúdo do seu indexador de notícias, que agora será praticamente automático, não dependendo mais de preenchimento de formulário.


A empresa de tecnologia vem sofrendo forte pressão por parte de jornais que reclamam que ela vem ganhando dinheiro com publicidade com um conteúdo em que ela não gasta um centavo. Um dos críticos mais aguçados é o empresário australiano Rupert Murdoch, dono, entre outros jornais, do ‘Wall Street Journal’ e que já disse que o Google ‘rouba’ conteúdo. Ele, aliás, estaria negociando com a Microsoft para retirar o conteúdo de suas empresas do Google e repassá-lo para o Bing, o buscador da companhia fundada por Bill Gates.’


 


 


COMUNICAÇÕES


Sofia Fernandes


Comissão aprova lei que libera TV a cabo para teles


‘As empresas de telecomunicações poderão oferecer serviços de TV por assinatura, conforme texto-base de projeto de lei aprovado ontem na Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara. A votação será concluída na quarta da próxima semana, quando o texto aprovado ontem poderá ser alterado.


Em discussão desde 2007, a proposta, conhecida como PL 29, propõe a regulamentação única para as mídias de TV por assinatura.


Ficaram para a próxima semana cinco sugestões de mudança no texto básico, chamadas tecnicamente de destaques. Dois deles foram propostos pelo deputado Paulo Bornhausen (DEM-SC): um que suprime o capítulo que trata da criação de cotas para produção nacional e outro que retira o capítulo que trata de fomento à produção nacional.


Depois de concluída a votação na Comissão de Ciência e Tecnologia, o projeto seguirá para discussão na Comissão de Justiça da Câmara. Se aprovada, segue depois para votação no Senado e por último vai à sanção do presidente da República.


Os temas mais polêmicos do projeto são a criação de cotas para conteúdo nacional, o tempo estabelecido para veiculação de publicidade e a atuação da Ancine (Agência Nacional de Cinema). Pelo projeto, a agência será responsável pela fiscalização do cumprimento das cotas.


O projeto determina que, em todos os pacotes comercializados, a cada três canais de espaço qualificado, ao menos um seja brasileiro. O canal brasileiro terá a obrigação de veicular, no mínimo, 12 horas diárias de conteúdo produzido no Brasil.’


 


 


TELEVISÃO


Silvia Corrêa


Record lança estratégia para salvar ibope de ‘A Fazenda’


‘A Record dividiu ‘A Fazenda’ em dois blocos na noite de terça e conseguiu a segunda maior audiência do reality nesta temporada. A estratégia foi uma tentativa de melhorar os índices do programa, inferiores aos de sua primeira edição.


A primeira parte da prova que definiria o primeiro candidato à eliminação da semana foi ao ar das 20h55 às 21h30, entre o ‘Jornal da Record’ e a novela ‘Bela, a Feia’, que é o horário normal do reality.


Teve sete pontos de média, atrás de ‘Viver a Vida’ (Globo) e da sequência ‘Esquadrão da Moda’ e ‘Sobrenatural’ (SBT).


‘A Fazenda’ voltou ao ar às 22h20, por meia hora, entre ‘Bela’ e ‘Poder Paralelo’, repetindo uma estratégia já adotada na primeira temporada. Com a final ao vivo da prova que levou Adriana Bombom à roça, o segundo bloco marcou 17 pontos -em 17 dias de programa, o índice só fica abaixo dos 18,3 registrados na estreia.


‘A gente avaliou que tinha um bom gancho entre a primeira e a segunda parte. Achou que o público esperaria. Deu certo’, diz o diretor Rodrigo Carelli.


A atual edição de ‘A Fazenda’ perdeu para a anterior na média das duas primeiras semanas de exibição. Foi 12,9 contra 12,2 na primeira semana, e 13 contra 10,6 na segunda.


Na grade da emissora, o reality tem a função de melhorar a audiência entre o jornal e ‘Bela’, mas pega a novela da Globo, o que tem sido fatal.


DOIS PRA LÁ


A mudança de Marcos Mion da MTV para a Record rendeu para os Deznecessários. Miá Mello e Marcelo Marrom assinaram por dois anos com a Record e farão ‘Legendários’.


TRÊS PRA CÁ


Já Rodrigo Capela e Paulinho Serra agradaram no piloto e foram os escolhidos para substituir Mion no ‘Quinta Categoria’ (MTV). Eles terão a companhia de Talita Werneck, do grupo cômico Avacalhados, do Rio. No teatro, todo mundo vai tentar se apresentar junto.


