Sexta-feira, 24 de Maio de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1038
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Comunique-se

15/08/2006 na edição 394

ELEIÇÕES 2006
Tiago Cordeiro

Eleições 2006: cobertura histórica na telinha, 11/08/06

‘De quatro em quatro anos, a imprensa mundial passa pelo mesmo ciclo de cobrir a Copa do Mundo. Assim como em outros países, a imprensa brasileira tem um desafio extra nestes anos: cobrir a eleição presidencial, de governadores, deputados e senadores. Em 2006, o mercado foi surpreendido por investimentos que tiraram a polarização da Rede Globo, historicamente dona da audiência. Na democracia nacional, a cobertura das eleições parece estar mais bem servida e quem ganha é o telespectador.

Apesar do incremento de qualidade, a cobertura das eleições ficou marcada não apenas pelos investimentos das emissoras. No início do mês, a Band surpreendeu ao publicar na Folha de S. Paulo e no Estado de S. Paulo o anúncio ‘Eles prometem. A Band cumpre.’ No texto publicitário, a emissora afirmava que a Globo teria se omitido de vários fatos políticos nas últimas décadas como o escândalo do Proconsult e a cobertura da campanha das Diretas Já.

‘Todas as informações factuais e objetivas ali listadas não correspondem à nossa trajetória, como poderá ser facilmente comprovado – em cada episódio mencionado – com farto material de arquivo nosso e de terceiros’, afirmou a Central Globo de Comunicação. Fernando Mitre, diretor nacional de jornalismo da Band, não quis comentar mais a respeito do caso. ‘Falo sobre a cobertura, dentro da credibilidade, da transparência e absoluta isenção ética’, revelou ele.

A Band promete mais um salto de qualidade em sua cobertura. ‘Vamos atrás dos problemas. A marca será a busca das soluções para o País’, conta Mitre. A emissora promete ainda uma cobertura aprofundada com a contratação de Franklin Martins, ex-comentarista político da TV Globo, e também isenção nas matérias.

Imparcialidade e isenção parecem ser o compromisso que todas as redes querem passar ao telespectador. A Rede Globo prometia ‘isenção, transparência e compromisso com a verdade’ em seu anúncio antes da polêmica. ‘O jornalismo da Rede TV! se destaca pela independência e idoneidade da informação, um formato diferenciado e opinião, sempre focado na sociedade’, afirmou José Emílio Ambrosio, superintendente de Jornalismo do canal.

A Rede TV! ainda não possui uma marca forte no jornalismo que dispute de igual para igual com suas concorrentes. Porém, para Ambrósio, o canal tem suas qualidades. ‘Competitivos somos, e muito. Em todos os momentos relevantes, o jornalismo tem prioridade na programação e estamos sempre presentes. A audiência é uma conseqüência. Lembro que é uma emissora de apenas seis anos, que tem a consciência da importância de um jornalismo forte e corajoso nesse momento que o País atravessa’.

Apesar de todas as emissoras assumirem esse compromisso com a idoneidade, as ambigüidades na imparcialidade jornalística (pesquisadores e veteranos da profissão lembram que o jornalismo é feito por seres humanos, logo jamais poderia ser plenamente imparcial) e as dificuldades numa cobertura política aumentam os riscos. A situação piora quando o eleitor se concentra na disputa do executivo e esquece as eleições para o poder Legislativo. Uma porcentagem imensa de eleitores não se recorda de quem votou para senador e deputado estadual e federal nas eleições de 2002.

Por mais que cada emissora tente fugir da parcialidade, como é possível ampliar o espaço para candidatos e melhorar a consciência do cidadão sobre os numerosos candidatos ao Legislativo?

‘A vocação da TV Cultura é aprofundar aquilo que a TV comercial não pode. Como a cobertura das outras emissoras está muito voltada para o executivo, optamos por uma programação em que ficasse mais visível a idéia dos candidatos a senador e deputado’, afirma Dácio Nitrini, coordenador da cobertura das eleições na TV Cultura.

A emissora pretende convidar representantes dos partidos para discutir vários assuntos. ‘O eleitor vai conhecer qual a posição do partido em relação a uma série de questões importantes para o Brasil’, afirma Nitrini. A TV Cultura também terá a cobertura normal em telejornais.

Cobrir essa eleição passa não apenas pela dificuldade em informar o eleitor melhor do que nos pleitos anteriores. O Brasil é o maior país da América Latina com uma população não apenas imensa, mas também diversa. Como conseguir uma cobertura objetiva que fale para um país tão diferente em seus estados?

A Rede Record produzirá uma série de reportagens especiais percorrendo o Brasil que demonstrarão os principais problemas brasileiros. A apresentadora Adriana Araújo abordará má distribuição de renda, segurança, saúde, educação, moradia e emprego. ‘Faremos uma profunda radiografia desses temas, discutiremos os anseios dos brasileiros e apresentaremos as perspectivas dos especialistas. Além dessa série, faremos reportagens especiais sobre o voto do brasileiro e os desafios que os novos governos precisam superar’, explica a assessoria de imprensa da rede.

A Rede Globo propôs uma cobertura bem diferente das anteriores. Os âncoras saíram dos estúdios, as entrevistas com os candidatos tornaram-se mais incisivas e a série de reportagens ‘desejos do Brasil’ é o grande destaque. Com o Motorhome para circular em todas as regiões do Brasil, a emissora se propõe a entender o eleitorado e, quem sabe, descobrir o que é melhor para o País.

‘A preocupação do Jornal Nacional, ao longo dos anos, desde a estréia, como o nome já diz, é estar presente em todo o País, seja fisicamente, como agora, com as ancoragens nas cinco regiões, como permanentemente, com jornalistas espalhados por todo o Brasil. É a nossa missão’, explica a emissora.

A cobertura, entretanto, foi criticada por vários especialistas como cobertura-espetáculo e não jornalística por vários segmentos. ‘A Globo assumiu o lado espetacular da eleição’, afirmou o professor Marcus Figueiredo, do Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro (Iuperj), em entrevista à revista Carta Capital sobre a cobertura global. A emissora esquiva-se dessa impressão. ‘Sinceramente, não tomamos conhecimento dessas críticas. Se houve críticas assim, discordamos delas’.

Alguns profissionais comentaram que as mudanças na cobertura política e esportiva (que levou o maior número de profissionais da imprensa da história da imprensa nacional) da Globo começaram pelos investimentos que as concorrentes fizeram em jornalismo. ‘A tradição na Globo é sempre se esforçar para que uma cobertura seja melhor do que a outra’, afirmou a emissora. De qualquer forma, nunca uma eleição foi marcada por uma cobertura tão forte.

O SBT de Ana Paula Padrão, historicamente pouco atento ao telejornalismo, conseguiu o furo da primeira entrevista com o presidente Lula como candidato. Luiz Gonzaga Mineiro, diretor de redação, ressalta que no ano passado a SBT não tinha telejornalismo e agora já briga pela audiência com as concorrentes.

‘Vamos ancorar o jornal de cinco pontos do Brasil, vamos fazer um debate (marcado para o dia 25/09), faremos uma redação específica para as eleições. É um outro momento e essa cobertura já nos projeta para a cobertura do Pan 2007’, declarou Mineiro. Apesar disso, seis jornalistas foram demitidos sob o argumento de que a emissora precisaria retirar algum programa de sua grade por causa das eleições.

Outubro vem aí e até lá as emissoras continuarão brigando por cada telespectador. Alfinetadas não se resumem à briga entre Band e Globo. ‘Somos uma emissora independente, não temos nenhum laço histórico com nenhum lado político. O grande diferencial é você ter isenção como ninguém. O Crivella é candidato no Rio?’, destacou o diretor de redação do SBT.

Na próxima semana, a cobertura eleitoral da mídia impressa estará em foco na série de reportagens que o Comunique-se está produzindo.’

Milton Coelho da Graça

Constituinte exclusiva não morreu, 8/08/06

‘O presidente Lula tem sido contestado em muitas iniciativas, apontadas como ‘eleitoreiras’. Mas a sugestão de convocação de uma Assembléia Constituinte exclusiva, apoiada em documento elaborado por dez respeitados juristas, é um passo positivo para conter a crise (que só tende a se agravar), causada pela corrupção nos três poderes da República e já espraiada por estados e municípios.

Nossa Constituição de 88 teve a cara do presidente José Sarney: resultou de amplo compromisso nacional em torno das liberdades democráticas, suprimidas pela ditadura militar durante 20 anos. Enormes iniqüidades

foram cometidas em nome desse compromisso, desde o aproveitamento dos censores – escolhidos entre a ralé da ralé – como delegados e agentes da Polícia Federal até uma anistia que igualou em benevolência torturadores e torturados. É só comparar o que ocorreu aqui com a firme disposição de Argentina, Uruguai e Chile para ‘limpar’ Forças Armadas e polícias.

A palavra ‘igualou’ está mal usada. Os torturadores foram todos aceitos imediatamente pelo renovado Estado brasileiro, enquanto, até hoje, milhares de perseguidos pela ditadura ainda amargam na ‘fila’ da Comissão de Anistia criada no início do atual governo.

Mas o tema desta coluna não é injustiça. É a necessidade de uma limpeza em regra na estrutura do Estado brasileiro, impossível de ser feita por políticos, cujo catecismo básico tem a preservação de seus próprios privilégios como objetivo número 1. Um pequeno exemplo: a maior bancada no Congresso é a dos funcionários públicos concursados, que têm a enorme vantagem de fazerem campanha com direito a licença remunerada. Como conciliar esse privilégio com o princípio da igualdade de todos os cidadãos perante a Lei? E quem acredita que esse privilégio seja revogado por funcionários-políticos?

O Conselho Federal da OAB veio para a batalha da opinião pública, condenando a sugestão do presidente Lula, mesmo amparada por quatro ex-presidentes da entidade e não estranhamente juristas que mais têm se empenhado na causa do aperfeiçoamento da democracia: Seabra Fagundes, Reginaldo Oscar de Carvalho, Hermann Baeta e Marcelo Lavenère Machado.

O Conselho Federal da OAB, ao contrário, é uma instituição claramente corporativista e conservadora, avessa a mudanças, tendo em sua lista de pecados o fato de nunca ter apresentado propostas ao Congresso para simplificar nossa estrutura legal – tanto substantiva como processual: a Constituição de 88 tem 250 artigos mais 94 disposições transitórias; a americana tem sete artigos e 27 emendas. Além disso, chega a mais de 100 mil o número de leis, decretos e regulamentos no Brasil. Um prato suculento para os nossos 600 mil advogados (no Japão são 60 mil).

O Conselho Federal parecia ter esfriado o debate, mas muitas novas vozes apareceram. E recomendo a leitura do artigo de Ives Gandra Martins, publicado pela Folha em 4/8, sexta-feira, pág. 3.

Martins, além de constitucionalista, provávelmente o mais respeitado tributarista do Brasil, vai além da idéia que Lula encampou – a Constituinte exclusiva. Defende também que ela seja composta por pessoas não-participantes da eleição mais recente e comprometidas a não participar de outras nos quatro anos seguintes à promulgação da nova Carta Magna. E mais: defende o fim das ‘cláusulas pétreas’ que ele aponta, com toda a razão, como tentativa de uma geração tentar impor às seguintes as suas idéias.

Na verdade, com ‘cláusulas pétreas’ ou respeito absoluto ao direito adquirido ainda teríamos a escravatura. E não podemos esquecer que a Federação, que se tornou ‘pétrea’, foi instrumento da aliança entre militares republicanos e grandes proprietários, magoados com a família imperial pela Lei Áurea e interessados em se fortalecer com o controle do poder local.

O artigo de Ives marca o recrudescimento da idéia da Constituinte exclusiva, benzida pela maioria do povo – antes, através de um plebiscito ou, depois, por um referendo. Lula calou sobre o tema mas ainda não perdeu. Sua proposta ainda vai dar muita discussão.

(*) Milton Coelho da Graça, 75, jornalista desde 1959. Foi editor-chefe de O Globo e outros jornais (inclusive os clandestinos Notícias Censuradas e Resistência), das revistas Realidade, IstoÉ, 4 Rodas, Placar, Intervalo e deste Comunique-se.’



JORNAL DA IMPRENÇA
Moacir Japiassu

Presunto e bacalhau, 10/08/06

‘A memória da ponte me alimenta

O horizonte embala o contrabando

O Cruzeiro aponta a lua cheia

(Nei Duclós in Partimos de Manhã)

Presunto e bacalhau

O considerado Porfírio Castro, vice-diretor de nossa sucursal no Planalto, que dorme de olho aberto e as orelhas em pé, escreveu:

Aqui em Brasília tem um hebdomadário chamado Na Polícia e nas Ruas, concorrente direto da Sadia e da Perdigão, ou seja, tem presunto em todas as páginas. Sabe aqueles jornais dos quais se dizia que ‘espreme e sai sangue’? Pois é. Uma coisa…

Pena não ter edição na Internet para o considerado ver as barbaridades que se cometem em nome do jornalismo. Pois o dito jornal tem os seguintes avisos na primeira página:

DESACONSELHÁVEL A MENORES DE 18 ANOS e ESTE JORNAL CONTÉM IMAGENS FORTES.

Creio tratar-se do primeiro periódico deste tipo, pois não?

Janistraquis pesquisou até no Serviço de Saneamento de várias cidades brasileiras, ó Porfírio, e chegou à seguinte conclusão:

‘Para atingir o, digamos, ápice, só falta ao hebdomadário feder a bacalhau e informar que não contém glúten’

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Esquisito

A considerada Latifa Abner, do Rio de Janeiro, passava os olhos na capa da Folha Online quando deparou com esta chamadinha deveras chamativa:

Enchentes deixam mais de 540 mortos na Coréia do Norte.

Abaixo, o ‘olhinho’ piscava:

Pelo menos 549 pessoas morreram e outras 3.043 ficaram feridas após inundações no país.

Latifa, que é estudante de jornalismo, achou que tal conjunto não constitui boa lição:

Ora, se eles já sabiam que os mortos eram 549, por que o título se referiu a ‘pelo menos 540 pessoas’?

Denso mistério, Latifa; denso mistério…

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Fracionou, dançou

O considerado Mário Lúcio Marinho recebeu e repassou à coluna:

Vem aí o fracionamento dos remédios em gotas….

