Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 13 E 14/01

Comunique-se

16/01/2007 na edição 416

VENEZUELA
Milton Coelho da Graça

Um não tem equilíbrio. E o outro?, 12/01/07

‘Hugo Chavez fez campanha presidencial espalmando as duas mãos na TV e garantindo que teria dez milhões de votos. O eleitorado venezuelano é pouco superior a 15 milhões e o país tem tradição de altas taxas de abstenção. Chavez foi consagrado por mais de 11 milhões de votos – 62% – mas mesmo assim teve de amargar o dissabor de nem chegar perto da meta prometida.

Esse é seu ponto mais fraco: Chavez é obstinadamente daquele tipo que conhecemos bem, sempre fala além da conta e não existe assessor de imprensa que consiga segurá-lo.

A Venezuela, como Estado soberano e a legitimidade de um governo democrático, eleito por maioria expressiva de seu povo, tem total direito de decidir, dentro dos prazos fixados em lei, sobre concessões de rádio e tv, da mesma forma como os Estados Unidos e o Brasil.

Chavez resolveu anunciar que a concessão da Rádio Caracas não será renovada e o Secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, decidiu opinar contra essa intenção, atitude incompatível com a natureza de seu cargo. E foi, justa mas exageradamente, chamado de ‘imbecil’ pelo presidente venezuelano.

Você acha que nossa imprensa tratou todo este episódio de maneira equilibrada?

Evidentemente nada fica evidente

Políticos – especialmente presidentes de partido – têm aquele estilo de falar sem dizer nada, sempre na base do ‘não me comprometa por favor’. Mesmo não sendo nenhuma novidade, acho que vale a pena transcrever duas respostas de Ricardo Berzoini, presidente do PT, ao repórter Ricardo Taffner, do jornal on-line Congresso em Foco, em longa entrevista sobre o apoio do PMDB à candidatura de Arlindo Chinaglia:

Então o PT não teria nenhum problema em apoiar Aldo Rebelo, caso esse seja o entendimento da base?

Não, veja bem. Não posso em hipótese alguma entrar nesse mérito. Até porque a candidatura não é do PT. É um deputado do PT que tem o apoio do partido. Mas é uma candidatura que tem hoje um apoio muito grande na Câmara dos Deputados. Então, quando eu digo que o ideal é termos uma candidatura única, evidentemente eu trabalho de um ponto de vista. Evidentemente, respeitando aqueles que entendem que essa candidatura única se materializaria na candidatura do deputado Aldo Rebelo.

Quem está com essa decisão hoje?

Não é nenhum partido em especial. É óbvio que o PMDB tem um papel importantíssimo pelo tamanho da sua bancada e pela, digamos, capilaridade que o partido tem. Mas não tem nenhum partido que tem prioridade nesse processo. Os partidos estão buscando discutir internamente. E com certeza, daqui até o final de janeiro, vão amadurecer suas posições. Se for possível uma única candidatura na base do governo, ótimo. Se não for possível, tem que se trabalhar com a realidade e buscar construir um ambiente de disputa de alto nível.

(*) Milton Coelho da Graça, 76, jornalista desde 1959. Foi editor-chefe de O Globo e outros jornais (inclusive os clandestinos Notícias Censuradas e Resistência), das revistas Realidade, IstoÉ, 4 Rodas, Placar, Intervalo e deste Comunique-se.’



MÍDIA & JUSTIÇA
José Paulo Lanyi

A Justiça precisa de copidesque, 9/01/07

‘Depois da tempestade, a bonança; depois da guerra, a paz; depois da obscuridade, a luz; depois da… Vamos e venhamos: não bastava vivermos em um país em que a Justiça é costumeiramente aviltada pela ineficácia de seus mecanismos e o conseqüente acúmulo de processos em suas prateleiras, eletrônicas ou não. Não bastava vivermos numa terra em que os abonados têm mais chance de se safar, protegidos por defensores munidos de lupas douradas que perscrutam as entrelinhas e as letras miúdas de rodapé. Não bastavam as leis que não pegam, por intempestivas ou estapafúrdias, ou leis que pegam ‘só para a maioria’, ou leis que não prevêem sanção, que estão aí só para fomentar o escárnio geral da Nação.

Neste Brasil kafkiano, a Justiça precisa de copidesque. É o que se depreende das decisões que produziram essa cizânia do bloqueio geral dos acessos ao YouTube, pós-exibição do intercurso marítimo de Cicarelli&namorado. O caso foi publicado por este Comunique-se (leia YouTube:Telefônica também bloqueia site).

Hoje o Consultor Jurídico apresentou o desfecho do imbróglio protagonizado pelo desembargador Ênio Santarelli Zuliani, da 4ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo. Resumo: o juiz tencionava determinar o bloqueio do vídeo do ‘casal Cicarelli’, não o conteúdo inteiro do YouTube. O problema é que, apesar dos desmentidos do magistrado em entrevistas posteriores, a sua própria medida liminar teria mandado tesourar geral, o que levou os provedores de internet no Brasil a bloquear todos os acessos ao YouTube. Diante dessa babel jurídica, o jeito foi esclarecer depois. E o desembargador, em novo despacho, ordenou o desbloqueio do site, vedando-se apenas a exibição das imagens em análise.

Ainda bem… Caso contrário, a palavra que definiria tudo seria censura. Assim, sem mais. E o Brasil pode até ser uma democracia injusta, mas uma democracia é melhor do que nada.

O ‘casal Cicarelli’ tem o direito de processar todos os meios que extrapolaram ao reproduzir aquele vaivém aquático tão-somente para ganhar dinheiro e audiência, à custa do arroubo inconseqüente da dupla (tão inconseqüente que deu no que deu, e aqui não há nenhum vestígio de moralismo deste autor; lembre-se, em acréscimo, que Cicarelli é ‘pessoa pública’, deveria zelar pela sua imagem e pela nossa paciência). Mas o embargo de todo o conteúdo (estranho ao fato jurídico) caberia bem em qualquer republiqueta de fundo de quintal administrada por um ditador bem intencionado qualquer. O que não é o caso por aqui, ainda.

De resto, é aproveitar para propor menos juridiquês e mais clareza. Hermetismo e desatenção provocam cisão social. E isso só é bom para uma meia-dúzia de privilegiados. Os demais são obrigados a se queixar para o bispo, e hoje em dia isso quase sempre dá em nada.

(*)Jornalista, escritor, dramaturgo, crítico, escreveu quatro livros, um deles com o texto teatral ‘Quando Dorme o Vilarejo’ (Prêmio Vladimir Herzog). No jornalismo, tem exercido várias funções ao longo dos anos, na allTV, TV Globo, TV Bandeirantes, TV Manchete, CNT, CBN, Radiobrás e Revista Imprensa, entre outros. Tem no currículo vários prêmios em equipe, entre eles Esso e Ibest, e é membro da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes).’



DIPLOMA EM DEBATE
Tiago Cordeiro

BO confirma: juiz deu voz de prisão a repórter, 12/01/07

‘O juiz Richard Fernando Silva deu voz de prisão ao repórter Silvério Netto, no dia 14/12, por atividade ilegal de profissão, apesar da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de que o diploma não é necessário para o exercício do jornalismo. O Comunique-se teve acesso ao boletim de ocorrência da prisão do jornalista (imagens) que diz claramente que ele foi preso por ‘Exercício Ilegal da Profissão’.

O documento confirma a informação que o Comunique-se veiculou sobre a prisão do jornalista, que não tem diploma. ‘Solicitados pelo juiz de direito do Juizado Especial, Dr. Richard, comparecemos no local’. Logo depois, o texto confirma que o juiz interrogou o repórter no momento em que ele lhe perguntou sobre o destino dos recursos do tribunal. ‘Tendo identificado como repórter, sem, contudo, preencher os requisitos exigidos por lei’, afirma.

