Sábado, 19 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 25 E 26/08

Comunique-se

28/08/2007 na edição 448

STF / SIGILOS VIOLADOS
Milton Coelho da Graça

Sei mais Direito do que Jobim e OAB, 24/08/07

‘Não sou da Ordem dos Advogados do Brasil (porque nunca me inscrevi), mas esta semana descobri que aprendi mais Direito Constitucional com o meu canudo da antiga Faculdade Nacional de Direito do que o ministro Nelson Jobim e todos os dirigentes da OAB.

Desconfio que nenhum deles estudou Teoria Geral do Estado com Pedro Calmon, Introdução à Ciência do Direito com Hermes Lima ou Direito Constitucional (tive três professores num ano só).

Funcionários públicos do mais alto nível, usando computadores de propriedade pública, em uma sala pública e audiência pública, com jornalistas autorizados a ver e ouvir tudo, trocaram mensagens publicamente sem qualquer preocupação de esconder as telas.

Quando o teor das mensagens aparece em O GLOBO, graças a um fotógrafo – esse ótimo Roberto Stuckert Filho – que intuiu o caráter e o interesse público das informações, o ministro Nelson Jobim emite o impagável diagnóstico jurídico ‘intromissão anticonstitucional’, enquanto Cezar Franco, presidente do Conselho Federal da OAB, preferiu um tom popular, que provavelmente provocaria lágrimas tardias em Bill Clinton e Renan Calheiros, ao abotoarem a braguilha: ‘O Brasil não pode virar um Big Brother. Sem privacidade, não há liberdade.’

O ministro Jobim incluiu esta pérola de fantasia histórica: ‘As decisões do Supremo desde sua fundação, em 1893, são pautadas numa conduta absolutamente independente e autônoma.’ Pelo jeito, não existiram para Nelson Jobim as cassações de Victor Nunes Leal, Hermes Lima, Evandro Lins e Silva. Nem o servilismo absoluto do STF diante de Atos Institucionais, violações dos direitos humanos etc. E em 1930? E em 1937? E, E, E?

O Supremo tem uma história de independência e autônoma muito mais curta do que imagina a memória do ministro, que deveria falar com maior segurança sobre os poderes da República, porque se trata de um caso raríssimo de cidadão com trânsito do mais alto nível em todos os três. E que, ainda por cima, é considerado como possível futuro presidente da República.

O senador Pedro Simon, jamais envolvido ou suspeito de falcatruas em muitas décadas de carreira política, faz um comentário bem diferente:

‘O que foi revelado é da mais alta gravidade. Faz com que redobremos a atenção na capacidade e imparcialidade dos integrantes do STF em decidir sobre o caso. Já é triste o que se vê no Congresso, com a classe política fazendo um papel muito criticado pela sociedade. Se o Judiciário segue na mesma trilha, aí vai ser muito difícil fazer as coisas caminharem no país. Nas conversas entre eles, longe das declarações públicas, das entrevistas, há observações preocupantes, que sugerem combinação de votos. Em todo o caso, o país está de olho neles.’

Ricardo Noblat, em seu blog www.blogdonoblat.com.br, sob o título ‘O que esconde a troca de e-mails de ministros do STF’, oferece uma explicação sobre os bastidores da escolha do futuro ministro do STF, na vaga deixada por Sepúlveda Pertence e mostra até onde pode ir a movimentação política – especialmente do PMDB – para influir nessa escolha. Deus salve a imprensa e os jornalistas brasileiros!

(*) Milton Coelho da Graça, 76, jornalista desde 1959. Foi editor-chefe de O Globo e outros jornais (inclusive os clandestinos Notícias Censuradas e Resistência), das revistas Realidade, IstoÉ, 4 Rodas, Placar, Intervalo e deste Comunique-se.’

Comunique-se

O Globo provoca polêmica ao divulgar diálogos entre dois ministros do STF

‘Invasão de privacidade ou direito da imprensa de mostrar o que é de interesse público? A divulgação dos diálogos entre dois ministros do Supremo Tribunal Federal pelo jornal O Globo na edição de quinta-feira (23/08) provocou uma polêmica. Enquanto a Ordem dos Advogados do Brasil e a Associação dos Juízes Federais do Brasil criticaram o diário, juristas e a Federação Nacional de Jornalistas acreditam que, por se tratar de um ambiente público, o jornal não agiu mal.

O repórter-fotográfico Roberto Stuckert Filho registrou a troca de mensagens entre Cármen Lúcia e Ricardo Lewandowski, nas quais eles debatem detalhes sobre seus votos no caso de aceitar ou não a denúncia do mensalão e falam das disputas de poder dentro do STF.

A favor

‘Foi um brilhante trabalho de jornalismo. Mas, para quem vive a rotina do Judiciário, nada do que foi apresentado é novo. Antes, a troca de impressões era apenas oral. Agora, existe o meio eletrônico. Às vezes, frases agressivas são torças até na hora do café. Só que para o público isso não costuma ser revelado’, observou o jurista Ives Gandra Martins.

Sérgio Murillo, presidente da Fenaj, acha que O Globo cumpriu seu compromisso com a verdade, já que, segundo ele, a troca de mensagens é de interesse público e veraz. ‘(…) é obrigação da imprensa levar ao conhecimento da sociedade. O Globo não invadiu a rede (de computadores). Não há invasão de privacidade. São pessoas públicas, num espaço público. Tudo o que fazem está sujeito a registro sonoro e de imagem. O condenável seria o jornal ter acesso a essas informações e não divulgá-las’.

Contra

‘O Brasil não pode virar um ‘Big Brother’. Sem privacidade, não há liberdade (…) Não será surpresa se começarem a colocar grampos nos confessionários para violar o segredo religioso da confissão. É preciso prudência para que tais anomalias não se transformem em prática corriqueira e adquiram contornos de legitimidade. Não podemos cair num estado de bisbilhotagem, cujo desdobramento inevitável é o estado policial, ambos incompatíveis não apenas com o estado democrático de direito, mas como os fundamentos da civilização’, disse, em nota, o presidente do Conselho Federal da OAB, Cezar Britto.

Walter Nunes, presidente da Ajufe, acredita que as mensagens tinham caráter privado. ‘A revelação das conversas entre os ministros maltrata o princípio basilar da democracia’.

Outros casos

O Globo, na edição desta sexta-feira, listou vários eventos semelhantes em que veículos de comunicação divulgaram diálogos que provocaram barulho tanto no governo quanto na sociedade. A reportagem lembra da estudante Suzane Von Richthofen, acusada de planejar a morte dos pais em 2002, combinando com um advogado como teria que se comportar durante matéria do Fantástico. A mais recente aconteceu em 27/07, quando o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), tentou obter apoio para continuar no cargo num bilhete manuscrito por ele ao líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio.

Até o fechamento deste texto, o departamento de imprensa do STF e o diretor de redação de O Globo, Rodolfo Fernandes, não haviam respondido aos contatos feitos por nossa redação.

(*) Com informações do jornal O Globo.’

***

O Globo provoca polêmica ao divulgar diálogos entre dois ministros do STF, 24/08/07

‘Invasão de privacidade ou direito da imprensa de mostrar o que é de interesse público? A divulgação dos diálogos entre dois ministros do Supremo Tribunal Federal pelo jornal O Globo na edição de quinta-feira (23/08) provocou uma polêmica. Enquanto a Ordem dos Advogados do Brasil e a Associação dos Juízes Federais do Brasil criticaram o diário, juristas e a Federação Nacional de Jornalistas acreditam que, por se tratar de um ambiente público, o jornal não agiu mal.

O repórter-fotográfico Roberto Stuckert Filho registrou a troca de mensagens entre Cármen Lúcia e Ricardo Lewandowski, nas quais eles debatem detalhes sobre seus votos no caso de aceitar ou não a denúncia do mensalão e falam das disputas de poder dentro do STF.

A favor

‘Foi um brilhante trabalho de jornalismo. Mas, para quem vive a rotina do Judiciário, nada do que foi apresentado é novo. Antes, a troca de impressões era apenas oral. Agora, existe o meio eletrônico. Às vezes, frases agressivas são torças até na hora do café. Só que para o público isso não costuma ser revelado’, observou o jurista Ives Gandra Martins.

Sérgio Murillo, presidente da Fenaj, acha que O Globo cumpriu seu compromisso com a verdade, já que, segundo ele, a troca de mensagens é de interesse público e veraz. ‘(…) é obrigação da imprensa levar ao conhecimento da sociedade. O Globo não invadiu a rede (de computadores). Não há invasão de privacidade. São pessoas públicas, num espaço público. Tudo o que fazem está sujeito a registro sonoro e de imagem. O condenável seria o jornal ter acesso a essas informações e não divulgá-las’.