Veja o que disse nosso Presidente:

‘Às vezes, um médico receita para a pessoa tomar 10 comprimidos, mas o cidadão tomou três e melhorou, ele pode tomar o quarto ou quinto, normalmente ele pára de tomar. E vai juntando comprimido, vai juntando colírio, vai juntando remédio para pingar no nariz, aí, você acorda de noite com uma dor de cabeça, com uma enxaqueca, com uma coisa qualquer, você vai procurando o primeiro que você encontra. Tem ‘nego’ que coloca remédio no nariz que era para colocar nos olhos, tem ‘nego’ que coloca nos olhos o que era para colocar no nariz.’

(Lula, na cerimônia de implementação do Programa de Medicamentos Fracionados.)

Janistraquis aplaudiu a oratória presidencial, porém só ficou interessado nesta dúvida que acompanhava a nota: como age o ‘nego’ quando sobra supositório no armário do banheiro?

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Que coisa…

Sem dar uma linha sequer sobre o salto com vara, a imprensa noticiou, sob o título Olimpíada Gay acaba hoje no Canadá:

Como acontece nos Jogos Olímpicos, a maratona será a última competição do evento, em Montréal (CAN). Os brasileiros conquistaram medalhas de ouro, prata e bronze no remo e prata no vôlei.

Meu secretário arregalou os olhos:

‘Considerado, sabe lá o que é uma ‘maratona gay’?!?!?! Deve ser uma coooooooiiiiisaaaaa…’

E viva o Brasil!!!

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Nei Duclós

Abriga-se no Blogstraquis a íntegra do poema epigrafado, que se intitula Há Tempos.

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Verdadeira antologia

O considerado José Manuel Pinheiro Mendes, de Belo Horizonte, envia trechos recolhidos num blog cujo titular, Helder Matias, puxa (injustamente) as orelhas do colunista. Segundo o blogueiro, este humilíssimo torcedor do Vasco errou ao apontar as As 50 melhores pérolas de Galvão Bueno como verdadeiras:

(…) Sr. Moacir, tu não tem provas, logo tu não podes considerá-las como ‘verdades antológicas’, respeito aos colegas de profissão antes de tudo. Podia ter falado que eram dados engraçados, marcação do telespectador, brincadeira com o Galvão, menos considerá-las como verdades logo de cara, por mais engraçado que seja o tema.

Informo ao considerado Helder que utilizei a expressão ‘verdadeira antologia’ em referência ao grande número de pérolas, nada mais. ‘Verdadeira antologia’ não é ‘antologia verdadeira’. Ou o amigo não conhece expressões como ‘verdadeiro dilúvio’, quando chove muito nalgum lugar?

(Leia no Blogstraquis a íntegra da verdadeira malhação que Helder aplicou no colunista.)

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Sentença em versos

O considerado José Truda Júnior, profissional de muitos talentos e homem de reconhecido bom gosto, recebeu de sua filha advogada, Isabelle Truda, uma sentença em versos proferida pelo Juiz de Direito, Dr. Ronaldo Tovani. A coluna convida o leitor a visitar o Blogstraquis para conhecer a obra-prima de 1987, na qual as palavras jurídicas soam poeticamente sem descaracterizar o conteúdo da sentença.

Janistraquis adorou, porque já está cansado da burrice, incompetência e desonestidade que assolam o nosso apedeuto e combalido Judiciário.

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Emprego à vista!

Deu no Portal da Comunicação:

Editora Segmento abre vagas de trabalho

A Editora Segmento está procurando diagramadores, diretores de arte e revisores, com experiência na área de revistas, para trabalhar em suas publicações. Os currículos devem ser enviados, no corpo do e-mail, para vagas@allnet.com.br. Importante: anexos não serão visualizados.

A Segmento é comandada por Edimilson Cardial, jornalista e empresário que comanda sua editora com competência e honestidade. Acorram, profissionais!

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Idades e idades

Depois de ler na Folha de S. Paulo matéria intitulada Universo pode ser 2 bilhões de anos mais antigo, diz estudo, Janistraquis pensou, pensou e concluiu:

‘Ora, considerado, se descobriram até que o Universo é dois bilhões de anos mais antigo do que a gente imaginava, seria de todo improvável que a Glória Maria mantivesse em segredo os seus 56 anos de idade!’

É verdade, mas a revelação traz pelo menos um consolo à repórter e apresentadora do Fantástico: ela está conservadíssima!

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Curso primário

O considerado Roldão Simas Filho, diretor de nossa sucursal no Planalto, de onde se pode escutar a festança presidencial que comemora os números da última pesquisa de intenção de voto, pois Roldão lia o Correio Braziliense, como de costume, quando se deteve no tópico intitulado Dama da viola, na seção de TV do jornal:

Dirigido por Dainara Toffoli e produzido por Mônica Schimidt, o filme (Dona Helena) foi gravado entre 2002 e 2004, na casa dela, em Presidente Epitácio, cidade paulista na fronteira com o Mato Grosso do Sul.

Roldão, que conseguiu recuperar aquela paciência dos melhores anos de sua vida, ensina mais uma vez:

A fronteira fica entre países. Divisa entre estados. Limite entre municípios.

Janistraquis, que já ultrapassou os limites, divisas e fronteiras da intolerância, desabafa:

‘Pelo amor de Deus! Pelas cinco chagas! Por tudo quanto é sagrado, decorem esta lição que todos aprendemos no curso primário!!!!’

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Sardenberg

Janistraquis e eu louvamos o Jornal da Globo pela estréia, nesta terça-feira, de Carlos Alberto Sardenberg como comentarista de Economia. O sempre competente jornalista foi nosso companheiro naquela inesquecível Istoé dos anos 70, comandada por Mino Carta, e meu secretário ficou surpreso ao rever o velho amigo:

‘Considerado, Sardenberg está muito mais jovem do que nos tempos da Istoé e ficou até bonito!!!’

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Nota dez

O considerado Elio Gaspari escreveu em sua coluna de O Globo:

Percival Farquhar (1864-1953) foi o maior empresário de serviços públicos de Pindorama. Em cacife de hoje, seria grande acionista das maiores empresas geradoras e distribuidoras de energia, das telefônicas e dos metrôs do Rio e de São Paulo. Mais os portos do Rio e do Pará, a Vale do Rio Doce e a Acesita. Foi dono do Amapá, mas o devolveu.

Leia no Blogstraquis a íntegra deste excelente e revelador artigo sobre Farquhar, autor desta frase tão antiga quanto atualíssima:

Os brasileiros, assim como todos os povos tropicais, consideravam natural roubar a nação, ignorar seu bem-estar e arruinar suas florestas e seu solo.

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Errei, sim!

‘GREVE ARRETADA – Janistraquis se chegou com um recorte do Jornal da Cidade, de Bauru, indiscutível metrópole do interior de SP: ‘Considerado, os professores paulistas ficaram de braços cruzados por uns setenta dias e acham que são os tais’, desdenhou; ‘eles têm muito o que aprender com os bancários de Bauru’. E para nosso estupor, leu a manchete do Jornal da Cidade: Bancários protestam e devem parar a CEF durante 24 anos. ‘Isto sim, é uma greve de se tirar o chapéu’, festejou; ‘o cara faz a paralisação agora e só volta aposentado!!!’ (dezembro de 1993)

Colaborem com a coluna, que é atualizada às quintas-feiras: Caixa Postal 067 – CEP 12530-970, Cunha (SP) ou moacir.japiassu@bol.com.br).

(*) Paraibano, 64 anos de idade e 44 de profissão, é jornalista, escritor e torcedor do Vasco. Trabalhou no Correio de Minas, Última Hora, Jornal do Brasil, Pais&Filhos, Jornal da Tarde, Istoé, Veja, Placar, Elle. E foi editor-chefe do Fantástico. Criou os prêmios Líbero Badaró e Claudio Abramo. Também escreveu oito livros, dos quais três romances.’



WEBJORNALISMO
Mario Lima Cavalcanti

Pequenos notáveis e navegáveis, 8/08/06

‘Certa vez falei aqui na coluna – creio que há cerca de dois ou três anos – sobre o crescimento do setor de conteúdo móvel para breve. Agora, em 2006, muita coisa já se tornou realidade e outra porção contribui para isso. Telefones celulares e smartphones (celular com funções de palmtop e vice e versa), por exemplo, tendem a absorver cada vez mais recursos e tecnologias como VoIP (Voz sobre Protocolo de Internet), fotos e vídeos digitais, e-mail, SMS (torpedo), MMS (torpedo multimídia) e navegação na Internet. Este último, aliás, tem sido curiosamente abraçado por videogames portáteis como o Nintendo DS e o Playstation Portable. E jornais online já começam a explorar o sucesso desses aparelhos.

Quem acompanha o mundo dos videogames sabe que a atual batalha pela supremacia é travada entre Nintendo, Microsoft e Sony – com seus respectivos consoles GameCube, X-Box e PlayStation (vulgo PS) – e sabe que essa batalha se estende também para o mundo móvel, com a ausência somente da Microsoft, mas que já declarou que pensa em produzir uma versão portátil do X-Box. Com a explosão da Internet sem fio em alta velocidade – por meio de protocolos como Wi-Fi e WiMax -, os portáteis de entretenimento – que não tem o acesso a Internet como função primária -, já possuem navegadores/browsers e apostam na alternativa para uma navegação móvel.

Nintendo DS

O mais recente filhote móvel da Nintendo, uma espécie de sucessor do Game Boy. O DS no nome significa Dual Screen, algo como ‘Tela Dupla’. E é exatamente assim que ele é. Um portátil que você abre e ele te exibe duas telas, uma em cima e outra embaixo. Com tela de toque (touch screen), stylus (aquela mesma caneta utilizada em palmtops para tocar a tela) e suporte ao protocolo Wi-Fi, permite a navegação se o usuário tiver conexão banda larga em casa e o cartucho do Nintendo DS Browser (fruto de uma parceria entre a Nintendo e a Opera, que vem apostando muito em navegadores móveis). Tendo isso, basta inserir o cartucho no dispositivo e navegar. Uma das funções que mais gostei foi a de zoom: enquanto o usuário navega pela tela de baixo, a de cima dá um close na área do site que a caneta está tocando.

Talvez esse artigo não tivesse tanta graça se não fosse ilustrado por vídeos de exemplo postados no YouTube. Logo, veja aqui vários vídeos de exemplo de navegação pela Internet através de um Nintendo DS.

PlayStation Portable

Vulgo PSP, o portátil da família PlayStation não fica para trás em termos de navegação. Talvez até fique na frente. Mais que um videogame portátil, ele permite reproduzir arquivos de áudio e vídeo e assistir DVD. Também traz suporte a Wi-Fi e parece ganhar em termos de conforto na navegação pela tela horizontal de 480×320 pixels (maior que a de muitos visores de PDAs).

No YouTube também foi postado um vídeo exemplificando o acesso Web através de um PSP. O vídeo em questão mostra um PSP acessando o Yahoo! japonês.

Jornais online aproveitam

A robustez do PSP é tão grande que fez com que alguns jornais online criassem edições exclusivamente para o aparelho. O jornal norueguês Dagbladet foi pioneiro nisso, lançando em setembro do ano passado a sua versão móvel para PSP. Em junho deste ano foi a vez do diário El País, da Espanha, lançar uma versão para o dispositivo. O Otaku News, de notícias sobre entretenimento e variedades, também criou a sua edição PSP.

A popularização da banda larga sem fio somada a padrões multimídia e demais recursos fazem que qualquer dispositivo móvel hoje em dia tenha múltiplas funções. O aparelho que permitir acesso à Internet e tiver muita procura já pode ser considerado um prato cheio para diários online.

(*) Trabalha com conteúdo online desde 1996 e já passou por empresas de renome na Internet. Foi editor do AQUI!, extinta revista virtual do Cadê?, editor do canal Digital do portal StarMedia e coordenador de operações do Prêmio iBest. Realizou seminários e ministrou diversas palestras sobre jornalismo digital. Em fevereiro de 2000, criou o site Jornalistas da Web (JW), primeira publicação virtual brasileira sobre jornalismo online e cibercultura. Em 2005, criou e implantou a Biblioteca de Comunicação Digital e Cibercultura (BCCD) no campus 3 das Faculdades Integradas Hélio Alonso – FACHA, no Rio de Janeiro. Atualmente, Cavalcanti é pesquisador de mídias digitais e editor de conteúdo do JW.’



JORNALISMO ESPORTIVO
Marcelo Russio

Currais de imprensa, 10/08/06

‘Olá, amigos. Quem cobre clubes de futebol sabe que, em alguns estádios, trabalhar é um suplício. As salas de imprensa de determinados estádios do País dão nos nervos de profissionais que chegam com laptops e rádios para transmitirem suas matérias. A falta de uma estrutura moderna que viabilize a utilização de equipamentos mais sofisticados que o velho e saudoso telex atrasa, e muitas vezes prejudica fortemente o trabalho dos repórteres.

Quase nenhum estádio possui acesso a aparelhos com conexão wireless. A recepção de sinais de rádio às vezes inviabiliza a escuta das transmissões das emissoras locais e não há tomadas suficientes para todos os laptops, que devem ser divididas pelos colegas de diferentes jornais e sites. Como se não bastasse, alguns estádios têm suas salas de imprensa atrás da torcida, que, ao comemorar um gol ou levantar para acompanhar um lance, tira a visão dos profissionais que precisam acompanhar a partida.

Poucos estádios oferecem estrutura confiável e confortável para que repórteres façam suas crônicas da tribuna de imprensa. E, na área de saída dos vestiários, o empurra-empurra é imenso, e todos acabam tendo seu trabalho prejudicado. A única preocupação dos clubes é colocar seus painéis com os logotipos dos patrocinadores atrás da área de entrevistas.

Mas a organização e a divisão das declarações a veículos diferentes não existe. Em parte, isso é culpa dos assessores de imprensa, que em boa parte parecem assessores dos clubes, e não dos jornalistas que acompanham o dia-a-dia dos clubes. Mas, verdade seja dita, grande parte dos estádios não foram modernizados desde a sua construção, quando as rádios dominavam o espaço e a imprensa escrita tinha tempo para fechar suas matérias.

Hoje, com sites e outros veículos que precisam de rapidez e agilidade, além do constante achatamento dos horários de fechamento dos jornais, os jornalistas precisam de uma área de entrevistas mais racional, priorizando emissoras de TV que transmitem ao vivo as partidas, sites e rádios.