Erro

Procurado pelo Comunique-se, o juiz evitou falar sobre o assunto. Afirmando estar de férias, ele pediu ‘descanso’ para a imprensa e afirmou que todas as informações estariam nos autos, disponíveis apenas para quem comparecer ao Juizado Especial de Pará de Minas (MG). ‘Juiz não tem versão, juiz decide. Juiz nunca erra, ele decide’, afirmou Richard.

‘Veja, todos os erros judiciais cabem recurso. É um órgão apto a recorrer. Não adianta discutir um fato em julgamento comigo de férias, senão eu volto à ativa. Se é um erro ou acerto, isso será julgado pelo judiciário’, explicou. O magistrado reclamou da interrupção do seu recesso e solicitou a reportagem que comparecesse na cidade ao invés de lhe telefonar.

Mistério

Para o advogado Ronaldo Galvão, o motivo de qualquer mal estar entre ele e o juiz é uma incógnita. Uma pergunta do advogado sobre o destino de verbas do juizado foi repetida por Netto imediatamente antes do juiz decretar voz de prisão. ‘Os debates mais acirrados que já tivemos foram dentro da lei, mas não imagino como ele poderia ficar ofendido com isso’, declarou.’



MERCADO EDITORIAL
Eduardo Ribeiro

Um passeio pela imprensa da vizinha Argentina, 10/01/07

‘Márcia Carmo, que mora já há algum tempo em Buenos Aires, atuando como correspondente na Argentina para publicações brasileiras, fez, para esta coluna, um artigo na qual dá sua visão sobre os desafios que se apresentam para a imprensa do país vizinho, incluindo a atuação da imprensa estrangeira. Vale a pena passear com ela pela imprensa de nossos hermanos portenhos.

‘O Ano Novo será de eleições na Argentina e de novos desafios para a imprensa do país. Eleição presidencial em outubro e pleitos, em diversas datas, nas províncias. Diferentemente do Brasil, as províncias obedecem a constituições e calendários próprios.

Pesquisas de opinião indicam que o presidente Nestor Kirchner é o favorito nas intenções de votos. Em 2º lugar, nos mesmos levantamentos, está a primeira-dama, senadora e (quase) presidenciável Cristina Fernández de Kirchner. Os dois são avessos a falar com os jornalistas – tanto nacionais quanto estrangeiros. Preferem o palco, com discursos diretos ao grande público, e sem intervenções. Sem dúvida, se nada mudar até outubro, este será o grande desafio da cobertura: interpretar os recados do presidente nos discursos mostrados sempre ao vivo pela tevê. Ele, a mulher e a ministra da Economia, Felisa Miceli, obedecem à mesma fórmula de comunicação. E os demais ministros – com pouquíssimas exceções – não falam nunca. Nem nos palanques.

Vale observar que atitude semelhante é adotada pelos presidentes do Uruguai, Tabaré Vázquez, e do Chile, Michelle Bachelet. Mas, ainda assim, eles costumam dar entrevistas com maior freqüência do que as sucessivas e já costumeiras negativas de integrantes de peso do governo Kirchner.

Os argentinos começam mais um ano com o pé direito, graças à histórica expansão econômica – que eles comparam a ‘taxas chinesas’. E apesar da volta do velho fantasma da inflação. Assim, o novo ano, na Argentina, promete notícias de destaque tanto na área política quanto econômica.

Na cúpula da imprensa escrita, 2006 foi ano de mudanças, como a ocorrida no Ámbito Financiero, principal jornal de economia do país, com a morte de seu dono, Julio Ramos. O jornal Clarin, o mais vendido da Argentina, passou a publicar, aos sábados, suplemento de reportagens (vale a pena ler) do New York Times, enviadas de todos os continentes. El Cronista, também dedicado a assuntos econômicos, foi vendido a um empresário nacional e deputado federal, Francisco de Narváez, opositor de Kirchner. O jornal (com papel numa cor entre o rosa e o mostarda) começou o ano com novo diretor de jornalismo, o respeitado Guillermo Kohan, que já trabalhou em tevê e em rádio.

Na área de internet, surgiram novidades como AsteriscosTV – notícias de última hora e entrevistas enviadas, gratuitamente, para seus assinantes. O jornal Perfil, da editora de mesmo nome, também passou a ter o seu website.

No último fim de semana de dezembro, a revista Notícias publicou que o canal 9, metido em dívidas, mudaria de dono.

Enfim, tempos de crescimento econômico, novos e velhos donos da imprensa e de insistir e insistir por entrevistas com integrantes do governo Kirchner – começando pelo próprio. Afinal, jornalismo também é persistência.’

Márcia também informa que o repórter Jacques Gomes Filho, que foi da Band, em São Paulo, decidiu investir num mestrado em Jornalismo Internacional na Universidade de Buenos Aires e aproveita sua estada na capital argentina para fazer frilas para o SBT Brasil e para a TV Terra, além de escrever, aos sábados, para o Diário da Região, de São José do Rio Preto.

Vaivém pelas redações

Para um começo de ano, a movimentação nas redações foi grande. Acompanhe:

Aureliano Biancarelli, ex-Folha de S.Paulo, onde trabalhou por 15 anos, e que nos últimos dois esteve em Moçambique escrevendo sobre epidemia de Aids, começou no caderno Aliás do Estadão.

Cristina Zahar (ex- Caras, ViverBem e Folha de S.Paulo) aceitou convite da Editora Escala para ser a editora-chefe da Flash e ali chega com a missão de reformular o projeto da revista, que nasceu de uma parceria (já rompida) da empresa com o apresentador Amaury Jr.

Na Gazeta Mercantil, Solange Guimarães, ex-Investnews e BIG – Brasil International Gazeta (newsletter diária produzida com conteúdo da Gazeta Mercantil e JB, em português, inglês e espanhol – em francês e árabe, semanalmente), foi contratada como repórter especial da editoria de Finanças, que passará a ter novos espaços fixos nas próximas semanas. Na editoria de Agronegócios, foi contratada como repórter Fabiana Batista, que já havia trabalhado no jornal entre 2000 e 2002, na sucursal de Cuiabá; ela vem do Canal Rural, em São Paulo, e entra na vaga de Juan Velasquez, que passou a reforçar a editoria de Indústria, também como repórter. A Gazeta está abrindo ainda um programa para dois estagiários, que circularão durante um ano pelas várias editorias do jornal e, ao final, poderão ser contratados. A primeira vaga será ocupada por Fernando Ribeiro, aluno do 4º ano de jornalismo da Universidade Anhembi-Morumbi.

A redação do SescTV também tem gente nova: as pauteiras Fernanda Albuquerque e Tatiana Lotierzo. Fernanda vem da comunicação do Paço das Artes, tendo passado anteriormente três anos na revista gaúcha Aplauso; e Tatiana estava na área de difusão do Centro de Estudos da Metrópole (vinculado à Fapesp).

No Jornal da Tarde, registro para a saída do editor-assistente de Economia Roberto Iizuka – ele foi para a Global Investments e vai trabalhar com relatórios de gestão. No lugar dele entra o até então repórter Reynaldo Gollo, abrindo caminho para a chegada (por enquanto como frila) de Marcos Burghi (ex-assessoria de imprensa da Prefeitura de Santo André). Também deixou o JT o repórter de Esportes André Amaral, que está com mudança para o Rio de Janeiro, onde pretende se dedicar a projetos pessoais.

Sabrina Pires (ex-apresentadora da Rádio Bandeirantes AM/FM e repórter da Rádio Eldorado, CNT e Autoinforme) está de volta ao Brasil após temporada de estudos em Dublin, na Irlanda. Fazendo caminho inverso, Graziella Beting, editora-assistente da revista História Viva, da Duetto, passa, a partir deste mês, a colaborar com a revista à distância, e não mais diariamente, na redação. Prepara, assim, sua mudança para Paris, com a perspectiva de ali permanecer pelos próximos dois anos. Vai fazer mestrado em jornalismo e atuar como correspondente de veículos diversos, inclusive da própria Duetto. Continuará, além disso, editando, da França, o site sobre restauro e conservação de livros (www.aber.org.br), que mantém há dois anos e meio.