CONTRATADO


O ator Victor Fasano, 42, assinou com a Record. Será dr. Teixeira em ‘Ribeirão do Tempo’, o advogado de madame Eleonora Durrel (Jacqueline Laurence), que morrerá logo no começo da trama.


BAIXA NO JN


O repórter Luiz Gustavo, 42, estreia dia 14 na Record depois de 22 anos de Globo. Ele ficará em Minas, onde a Record vai inaugurar nesse mesmo dia seu newsroom, com um dos âncoras do ‘JR’, ao vivo, da cidade.


VOO SOLO


Paulo Markun deu entrevista ao Jô para falar de seu último livro, ‘Cabeza de Vaca’. Foi apresentado só como jornalista. Jô não disse que ele é presidente da Fundação Padre Anchieta. Markun também não citou o cargo nem a TV Cultura. A Globo diz que não houve orientação e que o assunto era o livro e não a carreira de Markun.


FIM DE NOITE


O VideoNews (Band) teve na terça sua melhor audiência desde a estreia, em 10 de agosto: 4,1 (6,3% das TVs ligadas).’


 


 


Mônica Bergamo


Nada a declarar


‘Durante a pré-estreia do filme ‘Lula, o Filho do Brasil’, em São Bernardo do Campo, o repórter Oscar Filho, do programa ‘CQC’, da Band, tentou entrevistar o deputado federal José Genoino (PT-SP), que reagiu dizendo que a atração ‘só faz violência contra as pessoas’ e afastando o repórter com o cotovelo. Genoino falou à coluna:


FOLHA – O que aconteceu?


JOSÉ GENOINO – Eu não dou entrevista pra programa que faz da política humor, desgraça e perseguição às pessoas.


FOLHA – O senhor falou que eles foram violentos.


GENOINO – É, violência no sentido de atacar as pessoas, de fazer chacota. Eles querem ganhar audiência ridicularizando as pessoas. Isso é um desserviço, eu não me presto a isso. É um direito meu. A liberdade de expressão é pra falar ou não falar. E, como eles insistem, é uma violência. Mas eu respeito eles, eles têm liberdade pra fazer o que quiserem na Câmara.


FOLHA – O senhor deu uma cotovelada, um empurrão no repórter.


GENOINO – Não, não dei empurrão nenhum. Não teve nada. Eu só disse: ‘Vocês estão praticando uma violência’. Violência não é só física, violência também é psicológica, né?


FOLHA – Acontece com frequência?


GENOINO – Toda semana. Eles me procuram. Eu digo que não quero falar, e eles ficam insistindo. Eu não quero falar com eles, é uma decisão que tomei. Vários deputados que falaram comigo hoje em Brasília disseram: ‘Você agiu certo’. Porque todos os deputados se sentem… É constrangido, é perseguido, é piada, é chacota… É um absurdo. O cara não quer falar, aí eles botam a tua imagem, botam uma caricatura.


FOLHA – Colocaram alguma caricatura ligada ao senhor?


GENOINO – Eu não sei. Eu não vejo aquele programa. Não gosto, não vejo, não quero aparecer. Fazer audiência da desgraça, feito urubu, não dá, né? Eu tava lá no filme [sobre Lula] conversando com os amigos, aí os caras botam o microfone. Se você quer fazer uma entrevista, você fala: ‘Ô, deputado, quando você terminar a conversa aí, vamos bater um papo’. Eu não quero briga. Não quero intriga. Eu só quero preservar o meu direito de não falar com eles.


***


Marcelo Tas, apresentador do programa, diz que já cometeu ‘até a loucura de votar no Genoino’ e que o ‘CQC’ não vai desistir de entrevistá-lo. ‘Ele tem o direito de não falar conosco, e nós temos o direito de continuar tentando falar com ele. Só queria dizer para o Genoino que isso é um sinal de amor: a gente jamais procura alguém por quem não tenhamos um tipo de afeto, ainda que seja pequenininho.’ Para Tas, ‘o Genoino sempre foi o Silvio Santos do PT, não podia ver um microfone. Depois do mensalão, virou a Greta Garbo’.’