Além disso, qual seria a razão de os clubes de futebol não incluírem nos contratos dos atletas a obrigação de falar com a imprensa em dias determinados, com organização? Qual a razão de os atletas se recusarem a falar com a imprensa por semanas e até meses? Será que o clube não vê que a sua imagem fica menos exposta, que o espaço nos jornais é reduzido e que futuros patrocinadores acabam se afastando por conta dessa e de outras atitudes totalmente amadoras?

E ainda querem fazer uma Copa do Mundo no Brasil. Até torço para que isso aconteça, pois, se sediarmos um evento deste porte, ou faremos a maior vergonha da história do Mundial, ou finalmente teremos uma revolução na cobertura do futebol nacional.

(*) Jornalista esportivo, trabalha com internet desde 1995, quando participou da fundação de alguns dos primeiros sites esportivos do Brasil, criando a cobertura ao vivo online de jogos de futebol. Foi fundador e chegou a editor-chefe do Lancenet e editor-assistente de esportes da Globo.com.’



A TRAJETÓRIA DE OCTAVIO FRIAS…
Eduardo Ribeiro

Em causa própria, 9/08/06

‘Vou me permitir neste espaço, esta semana, escrever sobre um projeto ao qual dediquei grande parte do meu tempo e de minha energia nesses últimos sete ou oito meses: a coordenação editorial do livro ‘A Trajetória de Octavio Frias de Oliveira’, de autoria do jornalista e escritor Engel Paschoal, com um perfil biográfico do publisher da Folha de S.Paulo.

Nesta 4ª.feira (9/8), num almoço na sede do Grupo Folha, nós, da Mega Brasil, mais o autor Engel Paschoal, teremos a oportunidade de fazer chegar às mãos do sr. Frias, como todos o chamam, o exemplar nº 1 do livro, numa entrega simbólica, que se antecipará ao lançamento que está marcado para a próxima 2ª.feira (14/8), no Instituto Tomie Ohtake, no bairro de Pinheiros, em São Paulo, a partir das 18h30. Será, não tenho a menor sombra de dúvida, um momento especial, emocionante mesmo, porque não é todo o dia que se pode estar ao lado de alguém com uma história como a de Frias e muito menos entregar uma obra histórica, escrita com esmero, profissionalismo e total liberdade sobre personagem tão rica e ao mesmo tempo tão reservada.

Engel e eu começamos a discutir a possibilidade de fazer esse trabalho em agosto ou setembro do ano passado, já não me lembro direito, logo após termos entregue o Prêmio Personalidade da Comunicação ao Roberto Civita, da Editora Abril. Engel procurou a mim e ao Marco Antonio Rossi, meu sócio na Mega Brasil, para sugerir que junto com o prêmio estudássemos a possibilidade de escrever um livro com um perfil biográfico do homenageado, tornando o evento ainda mais grandioso e importante.

Desafio aceito, fomos muito bem acolhidos pela Telefônica, que viu méritos no projeto e acatou as nossas ponderações de que uma obra dessa natureza teria importância histórica sobretudo por jogar luzes sobre personagens que, em que pese serem da mídia, deles pouco ou quase nada se sabia.

Quando o Conselho Curador do 9º Congresso Brasileiro de Jornalismo Empresarial, Assessoria de Imprensa e Relações Públicas indicou o nome do publisher da Folha de S.Paulo para ser o homenageado de 2006, passamos a ter em mãos, sobretudo o Engel Paschoal, um grande desafio: escrever um livro com cerca de 250 páginas, sobre um homem – como viríamos a saber – avesso a homenagens.

Esse foi o nosso primeiro golpe de sorte. Segundo revelou ao receber o Prêmio das mãos do governador de São Paulo, Cláudio Lembo, em maio passado, ele só aceitou essa homenagem por insistência dos filhos. O mesmo, obviamente, em relação ao livro que, então, já estávamos preparando.

O segundo golpe de sorte foi ter encontrado total receptividade da em geral muito reservada família Frias de Oliveira. Nas figuras dos filhos Otavio e Luís, encontramos todo o apoio para fazer uma obra de qualidade, com pleno acesso aos arquivos pessoais e profissionais da família e também aos próprios familiares, amigos e colaboradores que, em múltiplas sessões, nos foram revelando fatos e passagens as mais diversas sobre a vida e a importância de Octavio Frias de Oliveira para a Folha, para o jornalismo brasileiro e para o próprio País.

E o terceiro e decisivo fator a nosso favor foi ter tido a oportunidade de obter o depoimento de várias pessoas do convívio familiar e também de inúmeras personalidades do mundo político, empresarial e jornalístico. Era mencionar o nome do Frias e a idéia do livro, para todas as portas se abrirem, quase que por encanto.

Numa das conversas com Otavio, filho, em determinado momento, para nossa surpresa, ele disse: ‘Vocês têm total liberdade para fazer este livro e quero deixar muito claro que para nossa família e para o próprio Sr. Frias não há assunto tabu ou proibido. Podem falar, pesquisar, perguntar sobre tudo o que considerarem relevante, independentemente de serem ou não assuntos delicados para nós’. Assim foi feito.

Pensávamos, inicialmente, em umas 15, no máximo 20 fotos. O acervo ao qual tivemos acesso era tão rico que esse número triplicou, batendo em quase 60 imagens, incluindo fotografias da infância, juventude e uma plêiade de personalidades que com ele conviveram ao longo de todas essas décadas.

Tivemos um encontro de quase uma hora com o próprio Frias, no começo do ano, algumas semanas após ele ter fraturado o fêmur, situação delicada para qualquer pessoa, quanto mais para um senhor, como ele, com 93 anos de idade. Mas ele nos atendeu com a cordialidade e o bom humor típicos que o têm acompanhado por toda a vida, como pudemos comprovar ao longo desse prazeroso trabalho.

E se a conversa com ele não pode ser mais longa, até por razões efetivamente físicas, em compensação tivemos acesso a um material riquíssimo e inédito, que foi um depoimento de várias horas que ele deu, em 1989, ao longo de dois finais de semana, ao filho, Otavio Frias, e aos jornalistas Boris Casoy, Leão Serva e Clóvis Rossi.

O livro teria 250 páginas, mas acabou com 332. Sairia com uma tiragem de 3.000 exemplares, mas rodamos 4.000 para poder suprir todas as livrarias do Brasil. Nele, Engel Paschoal conta, em narrativa paralela que se vai encaixando página a página, a história de Octavio Frias de Oliveira, da Folha de S.Paulo e do próprio Brasil, a partir de acontecimentos que provocaram desdobramentos em ambos.

São inúmeras as curiosidades reveladas pela obra, como, por exemplo, a de que a Folha nasceu praticamente dentro de O Estado de S.Paulo, inclusive com o apoio deste, lá no começo do século passado. Mal podiam imaginar os Mesquita de então, que um senhor atrevido, com pouca familiaridade com o jornalismo, fosse, três ou quatro décadas depois, aos 50 anos de idade, comprar com um sócio (Carlos Caldeira Filho) aquele pasquim de quase nenhuma importância, e que o transformaria no maior e mais influente jornal do País, num típico fenômeno de criatura que supera o criador.

Preciosa também é a história sobre a compra do jornal, numa sexta-feira, 13 de agosto, com um cheque sem fundos. Detalhe que, no entanto, não caracterizava uma contravenção, pois Frias fez o pagamento, pediu para o José Nabantino Ramos, que era o proprietário, segurar o cheque até segunda, e tratou de conseguir recursos para cobrir o saldo.

Antes da Folha, Frias foi um dos precursores do mercado imobiliário em São Paulo, amicíssimo de Oscar Niemeyer, com quem desenvolveu vários projetos na capital paulista, entre eles o histórico Edifício Copan. Foi também banqueiro e quebrou, perdendo tudo o que tinha, recomeçando do zero. Nesta época ficou também sem mulher, sem amigos e sem rumo.

Já refeito, aos 50 anos reinventou sua vida, ao adquirir, quase que por acaso, a Folha de S.Paulo, jornal que transformaria com a ajuda dos filhos nesse diário que hoje conhecemos.

De personalidade singular, é uma figura querida por pessoas dos mais diferentes espectros ideológicos, exatamente por ter aberto para todas as correntes de pensamento as páginas da Folha, num movimento de independência, isenção e pluralidade que fez escola no jornalismo brasileiro.

Estendo aos leitores do Comunique-se o convite: o livro ‘A Trajetória de Octavio Frias de Oliveira’ será lançado no dia 14/8, a partir das 18h30, Instituto Tomie Ohtake, bairro de Pinheiros, em São Paulo. Será uma bela festa.

(*) É jornalista profissional formado pela Fundação Armando Álvares Penteado e co-autor de inúmeros projetos editoriais focados no jornalismo e na comunicação corporativa, entre eles o livro-guia ‘Fontes de Informação’ e o livro ‘Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia’. Integra o Conselho Fiscal da Abracom – Associação Brasileira das Agências de Comunicação e é também colunista do jornal Unidade, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, além de dirigir e editar o informativo Jornalistas&Cia, da M&A Editora. É também diretor da Mega Brasil Comunicação, empresa responsável pela organização do Congresso Brasileiro de Jornalismo Empresarial, Assessoria de Imprensa e Relações Públicas.’



MERCADO DE TRABALHO
Comunique-se

Demissões no SBT com fim de telejornal local, 11/08/06

‘Seis jornalistas foram demitidos na última semana com o fim do telejornal SBT São Paulo. Segundo a assessoria de imprensa do SBT, a emissora teria que sacrificar algum dos programas por causa do horário eleitoral, que obrigou a Casa a fazer uma reestruturação na grade.

‘O Luiz Gonzaga Mineiro (diretor de redação) reaproveitou a maioria (14), reforçando as equipes de Hermano Henning (Jornal do SBT – Edição Manhã) e de Carlos Nascimento (Jornal do SBT – Edição Noite)’, informou a assessoria.

O departamento de imprensa não soube dizer se, com o fim das eleições 2006, o telejornal vai voltar ao ar.

Até o fechamento desta nota, nossa redação não havia conseguido falar com Mineiro, tampouco com Carlos Nascimento, que também apresentava o SBT São Paulo.

Há mais de dois anos, Silvio Santos decidiu retomar o jornalismo da Casa contratando Luiz Gonzaga Mineiro, que teve a responsabilidade de contratar grandes nomes e reforçar a estrutura tanto em São Paulo quanto em outras praças. Ana Paula Padrão, cuja contratação foi a que ganhou mais destaque nos noticiários, Carlos Nascimento e Helena Chagas fazem hoje parte da equipe de jornalistas. O investimento foi pesado: Mineiro decidiu convidar profissionais de concorrentes, como os da TV Globo.’



VIDA DE JORNALISTA
José Paulo Lanyi

Deus te ajude, Lourival!, 10/08/06

‘Ainda que você mesmo não acredite n’Ele, prezado amigo, desejo-lhe proteção. Você mesmo diz que, lá embaixo, ao pé da Grande Árvore cujas folhas castigam a terra ao sabor do vento, por caírem ou atraírem a praga, a gente se imagina como um inseto, ‘com um gigante caminhando em cima da nossa cabeça, dando passos a esmo: bum, bum, indiferente a nossa sorte, sem saber que existimos’. Preocupo-me, bom Lourival, e bebo à sua saúde!

O repórter Lourival Sant’Anna – eis um caso em que a atividade fala tão alto quanto o nome ilustre- está sobrevivendo no Líbano, como, felizmente, costuma fazer em qualquer uma de suas tantas viagens a trabalho. Foi assim quando entrou no Afeganistão e tornou-se o primeiro jornalista brasileiro e um dos poucos do mundo a entrevistar os líderes taleban, aventura que, como outras, está exposta nas reportagens publicadas no seu site pessoal.

Agora o Lourival está se divertindo- por gostar do que faz- em mais uma dessas montanhas russas que, de tão escabrosas, não assustam só porque funcionam, mas porque correm, também, o risco de desabar.

Lourival conhece o melhor e o pior do ser humano, o que lhe permite enxergá-lo em sua dimensão cotidiana, aquela em que as virtudes são a ante-sala da masmorra, e vice-versa. A uma testemunha importa viver, ainda que a duras penas. É o que ele tem feito sempre, imediatamente antes de enviar o seu relato para o seu blog de guerra, publicado no Estadão. ‘Muitas coisas passam pela cabeça. Mas uma imagem muito freqüente é essa: esses pilotos não estão me vendo. Para eles, é só apertar um botão. E ir embora com o sentimento da missão cumprida’.

Lourival ainda está às voltas com a sua. Humaniza a guerra com o seu olhar goiano, e nada mais humano do que um olhar goiano, creio eu. Entre bombas e gestos solidários, joga-nos no colo o barro, o sangue e os lapsos de docilidade do mundo real. Sobra algum tempo para nos devolver à rotina, acercando-se, não sem o olhar irônico, de um universo que todos conhecemos tão bem: o da fatuidade profissional- como se observa no trecho abaixo:

‘Menos, menos

por Lourival Sant’Anna, Seção: no front às 21:03:53.

O único toque pitoresco das coberturas de guerra fica por conta dos que as fazem: os jornalistas. Eles quase sempre estão impacientes, nervosos e julgando-se mais importantes que o resto da humanidade. Na minha vinda para o Líbano, no sábado, deparei-me com uma italiana no posto de fronteira, do lado sírio. Entre os 40 e os 50, cabelos longos e cacheados, tintos de loiro, camisa branca transparente o suficiente para se ver o sutiã azul combinando com as tiras das sandálias de couro, calça bege, uma jaqueta jeans amarrada à cintura e óculos de sol na testa. Os funcionários tentavam lhe perguntar em inglês, com o caracteristico sotaque árabe, em que o ‘p’ vira ‘b’: ‘Onde seu passaporte foi emitido?’ Ela não entendia o sentido da pergunta, que eles fazem para todos: ‘What’s the probleme? I don’te understande.’