Ex-correspondente da Folha de S.Paulo em Londres e ex-repórter das editorias Brasil e Esporte do jornal, Fábio Victor assumiu nesta 2ª.feira (8/1) a função de pauteiro da sucursal de Brasília. Na Folha há quase dez anos, depois que deixou Londres, em meados de 2006, Fábio voltou a viajar para cobrir a Copa, retornando a São Paulo, na cobertura das eleições.

A ex-estagiária Michelle Mattos chega à CBN, no lugar da repórter Luciana Seabra, que está deixando a rádio.

Vaivém nas Assessorias de Governo

Girando o mercado, tivemos também profundas mudanças na área de assessoria de imprensa, principalmente (mas não somente) na área de Governo, com a posse dos novos governadores.

No Rio, conforme escreveu a correspondente Cristina Vaz de Carvalho, a assessoria direta do governador Sérgio Cabral, subordinada à Secom/Casa Civil, tem um grupo da FSB prestando serviços. À frente está Isabela Abdalla que, entre outras funções estratégicas, vai fazer a ponte entre o governador e os gabinetes (o suporte é de Nara Franco e Cacau Araújo). Na Coordenação Executiva da Comunicação com as secretarias, está Valéria Blanc, que acaba de deixar a revista Época (tem o apoio de Patrícia Faria, levantando pautas nas diversas áreas). Na assessoria direta ao governador, incluindo o acompanhamento na rua, está Ivone Malta, ex-SuperVia Trens Urbanos. O subsecretário de Comunicação Social é Ricardo Cota, que tem como subsecretários-adjuntos Dulce Jannotti, que assessorou Cabral na Alerj (Assembléia Legislativa), Clarimundo Flores, que trabalhou na Secom no governo Rosinha, transferindo-se depois para a revista TN Petróleo, e Francisco de Assis Neto, o Kiko, vindo da Prefeitura de Duque de Caxias. Com Dulce deve continuar Edgard Arruda, e chega Aurélio Gimenez, transferido da antiga Ação Social. Do antigo quadro, a subsecretária Tânia Lazzoli deve ir para o MIS (Museu da Imagem e do Som), a adjunta de Imprensa Isabelle Coelho, para a equipe da Cedae, e a adjunta de Relações Institucionais Glória Nunes, para a Fesp (Fundação Escola de Serviço Público). Da equipe de atendimento, saíram Léa Agostinho, Adriana Monteiro, Denise Oliveira e Paulo Braga.

Ainda no Rio, alguns secretários mantêm seus assessores. Em Agricultura Pecuária e Pesca, permanece o secretário Christino Áureo, com o mesmo assessor Antônio Fábio. Para Ambiente, Carlos Minc levou Roni Lima. Na Cultura, Luiz Paulo Conde continua com Wilson França. A ex-chefe de gabinete de Conde, Célia Abend, depois de dez anos com ele, parte para carreira solo. Célia e Mônica Ramos (que assessorou Jandira Feghali), agora também com empresa própria de assessoria, hospedam-se provisoriamente na Monte Castelo, de José de La Peña Neto. Antonio Cunha deixa a Cedae, sendo substituído por Iuri Cardoso, que acompanha o ex-secretário de Energia Vagner Victer, novo presidente da estatal. Tânia Malheiros deixou a Saúde, e pode ir para a Assistência Social. Silvia Cosenza acompanha o ex-secretário de Desenvolvimento, em sua ida para a Presidência da agência de fomento InvestRio. Paulo Alberto Monteiro de Barros, o Artur da Távola, é o novo presidente da Rádio Roquette 94,1 FM. Ele deixa a Rádio MEC depois de 50 anos na casa onde teve seu primeiro emprego como radialista, e substitui Jorge Guilherme Pontes.

Em Brasília, informa a correspondente Kátia Morais, Omézio Pontes assumiu a Assessoria de Imprensa do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, que aboliu o cargo de porta-voz do governo. Pontes foi do Correio Braziliense até 1992 e, depois disso, passou a trabalhar com Arruda em suas últimas quatro campanhas, inclusive como coordenador de Comunicação nas eleições passadas. A equipe da assessoria ainda está sendo montada, mas já conta com o reforço de Paulo Pestanha (ex-Jornal de Brasília). Ainda no DF, Alexandre Menegale começou na comunicação da Secretaria de Cultura, que tem como titular o também jornalista Silvestre Gorgulho.

Também na Bahia, o quadro começa a se definir. Conforme destaca o correspondente Vanderlei Carvalho, aos poucos o governador Jaques Wagner monta a sua equipe de comunicação na Agecom, que ganhou status de Secretaria. Tendo à frente o engenheiro Robinson Almeida, cuja nomeação provocou protestos entre os profissionais baianos, as coordenações estão assim distribuídas: Pedro Formigli (Executiva), Ivana Braga (Jornalismo), Eduardo Eurico (Televisão), Alberto Freitas (Redação), Manu Dias (Fotografia), Edmundo Filho (Rádio), Valéria Valverde (Informática) e Antonio José (Propaganda). Também já estão fechados os cargos ocupados no Irdeb (Instituto de Radiodifusão do Estado da Bahia), ao qual estão ligadas a TV Educativa e a Rádio Educadora. Na tevê, o cineasta Pola Ribeiro é o diretor-geral, Celso Carvalho continua na Diretoria de Operações, Josias Pires é o novo coordenador de TV, com Mário Sartorello na Coordenação de Rádio. Silvana Moura deixa a Coordenação de TV e assume a de Produção. Com a mudança de Governo, Rogaciano Medeiros deixou o cargo de assessor da Bahiatursa e assumiu a assessoria da Prefeitura de Camaçari; até segunda ordem, Mauricio Souto Mayor continua na equipe da estatal. Shirley Pinheiro e Yuri Rubin assumiram a Assessoria de Comunicação da Secretaria de Cultura do Estado. Ela já estava no governo de Paulo Souto, no comando da assessoria da Fundação Luiz Eduardo Magalhães, e é sócia da Cia. de Comunicação. Ele é filho de Albino Rubin, ex-diretor da Faculdade de Comunicação da UFBa, intimamente ligado ao PT do governador Jaques Wagner.

No Rio Grande do Sul, Isara Marques deixou a Coordenação de Imprensa da Prefeitura de Porto Alegre para assumir o mesmo cargo na Administração Yeda Crusius, no Governo do Estado. No lugar dela entrou Luiz Aquino, que atuou durante seis anos no Diário Gaúcho, mais recentemente como editor-adjunto. Isara terá ao seu lado, na Assessoria do Governo do RS, cinco coordenadores: Bia Lopes (Jornalismo), que está em sua quarta passagem pelo Palácio Piratini, Jefferson Bernardes (Fotografia), Maria Alcívia da Silveira (Rádio), Ana Winter (Interior) e Pedro Calvi (Televisão). Paulo Fona, de Brasília, que foi anunciado porta-voz do Governo, ainda não teve sua nomeação publicada no DO. Completam a equipe Léa Maria Aragon, Daniel de Andrade, Karina Schuch Rief, Mauro Mattos, Abrahão Zimerman, Ana Maria Jung, Denise Castro Galli, Carlos Augusto Stefanello de Araújo, Ari Teixeira, Rui Felten, Aldemir Lauri Kerschner, Cristina Lac Roche, Lisiane Regina Volkweis, Daniel Ramos, Margareth da Silva Paula, Linei Zago e Paulo Roberto Rodrigues da Silva.

Em São Paulo, temos Fernando Granato confirmado como assessor de imprensa da Casa Civil do Governo de Estado, que tem como titular Aloysio Nunes Ferreira Filho.