 


 


Voz do SBT, Lombardi morre de infarto aos 69


‘O locutor Lombardi morreu ontem, aos 69 anos, em sua casa em Santo André (Grande São Paulo). Sua mulher, Eni, o encontrou por volta das 8h, ao tentar acordá-lo para gravação com Silvio Santos. Segundo o irmão Reinaldo Lombardi, 58, ele sofreu um infarto.


Seu corpo seria velado na tarde de ontem na Câmara Municipal de Santo André. O enterro está marcado para hoje às 10h, no Cemitério de Vila Pires, também na cidade do ABC.


Ele era locutor dos programas de Silvio Santos, no SBT, havia 40 anos e, além de não mostrar o rosto na TV, evitava aparecer em fotos para manter o mistério. Contudo, era sempre apresentado pelo patrão ao auditório durante as gravações.


Luiz Lombardi Neto nasceu no bairro do Bixiga, em 1941, e queria ser locutor de futebol. Fez testes para o rádio, mas acabou contratado pela TV. Começou sua carreira na Globo, em 1966, onde ficou por dez anos, até Silvio Santos o convidar para integrar sua equipe na TVS (que depois viraria o SBT).


‘Oi, Silvio’


O bordão para chamá-lo era ‘É com você, Lombardi’, ao qual ele respondia: ‘Oi, Silvio’. Lombardi contou à Folha, em 2000, que no primeiro contato com o patrão, Silvio tinha prometido fazer dele ‘o locutor mais famoso do Brasil’. Lombardi dizia não ter vaidade: ‘Fama e anonimato andam sempre juntos’.


Ontem, seu irmão contou à Folha que ele tinha três automóveis (dois Clio e um Celta), mas gostava de ir para as gravações de trem: ia até a estação de Pirituba, onde um carro do SBT o pegava. ‘Era como fazia no início da carreira. Ele gostava de manter esse lado humilde’, afirmou Reinaldo.


Atualmente, Lombardi seguia fazendo as chamadas do ‘Programa Silvio Santos’ e da ‘Telesena’. Também apresentava o ‘Programa do Lombardi’, na Rádio ABC, de Santo André, e na Rádio Atlântica, de Santos, aos finais de semana.


A Folha falou com Lombardi há dois meses, após artistas da emissora serem convidados para ir para a Record. Ele disse que não tinha planos de sair do SBT. ‘Continuo lá, muito prestigiado. É a minha família. Realmente não penso em sair.’


Silvio Santos pensou em cancelar a gravação do programa ontem, mas, segundo a assessoria, ‘em homenagem ao Lombardi, que iria gravar hoje, e em respeito às 250 pessoas que o estavam aguardando’ no estúdio, mudou de ideia e entrou no palco mesmo tendo ficado abalado com a notícia.


Lombardi deixa um filho, Luiz Fernando, e três netos.’


 


 


Rodrigo Russo


Bruno de Luca mostra viagem aos EUA para estudar cinema


‘Depois de mostrar seus trabalhos como ator (ainda adolescente, participou por um longo tempo de ‘Malhação’, na TV Globo) e apresentador (no canal pago Multishow, faz o ‘Vai pra Onde?’), Bruno de Luca, 27, decidiu compartilhar a experiência de um curso de cinema em Los Angeles com o telespectador. A proposta surgiu do canal Multishow. ‘Ser cineasta é algo que desejo desde criança, então, eu faria esse curso de qualquer maneira, mesmo que precisasse me afastar um pouco do trabalho. Mas logo me sugeriram transformar essa experiência em um reality show, o que foi muito bom.’


O desafio, contudo, não foi tão simples. Para poder gravar o curso de cinema que faria, Bruno precisou ter a autorização não apenas do diretor da escola (a New York Film Academy) mas também de todos os 15 alunos e professores relacionados à sua turma.


Resolvida essa etapa, Bruno, dois tripés e três câmeras entraram em ação. Com estudantes de interpretação da escola sempre à disposição, cada aluno produzia em grupo quatro curtas-metragens -a experiência dele como diretor poderá ser conferida e avaliada pelo público. No filme que mais gostou de fazer, pôde usar como cenário um pedaço da cidade cenográfica usada pela Universal Studios.


O que o apresentador não esperava é que uma forte conjuntivite o atrapalhasse por três semanas. Para solucionar o problema -e também para tornar o registro mais divertido na TV-, Bruno procurou uma cartomante e chegou a dormir com batatas cruas nos olhos.


Um mês de gravações, com 330 horas de material, será transformado em quatro programas de 30 minutos, em um processo de edição comandado pelo próprio Bruno: ‘Apesar de quase surtar nessa fase, editar o próprio trabalho é melhor que terapia’, brinca ele.