Contra

‘O Brasil não pode virar um ‘Big Brother’. Sem privacidade, não há liberdade (…) Não será surpresa se começarem a colocar grampos nos confessionários para violar o segredo religioso da confissão. É preciso prudência para que tais anomalias não se transformem em prática corriqueira e adquiram contornos de legitimidade. Não podemos cair num estado de bisbilhotagem, cujo desdobramento inevitável é o estado policial, ambos incompatíveis não apenas com o estado democrático de direito, mas como os fundamentos da civilização’, disse, em nota, o presidente do Conselho Federal da OAB, Cezar Britto.

Walter Nunes, presidente da Ajufe, acredita que as mensagens tinham caráter privado. ‘A revelação das conversas entre os ministros maltrata o princípio basilar da democracia’.

Outros casos

O Globo, na edição desta sexta-feira, listou vários eventos semelhantes em que veículos de comunicação divulgaram diálogos que provocaram barulho tanto no governo quanto na sociedade. A reportagem lembra da estudante Suzane Von Richthofen, acusada de planejar a morte dos pais em 2002, combinando com um advogado como teria que se comportar durante matéria do Fantástico. A mais recente aconteceu em 27/07, quando o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), tentou obter apoio para continuar no cargo num bilhete manuscrito por ele ao líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio.

Até o fechamento deste texto, o departamento de imprensa do STF e o diretor de redação de O Globo, Rodolfo Fernandes, não haviam respondido aos contatos feitos por nossa redação.

(*) Com informações do jornal O Globo.

Luis Nassif

O ‘cozidão’ do grampo, por Luis Nassif, 21/08/07

‘Uma capa de revista semanal é uma celebração. É tema relevante, quente, em que se colocam os melhores quadros para apurar os dados. Por isso mesmo, não faz sentido essa capa da Veja sobre os ‘grampos’ no STF (Supremo Tribunal Federal).

A revista cometeu o que, no jargão jornalístico, chama-se de ‘cozidão’ – cozinhar notícias velhas e dar aparência de novidade. Qual a razão? Não se sabe ao certo.

Aqui a íntegra da matéria Brasil – A sombra do estado policial.

De informações objetivas, a revista tem o seguinte:

1. ‘A Polícia Federal se transformou num braço de coação e tornou-se um poder político que passou a afrontar os outros poderes’, afirma o ministro Gilmar Mendes, numa acusação dura e inequívoca.

É notícia de 24 de maio passado, na Folha.

2. O ministro (Sepúlveda Pertence) diz que as suspeitas de que a polícia manipula gravações telefônicas aceleraram sua disposição em se aposentar. ‘Divulgaram uma gravação para me constranger no momento em que fui sondado para chefiar o Ministério da Justiça, órgão ao qual a Polícia Federal está subordinada. Pode até ter sido coincidência, embora eu não acredite’, afirma.

A notícia é de janeiro de 2007.

3. Os temores de grampo telefônico com patrocínio da banda podre da PF começaram a tomar forma em setembro de 2006, em plena campanha eleitoral. Na época, o ministro Cezar Peluso queixou-se de barulhos estranhos nas suas ligações e uma empresa especializada foi chamada para uma varredura.

A notícia é de 17 de setembro de 2006.

4. O ministro Marco Aurélio Mello recebeu uma mensagem eletrônica de um remetente anônimo. O missivista informava que os telefones do ministro estavam grampeados e que policiais ofereciam as gravações em Campo Grande.O caso foi investigado, mas a Polícia Federal – ela, de novo – concluiu que a mensagem era obra de estelionatários fazendo uma denúncia falsa.

Isso não é notícia.

5. Há três meses, quando trabalhava com a Operação Navalha, o ministro Gilmar Mendes adquiriu a convicção pessoal de que seus telefonemas são monitorados.

Ë notícia velha, que já saiu várias vezes na mídia.

Denúncia de grampo no STF era falsa

Publicada em 19/08/2007 às 22h53m

O Globo; CBN

BRASÍLIA – A Polícia Federal afirma que era falsa a denúncia de que agentes federais estariam negociando escutas telefônicas com conversas de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação mostrou que os e-mails apócrifos recebidos pelo ministro Marco Aurélio de Mello, relatando o suposto grampo, faziam parte de uma vingança pessoal. Um funcionário do INSS exonerado por corrupção tentou incriminar o delegado da PF que o investigou.

Marco Aurélio recebeu o resultado da investigação do ministro da Justiça, Tarso Genro, e o encaminhou ao procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza.

‘ Foi satisfatória a apuração. Dei o episódio como suplantado ‘, – disse Marco Aurélio.

– O sujeito (funcionário do INSS) queria fustigar o delegado. Trata-se de retaliação. Foi satisfatória a apuração. Dei o episódio como suplantado – disse Marco Aurélio.

Acusação falsa – Colocado às 12:13

Denúncia de grampo no STF era falsa

Publicada em 19/08/2007 às 22h53m

O Globo; CBN

BRASÍLIA – A Polícia Federal afirma que era falsa a denúncia de que agentes federais estariam negociando escutas telefônicas com conversas de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação mostrou que os e-mails apócrifos recebidos pelo ministro Marco Aurélio de Mello, relatando o suposto grampo, faziam parte de uma vingança pessoal. Um funcionário do INSS exonerado por corrupção tentou incriminar o delegado da PF que o investigou.

Marco Aurélio recebeu o resultado da investigação do ministro da Justiça, Tarso Genro, e o encaminhou ao procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza.

‘ Foi satisfatória a apuração. Dei o episódio como suplantado ‘

– O sujeito (funcionário do INSS) queria fustigar o delegado. Trata-se de retaliação. Foi satisfatória a apuração. Dei o episódio como suplantado – disse Marco Aurélio.

Ministros do STF disseram à revista ‘Veja’ que suspeitam estar sendo vigiados por grampos. O presidente da Associação dos Delegados da PF, Sandro Avelar, rebateu:

– São acusações graves e sem fato concreto.

Comentário

A única informação nova na capa da Veja era falsa, o próprio Ministro Marco Aurélio de Mello minimizou o incidente, mas a revista ocultou o fato.

Olha o que escreveu: ‘No clima atual, Marco Aurélio pediu uma investigação. O caso foi investigado, mas a Polícia Federal – ela, de novo – concluiu que a mensagem era obra de estelionatários fazendo uma denúncia falsa’.

Ou seja, lança dúvidas sobre a conclusão da PF, debitando a ela o hábito de desqualificar denúncias, e sonega a informação de que o próprio Marco Aurélio tinha considerado o episódio como irrelevante.

(*) É jornalista e comentarista de Economia. O texto foi publicado originalmente em seu blog.

O Comunique-se abre espaço para que Veja possa se manifestar sobre o texto de Nassif, se a revista assim desejar.’

Carlos Chaparro

No reino assombroso da corrupção, 24/08/07

‘O XIS DA QUESTÃO – As violações do direito ao sigilo dos dados pessoais tornaram-se coisa corriqueira. As listagens de nomes e dados de identificação de pessoas correm, soltas, em redes de computadores e, em certos casos, a serviço de estelionatários. É uma face nova, tenebrosa, do Brasil de hoje. A face da corrupção institucionalizada. E quem duvidar que ouça ou leia o parecer do relator do caso ‘mensalão’.

1. Cidadania desprotegida

A questão dos direitos constitucionais aos sigilos da privacidade e da intimidade está na ordem do dia. Os casos de agressão a direitos constitucionais se sucedem, não apenas no que se refere ao modismo das transcrições de conversas telefônicas, autorizadas ou não pela Justiça. Elas vêm ocorrendo, com freqüência que assusta, no campo criminal do estelionato, com a utilização, por parte dos criminosos, de dados pessoais cujo sigilo deveria ser e estar obrigatoriamente preservado – em última instância, pelo Estado, no seu dever de assegurar aos cidadãos os seus direitos fundamentais.

Os jornais de hoje dão-nos notícia que uma quadrilha conseguiu o cadastro de um número indeterminado de pessoas que haviam entrado na Justiça pleiteando indenizações de um dos antigos fundos de previdência, todos falidos, para o qual haviam contribuído anos a fio, em vão.

A quadrilha conseguiu nome, RG, e até mesmo o valor pretendido na ação, por cada uma das vítimas. E as procurava em nome de um tal Fórum Central Cívico de São Paulo. Cobravam adiantadamente 10% do valor das ações, com a promessa de liberação das indenizações a que tinham direito. E usavam estratagemas sofisticados, para arrancar o dinheiro das vítimas.