Na Máquina da Notícia, uma das maiores agências de Comunicação do País, também o ano começa com muita movimentação. Heloiza Carvalho deixou, no final de dezembro, a agência onde trabalhou por oito anos, nos últimos três como diretora de Atendimento. Ela era responsável pelo Núcleo Financeiro. Com sua saída, o dia-a-dia do Núcleo de Finanças foi assumido por Daniele Lua, vinda da filial Rio da agência. Já os trabalhos envolvendo reestruturações societárias e o Novo Mercado (Oferta Pública de Ações, também conhecido como IPO) passaram a ser geridos pela Máquina Finance, nova unidade do Grupo dirigida por Mauro Teixeira, e para a qual chegaram recentemente Miriam Kenia (ex-IstoÉ Dinheiro), Amanda Brum (ex-Broadcast, com passagem pela Publicom) e Marcelo Pinho, vindo da Telemar. Esse grupo, reforçado por Josi Alves, que deixou o atendimento do iG, e Paula Dias, que era atendimento da AmBev (ambas pela própria Máquina), cuidou da divulgação da reestruturação societária da Fosfértil e está atualmente envolvido com dois contratos de IPO, por enquanto sigilosos.

(*) É jornalista profissional formado pela Fundação Armando Álvares Penteado e co-autor de inúmeros projetos editoriais focados no jornalismo e na comunicação corporativa, entre eles o livro-guia ‘Fontes de Informação’ e o livro ‘Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia’. Integra o Conselho Fiscal da Abracom – Associação Brasileira das Agências de Comunicação e é também colunista do jornal Unidade, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, além de dirigir e editar o informativo Jornalistas&Cia, da M&A Editora. É também diretor da Mega Brasil Comunicação, empresa responsável pela organização do Congresso Brasileiro de Jornalismo Empresarial, Assessoria de Imprensa e Relações Públicas.’

Marcelo Tavela

Mariana Kalil é a nova editora do Caderno B, do JB, 12/01/07

‘O tradicional suplemento de cultura Caderno B, do Jornal do Brasil, tem uma nova editora. Desde a quinta-feira (11/01), Mariana Kalil, ex-Istoé Gente, substitui Cleusa Maria, que deixou o jornal.

‘O caderno tem saído com oito páginas. A idéia é dar uma encorpada, fazer mais matérias não só de cultura, mas também de comportamento. O JB sempre lançou tendências, então pretendemos voltar a fazer isso’, diz Mariana. ‘Queremos retratar o Rio, fazer um caderno charmoso como o Rio’, completa.

A nova editora trabalhará com a mesma equipe que já vinha produzindo o Caderno B e contará também com repórteres de suplementos como a revista Programa e a .TV, todos do núcleo de entretenimento do JB, coordenado por Marina Caruso.’

Rodrigo Capella

Como conquistar leitores?, 12/01/07

‘Esse será, com certeza, o grande desafio do mercado editorial no ano de 2007. Para superá-lo, inúmeras propostas têm sido debatidas nos diversos ambientes literários, mas uma em especial merece comentários, por ser a mais plausível. Trata-se da imediata inclusão de atitividades editoriais no ambito escolar e universitário, tais como visitas frequentes ás editoras para acompanhamento da diagramação e para a observação da rotina de trabalho dos profissionais que fazem os escritos virarem obras, algumas até clássicas.

Tal proposta, muito comum em país de primeiro mundo, aguçaria a curiosidade dos pretendentes a leitores e seria um trampolim para que eles mergulhassem nas histórias, dos mais diversos gêneros. O mecanismo é simples, mas, infelizmente, esbarra-se em questões burocráticas, conservadoras e governamentais. Por isso, precisamos nos inspirar em Policarpo Quaresma, que incansavelmente buscou um Brasil melhor e mais humano. O momento é esse!

Justificando: o mercado editorial só estará contribuindo para um avanço na educação brasileira se o número de leitores aumentar. Caso contrário, ele perderá uma de suas principais funções. O livro precisa, portanto, ser um companheiro do abajur, da mesa do computador e da pia do banheiro. Ele, em poucas palavras, deve, o quanto antes, ser incorporado ao cotidiano brasileiro.

O resultado dessa ação será, facilmente, medido por meio de pesquisas junto aos novos leitores, que abordariam a quantidade de livros lidos antes e depois da implantação das atividades editoriais no currículo escolar e universitário. Mas, também com base na análise das vendas das livrarias. Quem gostar de um livro, vai certamente comprar outro, seja de um mesmo autor ou de um mesmo gênero.

Provaremos, com isso, que o deficit de leitura existia porque faltavam incentivos aos leitores. Vamos mudar esse quadro. O ano de 2007 está apenas apenas começando e tem tudo para ser um período de otimismo para nossa literatura.

(*) Rodrigo Capella é jornalista, poeta e escritor. Autor do livro ‘Transroca, o navio proibido’, que vai ser adaptado para o cinema pelo diretor Ricardo Zimmer.’



ABRIL & METRÔ
Comunique-se

Prédio da editora Abril não foi afetado por desabamento de obra no metrô paulista, 12/01/07

‘Ao contrário do que chegou a ser veiculado por alguns órgãos de imprensa, o prédio da Editora Abril, localizado na Marginal Pinheiros, em São Paulo, não sofreu qualquer abalo estrutural com o desabamento de uma parte da obra de expansão do metrô, próximo ao edifício, na tarde da sexta-feira (12/01).

Em nota distribuída à imprensa, a Abril informa que o expediente na empresa continuou normal, sem nenhuma evacuação ou procedimento especial.’



WEBJORNALISMO
Bruno Rodrigues

Conselhos para os redatores, 11/01/07

‘Em 1998, ao me cadastrar em uma lista de discussão sobre webwriting, fiz amizade com um jornalista inglês chamado Steve Giliardt. Como ainda eram os primeiros dias da redação para a web, trocávamos impressões não apenas sobre a nova mídia, mas sobre o trabalho do redator, em geral.

Ambos, eu e Giliardt, já trabalhávamos com web, e percebíamos que uma coisa não havia mudado com a chegada dos novos tempos: a pouca valorização que os redatores davam ao próprio trabalho.

Também notei, de imediato, que esse não era um problema brasileiro ou inglês: pela quantidade de participantes que se manifestaram, o ego do redator era baixo no mundo inteiro.

Quase dez anos se passaram, e eu ainda vejo muitos redatores ‘vendendo texto’, como eu digo, se oferecendo quase como um ‘faz-tudo’ da redação.

É claro que o grande problema não é oferecer o trabalho de redação – esse é o nosso ganha-pão -, mas sim a forma com que nos mostramos no mercado.

Por isso, quando, algum tempo depois, Giliardt postou na lista seu ‘Advice for webwriters’, o enchi de elogios. Em quinze itens bem objetivos, ele nos define, aponta erros, mas trata com um imenso carinho as atividades do redator. Na época, fiz uma livre tradução que, desde então, levo na carteira. É essa que eu divido com vocês:

Conselhos para os redatores

de Steve Giliardt, tradução de Bruno Rodrigues

– A menos que você tenha experiência zero como redator, não trabalhe de graça. Pode até ser uma oportunidade ímpar, mas a maioria dos que pedem este tipo de ‘favor’ não está morando debaixo da ponte. Eles pagam suas contas, têm TV a cabo e um apartamento bem agradável.

– Esteja sempre disposto a aprender. Uma mente aberta é nosso bem mais precioso. Seja flexível e simpático. Seu empregador deve estar satisfeito por tê-lo como empregado.

– Guarde seu ego para seu trabalho pessoal.

– Você deve aprender com cada situação, não importa no que isso possa resultar.

– Seja rígido. Verifique a gramática e a estrutura das frases.

– Mantenha sua palavra. Cumpra seus prazos, mesmo que isso lhe custe o sono. Um redator que cumpre prazos é sempre uma boa opção. Um redator que não os cumpre é um fardo.

– Seja sempre melhor do que você mesmo espera. Vá sempre além. A única conseqüência será um resultado final ainda melhor.

– Fique atento sobre o respeito que os outros têm por você, seu trabalho e sua profissão. Você não precisa se transformar em uma pessoa agressiva, mas se você deixar alguém desrespeitar seu modo de vida, você está abrindo caminho para que o desrespeitem totalmente.

– Se você sentir que está sendo tratado de um modo desagradável, reclame. Se alguém o tratar bem, e com respeito, você tem o dever de elogiá-lo publicamente.