Enquanto alimenta o sonho de voltar a Los Angeles para fazer carreira como diretor, Bruno se diz muito emocionado com o resultado do programa, que define como um misto de reality show e de introdução ao cinema para leigos. Se a mudança ocorrer, teremos mais um reality show?


QUERO SER UM CINEASTA


Quando: sábado, às 18h, no Multishow Classificação: livre’


 


 


CULTURA


Senado inclui ‘Playboy’ e gibis no Vale-Cultura


‘A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou ontem, de forma preliminar, a proposta do governo que institui o Vale-Cultura.


A ideia é dar um benefício de R$ 50 para que trabalhadores gastem em atividades ou produtos culturais. O empregador distribui o cartão e deduz o valor do Imposto de Renda.


A votação causou polêmica porque uma emenda, apresentada ontem, incluiu livros, jornais e revistas entre os produtos que podem ser comprados.


A matéria foi aprovada com a emenda, apesar do questionamento de senadores se revistas como a ‘Playboy’ e gibis estariam incluídos. Ela ainda pode ser alterada no plenário. Depois, volta à Câmara.’


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Quinta-feira, 3 de dezembro de 2009


 


LIBERDADE DE IMPRENSA


Moacir Assunção


‘Censura ataca normas constitucionais’


‘O presidente da Academia Paulista de Letras Jurídicas, Ruy Altenfelder, acredita que o Supremo Tribunal Federal (STF) dará, no julgamento da reclamação do Estado contra a censura, no dia 9, uma sinalização à sociedade e ao mundo jurídico de que não aceita mordaça de meios de comunicação. Na opinião dele, esse sinal coroará as últimas manifestações da corte, todas favoráveis à livre manifestação do pensamento.


‘A nossa expectativa, na condição de advogados e juristas, é que o Supremo diga em alto e bom tom que não pode mais haver censura no Brasil e que todas as normas constitucionais em prol da liberdade estão em vigor’, afirmou. Os advogados do jornal lembraram na reclamação – termo técnico do pedido de liminar – que a mordaça determinada pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF) atenta contra decisões recentes do STF em termos de liberdade de expressão e opinião.


Com relação à mordaça determinada pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF) em 31 de julho contra o Estado, a pedido do empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), Altenfelder não tem dúvidas em classificá-la como absolutamente contrária aos preceitos constitucionais.


‘Esse é um tema que sempre nos incomoda e nos deixa desconfortáveis, na condição de estudiosos do direito’, disse. A mordaça, segundo ele, ataca ao mesmo tempo a Constituição brasileira, uma das mais avançadas que o País já produziu, principalmente em suas cláusulas pétreas, e a Declaração Universal dos Direitos Humanos.


‘Somente na Constituição, a decisão do TJ-DF contraria três pontos fundamentais, dois do artigo 5º e um do artigo 220, que tratam, respectivamente, dos direitos fundamentais e da comunicação social,’ afirmou.


O inciso 9 do artigo 5º, relembra o especialista, define que ‘é livre a expressão intelectual do cidadão, independente de censura ou licença’, enquanto o 14 do mesmo artigo define que ‘é livre o acesso de todos à informação’.


COMUNICAÇÃO


O artigo 220, por sua vez, assegura que as informações destinadas ao público não sofrerão nenhum tipo de censura ou restrição. A Declaração dos Direitos Humanos também, de acordo com Altenfelder, tem seus princípios atingidos pela decisão do desembargador Dácio Vieira, do TJ-DF, após liminar de Fernando Sarney.


‘A Declaração, da qual o Brasil é um dos signatários e portanto está forçado a respeitar, lembra, em seus itens 18 e 19, que todo homem tem direito à liberdade de expressão e de opinião, sem sofrer coação’, afirmou.


A academia, de acordo com seu presidente, se manterá no que chamou de ‘vigília cívica’ à espera da decisão do STF. ‘Estão em jogo, o livre exercício da cidadania e a plenitude do sistema democrático’, definiu.