Quando finalmente respondeu ‘Milano’, eles devolveram com uma pergunta maravilhosa: ‘Jornalista de moda?’ Ela não captou a ironia, óbvio: ‘Nao vou a Beirute cobrir moda. I ame a correspondente ofe ware.’ Claro, claro. O episódio me lembrou um artigo engraçadíssimo numa revista americana, acho que a Vanity Fair, que mandou seu repórter de moda ir ‘embedded’ para a guerra no Iraque. Antes mesmo de embarcar, o cara começou a reclamar para o oficial da unidade do estilo da farda que lhe tinham dado. Lembro da pergunta do oficial, que não fazia idéia da pauta do rapaz: ‘Is that gonna be a problem, son?’ Sim, ia ser um problema. O cara azucrinou os milicos a viagem inteira. Mas acho que ainda prefiro jornalistas de moda na guerra: pelo menos não se levam a sério demais’.

Cuidado com o gigante, Lourival. Esteja vivo. E falante.

(*) Jornalista, escritor, ator, é autor de quatro livros, um deles com o texto teatral ‘Quando Dorme o Vilarejo’ (Prêmio Vladimir Herzog). No jornalismo, tem exercido várias funções ao longo dos anos, na allTV, TV Globo, TV Bandeirantes, TV Manchete, CNT, CBN, Radiobrás e Revista Imprensa, entre outros. Tem no currículo três prêmios em equipe: Esso e dois Ibest. Nascido em Brasília, filho de um oficial do Exército e de uma artista plástica, é paulistano de coração e torcedor de um clube do Rio de Janeiro: o Vasco da Gama – time que escolheu aos sete anos, quando morava no Rio Grande do Sul.’

Cassio Politi

Repórter no túnel, tiroteio à frente: furo no ar,, 11/08/06

‘O líder de uma comunidade da favela da Rocinha se afastou de seu grupo e caminhou na direção do repórter. Queria saber o que ele estava falando. Com um pedaço de pau na mão, interrompeu a gravação da passagem.

– Não são os traficantes que estão atirando, não! É a polícia!

– Amigo, dá licença. Eu preciso trabalhar.

Com a tora em riste, o líder da comunidade insistiu.

– Os tiros são da polícia! Não vem falar mentira, não.

Ali, em volta, havia uns dez policiais, que fingiram não ver a ameaça.

– Então, tudo bem, não vou gravar. Estou saindo fora.

O repórter da TV Globo estava na boca do túnel Zuzu Angel, paralisado por causa de mais um confronto entre policiais e traficantes. Ali ele passaria três horas, tempo suficiente para, entre outras coisas, se esquivar da paulada, e das balas.

* * * * *

O plantão de dez horas de duração havia terminado. Flávio Fachel deixou a Globo, no bairro do Jardim Botânico, no Rio, e ia para casa. Aproveitou para dar carona a uma colega. Eram mais ou menos dez horas da noite de sábado, 16 de julho de 2005.

No caminho, Fachel batia papo com Beth, sua amiga jornalista, quando os carros pararam repentinamente. Ele esticou o pescoço para fora da janela para ver alguma coisa. Virou-se encafifado para a colega a quem dava carona.

– Isso é tiro?!

Seu carro estava a 20 metros do fim do túnel, que desemboca perto da favela da Rocinha. Lá fora, o barulho do tiroteio era aterrorizante.

Pânico no Túnel

Fachel se lembrou das cenas de Daylight – Pânico no Túnel quando as pessoas começaram a correr pelo túnel, exatamente como acontece no filme estrelado por Sylvester Stallone. Na dura realidade do Rio, a fuga não era para fora, mas para dentro do túnel, onde as pessoas procuravam abrigo.

‘Desci do carro e, enquanto as pessoas corriam apavoradas, eu pedia um celular. Precisava entrar no ar’. A bateria do telefone de Fachel estava sem carga. Alguém decidiu emprestar o aparelho. A balbúrdia mal começara e o jornalista já estava no ar na Globonews, por telefone. Fez um flash e, em seguida, discou para a redação da Globo, pedindo equipe.

Vinte minutos depois, o cinegrafista Mário Ferreira e o assistente Alexandre Barros desciam da moto, no túnel, equipados.

Corre!

Com a equipe a postos, a ordem era não se arriscar. Mas o instinto de jornalista falava mais alto. Era preciso ter imagens. Por um recurso técnico da câmera, que recupera os 5 segundos anteriores à filmagem, Ferreira conseguiu filmar a explosão de uma bomba em um transformador. Quase junto com a explosão, as luzes do túnel se apagaram. Fachel notou que os policiais, até então em posição de combate, correram sem nenhuma organização.

– Corre! Corre! Eles vão entrar! Corre que eles vão entrar! – gritou um policial, referindo-se aos traficantes.

O coração do jornalista palpitou quando, depois de um pique, ele conseguiu entrar em um dos túneis que ligam as duas pistas do túnel. Felizmente, os traficantes não entraram. Não aconteceu nada. Mas as balas eram de verdade. Um tenente falou baixinho com Fachel.

– Olha… não aconteceu nada uma ova. Está vendo aquelas marcas ali, na parede?

– Estou.

– São tiros. Os caras meteram tiros aqui dentro.

O jornalista descobriu que quando correu, correu de balas. ‘Até a polícia ali correu das balas’.

Vallet

A polícia demorou mais ou menos uma hora para tirar os carros do túnel. Os motoristas eram chamados, um a um, para tirar os veículos e ir embora pela outra extremidade do túnel, livre de tiros. Um último carro ainda estava ali. O policial ficou procurando o dono.

– Vem cá? Esse carro é seu?

– Sim, é meu – respondeu Fachel

– Mas você não vai tirar?

– Não, estou trabalhando.

– Ah, ok.

No ar

A onda de violência naquela noite tinha uma explicação. Um traficante dava uma festa naquela noite e a polícia fez uma operação para surpreendê-lo. O tiroteio começou na favela e foi parar na boca do túnel. Os cidadãos pagaram o pato. No dia seguinte, a matéria foi ao ar no Fantástico. Depois, em todos os telejornais da Globo. A equipe de reportagem focou no desespero das pessoas que passavam pelo túnel.

– Quero ir embora! Quero a minha mãe! – foi a sonora, marcante, de uma criança chorando.

A reportagem teve passagem, que só saiu porque Fachel conseguiu driblar a marcação ameaçadora do líder comunitário, que possivelmente não gostou do conteúdo.

– Os traficantes começaram a jogar bomba de fabricação caseira em cima dos carros que passavam aqui, na auto-estrada Lagoa-Barra. O motorista, o cobrador e os passageiros daquele ônibus lá abandonaram o veículo – foi o que o repórter falou na passagem.

Além da repercussão que teve por vários dias, a matéria foi finalista do Prêmio Embratel de 2005. E foi finalista porque um sujeito comum no túnel era repórter. Ou melhor: um repórter estava no túnel. Cidadãos comuns eram os outros.

* * * * *

(*) Cassio Politi é jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero. Atuou como videorrepórter de matérias de Cidades e Especiais no Uol News, comandado por Paulo Henrique Amorim até 2004. Trabalha com Internet desde 1997. Esteve em projetos pioneiros em jornalismo na Web, como sites da Zip.Net. Ministra cursos de extensão há cinco anos e deu aulas em 24 estados brasileiros para quase 2 mil jornalistas e estudantes de Jornalismo. Atualmente, tem suas atenções voltadas para a área de Marketing. Ocupa o cargo de Diretor da Escola de Comunicação, a unidade de cursos e seminários do Comunique-se.’



DIPLOMA EM DEBATE
Carlos Chaparro

O diploma não pode ser o eixo da discussão, 11/08/06

‘O XIS DA QUESTÃO – Não dá mais para agüentar essa discussãozinha, pobre e empobrecida, em torno da obrigatoriedade ou não do diploma, uns a favor, outros contra, e só, como se o começo e o fim de tudo estivesse em limitar o direito de ser jornalista. Precisamos, sim, encontrar caminhos e formas de chegar a uma ‘Lei Maior’ da profissão que leve em conta as razões da sociedade – algo que em alguns países é chamado de ‘Estatuto do Jornalista’.

1. Por um acesso mais amplo

Compromisso assumido é coisa sagrada. Por isso, aqui estou para, logo na abertura do texto, revelar a minha posição quanto à questão do diploma: já fui a favor; hoje, porém, discordo da obrigatoriedade do diploma de um curso superior de jornalismo, como exigência linear, absoluta, universal, para ingressar na profissão e exercê-la.

Mas sou tão contra a obrigatoriedade do diploma de jornalista quanto a favor do estudo do jornalismo em nível superior. Por isso, entendo que, qualquer seja o modelo de regulamentação da profissão de jornalista a que cheguemos, ele deve, sim, tender para a exigência de uma formação superior, em cursos reconhecidos. Ao mesmo tempo, porém, deveria conter fortes mecanismos de valorização dos cursos de jornalismo (graduação e pós-graduação), vinculando-os à responsabilidade de corresponder às expectativas e demandas da sociedade em relação à excelência da formação profissional e intelectual dos profissionais jornalistas.

Na minha avaliação, levando em conta as complexidades e liberdades do mundo atual, e o que ele exige do jornalismo, o ingresso na profissão de jornalista deveria ser acessível a quaisquer cidadãos no pleno uso dos seus direitos, desde que provem ter formação superior concluída (com exceção das atividades em que tal exigência seja descabida). Precisariam, porém, passar por um período de estágio ou experiência probatória (no mínimo seis meses, no máximo um ano), com a devida remuneração, e com a obrigação de nesse período fazerem estudos sobre jornalismo, com orientação pedagógica.

Já aos cidadãos formados em jornalismo seria assegurado o acesso direto e pleno ao exercício da profissão. E igual direito deveria ser assegurado àqueles que, com formação superior em outra área, tivessem feito ou estivessem fazendo pós-graduação em jornalismo.

2. Por uma outra discussão

A minha opinião pouca ou nenhuma importância tem, se ficar limitada à pobre questão de ser contra ou a favor da obrigatoriedade do diploma. O que precisamos, e com urgência, é rechear a polêmica com argumentos e razões que levem em conta a dignidade e a identidade da profissão, qualquer que seja o lado de onde venham os argumentos e as razões. O que implica levar o debate para terrenos argumentativos mais filosóficos e menos instrumentais.

Do meu ponto de vista, não dá mais para agüentar essa discussãozinha, pobre e empobrecida, em torno da obrigatoriedade ou não do diploma, uns a favor, outros contra, e só, como se o começo e fim de tudo estivesse em disciplinar e limitar o direito de ser jornalista.

Ora, a regulamentação profissional tem de ser decorrência de razões maiores. Com ou sem obrigatoriedade do diploma (e admito que podem existir bons argumentos em favor de qualquer das alternativas), a regulamentação profissional deve servir a um conceito de sociedade. O que pressupõe o entendimento claro das competências (técnicas, discursivas e intelectuais) exigidas do jornalismo em tal sociedade, no recorte de uma dada realidade – no caso, a realidade brasileira, com suas peculiaridades e sua história, na experiência própria de fazer jornalismo.

Sem essa discussão preliminar, de fundo, qualquer tentativa de impor uma regulamentação profissional pode resultar em aleijão, como esse recentemente vetado pelo Presidente da República.

3. Por uma ‘Lei Maior’

Em resumo, quero dizer o seguinte: a sociedade e o grupo profissional dos jornalistas precisam encontrar caminhos e formas de chegar a uma ‘Lei Maior’ da profissão – algo que em alguns países é chamado de ‘Estatuto do Jornalista’, com forma e força de Lei.

Dessa ‘Lei Maior’, e não dos jogos de poder em disputas corporativas, deveriam derivar os documentos normativos do exercício profissional: a regulamentação do acesso à profissão e os códigos ético-deontológicos para o seu exercício.

Para se chegar a esse estágio, talvez o Brasil precise criar alguma entidade de direito público que, com independência e representatividade, possa atuar no território da regulamentação profissional dos jornalistas, em articulação com os poderes legislativos do País. Como chegar aí, não sei. Mas se Portugal, por exemplo, já tem o seu Estatuto do Jornalista, porque não podemos nós, aqui, avançar até esse ponto? Acrescente-se que, para zelar pelo cumprimento do estabelecido pelo Estatuto quanto ao acesso à profissão e ao seu exercício, existe em Portugal, com poder específico, a Comissão da Carteira Profissional de Jornalistas, entidade de direito público independente, presidida por um juiz designado pelo Conselho Superior da Magistratura.

Claro que não estou propondo a transposição pura e simples da experiência portuguesa para o Brasil. São realidades, tradições, problemáticas, vivências e convicções diferentes. Mas há que levar em conta, como referência para as discussões a travar entre nós, as experiências de outros povos e de outras culturas, nas várias partes do mundo onde o jornalismo está vinculado a processos de construção democrática.

Já agora, e aceitando como provocação a experiência portuguesa, vale perguntar: por onde anda, e o que faz, o nosso Conselho de Comunicação Social, previsto pela Constituição de 88? – e agrego à pergunta a informação de que esse Conselho existe há quase 15 anos, instituído que foi em 30 de dezembro de 1991, pelo Presidente da República de então, para atuar como órgão auxiliar do Congresso, nos deveres de zelar pelos objetivos constitucionais, no âmbito da Comunicação Social.

(*) Carlos Chaparro é português naturalizado brasileiro e iniciou sua carreira de jornalista em Lisboa. Chegou ao Brasil em 1961 e trabalhou como repórter, editor e articulista em vários jornais e revistas de grande circulação, entre eles Jornal do Commercio (Recife), Diário de Pernambuco, Jornal do Brasil, Folha de S. Paulo, Diário Popular e revistas Visão e Mundo Econômico. Ganhou quatro prêmios Esso. Também trabalhou com comunicação empresarial e institucional. Em 1982, formou-se em Jornalismo pela Escola de Comunicação de Artes, da USP. Também pela universidade ele concluiu o mestrado em 1987, o doutorado em 1993 e a livre-docência em 1997. Como professor associado, aposentou-se em 1991. É autor de três livros: ‘Pragmática do Jornalismo’ (São Paulo, Summus, 1994), ‘Sotaques d’aquém e d’além-mar – Percursos e gêneros do jornalismo português e brasileiro’ (Santarém, Portugal, Jortejo, 1998) e ‘Linguagem dos Conflitos’ (Coimbra, Minerva Coimbra, 2001). O jornalista participou de dois outros livros sobre jornalismo, além de vários artigos (alguns deles sobre divulgação científica pelo jornalismo), difundidos em revistas científicas, brasileiras e internacionais.’