E paro por aí, no que se refere à história policial. O crime que interessa aqui comentar não é o estelionato em si, mas a violação do sigilo de dados pessoais, que a Justiça tinha a obrigação constitucional de proteger.

Poderão alguns pensar que esse é um caso isolado. Não é verdade. A violação de sigilos de dados pessoais tornou-se caso corriqueiro. As listagens de nomes e dados de identificação de pessoas correm, soltas, em certas redes de computadores – nas periferias das áreas do Trânsito e da Previdência, por exemplo.

Ainda há dias, pessoa minha amiga precisou encarar os procedimentos que a lei exige, para a renovação da carteira de motorista. Pois em todos os lugares por onde precisou passar – clínica credenciada para o exame médico, empresa credenciada para ministrar os cursos de atualização (em primeiros socorros e direção defensiva) e escola de condução – os seus dados pessoais já estavam nos respectivos computadores. Dados que ela, espantada, viu nas telas máquinas, sem que os tivesse fornecido.

Outro caso que incomoda se refere aos cadastros de pessoas recém aposentadas, ou prestes a se aposentar. Por vias e práticas clandestinas, os cadastro são passados aos bancos que operam com crédito consignado. E essas pessoas são incomodadas com telefonemas e correspondências de sedução, por parte dos bancos beneficiados pela operação criminosa.

2. Face tenebrosa

O Crédito consignado é um negócio tão bom para os bancos que, na briga entre eles, gordas verbas são investidas em publicidade. E não custa acreditar que, das táticas de conquista de clientela nova, faça parte a compra de cadastros com nomes e dados de pessoas prestes a se aposentar.

Quem os fornece? – ou melhor: quem os vende?

Para proteger os cidadãos em seus direitos de privacidade, o Ministério Público e as autoridades policiais deveriam empenhar-se na busca de resposta a essa pergunta. E é surpreendente que não se percebam, sequer, sinais de preocupação por parte de pessoas e mecanismos responsáveis pela preservação de direitos constitucionais que dão base à vida democrática.

Há um lado podre nas instituições do Estado que, qual câncer sem tratamento, cresce debaixo do nariz de quem, por deveres e compromissos assumidos, deveria cuidar, e não cuida, das coisas básicas da cidadania.

E quando assim é, o agente público que se omite no cumprimento dos seus deveres de cargo deveria responder, no mínimo, por crime de ‘condescendência criminosa’, previsto no Código Penal (artigo 320).

Mas, se houvesse a vontade política de investigar e combater os desvios da função pública, e para não falar em crimes mais cabeludos, chegaríamos a um assombroso festival de prevaricações – que vem a ser a omissão no cumprimento dos deveres de ofício, ‘para satisfazer interesse ou sentimento pessoal’ (Código Penal, artigo 319).

Essa é a face tenebrosa do Brasil de hoje.

******

Escrevi este texto com o computador conectado à TV Justiça, acompanhando a leitura do impressionante relato que ministro Joaquim Barbosa faz das repugnantes intimidades do ‘mensalão’. É um recorte ampliado dessa face tenebrosa, terrivelmente assustador, se considerarmos que tão gigantesca e complexa engenharia de corrupção envolve o partido pelo qual se elegeu o Presidente da República que nos governa.

(*) Manuel Carlos Chaparro é doutor em Ciências da Comunicação e professor livre-docente (aposentado) do Departamento de Jornalismo e Editoração, na Escola de Comunicações e Artes, da Universidade de São Paulo, onde continua a orientar teses. É também jornalista, desde 1957. Com trabalhos individuais de reportagem, foi quatro vezes distinguido no Prêmio Esso de Jornalismo. No percurso acadêmico, dedicou-se ao estudo do discurso jornalístico, em projetos de pesquisa sobre gêneros jornalísticos, teoria do acontecimento e ação das fontes. Tem quatro livros publicados, sobre jornalismo. E um livro-reportagem, lançado em 2006 pela Hucitec. Foi presidente da Intercom, entre 1989-1991. É conselheiro da ABI em São Paulo e membro do Conselho de Ética da Abracom.’

MÍDIA & POLÍTICA
Comunique-se

Presidente Lula se queixa mais uma vez da imprensa

‘O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou o lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em Curitiba, para criticar mais uma vez a imprensa. ‘(Os jornalistas) pensam que por falar na TV têm o dom da verdade’.

Lula vem fazendo constantes reclamações da mídia. Em junho, ele disse que a imprensa nacional não mostra ‘nada bonito’. ‘Se fala de Pernambuco, é morte, se fala do Ceará, é morte, e se fala da Bahia, é morte’, reclamou.

Para ele, o fato de veículos divulgarem notícias sobre ‘balas perdidas’ em cidades como o Rio de Janeiro deixa as pessoas sem vontade de sair de casa.

(*) Com informações do Globo Online.’

COMUNICAÇÃO PÚBLICA
Marcelo Tavela

Após a TV pública, vem aí o portal público, 24/08/07

‘enviado especial a Salvador – O processo de criação da TV Brasil ainda está no início, mas o governo já começa a pensar em um portal público de notícias. ‘Seria uma página com a oferta de todo conteúdo produzido pela comunicação pública. A BBC reúne tudo que é feito em um site, e não temos nada similar aqui’, explica Rodrigo Savazoni, editor-chefe da Agência Brasil.

O portal público foi uma das quatro propostas lançadas por Savazoni no painel ‘Convergência Digital e Formatação de Conteúdos’, no Workshop de Programação para TV Pública, que termina na sexta-feira (24/08) em Salvador. Outras sugestões incluem a criação de um provedor público de acesso à internet, um portal de vídeos com material das emissoras públicas – que já começou a ser desenhado – e desenvolvimento de tecnologias para web pelo poder público.

‘Já fiz uma apresentação ao ministro Franklin [Martins, da Secom], e a conversa foi excelente. O fato é que não dá para pensar mais em televisão sem pensar em internet. É também uma forma de ‘rejuvenescer’ o público. O ministro sabe disso, mas o foco agora está na TV. Pensamos nesse projeto em médio prazo’, contou Savazoni ao Comunique-se.

A meta é potencializar o que é já feito na Agência Brasil. ‘Há vídeos na Agência Brasil, mas é muito pouco. A idéia é ter uma grande plataforma comum, reunindo inclusive rádios comunitárias e, mais pra frente, pensando também em redes de relacionamento. Pensar em uma mídia específica é anacrônico’, diz Savazoni, que espera que a página pública seja um contraponto aos grandes portais financiados por empresas de telecomunicação e grupos de mídia.

‘Não tenho dúvida de que, em pouco tempo, o portal estaria entre os dez mais acessados do País’, arrisca.

Provedor

Já a idéia de um provedor público, que atuaria em regiões em que não há interesse econômico de se garantir acesso à internet e com a população mais pobre, envolve o esforço de outras áreas do governo. ‘Comunicação é um direito garantido na Constituição. Tem lugares que, para o mercado, não vale a pena investir. Então cabe ao Estado oferecer este diferencial’, aponta Savazoni. ‘Televisão é cada vez mais mesmice e os jornais estão cada vez mais iguais. A internet é que mostra essa possibilidade de inventar’.’

JORNALISMO & MEIO AMBIENTE
Comunique-se

Miriam Leitão e Maria Zulmira de Souza vencem prêmio de meio ambiente, 24/08/07

‘Miriam Leitão e Maria Zulmira de Souza receberam na última terça-feira (21/08) o Prêmio de Reportagem sobre a Biodiversidade da Mata Atlântica 2007. Os nomes dos vencedores foram anunciados na Pizzaria Bendita Hora, em São Paulo, numa cerimônia promovida pela Aliança para a Conservação da Mata Atlântica (parceria entre as ONGs Conservação Internacional e Fundação SOS Mata Atlântica). Quinze finalistas foram premiados.

A jornalista de O Globo escreveu ‘O Rei da Mata Atlântica’, que narra a trajetória de Feliciano Miguel Abdalla, que em 1944 prometeu proteger a Mata da fazenda que adquiriu em Caratinga, Minas Gerais. Depois de sua morte, a família de Feliciano garantiu a conservação dos muriquis do norte e criou um exemplo de sucesso em sua Reserva Particular do Patrimônio Natural.

Já a jornalista da Cultura, que teve sua reportagem veiculada no Repórter Eco, foi premiada pelo trabalho ‘Expansão urbana /litoral’, sobre a expansão urbana no litoral norte de São Paulo e os problemas que isso traz para os remanescentes do bioma mais ameaçado do Brasil.