Liminar do Tribunal de Justiça do DF em ação movida por Fernando Sarney proíbe o jornal de publicar dados sobre a investigação da PF acerca de negócios do empresário, evitando assim que o ‘Estado’ divulgue reportagens já apuradas sobre o caso’


 


 


COMUNICAÇÕES


Gerusa Marques


Comissão aprova lei de TV paga


‘As empresas de telefonia estão mais próximas de poderem atuar livremente no mercado de distribuição de TV por assinatura, oferecendo pacotes de serviços, como telefonia, internet e televisão paga. Ontem, a Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara aprovou o texto base do Projeto de Lei 29/2007, que cria novas regras para toda a cadeia de programas audiovisuais, envolvendo a produção, a programação e a distribuição de conteúdo pago. Ficou para a próxima semana a votação de cinco pontos que foram destacados do texto.


A proposta, costurada pelo relator, deputado Paulo Henrique Lustosa (PMDB-CE), elimina as barreiras para a entrada das teles no segmento de TV paga, reivindicação antiga das concessionárias de telefonia. Por outro lado, atende os grandes grupos de televisão aberta do País, porque preserva o mercado de produção de conteúdo, já dominado pelas emissoras, como Globo, Record, Band e SBT. O substitutivo restringe a 30% a participação das teles na produção e a mesma limitação se aplica a empresas de capital estrangeiro.


A entrada de novas empresas no setor, segundo Lustosa vai possibilitar a ampliação da oferta dos serviços de TV paga, hoje limitada a 7 milhões de assinantes. ‘Como os novos entrantes trazem capital intensivo, houve uma preocupação nossa de preservar a radiodifusão e a produção nacional’, afirmou. Na prática, as operadoras já ocupam uma posição importante no setor. A Embratel participa do grupo de controle da Net e a Telefônica, da TVA.


O deputado Júlio Semeghini (PSDB-SP), que também participa das negociações, disse que o projeto vai viabilizar novos investimentos em banda larga, já que as empresas vão poder oferecer pacotes de diversos serviços, utilizando a mesma infraestrutura.


COTAS


O projeto estabelece ainda um sistema de cotas para incentivar a produção nacional, ponto que irá para votação em separado. Pelo substitutivo, os programas brasileiros deverão ocupar pelo menos três horas e meia da programação semanal veiculada no horário nobre dos chamados canais de ‘espaço qualificado’, como filmes, seriados, documentários e programas de auditório.


Metade dessa programação nacional deve ser feita por produtora independente, desvinculada de grandes grupos de comunicação. Também ficou estabelecido que no pacote oferecido ao cliente, a cada três canais de espaço qualificado, um canal deve ter programação majoritariamente nacional.


Alvo de diversas polêmicas, o projeto tramita na Câmara há quase três anos e já passou pelas comissões de Desenvolvimento Econômico e de Defesa do Consumidor. A proposta terá de passar ainda pela Comissão de Constituição e Justiça e possivelmente pelo plenário, antes de ir ao Senado.


A sessão de votação do projeto chegou a ser suspensa duas vezes ontem. Lustosa, Semeghini e o presidente da Comissão, Eduardo Gomes (PSDB-TO), passaram o dia negociando os destaques. A votação só foi viabilizada quando os deputados decidiram atender às demandas das emissoras de televisão – lideradas pela Globo -, que eram radicalmente contra a ampliação dos poderes da Agência Nacional do Cinema (Ancine), prevista no texto.


O texto que foi aprovado mantém a atribuição da Ancine de fiscalizar o setor, mas reduz a possibilidade de a agência elaborar, posteriormente, regras para regulamentar a lei. O relator também retirou de seu substitutivo a proposta de a Ancine fazer a classificação indicativa dos programas da televisão paga. Essa responsabilidade continuará sendo do Ministério da Justiça.


Dos 22 destaques apresentados, apenas cinco irão a votação. Os demais ou foram retirados ou foram incorporados ao texto pelo relator. O deputado Paulo Bornhausen (DEM-SC), autor do projeto original, apresentou dois destaques para suprimir o capítulo das cotas e os artigos que estendem a cobrança da Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional (Condecine) para as emissoras, inclusive as de TV aberta.’


 


 


INTERNET


Jane Wardell, Associated Press


Google cede às queixas dos jornais


‘O Google está permitindo que os editores de conteúdo pago limitem o número de artigos e notícias acessíveis de maneira gratuita pelos usuários de seu mecanismo de busca, uma concessão à cada vez mais descontente indústria da mídia. Houve uma intensificação nas críticas às práticas do Google por parte das empresas de mídia – principalmente na voz do presidente e diretor-executivo da News Corp., Rupert Murdoch – que se queixam do lucro que o Google obtém a partir das páginas de notícias disponíveis na rede.