– Ninguém pode proteger melhor seus interesses que você. E, a menos que pague alguém para fazê-lo, você não tem nenhuma razão para esperar que o façam.

– A escrita é um trabalho árduo. Você deve desenvolver hábitos de trabalho. Eles podem variar, mas você sabe como render melhor. Desenvolva a disciplina e trabalhe regularmente. Sem isso, você não pode obter sucesso como redator.

– Redatores escrevem. Um bate-papo com amigos, uma saída para beber, troca de experiências em salas de aula – nada disso é indispensável. Não existe esse papo de ‘viver de escrever’, mas sim ‘trabalhar como redator’. ‘Vida’ é o que deve acontecer no que sobrar do dia. Como você irá gastar este tempo, depende de você.

– A escrita é um trabalho. Um escritor – ou redator – bêbado é tão útil quanto um cirurgião bêbado. Você até pode gastar suas horas de descanso com bebidas, mas as horas em que escreve devem ser sóbrias. Os escritores que bebem e que obtém sucesso o fazem apesar disso, não por causa disso.

– Um redator amador fala sobre sua escrita. O profissional deixa sua escrita falar por si.

– Seu trabalho o reflete, para o bem ou para o mal. Tome cuidado com o que você diz e como você o diz.

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Na semana que vem, dia 16, inicio mais uma edição de meu curso ‘Webwriting & Arquitetura da Informação’ aqui no Rio, na FACHA, em Botafogo. Serão cinco terças-feiras seguidas, sempre à noite. Para mais informações, é só ligar para 21023200 (Cursos de Extensão) ou enviar um e-mail para extensao@facha.edu.br.

(*) É autor do primeiro livro em português e terceiro no mundo sobre conteúdo online, ‘Webwriting – Pensando o texto para mídia digital’, e de sua continuação, ‘Webwriting – Redação e Informação para a web’. Ministra treinamentos em Webwriting e Arquitetura da Informação no Brasil e no exterior. Em sete anos, seus cursos formaram 1.300 alunos. É Consultor de Informação para a Mídia Digital do website Petrobras, um dos maiores da internet brasileira, e é citado no verbete ‘Webwriting’ do ‘Dicionário de Comunicação’, há três décadas uma das principais referências na área de Comunicação Social no Brasil.’



DIRETÓRIO ACADÊMICO
Carlos Chaparro

O intolerável jornalismo preguiçoso, 12/01/07

‘O XIS DA QUESTÃO – Numa sociedade ordenada por normas e convicções democráticas, o jornalismo intelectualmente preguiçoso, acomodado ao impacto emocional do factual, frauda o direito do cidadão à informação. Do qual faz parte o direito aos ‘porquês’.

Prefiro comer na cozinha, onde a conversa é sempre mais informal. O ‘outro’ está mais próximo, é mais sincero, mais natural, mais aberto. Na cozinha, parece até que pensamos e falamos com mais clareza. É o único local onde fazemos questão de conversar, mesmo com a televisão ligado. Mas, nesta sexta-feira, dia 12 de janeiro de 2007, por causa da televisão, saí mal humorado do almoço. E tudo devido a uma notícia, ou melhor, à forma como a edição do Jornal Hoje burocratizou o relato de um conflito que bem poderia ter recebido tratamento de destaque principal, na pauta do dia. Bastaria que a criatividade jornalística tivesse atribuído ao caso um significado ético, político e/ou social. A busca de respostas, e as respostas, seriam outras. E a narração ganharia, além de sentidos enriquecedores, a força de elucidação que a gravidade dos fatos exigia.

O fato gerador da notícia foi a manifestação dos índios Kokraymoro contra o fechamento do único posto de saúde que fazia o atendimento médico dos 400 habitantes da aldeia, localizada em São Félix do Xingu, no sul do Pará. O posto fechou há duas semanas. Quem cuidava dele foi-se, não se sabe como nem por quê, nem para onde, e os poucos medicamentos deixados nas prateleiras exibem prazo de validade vencido. Vários índios estão doentes, abandonados, sem tratamento. Há crianças com diarréia, gripe e pneumonia. Uma mulher com o braço fraturado espera há dez dias por alguém que cuide dela, e o mesmo acontece com outras pessoas feridas. Na mesma condição de espera sem esperança está um cacique, que disse aos repórteres ter câncer de próstata.

Pois o posto de saúde fechou. Ninguém dá explicações. E a Funai lava as mãos, atribuindo a crise ao desentendimento entre duas unidades da Funasa, cada uma achando que a responsabilidade pela manutenção do posto é da outra.

Às câmeras, e a nós, o administrador responsável pelas coisas da Funai na região diz, sem contestações, que em nenhum momento faltou assistência médica ou medicamentos aos índios. Aliás, no dizer desse mesmo administrador, os índios são os maiores culpados: por conflitos políticos internos, se negam a receber ajuda.

Em resumo: o posto que devia estar aberto, cuidando da saúde dos índios da aldeia, fechou, foi abandonado; os índios se queixam, se pintam em simbologias guerreiras, organizam um protesto com danças, para atrair a mídia. Mostram seus doentes e os remédios vencidos. Reivindicam do governo a assistência e o respeito a que têm direito. Pela televisão, gritam ao mundo sua raiva e seus lamentos – tudo muito bem editado, na valorização dos efeitos plásticos.

A reportagem, como é de praxe, foi ouvir ‘o outro lado’. E o homem da Funai, voz do governo no caso e na região, diz que nada tem a ver com a lamentável ocorrência.

E assim fica o telespectador: é informado que há duas semanas está fechado um posto de saúde que deveria permanecer aberto e em funcionamento; sabe que os índios organizaram um protesto, graças ao qual a notícia se espalhou; e sabe que o governo, pela Funai, diz que nada tem a ver com o fechamento. E porque não assume responsabilidades, o porta-voz da Funai não promete nem anuncia soluções.

Ora, ao bom jornalismo não basta mostrar a materialidade do acontecido, nem, quando é o caso, cumprir o famigerado dever de ‘ouvir o outro lado’ – que pode atender ao sagrado direito de resposta, mas de pouco serve à elucidação dos fatos.

Neste caso de abandono dos índios Kokraymoro à sua própria sorte, o telejornalismo da Globo cumpriu, pelo menos aparentemente, as obrigações de isenção. Foi atrás do homem da Funai, para ‘ouvir o outro lado’. Mas nos deixa sem respostas quanto ao essencial: – Por que fechou o posto? Quem tomou essa decisão? Como é possível acontecer uma coisa dessas, ou seja, o posto fechar, a Funai saber, ninguém tomar providências e ainda por cima se encobrir há tantos dias, com a cortina do silêncio oficial, prevaricação de tal gravidade?

Dias atrás, o telejornalismo global fez coisa semelhante, ao tratar de um outro fato, tão grave quanto o do abandono dos índios Kokraymoro: por falta de recursos, o Exército suspendeu a distribuição de água em caminhões-pipa às populações nordestinas atingidas pela seca. A Globo deu a notícia sem ir atrás de explicações, como se estivesse diante de uma ocorrência simples. Ora, se uma instituição com a respeitabilidade e as responsabilidades do Exército, se vêm forçada, por falta de recursos financeiros, a interromper um serviço tão importante e essencial como esse de abastecer de água potável populações castigadas pela prolongada seca que atinge o Nordeste, estamos diante de uma anormalidade cuja importância maior não está no fato em sim, mas na gravidade das causas e conseqüências.

Não levar isso em conta na pauta jornalística é renunciar ao próprio jornalismo.