As duas vão participar do II Congresso Latino-americano de Parques Nacionais e Outras Áreas Protegidas, que acontece a partir de 30/09 de setembro, em Bariloche, na Argentina.

Conheça os vencedores:

Impresso

1º lugar: Miriam Leitão (em parceria com Sérgio Abranches), do jornal O Globo

2º lugar: Sérgio Adeodato, da Revista Horizonte Geográfico, com ‘Uma Chance para a Mata Atlântica’, que descreve o esforço para a implantação de corredores de biodiversidade em regiões estratégicas para a conservação, com destaque para o Corredor Central da Mata Atlântica, que vai do Recôncavo Baiano ao Sul do Espírito Santo.

3º lugar: Liana John, da Revista Terra da Gente, com ‘As sem-vertigem’. O texto descreve as Sinningia ou ‘rainhas-do-abismo’, uma família de plantas muito apreciada e pesquisada no exterior e pouco popular no Brasil. Elas possuem flores de tamanhos muito diversos, mas têm em comum a preferência por paredes verticais, muitas vezes em locais altos. São raras, mas encontradas em várias áreas de Mata Atlântica e já estão sendo foco de excursões de observação semelhantes às realizadas mundo afora pelos birdwatchers.

Menções honrosas para: Amália Safatle, da Revista Página 22, com ‘O Canto e a Conta da Natureza’; Maristela Machado Crispim, do Diário do Nordeste, com ‘Mata Atlântica – Oásis do sertão’; Maura Campanili, da Revista Terra da Gente, com ‘Herança Compartilhada’; e Ricardo Zorzetto, da Revista Pesquisa Fapesp, com ‘Texturas da floresta’.

Televisão

1º lugar: Maria Zulmira de Souza, do Repórter Eco da TV Cultura, com ‘Expansão urbana /litoral’, sobre a expansão urbana no litoral norte de São Paulo e os problemas que isso traz para os remanescentes do bioma mais ameaçado do Brasil.

2º lugar: Beatriz de Castro Serra, da TV Globo Nordeste, com ‘O retorno a Murici’, que retrata a Estação Ecológica de Murici, um dos últimos remanescentes de Mata Atlântica no Nordeste, também foco da matéria com a qual ela ganhou o Prêmio em 2006. A reportagem foi veiculada no programa ‘Nordeste, Viver e Preservar’ e mostra uma região prioritária para a conservação cercada por plantações de cana-de-açúcar.

3º lugar – empate:

André Trigueiro, do programa Cidades & Soluções da Globo News, com ‘RPPN’, um retrato do avanço das Reservas Particulares do Patrimônio Natural, as RPPNs. Esta categoria de Unidade de Conservação privada protege os remanescentes florestais que existem dentro de propriedades particulares.

Márcia Bongiovanni, do Repórter Eco da TV Cultura, com ‘Mudanças / Lei’, que aborda a aprovação da Lei da Mata Atlântica, projeto do então deputado federal Fabio Feldmann que esperou 14 anos no Congresso e foi finalmente sancionada no final de 2006.

Menções honrosas para: Aline Resende de Carvalho, da Rede Minas de Televisão, com ‘Parque Estadual do Rio Doce’; Emerson Ramos, da Rede Record de TV, com ‘Mata Atlântica destruída por causa do granito’; José Raimundo Oliveira, da TV Bahia, com ‘Ampliação e criação de parques e reservas da Mata Atlântica’; e Vera Diegoli, da TV Cultura, com ‘Corredor de Biodiversidade – Bahia’.’

FUTURO DOS JORNAIS
Marianna Senderowicz

Jornais pagos precisam reformular conteúdo, acredita executivo da RBS, 24/08/07

‘de Porto Alegre – Conforme projeções de Felipe Goron, diretor de Comercialização da Unidade de Jornais do Grupo RBS, os veículos impressos diários terão que passar por um reposicionamento se quiserem manter-se em um mercado cada vez mais aberto aos impressos gratuitos. A afirmação foi feita nesta quinta-feira (28/8), durante palestra no comitê de Marketing da Amcham Porto Alegre.

Em 2006, os veículos distribuídos gratuitamente somaram quase 8% de toda a circulação mundial, segundo estimativas da Associação Mundial de Jornais (WAN). No último ano, o crescimento desse tipo de mídia foi superior a 55%, enquanto nos últimos cinco anos chegou a 241%. Em função do aumento dessa concorrência, Goron avalia que os periódicos pagos precisam levar conteúdo diferenciado aos leitores, com ênfase em análises e interpretações.

Apesar do crescimento notável, na opinião do representante da RBS os impressos gratuitos contribuem para a expansão do número de leitores, o que beneficia, também, as publicações pagas. ‘Jornal é hábito. A pessoa que começar a ler o gratuito, gradativamente desenvolverá esse costume e passará a exigir mais qualidade, migrando para o tradicional. No fundo, os gratuitos estão promovendo a abertura mercado.’

Cenário

Conforme o relatório World Press Trends (WPT) divulgado em junho durante o 60º Congresso Mundial de Jornais, 40,7 milhões de exemplares gratuitos são distribuídos por dia no planeta. Em países da Europa, as produções grátis chegam a representar 40% da circulação total. No Brasil, apesar de ainda não ser comum o formato diário para esse tipo de publicação, os jornais gratuitos também ganham força em diferentes estados, seja em publicações de bairro, de segmentos da economia ou outros.

Mesmo assim, algumas experiências parecem estar dando certo. Em São Paulo, um lançamento recente na área foi o Publimetro, impresso de segunda a sexta em cem cidades do mundo. Voltado para pessoas de 18 a 35 anos das classes A e B, o tablóide é distribuído em vários pontos da capital, como cruzamentos, grandes centros empresariais, universidades e metrô. Assim como ele, circulam pela metrópole o Metrô News – fundado em 1974 e que hoje distribui 120 mil exemplares diários – e o Destak, lançado em 2006 e que registra tiragem de 200 mil exemplares.’

JORNALISMO ESPORTIVO
Marcelo Russio

Sí, se puede, 21/08/07

‘Olá, amigos. Poucos eventos ensinam mais que o Parapan ou as Paraolimpíadas, em todos os sentidos. Do ponto de vista social, temos mostras diárias e cavalares de superação de dificuldades que somente quem as sofre no cotidiano sabe como são cruéis. Ver uma pessoa com apenas uma perna, e ainda assim defeituosa, entrar em uma piscina sem ajuda já é, por si só, impressionante. Ver que essa pessoa nada e representa seu país, nos faz ver o mundo de outra maneira.

No jornalismo esportivo brasileiro, habituado a cobrir prioritariamente futebol e, vez por outra, esportes olímpicos, é importante ver que um evento como o Parapan traz benefícios aos envolvidos em sua cobertura. Jornalistas que cobrem o ‘esporte nacional’ e que são escalados para trabalhar no evento, sem exceção, têm sua qualidade profissional sensivelmente melhorada no fim da competição. Basta acompanhar as matérias feitas no início e no fim do Parapan para se ter uma visão de como este evento nos faz superar os nossos próprios limites profissionais.

A visão humana, a vibração por um resultado obtido, o enfoque no ser humano, e não no deficiente, são apenas alguns exemplos do que encontramos nas matérias feitas no fim do Parapan pelos jornalistas brasileiros. Claro que o foco nas dificuldades superadas é inevitável, pois essa é a essência da competição. O ‘sí, se puede’, tão comum nas arquibancadas de futebol dos países de língua espanhola, foi visto a cada prova, de cada competição do Parapan. E, claro, na cobertura jornalística. Quem achava que não poderia noticiar de forma competente uma competição de natação para amputados, descobre que é possível falar sobre ela, fazer perguntas pertinentes e informar sem parecer desinformado.

A se destacar, em uma bela cobertura do SporTV ao evento, os colegas Marcos Peres e Régis Rösing, que foram competentes ao perceber a forma de se trabalhar no Parapan. O foco no lado humano, nas imagens que normalmente não se vê, e nos ídolos que tínhamos, mas que a maioria não conhecia, como Daniel Dias, André Brasil e Adriano Lima. Descobrimos que temos mais que Clodoaldo, Ádria e Tenório. Temos autênticos campeões, não apenas medalhistas. E isso foi mostrado com todas as cores, principalmente pelos dois repórteres. Parabéns ao ‘canal campeão’ pela aposta no evento que se mostrou histórico.

A imprensa em geral deu um espaço excepcional ao Parapan. Claro que as vitórias brasileiras ajudaram, já que a máxima ‘brasileiro não gosta de esporte, gosta de ganhar’ continua valendo. Se não houvesse o banho de ouro que houve, provavelmente as coberturas seriam menos generosas. Mas esse obstáculo também foi superado.