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Folha de S. Paulo – 1

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15/08/2006 na edição 394

ELEIÇÕES 2006
Tiago Cordeiro

Eleições 2006: cobertura histórica na telinha, 11/08/06

‘De quatro em quatro anos, a imprensa mundial passa pelo mesmo ciclo de cobrir a Copa do Mundo. Assim como em outros países, a imprensa brasileira tem um desafio extra nestes anos: cobrir a eleição presidencial, de governadores, deputados e senadores. Em 2006, o mercado foi surpreendido por investimentos que tiraram a polarização da Rede Globo, historicamente dona da audiência. Na democracia nacional, a cobertura das eleições parece estar mais bem servida e quem ganha é o telespectador.

Apesar do incremento de qualidade, a cobertura das eleições ficou marcada não apenas pelos investimentos das emissoras. No início do mês, a Band surpreendeu ao publicar na Folha de S. Paulo e no Estado de S. Paulo o anúncio ‘Eles prometem. A Band cumpre.’ No texto publicitário, a emissora afirmava que a Globo teria se omitido de vários fatos políticos nas últimas décadas como o escândalo do Proconsult e a cobertura da campanha das Diretas Já.

‘Todas as informações factuais e objetivas ali listadas não correspondem à nossa trajetória, como poderá ser facilmente comprovado – em cada episódio mencionado – com farto material de arquivo nosso e de terceiros’, afirmou a Central Globo de Comunicação. Fernando Mitre, diretor nacional de jornalismo da Band, não quis comentar mais a respeito do caso. ‘Falo sobre a cobertura, dentro da credibilidade, da transparência e absoluta isenção ética’, revelou ele.

A Band promete mais um salto de qualidade em sua cobertura. ‘Vamos atrás dos problemas. A marca será a busca das soluções para o País’, conta Mitre. A emissora promete ainda uma cobertura aprofundada com a contratação de Franklin Martins, ex-comentarista político da TV Globo, e também isenção nas matérias.

Imparcialidade e isenção parecem ser o compromisso que todas as redes querem passar ao telespectador. A Rede Globo prometia ‘isenção, transparência e compromisso com a verdade’ em seu anúncio antes da polêmica. ‘O jornalismo da Rede TV! se destaca pela independência e idoneidade da informação, um formato diferenciado e opinião, sempre focado na sociedade’, afirmou José Emílio Ambrosio, superintendente de Jornalismo do canal.

A Rede TV! ainda não possui uma marca forte no jornalismo que dispute de igual para igual com suas concorrentes. Porém, para Ambrósio, o canal tem suas qualidades. ‘Competitivos somos, e muito. Em todos os momentos relevantes, o jornalismo tem prioridade na programação e estamos sempre presentes. A audiência é uma conseqüência. Lembro que é uma emissora de apenas seis anos, que tem a consciência da importância de um jornalismo forte e corajoso nesse momento que o País atravessa’.

Apesar de todas as emissoras assumirem esse compromisso com a idoneidade, as ambigüidades na imparcialidade jornalística (pesquisadores e veteranos da profissão lembram que o jornalismo é feito por seres humanos, logo jamais poderia ser plenamente imparcial) e as dificuldades numa cobertura política aumentam os riscos. A situação piora quando o eleitor se concentra na disputa do executivo e esquece as eleições para o poder Legislativo. Uma porcentagem imensa de eleitores não se recorda de quem votou para senador e deputado estadual e federal nas eleições de 2002.

Por mais que cada emissora tente fugir da parcialidade, como é possível ampliar o espaço para candidatos e melhorar a consciência do cidadão sobre os numerosos candidatos ao Legislativo?

‘A vocação da TV Cultura é aprofundar aquilo que a TV comercial não pode. Como a cobertura das outras emissoras está muito voltada para o executivo, optamos por uma programação em que ficasse mais visível a idéia dos candidatos a senador e deputado’, afirma Dácio Nitrini, coordenador da cobertura das eleições na TV Cultura.

A emissora pretende convidar representantes dos partidos para discutir vários assuntos. ‘O eleitor vai conhecer qual a posição do partido em relação a uma série de questões importantes para o Brasil’, afirma Nitrini. A TV Cultura também terá a cobertura normal em telejornais.

Cobrir essa eleição passa não apenas pela dificuldade em informar o eleitor melhor do que nos pleitos anteriores. O Brasil é o maior país da América Latina com uma população não apenas imensa, mas também diversa. Como conseguir uma cobertura objetiva que fale para um país tão diferente em seus estados?

A Rede Record produzirá uma série de reportagens especiais percorrendo o Brasil que demonstrarão os principais problemas brasileiros. A apresentadora Adriana Araújo abordará má distribuição de renda, segurança, saúde, educação, moradia e emprego. ‘Faremos uma profunda radiografia desses temas, discutiremos os anseios dos brasileiros e apresentaremos as perspectivas dos especialistas. Além dessa série, faremos reportagens especiais sobre o voto do brasileiro e os desafios que os novos governos precisam superar’, explica a assessoria de imprensa da rede.

A Rede Globo propôs uma cobertura bem diferente das anteriores. Os âncoras saíram dos estúdios, as entrevistas com os candidatos tornaram-se mais incisivas e a série de reportagens ‘desejos do Brasil’ é o grande destaque. Com o Motorhome para circular em todas as regiões do Brasil, a emissora se propõe a entender o eleitorado e, quem sabe, descobrir o que é melhor para o País.

‘A preocupação do Jornal Nacional, ao longo dos anos, desde a estréia, como o nome já diz, é estar presente em todo o País, seja fisicamente, como agora, com as ancoragens nas cinco regiões, como permanentemente, com jornalistas espalhados por todo o Brasil. É a nossa missão’, explica a emissora.

A cobertura, entretanto, foi criticada por vários especialistas como cobertura-espetáculo e não jornalística por vários segmentos. ‘A Globo assumiu o lado espetacular da eleição’, afirmou o professor Marcus Figueiredo, do Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro (Iuperj), em entrevista à revista Carta Capital sobre a cobertura global. A emissora esquiva-se dessa impressão. ‘Sinceramente, não tomamos conhecimento dessas críticas. Se houve críticas assim, discordamos delas’.

Alguns profissionais comentaram que as mudanças na cobertura política e esportiva (que levou o maior número de profissionais da imprensa da história da imprensa nacional) da Globo começaram pelos investimentos que as concorrentes fizeram em jornalismo. ‘A tradição na Globo é sempre se esforçar para que uma cobertura seja melhor do que a outra’, afirmou a emissora. De qualquer forma, nunca uma eleição foi marcada por uma cobertura tão forte.

O SBT de Ana Paula Padrão, historicamente pouco atento ao telejornalismo, conseguiu o furo da primeira entrevista com o presidente Lula como candidato. Luiz Gonzaga Mineiro, diretor de redação, ressalta que no ano passado a SBT não tinha telejornalismo e agora já briga pela audiência com as concorrentes.

‘Vamos ancorar o jornal de cinco pontos do Brasil, vamos fazer um debate (marcado para o dia 25/09), faremos uma redação específica para as eleições. É um outro momento e essa cobertura já nos projeta para a cobertura do Pan 2007’, declarou Mineiro. Apesar disso, seis jornalistas foram demitidos sob o argumento de que a emissora precisaria retirar algum programa de sua grade por causa das eleições.

Outubro vem aí e até lá as emissoras continuarão brigando por cada telespectador. Alfinetadas não se resumem à briga entre Band e Globo. ‘Somos uma emissora independente, não temos nenhum laço histórico com nenhum lado político. O grande diferencial é você ter isenção como ninguém. O Crivella é candidato no Rio?’, destacou o diretor de redação do SBT.

Na próxima semana, a cobertura eleitoral da mídia impressa estará em foco na série de reportagens que o Comunique-se está produzindo.’

Milton Coelho da Graça

Constituinte exclusiva não morreu, 8/08/06

‘O presidente Lula tem sido contestado em muitas iniciativas, apontadas como ‘eleitoreiras’. Mas a sugestão de convocação de uma Assembléia Constituinte exclusiva, apoiada em documento elaborado por dez respeitados juristas, é um passo positivo para conter a crise (que só tende a se agravar), causada pela corrupção nos três poderes da República e já espraiada por estados e municípios.

Nossa Constituição de 88 teve a cara do presidente José Sarney: resultou de amplo compromisso nacional em torno das liberdades democráticas, suprimidas pela ditadura militar durante 20 anos. Enormes iniqüidades

foram cometidas em nome desse compromisso, desde o aproveitamento dos censores – escolhidos entre a ralé da ralé – como delegados e agentes da Polícia Federal até uma anistia que igualou em benevolência torturadores e torturados. É só comparar o que ocorreu aqui com a firme disposição de Argentina, Uruguai e Chile para ‘limpar’ Forças Armadas e polícias.

A palavra ‘igualou’ está mal usada. Os torturadores foram todos aceitos imediatamente pelo renovado Estado brasileiro, enquanto, até hoje, milhares de perseguidos pela ditadura ainda amargam na ‘fila’ da Comissão de Anistia criada no início do atual governo.

Mas o tema desta coluna não é injustiça. É a necessidade de uma limpeza em regra na estrutura do Estado brasileiro, impossível de ser feita por políticos, cujo catecismo básico tem a preservação de seus próprios privilégios como objetivo número 1. Um pequeno exemplo: a maior bancada no Congresso é a dos funcionários públicos concursados, que têm a enorme vantagem de fazerem campanha com direito a licença remunerada. Como conciliar esse privilégio com o princípio da igualdade de todos os cidadãos perante a Lei? E quem acredita que esse privilégio seja revogado por funcionários-políticos?

O Conselho Federal da OAB veio para a batalha da opinião pública, condenando a sugestão do presidente Lula, mesmo amparada por quatro ex-presidentes da entidade e não estranhamente juristas que mais têm se empenhado na causa do aperfeiçoamento da democracia: Seabra Fagundes, Reginaldo Oscar de Carvalho, Hermann Baeta e Marcelo Lavenère Machado.

O Conselho Federal da OAB, ao contrário, é uma instituição claramente corporativista e conservadora, avessa a mudanças, tendo em sua lista de pecados o fato de nunca ter apresentado propostas ao Congresso para simplificar nossa estrutura legal – tanto substantiva como processual: a Constituição de 88 tem 250 artigos mais 94 disposições transitórias; a americana tem sete artigos e 27 emendas. Além disso, chega a mais de 100 mil o número de leis, decretos e regulamentos no Brasil. Um prato suculento para os nossos 600 mil advogados (no Japão são 60 mil).

O Conselho Federal parecia ter esfriado o debate, mas muitas novas vozes apareceram. E recomendo a leitura do artigo de Ives Gandra Martins, publicado pela Folha em 4/8, sexta-feira, pág. 3.

Martins, além de constitucionalista, provávelmente o mais respeitado tributarista do Brasil, vai além da idéia que Lula encampou – a Constituinte exclusiva. Defende também que ela seja composta por pessoas não-participantes da eleição mais recente e comprometidas a não participar de outras nos quatro anos seguintes à promulgação da nova Carta Magna. E mais: defende o fim das ‘cláusulas pétreas’ que ele aponta, com toda a razão, como tentativa de uma geração tentar impor às seguintes as suas idéias.

Na verdade, com ‘cláusulas pétreas’ ou respeito absoluto ao direito adquirido ainda teríamos a escravatura. E não podemos esquecer que a Federação, que se tornou ‘pétrea’, foi instrumento da aliança entre militares republicanos e grandes proprietários, magoados com a família imperial pela Lei Áurea e interessados em se fortalecer com o controle do poder local.

O artigo de Ives marca o recrudescimento da idéia da Constituinte exclusiva, benzida pela maioria do povo – antes, através de um plebiscito ou, depois, por um referendo. Lula calou sobre o tema mas ainda não perdeu. Sua proposta ainda vai dar muita discussão.

(*) Milton Coelho da Graça, 75, jornalista desde 1959. Foi editor-chefe de O Globo e outros jornais (inclusive os clandestinos Notícias Censuradas e Resistência), das revistas Realidade, IstoÉ, 4 Rodas, Placar, Intervalo e deste Comunique-se.’



JORNAL DA IMPRENÇA
Moacir Japiassu

Presunto e bacalhau, 10/08/06

‘A memória da ponte me alimenta

O horizonte embala o contrabando

O Cruzeiro aponta a lua cheia

(Nei Duclós in Partimos de Manhã)

Presunto e bacalhau

O considerado Porfírio Castro, vice-diretor de nossa sucursal no Planalto, que dorme de olho aberto e as orelhas em pé, escreveu:

Aqui em Brasília tem um hebdomadário chamado Na Polícia e nas Ruas, concorrente direto da Sadia e da Perdigão, ou seja, tem presunto em todas as páginas. Sabe aqueles jornais dos quais se dizia que ‘espreme e sai sangue’? Pois é. Uma coisa…

Pena não ter edição na Internet para o considerado ver as barbaridades que se cometem em nome do jornalismo. Pois o dito jornal tem os seguintes avisos na primeira página:

DESACONSELHÁVEL A MENORES DE 18 ANOS e ESTE JORNAL CONTÉM IMAGENS FORTES.

Creio tratar-se do primeiro periódico deste tipo, pois não?

Janistraquis pesquisou até no Serviço de Saneamento de várias cidades brasileiras, ó Porfírio, e chegou à seguinte conclusão:

‘Para atingir o, digamos, ápice, só falta ao hebdomadário feder a bacalhau e informar que não contém glúten’

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Esquisito

A considerada Latifa Abner, do Rio de Janeiro, passava os olhos na capa da Folha Online quando deparou com esta chamadinha deveras chamativa:

Enchentes deixam mais de 540 mortos na Coréia do Norte.

Abaixo, o ‘olhinho’ piscava:

Pelo menos 549 pessoas morreram e outras 3.043 ficaram feridas após inundações no país.

Latifa, que é estudante de jornalismo, achou que tal conjunto não constitui boa lição:

Ora, se eles já sabiam que os mortos eram 549, por que o título se referiu a ‘pelo menos 540 pessoas’?

Denso mistério, Latifa; denso mistério…

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Fracionou, dançou

O considerado Mário Lúcio Marinho recebeu e repassou à coluna:

Vem aí o fracionamento dos remédios em gotas….