(*) Carlos Chaparro é português naturalizado brasileiro e iniciou sua carreira de jornalista em Lisboa. Chegou ao Brasil em 1961 e trabalhou como repórter, editor e articulista em vários jornais e revistas de grande circulação, entre eles Jornal do Commercio (Recife), Diário de Pernambuco, Jornal do Brasil, Folha de S. Paulo, Diário Popular e revistas Visão e Mundo Econômico. Ganhou quatro prêmios Esso. Também trabalhou com comunicação empresarial e institucional. Em 1982, formou-se em Jornalismo pela Escola de Comunicação de Artes, da USP. Também pela universidade ele concluiu o mestrado em 1987, o doutorado em 1993 e a livre-docência em 1997. Como professor associado, aposentou-se em 1991. É autor de três livros: ‘Pragmática do Jornalismo’ (São Paulo, Summus, 1994), ‘Sotaques d’aquém e d’além-mar – Percursos e gêneros do jornalismo português e brasileiro’ (Santarém, Portugal, Jortejo, 1998) e ‘Linguagem dos Conflitos’ (Coimbra, Minerva Coimbra, 2001). O jornalista participou de dois outros livros sobre jornalismo, além de vários artigos (alguns deles sobre divulgação científica pelo jornalismo), difundidos em revistas científicas, brasileiras e internacionais.’

Comunique-se

Diversidade de opiniões caracteriza a avaliação de cursos da região Sul, 12/01/07

‘Após uma pausa decorrente das festas de fim de ano, o Comunique-se retoma sua série de reportagens sobre os cursos de jornalismo do Brasil, ouvindo as opiniões de seus alunos, os maiores interessados na qualidade do ensino. Esta semana, com foco na região Sul, a redação entrevistou graduandos da PUC-RS, Ulbra, Universidade Tuiuti do Paraná, UFPR e UFSC, que apontaram os prós e os contras de suas instituições.

Para além da graduação

Paula Batista já exercia o jornalismo alguns anos antes de prestar vestibular para a Universidade Tuiuti do Paraná, em Curitiba, e considera que o curso acrescentou pouca coisa à sua formação profissional. ‘Já havia trabalhado muito com revista, então senti dificuldade para acompanhar o ritmo lento da faculdade. Senti que estavam ensinando conteúdo que não seria usado na redação, não vi muitas coisas essenciais’, disse.

A jornalista, que atualmente realiza freelas para a assessoria de imprensa Lide Multimídia e também para jornais diários, se formou na Tuiuti em julho de 2006 e aponta o excesso de teoria como um dos pontos negativos da faculdade. Segundo ela, é dificílimo encontrar um jornalista recém-formado que tenha carga suficiente para ser contratado. ‘Às vezes são 30 pessoas na fila para ser entrevistados e nenhuma é aceita. Os profissionais saem muito crus, da minha turma só três pessoas trabalham hoje e elas já trabalhavam antes de entrar na universidade’, disse, apontando que as barreiras impostas pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná à prática do estágio também é um dos fatores que contribui para esse quadro.

Atualmente no 7º semestre de jornalismo na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), Eduardo Silveira é também o presidente do Centro Acadêmico e avalia que o movimento estudantil lhe ensinou mais do que a as aulas de seu curso. ‘Aprendi o que a universidade não pode ensinar, como como lidar com pessoas, dialogar, interligar alunos e professores e a compreender melhor o quadro político’, afirmou.

O aluno critica a atuação da PUC no que diz respeito aos cursos de extensão. ‘Temos alguns cursos, mas todos eles são pagos. A PUC recebe um investimento de filantropia e é obrigada a ter esse tipo de curso, mas eles têm um comprometimento com o lucro e esse acaba sendo o objetivo final da faculdade’.

Fernanda Trisotto, que irá começar o 5º semestre da Universidade Federal do Paraná (UFPR) em 2007, teve na empresa júnior Fábrica de Comunicação um complemento à sua formação acadêmica. Fernanda entrou como assessora de projeto de jornalismo e saiu como diretora da mesma função, tendo trabalhado em dois projetos de diagramação e dois de assessoria de imprensa. ‘Eu nunca tinha visto um Pagemaker aberto na vida, aprendi a diagramar na empresa júnior. Quando precisamos para a faculdade eu já sabia e acabei ensinando meus colegas’, afirmou.

Além de conhecimentos técnicos, a passagem pela empresa júnior lhe rendeu um estágio. Fernanda conheceu sua atual chefe em um ciclo de palestras realizado pela Fábrica de Comunicação e, através desse contato, conseguiu o emprego e teve uma lição sobre o valor de relacionamentos entre profissionais.

Professores, laboratórios e currículo

A infra-estrutura da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) é a principal vantagem levantada por Vanessa Ciechowicz, aluna do 5º semestre da faculdade, sobre seu curso. ‘É maravilhosa a tecnologia que a Ulbra oferece. Falei com colegas de outras faculdades e não tem comparação. Os professores também são de alta qualidade, muitos saíram das públicas e foram para as particulares em busca de melhores salários’, afirmou sobre seu curso, que cobra uma mensalidade de R$ 1400 por 20 créditos/aula.

A principal crítica de Vanessa reside nas constantes mudanças de currículo que a universidade realiza, avaliando que, apesar das mudanças terem sido benéficas, sua freqüência prejudica o desempenho dos alunos. Desde que entrou, em 2005, o currículo de seu curso já foi reformulado quatro vezes. Além disso, a aluna aponta como falha grave a política da universidade de enviar o nome de alunos que não pagaram a mensalidade para o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). ‘Atrasei do dia 10 ao dia 25 e eles enviaram meu nome. Não adianta reclamar, a postura deles não muda’, afirmou.

Eduardo Silveira avalia que a PUC tem muitas cadeiras técnicas e poucas voltadas para o texto, o que prejudica a formação. Segundo ele, os veículos laboratórios exploram mal o potencial dos alunos, cobrindo pautas internas sem uma ‘visão mais crítica ou uma intervenção consciente. As pautas são propostas pelos professores e no geral acabam limitando a criatividade dos alunos’.

Após visitar as faculdades de jornalismo de Curitiba, Paula Batista avaliou que a Tuiuti era a que oferecia a melhor estrutura em telejornalismo, área que ela nunca havia trabalhado, mas que gostaria de ter maior contato. Ela considera a estrutura do curso boa, com estúdios, equipamentos, bibliotecas e professores que mantém um bom contato com o mercado de trabalho. Apesar disso, se decepcionou com o ensino de telejornalismo, tendo aproveitado muito mais as aulas de rádio.

‘Acho que o 1º ano da UFPR foi muito decepcionante. No 1º semestre a única matéria que seria só de jornalismo não tinha professor, sua contratação ficou emperrada na burocracia da universidade. A federal do Paraná tem um problema muito grande em relação aos efetivos’, revela Fernanda Trisotto. Ela aponta também que muitas vezes os alunos dependem da sorte na contratação dos professores substitutos e que, mesmo quando um bom docente é incorporado ao curso, o regime só permite que ele permaneça ali por dois anos, deixando trabalhos promissores pela metade.

Felipe Monteiro, aluno do 5º semestre da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), avalia que a estrutura do seu curso é muito boa e se diferencia da maior parte das graduações do país. ‘Perguntei para uma professora sobre intercâmbio na Universidade da Califórnia e ela me disse que o pessoal de lá vem para cá porque a nossa estrutura é melhor do que a deles’, afirmou. Felipe considera que o jornalismo da UFSC, que já recebeu cinco estrelas na avaliação do MEC, recebe uma atenção especial da universidade, que destina mais verbas para a graduação.

Monteiro considera seu curso muito focado no mercado de trabalho e afirma que sente falta de mais cadeiras voltadas para as humanidades ‘Há dois anos tínhamos algumas matérias não especificas de jornalismo, como cinema. Houve uma disputa interna no curso e só sobraram professores jornalistas. Particularmente gosto mais da parte prática, mas tem muita gente que sente falta de matérias mais humanas, como história do jornalismo, que não temos’, atestou.

O aluno considera o foco no prático como o principal destaque da instituição: ‘é bem puxado, o que é bom. Florianópolis não oferece muitas opções, mas a gente tem uma base boa, todo mundo sai escrevendo muito, apurando muito bem. O curso está com matérias boas voltadas para a internet’, concluiu Felipe, considerando o jornalismo da UFSC bem sucedido em acompanhar a revolução digital em andamento.