(*) Jornalista esportivo, trabalha com internet desde 1995, quando participou da fundação de alguns dos primeiros sites esportivos do Brasil, criando a cobertura ao vivo online de jogos de futebol. Foi fundador e chegou a editor-chefe do Lancenet e editor-assistente de esportes da Globo.com.’

INTERNET
Bruno Rodrigues

De Frei Betto a Zeca Pagodinho, 23/08/07

‘O bom-humor existe para que nós, humanos imperfeitos, não levemos a vida tão a sério.

É preciso ‘deixar a vida nos levar’, ‘levar na esportiva’, ‘levar na boa’ etc. Como o verbo-chave é ‘levar’, então, que nos ‘deixemos levar’ pelo novo que surge a cada instante e nos causa estranhamento. É o bom-humor que nos fazer rir do que é ridículo e evita que todos batam em retirada quando o estranho é um pouco demais. E, na internet, bem sabemos que isso não falta. Aliás, abunda.

Esta semana, três fatos do mundo online me chamaram a atenção, todos de uma falta de humor tão gritante, que vale a pena parar e refletir: é mesmo para levar tudo tão a sério?

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O outro Frei Betto

Nosso Frei Betto, escritor e frade dominicano, ao saber que na web circula um texto com a sua assinatura – mas originalmente escrito pelo secretário do PCB, Ivan Pinheiro – criticando a cobertura jornalística dos Jogos Pan-Americanos, subiu nas tamancas e apelou:

– A internet é a casa da mãe Joana – disse ao jornal ‘O Globo’.

Pelo contrário, Frei Betto. A Rede é um ambiente onde a democracia é mais palpável que em muitos regimes. Infelizmente, na internet, ainda vale, por enquanto, o olho por olho, dente por dente, mas chegaremos lá. Ainda é preciso gritar quando trapaceiam, copiam, roubam. Do jeito que você fez. Mas não dá para tratar a Rede como o filhinho de um amigo que você acha uma gracinha, até o momento em que ele puxa seu cabelo.

Faltou o quê? Respirar fundo, pensar duas vezes, olhar de longe.

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O novo site da Folha

Todo mundo tenta, por que não a ‘Folha’? Jornalismo online ainda é algo muito novo. Só esse ano, quatro dos veículos noticiosos mais ativos do mundo online relançaram seus sites – ‘USA Today’, ‘The Times’, ‘The Guardian’ e ‘CNN’.

Já era hora da ‘Folha’ reformular seu projeto, então. Muitos reclamam, em blogs e lista de discussão, que o site mudou para pior, que podia ter ficado como estava.

– Muitas mudanças foram inspiradas por idéias dos próprios leitores, que nos enviam diariamente sugestões e reclamações. E também nos ajudam a corrigir nossos erros, o que fazemos de forma transparente – afirma Ana Lucia Busch, diretora-executiva da Folha Online, em editorial especial do próprio site.

Concordo com Ana Lucia e com todos que abraçaram as mudanças, que também são muitos. Se a web, agora, é a gente que faz, por que tanto incômodo quando nos dão a chance de mudar os sites que visitamos todo dia, e para melhor?

Faltou o quê, neste caso? Vontade do usuário em interagir. Deve ser porque apenas 1% dos internautas põe a mão na massa na web, seja criando conteúdos próprios ou ajudando os sites a evoluir.

Se ações como a da ‘Folha’ servirem para aumentar estepercentual, já valeu a remexida no jornal.

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O Orkut morreu? Viva o Orkut!

Criei meu perfil no Orkut há alguns dias. Demorei dois anos para tomar a decisão. Achava besteira, assim como muitos ainda acham. Para mim, Orkut era papo de quem é obcecado por criar relacionamentos, o tipo que avalia a vida pela quantidade de gente que conhece. Networking à milésima potência.

Capitulei porque cheguei à conclusão há vantagens, sim. Estar, de certa forma, constantemente ligado a quem você conhece – e realmente gosta – é a principal.

Mas não é segredo, para ninguém, que o Orkut só é fenômeno no Brasil e na Índia. Nos Estados Unidos e na Europa, por exemplo, quem manda hoje é o Facebook, que começou como rede de relacionamentos para adolescentes e agora é a menina dos olhos das empresas que investem pesado no mundo online – em especial depois que o site começou a implementar mudanças para atrair o público adulto, e deu certo.

Dizem que o Orkut está com os dias contados, até porque o Facebook possibilita ‘importar’ tudo o que você já colocou no outro, como perfil, fotos, vídeos e por aí vai.

Será que cheguei para fechar a porta? Bem-feito. Quem mandou ser tão desconfiado e mal-humorado?

Preciso ouvir mais Zeca Pagodinho.

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Na terça-feira que vem, dia 28, inicio mais uma edição de meu curso ‘Webwriting e Arquitetura da Informação’ no Rio de Janeiro. Serão cinco terças-feiras seguidas, sempre à noite. Para mais informações, é só ligar para 0xx 21 21023200 e falar com Cursos de Extensão, ou enviar um e-mail para extensao@facha.edu.br. Até lá!

(*) É autor do primeiro livro em português e terceiro no mundo sobre conteúdo online, ‘Webwriting – Pensando o texto para mídia digital’, e de sua continuação, ‘Webwriting – Redação e Informação para a web’. Ministra treinamentos em Webwriting e Arquitetura da Informação no Brasil e no exterior. Em sete anos, seus cursos formaram 1.300 alunos. É Consultor de Informação para a Mídia Digital do website Petrobras, um dos maiores da internet brasileira, e é citado no verbete ‘Webwriting’ do ‘Dicionário de Comunicação’, há três décadas uma das principais referências na área de Comunicação Social no Brasil.’

TELEVISÃO
Antonio Brasil

TVs na internet são tema do Vitrine, 24/08/07

‘‘TV virando assunto na TV. Pronto, desvendado o mistério, taí grande sacada do tal do Vitrine: desmistificar os bastidores, mostrar ao público o que acontece por trás das câmeras de televisão, invadir estúdios de rádio, sets de cinema, agências de publicidade’.

Dentro dessa minha peregrinação pelo Brasil para divulgar o meu novo livro, o Antimanual de Jornalismo (ver aqui), esta semana fui a São Paulo participar do Vitrine. Sempre gostei dessa revista jovem da TV Cultura.

O tema da matéria eram as TVs na Internet. O Vitrine conhece bem o assunto. Ainda na época do Marcelo Tas, sob a direção de Gabriel Priolli, o programa passou a ser ao vivo e em estúdio, ganhou em interatividade e abriu espaço pra uma nova mídia, a internet. Foi o primeiro programa da TV brasileira a ser transmitido pela grande rede.

Hoje, dirigido pelo Marcelo Sirângelo e apresentado pelo talentoso Rodrigo Rodrigues e pela ‘estonteante’ ex-VJ Sabrina Parlatore, o Vitrine se prepara para enfrentar os novos desafios.

Sugestões

Na matéria sobre TVs na Internet procurei lembrar que, apesar da crise nas TVs abertas com perdas de audiência e falta de novos conteúdos, deveríamos encarar as novas tecnologias como aliados e não como inimigos.

Em outros tempos, o rádio também precisou se ‘reinventar’ para enfrentar a chegada da TV. Investiu na mobilidade dos radinhos de pilha e dos automóveis, acreditou na agilidade e interatividade dos telefones, melhorou a qualidade do som e da programação musical com as transmissões em FM, aprimorou os programas de notícias 24 horas e sobreviveu. Jamais recuperaria a condição de meio hegemônico. Mas desenvolveu uma nova linguagem e estabeleceu seu espaço na rotina do público.

A TV está na mesma situação do rádio nos anos 50. Está em estado de choque. Perde audiência e prestígio e não sabe o que fazer para enfrentar a Internet. Mas, em vez de tentar combater ou menosprezar o novo meio, deveria utilizá-lo como plataforma de lançamento de novas idéias, programas e formas de contato com o público.

Fiz algumas sugestões. Hoje, o Vitrine não é mais ao vivo. Pena. Mas poderia disponibilizar as suas gravações em estúdio ou algumas matérias mais importantes em transmissão direta via Internet. Seria uma espécie de Making Of ao vivo pela rede. Muita gente, principalmente os mais jovens, que não assistem mais televisão, teriam a oportunidade de conferir a produção do programa em tempo real nos seus computadores.