Veja o que disse nosso Presidente:

‘Às vezes, um médico receita para a pessoa tomar 10 comprimidos, mas o cidadão tomou três e melhorou, ele pode tomar o quarto ou quinto, normalmente ele pára de tomar. E vai juntando comprimido, vai juntando colírio, vai juntando remédio para pingar no nariz, aí, você acorda de noite com uma dor de cabeça, com uma enxaqueca, com uma coisa qualquer, você vai procurando o primeiro que você encontra. Tem ‘nego’ que coloca remédio no nariz que era para colocar nos olhos, tem ‘nego’ que coloca nos olhos o que era para colocar no nariz.’

(Lula, na cerimônia de implementação do Programa de Medicamentos Fracionados.)

Janistraquis aplaudiu a oratória presidencial, porém só ficou interessado nesta dúvida que acompanhava a nota: como age o ‘nego’ quando sobra supositório no armário do banheiro?

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Que coisa…

Sem dar uma linha sequer sobre o salto com vara, a imprensa noticiou, sob o título Olimpíada Gay acaba hoje no Canadá:

Como acontece nos Jogos Olímpicos, a maratona será a última competição do evento, em Montréal (CAN). Os brasileiros conquistaram medalhas de ouro, prata e bronze no remo e prata no vôlei.

Meu secretário arregalou os olhos:

‘Considerado, sabe lá o que é uma ‘maratona gay’?!?!?! Deve ser uma coooooooiiiiisaaaaa…’

E viva o Brasil!!!

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Nei Duclós

Abriga-se no Blogstraquis a íntegra do poema epigrafado, que se intitula Há Tempos.

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Verdadeira antologia

O considerado José Manuel Pinheiro Mendes, de Belo Horizonte, envia trechos recolhidos num blog cujo titular, Helder Matias, puxa (injustamente) as orelhas do colunista. Segundo o blogueiro, este humilíssimo torcedor do Vasco errou ao apontar as As 50 melhores pérolas de Galvão Bueno como verdadeiras:

(…) Sr. Moacir, tu não tem provas, logo tu não podes considerá-las como ‘verdades antológicas’, respeito aos colegas de profissão antes de tudo. Podia ter falado que eram dados engraçados, marcação do telespectador, brincadeira com o Galvão, menos considerá-las como verdades logo de cara, por mais engraçado que seja o tema.

Informo ao considerado Helder que utilizei a expressão ‘verdadeira antologia’ em referência ao grande número de pérolas, nada mais. ‘Verdadeira antologia’ não é ‘antologia verdadeira’. Ou o amigo não conhece expressões como ‘verdadeiro dilúvio’, quando chove muito nalgum lugar?

(Leia no Blogstraquis a íntegra da verdadeira malhação que Helder aplicou no colunista.)

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Sentença em versos

O considerado José Truda Júnior, profissional de muitos talentos e homem de reconhecido bom gosto, recebeu de sua filha advogada, Isabelle Truda, uma sentença em versos proferida pelo Juiz de Direito, Dr. Ronaldo Tovani. A coluna convida o leitor a visitar o Blogstraquis para conhecer a obra-prima de 1987, na qual as palavras jurídicas soam poeticamente sem descaracterizar o conteúdo da sentença.

Janistraquis adorou, porque já está cansado da burrice, incompetência e desonestidade que assolam o nosso apedeuto e combalido Judiciário.

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Emprego à vista!

Deu no Portal da Comunicação:

Editora Segmento abre vagas de trabalho

A Editora Segmento está procurando diagramadores, diretores de arte e revisores, com experiência na área de revistas, para trabalhar em suas publicações. Os currículos devem ser enviados, no corpo do e-mail, para vagas@allnet.com.br. Importante: anexos não serão visualizados.

A Segmento é comandada por Edimilson Cardial, jornalista e empresário que comanda sua editora com competência e honestidade. Acorram, profissionais!

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Idades e idades

Depois de ler na Folha de S. Paulo matéria intitulada Universo pode ser 2 bilhões de anos mais antigo, diz estudo, Janistraquis pensou, pensou e concluiu:

‘Ora, considerado, se descobriram até que o Universo é dois bilhões de anos mais antigo do que a gente imaginava, seria de todo improvável que a Glória Maria mantivesse em segredo os seus 56 anos de idade!’

É verdade, mas a revelação traz pelo menos um consolo à repórter e apresentadora do Fantástico: ela está conservadíssima!

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Curso primário

O considerado Roldão Simas Filho, diretor de nossa sucursal no Planalto, de onde se pode escutar a festança presidencial que comemora os números da última pesquisa de intenção de voto, pois Roldão lia o Correio Braziliense, como de costume, quando se deteve no tópico intitulado Dama da viola, na seção de TV do jornal:

Dirigido por Dainara Toffoli e produzido por Mônica Schimidt, o filme (Dona Helena) foi gravado entre 2002 e 2004, na casa dela, em Presidente Epitácio, cidade paulista na fronteira com o Mato Grosso do Sul.

Roldão, que conseguiu recuperar aquela paciência dos melhores anos de sua vida, ensina mais uma vez:

A fronteira fica entre países. Divisa entre estados. Limite entre municípios.

Janistraquis, que já ultrapassou os limites, divisas e fronteiras da intolerância, desabafa:

‘Pelo amor de Deus! Pelas cinco chagas! Por tudo quanto é sagrado, decorem esta lição que todos aprendemos no curso primário!!!!’

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Sardenberg

Janistraquis e eu louvamos o Jornal da Globo pela estréia, nesta terça-feira, de Carlos Alberto Sardenberg como comentarista de Economia. O sempre competente jornalista foi nosso companheiro naquela inesquecível Istoé dos anos 70, comandada por Mino Carta, e meu secretário ficou surpreso ao rever o velho amigo:

‘Considerado, Sardenberg está muito mais jovem do que nos tempos da Istoé e ficou até bonito!!!’

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Nota dez

O considerado Elio Gaspari escreveu em sua coluna de O Globo:

Percival Farquhar (1864-1953) foi o maior empresário de serviços públicos de Pindorama. Em cacife de hoje, seria grande acionista das maiores empresas geradoras e distribuidoras de energia, das telefônicas e dos metrôs do Rio e de São Paulo. Mais os portos do Rio e do Pará, a Vale do Rio Doce e a Acesita. Foi dono do Amapá, mas o devolveu.

Leia no Blogstraquis a íntegra deste excelente e revelador artigo sobre Farquhar, autor desta frase tão antiga quanto atualíssima:

Os brasileiros, assim como todos os povos tropicais, consideravam natural roubar a nação, ignorar seu bem-estar e arruinar suas florestas e seu solo.

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Errei, sim!

‘GREVE ARRETADA – Janistraquis se chegou com um recorte do Jornal da Cidade, de Bauru, indiscutível metrópole do interior de SP: ‘Considerado, os professores paulistas ficaram de braços cruzados por uns setenta dias e acham que são os tais’, desdenhou; ‘eles têm muito o que aprender com os bancários de Bauru’. E para nosso estupor, leu a manchete do Jornal da Cidade: Bancários protestam e devem parar a CEF durante 24 anos. ‘Isto sim, é uma greve de se tirar o chapéu’, festejou; ‘o cara faz a paralisação agora e só volta aposentado!!!’ (dezembro de 1993)

Colaborem com a coluna, que é atualizada às quintas-feiras: Caixa Postal 067 – CEP 12530-970, Cunha (SP) ou moacir.japiassu@bol.com.br).

(*) Paraibano, 64 anos de idade e 44 de profissão, é jornalista, escritor e torcedor do Vasco. Trabalhou no Correio de Minas, Última Hora, Jornal do Brasil, Pais&Filhos, Jornal da Tarde, Istoé, Veja, Placar, Elle. E foi editor-chefe do Fantástico. Criou os prêmios Líbero Badaró e Claudio Abramo. Também escreveu oito livros, dos quais três romances.’



WEBJORNALISMO
Mario Lima Cavalcanti

Pequenos notáveis e navegáveis, 8/08/06

‘Certa vez falei aqui na coluna – creio que há cerca de dois ou três anos – sobre o crescimento do setor de conteúdo móvel para breve. Agora, em 2006, muita coisa já se tornou realidade e outra porção contribui para isso. Telefones celulares e smartphones (celular com funções de palmtop e vice e versa), por exemplo, tendem a absorver cada vez mais recursos e tecnologias como VoIP (Voz sobre Protocolo de Internet), fotos e vídeos digitais, e-mail, SMS (torpedo), MMS (torpedo multimídia) e navegação na Internet. Este último, aliás, tem sido curiosamente abraçado por videogames portáteis como o Nintendo DS e o Playstation Portable. E jornais online já começam a explorar o sucesso desses aparelhos.

Quem acompanha o mundo dos videogames sabe que a atual batalha pela supremacia é travada entre Nintendo, Microsoft e Sony – com seus respectivos consoles GameCube, X-Box e PlayStation (vulgo PS) – e sabe que essa batalha se estende também para o mundo móvel, com a ausência somente da Microsoft, mas que já declarou que pensa em produzir uma versão portátil do X-Box. Com a explosão da Internet sem fio em alta velocidade – por meio de protocolos como Wi-Fi e WiMax -, os portáteis de entretenimento – que não tem o acesso a Internet como função primária -, já possuem navegadores/browsers e apostam na alternativa para uma navegação móvel.

Nintendo DS

O mais recente filhote móvel da Nintendo, uma espécie de sucessor do Game Boy. O DS no nome significa Dual Screen, algo como ‘Tela Dupla’. E é exatamente assim que ele é. Um portátil que você abre e ele te exibe duas telas, uma em cima e outra embaixo. Com tela de toque (touch screen), stylus (aquela mesma caneta utilizada em palmtops para tocar a tela) e suporte ao protocolo Wi-Fi, permite a navegação se o usuário tiver conexão banda larga em casa e o cartucho do Nintendo DS Browser (fruto de uma parceria entre a Nintendo e a Opera, que vem apostando muito em navegadores móveis). Tendo isso, basta inserir o cartucho no dispositivo e navegar. Uma das funções que mais gostei foi a de zoom: enquanto o usuário navega pela tela de baixo, a de cima dá um close na área do site que a caneta está tocando.

Talvez esse artigo não tivesse tanta graça se não fosse ilustrado por vídeos de exemplo postados no YouTube. Logo, veja aqui vários vídeos de exemplo de navegação pela Internet através de um Nintendo DS.

PlayStation Portable

Vulgo PSP, o portátil da família PlayStation não fica para trás em termos de navegação. Talvez até fique na frente. Mais que um videogame portátil, ele permite reproduzir arquivos de áudio e vídeo e assistir DVD. Também traz suporte a Wi-Fi e parece ganhar em termos de conforto na navegação pela tela horizontal de 480×320 pixels (maior que a de muitos visores de PDAs).

No YouTube também foi postado um vídeo exemplificando o acesso Web através de um PSP. O vídeo em questão mostra um PSP acessando o Yahoo! japonês.

Jornais online aproveitam

A robustez do PSP é tão grande que fez com que alguns jornais online criassem edições exclusivamente para o aparelho. O jornal norueguês Dagbladet foi pioneiro nisso, lançando em setembro do ano passado a sua versão móvel para PSP. Em junho deste ano foi a vez do diário El País, da Espanha, lançar uma versão para o dispositivo. O Otaku News, de notícias sobre entretenimento e variedades, também criou a sua edição PSP.

A popularização da banda larga sem fio somada a padrões multimídia e demais recursos fazem que qualquer dispositivo móvel hoje em dia tenha múltiplas funções. O aparelho que permitir acesso à Internet e tiver muita procura já pode ser considerado um prato cheio para diários online.

(*) Trabalha com conteúdo online desde 1996 e já passou por empresas de renome na Internet. Foi editor do AQUI!, extinta revista virtual do Cadê?, editor do canal Digital do portal StarMedia e coordenador de operações do Prêmio iBest. Realizou seminários e ministrou diversas palestras sobre jornalismo digital. Em fevereiro de 2000, criou o site Jornalistas da Web (JW), primeira publicação virtual brasileira sobre jornalismo online e cibercultura. Em 2005, criou e implantou a Biblioteca de Comunicação Digital e Cibercultura (BCCD) no campus 3 das Faculdades Integradas Hélio Alonso – FACHA, no Rio de Janeiro. Atualmente, Cavalcanti é pesquisador de mídias digitais e editor de conteúdo do JW.’



JORNALISMO ESPORTIVO
Marcelo Russio

Currais de imprensa, 10/08/06

‘Olá, amigos. Quem cobre clubes de futebol sabe que, em alguns estádios, trabalhar é um suplício. As salas de imprensa de determinados estádios do País dão nos nervos de profissionais que chegam com laptops e rádios para transmitirem suas matérias. A falta de uma estrutura moderna que viabilize a utilização de equipamentos mais sofisticados que o velho e saudoso telex atrasa, e muitas vezes prejudica fortemente o trabalho dos repórteres.

Quase nenhum estádio possui acesso a aparelhos com conexão wireless. A recepção de sinais de rádio às vezes inviabiliza a escuta das transmissões das emissoras locais e não há tomadas suficientes para todos os laptops, que devem ser divididas pelos colegas de diferentes jornais e sites. Como se não bastasse, alguns estádios têm suas salas de imprensa atrás da torcida, que, ao comemorar um gol ou levantar para acompanhar um lance, tira a visão dos profissionais que precisam acompanhar a partida.

Poucos estádios oferecem estrutura confiável e confortável para que repórteres façam suas crônicas da tribuna de imprensa. E, na área de saída dos vestiários, o empurra-empurra é imenso, e todos acabam tendo seu trabalho prejudicado. A única preocupação dos clubes é colocar seus painéis com os logotipos dos patrocinadores atrás da área de entrevistas.

Mas a organização e a divisão das declarações a veículos diferentes não existe. Em parte, isso é culpa dos assessores de imprensa, que em boa parte parecem assessores dos clubes, e não dos jornalistas que acompanham o dia-a-dia dos clubes. Mas, verdade seja dita, grande parte dos estádios não foram modernizados desde a sua construção, quando as rádios dominavam o espaço e a imprensa escrita tinha tempo para fechar suas matérias.

Hoje, com sites e outros veículos que precisam de rapidez e agilidade, além do constante achatamento dos horários de fechamento dos jornais, os jornalistas precisam de uma área de entrevistas mais racional, priorizando emissoras de TV que transmitem ao vivo as partidas, sites e rádios.