Entre aspas

? ‘A Federal tem estrutura, o problema é que ela não é usada. A gente tem estúdio, laboratório de TV, de texto. Eles são velhos, mas da pra você usar, dá para aprender com aquela estrutura, que por mais que seja falha, ela existe e dá para fazer coisa muito boa lá dentro’.

– Fernanda Trisotto, 5º semestre da UFPR

? ‘Faculdades particulares, como a ulbra, são muito discriminadas, dizem que os alunos que estudam ali são filhinhos de papai. Mas tem muita gente que trabalha o dia inteiro para pagar a mensalidade e são tão bons profissionais quanto aqueles formados em universidades com mais fama. Ainda existe muito preconceito’.

– Vanessa Ciechowicz, 5º semestre da Ulbra

? ‘Se você ficar só na teoria não dura uma semana num veiculo de comunicação. Hoje os veículos resumiram, possuem muito pouca gente trabalhando, existem cadernos de economia de jornal estadual com quatro, cinco jornalistas trabalhando. Como o profissional vai ter tempo de parar e ensinar o cara que está chegando?’

– Paula Batista, formada em 2006 pela Universidade Tuiuti do Paraná

? ‘A gente deve, acima de tudo, resgatar um jornalismo que tenha comprometimento social e com a investigação dos fatos, o que não quer dizer um jornalismo imparcial, mas que não tenha compromisso só com o mercado, mas sim com o cidadão e com os problemas sociais que existem.’

– Eduardo Silveira – 7º semestre da PUC- RS

? ‘No jornalismo dá para se relacionar com vários cursos, porque todos utilizam comunicação. A gente consegue estágio em diversos setores da universidade e isso é uma boa fonte de experiência’.

– Felipe Monteiro, 5º semestre da UFSC’



JORNAL DA IMPRENÇA
Moacir Japiassu

Jornal de Debates, 11/01/07

‘A glória de Sivuca

é onça caetana

e é légua tirana,

uma mágoa insana.

(José Nêumanne Pinto, in Poemasivuca)

Jornal de Debates

O considerado Osmar Ribeiro Horta, de São Paulo, foi conhecer o Jornal de Debates, que promete ser a grande sensação da internet entre nós, porém tropeçou nesta inesquecível colaboração de um internauta:

A justiça no Brasil é cega e ignorante. Ainda não perdeu a tendência ditatorial de sensurar o brasileiro. Querem nos calar! Se o Youtube sair do ar, Cicarelli deve ser processada por Atentado ao Pudor

Autor: Luciano Silva – Participa desde: 04/01/2007 Porque a justiça brasileira e os políticos cairam nesta tentação que é a sensura?

Osmar concorda inteiramente com o teor do mini-artigo mas acha, com razão, que Luciano Silva deveria ter mais cuidado ao escrever contra a ignorância da Justiça:

No texto do responsável, porque deveria ser por que, mas isso ainda dá pra passar; todavia, escrever sensura é demais!!! Como é que um escriba brasileiro, que viveu anos e anos sob a repressão, não sabe escrever a palavra CENSURA?!?!?! E o pior é que no Jornal de Debates, no item intitulado ‘Como Funciona’, está escrito: o primeiro artigo publicado será submetido à análise dos editores e pode demorar algumas horas para ser publicado no site. Ora, se encontrei a tal sensura no dia 5/1 e o autor colabora desde 4/1, imagina-se que seja sua primeira colaboração. E os editores permitem que saia publicada uma coisa horrenda como esta.

Foi de lascar mesmo, ó Ribeiro Horta, mas Janistraquis e o colunista garantem que o considerado Paulo Markun, editor do Jornal de Debates, não permitirá que coisas assim voltem a ocorrer.

Mertiolate

O considerado Lúcio Hermes Morán, de Florianópolis, envia trechinho da Folha Online, no qual se lê, abaixo do título Força Nacional é motivo de chacota entre os militares:

(…)’Policiar o Rio com homens de outros Estados não tem o menor cabimento porque eles não conhecem o local, os criminosos nem a forma como eles agem’, diz o coronel reformado da Polícia Militar José Vicente da Silva Filho, que foi titular da Secretaria Nacional de Segurança Pública no governo Fernando Henrique Cardoso. Segundo Silva Filho, a força terá um efeito puramente cenográfico. ‘Usar essa força no Rio de Janeiro é como passar mercúrio cromo em fratura exposta’, compara.

Morán acha que Silva Filho não entende de bandido nem de meizinha:

‘O coronel precisa saber que, nos dias de hoje, qualquer coisa serve para se enfrentar bandidos, até mesmo a Força Nacional de Segurança Pública; e mercúrio cromo não existe, ele quis dizer mercurocromo.’

Janistraquis sempre preferiu mertiolate.

Sentença exemplar

O considerado Fábio José de Mello envia curiosa sentença judicial de 1833, na qual o cabra Manoel Duda se lasca de verde-e-amarelo porque tentou conxambrar com a mulher de Xico Bento e fazer chumbregâncias com ela. Duda era insaciável e o Juiz considerou a possibilidade de ele vir a meter medo até nos homens…

Bons tempos, nos quais o elemento saía pra caçar periquita e perdia o peru.

Leia no Blogstraquis a íntegra da peça exemplar.

SuspenÇão

Sempre que algum redator deste portal emaranha-se nas letras, a caixa postal do colunista bota palavras pelo ladrão. Foram tantas as mensagens que Janistraquis preferiu escolher apenas uma, porque o autor, José Truda Júnior, é veterano neste espaço e aqui, como nos quartéis, antiguidade é posto:

Será que podemos pedir à redação do Comunique-se para suspender a manchete Equívoco de desembargador gera polêmica sobre suspenção do YouTube (?)

É que, ao contrário do que ocorre em Jornal da ImprenÇa, o cedilha não tem o que fazer ali!

O Comunique-se, que pode tropeçar, como qualquer um, porém levanta-se rapidamente, sacode a poeira e dá a volta por cima, corrigiu-se a contento.

Previsões

O Mestre Sérgio Augusto escreveu no caderno Aliás, do Estadão, a respeito de adivinhões de toda ou nenhuma sorte:

Na fila das profecias escatológicas, a próxima, creio, é a dos maias. Mas ainda faltam cinco anos para a sua, espero, desmoralização. Para os maias, anote em sua agenda, o mundo acaba em 21 de dezembro de 2012, às 11h11 (GMTime); ou seja, 8h11 da manhã no Brasil.

Leia no Blogstraquis a íntegra deste divertido e educativo texto.

Sivuca

Gênio da música popular brasileira, o conterrâneo Sivuca morreu no final do ano passado e recebeu homenagem em versos do poeta e jornalista José Nêumanne Pinto. Uma estrofe do poema encima a coluna; a íntegra homizia-se nesta feira de mangaio que é o Blogstraquis.

De carnaval

Os considerados Elenir Vieira, de São Paulo, e Romeu Vitalis Geremias, de Salvador, enviaram o mesmo texto-legenda da revista Caras, na qual se lê, sob o título Boda de Heitor Pinto e Silva e Eloísa Vits:

Em cerimônia religiosa realizada na Paróquia São José, no Jardim Europa, em São Paulo, o reitor da Uniban – Universidade Bandeirantes, Heitor Pinto e Silva (59), casou-se com a atriz e diretora Eloísa Vits (33).

Elenir diz que a curiosa vestimenta do reitor, imaculadamente branca, chama-se redingote; Romeu garante que se trata de um ‘balandrau metido a besta’. Ambos, porém, concordam num ponto: os sapatos do noivo, feitos com pele de prepúcio de baleia branca, é um atentado ao bom gosto e uma agressão ao meio-ambiente.

Janistraquis, que jamais ouvira falar em prepúcio de baleia, prefere não se intrometer em assuntos onguistas, porém assestou o olhar na foto e concluiu:

‘Considerado, o reitor é a cara do falecido carnavalesco Clóvis Bornay e certamente aproveitou o casamento para exibir ao mundo sua fantasia de destaque da Imperatriz Leopoldinense…’

Apresentar…vacas!