Outra forma de utilizar a Internet em programas de TV aberta é disponibilizar o conteúdo bruto – sem edição – das matérias exibidas, inclusive as longas entrevistas, em forma de arquivo. Os telespectadores insatisfeitos com a brevidade ou superficialidade de algumas matérias, poderiam complementar seu interesse por determinados temas na rede. É um bom exemplo de convergência que substitui a atual ‘divergência’ dos meios.

FizTV

A matéria sobre as TVs na Internet também indica e discute novas opções como a FizTV da Editora Abril (ver aqui). Lançada há poucas semanas, o objetivo da FizTV é juntar Internet e TV para estimular, organizar e distribuir a produção de vídeo livre e pessoal no Brasil. A produção dos internautas fica disponível no site durante um certo tempo e os vídeos podem ser assistidos, comentados e votados pelo público. Quanto maior for o sucesso, maiores serão as chances de serem lançados na TV. A FizTV tem tudo para dar certo. É um bom exemplo de Internet como laboratório para novos conteúdos.

Também é bom lembrar que os Reality Shows – esses programas no estilo Big Brother que garantiram grande audiência às TVs abertas em diversos países, inclusive no Brasil – foram originalmente criados pelas TVs na Internet. As TVs universitárias, principalmente aquelas que já estão na rede, também poderiam contribuir para essa nova parceria entre meios.

Ou seja, a parceria entre a TV e a Internet não pode se resumir a transmitir o mesmo conteúdo de sempre pela rede. Isso é um tremendo desperdício e garantia de fracasso.

Dias contados

Esta semana, Michael Powell, ex-presidente do Federal Communication Committee, o FCC, a agência reguladora das comunicações nos EUA, declarou que as TVs como as conhecemos, têm seus dias contados (ver aqui). É. Pode ser.

Mas ainda há maneiras simples, baratas e efetivas para reconquistar parte da audiência perdida por anos de desleixo e descaso da TV. Resultado de um longo período de uma hegemonia preguiçosa e perigosa.

Assim como o rádio no passado, a TV nunca mais será o principal meio de comunicação. Mas diante da própria velhice, ainda poderá se reinventar e encontrar um espaço digno. O Vitrine percebeu o problema e se prepara para esse novo cenário.

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O Vitrine é apresentado pela TV Cultura de São Paulo todos os domingos às 20h00 com reprise às quintas, às 00h10.

(*) É jornalista, professor de jornalismo da UERJ e professor visitante da Rutgers, The State University of New Jersey. Fez mestrado em Antropologia pela London School of Economics, doutorado em Ciência da Informação pela UFRJ e pós-doutorado em Novas Tecnologias na Rutgers University. Trabalhou no escritório da TV Globo em Londres e foi correspondente na América Latina para as agências internacionais de notícias para TV, UPITN e WTN. Autor de diversos livros, a destacar ‘Telejornalismo, Internet e Guerrilha Tecnológica’ e ‘O Poder das Imagens’. É torcedor do Flamengo e não tem vergonha de dizer que adora televisão.’


Comunique-se

ONG quer exoneração do presidente da Cultura, 24/08/07

‘O presidente da ONG Educa São Paulo, Devanir Amâncio, protocolou no Ministério Público Estadual de São Paulo, na quarta-feira (22/08), um pedido para que a entrevista com o dono da boate Bahamas, Oscar Maroni Filho, não fosse ao ar, mas em vão. Na entrevista gravada em 2004 para o programa ‘Provocaçoes’, apresentado por Antonio Abujamra, Maroni falava sobre seus relacionamentos sexuais – ele foi preso no início de agosto acusado de exploração de casa de prostituição.

Amâncio disse ao Comunique-se que acredita que, depois da posse de Paulo Markun na presidência da Fundação Padre Anchieta, a TV Cultura tem enfrentado ‘não somente crise financeira, mas uma crise de idéias’ e questiona: ‘É uma questão de oportunismo? É uma busca por Ibope? O Markun não é o único culpado. Estou dando um puxão de orelha nos conselheiros da TV Cultura. São conselheiros mesmo ou eles só têm o cargo? Eles não têm que saber o que vai ao ar na programação?’.

A ONG Educa São Paulo tem aparecido constantemente na mídia devido a uma série de protestos que vão além de questões educacionais. Apesar da Abong (Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais) informar que a Educa São Paulo não está registrada como ONG, Amâncio afirma que ela existe desde 1999 com foco em bibliotecas comunitárias e o incentivo à leitura. ‘Nosso forte também é fiscalizar os governos em muitas coisas, até na área de corrupção. A TV Cultura, por ser pública, está diretamente ligada aos objetivos da Educa São Paulo, que é a educação’, disse Amâncio.

O Ministério Público informou que o pedido da ONG para que a entrevista não fosse ao ar chegou às 17h29. ‘O programa iria ao ar às 0h30 e não haveria tempo hábil para o Ministério interferir’, declarou a assessoria do MPE.

Exoneração de Markun

Amâncio enviou ainda uma carta ao conselho da FPA pedindo a exoneração de Paulo Markun da presidência da fundação. A Folha de S. Paulo desta sexta-feira (24/08) disse que Amâncio tentava marcar uma audiência com o secretário de Assuntos Institucionais do Estado, José Henrique Reis Lobo.

‘Falei agora com o José Henrique Reis Lobo, que também é um dos conselheiros da TV Cultura. Não estou generalizando, mas tem alguns que estão ali por indicação política e isso é preocupante. Estou mandando essa carta com muito pessimismo para os conselheiros, porque não acredito que meu pedido [de exoneração] será considerado’.

Explicação

A TV Cultura disse ao colunista Daniel Castro, da Folha de S. Paulo, que decidiu reprisar a entrevista ao observar ‘a relevância jornalística do tema, a adequação do horário (0h30), e por não conter conteúdo apelativo ou inapropriado’. Conforme o estatuto da fundação, ‘é sua finalidade ‘o aprimoramento integral da pessoa humana; sua formação crítica para o exercício da cidadania’.

Demissões

O Estado de S. Paulo informa na edição de sexta-feira que a emissora deu início a um processo de reestruturação, que deve durar mais quatro dias e vai reduzir os gastos em R$ 3 milhões no prazo de um ano. São demissões e a não renovação de contratos nos setores de programação, jornalismo, prestadores de serviço e administrativo.

Segundo a TV Cultura, apresentadores e âncoras não estão incluídos na lista de demissões.

Apesar dos cortes, a emissora informa que está contratando para novas produções. Ela também promete recolocar alguns profissionais.’

EVENTOS EM COMUNICAÇÃO
Eduardo Ribeiro

Eventos de qualidade, gratuitos, 22/08/07

‘Alguns bons eventos foram programados para os próximos dias, sobretudo em São Paulo, mas há também dois deles programados para o Rio de Janeiro, que interessam diretamente a quem milita no jornalismo e na área de comunicação. Portanto aos leitores deste Comunique-se. Importante, são grátis. Detalhe, não são muitas as vagas disponíveis. Quem for rápido, pode conseguir a inscrição.

O mais importante deles está programado para a próxima terça-feira, 28 de agosto, em São Paulo, no hotel Grand Hyatt São Paulo, que fica localizado à av. Nações Unidas, 13.301 (popular Marginal do Pinheiros). Ali, a partir das 8h30, estará se apresentando ao vivo uma lenda das relações públicas mundial, Harold Burson, fundador e chairman da Burson-Marsteller, agência que atua em dezenas de países e que está comemorando 30 anos de Brasil.

Mr Harold, numa promoção conjunta da Burson-Marsteller com a Câmara de Comércio Brasil Estados Unidos – Amcham, vem ao Brasil para uma série de compromissos, entre eles essa apresentação num café da manhã, com início programado para as 8h30, na qual discorrerá sobre o tema Os desafios das relações públicas numa economia global.

Para se ter uma idéia da importância dele nessa atividade profissional, basta lembrar da sua indicação como a personalidade mais importante das relações públicas no Século XX pela revista PR Week, uma das mais conceituadas do mundo.

O evento é cortesia, mas as vagas são limitadas. As inscrições podem ser feitas até esta 4ª.feira (22/8) pelo 11-3011-6000 ou www.amcham.com.br/eventos . A palestra será proferida em inglês, sem tradução simultânea.

O reconhecimento da publicação internacional especializada em RP foi resultado dos mais de 50 anos em que ele atuou como consultor de CEOs de empresas multinacionais e autoridades do setor público em todo o mundo. Ao longo da carreira, Mr Harold recebeu prêmios e homenagens, incluindo a nomeação como doutor em Letras pela Universidade de Boston, em 1988. Graduado pela Universidade de Mississipi, foi veterano da 2ª Guerra Mundial. Aos 86 anos, é ainda autor de um blog que discute assuntos da área de RP e mantém relacionamento freqüente com os clientes, a partir de sua matriz, em Nova York.