Além disso, qual seria a razão de os clubes de futebol não incluírem nos contratos dos atletas a obrigação de falar com a imprensa em dias determinados, com organização? Qual a razão de os atletas se recusarem a falar com a imprensa por semanas e até meses? Será que o clube não vê que a sua imagem fica menos exposta, que o espaço nos jornais é reduzido e que futuros patrocinadores acabam se afastando por conta dessa e de outras atitudes totalmente amadoras?

E ainda querem fazer uma Copa do Mundo no Brasil. Até torço para que isso aconteça, pois, se sediarmos um evento deste porte, ou faremos a maior vergonha da história do Mundial, ou finalmente teremos uma revolução na cobertura do futebol nacional.

(*) Jornalista esportivo, trabalha com internet desde 1995, quando participou da fundação de alguns dos primeiros sites esportivos do Brasil, criando a cobertura ao vivo online de jogos de futebol. Foi fundador e chegou a editor-chefe do Lancenet e editor-assistente de esportes da Globo.com.’



A TRAJETÓRIA DE OCTAVIO FRIAS…
Eduardo Ribeiro

Em causa própria, 9/08/06

‘Vou me permitir neste espaço, esta semana, escrever sobre um projeto ao qual dediquei grande parte do meu tempo e de minha energia nesses últimos sete ou oito meses: a coordenação editorial do livro ‘A Trajetória de Octavio Frias de Oliveira’, de autoria do jornalista e escritor Engel Paschoal, com um perfil biográfico do publisher da Folha de S.Paulo.

Nesta 4ª.feira (9/8), num almoço na sede do Grupo Folha, nós, da Mega Brasil, mais o autor Engel Paschoal, teremos a oportunidade de fazer chegar às mãos do sr. Frias, como todos o chamam, o exemplar nº 1 do livro, numa entrega simbólica, que se antecipará ao lançamento que está marcado para a próxima 2ª.feira (14/8), no Instituto Tomie Ohtake, no bairro de Pinheiros, em São Paulo, a partir das 18h30. Será, não tenho a menor sombra de dúvida, um momento especial, emocionante mesmo, porque não é todo o dia que se pode estar ao lado de alguém com uma história como a de Frias e muito menos entregar uma obra histórica, escrita com esmero, profissionalismo e total liberdade sobre personagem tão rica e ao mesmo tempo tão reservada.

Engel e eu começamos a discutir a possibilidade de fazer esse trabalho em agosto ou setembro do ano passado, já não me lembro direito, logo após termos entregue o Prêmio Personalidade da Comunicação ao Roberto Civita, da Editora Abril. Engel procurou a mim e ao Marco Antonio Rossi, meu sócio na Mega Brasil, para sugerir que junto com o prêmio estudássemos a possibilidade de escrever um livro com um perfil biográfico do homenageado, tornando o evento ainda mais grandioso e importante.

Desafio aceito, fomos muito bem acolhidos pela Telefônica, que viu méritos no projeto e acatou as nossas ponderações de que uma obra dessa natureza teria importância histórica sobretudo por jogar luzes sobre personagens que, em que pese serem da mídia, deles pouco ou quase nada se sabia.

Quando o Conselho Curador do 9º Congresso Brasileiro de Jornalismo Empresarial, Assessoria de Imprensa e Relações Públicas indicou o nome do publisher da Folha de S.Paulo para ser o homenageado de 2006, passamos a ter em mãos, sobretudo o Engel Paschoal, um grande desafio: escrever um livro com cerca de 250 páginas, sobre um homem – como viríamos a saber – avesso a homenagens.

Esse foi o nosso primeiro golpe de sorte. Segundo revelou ao receber o Prêmio das mãos do governador de São Paulo, Cláudio Lembo, em maio passado, ele só aceitou essa homenagem por insistência dos filhos. O mesmo, obviamente, em relação ao livro que, então, já estávamos preparando.

O segundo golpe de sorte foi ter encontrado total receptividade da em geral muito reservada família Frias de Oliveira. Nas figuras dos filhos Otavio e Luís, encontramos todo o apoio para fazer uma obra de qualidade, com pleno acesso aos arquivos pessoais e profissionais da família e também aos próprios familiares, amigos e colaboradores que, em múltiplas sessões, nos foram revelando fatos e passagens as mais diversas sobre a vida e a importância de Octavio Frias de Oliveira para a Folha, para o jornalismo brasileiro e para o próprio País.

E o terceiro e decisivo fator a nosso favor foi ter tido a oportunidade de obter o depoimento de várias pessoas do convívio familiar e também de inúmeras personalidades do mundo político, empresarial e jornalístico. Era mencionar o nome do Frias e a idéia do livro, para todas as portas se abrirem, quase que por encanto.

Numa das conversas com Otavio, filho, em determinado momento, para nossa surpresa, ele disse: ‘Vocês têm total liberdade para fazer este livro e quero deixar muito claro que para nossa família e para o próprio Sr. Frias não há assunto tabu ou proibido. Podem falar, pesquisar, perguntar sobre tudo o que considerarem relevante, independentemente de serem ou não assuntos delicados para nós’. Assim foi feito.

Pensávamos, inicialmente, em umas 15, no máximo 20 fotos. O acervo ao qual tivemos acesso era tão rico que esse número triplicou, batendo em quase 60 imagens, incluindo fotografias da infância, juventude e uma plêiade de personalidades que com ele conviveram ao longo de todas essas décadas.

Tivemos um encontro de quase uma hora com o próprio Frias, no começo do ano, algumas semanas após ele ter fraturado o fêmur, situação delicada para qualquer pessoa, quanto mais para um senhor, como ele, com 93 anos de idade. Mas ele nos atendeu com a cordialidade e o bom humor típicos que o têm acompanhado por toda a vida, como pudemos comprovar ao longo desse prazeroso trabalho.

E se a conversa com ele não pode ser mais longa, até por razões efetivamente físicas, em compensação tivemos acesso a um material riquíssimo e inédito, que foi um depoimento de várias horas que ele deu, em 1989, ao longo de dois finais de semana, ao filho, Otavio Frias, e aos jornalistas Boris Casoy, Leão Serva e Clóvis Rossi.

O livro teria 250 páginas, mas acabou com 332. Sairia com uma tiragem de 3.000 exemplares, mas rodamos 4.000 para poder suprir todas as livrarias do Brasil. Nele, Engel Paschoal conta, em narrativa paralela que se vai encaixando página a página, a história de Octavio Frias de Oliveira, da Folha de S.Paulo e do próprio Brasil, a partir de acontecimentos que provocaram desdobramentos em ambos.

São inúmeras as curiosidades reveladas pela obra, como, por exemplo, a de que a Folha nasceu praticamente dentro de O Estado de S.Paulo, inclusive com o apoio deste, lá no começo do século passado. Mal podiam imaginar os Mesquita de então, que um senhor atrevido, com pouca familiaridade com o jornalismo, fosse, três ou quatro décadas depois, aos 50 anos de idade, comprar com um sócio (Carlos Caldeira Filho) aquele pasquim de quase nenhuma importância, e que o transformaria no maior e mais influente jornal do País, num típico fenômeno de criatura que supera o criador.

Preciosa também é a história sobre a compra do jornal, numa sexta-feira, 13 de agosto, com um cheque sem fundos. Detalhe que, no entanto, não caracterizava uma contravenção, pois Frias fez o pagamento, pediu para o José Nabantino Ramos, que era o proprietário, segurar o cheque até segunda, e tratou de conseguir recursos para cobrir o saldo.

Antes da Folha, Frias foi um dos precursores do mercado imobiliário em São Paulo, amicíssimo de Oscar Niemeyer, com quem desenvolveu vários projetos na capital paulista, entre eles o histórico Edifício Copan. Foi também banqueiro e quebrou, perdendo tudo o que tinha, recomeçando do zero. Nesta época ficou também sem mulher, sem amigos e sem rumo.

Já refeito, aos 50 anos reinventou sua vida, ao adquirir, quase que por acaso, a Folha de S.Paulo, jornal que transformaria com a ajuda dos filhos nesse diário que hoje conhecemos.

De personalidade singular, é uma figura querida por pessoas dos mais diferentes espectros ideológicos, exatamente por ter aberto para todas as correntes de pensamento as páginas da Folha, num movimento de independência, isenção e pluralidade que fez escola no jornalismo brasileiro.

Estendo aos leitores do Comunique-se o convite: o livro ‘A Trajetória de Octavio Frias de Oliveira’ será lançado no dia 14/8, a partir das 18h30, Instituto Tomie Ohtake, bairro de Pinheiros, em São Paulo. Será uma bela festa.

(*) É jornalista profissional formado pela Fundação Armando Álvares Penteado e co-autor de inúmeros projetos editoriais focados no jornalismo e na comunicação corporativa, entre eles o livro-guia ‘Fontes de Informação’ e o livro ‘Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia’. Integra o Conselho Fiscal da Abracom – Associação Brasileira das Agências de Comunicação e é também colunista do jornal Unidade, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, além de dirigir e editar o informativo Jornalistas&Cia, da M&A Editora. É também diretor da Mega Brasil Comunicação, empresa responsável pela organização do Congresso Brasileiro de Jornalismo Empresarial, Assessoria de Imprensa e Relações Públicas.’



MERCADO DE TRABALHO
Comunique-se

Demissões no SBT com fim de telejornal local, 11/08/06

‘Seis jornalistas foram demitidos na última semana com o fim do telejornal SBT São Paulo. Segundo a assessoria de imprensa do SBT, a emissora teria que sacrificar algum dos programas por causa do horário eleitoral, que obrigou a Casa a fazer uma reestruturação na grade.

‘O Luiz Gonzaga Mineiro (diretor de redação) reaproveitou a maioria (14), reforçando as equipes de Hermano Henning (Jornal do SBT – Edição Manhã) e de Carlos Nascimento (Jornal do SBT – Edição Noite)’, informou a assessoria.

O departamento de imprensa não soube dizer se, com o fim das eleições 2006, o telejornal vai voltar ao ar.

Até o fechamento desta nota, nossa redação não havia conseguido falar com Mineiro, tampouco com Carlos Nascimento, que também apresentava o SBT São Paulo.

Há mais de dois anos, Silvio Santos decidiu retomar o jornalismo da Casa contratando Luiz Gonzaga Mineiro, que teve a responsabilidade de contratar grandes nomes e reforçar a estrutura tanto em São Paulo quanto em outras praças. Ana Paula Padrão, cuja contratação foi a que ganhou mais destaque nos noticiários, Carlos Nascimento e Helena Chagas fazem hoje parte da equipe de jornalistas. O investimento foi pesado: Mineiro decidiu convidar profissionais de concorrentes, como os da TV Globo.’



VIDA DE JORNALISTA
José Paulo Lanyi

Deus te ajude, Lourival!, 10/08/06

‘Ainda que você mesmo não acredite n’Ele, prezado amigo, desejo-lhe proteção. Você mesmo diz que, lá embaixo, ao pé da Grande Árvore cujas folhas castigam a terra ao sabor do vento, por caírem ou atraírem a praga, a gente se imagina como um inseto, ‘com um gigante caminhando em cima da nossa cabeça, dando passos a esmo: bum, bum, indiferente a nossa sorte, sem saber que existimos’. Preocupo-me, bom Lourival, e bebo à sua saúde!

O repórter Lourival Sant’Anna – eis um caso em que a atividade fala tão alto quanto o nome ilustre- está sobrevivendo no Líbano, como, felizmente, costuma fazer em qualquer uma de suas tantas viagens a trabalho. Foi assim quando entrou no Afeganistão e tornou-se o primeiro jornalista brasileiro e um dos poucos do mundo a entrevistar os líderes taleban, aventura que, como outras, está exposta nas reportagens publicadas no seu site pessoal.

Agora o Lourival está se divertindo- por gostar do que faz- em mais uma dessas montanhas russas que, de tão escabrosas, não assustam só porque funcionam, mas porque correm, também, o risco de desabar.

Lourival conhece o melhor e o pior do ser humano, o que lhe permite enxergá-lo em sua dimensão cotidiana, aquela em que as virtudes são a ante-sala da masmorra, e vice-versa. A uma testemunha importa viver, ainda que a duras penas. É o que ele tem feito sempre, imediatamente antes de enviar o seu relato para o seu blog de guerra, publicado no Estadão. ‘Muitas coisas passam pela cabeça. Mas uma imagem muito freqüente é essa: esses pilotos não estão me vendo. Para eles, é só apertar um botão. E ir embora com o sentimento da missão cumprida’.

Lourival ainda está às voltas com a sua. Humaniza a guerra com o seu olhar goiano, e nada mais humano do que um olhar goiano, creio eu. Entre bombas e gestos solidários, joga-nos no colo o barro, o sangue e os lapsos de docilidade do mundo real. Sobra algum tempo para nos devolver à rotina, acercando-se, não sem o olhar irônico, de um universo que todos conhecemos tão bem: o da fatuidade profissional- como se observa no trecho abaixo:

‘Menos, menos

por Lourival Sant’Anna, Seção: no front às 21:03:53.

O único toque pitoresco das coberturas de guerra fica por conta dos que as fazem: os jornalistas. Eles quase sempre estão impacientes, nervosos e julgando-se mais importantes que o resto da humanidade. Na minha vinda para o Líbano, no sábado, deparei-me com uma italiana no posto de fronteira, do lado sírio. Entre os 40 e os 50, cabelos longos e cacheados, tintos de loiro, camisa branca transparente o suficiente para se ver o sutiã azul combinando com as tiras das sandálias de couro, calça bege, uma jaqueta jeans amarrada à cintura e óculos de sol na testa. Os funcionários tentavam lhe perguntar em inglês, com o caracteristico sotaque árabe, em que o ‘p’ vira ‘b’: ‘Onde seu passaporte foi emitido?’ Ela não entendia o sentido da pergunta, que eles fazem para todos: ‘What’s the probleme? I don’te understande.’