O considerado Roldão Simas Filho, diretor de nossa sucursal em Brasília, estranho lugar onde há chuva de dólares e cheques e bois costumam voar, pois Mestre Roldão, que passa o dia inteiro a ler e corrigir jornais e dedica a noite às emissoras de rádio, despachou via malote:

Esta madrugada levantei para tomar um remédio e ouvi na CBN, à 1h50 de 9/1 a correspondente de Belo Horizonte dizer que um homem que saíra para ORDENAR vacas na periferia da capital mineira, havia desaparecido, arrastado pela enxurrada causada pelas fortes chuvas.

Pena que, por isso, as vacas deixaram de fazer a habitual ‘ordem unida’…

Janistraquis garante, ó Roldão, que se trata daquele mesmo mal que faz a pessoa ler a palavra ‘companhia’ e pronunciar ‘companía’.

A palavra certa

A considerada Maria Isabel Brito Lemos, de São Paulo, lia matéria sobre Juscelino Kubitschek na Folha de S. Paulo, intitulada Bossa Nova & Polêmico, quando fez pausa forçada neste trechinho:

(…) O economista (Eduardo Giannetti) compara o período a uma embriaguês ‘da qual até hoje vivemos a ressaca’. O sociólogo Francisco de Oliveira rebate. ‘É um absurdo. A ressaca que temos é a da falta de desenvolvimento. Dizer que JK fundou a inflação é uma visão empobrecida do pensamento único.’

Maria Isabel garante que ressaca bem maior sofre o leitor:

Pois é, até que a matéria estava legal, a discussão era boa. Mas esse negócio de escrever embriaguês é de lascar, não é verdade?

Janistraquis acha que embriaguez é coisa para quem bebe, ó Isabel; para quem somente tenta escrever…

Nota dez

O considerado Gilson Caroni Filho, Professor de sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), escreveu no Jornal de Debates:

‘(…)A tragédia da segurança pública é a tragédia de um Estado que, por nunca ter sido plenamente democrático e de direito, falhou no combate ao crime na mesma medida em que foi incapaz de propor políticas públicas de inclusão(…)

Leia aqui a íntegra desse excelente artigo que nos leva à reflexão e revela (ainda bem!!!) que o jovem Jornal de Debates cumpre sua função e abriga extremos da discussão democrática.

Errei, sim!

‘AMADO É MINEIRO! – Do Diário Popular, de São Paulo, dando a ficha de um escritor baiano muito conhecido: ‘Nome: Jorge Amado; data e local de nascimento: 10/8/1912, em Belo Horizonte’ (janeiro de 1992)

Colaborem com a coluna, que é atualizada às quintas-feiras: Caixa Postal 067 – CEP 12530-970, Cunha (SP) ou moacir.japiassu@bol.com.br).

(*) Paraibano, 64 anos de idade e 44 de profissão, é jornalista, escritor e torcedor do Vasco. Trabalhou no Correio de Minas, Última Hora, Jornal do Brasil, Pais&Filhos, Jornal da Tarde, Istoé, Veja, Placar, Elle. E foi editor-chefe do Fantástico. Criou os prêmios Líbero Badaró e Claudio Abramo. Também escreveu oito livros, dos quais três romances.’



INTERNET
Marianna Senderowicz

Grupo RBS concretiza primeira compra de comunidade no Orkut, 12/01/07

‘Em uma atitude inédita e surpreendente, a rede de comunicação RBS, do Rio Grande do Sul, passou a ser dona de uma comunidade preexistente no site de relacionamentos Orkut. A informação, divulgada na edição desta sexta-feira (12/01) no jornal O Globo, deve mexer com a história e a estrutura do portal, até então conhecido pela quase ausência de corporativismo.

O valor pago teria sido de aproximadamente R$ 2 mil. Com a transação comercial, a comunidade ‘Eu Amo Floripa!’ passou a se chamar ‘Eu Amo Floripa! Floripa Tem!’, nome do projeto que pretende levar atividades culturais e esportivas para as praias catarinenses. Na descrição do grupo, a rede explica que, com a troca de dono, os membros da comunidade passaram a concorrer a brindes e ingressos para as festas promovidas pelo Tem. ‘Vocês foram escolhidos, pois o Floripa Tem, através da RBS, acaba de fechar uma parceria com a comunidade Eu AMO Floripa!!!’, diz uma das frases do perfil.

Na RBS, a afirmação d’O Globo foi confirmada pela assessoria de imprensa, que não soube informar quando foi efetivada a compra. A transação foi feita através da agência de publicidade responsável pelo projeto, que vai até o dia 04/02 e se divide em cinco pontos da ilha.

Pelos termos de uso do site, ‘o serviço orkut.com é disponibilizado somente para uso pessoal. Empresas, organizações ou outras entidades legais não podem usar o serviço orkut.com para nenhuma finalidade.’ O portal diz ainda que ‘exceto quando expressamente autorizado pelo orkut.com é proibido copiar, modificar, publicar, transmitir, distribuir, utilizar, exibir ou vender qualquer informação proprietária do orkut.com’. Procurada pelo Comunique-se, a assessoria de imprensa do Google, proprietário do Orkut, informou que um posicionamento oficial pode ser emitido pela matriz norte-americana, que responde pelo site de relacionamentos, durante a próxima semana. Até o início da tarde de sexta-feira (12/01), a comunidade da RBS contava com mais de 74 mil membros.’



A BOLA
Comunique-se

Jornal português A Bola passa a ser vendido no Brasil, 12/01/07

‘Um dos mais tradicionais jornais esportivos de Portugal, o diário A Bola, que é publicado desde 1945, começou a ser vendido na quinta-feira (11/01) em oito cidades brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Fortaleza, Brasília, Porto Alegre, Salvador e Natal. O jornal, que será impresso no Brasil, pode ser encontrado em bancas especializadas nas oito praças.

Em uma primeira fase, nos próximo dois meses, A Bola será vendido às segundas e quintas-feiras. Após o período, a publicação será comercializada também aos sábados. A distribuição do A Bola no Brasil é feita pela Global Press, que já é responsável pela venda no País de jornais como o espanhol El País e o italiano Corriere della Sera.’



MEMÓRIA / STIPP JÚNIOR
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Morre diretor e proprietário do Diário de Taubaté, 12/01/07

‘Começando como locutor de rádio, o jornalista Stipp Júnior, proprietário e diretor do Diário de Taubaté, teve uma carreira marcada pela passagem no Estado de S. Paulo e pela fundação de seu próprio jornal, em aproximadamente 50 anos de trabalho com a comunicação. Na última quarta-feira (10/01), Stipp Júnior morreu aos 66 anos devido a insuficiência respiratória decorrente de complicações de um acidente vascular cerebral (AVC), ocorrido em outubro de 2005, deixando o Diário para sua sócia e esposa, a jornalista Iara de Carvalho.

O velório recebeu familiares e funcionários do jornal. O diretor nasceu em Marília, em 1940, e começou a trabalhar aos 15 anos no Serviço de Alto Falante de Lorena (SAL). Posteriormente, teve passagens por várias rádio de São Paulo. Em 1958, na Rádio Aparecida, trabalhou com o locutor Leite Sobrinho, em programas de auditório.

Ele iniciou sua carreira na imprensa escrita em 1967, no Estadão, que creditava como a melhor fase de sua vida profissional. No jornal, Stipp Junior fez reportagens no Brasil e no exterior – chegou a entrevistar o astronauta Neil Armstrong – e chefiou a sucursal do Vale do Paraíba.

Em 1975, fundou o Diário de Taubaté, mas só deixou o Estadão três anos depois. O jornal foi o primeiro do Vale do Paraíba a ter endereço na internet, em 1995. Stipp Junior deixa também cinco filhos e cinco netos.’

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Clique nos links abaixo para acessar os textos do final de semana selecionados para a seção Entre Aspas.

Folha de S. Paulo – 1

Folha de S. Paulo – 2

O Estado de S. Paulo – 1

O Estado de S. Paulo – 2

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