Outro evento de qualidade aos quais os interessados poderão ter acesso está marcado para esta quinta-feira, 23/8, no prédio principal da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo – ECA/USP, localizado à av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 443, às 14h30. Lá estará se apresentando a Daniela de Fiori, diretora de Comunicação do grupo Wal Mart, no projeto Políticas de Comunicação Corporativa. Interessados podem tentar uma vaga pelo telefone 11-3091-4314. O ciclo é o organizado pelo professor Luís Milanese.

Na próxima segunda-feira, das 9h às 11h, na Universidade Anhembi Morumbi, no Campus Vila Olímpia (rua Casa do Ator, 275), a Abracom – Associação Brasileira das Agências de Comunicação organiza uma nova edição de seus Encontros Abracom Diálogos, tendo como convidada Priscila Sérvulo, sócia-diretora da PS Comunicação, que ali fará a apresentação do case Lançamento de um crematório: como dar vida na imprensa para um assunto quase tabu, do grupo Primaveras. As inscrições gratuitas podem ser feitas pelo e-mail contato@abracom.org.br ou pelo telefone 11-3079-6839 com Simone Castro ou Érika Ramos. É dirigido predominantemente para agências associadas à Abracom, mas a entidade não vai se recusar a aceitar na platéia leitores deste Comunique-se, até porque é do interesse dela difundir cada vez mais suas realizações.

Ainda em São Paulo, porém programado para a segunda quinzena de setembro, interessados em assistir às apresentações do II Seminário Capital e Trabalho – Compromisso Estratégico para a Sustentabilidade, que é organizado pela empresa Gestão Sindical (WWW.gestaosindical.com.br) e apoiado por esta coluna, devem reservar vaga (gratuita) no evento com Cristiano Machado pelo telefone 11-3368-3344 ou e-mail cristiano@gestaosindical.com.br . Trata-se de um evento da mais alta qualificação que tem por objetivo colocar empresas e trabalhadores frente a frente para discutir as questões mais candentes de sustentabilidade, de olho no desenvolvimento do País e na melhoria das relações de trabalho. Está programado para o dia 20 de setembro (uma quinta-feira), das 8h30 às 18h30, no auditório da Bolsa de Valores do Estado de São Paulo – Bovespa, no Centro de São Paulo, à rua XV de Novembro, 275, 1º andar. São apenas 20 as vagas disponíveis para os leitores desta coluna, que serão destinadas aos primeiros que fizerem a reserva.

No Rio de Janeiro, teremos nesta quarta-feira, 22, às 16 horas, a retomada do projeto Quarta às quatro na Biblioteca Nacional, organizado por Vítor Iório (vitoriorio@globo.com), com entrada franca. Sérgio Cabral, pai, abre a segunda edição do projeto, que já tem convidados confirmados até dezembro, tendo como pauta os temas cultura e comunicação. Os encontros serão transmitidos online pelo Instituto Embratel.

Ainda no Rio de Janeiro, porém na próxima terça-feira, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo – Abraji realiza o 2º Seminário Sobre Cobertura de Crime Organizado, com apoio do Open Society Institute. O evento será na PUC-Rio, das 9h às 18h30, e é fechado para os sócios da entidade. Mas na mesma data e local, às 19h, haverá um painel sobre o tema, aberto ao público, para discutir técnicas de apuração, conhecimentos específicos para a cobertura do assunto e as dificuldades do dia-a-dia. Entre os palestrantes, estão Marcelo Beraba, presidente da Abraji, e Marcelo Auler, de O Estado de S.Paulo.

Embora pago, trago aqui para os leitores um outro evento que parece ser dos mais ‘apetitosos’. Custa R$ 250,00, mas pela programação e pelos nomes envolvidos deverá valer cada tostão investido. Trata-se do 1º Anticurso de Jornalismo que a revista Caros Amigos, bem ao seu estilo polemista, promove a partir de 15 de setembro, em sua redação, que fica localizada na Vila Madalena, em São Paulo, à rua Fidalga, 162. A proposta é refletir sobre o jornalismo e sobre as questões que normalmente não freqüentam a pauta de outros cursos, como a exigência do diploma, a grande mídia, o mito da imparcialidade, os manuais de redação, entre outros assuntos. As palestras e debates – que contarão com as participações de Mylton Severiano, Georges Bourdoukan, José Arbex Jr., Renato Pompeu, Cláudio Tognolli, Claudius e Marcos Zibordi -, com carga horária de 16 horas, acontecerão em quatro sábados (os demais serão 22/9, 29/9 e 6/10). O ‘anticurso’ tem 50 vagas disponíveis. Informações pelo telefone 11-3819-0130 ou e-mail anticurso@carosamigos.com.br .

E para finalizar, passo aos leitores uma oportunidade: o Greenpeace abriu uma vaga de jornalista para coordenar campanha na área de energia nuclear. Os pré-requisitos são: inglês fluente; domínio de editor de texto, planilhas eletrônicas e navegadores de internet; habilidade em negociação, articulação política, comunicação, criatividade, diagnóstico de situações e gerenciamento de projetos; além de comprometimento com causas ambientais. É desejável experiência anterior em ONGs. Os interessados devem enviar os respectivos currículos para cv@br.greenpeace.org , tendo como assunto do e-mail CAMPAIGNER de NUCLEAR.

É isso por enquanto. Até a próxima semana.

(*) É jornalista profissional formado pela Fundação Armando Álvares Penteado e co-autor de inúmeros projetos editoriais focados no jornalismo e na comunicação corporativa, entre eles o livro-guia ‘Fontes de Informação’ e o livro ‘Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia’. Integra o Conselho Fiscal da Abracom – Associação Brasileira das Agências de Comunicação e é também colunista do jornal Unidade, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, além de dirigir e editar o informativo Jornalistas&Cia, da M&A Editora. É também diretor da Mega Brasil Comunicação, empresa responsável pela organização do Congresso Brasileiro de Jornalismo Empresarial, Assessoria de Imprensa e Relações Públicas.’

JORNAL DA IMPRENÇA
Moacir Japiassu

Praga abaitolada, 23/08/07

‘Em plena luz do dia

entrevê-se o rio que deságua

lixo sobre as almas.

(Celso Japiassu in O Itinerário dos Emigrantes)

Praga abaitolada

Deu, mas deu meeeeesmo, no UOL Ciência e Saúde:

Cientista italiano diz que humanidade será bissexual

Um conhecido cientista italiano está causando grande polêmica no país depois de ter apresentado uma teoria dizendo que a espécie humana está caminhando para o bissexualismo.

Durante uma conferência neste fim de semana na região da Toscana, Umberto Veronesi, que é médico e ex-ministro da Saúde, afirmou que a espécie humana deve caminhar para o bissexualismo ‘como resultado da evolução natural das espécies’. (Assimina Vlahou, de Roma.)

Janistraquis, que não é seguidor do movimento ‘Cansei’, mas está igualmente exausto, deixou fluir a impaciência:

‘Considerado, esse Veronesi é uma bichona apocalíptica e insolente e em 2008 será, sem nenhuma dúvida, grande destaque da Parada do Orgulho Gay na Avenida Paulista.’

Convém esclarecer que o ex-ministro da Saúde não faz propriamente uma previsão científica; roga, isto sim, uma tremenda praga.

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Quem é judeu

O considerado Carlinhos Brickmann escreveu no Observatório da Imprensa, a propósito do preceito segundo o qual a lei prende e a justiça solta:

(…) E, naturalmente, houve a Alemanha de Hitler. Como dizia seu ministro de Propaganda, Joseph Goebbels, ‘nós decidimos quem é judeu’.

Na verdade, a frase é da autoritária lavra de Hermann Goering e deve ser traduzida assim:

‘Eu decido quem é judeu nesta m…!!!!’

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Ah, o glúten!

O considerado Roldão Simas Filho, diretor de nossa sucursal no Planalto, de onde é possível avistar os sinais de fumaça do charuto de dona Dilma Roussef, ou melhor, de dona Denise Abreu, pois Roldão, que lê tudo o que encontra pela frente, volta a implicar com esse tão invasivo glúten no dia-a-dia de nossas atribuladas vidas:

Encontrado em cereais como o trigo, a aveia e a cevada, o glúten, como sabemos, pode causar sérios problemas às pessoas portadoras da doença celíaca, devido à intolerância alimentar delas. Por isso, a lei nº 8.543, de 23/12/1992, determinava a indicação de sua presença nos rótulos dos alimentos industrializados.