Numa atualização de seu blog oficial publicada na terça- feira, Josh Cohen, gerente sênior de produtos do Google, disse que a empresa tinha lançado uma nova versão do seu programa First Click Free (primeiro clique grátis) para que os editores possam limitar o acesso gratuito dos usuários a apenas cinco artigos diários antes que seja exigida uma assinatura ou o registro do usuário.


Anteriormente, cada clique feito nestes sites por um usuário do sistema de buscas do Google era tratado como gratuito.


‘Para os usuários do Google, pode ser que seja exibida uma página solicitando a assinatura depois de terem sido acessados cinco ou mais artigos num mesmo dia no site de um editor que faça uso do First Click Free. Isto permite ao mesmo tempo que os editores se concentrem nos assinantes em potencial, aqueles que acessam seu conteúdo com regularidade’, escreveu Cohen em seu blog.


Na terça-feira, em conferência realizada em Washington, Murdoch disse que as empresas de mídia deveriam cobrar pelo acesso ao conteúdo que produzem e impedir que agregadores de notícias como o Google ‘ajam como parasitas dos esforços e investimentos alheios’.


COEXISTÊNCIA


Cohen destacou que as editoras e o Google podem coexistir, e apontou a possibilidade de as empresas cobrarem pelo acesso ao seu conteúdo mantendo simultaneamente a disponibilidade gratuita no Google por meio da versão atualizada do programa de cliques.


‘As duas alternativas não são mutuamente excludentes’, disse Cohen. ‘Afinal, seja para o conteúdo oferecido de forma gratuita ou para aquele disponibilizado mediante a cobrança de uma taxa, é fundamental que as pessoas sejam capazes de encontrá-lo. O Google pode ajudar nesse aspecto.’


Cohen disse que o Google começará a classificar, indexar e tratar como ‘gratuitas’ quaisquer páginas oferecidas como amostra grátis – normalmente a manchete e os primeiros parágrafos de uma matéria – pelas páginas de acesso pago. Dessa forma, os usuários teriam acesso ao mesmo conteúdo que seria exibido gratuitamente aos usuários de um determinado site de mídia, e as matérias de acesso ‘restrito a assinantes’ seriam exibidas no Google News.


‘A classificação destes artigos será submetida aos mesmos critérios das demais páginas no Google, sejam de acesso pago ou gratuito’, disse Cohen.’


 


 


Mercedes Bunz, The Guardian


Murdoch lança conceito de um futuro ‘pago’


‘Rupert Murdoch reiterou na terça-feira sua convicção de que os usuários da internet pagarão pelo conteúdo, e terão a maior satisfação em gastar ‘pela informação, porque precisam dela para ascender socialmente’. Murdoch, dono da News Corp., dirigiu-se à autoridade reguladora das comunicações nos Estados Unidos, que definiu a reprodução de notícias na internet como um ‘roubo’, e afirmou que os modelos de empresas baseados unicamente em anúncios morreram.


‘Desde o início, os jornais prosperaram por uma única razão: porque dão aos leitores as notícias que eles querem’, disse. Murdoch afirmou que os jornais não deveriam culpar a tecnologia por seu fracasso. ‘Se nós fracassamos, fracassamos como um restaurante que prepara refeições que ninguém quer comer.’


Os clientes de sua companhia são ‘suficientemente inteligentes’ para saber que têm de pagar pelas notícias, ele afirmou num debate da Comissão Federal do Comércio dos EUA (FTC) sobre o futuro do jornalismo na era da internet.


Referindo-se aos seus projetos muito criticados de permitir o acesso a seus sites de jornais mediante o pagamento de assinatura, Murdoch disse que seu sucesso data de bem antes, quando ninguém acreditava que ele seria bem-sucedido nessa empreitada. E acrescentou: ‘Começamos a Fox quando todo mundo dizia que era uma coisa impossível.’


O Wall Street Journal, que faz parte de seu grupo, já cobra pelo conteúdo na internet e tem um milhão de assinantes. ‘Não hesitaremos em gastar para aplicar este modelo a todas as nossas organizações de notícias, como o Times de Londres. No Times, há jornalistas que investiram dias e semanas em seus artigos, e nossos clientes são suficientemente inteligentes para saber que não poderão ter acesso a algo se não pagarem por ele.’