Quando finalmente respondeu ‘Milano’, eles devolveram com uma pergunta maravilhosa: ‘Jornalista de moda?’ Ela não captou a ironia, óbvio: ‘Nao vou a Beirute cobrir moda. I ame a correspondente ofe ware.’ Claro, claro. O episódio me lembrou um artigo engraçadíssimo numa revista americana, acho que a Vanity Fair, que mandou seu repórter de moda ir ‘embedded’ para a guerra no Iraque. Antes mesmo de embarcar, o cara começou a reclamar para o oficial da unidade do estilo da farda que lhe tinham dado. Lembro da pergunta do oficial, que não fazia idéia da pauta do rapaz: ‘Is that gonna be a problem, son?’ Sim, ia ser um problema. O cara azucrinou os milicos a viagem inteira. Mas acho que ainda prefiro jornalistas de moda na guerra: pelo menos não se levam a sério demais’.

Cuidado com o gigante, Lourival. Esteja vivo. E falante.

(*) Jornalista, escritor, ator, é autor de quatro livros, um deles com o texto teatral ‘Quando Dorme o Vilarejo’ (Prêmio Vladimir Herzog). No jornalismo, tem exercido várias funções ao longo dos anos, na allTV, TV Globo, TV Bandeirantes, TV Manchete, CNT, CBN, Radiobrás e Revista Imprensa, entre outros. Tem no currículo três prêmios em equipe: Esso e dois Ibest. Nascido em Brasília, filho de um oficial do Exército e de uma artista plástica, é paulistano de coração e torcedor de um clube do Rio de Janeiro: o Vasco da Gama – time que escolheu aos sete anos, quando morava no Rio Grande do Sul.’

Cassio Politi

Repórter no túnel, tiroteio à frente: furo no ar,, 11/08/06

‘O líder de uma comunidade da favela da Rocinha se afastou de seu grupo e caminhou na direção do repórter. Queria saber o que ele estava falando. Com um pedaço de pau na mão, interrompeu a gravação da passagem.

– Não são os traficantes que estão atirando, não! É a polícia!

– Amigo, dá licença. Eu preciso trabalhar.

Com a tora em riste, o líder da comunidade insistiu.

– Os tiros são da polícia! Não vem falar mentira, não.

Ali, em volta, havia uns dez policiais, que fingiram não ver a ameaça.

– Então, tudo bem, não vou gravar. Estou saindo fora.

O repórter da TV Globo estava na boca do túnel Zuzu Angel, paralisado por causa de mais um confronto entre policiais e traficantes. Ali ele passaria três horas, tempo suficiente para, entre outras coisas, se esquivar da paulada, e das balas.

* * * * *

O plantão de dez horas de duração havia terminado. Flávio Fachel deixou a Globo, no bairro do Jardim Botânico, no Rio, e ia para casa. Aproveitou para dar carona a uma colega. Eram mais ou menos dez horas da noite de sábado, 16 de julho de 2005.

No caminho, Fachel batia papo com Beth, sua amiga jornalista, quando os carros pararam repentinamente. Ele esticou o pescoço para fora da janela para ver alguma coisa. Virou-se encafifado para a colega a quem dava carona.

– Isso é tiro?!

Seu carro estava a 20 metros do fim do túnel, que desemboca perto da favela da Rocinha. Lá fora, o barulho do tiroteio era aterrorizante.

Pânico no Túnel

Fachel se lembrou das cenas de Daylight – Pânico no Túnel quando as pessoas começaram a correr pelo túnel, exatamente como acontece no filme estrelado por Sylvester Stallone. Na dura realidade do Rio, a fuga não era para fora, mas para dentro do túnel, onde as pessoas procuravam abrigo.

‘Desci do carro e, enquanto as pessoas corriam apavoradas, eu pedia um celular. Precisava entrar no ar’. A bateria do telefone de Fachel estava sem carga. Alguém decidiu emprestar o aparelho. A balbúrdia mal começara e o jornalista já estava no ar na Globonews, por telefone. Fez um flash e, em seguida, discou para a redação da Globo, pedindo equipe.

Vinte minutos depois, o cinegrafista Mário Ferreira e o assistente Alexandre Barros desciam da moto, no túnel, equipados.

Corre!

Com a equipe a postos, a ordem era não se arriscar. Mas o instinto de jornalista falava mais alto. Era preciso ter imagens. Por um recurso técnico da câmera, que recupera os 5 segundos anteriores à filmagem, Ferreira conseguiu filmar a explosão de uma bomba em um transformador. Quase junto com a explosão, as luzes do túnel se apagaram. Fachel notou que os policiais, até então em posição de combate, correram sem nenhuma organização.

– Corre! Corre! Eles vão entrar! Corre que eles vão entrar! – gritou um policial, referindo-se aos traficantes.

O coração do jornalista palpitou quando, depois de um pique, ele conseguiu entrar em um dos túneis que ligam as duas pistas do túnel. Felizmente, os traficantes não entraram. Não aconteceu nada. Mas as balas eram de verdade. Um tenente falou baixinho com Fachel.

– Olha… não aconteceu nada uma ova. Está vendo aquelas marcas ali, na parede?

– Estou.

– São tiros. Os caras meteram tiros aqui dentro.

O jornalista descobriu que quando correu, correu de balas. ‘Até a polícia ali correu das balas’.

Vallet

A polícia demorou mais ou menos uma hora para tirar os carros do túnel. Os motoristas eram chamados, um a um, para tirar os veículos e ir embora pela outra extremidade do túnel, livre de tiros. Um último carro ainda estava ali. O policial ficou procurando o dono.

– Vem cá? Esse carro é seu?

– Sim, é meu – respondeu Fachel

– Mas você não vai tirar?

– Não, estou trabalhando.

– Ah, ok.

No ar

A onda de violência naquela noite tinha uma explicação. Um traficante dava uma festa naquela noite e a polícia fez uma operação para surpreendê-lo. O tiroteio começou na favela e foi parar na boca do túnel. Os cidadãos pagaram o pato. No dia seguinte, a matéria foi ao ar no Fantástico. Depois, em todos os telejornais da Globo. A equipe de reportagem focou no desespero das pessoas que passavam pelo túnel.

– Quero ir embora! Quero a minha mãe! – foi a sonora, marcante, de uma criança chorando.

A reportagem teve passagem, que só saiu porque Fachel conseguiu driblar a marcação ameaçadora do líder comunitário, que possivelmente não gostou do conteúdo.

– Os traficantes começaram a jogar bomba de fabricação caseira em cima dos carros que passavam aqui, na auto-estrada Lagoa-Barra. O motorista, o cobrador e os passageiros daquele ônibus lá abandonaram o veículo – foi o que o repórter falou na passagem.

Além da repercussão que teve por vários dias, a matéria foi finalista do Prêmio Embratel de 2005. E foi finalista porque um sujeito comum no túnel era repórter. Ou melhor: um repórter estava no túnel. Cidadãos comuns eram os outros.

* * * * *

(*) Cassio Politi é jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero. Atuou como videorrepórter de matérias de Cidades e Especiais no Uol News, comandado por Paulo Henrique Amorim até 2004. Trabalha com Internet desde 1997. Esteve em projetos pioneiros em jornalismo na Web, como sites da Zip.Net. Ministra cursos de extensão há cinco anos e deu aulas em 24 estados brasileiros para quase 2 mil jornalistas e estudantes de Jornalismo. Atualmente, tem suas atenções voltadas para a área de Marketing. Ocupa o cargo de Diretor da Escola de Comunicação, a unidade de cursos e seminários do Comunique-se.’



DIPLOMA EM DEBATE
Carlos Chaparro

O diploma não pode ser o eixo da discussão, 11/08/06

‘O XIS DA QUESTÃO – Não dá mais para agüentar essa discussãozinha, pobre e empobrecida, em torno da obrigatoriedade ou não do diploma, uns a favor, outros contra, e só, como se o começo e o fim de tudo estivesse em limitar o direito de ser jornalista. Precisamos, sim, encontrar caminhos e formas de chegar a uma ‘Lei Maior’ da profissão que leve em conta as razões da sociedade – algo que em alguns países é chamado de ‘Estatuto do Jornalista’.

1. Por um acesso mais amplo

Compromisso assumido é coisa sagrada. Por isso, aqui estou para, logo na abertura do texto, revelar a minha posição quanto à questão do diploma: já fui a favor; hoje, porém, discordo da obrigatoriedade do diploma de um curso superior de jornalismo, como exigência linear, absoluta, universal, para ingressar na profissão e exercê-la.

Mas sou tão contra a obrigatoriedade do diploma de jornalista quanto a favor do estudo do jornalismo em nível superior. Por isso, entendo que, qualquer seja o modelo de regulamentação da profissão de jornalista a que cheguemos, ele deve, sim, tender para a exigência de uma formação superior, em cursos reconhecidos. Ao mesmo tempo, porém, deveria conter fortes mecanismos de valorização dos cursos de jornalismo (graduação e pós-graduação), vinculando-os à responsabilidade de corresponder às expectativas e demandas da sociedade em relação à excelência da formação profissional e intelectual dos profissionais jornalistas.

Na minha avaliação, levando em conta as complexidades e liberdades do mundo atual, e o que ele exige do jornalismo, o ingresso na profissão de jornalista deveria ser acessível a quaisquer cidadãos no pleno uso dos seus direitos, desde que provem ter formação superior concluída (com exceção das atividades em que tal exigência seja descabida). Precisariam, porém, passar por um período de estágio ou experiência probatória (no mínimo seis meses, no máximo um ano), com a devida remuneração, e com a obrigação de nesse período fazerem estudos sobre jornalismo, com orientação pedagógica.

Já aos cidadãos formados em jornalismo seria assegurado o acesso direto e pleno ao exercício da profissão. E igual direito deveria ser assegurado àqueles que, com formação superior em outra área, tivessem feito ou estivessem fazendo pós-graduação em jornalismo.

2. Por uma outra discussão

A minha opinião pouca ou nenhuma importância tem, se ficar limitada à pobre questão de ser contra ou a favor da obrigatoriedade do diploma. O que precisamos, e com urgência, é rechear a polêmica com argumentos e razões que levem em conta a dignidade e a identidade da profissão, qualquer que seja o lado de onde venham os argumentos e as razões. O que implica levar o debate para terrenos argumentativos mais filosóficos e menos instrumentais.

Do meu ponto de vista, não dá mais para agüentar essa discussãozinha, pobre e empobrecida, em torno da obrigatoriedade ou não do diploma, uns a favor, outros contra, e só, como se o começo e fim de tudo estivesse em disciplinar e limitar o direito de ser jornalista.

Ora, a regulamentação profissional tem de ser decorrência de razões maiores. Com ou sem obrigatoriedade do diploma (e admito que podem existir bons argumentos em favor de qualquer das alternativas), a regulamentação profissional deve servir a um conceito de sociedade. O que pressupõe o entendimento claro das competências (técnicas, discursivas e intelectuais) exigidas do jornalismo em tal sociedade, no recorte de uma dada realidade – no caso, a realidade brasileira, com suas peculiaridades e sua história, na experiência própria de fazer jornalismo.

Sem essa discussão preliminar, de fundo, qualquer tentativa de impor uma regulamentação profissional pode resultar em aleijão, como esse recentemente vetado pelo Presidente da República.

3. Por uma ‘Lei Maior’

Em resumo, quero dizer o seguinte: a sociedade e o grupo profissional dos jornalistas precisam encontrar caminhos e formas de chegar a uma ‘Lei Maior’ da profissão – algo que em alguns países é chamado de ‘Estatuto do Jornalista’, com forma e força de Lei.

Dessa ‘Lei Maior’, e não dos jogos de poder em disputas corporativas, deveriam derivar os documentos normativos do exercício profissional: a regulamentação do acesso à profissão e os códigos ético-deontológicos para o seu exercício.

Para se chegar a esse estágio, talvez o Brasil precise criar alguma entidade de direito público que, com independência e representatividade, possa atuar no território da regulamentação profissional dos jornalistas, em articulação com os poderes legislativos do País. Como chegar aí, não sei. Mas se Portugal, por exemplo, já tem o seu Estatuto do Jornalista, porque não podemos nós, aqui, avançar até esse ponto? Acrescente-se que, para zelar pelo cumprimento do estabelecido pelo Estatuto quanto ao acesso à profissão e ao seu exercício, existe em Portugal, com poder específico, a Comissão da Carteira Profissional de Jornalistas, entidade de direito público independente, presidida por um juiz designado pelo Conselho Superior da Magistratura.

Claro que não estou propondo a transposição pura e simples da experiência portuguesa para o Brasil. São realidades, tradições, problemáticas, vivências e convicções diferentes. Mas há que levar em conta, como referência para as discussões a travar entre nós, as experiências de outros povos e de outras culturas, nas várias partes do mundo onde o jornalismo está vinculado a processos de construção democrática.

Já agora, e aceitando como provocação a experiência portuguesa, vale perguntar: por onde anda, e o que faz, o nosso Conselho de Comunicação Social, previsto pela Constituição de 88? – e agrego à pergunta a informação de que esse Conselho existe há quase 15 anos, instituído que foi em 30 de dezembro de 1991, pelo Presidente da República de então, para atuar como órgão auxiliar do Congresso, nos deveres de zelar pelos objetivos constitucionais, no âmbito da Comunicação Social.

(*) Carlos Chaparro é português naturalizado brasileiro e iniciou sua carreira de jornalista em Lisboa. Chegou ao Brasil em 1961 e trabalhou como repórter, editor e articulista em vários jornais e revistas de grande circulação, entre eles Jornal do Commercio (Recife), Diário de Pernambuco, Jornal do Brasil, Folha de S. Paulo, Diário Popular e revistas Visão e Mundo Econômico. Ganhou quatro prêmios Esso. Também trabalhou com comunicação empresarial e institucional. Em 1982, formou-se em Jornalismo pela Escola de Comunicação de Artes, da USP. Também pela universidade ele concluiu o mestrado em 1987, o doutorado em 1993 e a livre-docência em 1997. Como professor associado, aposentou-se em 1991. É autor de três livros: ‘Pragmática do Jornalismo’ (São Paulo, Summus, 1994), ‘Sotaques d’aquém e d’além-mar – Percursos e gêneros do jornalismo português e brasileiro’ (Santarém, Portugal, Jortejo, 1998) e ‘Linguagem dos Conflitos’ (Coimbra, Minerva Coimbra, 2001). O jornalista participou de dois outros livros sobre jornalismo, além de vários artigos (alguns deles sobre divulgação científica pelo jornalismo), difundidos em revistas científicas, brasileiras e internacionais.’



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