Essa lei foi substituída em 16/5/2003 pela lei nº 10.674, a qual estabelece: todos os alimentos industrializados deverão conter obrigatoriamente em seu rótulo as inscrições ‘contém glúten’ ou ‘não contém glúten’, conforme o caso, um evidente exagero que se torna ridículo, por exemplo, nos rótulos de garrafas de vinho, de refrigerantes como a Coca Cola, embalagens de leite, café solúvel, adoçantes dietéticos e até água mineral.

O bom senso recomenda o retorno à antiga legislação.

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Corda & pescoço

O considerado Ruy Alberto Paneiro, veterano jornalista carioca, despacha de seu retiro na Barra da Tijuca:

Aconteceu comigo.

Sem que eu tivesse solicitado, o BRADESCO emitiu, em abril, cartão VISA em meu nome e me cobrou R$ 17,75. Essa, de acordo com a cobrança, seria a primeira de quatro parcelas referentes à taxa anual de manutenção. Ainda viriam mais três.

Entrei em contato pelo telefone indicado (4002-0022) e parece que cancelaram a inscrição. Pelo menos não enviaram mais faturas.

Agora em agosto, o American Express – com o qual jamais tive qualquer tipo de contato – me envia correspondência, cobrando R$ 30,00 por TAXA DE INATIVIDADE, ou seja: à revelia me tornam associado e me cobram por não usar crédito que nunca pensei em pedir.

É o mesmo que um agiota me cobrar multa por não pegar dinheiro emprestado com ele. Diante de tal absurdo, vou entrar com ação na Justiça.

Não é à toa que os bancos apresentam lucros estratosféricos em seus balanços.

Janistraquis garante que com os bancos é sempre assim: eles entram com a corda e a gente com o pescoço…

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Emigrantes

Leia no Blogstraquis a íntegra de Um rio, cujo excerto epigrafa esta coluna. São versos extraídos da longa e produtiva caminhada de Celso Japiassu pelos cenários de sua infância nordestina.

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Chegou via e-mail

O avião derrapa…não freia…bate no prédio…pega fogo…morrem 200 pessoas…e sabe quem vai preso? O dono do puteiro…

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Cacaueiro

Imaginávamos o considerado Fábio José de Mello a curtir sua Descalvado e o homem aparece em…Rondônia! E é de lá que envia o seguinte despacho:

‘Estou trabalhando em Theobroma, no assentamento dos sobreviventes da chacina de Corumbiara. Como qualquer estudante de comunicação sabe, a cidade leva o nome científico do cacaueiro.

Era um quente fim de tarde quando levei um susto ao ler a chamada na primeira página da trepidante Folha de Rondônia, de 18 de agosto: ‘Preso com droga grudada ao corpo pela PF’. Pensei comigo: realmente, a PF está passando dos limites. Onde já se viu grudar droga no corpo de um cidadão?

O susto passou, mas não muito, quando li o textículo: ‘Wemerson Ávila da Costa foi preso ao desembarcar no aeroporto de Porto Velho com aproximadamente três quilos de cocaína grudados ao corpo com ataduras e esparadrapos e também na cueca. Outros dois homens que davam cobertura ao Wemerson também foram presos pela PF.

Dá prazer ler um texto assim.’

Janistraquis comentou:

‘A cueca, considerado, a cueca; sempre a cueca!…’

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Ó, mamãe!!!

Trechinho de matéria de jornal sobre atividades do movimento Cansei à porta da catedral da Sé:

‘(…) O dublê Luiz Alexandre da Silva, 36, se dizia ‘cansado da hipocrisia e da pornografia que a TV mostra todos os dias’: ‘Minha mãe aprendeu na TV que sexo é normal e, por causa disso, eu não conheci meu pai.’

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Apreendidos…

O considerado Sérgio Pavarini publicou no Pavanet, aquele site que ainda não existe, a notinha enviada para esta coluna na semana passada, referente a dois bandidos adolescentes que foram ‘apreendidos’, segundo relato do Jornal do Commercio (veja aqui).

Um leitor escreveu ao Pavarini e deu a seguinte explicação:

É realmente estranho o termo ‘apreendido’ usado para pessoas, mas a utilização deste termo é um mandamento legal. O ECA diz que os adolescentes não serão ‘presos’, mas ‘apreendidos’. Segundo a justificativa da época é que o termo ‘preso’ é muito forte, ‘apreendido’ ficaria mais leve e seria o politicamente correto.

Não sei o que é pior, já que o termo ‘apreensão’ dá a idéia de coisa.

Bem, só escrevi para dizer que o jornalista está certo. Errada está a lei.

Janistraquis recebeu cópia e respondeu:

‘O idioma é, naturalmente, complicado; não lhe vamos acrescentar uma pitada de cretinice para obedecer a ‘politicamente corretos’. O repórter está errado, sim! Não nos interessa a lei e sim o idioma, o qual se sobrepõe àquela. Os adolescentes foram presos, foram aprisionados, detidos; apreendido é o que se apreende ou é mentalmente captado, compreendido, ou então tomado e confiscado, se se tratar dalgum objeto.’

Concordo plenamente, vamos resistir a essa estupidez global que é o ‘politicamente correto’, o qual, na opinião de Janistraquis, é o… é a beirada preta… bom, não dá pra publicar, porque tem mãe no meio.

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Pegou mal

A considerada Flora Martinez, engenheira civil no Rio de Janeiro, gostou do artigo assinado pelo professor Aníbal Faúndes na Folha de S. Paulo, intitulado Por um novo consenso sobre o aborto (leia íntegra no Blogstraquis), mas achou ‘por demais esquisita’ esta frase:

(…) Apesar de o aborto não ser um evento desejável, a maioria das pessoas que viveram a experiência de uma gravidez não desejada acaba aceitando que, nesse caso, para elas absolutamente excepcional, o aborto é moralmente aceitável.

A engenheira implicou com ‘as pessoas’:

‘Ora, ‘pessoas’ por quê? Por que não mulheres? Politicamente corretos se valem do substantivo ‘pessoa’ quando se referem a homossexuais; como não é o caso, pois o professor trata de questão fe-mi-ni-na, a palavra soou como algo inapropriado.’

Janistraquis concorda, porém lembra que ‘criaturas’ soaria muito pior…

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Nota dez

O considerado Mestre Alberto Dines escreveu no Observatório da Imprensa:

Joel Silveira merecia homenagens mais caprichadas do que as publicadas em seguida à sua morte. Em plena era da Wikipedia e do Google, os obituários produzidos em nossa mídia continuam precários, em geral alimentados por amigos (lacrimosos ou pretensiosos) que se ocupam mais de si mesmos do que do mérito dos falecidos. Salvo as honrosas exceções de praxe.

Leia aqui a íntegra desta fundamental lição de jornalismo.

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Errei, sim!

‘APARENTEMENTE – Titulaço em duas linhas, estilo cabo-a-rabo, do Diário Popular de São Paulo, cognominado, com justiça, o Rei das Bancas: Professor reage a assalto e executa três bandidos. O texto contava:

‘O professor de educação física Arnold Alves de Mello, de 50 anos, não levou desaforo para casa, ontem à tarde, quando três rapazes aparentemente menores, armados com uma garrucha, o cercaram e exigiram as chaves de sua Brasília.’

O texto estava bom mas impliquei com a expressão ‘aparentemente menores’. Que vem a ser alguém aparentemente menor?, perguntei a Janistraquis, que incontinente respondeu: ‘Ora, considerado, o Nelson Ned é, aparentemente, menor’.

Não fiquei inteiramente convencido.’ (julho de 1994)

Colaborem com a coluna, que é atualizada às quintas-feiras: Caixa Postal 067 – CEP 12530-970, Cunha (SP), ou japi.coluna@gmail.com.

(*) Paraibano, 65 anos de idade e 45 de profissão, é jornalista, escritor e torcedor do Vasco. Trabalhou, entre outros, no Correio de Minas, Última Hora, Jornal do Brasil, Pais&Filhos, Jornal da Tarde, Istoé, Veja, Placar, Elle. E foi editor-chefe do Fantástico. Criou os prêmios Líbero Badaró e Claudio Abramo. Também escreveu nove livros(dos quais três romances) e o mais recente é a seleção de crônicas intitulada ‘Carta a Uma Paixão Definitiva’.’

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Clique nos links abaixo para acessar os textos do final de semana selecionados para a seção Entre Aspas.

Folha de S. Paulo – 1

Folha de S. Paulo – 2

O Estado de S. Paulo – 1

O Estado de S. Paulo – 2

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