‘Produzir jornalismo é uma coisa cara. Investimos enormes quantidades de dinheiro em nosso projeto, da tecnologia aos salários. Reproduzir material jornalístico não é honesto. Para sermos pouco polidos, é roubo’, afirmou. ‘Sem nós, esses copiadores teriam na sua frente páginas em branco. Agora, os produtores de conteúdo arcam com todos os custos, enquanto os copiadores desfrutam do que já está pronto.’


Murdoch afirmou que cobrar do público o que lê é a única maneira de criar novos fluxos de receitas. ‘O modelo de empresa que se baseia apenas na publicidade morreu. A publicidade online aumenta a apenas uma fração do que se perde anunciando num veículo impresso, e está submetida a uma pressão constante’.’


 


 


TELEVISÃO


Keila Jimenez


Geladeira ao vivo


‘Eles querem neve, muita neve. A Record já está preparando dois estúdios de vidro, no gelo, de onde fará as principais transmissões da Olimpíada de Inverno de Vancouver, no Canadá, em janeiro. Dona dos direitos do evento, a rede terá um estúdio em Vancouver, de onde transmitirá parte dos principais jornais da casa como o Jornal da Record e o Fala Brasil e Esporte Fantástico.


Outro estúdio será montado na cidade de Whistler, onde ficam as montanhas geladas que sediarão algumas modalidades do jogos como o esqui alpino. A ideia da emissora é mostrar a neve atrás dos ancoras do evento, por isso o estúdio deve ser de vidro.


No time escalado para congelar por lá estão Ana Paula Padrão, Milena Ciribelli, Paulo Henrique Amorim, Maurício Torres, André Tal, Carlos Dornelles, Vinícius Dônola, Roberta Piza e o comentarista Oscar Schmidt.


São quase 80 profissionais da rede que trabalharão na transmissão, que deve tomar cerca de seis horas diárias da programação da Record.


Atrações como Hoje em Dia, Domingo Espetacular e Tudo É Possível também entrarão na cobertura.


Herói sonâmbulo


É assim que Jairo Mattos aparecerá em Tempos Modernos, próxima novela das 7 da Globo. Ele será Gaulês, dono de uma loja de histórias em quadrinhos e que se recusa a vender os seus quadrinhos antigos. Sonâmbulo, Gaulês, quando dorme, acredita ser um dos heróis de suas histórias em HQ.


Entrelinhas


Uma terceira temporada de Ó Paí, Ó já está em negociação na Globo para 2010. A série tem alcançado as melhores médias de audiência das noites de sexta-feira na rede.


Uma apresentadora de um jornalístico de domingo e um apresentador que anda desprestigiado na TV – colegas de emissora – estranharam-se nos bastidores na semana passada. Ela debochou do fato de ele estar em baixa na programação.


O SBT realizará no mês de janeiro o seu Festival de Verão. Gravado no Hotel Jequitimar, no Guarujá, o festival trará shows de bandas como NXZero e Exaltasamba, que serão exibidos na programação.


A Record atrasou – em um dia – o salário de seus funcionários. Botou a culpa no banco. Horas extras também estão sendo enxugadas na emissora.


Um aquecimento para o BBB 10 – com melhores momentos das outras edições do reality – será liberado entre os dias 3 e 12 para os assinantes da Net, Sky, Telefônica e Via Embratel. É um esquenta para a venda do pay-per-view do programa.


Boninho continua contrariando o manual de conduta da Globo e se meteu na briga da Record com o Ibope, anteontem, no Twitter. ‘Dizer que a audiência ruim é culpa do Ibope é igual falar que comida em restaurante é ruim porque a cadeira está quebrada’, escreveu ele.’


 


 


Alline Dauroiz, Cristina Padiglione, Gustavo Miller e Keila Jimenez


Cala-se uma das vozes mais famosas da TV


‘‘É com você, Lombardi?’: lá se vai um dos bordões mais clássicos da TV brasileira. Quem Silvio Santos passará a chamar, daqui em diante, para anunciar os resultados parciais da TeleSena? O patrão nem quer pensar nisso. Ontem, dia em que Luiz Lombardi Neto era normalmente aguardado para gravar com Senor Abravanel, como acontecia há mais de 40 anos, o dono do SBT cumpriu expediente sem chamar sequer os testemunhais das empresas do Grupo Silvio Santos, missão que cabia ao mais famoso e imitado locutor do País.


Lombardi se foi aos 69 anos, deixando um filho, Fernando Lombardi. A causa da morte permanecia desconhecida até o início da tarde de ontem. Segundo informações do SBT, sua mulher, Eni Lombardi, encontrou-o morto ao acordar. O enterro está previsto para as 10 horas de hoje, no Cemitério da Vila Pires, em Santo André.


‘Ele nem queria gravar’, contou ao Estado o assistente de palco de Silvio Santos, Roque, sobre o patrão. ‘A diretoria do grupo então ligou para o Silvio e falou que havia 250 pessoas esperando (no auditório), além dos artistas convidados, e ele, em consideração ao público, acabou gravando’, completou. Roque disse que, ao fim da gravação, Silvio falou a plateia: ‘Hoje não viria gravar porque é um dia muito triste pra mim, mas estou aqui e não quero passar essa tristeza pra vocês.’


‘Nosso coração está apertado. Ele não era só um colega, faz parte da nossa história, da nossa família’, diz a diretora Artística do SBT e filha de Silvio Santos, Daniela Beyruti. ‘Triste pensar em não escutar mais a voz dele, em não vê-lo andando por aqui.’


Lombardi acompanha Silvio Santos desde os idos em que o patrão locava horário na grade de programação da Globo, sempre aos domingos. ‘Desde o começo, o Silvio dizia ‘é com você, Lombardi?’, e percebeu que isso começou a despertar a curiosidade das pessoas para conhecer o rosto do Lombardi’, lembra Luciano Callegari, ex-vice-presidente de Operações e Programação do SBT, que naquela época era diretor de palco do Programa Silvio Santos. ‘Aí o Silvio dizia pra ele: se sair uma foto sua em algum jornal ou revista, você perde o emprego’. O segredo foi mantido por mais de 20 anos, até que um papparazzo o flagrou. Mesmo assim, são raras as imagens do locutor até hoje tornadas públicas.


Algumas delas estão no site, criada por um fã e colega de Lombardi. ‘Costumo dizer que fama e anonimato andam sempre juntos. Não tenho essa vaidade de aparecer. Sei que não sou nenhum galã’, dizia.


Lombardi estava no time dos mais fiéis súditos de Silvio Santos. Ia ao mesmo cabeleireiro do patrão, o lendário Jassa. Dos primeiros aos últimos dias desses 40 anos, nunca deixou de buscar o endosso de Silvio para tudo. ‘Chefe, como está a minha voz? Está boa, está boa?’, insistia.


Nascido no bairro do Bexiga, em São Paulo, o locutor morava havia anos em Santo André. Começou no rádio em 1966 e no mesmo ano foi parar na TV.


Repercussão


‘Era um cara sem maldade, não conheço alguém que não gostasse dele, era dessas pessoas que agradavam e alegravam o ambiente.’


LUCIANO CALLEGARI EX-DIRETOR DO SBT


‘O SBT não perdeu um locutor, mas um filho da casa, alguém com quem convivi por 40 anos. Cara alegre, educado, sempre botava as pessoas para cima. Não quero ir ao velório, não quero mais tristeza.’


ROQUE – ASSISTENTE DE PALCO DO PROGRAMA SILVIO SANTOS


‘Desde que me conheço por gente ele está na TV. É uma das vozes mais famosas do Brasil, uma das mais imitadas pelos humoristas. É estranho agora ver como ele era. Preferia quando ele era invisível.’


MARCO LUQUE HUMORISTA DO CQC (BAND)


‘Conheci o Lombardi em 1998, quando deu entrevista ao Pânico. E ele falava daquele jeito! Como não pensar na dor do Silvio Santos e de quem trabalhou com ele por 40 anos? Era a voz mais famosa da TV. Era um pássaro.’


WELLINGTON MUNIZ (CEARÁ)HUMORISTA DO PÂNICO


‘Era uma pessoa muito boa e educada. Sou são-paulino e ele era palmeirense. Até as piadas dele sobre isso eram educadas, para não magoar.’


CARLOS ALBERTO DE NÓBREGA APRESENTADOR DE A PRAÇA É NOSSA SBT)


‘Ele fez parte da infância de todo mundo, sua voz marcou gerações. Desde quando fazia A Semana do Presidente, na época do Figueiredo, até os resultados parciais da TeleSena. Era engraçado: ele dizia os números tão rápido, que não dava tempo de anotar!’


FELIPE XAVIER LOCUTOR E HUMORISTA DA RÁDIO JOVEM PAN’


 


 


 


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